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Boa noite. São 120 pesos.
Obrigada. Boa viagem.
Tá, seu hacker de merda! Conta tudo o que sabe, cuzão.
Você tá fodido, seu cuzão.
HOMENS
DENTRO DO CÍRCULO
Pamela…
é a última vez que te escrevo.
Estou te implorando por uma chance há anos.
Mas meu erro foi acreditar que palavras eram o suficiente.
Lembra da estreia em que nos conhecemos?
Você veio até mim e tirou a tampa da lente da minha câmera.
Nunca me verá assim.
Eu sempre te vi, Pamela.
Vi você cercada de homens que não te merecem,
que só querem te usar.
Estive aqui todos esses anos,
cuidando de você de longe.
Esperando.
Mas cheguei a um ponto em que não consigo mais continuar assim.
Decidi que não vou mais pedir sua permissão.
Não serei mais uma sombra observando de longe.
"Você vai me ver, querendo ou não.
Precisa de alguém pra cuidar de você, e eu vou fazer isso.
Te amo, Plutarco Gómez."
Acham que foi ele?
Parece mais uma ameaça do que uma despedida, né?
Olha.
- São as fotos dele. - Não!
- Ele gosta disso. - Não.
Que horror!
Digamos que ele tinha uma estranha obsessão pela morte.
Trabalhamos em equipe! Planejamos isso juntos!
Nós nos comunicamos!
Entregamos tudo de bandeja, e você nos ferrou!
Isso é traição, Amelia.
A imprensa acharia que estávamos manipulando.
- Que tomei uma decisão… - Não deve decidir nada.
Deve seguir as ordens do partido.
Sua lealdade está em cheque.
Tentei partir de uma posição moderada.
Não! O país não precisa de moderados. Muito menos o partido.
Como assim?
- Não precisamos de você. - Guillermo.
- Passei a vida servindo ao partido. - Ouça bem.
Se não consegue seguir a linha do partido e tem sua própria agenda,
não sei o que tá fazendo aqui, além de preencher uma cota de gênero.
- Tá enganado. - Não.
Não podemos nos dar ao luxo
de ter gente desleal.
Não sou desleal. Estou com o partido e posso provar.
O que tá esperando?
Oi.
Pois não?
Vim ver o Sr. Plutarco Gómez.
- Quem é o senhor? - Desculpe.
Sou o Tomás. Somos amigos do jornal.
Preciso falar com ele sobre algo relacionado ao trabalho.
Por favor, entre.
- Entre. - Com licença.
- Por favor, me acompanhe. - Tá.
Pamela faz companhia a ele, mesmo sem saber.
Entre e sente-se.
- Meu pai já vai descer. - Obrigado.
Você precisa de duas coisas, estratégia e oportunidade.
Diga que tem algo, qualquer coisa.
Sim, eu tenho. Urtegui.
Convença-o a apoiar a reforma orçamentária.
Não.
Não apoiarei a militarização do país.
Se convencer o Urtegui a mudar de ideia,
vai recuperar seu prestígio no partido
e ganhar uma voz nos corredores do poder.
Pense bem.
A propósito,
o artigo que seu amigo Tomás escreveu sobre o clã imobiliário
está te ajudando, ele sabendo ou não.
Por quê?
Porque os principais envolvidos nesse escândalo
são os congressistas mais jovens.
Ele tá tirando eles do caminho, isso vai abrir uma vaga pra você.
Então aproveite.
Tira as mãos imundas das minhas coisas!
Olá, Sr. Plutarco.
- Não fale assim com seu colega. - Meu colega?
Não trabalho com esse idiota.
Não juntos, mas estamos na mesma profissão.
O que quer?
Não vim te incomodar. Quero fazer umas perguntas.
Que perguntas?
Quero perguntar sobre Pamela Dosantos.
Nunca mais diga o nome dela.
Desculpe. Não quis desrespeitar a memória dela. Calma.
Só quero tentar entendê-la.
Vocês escreviam um pro outro?
- Quer me envolver nisso? - Não.
Só quero saber quem a matou.
Por que não pergunta aos amantes de merda dela?
Ou por que não pergunta
àquela socialite metida a besta, a Carmen?
