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Original subtitles

Quatro, cinco, cinco…

Cinco, cinco.

- Alô? - Por favor… Alô, Jimena!

Não. Ligou pro número errado.

Pai!

O que aconteceu? O que houve?

- Você tá bem? - Sim. O que houve?

Não foi nada. Não se preocupa.

DENTRO DO CÍRCULO

Não sei se foram as surras que levava.

Não sei se foram as humilhações constantes e involuntárias do pai

ou a necessidade de impressionar Amelia.

Mas, enfim, o Jaime

decidiu mudar.

Ele mudou a aparência.

Mudou a autoestima.

E mudou de família.

Nunca soubemos por que ele rompeu a relação com o pai.

Ele nunca nos contou e deixou claro que não devíamos perguntar.

Mas nos tornamos a família do Jaime.

Ele pagou a cirurgia do Mario.

Ele arrumou meu primeiro emprego como jornalista.

Bem-vindo à equipe!

Ele recomendou a Amelia para as pessoas certas.

Prazer. Amelia.

Jaime se tornou nosso protetor, sempre cuidando das nossas necessidades.

Como um irmão mais velho cujo primeiro instinto

é sempre correr pra ajudar.

Tio?

Jime, como vai?

- Estou bem. E você? - Tudo bem?

- Sim. - Sim?

Que bom que ligou.

Decorou o número do Jaime, mas não o da sua única filha?

Mas você também não sabe o meu.

- Acha que não? É 56268080… - Não. Tá bom, chega.

Deixa, ele é velho. Você sabe como é.

A Amelia vai levá-la ao Mario.

- Tá bom. - Mas, pai, quero ficar com você.

Já falamos sobre isso. É só por uns dias.

Tudo bem. Vou fazer um café pra vocês.

Falei que foi uma tentativa de roubo pra não assustar ela.

Tomara que ela acredite.

Sou um idiota. Olha a confusão em que me meti!

Ei…

A Jimena tá bem. E você?

- Tá bem? - Sim.

É o que importa.

Certo?

Por favor, me escuta, tá?

Estou interrompendo?

Posso sair pra vocês ficarem a sós.

Não. Obrigado por vir.

Como você tá?

- Tá ferido? Fizeram algo? - Estou bem. Fiquei apavorado.

Só estou preocupado.

Vai ficar tudo bem.

Cadê a Jime?

Aqui. Na cozinha.

Como ele pode estar bem? Tá de sacanagem?

E agora, Jaime?

- Cuidado. - Ela não sabe de nada.

- Jimena. - O quê?

- O que aconteceu? - O quê?

Jime!

Oi.

Que saudade!

- Como você tá? - Bem.

Você tá linda. Me conta tudo, tá?

Estou ótima. E você?

Viri!

Você acha que isso é suficiente?

Pra quê?

Pra fazer a cama dela.

Não. Pra quem?

Jimena.

A Jimena?

Sim.

- Ela vem? - Sim.

Se ela fosse assim com a escola…

Acha que isso tem a ver com o que aconteceu com a Pamela?

Não seria a primeira vez que meu pai se mete em encrenca.

Lembra da Odebrecht?

Os tempos mudaram.

Eu sei.

Vamos ver quem mata mais jornalistas sem que nada aconteça.

Tia, se as coisas tivessem mudado,

você não teria carro blindado e segurança.

Faz parte do trabalho.

Aqui e em qualquer outro lugar.

Acho que não matam atrizes em terrenos baldios em outros lugares.

México, o país dos feminicídios.

Por isso vamos mudar as coisas.

Merda!

Puta merda.

Não acredito. É a foto de Zipolite de anos atrás.

Você ficou muito chapado!

- Por que tem sangue no meu nariz? - Me cortei, cuidado. Na borda.

Ei, aqui.

Pra você usar. Amanhã trago um computador.

Por enquanto, mude todas as senhas pra ninguém roubar sua identidade.

Prefiro levar um tiro a alguém tuitar por mim.

Se o Salazar quisesse te matar, estaríamos no seu velório,

não aqui arrumando suas coisas.

- Relaxa. - Relaxa?

Tentaram me sequestrar, destruíram minha casa

e quase mataram minha filha.

