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UMA S�RIE ORIGINAL NETFLIX
Mais de meio milh�o de pessoas deixam Epsom a rebentar pelas costuras.
E agora, para ver a corrida da coroa��o, chega Sua Majestade, a rainha.
O seu carro, com o estandarte real,
percorre lentamente a pista de Tatnum Corner.
Acompanhada pelo duque de Edimburgo,
a rainha acena em tom de reconhecimento ao povo que a sa�da.
A multid�o demonstra o seu apre�o pelo bel�ssimo casal,
s�mbolo de uma nova era.
Meio milh�o de pessoas.
Numa pista de corridas.
Gra�as � coroa��o, a tua irm� � a mulher mais famosa do mundo.
Sim.
Mas eu sou a mais sortuda.
- Vou numa viagem rom�ntica � Rod�sia... - Uma viagem oficial.
- Com o homem que eu amo. - Secretamente.
A� serei a mais feliz.
Tenho uma hist�ria. � importante.
Desde que n�o seja sobre a fam�lia real, sou todo ouvidos.
� sobre a fam�lia real.
Deixa-me adivinhar: gra�as a uma bela jovem
e a uma cerim�nia breve, transmitida pela televis�o...
Obrigado, Bob.
... uma institui��o cansada e anacr�nica rejuvenesceu,
uma na��o foi libertada da austeridade do racionamento e da guerra
e volt�mos a ser uma pot�ncia mundial quando parec�amos estar a cair.
- Tudo tretas. Queres um copo? - N�o devia.
- Bebe, � quase hora do almo�o. - Os jornais.
- Obrigado. - � o meu trabalho.
- � a princesa Margaret. - O que tem?
Ao sair da abadia, no dia da coroa��o,
vi-a a tirar um borboto do uniforme de um homem.
- Borboto? - Sim, borboto.
Caramba, Bill, n�s somos jornalistas a s�rio.
E isto � a s�rio.
O homem em quest�o, um antigo funcion�rio do pai,
o capit�o Peter Townsend, � plebeu
e, ou�a esta, � um plebeu divorciado.
Diz-nos a Hist�ria que, quando h� div�rcios � mistura,
acaba em reformas ou numa abdica��o.
Igreja e Estado voltar�o a colidir? � uma grande hist�ria.
Tal como jactos a cair dos c�us
e a morte de Estaline a fomentar uma mudan�a de poderes na URSS.
Deixe-me escrever. Palpita-me que aqui h� coisa.
Com base no qu�?
O que est�s a fazer?
Tirar borbotos do casaco de um homem � um gesto t�o �ntimo quanto um beijo.
At� mais, j� que sugere que o beijo j� aconteceu.
N�o, desculpa. N�o posso fazer uma capa sobre um borboto.
Deixe-me escrever e logo decide.
Est� bem.
Que fique picante.
- Quero que salte � vista. - Sim, senhor.
BOMBA REAL
SAL�O DE VISITAS PRINCIPAL
Telefonista. Bom dia, Vossa Alteza Real.
Bom dia. Quero falar com a minha irm�, por favor.
Um momento, por favor.
- Londres. - Pal�cio de Buckingham, por favor.
- Victoria 48, 32. - Aguarde.
Pal�cio de Buckingham, bom dia.
Prossiga.
Sua Alteza Real, a princesa Margaret, deseja falar com Sua Majestade.
Com certeza. Pode aguardar?
- A princesa Margaret para Sua Majestade. - Obrigado.
Sim?
Sua Alteza Real, a princesa Margaret, deseja falar com Sua Majestade.
Sim. Est� na sala do pequeno-almo�o.
- Sala do pequeno-almo�o. - Sim, senhor.
Vossa Alteza tem uma chamada.
Sim?
Sua Alteza Real, a princesa Margaret, Majestade.
Obrigada.
- Ol�! - Ol�.
Queria saber se tens uma noite livre para n�s jantarmos todos juntos.
- Antes de eu ir para a Rod�sia. - Devo ter de certeza.