Ela deve estar mais envolvida do que qualquer um.
Onde está a Carmen?
- Como ousa vir à minha casa? - Onde ela está?
Ei! Calma!
Sai daqui! Ou vou te tirar na porrada!
- Tá bom! Calma! - "Calma." Vai se foder, babaca.
Peço desculpas por ele.
"Calma", seu merda. Cai fora!
A menos que queira sair num saco.
Professor, o diretor quer te ver.
Jaime, o que faz aqui?
Tem um minuto?
Sim. Tenho outra aula em breve, mas vamos à cantina?
Sim, preciso de café. É bom?
Tem gosto de mijo, mas…
Adoro esse tipo.
Mas é do bom.
Senhor!
- O que quer saber? - Quero saber por que a mataram.
Meu pai não pode ajudar com isso.
Ele nem a conhecia direito.
Ele só é obcecado.
Mas espere aqui.
- Posso te passar o contato da mulher. - Da Carmen?
Sim, ela vendia as roupas da Pamela.
Mijo.
Mijo.
Ele não me atende.
Parece que se escondeu. O que sabe sobre o Tomás?
Bem, vou vê-lo mais tarde.
É mesmo?
Sim, nós vamos sair
pra comer frutos-do-mar.
Por que não me convidaram?
- Tá convidado. - Sei.
Ele ainda insiste na Pamela.
Hein?
Que Pamela?
Qual é, Mario? Você não sabe mentir.
Estou falando sério. Isso não é um jogo.
É perigoso.
Ele só se mete em problemas. Não o incentive.
Fale com ele. Ele não me ouve.
E se cuida, cara.
Na verdade, eu comeria frutos-do-mar.
- Vamos. - Obrigado pelo convite.
- É o e-mail da Pamela? - A caixa de entrada toda.
- Beleza. - Mas é só spam.
Me diga seu spam, e eu te direi quem você é.
"Chicote de treinamento."
Que aleatório.
Aposto que ela era dominatrix.
Chega de besteira. Procure algo sobre cripto.
Cripto.
Aqui tem um extrato bancário.
Protegido por senha, claro.
TRANSFERÊNCIA DE ARQUIVO EM ANDAMENTO
E agora? Consegue abrir?
Não aqui. Terei que rodar um ataque de força bruta.
Mas o Mictlán pode ajudar, né?
Ele não responde, mas posso fazer em casa.
- Esperem a transferência. - Ei.
Tem alguém vindo.
- Vão nos pegar. - Fecha tudo.
- Vamos. - Já vou.
Vou fechar tudo rapidinho.
- O que faz aqui? - Nada, senhora.
A sala tá fechada.
- É que… - Nicolás.
Sim.
Desculpa, é que…
Nicolás, pelo amor de Deus.
É que sou adolescente, meus pais olham meu celular.
Vou contar ao diretor.
Foi um momento de fraqueza, só isso.
- Feche agora. - Tá bom.
Tá, pode falar.
O que fazia na casa de um fã louco e obcecado?
Também não acredito, mas ele é totalmente louco.
- Por que saiu correndo? - Por que não sairia?
Ele pegou uma arma no armário e veio pra cima de mim com uma .38.
- Gritando comigo. - Como assim?
Me expulsando da casa dele.
Querem me expulsar do partido.
- O quê? - Como é?
Porque não concordo com a militarização.
Agora tenho que provar minha lealdade a eles.
Bando de cuzões.
Quer que eu descubra algo pra impedir isso? Quer que eu ajude?
Não. Já tenho um plano. Se não der certo, te aviso.
- Como você tá? - Estou bem. Sim, tudo bem.
Me procuraram pra uma entrevista, mas não exatamente.
Obrigado. É mais um painel pra falar do clã imobiliário.
- Isso é bom, né? - É.
Estar na TV e não falar da Pamela já é uma vitória.
- Que horas? Quando? - Nem pensem nisso.
Não vão assistir. É uma bobagem.
Não esquece que a câmera engorda dez quilos.
- O quê? - Relaxa.
Se não fizer a barba, nem dá pra ver sua papada.
- Que papada? - Essa aí. Olha.
Olha.
E aí?
