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Original subtitles

UMA S�RIE ORIGINAL NETFLIX

"Eu e meu marido estamos emocionados com a vossa recep��o."

- Majestade? - Sim. Quanto tempo temos?

Aterramos dentro de dez minutos.

N�o. Martin?

- Haver� um microfone? - Certamente.

"H� pouco mais de 50 anos..."

"Eu e meu marido estamos emocionados com a vossa recep��o.

H� pouco mais de 50 anos, Nairobi era uma terra selvagem,

ocupada por animais selvagens e inabitada,

excepto pelos ocasionais bandos de pastores n�madas.

Hoje, � uma cidade moderna e din�mica,

um tributo impressionante aos homens e mulheres de todas as ra�as

que a tornaram um grande centro de com�rcio e finan�as.

Resta-me apenas transmitir as desculpas do meu pai, o rei George...

... que, decerto, estar� com inveja por eu ter vindo no seu lugar.

Est� mais forte a cada dia que passa

e estar� de novo aqui com voc�s muito em breve."

Vossa Alteza Real, permita-me apresentar

o chefe Waruhiu wa Kung'u, dos kikuyu.

- Ol�. - O chefe Sironka, dos kipsigis.

- Ol�. - Bom dia.

- Lembui, dos maasai. - Ol�.

- Pelipel, dos turkana. - Muito prazer.

Tamb�m tenho essa. E essa.

C�us, tamb�m tenho essa.

A quem � que roubou essa?

A independ�ncia est� a espalhar-se pelo continente.

O apoio deles �, hoje, mais importante do que nunca.

- Sim, obrigada. - Gosto do chapelinho.

N�o � um chap�u. � uma coroa.

Inspire, Majestade.

E expire.

Ora, ora...

Acredite, acordei a sentir-me como novo.

Acho que deve aproveitar.

Aproveite cada minuto, enquanto pode.

Sim, � o que pretendo fazer.

Vou j� para Sandringham, se me der autoriza��o para ca�ar.

Est� autorizado.

- Desculpe, posso ajud�-la? - Venetia Scott. Sou nova.

Ela est� comigo. Venha. Obrigada.

- Ele est� acordado? - Sim.

Na verdade, pediu para v�-la.

- Senhor primeiro-ministro? - � a rapariga nova?

- Sim. Chamo-me Venetia. - Louisa?

- Venetia! - Venetia.

As suas colegas l� de baixo disseram-lhe coisas horr�veis?

V�, seja sincera.

Diz-se que o senhor consegue ser dif�cil.

Consigo ser um monstro. Tamb�m lhe disseram isso?

- Sim. - � verdade.

Mas � preciso ser um monstro para derrotar Hitler.

- O Jock deu-lhe a minha caixa? - Deu.

O que cont�m?

Quer que eu a abra?

A menos que tenha vis�o raio-X,

vai precisar de a abrir para me poder dizer o que cont�m.

Ent�o?

- Documentos sobre racionamento. - E que mais?

Documentos do tesouro p�blico.

Alguma coisa dos Neg�cios Estrangeiros? Sobre os EUA ou a Uni�o Sovi�tica?

- N�o. - Est� bem...

Ent�o, comece pelo tesouro. Leia em voz alta.

N�o se alarme, se n�o ouvir respostas. Estarei a guardar tudo na minha cabe�a.

- "A situa��o econ�mica..." - O qu�?

"A situa��o econ�mica que herd�mos � pior do que a de 1949

e, de muitas formas, pior...

Pior do que a de 1947.

A confian�a na libra est� comprometida.

As �ltimas estimativas sugerem que, em 1952..."

... o Reino Unido ter� um d�fice a n�vel de pagamentos estrangeiros

entre os 500 e os 600 milh�es de libras.

Dadas as circunst�ncias,

gostaria de ouvir a opini�o do primeiro-ministro

sobre as hip�teses de recupera��o.

Ou nos livramos dele agora ou perdemos a pr�xima elei��o

e, possivelmente, perdemos a for�a durante uma gera��o.