- E devo relaxar? - Toti.

Pelo menos larga o caso da Pamela.

Para de cutucar a onça com vara curta.

Você tá no olho do furacão. Nada vai acontecer com você.

Nada vai acontecer com você. Escuta.

Vou te dar algo. Vou te dar uma boa história.

Para com isso.

- Quer água? - Quero álcool.

Oi!

Oi.

Que bom te ver, prima! Como vai?

Bem, e você?

Bem! Não acredito! Olha como éramos pequenas!

Seu quarto tá igualzinho.

Obrigada por me deixar ficar aqui.

Que bom que ela veio, né?

Sim, ainda mais porque ela tá no plantão noturno.

Tchau!

Tomás foi muito descuidado, não foi?

Ele se meteu numa enrascada.

Vou falar com o Carlos amanhã.

Pra sondar o terreno.

Não conte ao Jaime, tá? Sabe como ele é.

Carlos conhece bem o general dos anos no PRI.

Deve ter alguma informação pra nos ajudar.

Sim.

Acharam algo novo no computador?

Nada que já não soubéssemos.

Então continuem procurando até encontrar algo novo.

Sim, senhor.

Cuidado. É meio alto.

- Mas pra onde estamos indo? - Vem. É uma surpresa.

- Quer ajuda? - Não.

Certo.

Ele nunca escuta.

Fica o dia todo com os fones de ouvido.

Oi, lembra da Jime?

Como esqueceria? Sim.

É o Nico Penico. Como vai?

Não me chamam mais assim.

É, ninguém mais o chama de Nico Penico.

Não te reconheci. Faz quanto tempo?

Acho que já faz uma era de bullying.

Claro.

A sua caverna é muito legal!

Onde arrumou o cone? Você pintou?

Acho que ele pintou. Acho que sim.

Ele já vai ficar de boa. Vem.

Tá.

- Já viu isso? - Oito horas depois…

Pamela merece justiça, não um monte de memes misóginos.

Claro.

- Vou fechar. - O quê?

- Nico? - O quê?

- O computador travou. - O notebook?

Sim, o notebook.

Não sei por que tá aberto. Não funciona.

Os memes.

Estávamos vendo. Devo fechar?

- Por favor. - Sim.

Quer um café?

Por que não contou à Olga?

Não, ela vai surtar. Pra quê preocupá-la?

Adoro essa relação comunicativa de vocês.

- Não começa! Não enche. - Tão aberta.

Obrigado, Amelia.

Quer café?

- E você? - Não, obrigado.

Vocês chamaram a polícia?

Foi o Salazar.

Ele não ia se investigar, né?

Dissemos que íamos verificar nossas fontes antes de acusar, né?

Pode ter sido o Salazar, ou não.

Não, o que tá fazendo? É da Olga.

Por isso ela é tão ranzinza.

Esse também é dela.

É a Olga, a mulher dos cachorros?

- Jaime! - Tem queijo fresco ali.

- Queijo fresco? - De Acámbaro.

Estou com fome. Vamos pedir algo?

- Eu também. Vamos. - Sim.

Algo saudável.

- Algo leve, tipo salada. - Qual é? Tenho uma ideia melhor.

- Sim. - Vai ser bem saudável.

Sim, saudável, mas pra alma.

Às vezes, quando o mundo vira um caos,

você precisa de algo que continue igual ao que sempre foi.

Os tacos do Chango.

Mesmo lugar, mesmo taco de sobras, mesmo gosto gorduroso.

Quando éramos crianças, comíamos apostando.

Na adolescência, quando estávamos bêbados.

Na fase adulta, porque às vezes um taco de sobras

é exatamente o que você precisa quando a vida complica.

Aqui está. Espremam dois limões e pronto.

Obrigado. Estão com uma cara ótima.

Chango, dois tacos vegetarianos, sem gordura.

- Vegetarianos. - O quê?

Sério?

- Sem gordura. - Quem pode pagar?

- Não tenho dinheiro vivo. - De novo.

Tem tanto dinheiro porque nunca gasta.

Pago tudo pra vocês.

Não tenho culpa se o Chango não aceita cartão.

