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Original subtitles

UMA S�RIE ORIGINAL NETFLIX

10 DE DEZEMBRO DE 1936

Gina! Ella!

- Gina! Carina! Ella! - Gina! Carina! Ella!

- Gina! - Carina!

Gina! Carina! Ella! Ella!

Winston, fala das Opera��es.

- Consegue ouvir-me? - Com toda a clareza.

Aguarde o teste.

- Estou a fazer o teste. - Cinco, quatro, tr�s, dois, um.

M�e.

Vim protestar uma �ltima vez

e implorar-te que n�o fa�as isto.

Quero falar ao meu povo. Tenho esse direito.

- Renunciaste a esse direito. - H� coisas que eu quero dizer.

Na qualidade de quem? J� n�o �s rei deste povo.

Como indiv�duo particular.

Ningu�m quer saber de indiv�duos particulares.

Discordo. A imprensa est� do meu lado.

O melhor para todos

seria que te despedisses, discretamente e em privado,

e que desaparecesses a meio da noite.

De prefer�ncia, para n�o mais voltar.

- Eu n�o disse isso. - Mas pensou.

Admita.

Elizabeth! Margaret! Para dentro.

Aqui fala o Castelo de Windsor.

Segue-se um an�ncio importante de Sua Alteza Real, o duque de Windsor.

H� algumas horas, cumpri o meu �ltimo dever

como rei e imperador.

Agora que me sucedeu o meu irm�o,

o duque de York,

as minhas primeiras palavras ser�o para declarar a minha lealdade a ele

e fa�o-o do fundo do cora��o.

Todos conhecem as raz�es que me levaram a renunciar ao trono.

N�o teria sido poss�vel carregar o fardo pesado da responsabilidade

e cumprir os meus deveres como rei

como eu gostaria de cumprir

sem a ajuda e o apoio da mulher que eu amo.

A decis�o foi menos dif�cil para mim por saber com certeza

que o meu irm�o goza de uma b�n��o �mpar...

Entrem. As duas.

... gozada por tantos de voc�s, mas que n�o me foi concedida:

um lar feliz, com a sua mulher e filhas.

E, agora, todos n�s temos um novo rei.

Desejo-lhe a ele e a voc�s, o seu povo,

felicidade e prosperidade,

do fundo do cora��o.

Que Deus vos aben�oe.

Deus salve o rei.

Charles, quieto.

- Boa sorte, querida. - Obrigada.

E obrigada por tudo isto. Est� maravilhosa.

� a primeira casa como deve ser que j� tive.

- Tommy. - Bom dia, Majestade.

- Organizou o meu dia. - Um pouco.

Se Vossa Majestade n�o se opuser, pensei em vermos os documentos do governo

ap�s reunir com Suas Majestades.

- A sua agenda permite 20 minutos. - Para os documentos?

N�o. Vinte minutos com Suas Majestades e, a seguir, passa aos documentos.

E depois?

Tudo se tornar� mais f�cil ap�s a poeira assentar.

Ser�?

E quando o pal�cio for a sua resid�ncia principal.

Tanto quanto sabemos, ele est� a chegar a Southampton.

- Sozinho? - Cremos que sim.

V� l�.

Estamos a ultimar os preparativos para o funeral.

Se estiver de acordo, pensamos que o duque de Windsor

se deve juntar aos duques de Gloucester, Kent e Edimburgo.

Mas assim vai atr�s de mim, em cima de mim.

Podemos aumentar a dist�ncia, p�-lo algumas filas atr�s.

Podemos p�-lo do lado de fora da capela?

Desculpe, eu sei que ele � seu filho.

Um filho que renunciou ao trono e acabou por matar o meu outro filho.

E se o pusermos aqui, ao p� do primeiro-ministro?

- Obrigado. - Beb� Chor�o.

- Desculpa? - � o que ele chama ao Winston.

Ele e a mulher t�m alcunhas maldosas para todos n�s.

Digo-te a tua, se pedires com jeitinho.

N�o, obrigada.

Shirley Temple.

Est� pronto.

Esta � uma chegada muito triste ao meu pa�s.

Atravessei o Atl�ntico para o funeral do meu querido irm�o

e para confortar Sua Majestade, a rainha Mary.

