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Esta é uma história simples; no entanto, não é fácil contá-la.
Como numa fábula, há dor...
e, como uma fábula, ela é cheia de maravilhas e de felicidade.
"Tudo o que vejo, eu canto Nada me causa espanto!
Aqui estou, ó caos! Aqui, sou teu escravo!
Respondeu ele: 'Bravo!' 'Por quê? Quem falou?' Disse eu
Finalmente estou livre! De que serve um agrado
Quando estou embriagado E o vinho me possui?
Aqui estou, estou pronto! Já parte o trem que veio
Arrebentou o freio Já não resisto mais
Vai, doce Baco, leva-me"...
Arrebentou o freio! Arrebentou o freio!
- Já entendi! - Não! Arrebentou de verdade!
Freie! Não estava recitando o poema? Freie!
- Estamos sem freio, Guido! - Vire para a esquerda!
Tonto! Não desça a montanha, tem um abismo ali! Freie!
Cuidado, vamos morrer! Tem um bosque ali!
Vire! Cuidado! Freie!
- O rei está chegando! - Corram! Lá está ele!
Tem um monte de gente ali! Siga reto em frente!
O freio quebrou! Sai da frente! O freio quebrou!
- Sai! Sai! - Salve! Salve!
- Sai! - Salve!
Salve ao rei!
Vá passear por uns 10 minutos, senão só vamos chegar amanhã.
- Aqui está, achei aquele cabo! - Obrigado. Pode dar.
- O que mais você quer? - Nada! Deixe-me só por 10 minutos!
- Tudo bem, vou embora. - Senão só saímos à meia-noite.
- Mas você quer o cabo? - Não quero!
- Não? - Quero ficar 5 minutos sozinho.
- Então vou te deixar sozinho. - Muito bem.
Nossa, que calor.
- Se achar o cabo, jogo pra você? - Não! Deixe-me sozinho 10 minutos!
10 minutos.
- Vou lavar as mãos! - Isso.
Olá, linda menina! Como vai?
O que está fazendo? Quanta coisa boa! Quem trouxe? A mamãe?
- Não, a patroazinha. - A patroazinha? Parece uma feira!
Lindo! Está tudo à venda? Quanto é? Qual a sua idade? É a sua mãe?
- Perguntas demais. Como se chama? - Eleonora.
- Muito prazer. Príncipe Guido. - Príncipe?
Sou um príncipe, não sabia? Isto aqui é tudo meu.
Aqui principia o principado do príncipe!
Vou chamar este lugar de Adis Abeba. Vou mudar tudo aqui!
Nada de vacas, só camelos! Nada de galinhas, só avestruzes!
- Avestruzes e camelos? - E uns hipopótamos, Eleonora!
- Tchau, estou indo ver a princesa. - Quando?
Agora.
- Bom dia, princesa! - Meu Deus, que susto, quase morri.
- Machuquei o senhor? - Nunca me senti melhor.
- Sempre sai de casa desse jeito? - Queimei um vespeiro e fui picada.
- Ainda bem que o senhor estava aí. - Foi picada? Aí?
Com licença. Parada, princesa, porque...
o veneno da vespa é muito perigoso. É preciso tirá-lo.
- Deite-se, levará uma meia hora. - Já passou, obrigada.
- Picaram em algum outro lugar? - Não, obrigada.
Que lugar lindo! As pombas voam, mulheres caem do céu. Vou morar aqui!
É tudo dele! Quer trocar tudo por camelos e avestruzes! É um príncipe!
Exatamente. Príncipe Guido, ao seu dispor, princesa.
Já vou! Certo. Até mais, então.
- Como posso agradecer? - Não foi nada.
Se quiser mesmo agradecer, vou pegar uns ovos...
para fazer uma fritada para meu escudeiro. Posso?
- Pegue o que quiser, é tudo seu. - Obrigado!
Vou pegar dois... seis, está bem? Farei uma bela fritada.
