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Vamos!
Corre!
Mario!
Mario!
Vamos! Eu vou te ajudar!
Vamos, Mario!
Vamos!
DENTRO DO CÍRCULO
Uma ligação pode mudar o Universo inteiro.
Um simples toque
e tudo o que você achava seguro desmorona.
Ninguém tá preparado pra isso.
O momento em que o mundo que você conhece se divide em dois.
O antes…
e o depois.
Quando soubemos do acidente do Mario,
foi como se o tempo tivesse parado.
É engraçado como a amizade funciona.
Quando um de nós cai, o resto fica mais forte.
Como uma rede
que aperta os nós para não se rasgar quando perde um fio.
Foi assim que nos redefinimos.
Cada um de nós deu a ele um pedaço da nossa inocência.
E, sem percebermos, Mario se tornou algo maior.
Ele se tornou nosso centro e quem mantém nossa história viva.
Quando o vejo rir
e quando o ouço brincar com a própria história…
entendo que as piores quedas nos levam aos lugares mais bonitos.
Mario não é só o coração dos Azuis.
Ele é a prova de que a dor pode se transformar em alegria.
Vamos. Você consegue.
- Perdemos eles. - Vamos. Aguenta.
Vai se foder. Quero ver quanto aguenta sem um pedaço do fêmur.
- Em que merda nos metemos? - Não sei.
Parece que tem gente preocupada com o que a Pamela esconde.
- O que é isso? - Calma. É importante.
Só pode ser brincadeira.
Estou tentando te proteger, e você protege uma boneca?
Essa boneca, Tomás, vai nos permitir entrar na casa da Carmen
pra continuarmos investigando, idiota.
Mario bandido.
Você leva jeito pra isso.
- Me paga. - O quê?
- Metade do seu salário. - Salvei sua vida. Agradeça.
Não acredito.
Quem é esse cara?
Ficou com medo, né?
O que posso dizer?
Eu moro em Mérida. Essas coisas não acontecem lá.
Não viu como eles olharam pra gente?
Não, como olharam pra gente?
Não ficou com medo?
Claro que não!
- Claro que ficou, Nico! - Não.
Que seja, mas o que houve com os amiguinhos da Pamela?
Ou inimigos, talvez.
Mandamos pro Luis pra ele descobrir quem é?
- Tá. - Ainda não respondeu, mas posso fazer.
Se arrumem comigo para a premiação Latin Fest 2025.
Shots! Vamos!
Que cara é essa?
O que foi?
Não acredito que vamos fazer isso com Tamaulipas.
O quê? Alondra Urtegui?
Por favor. Você fez um sacrifício pelo bem maior.
- É pela política. - Não.
Ela não é política. É uma influenciadora.
Perfeita para uma cédula, não acha?
- O que faz aqui? Sente-se. - Não.
Tenho que falar com você sobre assuntos delicados,
e estas paredes têm ouvidos.
- Vamos dar uma volta? - Não posso.
Espero documentos importantes.
Isso é mais importante. Acredite.
Vamos.
Carlos!
O Cartel do Norte?
Como sabe disso?
Ele é meu filho e meu concorrente.
Mais um motivo pra ficar de olho nele.
Não sei o que o Jaime tá aprontando,
mas o tiroteio do outro dia,
eram inimigos do cliente dele? Por favor.
Foram os cartéis.
Se estamos falando de cartéis, é um assunto sério,
e estou muito preocupado.
Eu também estou.
Eu sei. Por isso estou te contando.
Eu te admiro, e sei que você admira meu filho.
O Jaime nunca vai aceitar minha ajuda.
Mas vai aceitar a sua.
Droga, Jaime!
Deixe-me ver.
Obrigado.
Dr. Vega, sala de cirurgia três.
Ei.
Vou ajudar o Tomás com um artigo pro jornal dele.
Sobre o quê?
Ele quer escrever um artigo sobre um apartamento e pediu minha ajuda.
- Sou bom nisso. - Vai comer o queijo?
Todo?
Posso comer metade?
Sim.
O que estava dizendo?
Nada, que…
vou chegar tarde hoje.
Tá bom.
Oi, querida! Vou abrir pra você.
É a Amelia.
Oi, querida!
- Lucita! - Que bom te ver.
- Entre. - Que cheiro bom. O que você fez?
Chiles en nogada.
- Quer comer aqui? - Em novembro?
Sim, todo dia é feriado aqui.
Não dê nada a ela.
- Não. - Vou fazer uma marmita.
Obrigada!
E aí?
Por que diabos o Cartel do Norte quer te matar?
Quem te contou?
No que você se meteu?
No que você se meteu?