- Quinta? A m�e n�o est� c�. - Terei de ver.
- �ptimo. - E quem � o "n�s"?
Tu, eu, o Philip e...
Gostaria de convidar o Peter, se puder.
- O Peter em que estou a pensar? - Sim, esse Peter.
- O que queres dizer com isso? - Nada. Que bom.
Quer�amos falar contigo sobre uma coisa.
E pronto, l� est�s tu.
- Desculpa. Vais dar-me alguma pista? - N�o.
- J� paravas com isso. - Desculpa.
- Quinta � noite, ent�o? Tentas? - Est� bem.
Ser� muito divertido.
�ptimo.
�ptimo.
Cheg�mos.
- Entre. - Obrigado.
- Como se chama, querida? - Obrigado, meus senhores, obrigado.
Obrigado, meus senhores, obrigado.
S�o muito gentis.
Hoje temos um convidado especial
que acaba de passar um ano num Cairo p�s-revolu��o
a trabalhar como fotojornalista.
O nosso colega de clube, Tony Longdon.
Longdon "Longa Noite"!
Obrigado, � muito bom estar de volta.
Meninas, podem fechar as portadas?
�ptimo!
Como disse o Baron, acabo de chegar das ruas do Cairo
e ainda estou a tentar digerir o furac�o dos tumultos populares,
o violento golpe militar e a revolu��o que testemunhei.
Malditos nativos.
Todos conhecem o rei Farouk, um personagem interessante.
- Tinha mais de cem carros. - Quase tantos como eu.
- Mandou pint�-los todos de vermelho. - Espl�ndido.
Corria com eles pelas ruas do Cairo
a disparar contra os transeuntes que apanhava pelo caminho.
- Apoiado. - Ca�a ao campon�s!
Talvez por isso, no ano passado, tenha sido obrigado a abdicar.
E, agora, este homem, Nasser, � o nome que est� na boca do mundo.
Tem o carisma para unir n�o s� o pr�prio pa�s,
como o mundo �rabe inteiro.
Incita ao �dio contra o ocidente e a monarquia.
Este � o Shepheard's,
um hotel brit�nico famoso, s�mbolo do governo colonial,
antes dos tumultos...
- Meu Deus. - ... e depois.
Que inscri��o � aquela?
"Morte aos imperialistas."
Por�m, nem tudo � mau.
Mike, tenho algo especial para ti.
Agora, sim.
- D�-lhe qualquer coisa. - N�o conte � minha mulher.
Boa dica.
- Aonde foste hoje? - A lado nenhum.
Bom, claro que fui a um s�tio, mas nada que te interessasse.
� um clube masculino.
- Onde? - No Soho.
S� de homens.
Para falar sobre mulheres.
N�o. Se queres saber, estivemos a falar sobre o Egipto
e a revolu��o que acaba de haver l�.
E sobre a tens�o na Cro�cia, Alb�nia, Montenegro, Jugosl�via, Hungria, It�lia.
Aten��o.
Sim, um pouco sobre o belo sexo, com caf� e o tradicional brandy.
Do que estavas � espera? � um clube para homens.
- Qual � a lista de convidados de hoje? - N�o h�.
Somos s� eu, tu, a Margaret e o Peter.
O qu�? O Peter Townsend?
- Ent�o, porqu� a formalidade? - Ela insistiu.
Queria que fosse uma ocasi�o especial.
Com ele? Isso n�o � uma contradi��o?
Ele n�o se portou mal, n�o?
Sei tanto quanto tu.
Vai correr tudo bem.
Anda.
- Gostar�amos de ficar a s�s. - Sim, minha senhora.
Podem deixar tudo? Obrigada.
Desculpem.
Convidei-vos para jantar
porque queria falar convosco sobre uma coisa.
Acho que sabem que, ao longo dos anos,
estando o Peter pr�ximo da nossa fam�lia e t�o distante da dele,
nasceu uma amizade entre n�s.