Os meus sentidos p�sames � vi�va, a rainha-m�e,

e �s duas filhas pela perda sofrida.

Obrigado.

- Est� l� em baixo. - Chega. Aten��o!

Sua Alteza Real, o duque de Windsor, Majestade.

Minha querida m�e...

Pobre Bertie.

T�o jovem.

S� nos resta sentirmo-nos gratos pelos anos que o tivemos connosco.

Era t�o atencioso e gentil...

Um anjo para a m�e, a mulher e as filhas.

Acredito piamente que nunca ter� pensado nele mesmo.

Era mesmo o filho perfeito.

Nem imagino o quanto lhe deve estar a custar.

Tem estado sempre no nosso pensamento e ora��es.

"Nosso"?

� bom que n�o menciones o nome daquela mulher nos pr�ximos dias.

- N�o mencionei qualquer nome. - A insinua��o foi suficiente.

Se a m�e o diz.

� um conselho que te dou como m�e,

para que termines esta viagem com algum respeito ou afecto.

O REI

- Esperava que tudo isto pudesse esperar. - Receio que n�o.

Eu percebo.

Vamos a isto?

A primeira folha � um mero resumo do conte�do da caixa.

Logo no in�cio, temos uma confer�ncia. Repare...

- Vamos come�ar por a�. - Sim, Vossa Majestade.

- Ele chegou. - Ele chegou!

N�o te apresses, querida. Ele leva uma hora a chegar � porta.

E outra hora a dizer o que tem a dizer.

N�o te esque�as das duas quest�es de que fal�mos.

- N�o me esque�o. - As crian�as mant�m o meu apelido.

- Sim. - E n�o nos mudamos para o pal�cio.

- Ambas s�o importantes. - Eu sei. N�o me esquecerei.

- N�o fiques nervosa. - N�o estou.

Pareces nervosa.

S� firme, bate o p�.

Ele � o Winston Churchill, mas lembra-te de quem tu �s.

- Ningu�m. - Tu �s a rainha da Inglaterra.

N�o me deixe alongar.

O primeiro-ministro, Majestade.

Majestade.

Ansiava pelos meus encontros todas as ter�as com o seu...

... querido pai.

Sua Majestade era um her�i,

para mim e para todos os s�bditos.

Obrigada.

Sente-se, senhor primeiro-ministro.

Pedi ch�. Ou talvez prefira algo mais forte.

Minha querida, ningu�m lhe explicou?

O soberano nunca oferece ao primeiro-ministro

nem algo para beber nem uma cadeira.

O precedente estabelecido pela sua trisav�

foi de nos manter em p�, como conselheiros privados.

Desperdi�ar tempo � um pecado terr�vel

e se h� coisa que aprendi em 52 anos de servi�o p�blico

� que n�o h� problemas complexos nem crises de tal modo graves

que n�o possam ser resolvidos em vinte minutos.

Dito isto, vamos come�ar?

Ela est� com o PM.

E eu frisei como � importante

que ela e as crian�as tenham o teu apelido.

Tamb�m � o teu. � o apelido que eu te dei.

Ter Mountbatten como o apelido da casa real

e o teu primeiro filho, Charles, como o primeiro rei Mountbatten

seria um grande feito, n�o achas?

Agora, gostaria de discutir a sua coroa��o.

Sim.

Propus uma data e o conselho de ministros j� a aprovou.

- No Ver�o, espero. - Sim. Do ano que vem.

No ano que vem? Porqu� a demora?

� unicamente para o seu bem.

Um per�odo longo entre a tomada de posse e a coroa��o

foi muito vantajoso para o seu pai.

Ele teve cinco meses.

Prop�e que eu espere 16 meses para ser coroada.

Sim.

Qualquer pessoa levaria semanas a ler.

Obrigado pela bebida.

- Obrigado, Jock. - Senhor primeiro-ministro.

Minist�rio dos Neg�cios Estrangeiros. Vamos surpreender o Anthony.

- E? - Nada.

Fal�mos do fim do racionamento de a��car, manteiga e carne,

da situa��o na Coreia e da data da minha coroa��o.

- Mal abri a boca. - O homem mal toma f�lego.

- Tens de o interromper. - N�o d�!

N�o na audi�ncia privada.

E as quest�es que te pedi para falares com ele?