Tem de fazer alguma coisa, Anthony. � a sua vez!

O pa�s precisa de um homem mais jovem e mais din�mico.

E o que espera que fa�a?

Ele � o l�der do partido

e tornou-se l�der do partido por recomenda��o nossa.

N�o posso correr com ele.

Nesse caso, fale com a �nica pessoa que pode.

- Bem-vinda ao Sagana Lodge. - Muito obrigada.

Ol�.

S�o para mim? Muito obrigada.

- Karibu. - Obrigada.

Parece que h� uma grande manada de elefantas com crias no Treetops.

- Temos de chegar cedo. - N�o muito cedo, espero.

Porqu�? O que mais tens em mente para as nossas pequenas f�rias?

Porque pensam que, por sermos realeza, s� gostamos de jantares refinados?

N�o v�em que somos selvagens? S� temos escolas, jantares e papas.

N�o faz mal. Pode usar os dedos.

- Philip. - Olhe. Pare e veja.

Majestade.

Vossa Alteza Real.

Beija-me.

V�.

Sua Majestade voltar� da ca�ada �s 16h.

- Boa tarde. - Boa tarde.

Sua Majestade pergunta se se importaria de o acompanhar

na ca�ada no Beecher's Club de hoje.

N�o, de todo.

O terreno ainda est� lamacento depois das tempestades de ontem,

mas posso arranjar botas de borracha.

- N�o se preocupe. - Que tamanho cal�a?

Cal�o o 44,

mas minhas botas de equita��o eram o 45 e as de combate o 46.

V�-se l� saber porqu�.

Grande parte deve-se � idade.

Ele concentra-se mais em quest�es relativas aos EUA e � Uni�o Sovi�tica,

pelo que quest�es dom�sticas cruciais...

... est�o a ficar para tr�s.

O que sugere que fa�a?

Claro que, como soberano,

n�o h� nada que possa fazer a n�vel constitucional,

mas, como amigo, como Albert Windsor,

� o �nico que me ocorre a quem ele seja capaz de dar ouvidos.

� a� que a porca torce o rabo.

� que eu j� n�o sou o Albert Windsor.

Essa pessoa foi morta pelo irm�o mais velho

quando ele abdicou do trono.

Claro que o velho Albert Windsor adoraria dizer

ao velho amigo Winston Churchill:

"Recua. Descansa. Deixa a gera��o mais nova tentar."

Mas ele j� n�o est� entre n�s

e esse vazio foi preenchido pelo rei George VI,

que, por sua vez, se revelou um picuinhas

e... n�o permite que o soberano

interfira com o primeiro-ministro para que ele abandone o seu cargo.

Mesmo quando � do interesse da na��o?

Da na��o ou de Anthony Eden?

Concedi-lhe uma audi�ncia

n�o para ouvir as suas queixas sobre o Sr. Churchill,

mas para lhe comunicar as minhas sobre o senhor.

Majestade?

O primeiro-ministro sair� na altura certa.

At� l�, como soberano,

tenho o direito de ser consultado, de encorajar, de alertar.

Mais vale ser paciente

e obter o que se deseja na altura certa

do que ser-lhe imposto um cargo quando ainda n�o est� pronto.

Falo por experi�ncia pessoal.

- Ministro dos Neg�cios Estrangeiros. - Majestade.

Come�amos a caminhada de regresso?

Use o acelerador. Vai correr tudo bem. Obrigada.

- Vamos a p�? - Philip. Philip.

- Assim parece. - Obrigada.

- Alteza. - Obrigada.

Sou o vosso guia. Vou levar-vos ao Treetops.

Fant�stico. Obrigado. Passe-me a espingarda. E as balas.

Pe�o que prossigam em total sil�ncio daqui para a frente.

S� falem o estritamente necess�rio e em voz baixa.

Pelo caminho, talvez tenhamos de usar sinais.

Este significa "pare" e este "n�o se mexa".

Seguiremos em grupos pequenos, fila �nica, no m�ximo tr�s de cada vez.