Com a morte do pai, que tanto me abalou,
com a tua sucess�o e coroa��o e estando tu cada vez mais ocupada,
o Peter tornou-se praticamente a minha �nica companhia e eu a dele.
Quando o div�rcio dele saiu, em Dezembro do ano passado,
acho que j� seria de esperar que ambos come��ssemos a pensar...
... no futuro que poder�amos ter juntos
e decidimos, creio que foi em Abril, pouco antes da coroa��o,
que, um dia,
querer�amos...
Bem, voc�s percebem.
- Casar? - Sim!
C�us.
Claro que sabemos das complica��es e das quest�es que est�o em jogo.
Lilibet, h� muito que sabes de n�s.
N�o deve ser um choque assim t�o terr�vel para ti.
N�o, de forma alguma.
� maravilhoso.
- Querem perguntar alguma coisa? - A sua mulher sabe?
- Ex-mulher. - Sabe. Tivemos uma conversa franca.
- N�o h� animosidade. - Que bom.
- E os meninos? - Sabem e parecem muito felizes.
Ent�o...
Tenho a tua permiss�o?
Como soberana?
Bem...
Claro que teria de me aconselhar
sobre como e onde... Todas as quest�es oficiais,
mas se � o que tu queres...
� o que eu mais quero.
Ent�o, como tua irm�, jamais me oporei.
Obrigada! Obrigada!
Obrigada, fico t�o feliz.
Bem, os meus parab�ns aos dois.
- Obrigado, Alteza. - Acho que "Philip" ser� melhor.
Obrigado, Alteza. Philip.
Tu sabias?
S� sabia que estavam juntos.
E nunca te ocorreu contar-me?
N�o me agrada. Primeiro, vai ser um tremendo esc�ndalo.
Segundo, n�o acredito neles. Ele � demasiado velho para ela.
E teve uma esp�cie de esgotamento durante a guerra.
Tudo isso pertence ao passado.
Al�m disso, � por essa raz�o que se dava t�o bem com o meu pai.
- J� para n�o falar de como � chato. - Ele n�o � chato.
Desesperadamente chato. J� conheci plantas mais interessantes.
O que te est�o a fazer � horr�vel.
Porqu�?
Pela posi��o em que te deixam, enquanto irm� e rainha.
J� se esqueceram da cat�strofe que foi com o teu tio?
- A situa��o � diferente. - Um divorciado, o outro realeza?
Parece-me bastante parecida.
Isso foi h� 17 anos. O mundo mudou.
O resto do mundo, sim. Nada muda na Corte de St. James.
Al�m disso, n�s temos um filho e herdeiro.
Realisticamente, n�o � poss�vel que a Margaret venha a ser rainha.
E a atrac��o � compreens�vel.
- Pelo Peter? - Sim. � um her�i de guerra bonito.
- Um her�i de guerra divorciado. - Sem culpa de tal.
Nenhuma parte � desprovida de culpa num div�rcio.
A mulher dele teve um caso com outro homem.
Porque ele passava a vida aqui, de volta da tua irm�.
- Ele estava a cuidar do meu pai. - E de volta da tua irm�.
Basta.
Al�m disso, pensava que gostavas dele.
Gostava dele? Claro que o respeito pelo que fez pelo pa�s na guerra.
Joga bem bridge, � um bom piloto.
- E � boa influ�ncia para a Margaret. - �?
Se fosse boa influ�ncia, entendia-se com a mulher
e deixava a Margaret em paz.
- Boa noite, Bill. - Boa noite.
POTENCIALMENTE ARRUINOU
Potencialmente...
At� amanh�.
- � bom que esteja alguma coisa de jeito. - E est�.
- Meu Deus! - Pediu-me um artigo picante.
- Isto n�o � picante, � uma bomba real. - Eu sei.
- O que est� a fazer? - N�o posso publicar sem autoriza��o.
- O qu�? - N�o olhes assim para mim.
Acorda para a vida, est� bem?
Ol�, Margery. Ele est�? Sim, s� alguns minutos.
N�o � s� incendi�rio, como vai contra todas as regras.
