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Meu coração, não sei
porquê, bate feliz
quando te vê.
E os meus olhos ficam sorrindo e pelas
ruas vão seguindo.
Mas mesmo assim, foge de mim.
Ele entrou em coma.
Tá desenganado.
Peraí, deixa eu entender. Você tem um amante, seu sapeca? Tem dois anos.
Ela deve estar preocupada.
Explica a minha situação.
E leva flores também.
Eliso? Como é que ele tá?
Entra. Você acha que ele vai ficar bom?
O Cândido fala muito de você. Eu tava bebendo um pouco de vinho, você quer?
Eu não quero incomodar você, então qualquer coisa que você precisar, você
pode me ligar. Fica só mais um pouco.
Ai, eu tô sentindo um aperto no coração.
Me dá um beijo. Um beijo de verdade, que eu sei que você quer. Não, eu não quero.
O papai piorou. Ele tá em coma.
Padre?
Não, não, não, peraí.
Peraí, você tem certeza que o médico pediu pra chamar o padre?
É, não é nada bom.
Eu imagino.
Quase 20 dias em coma, isso aí não é vida pra ninguém.
É, mas a gente tem que ser forte agora, né?
Tá bom.
Beijo. Adriana.
Parece que ela tava correndo pro hospital, chamaram a família.
Calma, porque tem muita coisa pra acontecer ainda. A gente não sabe o que
vai ser.
Tô me sentindo muito culpada.
O Cândido lá e a gente aqui... Deus tá vendo, Paulo. Ele vai castigar a gente.
Não vai castigar nada. Meu Deus, não vai castigar ninguém.
Tá? O Cândido queria ver você feliz. Ele gostava de você.
Gostava? Ele tá vivo ainda.
Mas é porque a família chamar um padre não é nada bom.
Não é nada bom.
Pai, pode ser alguma notícia.
Meu Deus do céu, é a Adriana.
Atende. Não, eu nunca sei o que falar nessas horas. Meus pêsamos, é péssimo,
parece pésame, pesa. Atende, ela vai desligar, Paula, atende.
Alô?
Quê?
Nossa, você tá brincando comigo?
Que maravilha!
Foi agora?
Não, não, não, deixa ele descansar.
Ah, ele quer? Tá.
Cândido! E aí, rapaz! Que alívio ouvir sua voz! Que alívio! Que alívio!
Como é que tá?
Tá... Vamos.
Vamos sim.
Tá bom. Mas tem que descansar, hein, cara?
Descansa aí.
Tá bom.
Oi, Adriana. Tá ótima a voz dele. Tá ótima.
Pois é. Aqui, eu preciso desligar, tá?
Mas que bom. Qualquer coisa, você me liga.
Tá bom.
Beijo. Vejo.
Acordou falando, acordou. Acordou simplesmente.
Fez cocô, fez xixi, me chamou pra tomar um vinho. Não é ótimo? Hein?
Pronto, pronto.
O que foi? Você não tá feliz?
Não, tô muito.
Que agora eu tô mais culpada ainda, né?
Não, mas muito pelo contrário. Você não falou que Deus tava vendo e que ia
castigar a gente? Se ele viu e não castigou, é porque a gente tá perdoado.
Mas eu não devia brincar com esse tipo de coisa. Com o quê?
Imagina, a gente tem mais é que brincar mesmo, senão ele não teria feito a gente
assim. A
gente
não pode mais fazer isso.
A gente não pode mais trair o Cândido, ele tá vivo.
Mas olha só, ontem ele também tava vivo e a gente... traiu.
Duas vezes.
Mas isso foi ontem, né? Sim, mas a última foi depois da meia-noite, que já
configura hoje, não é?
Duas ou três vezes não vai fazer diferença, né? Não vai fazer a menor
diferença. Não, né?
Tanto faz, eu quero é mais amor.
Chega. É, chega, senão... Não, eu não quero mais isso.