- Falarei na altura certa. - Quando?

- Porqu� fazer isto? - O qu�?

- Porqu� adiar a minha coroa��o? - Do que est�s a falar?

Elizabeth!

Sei que tivemos as nossas diverg�ncias no passado,

se � que me permitem a ousadia,

mas, por ora, pensemos apenas no que temos em comum.

Voc�s perderam um marido e um pai

e eu um irm�o.

Unamo-nos na dor, como iguais,

por algu�m que todos am�vamos.

Passarei c� alguns dias ap�s o funeral,

antes de regressar a Nova Iorque.

Talvez tenhamos tempo para nos encontrarmos.

Para um almo�o ou uma caminhada.

Sim. Eu gostaria muito.

Majestades.

- Temos de ir, meninas. - T�o cedo?

Sim, vamos ao Pal�cio de Westminster.

Vamos ver o pai.

Com esta fam�lia, a pessoa nunca sabe se contam com ela,

mas, quando n�o contam, n�o h� a menor sombra de d�vida.

Podias ser mais cort�s com ele, m�e. O que l� vai, l� vai.

Ele j� abdicou h� 16 anos e era muito chegado ao pai.

Porque o homem � um monstro.

A responsabilidade de ser rei matou o vosso pai

e jamais perdoarei o acto ego�sta e fraco de lhe passar esse fardo.

Ele n�o fez nada por esta fam�lia.

E n�o te iludas com a adula��o dele.

S� � educado connosco para abarbatar uma bela de uma pens�o

para aquela divorciada ordin�ria manter os luxos a que ele a habituou,

mas eu falei com os advogados e temos uma surpresinha para eles.

Minha querida...

Dizem que o Inferno � quente,

mas que Inferno sem sol e gelado a que ambos escap�mos na Inglaterra

e que cambada de monstros insens�veis tenho como fam�lia.

Como s�o frios e maldosos,

atarracados e simpl�rios.

Sem alegria e sem amor.

A forma como a Bolacha me tratou,

o olhar de desprezo por tr�s do nariz empinado...

Tive de me conter para n�o lhe dizer poucas e boas.

E a Shirley Temple, que, agora, podia calar a simpl�ria da m�e,

n�o tem opini�o pr�pria.

Contudo, mantive a minha gentileza porque estou a seguir o teu conselho

de os manter ao largo, deixar uma porta aberta

e ver o que podemos obter deste maldito circo.

Talvez at� um aumento na pens�o, quem sabe?

� a �nica vingan�a que me ocorre pelo insulto de n�o te terem convidado.

Drenar os cofres para nosso benef�cio.

Estou sempre a pensar em ti

e a contar os minutos para voltar para os teus bra�os.

Com amor, David.

... agora entregamos o seu corpo � terra.

A terra � terra,

a cinza �s cinzas, o p� ao p�,

na esperan�a certa e inabal�vel da ressurrei��o para a vida eterna

perante nosso Senhor Jesus Cristo.

- O que � essa coisa? - Herdei-a do meu av�.

Como sabe, o kaiser Wilheim n�o tinha um corpo dito normal.

Pois n�o, tinha um bra�o atrofiado.

Mas adorava atirar. Por isso, tiveram de fazer modifica��es.

N�o modificaram uma espingarda, mas um canh�o.

� um batoteiro, Han�ver.

Sei que, para l� destes muros, h� um pa�s de luto,

a sofrer com um programa de austeridade e racionamento,

mas o que se h� de fazer?

Pode parecer ego�smo,

mas, ao preservar a propriedade e a comunidade local,

todos estamos a fazer, esta noite, a nossa parte pela economia.

Dito isto, comecemos com um brinde.

- A Sua Majestade, o falecido rei. - Ao rei.

- E � rainha que o sucedeu. - � rainha.

E ao nosso generoso anfitri�o.

E � casa real que, agora, tem o seu nome.

Ao nosso anfitri�o e � casa real.

- � casa real Mountbatten. - � casa real Mountbatten.

V�, tu consegues. Chuta-a de volta para mim.

V�, rapaz. Chuta-a para c�.

- Ela n�o te morde. Chuta. - Vejam, � o m�dio do Burnley.

Jogas � bola com o teu filho?

