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Original subtitles

UMA S�RIE ORIGINAL NETFLIX

CASTELO DE WINDSOR, 1940

Majestade.

� sempre o soberano que d� in�cio � refei��o.

� absolutamente proibido comer antes que ele, ou ela, comece a comer.

Sim, professora.

Durante a refei��o, por altura da entrada,

devem dirigir-se � pessoa sentada � vossa direita at� ao fim.

� hora de ir falar com o vice-reitor, Lilibet.

Vossa Alteza, vamos.

"A Constitui��o � composta por duas entidades",

escreveu Walter Bagehot em 1867.

"A eficiente e a digna."

Qual � o monarca?

Vossa Alteza?

- A entidade digna. - Muito bem.

A entidade eficiente tem o poder de criar e executar normas

e responde ao eleitorado.

O que a todos toca, por todos deve ser aprovado.

A digna confere import�ncia e legitimidade � entidade eficiente

e responde apenas a...?

- Deus. - Precisamente.

"Ambas as entidades, a coroa e o governo, a entidade digna e a entidade eficiente,

resultam apenas quando se apoiam, quando h� confian�a m�tua."

Pode sublinhar isso.

CONFIAN�A M�TUA

- Ensina isto a outros alunos? - N�o, s� � menina.

Isto � o que ensino aos outros.

Estes s�o exames.

- Eu n�o deveria saber tudo isto? - N�o, menina.

� tudo muito indigno.

RESOLVA A EQUA��O

SABER � PODER

Vejo que o Sr. Einstein voltou a mudar de ideias.

- Sim? - O cientista.

Eu sei quem �, mas mudou de ideias em rela��o a qu�?

Isso j� n�o percebo t�o bem, mas todos o comentam.

Quando era pequena, perguntei ao vice-reitor

se n�o dev�amos estudar um pouco de Literatura, Filosofia e Ci�ncias.

Ele achou que eu j� tinha disciplinas suficientes,

mas n�o achas que devia ter aprendido?

Porqu�?

N�o achas que � nosso dever saber certas coisas?

Tens muitas e grandes virtudes. N�o podes saber tudo.

A quest�o � essa, m�e. N�o sei praticamente nada.

Sabes quando ficar calada. Isso � o mais importante.

E isso n�o seria um problema, se levasse uma vida normal,

mas, agora, passo tanto tempo com pol�ticos e homens de estado

que vivo cheia de medo de ficar a s�s com eles.

O teu querido pai era igual.

Gostaria de pensar que, mesmo n�o dominando,

n�o tenho de desviar sempre a conversa para c�es e cavalos.

O primeiro-ministro vem a caminho.

Uma vantagem com este homem � que nunca tens de abrir a boca.

L� isso � verdade.

Limita-te a sorrir enquanto ele vai falando.

Vossa Majestade pode n�o estar ciente, mas este � o meu �ltimo ano.

Palavra? H� quantos anos est� connosco?

H� 33, Majestade, e j� servi quatro soberanos.

� dif�cil imaginar o pal�cio sem si.

Agrade�o a amabilidade, mas estamos preparados para a transi��o.

H� muito que o substituto est� preparado.

- S�o dois substitutos, certo? - Sim. Um mais velho e um mais novo.

- Um herdeiro e um suplente. - Exacto.

Antes de falarmos sobre isso,

gostaria que soubesse como estamos gratos.

- Pelos anos de servi�o. - Obrigado.

O meu pai valorizava-o muito, como sabe.

E, neste curto espa�o de tempo, vejo que tamb�m eu viria a valoriz�-lo,

mas merece o descanso.

E acho que me entenderia bem com o Martin Charteris.

- O Martin Charteris? - Sim.

Presumo que tenha a sua aprova��o.

O Martin � o mais novo, Majestade. O suplente.

Michael Adeane � o mais velho, o verdadeiro herdeiro.

Sim, mas eu e o Martin j� trabalh�mos juntos.