Ele não se atualiza.

- Não enche. - Paga pra ele.

Alguém vai pagar o meu, né?

- Qual é? - Eu pago.

Valeu.

Amanhã, eu pago um jantar num restaurante que dizem ser incrível.

Não precisam me pagar nada. Eu posso pagar também. Não é…

Eu pago. Não me tire a refeição grátis.

Relaxa, vamos a esse restaurante. Só nós dois, sem puxa-sacos.

Podemos voltar pra parte em que querem me matar?

- Ou vamos ignorar isso? - Sim. Desculpe.

Ele só quer te assustar, não te matar.

Não estou com medo.

Se ele matou a Pamela, tem que pagar por isso. Ponto.

- Vou descobrir como me proteger. - Como?

Descobrindo quem fez isso, né?

Podemos fazer uma coletiva de imprensa.

- Dizendo que um taxista tentou te roubar? - Não!

Que o secretário de Defesa tentou sequestrar um repórter do El Mundo.

Não tem provas, Tomás!

- Não? - Só sua paranoia. Vou jogar.

Consiga algo sobre o assassinato da Pamela Dosantos

de fontes confiáveis,

e eu juro que te arranjo uma coletiva de imprensa no Zócalo.

Por enquanto, para de reclamar.

A Jimena é muito bonita, né?

Sim, ela vai partir corações.

O que é isso?

Meus fones. Posso pegar?

Ah, sim.

- Por que pegou? - Não peguei…

Ele pediu ajuda pra investigar o caso Pamela.

- Aqui. - Tudo na internet.

- Caso Pamela? Por quê? - Já acabou.

Mas não use mais na aula.

- Eu não estava usando. - O caso Pamela?

- Só estava com eles. Tá. - Viri…

Bom dia.

- Pra você também. Até mais. - Descanse.

Obrigado pela carona.

Ei, Viri.

Não conta isso pra sua mãe, tá?

Pra ela não ficar preocupada.

Tá.

Pronto.

Vai lá. Arturo, faz um pro Manuel também.

- Não. - É por minha conta.

Pra você transar porque trabalha demais

e precisa transar. Vai logo!

Obrigado.

Ei, Manu.

- Sem o paletó. - Tá.

Temos que falar com a produtora loira. Como ela se chama?

- Esperanza. - Essa.

Temos que ir com tudo pra cima do Salazar.

Precisamos falar do bunker de luxo,

do iate, dos boatos sobre o iate particular dele.

- Qualquer coisa, mesmo sem ser verdade. - Sim, senhor.

O negócio do clã imobiliário está pronto?

- Sim, senhor. Com nomes completos. - Mande pra mim. Quero ler.

Sim, senhor.

Vou deixar vocês a sós.

Divirtam-se.

Obrigado.

Ei.

O Mictlán vai me mandar mais informações sobre a Pamela.

Não, tudo bem. Não se preocupe.

Peguei meus fones.

Podemos voltar ao jogo.

Sim.

Sua crush não vai surtar?

Que crush?

Não se faça de boba.

- O quê? - Você gosta da Jime.

Nico, a Jime é como minha prima. Não rola.

Isso não é empecilho.

Que nojo!

E você? Tudo bem?

Sim, estou bem.

Bem?

Se quer saber, devia voltar amanhã.

Não!

Calma, estou aqui com a Viri. Tá tudo bem.

Oi, Jime.

Seu pai não vai parar.

A imprensa não o deixa em paz por causa do vídeo.

Relaxa, mãe.

Tá tudo bem. O Tomás tá bem.

Amanhã, outra coisa estará bombando.

- Merda! - É, relaxa.

- Merda! - O que houve?

- Nada, só meu cereal. - Tudo bem?

Te ligo depois. Te amo, tchau.

Tá bom. Te amo.

SALVAR CAPTURA

INVERTER HORIZONTAL

AJUSTES BRILHO/CONTRASTE

- Bom dia. - Bom dia, deputada.

Ele está ocupado?

Está terminando uma reunião. Um momento. Vou chamá-lo.

Mande lembranças ao seu pai e diga pra ele não se preocupar.

Eu mesmo vou cuidar do assunto, tá?