Vai correr tudo bem. Vai � frente, querida.

Mantenham-se pr�ximos, � dist�ncia de um bra�o.

Tembo!

Bandeira branca.

Saiam da�! J�!

Ora, ora, vejam s�...

Movam-se devagar, � minha volta.

Eles baixam a escada. Subam enquanto o distraio.

N�o. Fique com a princesa.

- Philip! - Vai, Elizabeth. Vai!

Alteza, fique ao p� de mim. Agarre-se ao meu casaco.

Est� tudo bem, Elizabeth. Calma, calma.

Aqui! Aqui!

Estou aqui.

Alteza, muito devagar...

Calma, olha para mim.

N�o pare, Alteza. Depressa.

Olha para mim. Para tr�s!

Afasta-te. V�, para tr�s...

Calma.

Tu � que �s o rei aqui.

Lindo menino.

Cara�as...

- Com licen�a, amigo. - Como � que fizeste aquilo?

- �s mesmo idiota. - Sou.

Obrigada.

Estive a pensar.

Se a sa�de do pai continuar a melhorar,

pensei em pedir para voltarmos para Malta.

- Para retomares a tua carreira naval. - A s�rio?

Sei que tens saudades da vida que lev�vamos l�.

Tenho.

Eu tamb�m. Muitas.

Vou escrever ao meu pai.

- N�o. - Sim.

- Isso � que n�o. - Isso � que sim.

- N�o! - V�, s� um pequenino.

- Nunca te ficas por um! - Fico, fico...

Tembo.

- Obrigada. - Obrigado.

Karibu.

Quem n�o estiver c� que se acuse!

Ora bem, oito armas, numeradas pela direita,

subindo duas em cada... volta.

Quer tirem a primeira ou a oitava,

n�o se preocupem, logo estar�o com lama pelo pesco�o.

Duas buzinadelas significar�o que a volta terminou.

Quando estiverem prontos, entrem nos carros. Obrigado.

- Ol�. - H� espa�o para mais uma?

Sempre.

- Vamos a isto. - Calma com a embraiagem.

Olhos na estrada. N�o abuses da velocidade.

N�o te preocupes. Serei meiga contigo, pai.

Bravo!

A aclama��o da multid�o anunciou a chegada do carro real,

que trouxe Suas Majestades e a princesa Margaret ao aeroporto

para dizer adeus aos viajantes reais.

A princesa Elizabeth e o duque de Edimburgo partem em visitas oficiais.

Dezanove horas depois, o avi�o real aterra em Nairobi.

Pela frente, uma viagem de 48 mil quil�metros

que os levar�, em cinco meses, a quatro continentes diferentes,

viagem essa que, n�o fosse pela sua doen�a,

o rei estaria a fazer neste momento.

Ao chegar, o casal real ir� para o Sagana Lodge...

Bom dia, Majestade. S�o 7h30.

Majestade?

Fique a�.

Lamento informar que o rei acaba de falecer.

N�o! N�o!

Por favor, meu Deus, n�o!

Contactem o Ministro dos Neg�cios Estrangeiros.

Digam-lhe...

"Hyde Park Corner". Ele entender�.

- A princesa foi notificada? - Refere-se � nova rainha?

Tanto quanto sei, n�o.

Sugiro que o fa�amos antes que chegue �s not�cias.

Estamos a tentar. N�o sabemos ao certo onde est�.

Estamos a tentar contactar o governador de Nairobi.

Vamos.

- Temos de divulgar! - Ainda n�o temos autoriza��o.

Acha que algum jornalista do mundo fica � espera de uma "autoriza��o"?

Voltaram a telefonar da BBC.

A not�cia est� a espalhar-se. Eles n�o podem esperar muito mais.

- N�o h� not�cias da princesa? - N�o. Isso � um "sim" para a BBC?

�.

E que Deus a ajude.

Insistem em dar � igni��o.

� s� esperar que a ventoinha pare.

N�o! Parem!

S� aqueceu demasiado.

Pode dar-me isso? Obrigada. S� temos...

De esperar.