Estou ciente disso.

Decerto que o Michael compreender� e n�o levar� a peito.

O Martin � o mais novo. � o que faz mais sentido.

Se � esse o desejo de Vossa Majestade.

- Primeiro-ministro, desculpe a demora. - Ora essa.

Vejo que arranjou companhia.

Honey, Sugar, Pippin. Digam adeus. Obrigada, Tommy.

Vamos come�ar?

H� um assunto a dominar esta semana, Majestade.

Os russos e a sua bomba de hidrog�nio.

Temos a confirma��o de que andam a fazer testes no Deserto de Kazakh.

� crucial que ajamos rapidamente para assegurar a paz

e que n�s, brit�nicos, encabecemos essa iniciativa.

Sempre fui a pessoa mais desejada numa sala com os russos

porque Estaline s� falava comigo,

mas, com a sua morte, h� o perigo

de Eisenhower tentar comandar a situa��o.

- E isso seria mau? - Desastroso, por raz�es �bvias.

Claro.

Relembre-me as raz�es �bvias.

A R�ssia...

... � um imp�rio enorme e antigo que imp�e e merece respeito.

Os americanos gostam de mostrar o poder e falar alto.

Quando se trata de governa��o mundial, ainda n�o est�o preparados.

Precisam de uma for�a mais experiente e antiga

para os guiar e orientar.

Isso era bom para muita gente.

Pedi ao Ministro dos Neg�cios Estrangeiros para ir a Washington

e planear um encontro com Eisenhower

para come�armos a discutir uma abordagem unida

para trazer os russos de volta � fam�lia.

- Acha que ele aceita? - Eisenhower?

N�o, o ministro.

O Anthony � o melhor Ministro dos Neg�cios Estrangeiros

que este pa�s teve nos �ltimos anos.

Acredito, mas tamb�m consta que � muito doente.

N�o quero pensar que o pa�s n�o est� em m�os seguras,

a ser conduzido por homens saud�veis.

Estamos ambos de �ptima sa�de. Asseguro-lhe.

Diz-se que a bomba que testaram

era uma Sloika de fiss�o e fus�o

com deut�rio de Li-6 e ur�nio-235,

com uma for�a de 400 quilotoneladas.

Khrushchev alega que a bomba est� pronta para ser utilizada,

pode ser lan�ada a partir de um bombardeiro.

Na semana passada, andou a gabar-se � junta governativa.

E devemos acreditar?

As �ltimas informa��es da CIA sustentam a hip�tese,

com os russos a aumentar a produ��o de bombardeiros de longo alcance.

O senhor sente-se bem?

A minha pasta, por favor. D�-me a minha pasta.

Pode fazer isto?

Isto devia ser feito por um m�dico.

� s� encontrar uma veia, v�.

Podemos dizer com confian�a de que a pot�ncia total da Joe Four

andava entre as 400 e as 500 quilotoneladas.

Os servi�os secretos indicam que os russos usaram

uma bomba de camadas como a nossa Ivy Mike, de 1952,

o que � confirmado pelo raio da explos�o.

O Ministro dos Neg�cios Estrangeiros ingl�s.

Aquele, meus senhores, n�o � s� um homem adormecido,

mas uma met�fora triste.

O segundo homem mais poderoso

daquele que, um dia, j� foi o pa�s mais poderoso do mundo.

O que � aquilo no bra�o dele?

Parece sangue.

Meu Deus.

- Coronel Charteris. - Majestade.

- Mandou chamar-me? - Mandei. Sente-se.

Como decerto saber�,

o Tommy Lascelles ir� deixar-nos em breve para iniciar a sua t�o merecida reforma...

... e a sua partida deixar� um vazio.

Sim.

Estava a pensar se estaria interessado em preencher esse vazio.

- Com que fun��o, Majestade? - Como meu secret�rio particular.

- Teria todo o gosto, mas... - Mas o qu�?

E o Michael Adeane?