Até mais, Eleonora! Meus respeitos, princesa.
Até mais!
Já vou, Nuvolari! Hoje tem fritada!
Só avestruzes e camelos aqui!
- Onde fica essa casa? - Vire à esquerda. Estamos perto.
- Seu tio vai dormir com a gente? - Ele mora no hotel, é maître.
' Vai nos emprestar a casa. E o depósito dele, tem de tudo.
Pronto, chegamos. Devagar.
Viu? Aquele é Robin Hood, o cavalo do tio...
a carroça do tio e a casa do tio, com o tio dentro.
- Vamos. - Tio, chegamos!
Vamos, Ferruccio, chegamos tarde. Tio, demoramos porque o carro...
Vamos, corram!
Tio! Tio!
Tio!
- Mas o que...? Levante! - Bárbaros.
- O que houve? Quem foi? - Nada, uns bárbaros.
- Por que não gritou? - O silêncio é o grito mais forte.
- Venham. É o seu amigo poeta, não? - Sim, sou Ferruccio.
- Sou tapeceiro também. - Muito bem. Terão de se adaptar.
É um velho depósito de bugigangas, uma paixão minha...
que também é uma bugiganga.
- Nossa, para que tanta coisa? - Podem ficar aqui quanto quiserem.
Ser garçom não é fácil, já vou avisando.
Aquela é a cama. Diz a lenda que Garibaldi dormiu nela.
Nada é mais necessário do que o supérfluo! Bárbaros.
A prefeitura é em Via Sestani, depois da colunata. Vá amanhã.
Este é o banheiro, equipado com a oportuna invenção de M. Bidet.
Aqui há alguns livros, entre eles, "A Vida de Petrarca", de Paolino.
A cozinha fica ali. Aqui há um velocípede, vulgo bicicleta.
É só encher os pneus. Preciso voltar ao hotel.
Não percam a única chave, que está na porta.
É tão bom ver você. Estou indo, Robin Hood!
Que tio.
Veja só! Veja só, Ferruccio!
Não falei? Estamos na cidade grande, pode fazer o que quiser!
Somos livres mesmo! Quer fazer algo? Faça!
Quer desabafar, gritar? Grite!
Pare! Ficou louco? Estamos numa cidade grande!
- Não pode fazer o que quiser. - O que foi que eu fiz?
Como assim? Gritou por três horas feito doido! Não pode gritar.
Maria! A chave!
- Desculpe. - Não falei? Ninguém grita aqui.
Estou dizendo, se você esquecesse a poesia...
deixaria seu pai mais feliz e ganharia mais dinheiro do que ele.
Muito bem, Oreste. Eu também vivo dizendo: "Tome jeito, Ferruccio!"
- Que belo chapéu. Posso? Que tal? - Ficou bom.
- Ficou bom? - Sim, só que é meu.
- Quando começo a trabalhar? - Já está atrasado! Comece agora!
Pegue aquela poltrona e leve para a oficina.
- Aquela? - Essa mesmo. E tome cuidado!
Bom, vou até a prefeitura. Até mais.
Até mais, e comportem-se...
porque a coisa está feia, mas feia mesmo!
- Feia, é? - Feia.
Por que, como o senhor vê a política?
Benito! Adolfo! Quietos!
O que estava dizendo?
Eu disse: "Como... como vai?" Bem, eu já vou indo.
Sim. Cuidado! Vai quebrar as pernas dela!
- Tome cuidado, Ferruccetto. - Até mais!
Até mais!
Ele conseguiu. Pegou o meu chapéu. Mas eu vou encontrá-lo.
Benito, vou te dar uns tabefes!
Quero obter licença para abrir uma livraria. Demora muito?
- Anos. - Então é melhor começar já, vamos.
O senhor precisa de uma petição assinada pelo chefe da seção.
Mas pode... Porca miséria!
Quase fiz uma fritada. Tenho ovos no bolso desde ontem!