Isso o quê?
Eu vou no hospital contar pro Cândido que a gente tá tendo um caso. A gente
quem?
Como assim, a gente quem? Eu e você.
Elisa, a gente não tá tendo um caso porque eu não sou casado e nem você.
Você tem um caso com o Cândido. Agora, isso ele já sabe. Quem não sabe é a
esposa dele.
É, mas ela vai ficar sabendo agora, porque eu vou lá e vou contar toda a
verdade. Não, olha só, a verdade é superestimada. Nem sempre faz bem pra
saúde. É, mas se ele quiser assumir o nosso namoro, se ele quiser se separar
da Estela, a gente até pode conversar. Se não chega, o tempo tá passando. Eu
quero ter um filho, eu quero ter uma família.
Tá, tá bom, tá bom, tá certo.
Tá, eu só acho o seguinte, é que você pensa bem. O Cândido ainda tá em
reabilitação, pode ser que ele tenha um troço que ele... É verdade, olha só.
Nessas horas de momento de problema de dinheiro, problema de saúde, de morte, é
que o homem da graça deixa de ser casado.
Você acha isso?
Eu? Tenho certeza.
Eu vou me separar e vou assumir a minha paixão pela Elisa.
Então, ligou pra ela?
Liguei. Ela tá bem? Tá, tá bem.
Você esteve com ela?
Tive, tive.
Levou o dinheiro?
Levei. Você acha que ela tá com outro? Não.
Eu também estive com ela muito rapidamente, mas eu acho que não.
Não sei, sabe, uma mulher como a Elisa, ela não aguenta ficar muito tempo sem
sexo.
Levou as flores? Levei.
Ela gostou? Gostou.
Ela sorriu? Sorriu.
Ela é linda, né?
Muito, muito bonita. Ah, eu adoro aquela casa.
Ah, aquele pátio. A sala.
O corredor.
A lavanderia.
Ah, aquela cama.
Ah, aquela cama cheia de molas.
Cândido, calma. Você não pode se empolgar desse jeito. Você não tá
completamente recuperado ainda.
Ah, isso é um sinal.
A vida está me falando, Cândido.
Está acabando.
Aproveita.
Aproveita. Paulo, eu sou um homem rico.
Eu tenho muito dinheiro.
Dinheiro investido, imóveis. O que adianta isso? Cachão não tem gaveta.
Sim, mas não custa nada ser previdente. Quem é que sabe do futuro? Eu sei do
meu. Eu vou contar toda a verdade.
Talvez seja melhor você falar com a Elisa antes de terminar um casamento
de... 32 anos. 32 anos.
O primeiro beijo quem deu foi a Elisa.
Ela é que deu o primeiro beijo.
Que durou 56 minutos, mas eu fiquei culpadíssimo, sabe?
Beijando, mas... Mas culpado e culpado e beijando e beijando e culpado.
Paulo, você é... Como é que eu posso dizer?
Um canalha. Ah, geralmente eu não sou, mas agora eu vou ter que concordar com
você. Eu tô me sentindo um completo canalha. Você tá namorando a amante do
seu sogro, é isso? Laura, pelo amor de Deus, o homem tava desenganado. Tava há
mais de duas semanas em coma. A família chamou um padre, Laura.
E vocês não podiam pelo menos ter esperado um atestadozinho de óbito.
Porque o pobre do sujeito voltou ao mundo pra ser corno.
O corno zumbi. E ele já tá em casa?
Não, tá no hospital, tá melhorando.
Mas pode ser que piore também, eu não sei, vamos ver. Você não disse isso.
Você sabe, né, que você disse isso em voz alta. O que é ela? Você tá achando
que eu quero o mal do Cândido? Que eu quero que ele morra? Pelo amor de Deus!
Eu adoro o Cândido. O Cândido é um cara incrível. O que eu quero mais é que ele
fique bom. Agora, é uma questão de saúde.