- O que tem? - � o sucessor natural.

Esperava poder decidir sozinha, uma vez na vida.

Posso escolher um de dois secret�rios particulares.

E eu prefiro o mais novo.

Ent�o, temos um acordo?

Sim, pelos vistos temos.

- �ptimo. - Obrigado.

H� alguma coisa que possa fazer, entretanto?

N�o, n�o, n�o. Obrigada, Martin.

Por acaso, Martin...

Um tutor.

- Majestade? - Quero arranjar um tutor.

- De alguma �rea em particular? - Educa��o geral.

- Elaborarei uma lista de nomes. - Obrigada.

E, Martin, n�o um muito quadrado. Com sentido de humor.

Entendido.

Estou habituado a dores, Winston, mas estas tornaram-se intoler�veis.

Preciso de ser operado.

E essa opera��o tem mesmo de ser em Boston?

� onde est� o melhor. O �nico.

OS EUA est�o mais preparados para tratar problemas da ves�cula biliar

devido � sua alimenta��o rica em gorduras.

Assim n�o te terei na reuni�o com o Ike.

- N�o podes adi�-la? - N�o, n�o posso.

Al�m disso, h� muito que dizes que �s capaz de tudo sem mim.

A brincar, meu caro rapaz, quando ficas rebelde e presun�oso.

Sabes que preciso muito de ti.

- Sei. - E ent�o?

Mesmo assim, gostaria de voltar a ouvi-lo.

O qu�?

Gostaria que voltasses a diz�-lo.

Para quem estiver a ouvir a conversa. Continua.

Eu disse que...

... preciso de ti, Anthony.

Porqu�?

Pelo teu bom senso.

- E que mais? - A tua integridade e lealdade.

Mais alto, por favor.

Est� bem, sim, eu preciso de ti l�.

Acho que todos concordamos que preciso de ti.

E eu preciso da cirurgia, Winston. Agora � a minha vida que est� em risco.

Lamento.

Senhor primeiro-ministro?

- O que � isso? - Toma, Charles. Aquele.

Olhe, gosta do meu desenho?

� um foguet�o! Um dia, levar-nos-� ao espa�o.

Vamos passar � p�gina seguinte.

- Est� aqui o professor Hogg, Majestade. - Quem?

O coronel Charteris disse que a Majestade o esperava.

Sim, � verdade.

Onde fica Merc�rio?

Bem alto, nos c�us, Charles. � onde est�o os outros planetas.

- Majestade. - Professor Hogg.

Lembra-te de como se segura a caneta.

Durante o meu novo dia-a-dia,

tenho de passar muito tempo a s�s com os estadistas.

Homens como o senhor, de intelecto excepcional,

que atingiram o topo da carreira por pura intelig�ncia e capacidade.

Mas, muitas vezes, h� alturas...

... em que discuto mat�rias do dia com estes homens e me sinto...

... vencida.

Como se estivesse em desvantagem

por n�o os conseguir acompanhar.

Ou por n�o saber reconhecer o que est� por tr�s.

E isso n�o � vida para ningu�m.

Est� desinformada e totalmente � merc� de outrem.

Sim, e era por isso que tinha esperan�a de que me ajudasse a afirmar-me,

a sentir-me menos em desvantagem,

a preencher algumas das lacunas.

Talvez Vossa Majestade me possa dar uma ideia de at� onde chegou.

- Quando? - Na sua educa��o.

Como assim?

Exames que possa ter feito e passado

para eu estabelecer o grau de ensino.

Tem o certificado do ensino secund�rio?

Tudo bem. E o certificado do ensino b�sico?

Algum equivalente de tutores?

Compreendo.

Sua Majestade, a rainha.

Que boa surpresa!

A que devo o prazer?

Venho fazer-te uma pergunta sobre a minha educa��o.

O que tem a tua educa��o?

- O facto de n�o a ter recebido. - Recebeste.

Coser, bordar, recitar poemas com o Crawfie?