- Te ligo depois. - Claro.

Que surpresa. Vem cá.

Viu a luz, Lemus?

Virou cristão?

O que faz aqui?

Não sabia que defendia os Urteguis.

Dizem que não devemos apostar tudo em uma coisa só.

Antes, citava Orwell. Agora, cita minha avó.

Ai…

Bom dia.

Um café, por favor.

Não.

Não o quê?

Sei por que tá aqui.

O Plutarco veio ontem à noite, também mandei ele se foder.

Plutarco, o fotógrafo de crimes?

Sim. Bando de abutres.

Não se faça de bobo. Ei! Há quanto tempo nos conhecemos?

O suficiente pra saber que não sou um suicida como você.

Relaxa. Não vou falar nada.

Sou discreto.

Qual é a graça?

Isso vindo do cara que ameaçou o secretário de Defesa, né?

A NAÇÃO EXIGE ORDEM E SEGURANÇA

Você, mais do que ninguém, sabe das merdas que eles fazem.

E daí?

Já passou da hora de pararem de se safar.

Olha.

Seu café da manhã.

Também quero um.

Que lindo.

O embaixador de Portugal me deu.

- Paty? - Sim?

Pode trazer outro chá e uma água com limão pra madame?

- Obrigado. - Agora mesmo.

Com licença?

Deputada federal, por favor.

Me desculpe.

O que sabe do Jaime?

Mandei um presente pra ele, mas o babaca nem respondeu.

Nem vai responder.

Primeiro, manda presentes, depois tira o maior contrato dele.

"Negócios são negócios", como dizia minha avó.

Achei que, como advogado, você buscasse justiça, não só negócios.

Como advogado, eu busco inevitavelmente a verdade.

E o que é mais verdadeiro do que o que o C5 me dá?

Quanto do vídeo do Tomás é verdade?

Esse vídeo também não faz sentido pra mim.

- Diziam que eram amantes, mas… - Ele a matou por ciúmes?

Não. Acho que não.

Salazar guarda rancor, mas é mais calculista do que impulsivo.

Pode ter verdade no vídeo.

Tentaram sequestrar o Tomás ontem.

- E acha que foi o Salazar? - Me diga você.

Vou investigar isso.

Mas, antes, precisamos colocar o Tomás

num programa de proteção para jornalistas, tá?

Não sei se isso vai acalmar seu amigo general.

Ele não é meu amigo, mas sei lidar com ele. Me acompanhe.

- O que tá fazendo? - Nada.

- O que tá fazendo? Venha. - Não.

- Não me toque. - O que tá fazendo?

- Nada. - Me dá o celular.

- Por quê? Não, é meu celular. - O que tá acontecendo?

Ela tá bisbilhotando, meu general.

Deixe-a em paz.

Influenciadores enxeridos do caralho!

Vamos.

Viri, acho que encontrei algo.

Vou te mandar a localização.

Aqui. Com isso,

Tomás poderá reagir à agressão com elegância.

Por que tem uma cópia da receita do psiquiatra do Salazar?

Ah, a família Lemus!

Mas sabe que chantagem vai contra meus princípios morais.

Amelia, há alguns minutos, você disse que era deputada federal.

Vai me dizer que o Congresso é cheio de virtude e idealismo?

Quer dizer que não sabe onde está?

Aqui.

Isto vai ajudar o Tomás.

Confia em mim. Vamos.

Não sei por que estou fazendo isso.

- Pelo dinheiro. - Vai jogar na minha cara?

Não.

A Dosantos morreu por asfixia forçada.

O corpo foi mutilado depois.

Tem certeza?

Eu te ensino a ser jornalista?

Então não me ensine a fazer meu trabalho.

Vou explicar.

Quando um corpo está vivo, ele sangra,

e geralmente ocorre a coagulação pra parar o sangramento. Certo?

No caso da Pamela, isso não aconteceu.

Aqui está.

DOSANTOS PLASCENCIA, PAMELA. ASFIXIA. LACERAÇÕES E HEMATOMAS.

E veja.

Tá vendo essas marcas?

Foram feitas após a morte.

Pra parecer um crime passional.

Bem, vocês que devem descobrir isso, né?