Raciocina comigo.
Pode ser que o coração dele não aguente esse susto de justamente agora, que ele
está terminando um casamento de anos e anos.
Ele descubra que a amante, porque ele diz que ele é perdidamente apaixonado,
está tendo um caso com o namorado da filha. É, e também não ia ficar muito
bem para o namorado da filha isso, né?
É, tem isso também.
E outra coisa, se porventura o Cândido vier a falecer, o que ninguém aqui quer,
obviamente, mas não seria melhor ele morrer na ilusão de um grande amor do
que na dureza pontiaguda de um chifre?
Sim, e nesse caso você pode deixar tudo como está.
Posso, posso, mas não vou. Vou entregar meu apartamento e vou morar com a Elisa,
lá em Marechal. E ela já sabe disso?
Ainda não.
E você está apaixonado por ela? Claro que eu estou, Laura, claro que eu estou.
A paixão é o sentimento maior que Deus inventou. A paixão é o Himalaia de Deus.
E eu preciso dar um rumo na minha vida também. Maria Alice lá em Berlim,
rodeada de alemães, todos falando alemão perfeitamente. O meu alemão é péssimo.
Luiz Arthur, meu colega de escola.
Só passou em Química porque eu dei cola pra ele.
Ótimo, tá te devendo uma, então.
Estudou com você?
Tá conservado, então, né? É.
Bonitinho. Vou dar like.
Boa.
Deu match.
Já? Tá digitando.
Sou casado. E você?
Nem vou responder. Eu também.
Por que você não fala a verdade? Eu?
Ficar exibindo a minha solteirice pra ele passar com a superioridade de casado
dele? Não. Eu sei como é.
Eles ficam... Não, eu sou casada. Eu só tô aqui porque eu quero experimentar.
Não, eu não quero nada sério. Eu não quero nada com você. Eu também não
quero. Eu também não quero nada sério. Eu também só quero experimentar. Você
entende? Eu também, viu, Luiz Arthur?
Eu também só quero ver como está a sua carinha tantos anos depois. Porque aqui,
gente, tá muito bonitinha. Não aguento.
Laura?
Você tá igualzinha. Você tá bem diferente.
É, verdade.
Tô rico.
Ah, por favor.
Se o Cândido dissesse que ia se separar da esposa dele pra ficar com você, o que
você diria?
É, mas ele nunca diria isso.
Bom, eu disse.
Ele disse?
Disse. Mas você lembra exatamente quais foram as palavras que ele usou?
Lembro, ele disse. Eu vou sair daqui, vou me separar e vou assumir minha
paixão pela Elisa.
O que foi?
Não era isso que você queria?
Não, eu esperei por isso há muitos anos, mas... Mas agora eu tô apaixonada por
outro.
Peraí, esse outro sou eu?
Você não tá apaixonado por mim?
A gente precisa contar pro Cândido.
Precisa.
Vamos junto.
Não, não, não, não vamos junto não, porque ele vai ver a gente junto.
Ele vai sacar de cara o que tá acontecendo, ele pode ter outro
piripaque, melhor não.
Tá, não, vamos com calma então. É, acho que na verdade ele nem precisa saber da
gente agora.
Vou falar pra ele que tá tudo acabado entre a gente. Você vai terminar o seu
namoro com a filha dele.
Aí a gente vai acompanhar a recuperação dele e depois de um tempo a gente
assume. Tá.
Ótimo. Vamos se precipitar agora. Deixa eu falar com a Adriana primeiro.
Cervejinha?
Oi. Olá.
Você vai se mudar?
Eu não. Quer dizer, vou. Vou porque tô precisando gastar menos. Esse
apartamento tá caro demais já.
Entendi. E você já sabe pra onde você vai?
Ainda não. Tô pensando.
Paulo, você quer casar comigo?
Peraí, você tá me pedindo em casamento?