Isso n�o � educa��o.

Querida, tamb�m passaste anos com o vice-reitor de Eton College.

- A levar com a Constitui��o. - Aprendeste bem mais do que a tua irm�.

M�e, falo de uma educa��o normal e disciplinas normais.

Recebeste uma educa��o adequada para uma mulher do teu meio.

Que n�o me preparou para a vida que levo agora.

Ensin�mos-te a ser uma senhora, uma princesa. O que queres? Um curso?

As pessoas n�o querem uma mulher erudita nem uma leitora como soberana.

Querem uma rainha.

Uma rainha muito mal preparada

para lidar com as pessoas com as quais tem de se reunir.

E o que tem isto que ver comigo?

Como pudeste desiludir-me tanto?

Est�s a criticar-me enquanto m�e?

Devias pensar duas vezes, considerando os teus telhados de vidro.

O que queres dizer com isso?

N�o te vejo a fazer grandes mudan�as nesse aspecto.

Isso n�o � justo.

Al�m disso, j� passaste a idade de mandar golpes baixos aos pais.

Eduquei-te como eu e o teu pai ach�mos melhor.

Porque n�o pux�mos mais por ti?

Porque ningu�m o aconselhou, incluindo o vice-reitor.

N�o se deve for�ar o que n�o nasce connosco.

Foi isso que aprendi.

Todos temos de aceitar as nossas limita��es.

� ali o apartamento gracioso do secret�rio particular da rainha.

- A nossa nova casa. - Quanto do andar de baixo ocuparemos?

Todo. Incluindo os quartos que v�o at� � parte de tr�s.

As meninas ser�o felizes aqui.

Temos de ir.

- N�o quero que nos vejam. - Porqu�?

� de mau tom.

- E ainda n�o tenho o trabalho. - E aquela �rvore?

Est� a bloquear a luz toda.

Podemos pedir para lhe darem um jeitinho.

Pedes?

N�o vejo a pressa, mas, sim, posso pedir. Com discri��o.

Santo Deus.

Um AVC, Bobbety, um pequeno AVC.

Mas j� estou a recuperar.

N�o me parece muito recuperado.

- Quem sabe? - Ningu�m.

E ningu�m pode saber, sobretudo a rainha.

O qu�?

Prometi-lhe que o pa�s ter� sempre um homem saud�vel a comand�-lo.

E o Bobbety conhece-me. Sou um homem de palavra.

N�o lhe pode esconder isto.

� chefe de um governo que gere o pa�s em nome dela.

Al�m disso, ela n�o desconfiar� quando ningu�m for � audi�ncia?

O pal�cio foi informado de que apanhei uma constipa��o.

Uma constipa��o?

Jock, tem a minha permiss�o para dizer que avan�ou para gripe.

- Com certeza. - Mas mais nada!

E a reuni�o com Eisenhower, em Washington?

Como fui proibido de voar, n�o me resta alternativa...

- Vai adiar a reuni�o? - Est� doido?

A situa��o com os russos n�o podia ser mais delicada

nem podia precisar mais da minha influ�ncia.

N�o.

Temos de arranjar maneira de o trazer c�.

N�o h� alternativa, Tommy. O que me diz a 12 de Julho?

- Duvido. - E 13 de Julho?

- Tamb�m duvido. - Pronto, dia 14.

Posso falar com ela, Bobbety, mas n�o conte muito com isso.

Conto com a sua persuas�o.

Adeus.

Desculpe incomodar,

mas Lorde Salisbury ligou-me com um pedido invulgar.

O presidente Eisenhower ia reunir-se com o primeiro-ministro para a semana,

mas o Sr. Churchill constipou-se e o m�dico proibiu-o de andar de avi�o.

Como a reuni�o � muito importante,

o gabinete do ministro pergunta se podemos ajudar.

- Como? - Convidando o presidente a vir c�.

Onde?

Ao Pal�cio de Buckingham para um banquete na pr�xima semana.

