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Zulu
Meu coração, não sei
porquê, bate feliz
quando te vê.
E os meus olhos ficam sorrindo E pelas ruas
vão te seguindo Mas mesmo assim,
foges de mim
Paulo,
são três da tarde.
Você tá desempregado? Não, não diga desempregado, Rosa. É uma palavra
horrível. Eu tô... Tô inativo. Tô atua. Atua, não. Tô lazeroso.
Como estão as suas reservas?
Morais?
Quase vazias.
Eu não queria tocar nesse assunto, mas tem uma continha aqui, ó.
Rosa, pelo amor de Deus, isso aqui não é uma continha. Isso aqui é um terço do
meu apartamento. Os apartamentos estão baratos hoje em dia, né?
Estava pensando uma coisa, você é arquiteto, eu preciso reformar a cozinha
do bar.
Espera aí, você está me propondo de eu pagar essa conta trabalhando aqui?
Acha muito ruim? De maneira alguma é ótimo, imagina, vou juntar duas coisas
que eu mais amo nessa vida, que é um bom bar e trabalho.
Fechado.
Música Música
A minha fala, a minha opinião A minha casa, a minha solidão Joguei do
alto do terceiro andar Quebrei a cara e me livrei pro resto dessa
vida Na avenida dura
até o fim Mulher
Dia 15 a gente tá aqui às 9 pra fazer um show comemorando os 300 mil seguidores.
Você não tá nessa lista?
Ah, então me segue, vai.
Seu nome deve ser sonoro e inesquecível.
Único e potente, assim como a sua voz e a sua presença.
É Gilda.
Ah, sabia.
Paulo, prazer.
Prazer. Aparece aí. Dia 15 a gente faz um show.
Às 9.
Olha, você quer ir numa festa hoje à noite?
Onde? Lá em casa.
Lá em casa, eu vou dar uma festa.
Hoje é noite e você é minha convidada de uma.
Tá.
Eu preciso ir.
Tá, aparece lá.
Tchau. Tchau.
Festinha aqui em casa, hein?
Traz aquele teu uísque, bom.
Não tem horário não, já tá rolando. É só tomar um banho e vir. E avisa pra mim
também a Vitória, a Fernanda, a Patrícia, a Tatá, a Cris. Não, isso não
precisa trazer não, que tem. Tá tudo prontinho já, só vir.
Só vir.
Você inventou que ia ter uma festa?
Claro. E agora vai ter uma festa. Ótimo. Então é aqui mesmo que eu e Oliveira
vamos ficar.
Já eu vou pro meu curso de papinha sem glúten. Você não é mais a mesma. É que
eu agora sou duas.
Agora se for menina, você podia botar o nome de Gilda, né?
Gilda, a mulher mais linda desse mundo. Você sempre diz isso. É, e mais uma vez
eu tenho razão. Aí a voz, eu falei da voz dela? Já.
Nossa, teve um momento que ela sorriu pra mim que parecia que o mundo tava
entrando em câmera lenta, assim, por alguns instantes.
Um brinde a Gilda.
Saúde. Segura aí, cabra. Não, não, não, não, não, não. Vou ficar 21 dias sem
consumir álcool. 20 e meio. Peraí, sem álcool, sem glúten? O que tá acontecendo
com os meus amigos? Você não pode beber, o que você vai ficar fazendo aqui na
festa? Estão dedetizando o prédio, eu, Oliveira e as baratas.
Vamos ficar fora uns dias.
Ah, entendi. Mas depois vocês voltam. Exato, tá tudo combinado.
Eu já falei que ela sorriu pra mim? Falou!
Som, som.
Meu choro não é nada além de carnaval É lágrima de samba na ponta dos pés A
multidão avança como um vendaval Me joga na avenida que eu não sei qual é Piratas
e super-homens cantam o calor Um peixe amarelo beija minha mão As asas de um
anjo soltas pelo chão. Na chuva de confetes deixo a minha dor.
Na avenida deixei lá.
A pele preta e a minha voz.
Na avenida deixei lá.
A minha fala, a minha opinião.
A minha casa, a minha... Oi!
Que susto!
Ah, é porque o Cupido não surpreende, ele assusta. Que bom que você veio.
Olha só!
E tá tendo uma festa mesmo?
É. Achei que você tinha inventado tudo só pra me trazer pra tua casa.
Eu inventei, mas aí pra você não descobrir, eu fiz uma festa.