Fui mec�nica durante a guerra.

Esta � uma mensagem de Londres.

� com imenso pesar que fazemos esta declara��o.

Sandringham anunciou que, �s 10h45 de hoje...

- E, depois, chegam a "Nanyuky"... - Nanyuki.

Nanyuki, perd�o. Num carro fechado, �s 10h30.

Morris! � da ag�ncia Reuters.

Sim?

Haver� uma demonstra��o do African Rifles.

Meu Deus...

Pode aguardar?

Saem �s 13h para o aeroporto de Nanyuki e partem no C47 da East African Airways,

cuja descolagem est� prevista para as 13h30 para...

... com bandeiras por toda a na��o a serem postas a meia haste

e a not�cia a espalhar-se pelas nossas vilas e cidades,

multid�es re�nem-se para chorar a morte do rei George VI.

Reconforta-nos saber que passou as suas �ltimas horas

na companhia aben�oada da esposa e da filha mais nova.

� como um homem de fam�lia dedicado

que n�s, como na��o, recordaremos o nosso soberano.

Eles n�o sabem.

Para o Sagana. J�!

Obrigado.

Karibu sana. Como foi no Treetops?

Foi maravilhoso. Vimos elefantes...

- Temos limonada fresca. - Tem um aspecto delicioso.

- Seja novamente bem-vinda. - Obrigada.

Vamos conduzir, meninos?

Um, dois... tr�s.

A princesa Elizabeth?

Onde est� a princesa?

Est� aqui?

Mhesihimwa... duque.

- Desculpe incomod�-lo... - O que foi, Martin?

Pai

A profunda dor que o povo sente adv�m do respeito pelo seu soberano.

- De bom grado... - N�o.

- Devo ser eu a contar-lhe. - Sim.

O rei, que se retirou para descansar ontem � noite, de boa sa�de,

faleceu tranquilamente durante o sono.

A BBC estende as suas condol�ncias a sua Alteza, a rainha, e � fam�lia.

Vossa Alteza,

esta fase do processo de embalsamamento pode perturb�-la.

Vossa Alteza...

Para o senhor.

CAPIT�O TOWNSEND

V�o mandar-te embora, mas eu n�o o permitirei.

Vou pedir � minha m�e para n�o te mandar embora. Eu...

Vai correr tudo bem.

N�o te vais embora. Eu n�o vou deixar.

Majestade, posso dar-lhe uma palavrinha?

Parece que a menina MacDonald n�o mandou um vestido preto.

Lig�mos para Londres

e levar�o um ao avi�o para vestir antes de desembarcar.

Certo.

E devo avis�-la de que h� muitos jornalistas l� fora.

Muitos s�o correspondentes reais, incumbidos de cobrir a sua viagem.

- Devo dizer alguma coisa? - N�o.

N�o ser� necess�rio,

mas ajudaria decidirmos, aqui e agora, o seu nome.

- O meu nome? - Sim, o seu nome real.

O nome que usar� como rainha. O seu pai escolheu George.

Como sabe, o nome dele �...

Era Albert.

E, antes de abdicar, o seu tio escolheu ser Edward, claro.

O seu nome era David.

- Que mal tem o meu nome? - Nenhum.

Ent�o, n�o compliquemos desnecessariamente.

O meu nome � Elizabeth.

Ent�o, viva a rainha Elizabeth.

Pe�o imensa desculpa pelo vestido.

Est� �ptimo.

Quando quiser.

Tirem os chap�us.

- Estamos a meio da noite. - N�o consigo adormecer.

Ningu�m no pa�s consegue dormir.

N�o se deve acreditar em tudo o que se ouve...

Mas?

Falei com a mulher do Jock Colville.

- Mary. Margaret. - Margaret.

Ela disse que o Anthony foi falar com o rei h� dez dias.

- A que prop�sito? - Por estar preocupado com a tua idade.

Com a tua lideran�a. Com a tua incapacidade.

- E para o rei pedir que renunciasses. - Imposs�vel.

O rei jamais cometeria tal trai��o.