- Nico! - Sim.
Pode nos contar por que a escola ligou dizendo
que te pegaram vendo pornografia no laboratório de informática?
Desculpe, não vi que tínhamos visitas.
- Oi, Eli. - Oi.
Falamos depois. Temos trabalho.
Não. Por que não pede pra suas amigas esperarem na caverna
e a gente conversa?
Não, elas podem ficar. Tudo bem.
Não temos segredos entre nós. Além disso, não era o que parecia.
Acha que não sabemos dos vídeos que vê no quarto?
As paredes são finas.
Conta pra ele.
São bem finas.
Certo, estamos indo. Tchau.
- Comunicação aberta é importante. - Bom apetite.
Não! Venham aqui.
Preciso de um favor.
Tenho uma investigação. E ninguém melhor do que você pra isso.
Olha.
O nome dela é Carmen.
- Quem é Carmen? - A estilista da Pamela.
Tomás.
Já disse que não posso. Vão me reconhecer.
Vai. Se der certo, me avisa. Se não, caio fora.
Tomás, acho que o Jaime tem razão.
Você precisa esquecer a Pamela. É muito arriscado.
Só preciso resolver uma ponta solta.
É só um favor, Mario. Você estaria me salvando.
- Um. - Um.
- Um favor. Só um, Tomás. - Sim, um.
Vamos, seu merdinha!
Vamos, filho da puta!
Fala.
Por que estava investigando a Pamela Dosantos?
- Fala, porra! - Não!
- Fala, cuzão! - Tá.
Chega. Pra quem você trabalha?
Pra ninguém. Não, para. Não trabalho pra ninguém. Juro.
Sou bom com computadores e me meti onde não devia.
Eu não sabia nada sobre aquela mulher! Parem, por favor!
- Cala a boca, moleque! - Por favor, para!
Tomás.
Por favor.
Há quanto tempo você não é convidado pra uma entrevista dessas, imbecil?
Você prometeu que eu não teria que me submeter.
Quando te contratei, seu merda. Porra.
Quando te contratei,
não achei que ia falar tanta merda. Sério.
Não estrague tudo. É sua chance de voltar ao jogo.
E se me perguntarem sobre a Pamela Dosantos?
Você diz: "Desculpe, senhorita,
mas esse não é o foco da entrevista."
Tá proibido de falar da Pamela Dos Santos. Tá proibido de falar do Salazar!
Não fale de nada, só do maldito clã imobiliário!
Deixe que os mortos enterrem seus mortos.
CARLOS LEMUS CONSEGUI DEZ MINUTOS COM O URTEGUI.
TE DEVO UMA.
RUA MANZANILLO. BAIRRO ROMA SUR.
Sim.
Certo.
Só uma batidinha.
Caralho, Mario!
Vamos, Mario.
Você consegue. Vamos.
Concentra.
Um, dois, três.
Não!
Que idiota!
Não!
Não acredito!
Não acredito!
Amigo?
Não acredito!
- Tudo bem? - O que é isso?
Amigo, você tá bem?
Tá saindo fumaça. Abaixa o…
- Estou bem. - Tá bem?
Abaixa o vidro.
- Olhe pra cima, por favor. - Desculpe.
AMELIA VOCÊ VAI ARRASAR. BOA SORTE.
- Tomás Arizmendi? - A porta à esquerda.
O que faz aqui?
Hein?
- Um minuto, por favor. - Sim.
- Tudo bem? Nervoso? - Não, apavorado.
- Ela é durona. - Eu sei.
- Você precisa ver isso. - O quê?
Os extratos da campanha do Granado?
O governador de Veracruz tá financiando seus outdoors
com dinheiro lavado pelos cartéis.
E daí? O que quer que eu faça com isso?
- Diga ao vivo pro México todo ouvir. - De jeito nenhum.
Acabei de falar com o Rosendo,
e ele pediu pra falar só sobre o clã imobiliário.
Rosendo vai te amar se fizer isso. O clã imobiliário é passado.
Esta é a história agora. Ouça.
Não vou falar disso no ar. O que as pessoas vão dizer?
Adorei que fechou os botões pra ninguém arrancar a gravata.
Fala sério!