Dizem que, por essa altura, Winston j� estar� recuperado.

Eu planeava ir a Sandringham.

Teria de adiar a sua ida por mais alguns dias.

Podemos fazer um convite pelo nosso embaixador em Washington.

- Isso � um "sim", Majestade? - Sim.

Ent�o, com a sua licen�a, � melhor p�r m�os � obra.

CARO WINSTON, LAMENTO QUE ESTEJA DOENTE

Tem um segundo, Tommy? Preciso de falar consigo.

N�o, lamento. Tenho um banquete para organizar. Se puder esperar...

Quando ouvir, tamb�m ficar� alarmado.

Parece que Martin Charteris vai substitu�-lo

como secret�rio particular da rainha, n�o eu.

O qu�? Quem disse?

Margaret Colville, a mulher do Jock Colville,

que joga �s cartas com Alice Jameson, uma dama da rainha

que, como sabe, joga t�nis com Mary Charteris.

Como haveria de saber isso?

- Est�o t�o certas que Mary... - N�o me diga.

Foi falar com o jardineiro real para cortar a �rvore da minha janela.

Sim.

Pe�a ao Martin que venha falar comigo.

Isto se n�o estiver ocupado a medir tapetes e cortinados

para aquela que ainda � a minha casa.

- Podemos avan�ar. M�os � obra. - Sim, senhor.

CARO SR. PRESIDENTE

ESTOU CONFIANTE

- Mandou chamar-me, Tommy? - Sim. Sente-se.

H� quanto tempo trabalha para o pal�cio? Tr�s anos?

� tempo suficiente para aprender.

Perceber as regras, como se fazem as coisas.

Acho que sei.

Claramente, n�o sabe.

Chegou o professor Hogg, Majestade.

- Majestade. - Professor.

Sei que ia preparar algumas li��es de natureza mais geral,

mas parece que, primeiro, preciso de conhecimentos espec�ficos.

- Sobre o qu�? - O presidente Eisenhower.

Vem c� daqui a uns dias e espera-se

que eu me sente ao lado dele e converse com ele.

Preciso de saber tudo sobre ele e os seus interesses.

O complexo industrial militar.

Como?

E a sua amea�a ao governo democr�tico. � isso que mais o preocupa.

- Talvez um assunto mais leve? - Golfe?

- Mais alguma coisa? - Pinturas a �leo.

- Consta que pinta paisagens. - Como todos.

D�-me 24 horas para fazer pesquisas e partilh�-las consigo?

Claro que sim.

Ele foi baptizado, n�o foi? H� seis meses.

Sim, acho que li qualquer coisa. � presbiteriano.

- Acha que o mergulharam? - Mergulhar?

- Uma imers�o completa, num rio. - Se fosse de apostas, diria que sim.

E �?

De vez em quando. No Derby e no Grand National.

Como lhe correu este ano?

No National, bastante bem. Apostei no e/w do "Early Mist".

Muito bem. Ganhou por 50 metros.

Tamb�m admiro muito o Sr. O'Brian e o que faz nos est�bulos Ballydoyle.

- Quem? - O treinador.

- N�o foi por isso que apostou nele? - N�o. S� gostei do nome.

Estou a ver.

- Voltarei dentro de 24 horas. - Obrigada.

"Lamento saber que, nestes �ltimos dias, n�o se tem sentido bem..."

- Olha que simp�tica. - � verdade.

"... e que os seus esfor�os incans�veis pelo nosso pa�s

resultaram neste inconveniente tempor�rio."

"Inconveniente tempor�rio."

O que � que ela sabe, ao certo?

Pelo tom desta carta... Winston.

- Ela pensa que � uma constipa��o. - Uma constipa��o?

Sim. Se soubesse a verdade, mandava-me deixar o meu lugar.

- �ptimo. - Precisariam de outra pessoa.

A pessoa errada, porque o homem certo...

- O Anthony? - ... est� incapacitado.