E o Anthony jamais se atreveria. Tenho sido como um pai para ele.

Preparei-o em todas as etapas.

Bom, nesse caso, n�o me ligues.

N�o deve ser nada.

V�, n�o deve ser nada.

- O que est�s a escrever? - O meu discurso de homenagem ao rei.

Ser� transmitido amanh� e n�o encontro as palavras certas.

- Sabes que querem que falhes. - Eu sei.

Tudo o que for abaixo de perfeito ser� um desastre.

Com que ent�o, o Anthony...

N�o consigo dormir.

N�o.

Lamento.

Tu lamentas?

Eu � que lamento.

Pensei que tiv�ssemos mais tempo.

Majestade, faltam tr�s horas.

- O que achas que vai acontecer? - Quando?

Quando aterrarmos.

O que acontecer�?

Bom dia. O primeiro-ministro n�o estar� presente esta manh�.

Est� muito cansado devido �s emo��es de ontem.

- Onde est�? - Ainda est� a dormir.

Na sua aus�ncia, como vice, presidirei a reuni�o.

- O voo da rainha... - Espere, Anthony.

Se vai presidir a reuni�o em nome do primeiro-ministro,

n�o deveria sentar-se na cadeira apropriada?

N�o creio que seja necess�rio.

Muito bem.

Ora bem, o avi�o da rainha est� a sobrevoar a It�lia,

tendo partido do aeroporto de El Adem, na L�bia, �s 5h desta manh�.

Perd�o pelo inc�modo.

S� queria dizer que lamento imenso que n�o continuemos a trabalhar juntos.

Porqu�?

Tenho de ceder o lugar a Sir Tommy Lascelles.

Como secret�rio pessoal do soberano, ele � meu superior.

� aqui que devo ceder lugar ao grande homem.

Martin... lamento imenso.

Majestade.

Que pesadelo...

O Charteris, ao menos, tinha um dos p�s assente na terra.

E era teu amigo. Nosso. Ele estava do nosso lado.

J� o Tommy Lascelles...

... est� preso na terra que o tempo esqueceu.

- Pediu para falar comigo? - Pedi.

- Sente-se. - Obrigado.

Pressupus que, ap�s a morte de Sua Majestade,

no momento mais oportuno,

retomaria as suas responsabilidades para com a For�a A�rea Real.

Sim.

Comentei isso com a rainha,

a rainha-m�e, esta manh�,

que, por sua vez, e estranhamente,

me pediu para lhe perguntar se reconsideraria a sua partida.

Como?

A rainha diz que o senhor tinha

uma liga��o muito pr�xima com o seu falecido marido

e conquistou n�o s� a confian�a dele,

mas a confian�a e o afecto da fam�lia.

Obrigado.

Assim sendo, quer saber se ponderaria a hip�tese

de ocupar um novo papel, o de administrador do lar da rainha-m�e.

Entendo.

� uma proposta gentil e generosa

digna da vi�va de um homem gentil... e generoso.

Embora seja lisonjeiro, nunca contei que aceitasse o cargo,

da� ter desencorajado a proposta.

N�o queria que Sua Majestade passasse pelo embara�o de uma recusa.

Porque haveria de recusar?

Est� a fazer a pergunta errada. Porque haveria de aceitar?

� her�i de guerra condecorado, no auge da vida,

e administrador do lar da rainha-m�e n�o � um cargo militar.

Afast�-lo-ia da sua mulher e filhos.

Afinal, a pessoa com quem mantinha a rela��o mais pr�xima est� morta.

A menos que eu n�o saiba de algo.

A menos que haja outra pessoa com quem mant�m uma rela��o pr�xima,

o que tornaria o cargo mais apelativo.

- N�o sei a que se refere. - N�o, capit�o Townsend?

Marido e pai?

N�o.

Deve pensar que, como nunca foi confrontado,

ningu�m deve saber.

Permita-me p�r fim a essa ilus�o.

Dentro da comunidade fechada que serve a fam�lia real,

lamento dizer que boatos, dos desagrad�veis,

e mexericos depreciadores s�o o p�o nosso de cada dia.