Tem karaokê? Tem, vem cá.
Gente, gente, gente, desculpa, desculpa atrapalhar, de verdade. Presta aqui.
Olha só, eu não tô querendo desmerecer a qualidade vocal dos meus amigos, de
maneira alguma, mas é porque acabou de chegar uma convidada aqui que elevou um
pouquinho o nível da coisa.
Então eu quero apresentar pra vocês...
Gilda! Desde hoje, mais cedo, quando eu conheci você, que eu tô com um negócio
esquisito, sabe? Uma fumaça saindo da cabeça. E os meus olhos também, quando
eles veem algo muito deslumbrante, eles não conseguem parar de olhar. Eu preciso
realmente te conhecer melhor.
Segue o meu perfil. Não, Gilda, não tô falando disso. Eu só quero saber quem é
você, o que você gosta.
Eu sou uma mulher muito prática. Isso é ótimo. No momento, eu só tô interessada
em ser famosa. Ah, não é possível.
E o amor, não te interessa? Eu não tenho tempo pra romance.
Como assim?
O que pode ser mais importante do que romance?
A minha carreira.
Eu quero ser famosa de verdade.
Eu quero fazer show pra multidões.
Eu vou conseguir um milhão e meio de seguidores em menos de um mês.
Dildo, eu tô apaixonado por você.
Você é uma mulher muito sedutora. Eu só coloco meu amor à disposição.
Se você quer, você pega.
Se você não quer, não pega.
Eu quero.
Então pega.
Não quer mais silêncio A mulher de dentro de mim
Cansou de pretexto A mulher de dentro
de casa Fugiu do seu texto E vai sair
De dentro de quem for A mulher é
você
Eu fiz essa festa pra você brilhar.
Então não canta muito bem não, senão vai me ofuscar.
Impossível, meu amor. Impossível cantar melhor do que você.
Meu coração, não sei porquê.
Eu quero te desenhar, Gil.
Aqui? Agora?
Então pode ser no quarto pra você poder tirar a roupa. Oi?
Oi, meu nome é Antônio Lamberto. Não sei se você me conhece. Desenhe isso. Claro,
eu sei quem você é.
Dá o seu trabalho, eu te sigo. Ótimo, então me segue.
O Antônio vai me desenhar.
Vem matar essa paixão Que me devora o
coração E só assim então Serei feliz, bem
feliz 97, você é quase um profissional! Quero aplausos!
Maravilhoso. Parabéns, parabéns.
Gente, tirei 9.7, não tem ninguém pra ver. O que tá acontecendo aí, gente?
Peraí, o que vocês estão aprontando aí? Deixa eu dar uma passadinha, com
licença.
É o quê?
Desenho? E aí, rapaz?
Que que é isso? Não, não, não, não! Pode parar!
Que que é isso? Peraí, Paulo, isso é arte, cara! Que arte, rapaz? Dar rátio
nos outros é refresco. Acabou a arte. Vambora, gente. Acabou a festa. Peraí,
Paulo. Não, pode levantar. Lembra a tua arte. Acabou a festa. Vambora, gente.
Peraí, Paulinho. O quê? Vambora, vambora.
Acabou a festa.
Ótimo, ótimo.
Alegria, alegria, alegria.
Desculpa.
Foi uma crise de ciúme.
Percebi.
Detesto ciúme. Eu também. Eu também detesto ciúme. Mas é porque tava todo
mundo se divertindo, tirando foto.
E daí?
E daí tirando foto de mim?
De você nua?
É, Paulo, eu nua. Não posso?
Pode.
Claro que pode. Imagina, o corpo é seu. Você pode tudo. Eu que fui um babaca
mesmo. Cara, você acabou com a festa por causa de uma crise de ciúme.
Eu te conheci hoje. Mas é porque você me deixa louco.
Não. Não vem colocar a culpa pra cima de mim, não.
Tá, olha só. Então vamos fazer assim.
Vamos... Vamos ficar pelados os dois e sair na rua. Pronto. A gente faz uma
loucura. Eu e você, pelados na rua. O que você acha?
Tá.
Mas eu vou fazer um story antes. O que é isso? É um vídeo que dura um dia.
Tá, eu topo. Deixa que você faça outro amanhã também.
Desconsidere a razão Desobedeça o coração
Nas voltas que vão dando os dias
Desparafuse a construção.
Descontinue a tradição.
Desaproprie esse galpão.