- Quando o vejo, sim. R�guebi. - R�guebi? Deve ser divertido.

Este parece n�o querer fazer mais nada al�m de sonhar.

- O pai est� a ver-se grego, n�o �? - Mostra-lhe como � que se faz.

Certo. Anda, Charles. Vou arranjar-te um alvo.

Aquela coisa passou a manh� a zumbir.

No meio das cal�as do pai.

Est�o a tirar fotografias a�reas para uma revista.

A s�rio?

Sempre sonhei ir para a For�a A�rea,

mas o Dickie alistou-me na Marinha.

Achou que os contactos seriam melhores.

A julgar pelo teu estatuto, diria que o plano foi um �xito.

V�, Charles. Com for�a.

Nada mal, Charles. Nada mal.

- N�o, pap�! - Vais direitinho para os arbustos.

N�o, pap�! N�o me ponhas nos arbustos!

Vem comigo, Charlie. Vou ensinar-te...

Vamos!

A RAINHA

� vergonhoso.

O Tommy Lascelles vem falar comigo, em pleno funeral,

pede para falar comigo e, na cara, pergunta-me se sou eu que vou pagar.

Venho eu at� c�, volto � ferida aberta que � este pa�s,

proibido de trazer a minha mulher, para homenagear o meu querido irm�o,

e pioram uma viagem j� de si traum�tica e dolorosa

com essa tremenda humilha��o.

O momento foi particularmente infeliz.

� uma vergonha!

- Quanto � a pens�o que recebes? - Dez mil por ano.

O acordo com o Bertie foi eu abrir m�o de tudo,

ir para o ex�lio e ser discreto

em troca de uma pens�o vital�cia at� o fim da minha vida, n�o da dele.

Mal morreu, a Bolacha fechou a torneira. Como � que ela se atreve?

N�o sabes se foi ela.

- Claro que foi. - E n�o lhe chames isso.

Porque n�o? � gorda, simpl�ria e tem a cara bolachuda.

Deram alguma justifica��o?

Que pareceria insens�vel um membro afastado da fam�lia real

ser visto a ser recompensado e a viver cheio de luxos.

Membro afastado da fam�lia real... Eu era o membro principal: o rei!

Agora, mal conseguimos pagar as contas. Todos os dias s�o uma luta.

Vives em grande estilo, tanto quanto sei.

Talvez devas aprender com o teu irm�o.

- Ele era um homem muito simples, sabes? - Nasceu simples, em todos os sentidos.

E essa simplicidade fez-lhe muit�ssimo bem.

E passou-a �s mulheres da fam�lia.

Que acabam de gastar 70 mil libras a renovar a Clarence House.

Por isso, n�o me venha falar da simplicidade da nova rainha.

- Isso foi ideia do marido dela. - O enjeitado?

- N�o lhe chames isso. - Porque n�o?

Cham�-lo-ia pelo nome, se o tivesse.

Pr�ncipe Ernst August de Han�ver, Majestade.

- Est� aqui. - O qu�?

Pede desculpa por aparecer sem avisar, mas diz que � importante.

Est� bem. � melhor mand�-lo entrar.

Minha querida tia, queira desculpar a intromiss�o.

- Acabo de vir do Pal�cio de Broadlands. - O que estava a fazer por l�?

N�o me diga que foi l� ca�ar, um dia depois do funeral.

- Meu caro Ernst... - Garanto que a ca�ada foi brev�ssima.

E o seu falecido filho esteve sempre presente nas nossas mentes.

Bom, � noite, reunimo-nos para jantar.

A comida costuma ser muito boa no Pal�cio de Broadlands.

- Formid�vel. - Sobretudo o pato, se bem me lembro.

- Com laranjas. - E passas embebidas em rum.

� uma receita prussiana.

O sp�tzle tamb�m estava maravilhoso. Crocante, com o queijo e o p�o ralado.

- Delicioso. - Continue.

Certo. A seguir ao jantar, o anfitri�o come�ou a gabar-se

que, dentro em breve, a casa real ter� o seu nome.

Que disparate!

O Royal Warrant de 1917 instituiu a Casa de Windsor.

Foi o meu falecido marido que o presidiu.

Mas o apelido Windsor s� seria transmitido por filhos var�es.

N�o contemplava as filhas.