Conhe�o bem o impacto que o servi�o a tempo inteiro

tem na vida pessoal de quem serve

e tamb�m tenho conhecimento

dos sentimentos gerados pela proximidade cont�nua

das pessoas para quem trabalha,

mas odiaria que os confundisse com outra coisa.

Pode agradecer � rainha-m�e a proposta generosa?

Aceito com todo o grado.

N�o h� pressa. Tire algum tempo para pensar.

S�o 72 horas por semana.

- Quero que tome a decis�o certa. - Est� tomada. A resposta � "sim".

BEM-VINDO AO AEROPORTO DE LONDRES

- Meus senhores. - Winston.

Chegou na hora H.

Mostre-mo. � mesmo esse.

Majestade, pediram-me que lhe entregasse isto.

E isto � de Sua Majestade, a rainha Mary.

Obrigada.

Obrigado, Charteris. Eu tratarei do resto.

- Obrigado, Martin. - Obrigado.

Majestade.

Martin.

Querida Lilibet,

sei o quanto amavas o teu pai, meu filho,

e que ficar�s t�o arrasada quanto eu com esta perda,

mas, agora, deves p�r esses sentimentos de lado,

pois o dever chama-te.

A dor da morte do teu pai ser� sentida no mundo inteiro.

O povo precisar� da tua for�a e lideran�a.

J� vi tr�s grandes monarquias a serem derrubadas

pela incapacidade de separar satisfa��es pessoais do dever.

N�o te permitas cometer erros similares.

E, al�m do luto pelo teu pai, deves faz�-lo por outra pessoa,

Elizabeth Mountbatten,

pois foi substitu�da por outra pessoa,

Elizabeth Regina.

As duas Elizabeth estar�o frequentemente em conflito,

mas acontece que a Coroa tem de vencer.

Tem de vencer sempre.

- Preparada? - Deixe estar, eu acompanho-a.

N�o. Se n�o se importa, a Coroa tem prioridade.

Todos a postos.

Esta � uma mensagem de Londres.

Tr�s, dois, um.

Quando a morte do rei foi anunciada ontem de manh�,

uma nota profunda e sombria soou nas nossas vidas,

ressoou pelo mundo inteiro,

parou a confus�o e o tr�nsito da vida do s�culo XX

e levou milh�es de seres humanos, no mundo inteiro,

a parar e a olhar ao seu redor.

O rei era muito amado por todos os seus s�bditos.

Os maiores abalos alguma vez sentidos por esta ilha

ca�ram sobre n�s durante o seu reinado.

Nunca, na nossa longa hist�ria,

estivemos t�o expostos a perigos de invas�o e destrui��o.

O falecido rei, que assumiu o pesado fardo da coroa

quando sucedeu ao seu irm�o,

viveu cada minuto da sua luta

com um cora��o que nunca vacilou

e um esp�rito destemido.

No final, a morte veio como uma amiga.

Ap�s um dia feliz de sol e ca�a

e ap�s dar as boas noites a todos aqueles que mais amava,

adormeceu,

como todo o homem ou mulher

temente a Deus, e a mais nada no mundo,

esperam fazer.

Agora, devo deixar os tesouros do passado

e voltar-me para o futuro.

Famosos foram os reinados das nossas rainhas.

Alguns dos mais grandiosos per�odos da nossa hist�ria

desenrolaram-se sob os seus ceptros.

A rainha Elizabeth II,

como a sua hom�nima, a rainha Elizabeth I,

n�o passou a sua inf�ncia sob qualquer expectativa pela coroa.

Esta nova era elisabetana

chega numa �poca em que a humanidade se encontra num clima de incerteza...

Espera.

... � beira da cat�strofe.

Eu, que fui jovem durante as augustas,

incontest�veis e tranquilas gl�rias da era vitoriana,

posso sentir a emo��o de invocar, mais uma vez,

a prece e o hino

Deus Salve a Rainha.

Deus Salve a Rainha.

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