E por que não... Agora que eu viralizei mesmo.
Isso é grave?
Não, isso é ótimo. Olha o que a minha empresária mandou. O quadro que o
Antônio fez bombou.
Tá nos trending tops.
Peraí, essa aqui é minha mãe.
Confusão com nove letras. Como assim não dá pra deletar? É, Paulo, um meme é uma
coisa sem controle. Quando você vê, tá no mundo. No mundo? Em Petrópolis
também? Meu Deus do céu, minha mãe vai ter um troço.
Pandemônio. Que, que, que... Forró bodó!
Pau! Olha isso aqui!
Fizeram mais um meme da tua mãe olhando pra mim.
Leva o casaquinho.
Ótimo, ótimo. Eu vou processar, um por um. Eu vou processar todas as pessoas
que fizeram isso.
Bom, sabia?
Namorado processa cantora por foto nua com sogra. Não, melhor não.
Mas adorei o namorado, viu?
Filme dos anos 40, nunca ouvi mulher como... Como, como, como...
Gilda.
Olha que maravilha, aqui eu posso trabalhar e beber.
É importante trabalhar com o que se gosta. Com certeza, no meu caso é o
uísque.
Prazer, Paulo.
Silvio. Como vai?
E você faz o quê? Eu estou indo para a Amazônia. Ah, é bombeiro? Diretor e ator
de teatro. Estou montando esse grupo, essa companhia, para fazer uma pesquisa,
um trabalho com uma tribo de índios.
que tem pouquíssimo contato com a nossa civilização.
Nossa, que bacana, vai catequizar os índios. Não, não, muito pelo contrário,
quero ser catequizado por eles, entender, me tornar uma nova pessoa.
Você sabe que teatro é isso, né?
Teatro é troca.
Um brinde à utopia.
Atrapalho? Que isso, meu amor, você só atrapalha quando tá longe de mim.
Deixa eu te apresentar, esse é o Silvio, essa é a Gilda, minha namorada, mas
enfim, você já deve conhecer esse rostinho. Não, não conheço, mas tenho
muito prazer. Não, conhece sim, pensa um pouquinho, porque ela já tem mais de 300
mil seguidores nas redes sociais. Na verdade, já subiu para 850 mil depois
dos meios.
Não,
não, eu estou fora das redes, fora da mídia, fora dos holofotes.
Mas não tem nada fora das mídias e dos holofotes. Mas ela é viciada nesse
negócio, eu sou viciado nela.
Vou fazer umas fotos em São Paulo.
Tô indo amanhã.
Você não escutou falando que eu sou viciado em você, não? É um contrato
ótimo, capa de revista, buzz door, chamadas impulsionadas na rede.
Mas parece ótimo. É pra vender batom, mas é uma forma de divulgar minha arte,
né? Ah, o Silvio é artista, que nem você.
Ah, músico. Faço teatro. É, e pros índios, imagina, o público é que fica
pelado. É, você pensa bem, no século XXI as pessoas passam cerca de duas horas no
trânsito, fazem cada vez menos sexo, são 12 horas de trabalho pra pagar casa,
comida, roupa e talvez sobrar um dinheiro pra então poder passar um
pedaço nas férias no meio do mato.
Desde que tem tendência. Agora o índio. O índio, por exemplo, ele passa o dia
inteiro pescando e nadando dentro do rio, só trabalha o suficiente, casa e
comida de graça, não precisa usar roupa, faz sexo com quem quiser, quando quiser,
passa o dia inteiro. num grande festival, dançando, cantando no meio da
natureza. Então eu te pergunto, Gilda.
Quem é o mais sábio?
Eu não tinha pensado nisso. Tá, e São Paulo, você volta quando? A arte salva.
Você pode deixar que eu ficando famosa, eu mesma me salvo. Diga pra fama. Ei,
fama.
Estou indo embora.
Adeus.
Se ela lhe seguir, é porque ela gosta de você.
Pois que ela me siga pra São Paulo. Vem cá, vocês estão me escutando? Quantos
dias você vai ficar fora?
4, 5, 6...
Sete, oito.
Oito dias.
Oito dias pra fazer foto em São Paulo, pelo amor de Deus. Quanto tempo leva pra
fazer foto em São Paulo?
O problema não é esse. O problema é que ela não responde suas mensagens. Você
não tá me ajudando, Laura. Você que não tá me ajudando. Que pia é essa? Quanto
tempo você não lava a louça? Tá um nojo. Eu não tenho condições de lavar.