Não, não. Absolutamente. Eu tô... Eu tô perguntando se você tá pensando em casar
comigo.
Por quê?
Ué, porque você tá se mudando, você não sabe por onde você vai. Não, não, não.
Você tá entendendo errado. Imagina, eu não quero casar com você.
Até porque eu sei que você nem é esse tipo de mulher.
Que tipo de mulher?
Ué.
Desenvolve.
Esse tipo de mulher que sai com o cara e passa três meses e já quer brincar de
casinha. Imagina, casar é bom pra quem gosta de lavar louça, né?
Eu tenho uma lavar louça?
É, então, exatamente.
É disso que eu tô dizendo.
Não tô entendendo o que você tá querendo dizer. Adriana, olha só, você é uma
mulher livre, entendeu?
Você precisa ser livre, você quer ser livre. Que mal há em ser livre?
Tá, mas eu quero uma liberdade de poder escolher tudo.
Inclusive de lavar louça, de brincar de casinha. É, mas você é joia de mim em um
mês, pode ter certeza.
Eu só convivo comigo mesmo porque eu sou obrigado.
Agora você já tem escolha.
Tá, pelo que eu tô entendendo, você tá terminando comigo.
Ai, que alívio, que eu não vou me sentir culpada por terminar com você.
Vai haver um bom casamento, isso é de impossível mesmo, né?
Desumano. Acho que a gente é muito novo pra um happy ending.
É.
Eu tava adiando porque meu pai vai ficar arrasado. Ele adora você.
Eu adoro ele também.
E adoro você.
O Luiz Arthur é engraçado, gente boa, sensível. Ele chora no cinema. Eu
valorizo muito isso nas pessoas.
E ele é rico, então tô aproveitando. Sem sexo.
Jura? Ele é casado. Não transa com homens casados. E a esposa dele sabe que
vocês são amantes platônicas?
Que vão juntinho chorar no cinema?
Não sabe. Ela está viajando.
Ah, isso é que eu não gosto. Mentira.
Eu namoro uma mulher por semana.
Sim, mas eu não minto pra nenhuma delas. Eu me apaixono por todas elas, uma de
cada vez, rapidamente.
A fidelidade não existe.
Ela é uma utopia, um sonho americano, como a democracia. Tá?
Beijo, tchau.
Pedra que muito se muda, não cria limo jamais.
Você muda tanto de amor e já quer me mudar.
E pedra que muito se muda, não cria limo...
Você não é pedra, meu bem.
Pense antes de me mudar.
Você tá procurando sarna pra se gozar.
As inimigas choram.
Eu não decordo meus nomes.
Faz sentido.
Falei com a Adriana.
E aí?
E aí, que agora eu sou um homem solteiro, livre e desimpedido.
Pode deixar que eu corrijo isso rapidinho, tá? Você tá procurando sarna
pra se gozar.
O que é esse nome?
Pois eu estou convencido de que o negócio é a família.
Você vê, o meu pai, ele tinha amante, mas o meu avô não tinha. E quem é que
tava assim?
Meu avô.
Imagina, casou virgem, teve nove filhos, nunca teve uma segunda esposa. Você tem
certeza? Quem que te disse?
Eu tenho certeza absoluta. A minha avó até queria que ele tivesse um amante,
que era pra ver se dava um sossego pra ela.
Mas é isso, fidelidade no casamento.
Ruim com ela, pior sem ela.
Eu acho que você tem razão, sabia?
Ficar mentindo é chato, cansa, né? Por isso que amanhã eu vou no hospital, vou
contar tudo pro Cândido.
Tudo? Tudo.
Ah, menos eu e você, né? Claro.
Ah, não. Vou falar que tá tudo acabado. Ele tem a mulher dele, a família dele.
Eu quero ter a minha.
É, bom.
Eu vou à noite, assim, então, que é pra dar um apoio emocional pra ele. E a
gente se encontra lá.