- É meu trabalho. - Trabalho?
Sim, fiz uma operação.
- Pisei no calo de alguém. - Pisou no calo?
Você pisou nos cartéis!
Me poupe, Jaime!
Quando viu meu pai?
Por que acha que ele se envolve nisso?
Ele tá preocupado.
Até parece.
Com a mulher que você é, a pessoa que você se tornou, você…
ainda o escuta?
- Por que não me contou? - Por que contaria?
Porque sou eu!
Vamos parar de fingir que contamos tudo um ao outro.
- Fingir? - Estou te protegendo.
Então não me proteja.
Não pedi sua proteção.
É isso que ele quer. Isso.
- Merda. - Tá errado.
Não sabe quem é seu pai.
Você claramente não é a pessoa mais objetiva pra falar do meu pai.
Por que diz isso?
Vamos pegar comida.
Senhora, não estamos numa série de TV.
Já viu alguém com mobilidade reduzida se mexer assim?
- Bem… - Em qualquer espaço?
- Na… - Não.
A mulher lá de cima gritou: "Prendam eles! São ladrões!"
E eu: "Senhora, calma. Não me conhece.
Respira."
Mas de quem era o apartamento?
Da Pamela.
O quê?
Por que fez isso?
Por isso.
O que é isso?
O último vestido que fez pra ela.
Eu reconheci.
Sei que não foi bom o que eu fiz,
mas, quando vi, lembrei de como era importante pra você
e decidi ir.
Você é uma boa pessoa, né, Mario?
Obrigada.
Mas não foi bom se meter nessa confusão,
porque poderia ter tido um problema bem maior
do que uma vizinha gritando com você.
Não é? Consegue imaginar?
Sim.
O que foi? Por que tá tão sério?
É que…
não era uma vizinha.
Era um cara muito estranho.
Estava armado. Entrou no apartamento desesperado.
Estava procurando algo.
E acho que não era a boneca.
Mario…
O que foi?
Acho que sei o que estavam procurando.
POR QUÊ? FEMINICÍDIO? PAIXÃO? DÍVIDA?
UM ÍCONE OU MAIS UM FEMINICÍDIO?
ONDE?
- Alô? - Preciso te ver.
Eu também.
Pensei em você.
- Amelia? - Desculpe.
Não foi isso que quis dizer. Tenho que te contar uma coisa.
É sobre o Jaime.
Eu também. Queria te contar o que Mario e eu descobrimos.
Quer jantar lá em casa?
Tenho chiles en nogada da Lucita.
Chiles en nogada da Lucita.
Então você viu o Jaime.
Quer comer os chiles ou não?
Sim, quero. Já estou indo.
Aqui.
A Pamela
trouxe esta mala e disse
que era melhor ficar aqui do que no apartamento dela.
Ela disse que era o seguro de vida dela.
Nunca mostrei isso a ninguém.
Se estou mostrando a você,
é porque estou com medo
e porque realmente
não sei o que fazer.
Sabe o que tem aí?
Não era mais fácil fazer isso em casa?
Sim, mas é mais seguro ver essas coisas aqui.
E vamos comprar uma gomichela pra você.
Que porra é uma gomichela?
Vocês são muito caretas em Mérida, né?
Olá, Joaquín Plasencia.
Vamos ver quem é esse cara.
Ele tem empresas no país todo.
Olha, La Guacamaya.
- Sim. Vamos ver. - Ele é sócio.
Ele colocou a Pamela como sócia de outra empresa.
A Pamela?
- Sim. - Vamos ver.
Vamos ver.
O que é isso?
- É a empresa. - Isso?
- É, o negócio deles é muito legal. - Muito.
Novembro de 2007.
Bom, está dando tudo certo para o meu esquisitão.
Ele comprou três helicópteros pra Polícia Federal.
O subprocurador e o senador Ramírez pediram uma parte, claro.
Esses caras não se cansam.
- Mas meu esquisito tá feliz. - De quem ela tá falando?
Acho que é o chefe do Dep. de Segurança Interna.
Ela ficou com ele há muito tempo,
mas terminaram porque ele era um idiota, arrogante, antiquado.
Ele é romântico.
É antiquado, até na cama.
Se dependesse dele, transaríamos de pijama. Ele tem um…
Desculpe.
Quando a Pamela me deu a mala, me fez prometer que não a abriria.
Não a abri nem ouvi nada disso até ela ser assassinada.
Ouviu todas?
Não, porque os arquivos do pen drive têm senha.
E não tenho todos os dispositivos pra ouvir isso, mas…
acho que tem a ver com o assassinato dela.
E você não pensou em mostrar à polícia?