Estou muito bem vestido. Eu não posso.
Aliás, quanto mais deprimido eu fico, mais bem vestido eu tenho que estar.
Bom, então... Seca um copo, vai.
Meu Deus do céu, eu estou no fundo do poço.
Ai, que saudade insuportável. Por que ela faz isso comigo? Ela sumiu.
Sumiu, ela vai voltar.
A vida tem algum sentido? Me abraça, Laura, por favor.
Hoje é dia 15?
A gente tem meu pilates grávida. A gente?
Vamos, vamos, vamos.
Vai ser super legal, você prometeu. Não sou eu que tenho que parar de chorar.
Vocês é que tem que se livrar dessa máscara que vocês vestem e chorar
comigo.
Chorem!
Desculpa, eu amo vocês, eu tô bêbado.
Saudade de estar bêbado. Ah, não, cabrão, nem vem você também querer beber
agora que você decidiu me acompanhar. Calma aí, faltam três dias de
abstinência. Sai, sai, sai, sai.
Tô na dúvida, você acha que a gente deixa ele num hospício ou num bar? Num
cemitério, faz mais sentido.
A gente nasce sem pedir e vai morrer sempre implorando por um pouquinho mais.
É insuportável.
No bar.
Rebola. Rebola, vem.
Não esquece de respirar. Eu?
Acho que é uma regra geral para todos os seres vivos.
Oi, Paulo.
Eu estou dando muitas entrevistas.
Você viu a postagem?
Eu fiz uma massagem relaxante na sobrancelha, um negócio chinês, você não
tem noção da maravilha que é. São Paulo é uma loucura. Eu encontrei o Silvio na
Paulista. Ele te mandou um abraço. Ah, estão me chamando aqui.
Beijo.
Ô, Gilda, o Silvio não estava na Amazônia. O que vocês estão fazendo em
São Paulo?
Volte imediatamente, que eu estou com saudade.
Beijo. Meu choro não é nada além de carnaval. É lágrima de samba na ponta
dos pés. A multidão avança como um vendaval.
Me joga na avenida que eu não sei qual é.
Pirata e super-homem cantam o calor.
Um peixe amarelo beija minha mão.
As asas de um anjo soltas pelo chão.
Na chuva de conversa... Maria Alice, eu sei que não sou digno que entreis em
minha vida, mas dizei uma só palavra e minha alma será salva. Que cara é essa?
Eu tenho dormido muito mal desde que você me deixou. Minha tristeza não tem
fim.
Isso é gota ou comprimido?
Tudo tem um fim, só a salsicha que tem dois.
É, os alemães, que o povo sabe.
Quando é que você volta? Ah, eu não sei se eu volto, quando que eu volto.
Por que você não vem pra cá?
Isso é um convite, porque se for, vendo tudo que eu tenho, vou pra aí amanhã. O
que você tem pra vender?
Nada, só o apartamento, mas tá apenhorado.
Talvez depois de amanhã. Eu vou ter que desligar, o ensaio vai começar aqui.
Tá bom, Maria Alice. Te amo.
Eu também.
Beijo.
Vodka, talvez.
Nem fala vodka.
Faltam três dias pra poder voltar a beber.
Ai, Cabral, vamos pra um bar, por favor. Vai comer uns bolinhos. Qual parte de
faltam três dias pra poder voltar a beber?
Laura, que você não entende. Qual?
Na gravidez, a alta da progesterona pode mexer com certas funções do cérebro,
principalmente na área responsável pela atenção.
Ótimo. É isso.
É isso. Tô grávida. Tô grávida, perdi a conta dos dias.
Faz 21 dias hoje. Vamos beber. Vamos beber.
Vamos beber. Faz todo sentido.
Pronto, chega. Eu preciso de glúten. Vamos beber.
Pronto, mandei mensagens telepáticas pra Gilda, Rosinha. Agora acho que ela
volta. E você vai terminar a obra por telepatia também? Porque os marceneiros
desistiram. Eles dizem que você só bebe. Deixa a Gilda voltar que eu retorno.
Eu vou te enviar mensagens telepáticas.
Paulo!
Você está demitido. Não, não, não.
Não foi isso que eu escutei, não. Eu tava escutando coisa muito melhor aqui
na minha cabeça. Era algo do tipo... Oi, Paulo.
Gilda!
Gilda! Gilda! Gilda!