Demasiado conhecimento pode ser muito perigoso.

Quer dizer que, neste momento,

este pa�s est� sem um l�der s�o ou um vice?

Fala mais baixo.

- Mas... - Entre.

Trago-lhe uma boa not�cia: Eisenhower aceitou.

Tinha raz�o, o convite do pal�cio revelou-se imposs�vel de recusar.

Mudaram a agenda para incluir a visita.

- Essa not�cia � maravilhosa. - N�o saias da cama, Winston.

- � maravilhoso! - N�o saias, querido. N�o saias.

- Se o Ike vier, voltarei a ser um l�der. - Winston.

� o mais importante.

- Ter-me a mim e ao Ike na mesma sala. - Volta j� para a cama.

Construir uma rela��o verdadeira e duradoura de paz com os russos.

Admite que est�s a lutar pela tua vida e diz � rainha.

Winston?

EISENHOWER: O HOMEM E O S�MBOLO DE JOHN GUNTHER

- � muito grave, desta vez? - N�o h� como saber.

Temo que tenhamos de dissuadir os americanos.

Claro.

- E avisar a rainha. - N�o, j� n�o vale a pena.

Se Eisenhower n�o vier, culpamo-lo a ele, n�o a Winston.

A rainha n�o pode saber tudo o que lhe andamos a esconder.

Preparar para inspec��o!

Desculpe incomod�-la, Majestade.

O gabinete do primeiro-ministro pediu-me que a informasse

de que o presidente Eisenhower j� n�o pode sair dos EUA

devido a uma crise pol�tica nacional.

Que al�vio!

E o primeiro-ministro continua doente,

pelo que n�o vir� � audi�ncia de hoje.

Palavra? Coitado.

� a segunda audi�ncia seguida a que falta.

- N�o � nada dele. - N�o, pois n�o?

Est� bem, Martin?

Majestade, tive a oportunidade de ponderar sobre a sua gentil proposta

de ser seu secret�rio particular, mas tenho de recusar.

Porqu�?

Neste momento, acredito que estar� melhor com o Michael.

N�o, n�o acredita.

- Majestade? - N�o pensa nada isso.

Nem poderia pensar pela simples raz�o de n�o ser verdade.

O Tommy Lascelles falou consigo?

- Majestade... - Falou.

E o que lhe disse?

Que devia ter recusado de imediato.

Que n�o respeito nem compreendo

a tradi��o e os protocolos do pal�cio e que deve ser o Michael Adeane.

Sim?

D�-me s� um momento, Martin.

Entre.

- Majestade. - Tommy.

Vou directa ao assunto: prefiro o Martin.

- Como � seu direito, Majestade. - Tamb�m achei que sim.

Mas seria um erro.

- E porqu�? - Fa�a favor.

Temos um sistema, uma ordem desenvolvida ao longo do tempo e de v�rias gera��es.

E a individualidade na casa de Windsor,

ou qualquer desvio desse sistema, deve ser desencorajada.

Resulta em cat�strofes como a abdica��o.

Abdicar do trono e escolher um secret�rio n�o se comparam.

Discordo.

Servi o seu tio, como sabe,

e � nas coisas mais �nfimas que a podrid�o come�a.

Quem erra uma vez, facilmente repete.

Quem � individualista uma vez, facilmente volta a s�-lo.

No caso do seu tio,

come�ou por querer usar o pal�cio apenas como escrit�rio

e a casa de York como casa particular.

Depois deixou de ir � igreja, decidiu vender a casa de Sandringham.

Demitiu cortes�os que haviam servido o pai

em prol de suplicantes mais jovens e engraxadores.

Claro que, na altura, ningu�m previu a abdica��o,

mas o ego, a obstina��o,

o individualismo, a podrid�o... j� se tinham instalado.

- Eu e o Martin temos um acordo. - N�o o nego.

Eu sentiria que tenho um aliado,

quase um amigo, numa posi��o que muitas vezes �...