Mas sim, faz sentido.

Com base nas marcas nos punhos e tornozelos

e no tipo de asfixia, pode ter sido um interrogatório.

Militar.

Não ponha palavras na minha boca.

Digamos que foi uma execução altamente profissional.

"Digamos"?

Não quero que cite

"fontes próximas ao legista" ou essas besteiras.

- Seus chefes têm isso? - O que acha?

Que é uma caixa de Pandora que querem manter fechada.

Exato.

Exceto um jornalista que não liga e não vai desistir.

Conseguiu o que queria, né?

Agora sai daqui. Tá me deixando nervoso.

Olha, você pode hackear?

- É coisa do C5, né? - Sim.

Não acabamos com isso?

Do que tá falando?

Meu pai disse que não quer que investiguemos mais.

E estamos desenvolvendo um jogo de videogame.

- Um jogo? - Sim.

A câmera deve ter filmado a caminhonete que gravou o vídeo

e talvez a que a sequestrou, e estão falando de jogos?

De jeito nenhum. Precisamos fazer algo.

Podemos pedir ao Mictlán, né?

- Sim. - Ele deve conseguir hackear a câmera.

- É. - Viri…

Nico, por favor. Juro que é a última coisa.

HOSPITAL 20 DE NOVEMBRO

Desculpe.

Toda essa informação interna e confidencial,

propriedade intelectual e dados dos clientes…

Preciso atender. É assunto de família. Continuem.

Bem, a segurança é muito importante.

- Tudo bem? - Não, nada bem.

Quase não escapei dos homens do Salazar. Eles me seguiram.

Espera. Como sabe que são homens do Salazar?

Porra, não estou paranoico! Estavam me perseguindo!

Espera, estavam na sua casa?

Não, no necrotério. Fui ver o corpo da Pamela.

Puta que pariu, Tomás!

O que fazia no necrotério? Claro que estão de olho!

Mesmo assim, com tanta gente olhando, consegui algo que vai abalar eles.

Vamos fazer o seguinte. Vou jantar com a Amelia.

Passe lá pra sobremesa e conversamos, tá?

Te passo o que tenho pra sua próxima coluna.

Beleza. Combinado.

Te mando o endereço.

Fique calmo e em casa! Não sai, cara!

Merda!

@MIC7LAN LIGANDO…

- Nico. - Viu o vídeo com o reflexo?

Sim. Caminhonete cinza, eletricistas da Tecnovolt,

e a empresa é falsa.

Viu? Eu falei.

Achou algo nas imagens do C5?

Não, desligaram todas as câmeras do quarteirão.

Tem que ser alguém bem influente. Nem todo mundo tem esse poder.

Mas…

criei um programa pra rastrear caminhonetes cinzas

nas postagens desse dia.

Que legal!

Eu disse que ele era um gênio.

- Cara! - Isso é demais!

Meu pai vai pirar quando vir isso.

É, sem dúvida.

Aonde vai tão bonito?

Vou jantar com a Amelia.

Sempre gostei dessa menina pra você.

Não seja nojenta. Ela é como minha irmã.

Se quiser ficar mais bonito, use o cachecol cinza.

Dois camarões.

E ouvi um boato.

Fofoca?

Vamos ouvir.

Parece que o Salazar não anda bem

da cabeça.

- Ele pirou? - Sim.

Tá em tratamento psiquiátrico.

- Caramba. Remédios? - Sim.

Remédios fortes. Tá delicioso. Experimenta.

- Não. - Vai.

- Não quero. - Nunca quer.

Fortes tipo "estou ouvindo vozes"?

Imagine uma voz dizendo: "Mate sua amante."

Ah, essas vozes!

Quem te contou isso?

Tenho minhas fontes.

O quê?

Também tenho fontes.

Não se mexa.

- Não se mexa. - O que é? Odeio quando faz isso.

- O que era? - Meleca.

Uma meleca, né?

- Sim. - Calma aí.

Gosto dessa cor.

Deixe-me ver.

Legal. Tá muito bonito.

- É? Você também, sabia? - Obrigada.

Toma. Não quero isso.

- A chave tá dentro. - Boa noite.

- Como vai? - Estou bem.