Gilda! Tá vendo, Rosa? Ela voltou. É, mas você continua demitido.
Gilda, nossa, minha vida melhorou muito nos últimos cinco minutos, desde que
você chegou, porque ela tava um lixo. Agora ela tá média.
Eu tenho uma novidade.
Não gosto disso.
A fama não me interessa mais.
Larguei as redes sociais.
Como assim?
E os milhões de seguidores? Desistiu? Ai, Paulo, são pessoas irreais. Elas te
esquecem em 24 horas.
Entendi. Tipo uns tols?
Tipo isso.
Mas eu gosto dessa decisão, sabia?
Sabe por quê? Porque assim eu corro menos risco de alguém tirar você de mim.
Ah, Paulo.
Mas ninguém vai me tirar de você.
Gosto disso.
Porque eu não sou sua.
Sou minha, sou minha, e não de quem quiser.
Sou Deus, tua Deusa, meu amor.
Renato, o curso fez essa música pra Cássia Heller quando ela tava grávida.
Linda, linda, linda, linda. Linda e ajuda.
Sou fera, sou bicho, sou onze, sou mulher. Sou minha mãe,
minha filha, minha irmã, minha irmã. E aí E aí
E aí
Estavam só três dias pra você completar 21 sem beber.
Três dias? Então quase conseguiu. Parabéns.
Vocês acham que meu pedido não vai ser concretizado?
O que era? Uma promessa? Um pedido pro Paulo.
Pro Paulo ser feliz no amor.
Peraí, você prometeu... Não, não, não. Você fez uma promessa envolvendo a minha
felicidade e não cumpriu, Cabral. O que é? Me dá esse choro. Me dá esse choro.
Olha aí o que você fez.
E aí, Silvio, tudo bom? Cadê o mato? Não ia para o mato? Não foi para o mato?
Amanhã. Estou indo amanhã.
Estamos.
Estamos porque a gente vai também?
Vocês querem ver junto?
É aberto para quem quiser o grupo, viu? Para a floresta? Ah, é um convite muito
bonito, mas eu comecei a ver um filme e eu já apaguei, então eu tenho que
terminar ele até amanhã e eu prefiro ficar aqui no Rio de Janeiro com o meu
bebê, perto do meu obstetra.
Cachorro, eu.
Tem um cachorro.
Gilda, o que você vai fazer no mato?
Paulo, eu preciso conhecer o mundo real, pessoas reais.
Tá levando repelente? Porque lá no mato real tem mosquito real.
Não, não.
Paulo, eu não quero mais conquista. Agora eu quero harmonia. Entendi. Você
quer ser atriz também. É uma cena que vocês estão fazendo, não é isso? Eu vou
deixar vocês dois aí conversando, tá bom? Vou lá fora.
Até já. Prazer. Vai, vai, vai.
Júlia, pelo amor de Deus, você é uma menina, você é muito ingênua.
Aliás, você sabia que não pega celular na floresta? Melhor.
Paulo, ninguém me conhece, ninguém sabe de mim. Nem eu sabia.
Mas agora eu sei.
Não é possível matar o tempo sem ferir a eternidade.
Essa frase não é sua?
É. Adeus, Paulo.
Adeus, Júlia, Júlia, Júlia.
Vai ser feliz.
Não olha pra mim com essa cara. Não tenho culpa. É só um chope.
Promessa é uma coisa muito séria. Você com certeza tem culpa sim, Cabral. Não,
a culpa é minha, gente. Pelo amor de Deus. A culpa é óbvia que é minha.
Eu e essa minha mania de ficar me apaixonando. Mas também eu vou fazer uma
promessa. Não vou mais me apaixonar. Acabou. 21 dias. Não vou.
Sem se apaixonar. 21.
Que nem eu.
Eu duvido, ele não consegue ficar nem 21 minutos sem se apaixonar. Vocês estão
subestimando a minha força de vontade. Eu consigo, se eu não vou me apaixonar.
Aliás, se eu me apaixonar, vocês podem me matar.
Aham, tá ok.
Contando a partir de agora.
Saiba que você me matou.
Por mais doce que seja o teu novo amor, por mais que o tempo passe, por mais que
alguém no meio da rua grite que a guerra acabou, saiba que você me
matou.
E 21 segundos.
Pô!
Desconsidere a razão Desobedeça o
coração Nas voltas que vão dando os
dias Se jogue nesse turbilhão
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