Bom...

O sucessor e o mais velho dos meus dois assistentes,

bem como o herdeiro natural, � o Michael.

- O seu homem. - O homem certo.

Mas, como sempre, a �ltima palavra � sua.

Ligaram do pal�cio a pedir uma audi�ncia esta tarde.

Parece que a rainha quer falar consigo.

Comigo?

O que se passa, Patrick?

- N�o sei. - Nem desconfia?

Sr. Colville, Majestade.

- Mandou chamar-me, Majestade? - Sim, Jock.

Foi o meu secret�rio particular durante dois anos antes do Martin Charteris.

Fui.

E sempre achei que nos entend�amos bem

e que pod�amos falar abertamente um com o outro.

Claro que sim.

E confiar um no outro,

falar sem rodeios em rela��o a coisas importantes.

Antes que Vossa Majestade continue, deixe-me dizer que lamento.

Tem sido aflitivo.

Tentei trav�-los, dei a minha opini�o,

mas eles insistem que o escondamos.

Ap�s o segundo, quis contar-lhe a verdade.

- O segundo qu�? - AVC, Majestade.

Mas voltaram a insistir que nos cal�ssemos e nada diss�ssemos.

Compreendo.

E quem foi que insistiu?

Lorde Salisbury, Majestade,

e o pr�prio primeiro-ministro, nos seus raros momentos de lucidez.

Compreendo.

Era o que queria falar comigo, certo?

N�o.

Chamei-o para lhe perguntar se devia escolher o Michael Adeane

para meu secret�rio particular em vez do Martin Charteris...

... mas o que acaba de me contar � muito mais importante.

- N�o. - Sim.

Os sacanas dos velhos...

Nem � s� serem sacanas, n�o acha? � inconstitucional.

- O que vai fazer? - Nada, claro. � o meu trabalho.

- N�o fazer nada e manter-me calada. - �?

Tanto quanto me lembro, e perdoe-me porque h� muito que n�o leio Bagehot,

mas neste tipo de circunst�ncias n�o lhe cabe tamb�m agir?

- Duvido. Teria de verificar. - Eu acho que sabe muito bem.

Sim, cabe.

Mas n�o posso chamar os homens mais inteligentes e formid�veis do pa�s

e dar-lhes um ralhete, como se fossem crian�as.

Porque n�o? Vossa Majestade est� certa e eles n�o.

Sim, mas eles s�o muito mais inteligentes do que eu.

Eles s�o sempre melhores do que eu a debater, a pensar e a manobrar.

Aqui n�o se trata de educa��o ou intelig�ncia,

mas sim de integridade e princ�pios.

Diz n�o ter capacidade para defrontar estas pessoas, mas tem.

Passou anos a marrar a Constitui��o.

Conhece-a melhor do que eu. Do que todos n�s.

� versada na �nica coisa que interessa.

O que quer que eu fa�a?

Chame-os e d�-lhes um bom ralhete, como se fossem crian�as.

Porque haveriam de o aceitar?

Porque s�o ingleses, homens e da classe alta.

Um bom ralhete da ama � o que eles mais querem.

Sem convencionalismos at� ao fim, professor.

Obrigada, professor.

Preciso de uma coisa do castelo de Windsor.

Acho que est� l�. Pode estar em Sandringham ou Balmoral.

- At� pode estar c�. - Majestade?

ELIZABETH A CONSTITUI��O

Lorde Salisbury, por favor.

Se n�o se importar, senhor primeiro-ministro.

Majestade.

Constou-me que, algures na semana passada,

o meu primeiro-ministro ficou incapacitado.

E o Ministro dos Neg�cios Estrangeiros.

E que o senhor foi conivente na oculta��o dessas informa��es.

- Maje... - N�o me cabe a mim governar.

Mas cabe-me a mim garantir que o meu pa�s � bem governado.

Como o posso fazer, se os ministros me mentem e me escondem a verdade?