Esqueci! Não quebraram, ainda bem. Escreva.
"Guido Orefice vem por meio desta requerer"..
- Ele não pode assinar agora! - Aí está ele.
- O que está acontecendo? - Eu quero abrir uma livraria.
- Senhorita, o que é isto? - Dr. Rodolfo, ele insistiu.
- Só uma assinatura, Rodolfo. - Não posso. Fale com o substituto.
- Dr. Rodolfo, é só uma assinatura! - Fechamos às 13h, entendeu?
- Bem, faltam 10 minutos. - Faça uma reclamação.
Que sujeito antipático! Era só para fazer uma petição, não é nada...
Era só ele assinar. Agora vou ter de esperar uma hora o substituto.
Vou reclamar, sim. Escreva. "Guido Orefice"..
Nossa, que pancada!
Meu Deus! Machucou? Vou ajudá-lo! Venha cá!
- Não foi de propósito. - Não me toque, eu faço isso!
Vai ficar sonhando com sua livraria, meu caro!
Não! Eu pus os o...
Desgraçado, vou te matar! Vou te matar!
Ladrão! A bicicleta é minha!
Saiam da frente!
Saiam da frente! Abram caminho!
Bom dia, princesa!
Talvez um dia consigamos nos encontrar de pé.
Bem, com licença, preciso sair correndo. Até mais.
Até mais, princesa!
Até mais!
- Frango. - Fácil.
O frango é servido inteiro, com as costas no prato.
"Pode cortar?" "Claro". Seguro o frango com a faca...
enfiada sob a asa e destaco a coxa. Depois incido a carne pelo meio.
- Fora asas e peito, fora a pele! - Lagosta!
Facílimo, tio! Bem, lagosta. Lagosta... enfio a asa sob a coxa.
Fora a coxa! Destaco a lagosta e enfio...
A lagosta é um crustáceo. A lagosta é um crustáceo!
Fora a... a crosta. Do crustáceo.
Fora a crosta... e fora as antenas.
Por acaso alguém come antena de lagosta? Fora as antenas!
Fora a lagosta. Aí não sobra mais nada.
A lagosta acabou, mas o frango está ótimo, quer?
Não me lembro da lagosta, tio.
A lagosta é servida como vem da cozinha. Não se deve tocá-la!
É fácil demais, por isso esqueci. As coisas fáceis...
- Continue. - Comportamento! A espera.
Parado assim. "Garçom!" "Sim?"
Volto. Comportamento de espera. "Garçom!" "Sim?"
Volto. "Garçom!" "Sim?"
Volto. "Garçom!" "Sim?"
Volto. Mas só chamam a mim, tio? Não tem outros garçons? Estou só?
A... reverência! A reverência é o mais fácil.
Bem, na reverência... nos inclinamos... para baixo.
Para baixo... assim. 45... como a garrafa de champanhe.
45... ou talvez 50, 55?
90 graus? Ângulo reto? 180? Tio, quantos graus? 180? Assim?
Olhe os girassóis. Inclinam-se para o sol...
mas, se algum estiver inclinado demais, então está morto.
Você está servindo, mas não é um servo. Servir é a arte suprema.
Deus é o primeiro dos servidores: Serve aos homens sem ser um servo.
- Está faltando este botão. - É sem botão mesmo, bobinho!
Preciso devolver o carro ao meu pai, ele faz questão.
- Devolva-o daqui a um mês. - Não, precisa ser logo.
- Sabe por quê? - Por quê?
Ferruccio.
- Ferruccio! - O que foi? Que horas são?
- Como assim? Estava dormindo? - Claro que sim.
Fez uma pergunta, virou e dormiu. Como consegue?
- Schopenhauer. - Schopenhauer o quê?
Schopenhauer diz que com a força de vontade tudo é possível.
Sou o que quero ser, e agora quero ser alguém que dorme.
Fiquei pensando: "Durmo, durmo, durmo" e dormi.