Elas receberiam o nome do marido o que, neste caso, significaria...

- Mountbatten. - Bom, sim.

Ele fez-nos brindar a isso.

- Com o qu�? - Champanhe.

Andou a beber champanhe um dia ap�s o funeral do meu filho?

Entre.

Tinha de te ver.

Entra.

Ontem cheguei a casa e encontrei isto em cima da mesa da cozinha.

Ela foi-se embora.

Levou todos os pertences com ela.

Lamento imenso.

- N�o lamentas nada. - Pois n�o.

N�o lamento.

- Vais pedir-lhe o div�rcio? - N�o. Perderia o emprego.

N�o perder�s o emprego. Eu assegurar-me-ei disso.

Seria um divorciado.

Mas n�o o culpado.

Ainda assim, mancharia a minha reputa��o.

Tamb�m ficarias livre para casar novamente.

Um dia.

Sim.

Ali ao fundo.

Meu Deus. Esconde-te. Ali, ali. Vai.

- � este? - Acho que sim.

- N�o, � este. - Certo.

Entre.

- Desculpe a invas�o, mas tem um segundo? - Claro.

- Posso sentar-me aqui? - Com certeza.

� sobre aquilo que quero falar consigo.

- Voar. - Certo.

� um piloto experiente e eu tive uma ideia.

Por favor, corrija-me se estiver errado,

mas estar l� em cima, num avi�o, deve ser a melhor emo��o do mundo.

- Sim, �. - A s�rio, a melhor de todas.

Sim, �.

Quando passamos das nuvens para um c�u azul limpo,

o espa�o, o sil�ncio,

a beleza transcendente...

� uma igreja para os ateus.

� o que eu esperava que dissesse. Onde posso aprender?

No aeroporto de White Waltham.

- Iria comigo? - Claro.

� um bom homem.

A minha irm� favorita, a Cecile, morreu num avi�o.

Caiu em Ostend durante uma tempestade. Estava gr�vida de oito meses.

Entrou em trabalho de parto durante o voo

e encontraram a crian�a ao p� dela, no meio dos escombros.

Era um menino.

Uma nova adi��o � farda, Peter?

� algu�m que conhe�amos?

Eu...

Claro, tem raz�o. N�o tenho nada que ver com isso.

Obrigado.

Est�s a gostar disto, n�o est�s?

Estou.

O Sr. Colville, Majestade.

Vossas Majestades. Tommy.

Entre, Jock. Sente-se.

Temos uma grande preocupa��o

que gostar�amos de transmitir ao primeiro-ministro.

� sobre o duque de Edimburgo.

Majestade, chegou-me aos ouvidos que � seu desejo

que a senhora e as crian�as mantenham o apelido do seu marido, Mountbatten.

Sim, �.

N�o fa�a uma coisa dessas. Seria um erro crasso.

Mountbatten foi o apelido adoptivo

que o seu marido assumiu ao tornar-se cidad�o brit�nico.

O seu verdadeiro apelido, creio que n�o � preciso lembr�-la,

era Schleswig-Holstein-Sonderburg-Gl�cksburg

das casas reais da Dinamarca e da Noruega e, por fim, da Gr�cia.

Eu sou um velho.

Muitos questionam a minha relev�ncia,

se ainda tenho algo para oferecer � vida p�blica.

A minha resposta �: sim, tenho.

Vou entregar uma soberana pronta para assumir o cargo.

Preparada, com armas para cumprir o seu dever.

Grandes coisas aconteceram a este pa�s sob os ceptros de rainhas

e Vossa Alteza n�o deve ser excep��o.

Sim, sou rainha, mas tamb�m sou mulher...

... e esposa...

... de um homem cujo orgulho e for�a foram, em parte, o que me atraiu.

Quero ter um casamento feliz.

E a estabilidade nesta casa pode ser de interesse nacional.

Alguma vez pensou nisso?

Muito bem. Conversarei com os ministros.

N�o.

O senhor primeiro-ministro limitar-se-� a informar os ministros.

� esse o favor que me far�

em troca pelo que j� estou a fazer por si.

Sei que o seu partido quer que renuncie

para dar lugar a um homem mais jovem, Sr. Eden.

Tamb�m sei que ningu�m mencionar� a ren�ncia

enquanto estiver a planear a coroa��o.