Tá bom.
Você tá com algum compromisso hoje?
Eu não. Tirei a tarde pra ficar com você.
Mas é que você não para de olhar esse celular aí. Você tá vendo a hora?
Você tá escondendo alguma coisa de mim. Não, não tô, não.
Melissa.
Então era isso.
Que surpresa maravilhosa.
Meu Deus.
Meu Deus.
Você não pode ficar se empolgando, Cândido. Você não tá bem ainda.
Olha, ela tá linda. E você tá ótimo. Você tá com uma cara ótima. Ele tá
ótimo.
Cândido, não. Peraí. Vamos entrar no seu quarto. Vamos aqui.
Faz um favor.
Fica aqui.
Porque a porta não tem chave.
Tá? Só um pouquinho.
Tá? Valeu.
Amigo, que ironia desta vida.
Você chora na avenida pro meu povo se alegrar.
Eu bato forte em você e aqui dentro do peito uma dor me destrói.
Mas você me entende e diz que pancada... A gente não pode continuar isso.
Eu sei.
Isso foi um sinal.
Você é a mulher da minha vida.
A gente precisa conversar, eu preciso te falar. Antes de você falar qualquer
coisa, me responde.
Você quer casar comigo?
Sim!
Você tá comendo bem?
Qual foi sua última refeição?
Espaguete à carbonara.
Com bacon?
Você tá querendo morrer? Não sei.
Não, não fala assim, ó. Papai já tá ficando bom, você também.
Vou te dar só um beijinho.
Talvez dois.
Vamos brincar de frases inteligentes?
Grandinho, a gente não vai transar. Se a gente fosse amigo e transasse, assim, de
vez em quando... Sem compromisso.
Você tá sem casa pra morar. Tem um quarto livre do lado meu.
E se a gente morasse todo mundo junto?
Eu, você, a mamãe, o papai... Os melhores amigos.
Acho que vou precisar de mais soro.
Ó, o papai tá quase indo pra casa.
É? Onde é que ele tá?
Ah, tá andando por aí com a Elisa.
Que Elisa?
Você tá muito fraquinho, você tem que se recuperar. Outra, outra, outra.
Existem só dois estados de saúde.
Vivo ou morto.
Eu tô vivo, minha linda.
Vivo.
Vivíssimo.
Já?
Cândido.
O médico!
Peraí, médico!
Então a sua mãe sabe?
Se sabe, ela nunca me disse nada.
Mas ela é uma mulher livre, né? Eu dei isso dela.
O amor só dura em liberdade.
Oi, Elisa, tudo bem?
Pelo visto, já se conhece. Só de vista.
O Cândido tá no CTI. Como assim?
Mas vocês não precisam se preocupar, que ele já tá fora de perigo.
Com licença.
Luísa.
Eu disse
a ele, coragem, Cândido.
Ele respondeu, coragem eu tenho, Estela.
O que me falta é ar.
O médico disse que ele fez algum esforço exagerado, não sei onde.
É, eu imagino.
Sempre viveu intensamente.
A vida pro Cândido é uma festa.
Uma festa elegante. Ah, uma festa elegante.
E nós fomos convidados, então é nossa obrigação sermos alegres, felizes,
dispostos a tudo.
Eu realmente adoro festa, mas eu acho que nessa aqui já tem gente demais.
Eu preciso ir. Não. Não, filho.
Não, por favor. Eu realmente preciso ir. Eu acho de verdade que vocês vão lidar
com essa situação melhor se eu não estiver aqui.
Tá?
E... Obrigado por tudo.
De verdade. Obrigado por tudo.
E eu saí, Cabral. Saí.
Saí. Eu só posso estar louco. Só posso.
Realmente uma atitude intensa. Eu disse não pra duas mulheres incríveis.
Duas. Mãe e filha. É, por causa da amante, do sogro.
Praticamente um anjo. Você vai pro céu. Eu só queria ir pra Marechal.