Sr. Mario.

- Peña. - Boa noite.

- Boa noite. - Boa noite.

Obrigado.

Podemos entrar sem escolta?

- Vamos, Mario. - Devia ter vindo de smoking.

Vamos.

- Boa noite. - Boa noite.

- Em nome de quem está a reserva? - Jaime Lemus.

- Por aqui. - Obrigado.

Tomás! Tomi!

Por que tão sério?

- Oi. - Comeu? Tudo bem?

- O que tá acontecendo? - Como vai?

- Nada, só uma coisinha. - Mas…

Tudo bem?

- E esse sorriso? - O que foi?

Perguntei, mas ele só disse que nós quatro tínhamos que estar juntos.

Que tal uma sobremesa?

- Pode trazer o cardápio de sobremesas? - Claro, já volto.

- Obrigado. - Obrigada.

Seu amigo tem a próxima grande história.

O quê?

Loreto está distribuindo permissões

pra construir andares extras ilegais em troca de coberturas.

- Puta merda! - Que tal?

- Sério? - Sim.

São 500 pesos por um bolo com gafanhotos?

- Delícia. - Peça o que quiser! Vale a pena.

Como não olhar o preço?

Quero os besouros açucarados.

Só vou querer um café expresso. Só isso, puro.

- Tá. - Só isso?

Certo, pode falar.

Vamos ouvir.

No vídeo que mandaram pro Tomás, dá pra ver um reflexo.

- Deixe-me ver. - Uma caminhonete cinza parada na frente.

- A pessoa que gravou o vídeo. - Sim.

Mas tá tudo embaçado.

Não dá pra ver nada.

Por isso, um amigo hacker da Viridiana

analisou as redes sociais do dia em que Dosantos foi morta

e encontrou essa imagem que foi postada.

Deixe-me ver.

A poucos quarteirões da casa do Salazar. Naquela noite.

Não acredito!

É a mesma.

"Tecnovolt"? O que é isso?

Não existe! Ele pesquisou. Essa empresa não é real.

Devem ter removido a inscrição da caminhonete.

É óbvio que armaram pra mim, né?

Não pode pedir pra checarem o C5?

Mas não dá pra ver a placa, né?

A caminhonete deve ser roubada.

Não dá pra ver a placa, mas é uma pista.

Vou investigar. Que merda a Viri tá fazendo se metendo nisso?

Não sabemos o tipo de gente que matou a Pamela.

Não sabemos onde estamos nos metendo. Temos que parar de brincar de detetive.

- Calma. Obrigado. - Seu café.

Bolo com gafanhotos?

- Obrigado. - Obrigado.

- Precisam de algo mais? - Não, obrigado.

- Coma, campeão. - Sim.

- Alguma coisa do necrotério? - Sim, olha. Eu tenho…

informações da autópsia da Pamela.

- Da autópsia? - Sim.

- Não quero ver nada. - Olha. Não vai ver nada.

- Esta aqui. - Não quero ver.

Boa noite.

Com licença, não pode entrar.

Senhor, não pode entrar.

Senhor. Não!

Se abaixem!

Amelia! Se abaixe!

Se protejam!

Amelia!

Vão pra cozinha!

Pra cozinha!

Por ali!

Vamos!

Amelia!

- Amelia, por aqui! - Mario!

O Mario sumiu! Mario, não!

Entra!

- Vamos! - Mas o Mario!

- Ele tá com o Jaime! Calma, vamos! - Tá bom.

- Vamos. - Não.

Ei!

Olha pra mim.

Preciso que se acalme. Amelia!

Respira. Se não se acalmar, não sairemos daqui. Respira.

Prometo que vamos sair daqui. Tá?

Isso. Calma.

Ei! Calma.

Por favor!

Por favor, não.

Mario, vamos sair daqui! Fica comigo!

Vamos por ali! Vamos! Fica atrás de mim! Vamos!

Perto de mim. Vou te proteger.

Vamos correr pra lá, tá? Vamos.

- Sim. - Agora.

Puta merda, Jaime.

Você foi atingido!

Merda!

PEÑA SAÍDA DE SERVIÇO

Legendas: Pollyana Tiussi

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