Ao adiar a minha investidura est�, na verdade, a agarrar-se ao poder

e, nesse caso, diria que est� em d�vida para comigo.

Se eu concordar com a delonga,

talvez conceda apoiar-me na quest�o do apelido do meu marido.

E talvez tamb�m possa informar os ministros

de que eu e o meu marido pretendemos ficar na Clarence House.

- Porqu�? - � a nossa casa.

Acaba de passar por uma remodela��o dispendiosa.

Aceito o Pal�cio de Buckingham para tratar de assuntos oficiais,

mas o nosso lar, a casa da fam�lia,

ser� Clarence House.

Muito bem.

- Acho que ficou surpreendido. - A s�rio?

Por eu ter ousado dar a minha opini�o.

Sempre fez do meu pai o que quis, mas acho que devo dar o exemplo.

- Certamente. Bater o p�. - Exacto, estabelecer limites.

Ele disse que discutiria com os ministros e eu disse que n�o havia discuss�o.

- Que bom para ti. - N�o, que bom para ti.

- Foi por ti que o fiz. - Obrigado.

Vossa Alteza, obrigado por vir.

De nada, caro Winston. Em que posso ajud�-lo?

Vossa Alteza!

Falei com os ministros e, como esperado, a resposta foi un�nime.

"N�o" para ambas as quest�es.

Ela n�o vai gostar, nem do desprezo pelo nome

nem de se mudar para o Pal�cio de Buckingham.

� um lugar terr�vel, frio, hostil,

mas a jovem fam�lia e os filhos devem morar l�.

� o ponto focal, � a casa do monarca.

- Quer que lhe conte? - Seria muito gentil da sua parte.

� o m�nimo que posso fazer.

Nunca esqueci de como me defendeu

e lutou por mim durante aquela �poca terr�vel.

Continuo a achar que ningu�m deveria ser punido por amar.

E tamb�m julgo ter falado por muitos quando o defendi.

� muito gentil.

Se o ajudasse nessa quest�o com ela,

talvez lhe pudesse pedir um favor.

Diga.

Conven�a a jovem rainha a repor a minha pens�o.

Agora, � ela que abre os cord�es � bolsa.

A fam�lia espera que rejeite oportunidades comerciais,

mas corta-me a pens�o.

Dez mil libras.

� imposs�vel pagar as contas sem esse dinheiro.

Um antigo rei precisar de mendigar...

Considere-o feito.

Tamb�m h� um breve momento, antes da coroa��o,

em que poderia mobilizar o apoio dos ministros

por outra coisa que me foi negada

e que corr�i o meu cora��o.

O qu�?

O t�tulo adequado para a mulher com quem casei.

N�o.

O de Sua Alteza Real. Afinal, ela � a esposa de um antigo rei.

Tamb�m � uma mulher com tr�s maridos vivinhos da silva.

� o direito dela, Winston.

Tudo farei para que o obtenha e seja respeitada.

Pode lutar por isso?

Mais uma vez?

J� o defendi imensas vezes. Todas elas para meu preju�zo e em v�o.

Esse amor por ela destruiu tudo.

� amor, Winston.

Amor.

A melhor coisa do mundo.

Sua Alteza Real, o duque de Windsor, Majestade.

Majestade.

Obrigado por me receberes.

Obrigada por teres vindo.

Passamos a maior parte do tempo em Paris. Ofereceram-nos uma casa por l�.

A Wallis gosta de receber visitas. Tem imenso jeito.

Por isso, a casa est� sempre cheia.

- E temos c�es. - A s�rio? De que ra�a?

Pugs.

Davy Crockett, Trooper e Disraeli.

- Porqu� pugs? Qual � a gra�a? - Eles s�o como crian�as.

- Precisam de muito amor. - T�m um latido estranho.

- Sim. - � meio rouco.

E s�o pregui�osos, passam o dia a dormir.

- Sim. - E soltam muitos gases.

- Sim. - � uma quest�o de abrir as janelas.

- N�o sentes falta? - De qu�?

Do teu pa�s natal, das pessoas de c�.

Da tua fam�lia.

Sentiria falta dessas pessoas, se tivessem aceitado a mulher que eu amo

mas, como n�o aceitaram, n�o sinto.