Simples, não? Vou tentar.
Durmo, durmo, durmo...
Sem mexer as mãos! Não é uma mágica, é feito com a mente!
É sério, e requer tempo. Amanhã falamos disso, boa noite.
Certo. Mas eu gostei.
Acorde...
acorde, acorde, acorde...
- O que é? O que está fazendo?! - Funciona mesmo!
- Funciona o quê? - Schopenhauer!
Sabe o que eu falei agora mesmo? "Acorde", e você acordou!
Que teoria incrível. Como acontece?
Acontece que você berrou "acorde" no meu ouvido!
- Devo falar mais baixo, então? - Não deve falar nada!
Ah, nada.
É uma coisa profunda, da mente!
- Por que a pressa? Vá devagar! - Já falei, está tarde!
- Entendi. - Maria, a chave!
Toda manhã pede que ela jogue a chave? Olhe!
É a professorinha! Veja que linda, sonhei com ela!
Venha, vou apresentar você. Porca miséria! Parado!
- O que foi? - Parado! Não se mexa, Ferruccio!
Aquele no carro é o tonto dos ovos, o funcionário da prefeitura!
Se me vir, vai me matar! O que ele está fazendo?
- Conversando. - O que está dizendo?
- Como vou saber? - Ora! O que ele está fazendo?
Cumprimentou e está indo embora. O carro dele é igual ao meu.
E eu lá quero saber? Fique parado, ele quer me matar!
Parado, Ferruccio, espere. Parado... parado...
- Bom dia, princesa! - Meu Deus.
O senhor de novo? Como faz isso?
Esta é a princesa que caiu do céu nos meus braços.
Então é ele que chupou sua coxa...
Sim. Sempre nos encontramos assim, ele aparece de repente.
Podemos organizar os encontros. Esta noite, às 20h?
- Não, é melhor assim. - Vamos, Dora, você vai se atrasar.
Espero encontrá-lo de novo de surpresa. Até mais.
Até mais, princesa.
Você viu que linda? Ela gosta de quem aparece de surpresa!
- Não acredito! - Sim.
A escuridão!
- Você é um gênio! - "Quanto maior, menos se vê".
Solução: A escuridão. Linda! Inventou essa charada, doutor?
Não. Mas você a matou em cinco minutos. Eu levei oito dias.
- A escuridão! - Aqui está. Salmão, salada...
...e um copo de vinho branco. - Preste atenção, Guido.
Com licença, é a minha vez.
Aprendi esta com meu pai: "Branca de Neve na roda dos anões.
Resolva esse enigma, sabichão, o tempo há de dar a solução".
Parece refinada. Quero resolvê-la imediatamente!
- Coma antes, vai esfriar. - Não consigo, já é tarde.
Mas a salada e o salmão são leves.
"Branca de Neve na roda dos anões".
- Guido, a cozinha já está fechada? - Não tem mais ninguém lá. Por quê?
Chegou um senhor de Roma, do ministério, e quer comer.
- A cozinha está fechada. - Pena. Ele ia dar uma boa gorjeta.
A cozinha está aberta.
Pode sentar.
- Por favor. - Obrigado.
- Doutor, não vai comer nada mesmo? - Não, não.
Os anões são sete, são pequenos...
A cozinha fechou, não? Pode ser um prato frio, qualquer coisa.
- Aqui é tudo ótimo. Escolha. - Alguma coisa leve.
Bem, então temos as carnes: Uma bela bisteca pesada...
rim e fígado de carneiro fritos empanados...
...ou peixe. - Peixe.
Certo. Temos rodovalho com muita gordura...
bacalhau emporcalhado no óleo com Grand Marnier...
...ou um salmão magro. - O salmão. Gentileza sua.
- E para acompanhar? - Tem acompanhamento também?
Claro. Temos cogumelos fritos fritos fritos...
batatas amanteigadas na manteiga de Nancy com creme escamoso...