Arizmendi, cinco minutos!
- Já vou! - Você consegue.
- Você consegue. - Beleza, valeu.
Algumas pessoas nascem pra mudar o sistema.
O PRI diz que tudo desmorona…
Tomás é um deles.
O PAN quer mudar as regras. O PRI…
O único garoto que lia jornal em vez de quadrinhos,
e valeu a pena.
Aos 20 anos, já escrevia pro El Mundo.
Aos 25, sua reportagem sobre a fuga de El Chapo
apontou para autoridades intocáveis.
Aos 30 anos, ganhou o Prêmio Nacional de Jornalismo
pela investigação do caso Odebrecht.
E então, ele parou.
Talvez tenha sido o divórcio.
Ou ver a Jimena crescer longe dele.
Ou talvez ele tenha se cansado de remar contra a maré.
Mas sabemos quem ele realmente é.
O jornalista que expôs os maiores escândalos de corrupção
ainda está aí.
Só está adormecido.
Entraremos ao vivo em cinco, quatro, três, dois…
Temos aqui Tomás Arizmendi,
um jornalista que causou um grande rebuliço
com sua investigação sobre o clã imobiliário.
- Obrigada por vir. - Eu que agradeço.
Tomás, sua matéria sobre o clã imobiliário abalou os níveis mais altos do poder.
- Esperava essa reação? - Sim, esperava.
É um sistema que protege
empresas de fachada, subornos e licenças duvidosas.
Até onde essa rede vai? E até onde ela chega?
As pessoas não imaginam o quanto isso vai longe.
Não se trata de quem está no comando.
Se trata de quem está envolvido e escolhe ficar calado.
Falando em se calar,
Tomás, notamos que você tem evitado o caso Pamela Dosantos ultimamente.
Por quê?
Não evitei o caso Dosantos.
Acho que o país inteiro fala sobre Pamela Dosantos.
Como jornalista, tenho a responsabilidade e o direito de cobrir outros assuntos.
Bom, alguns sugeriram que talvez seja
especialmente conveniente
que você esteja focando seus esforços em outra coisa.
- Não é uma questão de conveniência. - Sei.
É uma questão de prioridades.
Então Pamela Dosantos não é prioridade?
Sim, Pamela Dosantos foi…
SEMPRE NA MODA
Vou ligar pra seguradora. Passe Mariguanol no pescoço.
Não fumo marijuana.
É um creme.
Um pintossauro.
TÁ ASSISTINDO? ENCURRALARAM ELE.
O caso da Pamela Dosantos é, sem dúvida, uma tragédia,
e eu concordo…
Uma tragédia que você também vinculou a figuras importantes no poder.
Achei.
Acabei de receber o vídeo.
Esse suposto jornalista é muito irresponsável.
É mesmo? Não sei quem é.
Quem é ele?
É só um cara que se aproveita da morte da Pamela pra ganhar seguidores.
Não sei. Enfim…
E isso acabou implicando o secretário de Defesa.
Foi por isso que desistiu da investigação?
Não desisti da investigação.
É que há notícias que o país deve saber.
Como o quê?
Como o quê, Tomás?
Estou trabalhando em um artigo sobre o governador de Veracruz,
Enrique Granado.
A campanha dele parece ter sido financiada
por empresas ligadas ao narcotráfico.
Manuel, marque uma reunião com o governador de Veracruz pra amanhã.
Eu gostaria de saber mais, talvez possa nos contar mais
ou nos dar uma ideia.
Sim. Vou contar…
- Pronto? - Depósitos de criptomoedas.
Todos no mesmo dia.
Vamos cruzar essas datas com as redes sociais dela.
Deixe-me ver.
Legal, né?
Pamela.
Espera. Volta.
Desce.
Ela tá no mesmo restaurante.
- Este, né? - É.
CURTINDO A VIDA
Dia 24 do mês passado.
Toda vez que ela esteve lá, um depósito foi feito.
- Não é coincidência. - Claro.
- Pronto? - Sim.
- Me avise se doer. - Tá.
- O quê? - Tá muito fria!
- Tudo bem. - É.
É pra ser fria no começo, depois esquenta.
Assim.