Ent�o, o antigo rei mant�m-se � dist�ncia.

Uma dist�ncia que me foi imposta. A fam�lia quis-me fora daqui.

E reduzes-nos a alcunhas cru�is.

Como Shirley Temple.

Sim.

Por causa dos carac�is?

E da precocidade e do estrelato.

- Engraxador. - Nada disso.

De modo geral, temos melhores rainhas do que reis.

Neste pa�s, algo me diz que n�o ser�s excep��o.

- Pretendo sair-me bem. - Eu tamb�m pretendia.

Obviamente, n�o o suficiente.

N�o.

Nunca pediste desculpa.

Ao teu pai, certamente que pedi.

E � tua m�e tamb�m. Posso mostrar-te as cartas.

N�o me referia a eles. Nunca me pediste desculpa.

A ti?

Achas que n�o mere�o um pedido de desculpas.

N�o achas que teria preferido crescer longe dos holofotes? Afastada da corte?

Longe do escrut�nio e da visibilidade.

Uma vida mais simples. Mais feliz.

Como esposa, como m�e.

Uma mulher do campo inglesa comum.

Desculpa.

Obrigada.

Podes estender as desculpas ao meu marido, da pr�xima vez que o vires.

- Est� a ser dif�cil para ele? - Um pouco.

Estranho seria, se n�o fosse.

Adiante, para que eu tenha sucesso,

ambos precisaremos de toda a ajuda poss�vel.

Estou certo de que estar�o rodeados por boas pessoas que a oferecem.

N�o se estiverem sempre longe, em Paris ou Nova Iorque,

ou onde quer que passes o teu tempo.

Aceitarias conselhos meus?

Aceitaria.

Sobretudo agora que o meu pai j� n�o est� c� para mos dar.

Eu saberia que seriam sinceros...

... j� que sei que, no fundo, apesar de tudo,

preocupas-te bastante.

� verdade.

Por acaso, h� duas quest�es

sobre as quais gostaria de te aconselhar.

A primeira � sobre o apelido do teu marido e da casa real.

E a segunda?

A� est�s tu. Preciso de falar contigo.

Pe�o-te que n�o reajas,

mas quero ter aulas de voo.

Eu sei.

Mas acredita que sempre quis ser piloto

e acho que encontrei um professor louco o suficiente para me ensinar.

Nada mais, nada menos do que o Peter Townsend.

- O que foi? - Preciso de falar contigo.

Sobre o qu�?

Eles preferem que n�o usemos o apelido.

Mountbatten.

"Eles" quem?

- Os ministros. - N�o lhes diz respeito.

Na verdade, at� diz.

Tu �s minha mulher, a lei manda que uses o meu apelido.

Manda a tradi��o, n�o a lei.

Uma tradi��o que poderia ser lei. N�o me podes fazer isto.

Serei o �nico homem do pa�s cuja fam�lia n�o tem o seu apelido?

N�o podes fazer isso ao Dickie. Isso ir� mat�-lo.

Tu sabes disso. Sabes como � importante para ele.

Eu disse-lhe que era certo.

N�o devias ter dito, porque n�o �.

O apelido tem de ser Windsor, em prol da estabilidade.

E as not�cias n�o ficam por aqui.

- Clarence House... - A nossa casa. O que tem?

Temos de abrir m�o dela.

A casa do soberano do Reino Unido � sempre o Pal�cio de Buckingham.

Diz quem?

Eu.

Pensei que detestasses aquele lugar.

E detesto. Todos n�s o detestamos.

Ent�o, porque aceitas ir para l�?

Porque � o que todos me aconselham.

S�o meros conselhos. N�o significa que tenhas de os seguir.

Quando v�m do governo, tenho.

Que tipo de casamento � este?

Que tipo de fam�lia?

Tiraste-me a minha carreira, a minha casa, o meu apelido...

Pensei que estiv�ssemos nisto juntos.

Bem-vinda a casa.

Meus senhores,

declaro que � por meu desejo e satisfa��o

que eu e os meus filhos sejamos denominados e conhecidos

como a Casa e a Fam�lia de Windsor

e que os meus descendentes var�es, n�o as mulheres, que se casarem

e os seus respectivos descendentes, usem o apelido Windsor.

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