Você não teria uma saladinha bem leve?
- Ou então nada. - Uma saladinha leve?
É uma pena, os cogumelos fritos fritos fritos estão ótimos.
Bem, uma salada leve, salmão magro e um copo de vinho branco?
- Perfeito. O quanto antes. - Vou fazer o possível.
Por favor.
"Resolva, o tempo há de dar a solução". Certo?
- Certo. - Branca de Neve na roda dos anões!
- Boa noite, doutor! - Boa noite, gênio!
- Branca de Neve! - O que ele disse? Branca de Neve?
- Está bêbado? - É a charada: Dentro de 7 minutos.
- Dentro de 7 minutos? - Essa é a solução.
"Na roda dos anões": Os anões são sete, são pequenos, minutos.
Branca de Neve, dentro da roda, está dentro de 7 minutos.
O Dr. Lessing é médico, um homem seríssimo, mas adora charadas.
Passa noites em claro, tenho certeza.
Entendi. Sabe onde fica a escola Francesco Petrarca?
A escola elementar? É maravilhosa. Minha amiga dá aulas nela.
- Fica aqui perto. Por quê? - Ótimo. Dormirei um pouco mais.
Precisa ir para lá amanhã cedo?
Sim. Sou esperado às 8h30.
Crianças, por favor, silêncio! Prestem atenção.
Logo chegará o inspetor de Roma. Não me decepcionem, está bem?
Escutem o que ele disser com atenção e em silêncio.
Ele dirá coisas importantes sobre nossa belíssima pátria.
Diretora! O inspetor chegou!
Como assim? Já chegou? Está adiantado.
Roberto, sente-se!
De pé!
Bom dia, princesa.
Bom dia, senhor inspetor. Eu sou a diretora.
Aqui estão alguns professores.
Certo.
Portanto... como... perdão...
Há quantos anos leciona neste instituto didático?
16.
Está a par do currículo que o ministério aprovou este ano?
Sim.
Leu minha circular sobre a higiene infantil?
Claro.
Vai fazer o que no domingo?
É que domingo tem a festa de Nossa Senhora, Santa Maria.
- O que vai fazer? - Vou ao teatro.
- O que vai ver? - Offenbach.
É verdade, é o que está em cartaz. Certo. Pois é.
Tudo bem. Ótimo. Então... muito obrigado.
- Até mais. Só vim para... - Nós sabemos.
O inspetor, como vocês sabem, veio de Roma para falar...
do Manifesto da Raça, assinado pelos maiores cientistas italianos.
Isso nos deixa honrados. Ele demonstrará que nossa raça...
é uma raça superior, a melhor de todas.
Sentem-se, crianças.
- Por favor, inspetor. - A nossa raça...
- É superior. - Claro!
Obrigado. Nossa raça é superior.
De fato, eu vim de Roma porque agora, neste momento...
vou informar, para que vocês saibam, crianças...
que nossa raça é superior. Fui escolhido...
pelos cientistas racistas italianos...
para demonstrar a vocês o quanto nossa raça é superior.
Por que, crianças, fui eu o escolhido? Ora...
é preciso dizer?
Onde encontrariam alguém mais bonito? Onde encontrariam?
Não estranho esse silêncio. Está diante de vocês...
um exemplar de raça superior, ariano puríssimo. Crianças...
vamos começar por um detalhe qualquer: A orelha.
Vejam só. Vejam a perfeição desta orelha.
Pavilhão auricular esquerdo com campânula pendente inferior!
Vejam só que coisa! Cartilagem móvel, dobrável!
Achem orelhas mais bonitas, e eu vou embora. Só que eu quero ver.
Na França, eles sonham com orelhas assim!
Crianças, as raças existem! E como!
Mas continuemos. Quero mostrar outra coisa, crianças. Atenção!
- Disse que era o inspetor? - O inspetor!
- De Roma? - De Roma!
O umbigo!