- À polícia? - É.
Como vou saber se a polícia não matou ela?
Juro que quero me livrar disso.
- Queimar, fazer sumir… - Não.
- Como se nunca tivessem existido. - Não.
Calma. Elas podem ter informações
que nos ajudem a fazer justiça pela sua amiga.
Eu posso verificar.
E te digo quem está nas fitas. Nós dois podemos fazer isso.
Pense bem.
As pessoas que procuram isso não me conhecem.
Não sabem que existo.
Acho que…
se há um lugar seguro pras fitas, é a minha casa.
Vi no Nmap que há uma porta aberta no site registrado dela.
Posso fazer uma injeção de SQL e extrair os dados ocultos.
Só entendi "porta".
Podemos rastrear os movimentos da empresa dele.
Gomichelas são nojentas.
- Legal. Valeu. - Aqui. Até logo.
Mas vai demorar um pouco, então é melhor fazermos em casa.
Será que estão lavando dinheiro?
Quem é esse cara? É o namorado dela?
As possibilidades são infinitas.
Os pregos representam as âncoras que sustentam nossa história.
O "S" é o fluxo da vida.
Contínuo, mutável.
E nessa dualidade entre o fixo e o fluido,
quanto do nosso passado nos define?
E quanto nos liberta?
Posso fazer uma pra você.
É artista?
Não, mas sei usar um martelo.
Desculpe o meu amigo intelectualmente primitivo.
Em 20 minutos, faço na sua casa.
Vou pensar.
Ela estava muito interessada em dormir.
O que você quer, Jaime?
Por que os cartéis?
Porque ele tem contatos na DEA.
Talvez o cartel quisesse mandar uma mensagem pros americanos.
Se matarem o Jaime, a DEA vai deixar os cartéis em paz?
Não sei. Ele pode ter se envolvido em alguma operação.
- Não sei. - É ruim.
Sim, é.
O mais louco é que você tem um amigo sendo perseguido
pelo secretário de Defesa e o outro pelos cartéis.
Precisa ter mais cuidado com quem anda. Saúde.
E você coloca o Mario no meio de um tiroteio.
Eu não coloquei ele em tiroteio nenhum. E não foi um tiroteio.
Não. Foram só dois tiros.
- "Só dois tiros." - É.
O importante é mantermos o Jaime por perto
e longe de todo mundo.
Concordo.
Não é hora de envolvê-lo nos nossos problemas.
Se sujou.
Onde?
Aí.
Pronto.
O Mario mandou mensagem.
Não me surpreende.
Não vai acreditar no que ele conseguiu.
Tuxpan.
E o que está oferecendo?
Exclusividade.
Controle de entradas e saídas, embarque e desembarque.
Por quanto tempo?
Cinco anos.
Eles poderão entrar e sair como se fosse a garagem deles.
É muito difícil fazer o cartel voltar atrás em uma ordem.
Sabe que não encontrará essa oferta em outro lugar.
Quando começaria?
Seis meses após a reunião de controle de acesso,
um ano pra logística portuária.
É uma oferta muito boa.
Sim, é.
Acho que os senhores vão te agradecer por isso.
Você foi muito bem.
Um registro de todos os amantes dela.
Todos os políticos, artistas e empresários
com quem ela já se envolveu.
Não acredito.
Caramba, Mario. Você é o cara.
Raymundo B. não é o governador de Nuevo León?
- É. - Não sabia que era amante da Pamela.
Porque amantes são discretos.
Raúl Richter. Não sei quem é.
É o banqueiro.
Não acredito. Ela se envolvia com os peixes grandes.
Entre os peixes grandes, esses segredinhos não são bem vistos.
Se ligarmos o Salazar a isso, sabem o que significa?
- Não acredito. - O quê?
O quê?
Rosendo.
- Rosendo? - Sim.
Quem é Rosendo?
Tá brincando? É o chefe do Tomás, dono do jornal.
Vamos.
- Aonde? - Vamos.
- O quê? - O que houve com sua franja, Amelia?
- Deixa minha franja em paz. - E a sua, cara?
- Não. - Esse anuário é uma joia, né?
Ei, lembra do "Arijaje"?
Por que eu o chamava assim? Ele não gostava.
O diretor nos fez cantar aquela música. Como era o hino da escola?
Instituto Sevilha
Farol do ser
- Não, era "farol do saber". - Não.
- Não era "farol do saber". - Qual é?
Você tá inventando. Tá bom, cala a boca.
Não aguento mais esse cara.
Quando começamos, ele era interessante.
Alguém com quem eu podia ter uma conversa de verdade,
mas me enganei.