Querido, vem cá.
Presta atenção.
Há um momento em que a vida, no que ela tem de mais louca, é pouca.
Por aí afora, distribuindo sonhos, os
carinhos que você me prometeu.
Oi Elisa, eu tentei fazer um samba, mas só saiu um poema.
Não sei se é verdade que de saudade também se morre, mas é melhor morrer do
que sentir saudade. Não posso mais alimentar a esse amor tão louco.
Maria Alice, Maria Alice.
Onde é que você está?
Maria Alice, a Lisa sumiu.
Será que algum dia a Lisa...
A Elisa existiu. Você tá dormindo? Aqui são três horas da manhã, Paulo. Eu sou
um poeta, Maria Elisa. Você tá vendo, não é?
Eu sou um poeta bêbado e solitário, Maria Elisa.
Por que não cala o trovão da mente?
Por que não seca a lágrima da obsessão?
Por que não cessa essa falta que enfraquece?
Essa dor que apenas cresce.
Por que eu não fecho?
Paulo? Peito ardente.
Paulo?
Paulo, você tá dormindo, Paulo.
Paulo.
Meu amor.
Seu amor, pelo que eu saiba, é a Adriana, né?
Aquele beijo na boca era só coisa de amigo. Você beijou o Cândido também.
Eu não beijei o Cândido. Eu transei com o Cândido.
Tá? Mas eu não me importo. Sabe por quê? Porque você é meu sol.
Você é minha sombra. Você é o meu eclipse. Você é... Você é... Você é
minha poesia. Você é minha lua cheia. Você é... Você é todos os planetas,
gente. Você é... Se o sol já vai raiar...
Seu dia vai amanhecer.
Limpou a mancha do teto?
Também pintei as paredes da sala e arrumei aquele barulho estranho da
geladeira, sabe?
Agora eu entendi porque você não me atendeu a semana toda. Porque você
estava muito ocupada, né?
É... Aqui estão suas coisas.
Pra... Pra você levar embora.
Essa foi a nossa despedida, Paulo.
Foi ótima, aliás.
Mas o Cândido vai receber alta e vem morar comigo.
Ele falou que você não apareceu mais, que você terminou com a Adriana e sumiu.
Ele ficou triste.
Eu não contei também da gente.
Pode ser nosso segredo. O que você acha?
Melhor. Você entende, né?
Eu sempre te falei que eu amava o Cândido. Você lembra? Eu também amo
muito o Cândido.
Não chorou Quem não se lastimou Não
pode nunca mais dizer Pra que chorar Pra que
sofrer Se é sempre um novo amor Cada novo
amanhecer Pra que chorar Pra que
sofrer Se é sempre um novo amor
Alugar um apartamento, Laura. Eu preciso tirar as coisas de lá hoje.
Quer ajuda pra levar essas tralhas lá pra Marechal?
Não existe mais Marechal pra mim.
A Elisa terminou comigo e vai casar com o Cândido.
Alô?
Alô? Você quer passar uns tempos aqui em casa comigo?
Quero, quero. Só até eu pegar uma passagem pra Berlim e trazer a Maria
nesse dia.
Paulo. Eu vi uma foto da Maralice em Berlim com o Leopoldo. Ele foi pra lá.
Eu vou te mandar a foto.
Não deixe o samba morrer Não
deixe o samba acabar
O morro foi feito de samba
De samba
Quando as minhas pernas não puderem aguentar
Levar meu corpo junto com meu samba O
meu anel de bamba Entrego a quem mereça usar
Não deixe o samba morrer
Não deixe o samba acabar O morro foi feito de samba
De samba pra gente sambar Deixe o samba morrer
Não deixe o samba acabar O morro foi feito de samba
De samba pra gente sambar Não deixe o samba morrer Não
deixe o samba acabar O morro foi feito de samba De samba pra
gente sambar
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