Vejam só que belo umbigo! Que nó!
Não se desfaz nem com os dentes! Os cientistas racistas tentaram.
Não conseguiram! Este é o umbigo italiano, da nossa raça!
Vejam só! Vejam a musculatura:
Íceps, bíceps e tríceps!
Vejam só que beleza! Vejam as ancas!
Pra lá e pra cá!
Vejam que movimentos! Vejam só que coisa! Senhores!
Senhores, eu me despeço...
preciso ir embora. Acabo de me lembrar de um compromisso.
Vou fazer uma saída ariana. Saudações.
Até mais! O umbigo!
Princesa, nos vemos em Veneza.
Eu só escuto com este ouvido.
Olhe pra mim, princesa.
Estou aqui.
Olhe pra mim, princesa, olhe pra mim.
Olhe pra mim.
Vire pra cá, princesa.
Vire pra cá, vire pra cá, vire pra cá...
vire pra cá, princesa...
- Vamos tomar sorvete de chocolate? - Sim, mas sem demora.
- Por quê? - Esqueci de avisar você!
Às 20h vamos ver o prefeito. Fomos convidados para jantar.
- Por quem? - Pelo prefeito.
Meu Deus, piedade, não pode ser! Outro jantar com o prefeito!
- A sua mãe também vai. - Bingo!
Então jantamos a sós e tomamos café na casa do prefeito, que tal?
- Eu não vou! - Tudo bem, já entendi.
Vou dizer que não iremos. Ficaremos juntos só nós dois.
- Boa noite, Rodolfo. - Boa noite, prefeito.
Senhorita. Bem, nos vemos logo mais na minha casa? Espero-os às 20h.
- Às 20h em ponto estaremos lá. - Perfeito.
Onde ela está? Você a viu? Ela deveria estar aqui.
Você está aí? Boa noite! Chegue no horário amanhã, está bem?
- Sim, Sr. Nardi. - Tirou aquelas coisas do carro?
- Sim. - É seda. Não a estrague!
- Não, Sr. Nardi. - Tome cuidado. Lindo espetáculo!
- Lindíssimo! - É uma bela ópera.
- O senhor pôs aquela cortina? - Aquela?
Não, acho que foi o...
Pegou o meu chapéu de novo!
- Vamos. - Está chovendo demais.
- Por favor, traga o carro. - Está aqui pertinho, na esquina!
Tudo bem, espere aqui. Vou parar aqui na frente e buzinar.
Ferruccio, me dê a chave!
Não a de casa, a chave do carro! Vamos, vamos!
- A chave do carro? Ficou louco?! - Não, vamos!
Distraia o tonto dos ovos o maior tempo possível!
- Vejo você depois, tchau! - Mas não tirei do carro... Cuidado!
Podia ter ido me buscar com o guarda-chuva. Mal-educado!
Veja só em que estado fiquei.
E se há algo que me deixa nervosa é jantar com o prefeito.
Pronto, eu sabia, fiquei com soluço.
Sempre fico quando sou contrariada.
Ainda não entendeu que me contento com pouco?
Um belo sorvete de chocolate. Até dois.
Um passeio juntos. O que tiver de acontecer, acontece. Mas você...
Bom dia, princesa!
É incrível. O senhor me deve explicações.
Não, a senhorita é que me deve! Desculpe...
mas eu paro sob um teto, e a senhorita cai nos meus braços.
Caio da bicicleta e estou nos seus braços.
Faço uma inspeção na escola e novamente encontro a senhorita!
Aparece até nos meus sonhos! Quer me deixar em paz?
Deve estar mesmo caidinha por mim.
Tudo bem, eu até entendo, mas...
Vou ceder, então, a senhorita venceu.
Aonde vamos, princesa? Para a praia? Gosta do mar?
Gosto, mas estão me esperando no teatro. Leve-me de volta.
- O que foi? - Princesa, com licença.