Todo dia é a mesma coisa.
Se a deputada Mandel se tornará presidente do partido,
se o jornal vai continuar de esquerda,
ou se o PRI voltar, e eles voltarem para a direita.
E assim que ele começa a beber,
o lado machista dele aparece e ele fica insuportável.
No dia seguinte, pede desculpas e diz que vai mudar
e que o que temos é especial.
Aí ele fica deprimido porque não consegue mais transar.
Mas já deu. Não mereço isso.
Não é mais como antes.
Rosendo é só um alcoólatra brocha que não sabe tratar uma mulher.
Nossa!
Foi o Rosendo, então.
Só porque o Rosendo é brocha
não quer dizer que ele a matou.
Temos que analisar tudo isso
e ver como acessar os HDs.
Posso ver os vídeos,
e, sobre os pen drives, podemos falar com a Viri.
Não, Tomás, tá de brincadeira? Nem fodendo. Não os envolva.
Mas tem um cara na escola.
- Podemos confiar nele? - No Bituca? Claro.
- "Bituca." - Sério?
Vamos confiar em alguém que é chamado de Bituca? Não.
- Ele é um gênio. - Isso é bom.
Não julgue pelo apelido.
- E o resto? - Tenho câmeras de vídeo em casa.
Posso pegar as fitas e ver.
- Isso é um tesouro. - Eu sei.
Se a Pamela usava isso pra chantagem, ela tinha informações valiosas.
Ei!
A oferta tá de pé?
Sim, mas não serão 20 minutos.
Tenho tempo.
Não é a noite em que passei mal?
- Tenho provas. - Não.
- Quer ver? - Claro que não.
Não! Mas eu só estava dormindo, né?
- Dormindo? - Acho que até me mijei.
Que nojo.
Não acredito. Olha.
Foi quando dei meu primeiro beijo.
- Qual era o nome dela? - Não se lembra?
Lupe.
- Ela era muito intensa. - Muito intensa.
Nossa! Olha o barranco.
Lembra da bronca que levamos?
Sim.
Vocês vão manchar tudo! Tudo!
Éramos loucos.
Jaime Gordo.
Jaime Gordo.
Quer saber?
Sempre achei que vocês iam ficar juntos.
Quem?
Você e o Jaime.
Eu tinha certeza de que se casariam e teriam filhos lindos.
Pois é, não.
Nem Jaime, nem filhos.
Ele era louco por você, sabia?
Sim, eu sei.
Cuidado, Ame.
Com o quê?
Com o Tomás.
O que tem o Tomás?
Sabe por que o Muro de Berlim foi erguido?
Entre muitos outros motivos.
Queriam algumas pessoas dentro e outras fora.
E, no final,
todos acabaram perdendo.
Acho que você e o Tomás estão fazendo
a mesma coisa e não percebem.
Calma aí.
Carmen?
Oi.
Vai dizer que sou intensa.
Não, de jeito nenhum. Por quê?
Porque…
eu queria saber se você tem planos para o jantar.
Não.
Ainda não. Por quê?
Bem, estou meio nervosa com o que conversamos.
E eu queria me distrair.
E pensei que talvez…
Não sei, a gente podia…
Não sei. A gente podia jantar pirozhki?
Pirozhki? O que é isso?
Empanadas russas.
Claro.
Tá. Eu adoraria.
Então a gente se vê aqui, tá?
Tá, tchau.
"Tá, tchau."
Tenho que ir.
Construir seu muro?
Não. Que muro?
É a Carmen, quero dizer…
É melhor ficar perto dela. Talvez eu consiga as senhas.
Ei.
Prometo que terei cuidado com o Tomás.
Mas não sou casada.
Quase.
- Não! - É 4 a 0!
Tá roubando, né?
Claro que não! Como?
- Olha a sua arma! - Ela é muito ruim!
Nico, por favor! Como tá indo?
Achei os registros, mas estão ocultos.
Vou criar um script de criptografia de dados.
Você adora falar assim, né?
Sim. Vai demorar, mas vai funcionar.
- Já volto. - O quê? Aonde vai?
Vou roubar umas cervejas do meu pai.
Vou com você.
- Não me deixem aqui. - Nico, quer cerveja ou não?
Não quero.
- Sei. - Quer, sim.
Tá, duas.
- Não disse que não? - Rápido!
Eu estava dizendo que meu ex-namorado tinha uma namorada russa,
e o idiota decidiu fazer pirozhki pra mim no nosso aniversário de namoro.
Não.
Ele fez o prato da ex?
- Acredita? - Ótima ideia, cara.
Mas, espera. Por que tá fazendo pirushkas pra mim?