Quais regras?
As regras impl�citas de defer�ncia e respeito
pelas quais a imprensa se rege para com a fam�lia real.
Decerto que as regras ter�o mudado quando convidaram a TV para a coroa��o.
� um direito que lhes assiste e uma tremenda concess�o.
- A qu�? - Ao interesse popular.
Tamb�m � do interesse deles. Eles nunca estiveram t�o bem vistos.
A pergunta que n�s, a imprensa, devemos fazer �:
vamos deixar que nos usem ou temos uma voz independente?
N�o se arme em moralista comigo.
Se n�o divulgarmos esta hist�ria, acha que mais ningu�m o far�?
Sei que h� muitos outros a vasculhar.
Obrigado por me avisar.
Claro, Tommy. Eu � que agrade�o a compreens�o.
- Lamento. - N�o, eu � que lamento.
Imagino que seja dif�cil receber ordens de um empregado.
- Eu n�o recebi ordens. - Ser� que percebi mal?
Disse que o editor lhe comunicou o que ia publicar no seu jornal.
Sim, mas n�o posso ser eu a dizer-lhe o que escrever.
Pensei que fosse essa a fun��o do dono de um jornal.
S� estou a tentar ajud�-lo, Tommy. Sugiro que veja a gentileza que �.
Qual? A de publicar um artigo que causar� uma ang�stia enorme,
e que isto fique bem claro, aos mais altos membros da fam�lia real?
A de estar a alert�-lo, a avis�-lo com anteced�ncia.
Estou estarrecido com tamanha gratid�o.
Pare com isso.
Podes fechar a porta?
Majestade, vai sair um artigo na imprensa
a identificar Peter Townsend n�o s� como companheiro da princesa Margaret,
mas como seu prov�vel futuro marido.
Foi-nos dito que ser� escrito um artigo sobre o capit�o Townsend,
com pormenores sobre o seu casamento e subsequente div�rcio,
bem como um editorial sobre outras divorciadas conhecidas
que foram associadas a membros da fam�lia real.
Devemos negar tudo?
Com todo o respeito, acho que j� � tarde para isso.
O jornal j� est� a ser impresso.
Vossa Alteza?
Sua Majestade, a rainha, deseja falar com sua Alteza. Est� ao telefone.
- Estou? - Ol�. Ligo em boa ou m� altura?
Boa, como sempre.
Ando a dar voltas e voltas a pensar numa forma de te ajudar.
Sabes que a Igreja da Inglaterra n�o permite o casamento de divorciados
se o ex-c�njuge ainda for vivo.
Sim.
Estava a pensar se j� tinham ponderado a Esc�cia.
- Para morar? - N�o, para o casamento.
Porqu�? Seria mais discreto?
Estava a pensar nas quest�es legais.
O casamento n�o � considerado sacramento na Igreja da Esc�cia.
N�o � t�o compuls�rio como c�.
Quer dizer que at� poder�amos casar numa igreja?
Teria de verificar, mas acho que sim.
Isso seria �ptimo!
- Muito obrigada, Lilibet. - E facilitaria muito a minha vida.
- Desculpa, Lilibet. - Porque pedes desculpa?
Acho que vais receber uma visita da m�e por causa disto.
N�o estou a facilitar a vida a ningu�m, sobretudo a ti.
Mas quero fazer isto por ti. Dar-te o que queres.
Obrigada.
- Estou desejosa de contar ao Peter. - Tenho de desligar.
- Tommy. - Majestade.
M�e, que surpresa.
Sou m�e de duas filhas que amo de igual forma.
Parece que ambas t�m problemas do mesmo tamanho.
Queremos que a Margaret seja feliz e que tenha o homem que ela quer...
Sim.
Mas temos de fazer tudo o que estiver ao nosso alcance
para te proteger a ti como rainha e como irm�.
Proteger-me de qu�?
Dei a minha palavra � Margaret e estou decidida a apoi�-la.
Eles podem casar na Esc�cia, onde n�o sou chefe da igreja.