- Sabe ligar o limpador de para-brisa? - Meu Deus! Pise no freio!
Princesa! Coragem, segure-se em mim!
- Quebrou! - Há quanto tempo sabe dirigir?
- Dez minutos! - Achei que fosse menos.
- A capota não fecha! - A porta não abre!
Espere! Estamos presos! Vamos sair já, princesa!
O importante é que a senhorita não se molhe!
Abrigue-se com isto, princesa! Agora vamos sair.
Pronto! Eu cuido disso. Espere.
Pronto. Agora sim.
Venha, princesa. Venha.
Pronto! Pronto, venha.
Pare, princesa! Tem uma lagoa, vai molhar os pés. Espere.
Espere, princesa. Pronto.
Aqui está.
- Por favor, princesa. - Onde viemos parar?
- Já estivemos juntos aqui. - Eu e o senhor? Quando?
Não se lembra? Na noite em que chovia...
e eu fiz um guarda-chuva com a almofada. Uma noite linda!
Pus o volante no ombro, fiz dois giros de valsa...
e, quando parei na sua frente, a senhorita me beijou.
Princesa, está com o bumbum ao vento.
Depende da pessoa. Meu pai era assim.
Ele conseguia que eu fizesse qualquer coisa.
Me entendia, sabia me levar, e eu caía feito uma pera cozida:
Sempre, sempre dizia que sim.
Então, todos esses seus tesouros escondidos...
essa concha, esse cofre, pode-se abri-lo e fazê-la dizer que sim.
É mais fácil do que imagina. É só usar a chave certa.
- Onde estará essa chave? - Só o céu sabe.
- O tempo melhorou. - A senhorita dizia...
que essa chave que a faz dizer que sim precisa vir do céu?
- Sim. - Tudo bem, então vou tentar.
Talvez Nossa Senhora a jogue, nunca se sabe. Vamos ver.
Maria, a chave!
É esta?
Precisa voltar? E o sorvete de chocolate? Vamos tomá-lo.
- Agora não. - Quando, então?
- Não sei. - Vamos deixar o céu decidir?
Não, por favor! Não perturbe Nossa Senhora por um sorvete.
Não, é importante demais. Já que não decidimos, preciso perguntar.
Maria, mande alguém que nos diga quando devemos tomar sorvete!
Dentro de 7 minutos!
- Esta é a minha casa. - Passei mil vezes por aqui.
Sempre me perguntei de quem era. Minha loja ia ser aqui na frente.
- A livraria? - Sim. Iríamos nos ver todo dia.
Bem, até mais. O senhor foi muito gentil comigo.
- Agora só quero um banho quente. - Esqueci de dizer uma coisa.
Diga.
Nem imagina como quero fazer amor com a senhorita...
mas não direi a ninguém, muito menos à senhorita.
- Só sob tortura eu diria. - Diria o quê?
Que quero fazer amor com a senhorita, e muitas vezes.
Mas nunca direi isso. Só se ficasse bobo diria...
que faria amor agora, na frente da sua casa, por toda a vida.
Corra ou vai se molhar, vai chover de novo.
- Princesa. - Está todo molhado.
A roupa não é nada. O chapéu, sim, me incomoda.
Eu precisaria de um chapéu seco, mas onde vou achar?
Como é mesmo? Ah, sim, é fácil.
Maria, mande alguém para dar um chapéu seco ao meu amigo!
Bem, boa noite, princesa, até mais.
- Garçom, onde fica o toalete? - Em frente e à esquerda.
Se não se levantar imediatamente, juro pela memória do seu pai...
que nunca mais falarei com você. Pelo resto da vida.
Vou contar até três. Se não se levantar, vou levá-la à força.
Um...
dois...
e três.
Muito bem.
- Sabe quem vai se casar? - Não. Quem?
Ainda não contei? O tonto dos ovos!
Só faltava essa!
- E com quem vai se casar? - Não sei!