Impediu-me de cumprir o meu dever.

Dificultou e aldrabou o funcionamento da Coroa.

Como foi capaz?

O meu falecido pai tinha-o em grande considera��o.

Ele acreditava que a frase "o passado ensinou-nos a nunca confiar num Cecil"

era muito injusta.

Mas, se calhar, n�o �.

Pode ir.

Senhor primeiro-ministro.

Fa�a favor.

O primeiro-ministro, Majestade.

- Majestade. - Winston.

Bem sei que sou apenas uma jovem no come�o de um servi�o p�blico

e jamais me passou pela cabe�a vir a dar a um homem t�o mais velho,

e que tanto contribuiu para o pa�s, um serm�o.

No entanto, esteve presente na minha coroa��o.

Estive.

E ouviu com os seus pr�prios ouvidos o meu juramento solene

de governar as pessoas dos meus reinos

de acordo com as suas respectivas leis e tradi��es.

Uma dessas tradi��es � que o primeiro-ministro eleito

esteja s�o de corpo e mente.

Penso que n�o seja pedir muito.

N�o.

Mas constou-me que n�o esteve s�o nestas �ltimas semanas

e que me escondeu essa informa��o,

uma decis�o que parece uma trai��o n�o s� da rela��o de confian�a

entre n�s e as institui��es que ambos representamos,

mas tamb�m da nossa amizade.

CONFIAN�A M�TUA

Em 1867, Walter Bagehot escreveu:

"A Constitui��o � composta por duas entidades:

a eficiente e a digna."

O monarca � a parte digna e o governo � a parte eficiente.

Ambas as entidades resultam apenas

quando se apoiam, quando h� confian�a m�tua.

As suas ac��es e a sua viola��o dessa confian�a

foram irrespons�veis e podiam ter tido ramifica��es graves

na seguran�a deste pa�s.

Est� melhor de sa�de?

- Sim. - Ainda bem.

Mas est� melhor o suficiente?

O suficiente para governar?

Pe�o-lhe que pense na sua resposta

com base no respeito que a minha posi��o e cargo merecem,

n�o pelo que a minha idade e g�nero possam sugerir.

Majestade...

Olho agora para si e apercebo-me

de que se aproxima rapidamente a altura de eu sair,

n�o por eu n�o estar bem para governar,

mas por Vossa Alteza estar pronta.

Como tal, cumpri o meu dever para com o seu pai.

Com a sua b�n��o e o seu perd�o,

continuarei a servir como o l�der do governo de Vossa Majestade.

Majestade.

ELIZABETH A CONSTITUI��O

�s tu?

Ol�. Onde tens andado?

Fui a um jogo de cr�quete para caridade da National Playing Fields Association.

Passei algum tempo no aer�dromo a fazer acrobacias.

Foi sem aprova��o, n�o contes a ningu�m.

Porque est�s todo empinocado?

N�o sabes? Temos um banquete esta noite.

N�o sabes? Foi cancelado.

- Porque � que ningu�m me diz nada? - Experimenta passar c� mais tempo.

Li dois livros sobre Eisenhower de prop�sito.

- A s�rio? - N�o.

Est�s bonita.

- Estou? - Est�s diferente.

- O que foi? - N�o sei, pareces-me...

Aconselho-te a ponderares muito bem as tuas pr�ximas palavras.

Mais alta, n�o sei como. Ou ser� que fui eu que encolhi?

- De encolhido n�o tens nada, querido. - Aonde vais?

Tenho uma reuni�o com o novo secret�rio.

- Manda-o pastar. - N�o posso fazer isso.

O que querias que fizesse?

Tens duas op��es.

Ou vou buscar umas andas para chegar � altura desta nova mulher alt�ssima...

Ou?

Ou... ela pode ajoelhar-se.

A RAINHA

Major Adeane, Sua Majestade pede para adiar a reuni�o.

- Compreendo. - Para amanh�.

Muito bem.

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