Majestade, receio que a quest�o seja mais complexa.
Sejamos bem claros.
Se a Margaret casar com o Peter, ser� um esc�ndalo.
N�o confundas a tua popularidade actual com seguran�a a longo prazo.
O caso e a abdica��o do teu tio quase destru�ram a monarquia.
Isto tamb�m poderia destruir.
Tommy?
O que sabe sobre a Lei dos Casamentos Reais de 1772?
- De George II? - Terceiro.
Tinha dois irm�os mais novos, William e Henry.
Ambos, presumo, com casamentos indesej�veis.
Um com uma v�bora ileg�tima, outro com uma mulher de m� vida,
o que gerou um esc�ndalo no parlamento e na igreja.
Como resposta, George III pediu ao primeiro-ministro, Lorde North,
que aprovasse a Lei dos Casamentos Reais
para evitar que futuros jovens pr�ncipes, ou princesas,
fizessem uni�es desaconselhadas ou desvantajosas
que amea�assem a integridade da Casa Real.
Decreta que, at� os 25 anos, qualquer membro da fam�lia real
precisa da permiss�o do soberano para se casar.
- Mas? - Mas, ap�s os 25, deixa de precisar.
- Entendo. - Ent�o...
Se a Margaret esperar pelos 25 anos,
poder� tomar qualquer decis�o sem o teu consentimento.
O importante � que protege a tua rela��o com a igreja e com o governo.
Eu compreendo as vantagens, mas o que ganha ela com isso?
M�e, ela s� tem 23 anos. O que faz at� l�?
At� l�, ela e o Peter esperam.
- De prefer�ncia, em pa�ses separados. - O qu�?
� a �nica forma de conter a hist�ria.
ROMANCE REAL P�E A MONARQUIA EM RISCO
Obrigado.
- Bom dia. - Saiam da frente!
Entre.
BUCKINGHAM IGNORA RUMORES DE RELA��O CONTENCIOSA
ROMANCE REAL P�E MONARQUIA EM RISCO
- Margaret! - N�o!
Margaret!
� s� at� fazeres 25 anos. Depois, podes fazer o que quiseres.
Olha-me nos olhos e diz-me: � uma transfer�ncia ou um desterro?
� uma transfer�ncia! Juro!
� s� para conter a hist�ria, tir�-la das capas dos jornais.
- N�o � uma tentativa de nos separar? - Claro que n�o.
O pai fez o mesmo comigo e com o Philip. Obrigou-nos a esperar.
Tr�s meses. Isto � por dois anos. J� pensaste bem? Dois anos.
Porque me falaste na Esc�cia?
Desculpa.
Est� bem.
Se fizer isto por ti, prometes-me que esse desterro...
Transfer�ncia.
Que o desterro s� come�a ap�s a viagem � Rod�sia? Sabes como estamos ansiosos.
Tamb�m nos vais negar a viagem?
� a natureza delicada da situa��o.
Os fot�grafos... Isso ofuscaria tudo.
Mas, quando voltares, ter�o algum tempo juntos.
Sozinhos.
Prometo.
Primeiro, propuseram Joanesburgo. Recusei.
A seguir, Singapura.
Tamb�m recusei.
Depois, propuseram Bruxelas.
� sombria, mas, ao menos, � perto.
Tudo isto parece um castigo desnecess�rio e absolutamente injustificado.
Eu sei.
Talvez a tua irm� tenha pressentido isso,
da� ter-me pedido para ir � Irlanda do Norte.
Fazer o qu�?
Vou acompanh�-la numa viagem a Belfast para mostrar ao povo que nos apoia.
J� � qualquer coisa.
Mas n�o substitui a Rod�sia.
Ningu�m aceitava o Philip.
Ela bateu o p� e ficou com quem queria, n�o foi?
Ficou.
� melhor voltarmos.
- Vamos. - Espera. Beija-me.
Sabes que n�o poderemos faz�-lo em casa.
- Majestade. - Tommy.
- � s� para revermos a ordem de trabalhos. - Sim.