Você conhece aquele jornalista?
Parecia que você o conhecia.
Não ele, mas conheço o tipo.
Mas eu conhecia a Pamela.
Desenhei os vestidos mais icônicos dela.
Já viu ela arrumada pra um evento ou algo assim?
Você era a estilista dela.
Sim.
E melhor amiga.
Sinto muito.
Venha.
Quero mostrar algo.
- Vista a camisa. - Tá.
Parece que mancha, mas não mancha, mesmo sendo verde.
De todas as peças que eu fazia pra ela,
ela me dava uma versão em miniatura.
Fiz este para uma estreia.
Mas ela nunca usou.
O que aconteceu com ela é uma tragédia.
Não me entenda mal. Pamela era complicada.
As pessoas, especialmente os homens, a viam como…
um objeto de desejo, sabe?
Mas ela era mais do que isso. Pamela…
sabia de coisas, Mario.
Como assim "sabia de coisas"?
Acho que ela sabia que alguém queria matá-la.
Nunca entendi…
Espera!
…por que as pessoas têm menos medo das surras…
Não sei de nada, senhor.
…do que de objetos cortantes.
Por favor, não!
- E… - Não sei de nada.
…eles se assustam quando algo é forçado em um orifício?
Por favor, não!
Eu não fiz nada!
Eu não fiz nada! Por favor, me solta!
O que fizeram com meu irmão, filhos da puta?
O que fizemos com ele? Boa pergunta.
O que fizeram com ele?
Ei! Calma.
Temos sua identidade.
Sabemos onde mora, quem é sua família,
onde você anda.
Não vai mais bancar o detetive, né?
Luisito, Mictlán, ou seja lá como se chama.
Vamos ficar de olho em você, cuzão.
Cuzão.
Moleque do caralho, sério.
E aí?
Pego os cabos e a bateria?
Não.
- Vamos. - Tem certeza?
Delícia. Que saudade disso.
Como vai a vida?
Como vai a vida?
Boa, eu acho.
Não sei, talvez tenha alguém por aí que…
Quer dizer, que você goste, mas…
Sim. Tem alguém.
Menina ou menino?
Uma menina.
Já contou pra ela?
Não.
Quando for a Mérida, conte pra ela.
Quando sentimos isso,
não é bom esconder.
Você gosta de alguém?
Não.
Já se declarou?
Não. Não com palavras, não assim.
Nunca é bom esconder o que sente.
Mais alguma coisa?
Não, é só isso.
Por aqui, deputado.
Reconheço essas pernas.
Boa noite, Urtegui.
O que houve, linda?
O Carlos te mandou.
Como posso ajudar?
Carlos disse que é inteligente, então vou direto ao ponto.
Preciso dos votos do seu partido.
Não sei se a militarização é o caminho certo.
Estou aqui pra encontrar um meio-termo.
Carlos também me disse que você é inteligente,
então vou direto ao ponto.
Faça seu partido retirar o candidato de Tamaulipas
e substituí-lo pela minha filha, Alondra.
Não sei se posso fazer isso.
Não estou perguntando se pode.
Estou dizendo o que fará em troca do que quer.
Vou ver o que posso fazer.
Espera.
Me ligue pra qualquer coisa. Te amo.
Te amo mais, mesmo que me abandone.
Nunca te abandonaria.
- Oi. - Oi.
O que foi agora? Por que me traz suas sobras?
- Qual é o seu problema? Oi! - Bem-vinda.
- Você aluga toalhas? - Entre.
Já estão esperando você.
- Te amo. - Te amo. Tchau.
Não vai ficar? O que foi?
Como assim? Do que falou com a estilista?
- Nada que a incrimine. - Como assim?
Ela trabalhava pra Pamela, mas eram amigas.
Não.
Acho que, se alguém está de luto, é justamente a Carmen.
É? "Justamente a Carmen"?
O quê?
Não? Ela é gostosa?
Ela é gostosa?
Ela tem algo. É diferente.
- Diferente? Me conta. - Tá.
Já vou, amor.
Ela disse algo muito estranho.
Ela disse que Pamela sabia segredos de pessoas poderosas.
E que ela tinha a sensação de que iam matá-la.