- Pirozhki. Mario. - Por que tá fazendo pirozhki?
- Pirozhki. - Ah, não.
Primeiro, porque era o prato da ex do meu ex-namorado.
É uma geração de diferença, né?
E segundo, não é um jantar de aniversário de namoro.
É um jantar de agradecimento.
Agradecimento pelo quê?
Por ter me devolvido a paz de espírito,
por se importar comigo,
mas, acima de tudo, por ser tão sincero.
Não sabe como me alivia saber
que não estou sozinha nisso e…
Bem, considere isso como um grande "obrigada".
Não me olhe assim.
Não.
Não, é engraçado. É…
É engraçado porque, quanto mais eu tento cuidar de você,
mais seguro eu me sinto.
É como…
se você também
me devolvesse muitas coisas à sua maneira.
Certo…
Os primeiros três meses com o senador Godínez
foram uma perda de tempo.
Por isso não te mandei um relatório.
Há 15 dias, passamos uma semana no rancho dele em Coahuayana,
e umas coisas interessantes surgiram.
Ele passou a semana negociando
com uns franceses que querem construir um resort.
Hoje, o prefeito veio aqui,
e Godínez tá forçando os fazendeiros a venderem suas terras.
Acho que vou terminar a relação.
É, não tá funcionando. Não estou gostando.
Sinceramente, acho que não vou conseguir mais nada também.
Acabou.
- Quem é? - Sou eu.
- Oi. - Oi.
Não sabe o que estou achando. Não são só gravações.
Pamela estava enviando vídeos pra alguém. Não sei pra quem.
Ela dá informações importantes sobre gente perigosa em algumas fitas.
- Tomás… - São pessoas perigosas de verdade.
Aqui estão os vídeos da Pamela.
Ela usou uma câmera escondida,
e há pessoas perigosas.
O embaixador colombiano, de repente aparece um cantor pop.
Quando digo que a informação é pesada…
- Isso não importa agora. - Eu sei.
Não tem nada do Salazar aqui, mas deve ter algo nos HDs.
E, quando aparecer, a merda vai acertar o ventilador.
Não vim falar do Salazar.
Nem da Pamela ou das fitas.
Vim falar sobre nós.
- Sabe isso? - Você não tem?
Não, passei dois anos em reabilitação todos os dias.
- Nossa. - Mas não foi tão ruim.
Conheci a Olga lá.
A mãe da sua filha, imagino.
É. Era assistente clínica na reabilitação
e cuidou de mim o tempo todo.
Olga e eu às vezes não nos vemos por causa dos horários, mas…
ela me deu a coisa mais linda que já pisou no planeta Terra
depois de Francisco Madero.
Deixe-me ver.
Nossa!
- Ela é linda. - Ela é o máximo.
O que tá fazendo?
Quer sentar aqui um pouco?
Podemos tomar uma cerveja e curtir essa vista linda.
Só vemos caixas-d'água.
Tem razão.
Beleza.
Vamos voltar pro Nico falar dos computadores.
Não. Elas são lindas.
São incríveis.
Eu disse.
- Já volto. - Eu ajudo.
- Não, espera. - Não.
Não. Eu pego os jogos americanos, o iogurte…
Era iogurte, né?
Sim, era iogurte.
- Não, sério. - Claro que posso ajudar.
Deixa aí.
Biscoitos!
Não exatamente, mas…
são tão bons quanto. Vamos ver.
- O quê? - Não.
Nunca? Não?
A menos que o que você passou em mim conte, mas nunca.
- Nunca. - Mariguanol não conta.
Que emocionante.
Mario, isso vai ser épico.
Olha, naquela janela ali,
uma mulher acabou de chegar em casa
e vai encontrar o marido comendo a vizinha.
E ali,
o marido daquela vizinha está vendo pornô,
mas não sabe que ela o trai.
E aquela ali?
Naquela ali,
tem uma freira
que gosta de espiar de bicóculos a vizinha fodendo o marido.
Para com isso.
Suas histórias de janela eram mais inocentes.
Você acreditava em todas.
Claro.
Você era minha melhor amiga.
Eu te via e babava.
Eu também.
O quê?
Eu também te via e babava.
Sei que estabelecemos algumas regras, mas…
Bom, não somos mais adolescentes que podem transar
e fingir que não se importam.
Não.
É, não somos.
E não quero que soe estranho, porque eu gostei.
Sim, eu também.
E odeio isso, porque olho pra você e…
- Não quero estragar nossa amizade. - Não.
Não devemos estragar nossa amizade.
Quer saber? Foda-se!
Não!
Legendas: Pollyana Tiussi
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