Seremos recebidos no aeroporto
pelo governador da Irlanda do Norte, Lorde Wakehurst.
De l�, rumamos a Belfast,
onde seremos recebidos pelo tenente da cidade de Belfast.
Seremos apresentados ao presidente da c�mara,
ao vereador Percival Brown e ao arquivista John Dunlop.
Seguir-se-� um almo�o municipal na c�mara civil.
Acho que � o contr�rio.
- Diga? - Um almo�o civil na c�mara municipal.
- Queira desculpar. - Est� tudo bem?
Espero que n�o tenha sido um erro ter convidado o capit�o.
O Tommy nunca gostou dele.
Gostei enquanto fazia o seu trabalho e sabia o seu lugar.
O meu pai tinha-o em boa considera��o.
Como funcion�rio, n�o como membro da fam�lia.
Foi um bom amigo para todos n�s.
Demasiado bom, diria eu. E perdeu a mulher pelo meio.
Nesse aspecto, ele n�o teve culpa.
Ela partiu porque quis e ele � um �ptimo pai para os meninos.
Estou apenas a tentar resolver uma situa��o complicada.
Eu tamb�m. Mand�-lo para longe partir� o cora��o da minha irm�.
Os cora��es saram.
Mais alguma coisa?
- N�o. - Com a Vossa licen�a.
... traz Sua Majestade, a rainha, para uma visita � Irlanda do Norte.
Sua Majestade caminha at� Eileen Hall, de tr�s anos,
que lhe oferece um ramo de flores.
A rainha, de casaco de seda azul e chap�u a condizer,
divide as aten��es com o capit�o Townsend, que a acompanha na viagem.
O p�blico v� de relance da rainha e do marido
antes da partida para a C�mara.
Pelo caminho, milhares enchem as ruas para os receber.
O casal real � recebido no Centro de Eventos de Balmoral,
onde quatro mil ex-militares, homens e mulheres,
se re�nem para homenagear a soberana.
Escolas e grupos de jovens de Ulster est�o representados
e todos sorriem e acenam � rainha.
Enquanto os jornais pedem novamente uma declara��o do Pal�cio de Buckingham
a esclarecer os boatos do romance entre a princesa Margaret e o capit�o Townsend,
editores de jornais do mundo inteiro enviaram fot�grafos
para avaliar a cara de Townsend em busca de alguma pista.
A rainha n�o deve estar habituada a partilhar as aten��es com funcion�rios,
mas as multid�es parecem t�o interessadas no capit�o Townsend
como em Sua Majestade.
- Desligue. - Sim, Majestade.
O p�blico teve de se acotovelar com membros da imprensa e da televis�o
para conseguir ver o grupo real.
Trouxe-o para demonstrar a minha gratid�o por anos de servi�o
e para apoiar a minha irm�.
Esperava que a aten��o sobre a Margaret e o Peter diminu�sse,
mas n�o se fala noutra coisa.
- A solu��o � �bvia. - Qual �?
Transferir o capit�o imediatamente.
Mas, se fizer isso, ele n�o veria a minha irm� em Londres.
Eu dei-lhe a minha palavra.
At� as melhores inten��es precisam de ser reconsideradas.
Pode sempre culpar-me a mim.
N�o. Vamos esperar 24 horas. As coisas podem acalmar amanh�.
- Majestade. - Majestade.
Os tambores Lambeg, Majestade. Uma recep��o especial da Ordem de Orange.
- Majestade. - Majestade.
Townsend! Capit�o Townsend!
- Townsend. - Capit�o!
Que Deus lhes conceda sabedoria, lealdade e fidelidade
e que o futuro traga a paz, o contentamento e a verdadeira felicidade
ao povo da Irlanda do Norte.
- Townsend! - Townsend!
Townsend!
Tem um instante, Lilibet?
Claro que sim.
S� queria pedir desculpa pela aten��o da imprensa
e agradecer-lhe por me convidar para vir consigo.
- Agrade�o o gesto. - Era o m�nimo que podia fazer.