- Caramba. - Mario!
Já vou, amor.
Temos que entrar naquele apartamento.
Sim, vou te mandar uma mensagem.
- Se cuida. - Tchau.
PAMELA DOSANTOS É ENCONTRADA MORTA
LOCAL DA DESCOBERTA DO CORPO
Oi!
Tudo bem?
Sou uma merda.
Amelia, vai sair sem me pagar?
Quanto é?
Não, nada.
Sobre ontem à noite…
eu precisava.
É, eu percebi.
Talvez…
Não sei. Podemos fazer um pacto.
Um pacto?
Pra fazermos isso de novo.
- Precisamos de regras. - Tá.
- Sem expectativas. - Tá, claro. Parece fácil.
Não contamos a ninguém.
- Acabei de postar uma foto. - Tomás!
O quê?
Ninguém.
Tá?
- Ninguém. - Ninguém.
O governador Granado está esperando.
Quer explicar o que é isso, Jaime?
A cobertura da imprensa é só o começo. Haverá mais como a de Arizmendi.
E se acha que destacar as conquistas do seu governo
vai te salvar, não vai.
Isso não prova nada, Jaime. São só papéis.
Qualquer um pode forjar documentos.
Queria entrar na lista da Forbes em um ano.
Se vai roubar, faça com classe, idiota.
Acho que o Dep. de Justiça dos EUA não vai se importar
quando eu apresentar provas
de que é o chefe do roubo de combustível no Golfo do México.
O que você quer?
Dinheiro? Contratos de obras públicas?
O contrato de segurança do Porto de Tuxpan.
Você é louco, Jaime. Sabe que há outros interesses.
Quer que cortem minha garganta e da minha família?
Eu garanto sua segurança.
Quero uma parte de tudo.
Continua.
Desculpa. Não vou demorar.
Velasco.
Amelita, querida. Acabei de falar com o Urtegui.
Ele disse que está considerando se alinhar aos princípios do partido.
Que bom ouvir isso.
Então vai ficar mais feliz,
porque os votos que ele representa nos colocam na frente.
Você provou ser uma peça-chave para o que está por vir.
Obrigada.
Agora preciso que continue assim, tá?
Estamos só começando.
Cuzão.
Vamos.
Matías?
Mati?
Matías, caralho! Onde você tá?
Mati?
Mati!
Matías?
O que houve com seu rosto?
Isso…
não é nada. Não aconteceu nada.
- Sabe o que tá fazendo? - Mario, chega!
Para de me distrair, tá?
Já faz quanto tempo?
Faz 20 minutos.
Eu sei. É preciso paciência.
Se quiser usar outro cartão e quebrá-lo, fique à vontade.
Os cartões sempre funcionaram na casa dos seus pais.
É, a fechadura deles era de 1970.
Essas modernas funcionam assim. Você usa um grampo, assim.
- Tá brincando. - Não, idiota.
Caramba.
Atuar dá dinheiro, né?
Não acredito!
Esta sala é o dobro do meu apartamento.
Nossa!
Ei! Não toque nisso!
Quem vai alimentar os peixes?
Tá falando sério, Mario?
- O Guacamaya. - Caramba.
- Mesa pra três? - Sim.
- Não. - Um momento, por favor.
Sim, claro.
Pamela.
O que estamos procurando mesmo?
Uma foto, uma carta do Salazar, algo que o ligue à Pamela.
É a Pamela. E quem é esse?
Parece o dono do restaurante.
Tomás.
O quê?
Vem cá. Achei algo.
O que achou?
É uma das miniaturas que a Pamela dava à Carmen.
Como isso liga ao Salazar?
Não liga. Ela não deu pra Carmen.
Foco, Mario!
- É. - Sim.
Tem alguém aqui.
Merda.
E aí, pessoal?
Perderam alguma coisa?
Não, desculpe, estamos procurando o banheiro.
Vão comer?
- Não. - Não, vamos.
- Vamos embora. - Fiquem.
Não, estávamos de saída.
- Sopa de camarão? - Sim.
- Não, obrigada. - Por conta da casa.
Não, obrigada.
Obrigado.
Legendas: Pollyana Tiussi
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