Entristeceu-me ter de vos tirar a viagem � Rod�sia.
Sim, eu e Margaret est�vamos ansiosos.
Temos muitos interesses em comum e gostamos de fazer tudo juntos.
Esper�vamos ter algum tempo juntos enquanto ela estivesse fora.
Fazer caminhadas, nadar, andar a cavalo.
Mas n�o estava destinado.
N�o.
Gostei de falar consigo.
Majestade, se n�o se importa.
S� queria saber se teve tempo para pensar naquela quest�o.
Tive.
Trate disso, Tommy. Fa�a o que achar melhor.
Sim, Majestade.
- Obrigado, Majestade. - Boa noite.
Muito obrigada, Peter.
Majestade.
Capit�o Townsend.
O "homem do momento".
Suba.
Sente-se, por favor.
Ap�s consultar o governo, o Minist�rio dos Neg�cios Estrangeiros
e o assessor de imprensa da rainha,
tom�mos a decis�o de avan�ar j� com a sua transfer�ncia para Bruxelas.
Espera-o um carro que o levar� ao seu apartamento,
onde far� as malas, e depois seguir� para o aeroporto.
O avi�o para Bruxelas parte daqui a menos de tr�s horas.
Temeu-se que n�o desse tempo, mas achei que, como militar,
fazer as malas de forma c�lere e desapegada seria natural para si.
N�o foi isso que ficou combinado.
O acordo entre a Margaret e Sua Majestade, a rainha,
com o conhecimento da rainha-m�e,
era de que eu e a Margaret passar�amos algum tempo juntos
quando ela voltasse da Rod�sia
e antes de eu ir para Bruxelas, pelo menos 48 horas.
A sua proposta viola esse acordo.
N�o posso, nem jamais ousaria, saber os pormenores �ntimos
de qualquer acordo, feito ou n�o, dentro da fam�lia.
O que posso dizer � que o cargo de adido a�reo
ficou vago inesperadamente cedo e precisa de ser preenchido j�.
Claro, um cargo crucial como o de adido a�reo
na embaixada em Bruxelas n�o pode ficar vago por muito tempo.
S� pe�o que continue assim at� que a princesa regresse,
como me foi prometido.
Receio que n�o seja poss�vel.
Tommy...
Eu percebo que s� esteja a tentar fazer o seu trabalho,
mas a viagem � Irlanda fez-me ver com toda a clareza
que o meu romance com a Margaret atraiu a aten��o do p�blico.
As pessoas torcem por n�s,
uma alegria e celebra��o que todos deveriam reconhecer.
As pessoas conseguem ver a sinceridade do amor entre n�s
e aconselh�-lo-ia a n�o nos repreender por isso
pois tal acto pode ter consequ�ncias.
E, agora, permita-me retribuir o conselho, Peter.
Quando se referir a um membro da fam�lia real, use o t�tulo apropriado.
Neste caso, Sua Alteza Real.
Ao referir-me � mulher que eu amo, e que me ama,
e que vai ser minha esposa, eu refiro-me a ela como bem entender.
O nome dela � Margaret.
Carro, Townsend.
� sua espera.
Tiquetaque.
Bon voyage.
Uma comunidade branca min�scula, cercada de africanos primitivos,
transformou-se numa na��o jovem e pr�spera,
com a reluzente promessa de ainda mais prosperidade.
O CAPIT�O PETER TOWNSEND
PARTIU DE LONDRES PARA BRUXELAS PARA ASSUMIR O SEU NOVO CARGO...
- Depressa! - Sim, senhor.
Homenageamos um homem de vis�o extraordin�ria,
que viu como esta terra poderia ser grandiosa, uma vez civilizada.
Desejo prosperidade e sucesso cont�nuos
a todos os que a habitam.
Senhoras e senhores, levantem-se para o brinde real.
Telegrama para a princesa Margaret.
- � rainha! - � rainha!
Obrigada.
- Vossa Alteza. - Obrigada.
Preciso de falar com a minha irm�. Agora!
Telefonista.
Sua Alteza precisa de falar com Sua Majestade, a rainha.
- Pede-se uma linha segura. - A passar.
NEG�CIOS ESTRANGEIROS
Com quem deseja falar?
Pal�cio de Buckingham. Victoria 48, 32.
PAL�CIO DE BUCKINGHAM
Sua Alteza, a princesa Margaret, para Sua Majestade, a rainha.
Chefe.
Chefe.
A princesa Margaret para Sua Majestade, a rainha.
- Numa linha segura. - � claro!
- Porque est� a demorar tanto? - Imagino que haja uma linha segura.
N�o devem encontrar Sua Majestade.
Qual � a dificuldade? � a rainha. � consp�cua, n�o pode desaparecer.
QUARTO PRINCIPAL
PAL�CIO DE ST. JAMES
Sandringham House, boa tarde.
Sim, est� c�. Chegou h� uma hora.
Sim, imediatamente.
Vossa Alteza, encontrei a rainha.
Compensou em Ascot, mas estamos a evitar que se repita.
Acho-o um pouco inexperiente.
- O j�quei? - Sim. Eu acho.
- Telefone, Majestade. - Certo.
Amanh� quero o alcance dele para os primeiros 400 metros.
Sim, Majestade.
Depois talvez seja melhor junt�-lo a outro cavaleiro.
Sim, Majestade.
Estou?
- Como foste capaz? - Margaret...
Deste-me a tua palavra. Prometeste que ele ainda estaria a�.
- Eu sei. - Porque � que o mandaram embora?
- Banido como um criminoso? - A situa��o descontrolou-se.
Eu acreditei em ti. Em tudo o que disseste.
Que estavas feliz por mim, que nos apoiarias.
- Margaret. - Est�s contra n�s desde o in�cio.
- Porque n�o suportas ser ofuscada. - Desculpa?
N�o suportas ser ofuscada pela tua irm� mais nova.
Nunca gostaste. Admite.
E odiaste ver como eu e o Peter capt�mos a imagina��o do povo.
- Tanto odiaste que nos destru�ste. - Isto � de loucos!
J� que n�o me protegeste, n�o contes com a minha protec��o.
Margaret.
Quem semeia ventos, colhe tempestades.
OS TEMPOS MUDARAM DESDE 1936
ROMANCE REAL NEGADO
"As leis da Inglaterra dizem que qualquer homem, ap�s divorciar-se,
tem o direito de casar novamente.
Se essas leis servem para a Inglaterra, tamb�m servem para a fam�lia real."
Eu sei, mas...
"A rever�ncia demonstrada pela Coroa pelo povo ingl�s
� manifesta, como a recente coroa��o demonstrou."
"Poucos pa�ses no mundo t�m tanto respeito pelas monarquias,
mas estar�o esses s�culos de adora��o a chegar ao fim?
Poder� tal venera��o manter-se perante a crueldade da fam�lia real
para com os seus pr�prios membros?"
"A fam�lia real inglesa j� deu milhentas provas
de que � artificial e sup�rflua
e parece contar, mais do que nunca,
com a lealdade do p�blico.
Por�m, n�o � prov�vel que sobreviva � prova clara
de que � insensata e cruel."
"A forma como tratou a irm�
p�s em risco o futuro da monarquia na Gr�-Bretanha."
Daqui a 48 horas, passa.
Se tiveres sorte.
Acho que vai demorar mais at� que a Margaret me perdoe.
Ela vai acabar por te perdoar. N�o tem hip�tese.
Nenhum de n�s tem.
- Majestade. - Vou j�.
Ol�, Mike. Aonde vais?
Disse-te que ia passar o fim-de-semana fora.
- Disseste? - O Baron vai dar uma festa.
- Qual Baron? - Baron Nahoum, o presidente do clube.
N�o fiques assim. � s� para homens, n�o �?
Claro que sim!
� tudo perfeitamente inocente.
- Preparado? - Acho que sim.
Um copito pelo caminho.
Adeusinho!
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