Acho que ela nem vem, ainda não chegou! Estão todos esperando.
- Guido! Há horas procuro você. - O que foi?
- O seu tio. - Meu tio?
- Aconteceu algo... Venha! - Onde ele está?
- Aqui fora! O cavalo! - O cavalo?
O que foi? Nossa! Tio! Esse é o seu cavalo?
Impressionante! Maquiaram o bicho? O que escreveram?
"Achtung, cavalo judeu".
Os bárbaros e vândalos de sempre. Uma tristeza. Quanta estupidez!
- "Cavalo judeu"! - Tio, não fique zangado.
- Fizeram por... - Não, não "fizeram por".
"Fizeram por".
Acostume-se, Guido. Começarão a fazê-lo com você também.
Comigo? Tio, o que podem fazer? No máximo vão tirar minha roupa...
me pintar de amarelo e escrever "Achtung, garçom judeu".
Ora, tio! Eu nem sabia que esse cavalo era judeu.
Vamos, amanhã vou lavá-lo, não se preocupe. Leve-o para a cocheira.
- Olhe ali! Na sua frente! - Não!
É Dora!
Vou fazer uma surpresa pra ela.
Dora.
Dora. Olá. Venha, vou apresentá-la a Fido Giovanardi.
- Quem? - Fido Giovanardi.
Guido!
Dr. Lessing! Aonde vai?
Telegrama urgente: "Partir imediatamente para Berlim".
- E essas flores? - São para o senhor, de despedida.
Uma eu vou pegar.
Vou levá-la para minha esposa. Flor de Guido.
Fiquei muito bem com você.
É o garçom mais cheio de fantasia que já conheci.
Obrigado, doutor. É o cliente mais culto que já atendi.
- Obrigado. - Até mais, Dr. Lessing.
Por falar nisso...
"Quando dizem meu nome, não estou mais aqui. Quem sou?"
"Quando dizem meu nome, não estou mais aqui".
Não estou mais aqui
O que ele disse?
O silêncio! Linda! Quando dizem seu nome, ele não existe mais.
É o silêncio.
E não falo de Berlim. Até no campo, em Greveneck.
3º ano primário. Ouçam este problema.
Ainda me lembro porque me impressionou. Problema:
"Um louco custa ao Estado 4 marcos por dia.
Um aleijado, 4 marcos e meio. Um epilético, 3 marcos e meio.
A média é de 4 marcos ao dia, e os pacientes são 300 mil.
Quanto economizaríamos se essa gente fosse eliminada, suprimida?"
- Meu Deus, não é possível. - Eu tive a mesma reação, Dora.
Meu Deus, não é possível para uma criança de 7 anos resolver isso.
O cálculo é complexo. Frações, porcentuais...
é preciso conhecer um mínimo de álgebra.
- Um problema de colégio, para nós. - Não, é só uma multiplicação.
- Quantos aleijados são? 300 mil? - Sim.
300 mil vezes 4. Matando todos...
economizaremos um milhão e 200 mil marcos ao dia. Fácil, não?
Exato. Muito bem. Mas você já é grande.
Na Alemanha, perguntam isso a crianças de 7 anos.
É outra raça mesmo.
"Bom dia, princesa".
- O que você disse? - É o que está escrito no bolo.
Dora! Dora, por que está aí parada? Vamos! Vamos dançar.
Venha.
Obrigado, obrigado.
Poucas palavras, pois vocês já sabem de tudo, e há anos.
Dora e eu nascemos na mesma rua.
Estudamos juntos, tivemos os mesmos amigos.
Sempre estivemos juntos. Dora é a mulher da minha vida...
e eu sou o homem da vida dela. Portanto...
decidimos nos casar ainda este ano. Estão todos convidados.
Será em 9 de abril, na Igreja de Santa Maria do Peregrino.
Depois festejaremos até o sol raiar, aqui, todos nós, juntos...
com o mesmo bom humor.
- Obrigado. - Beije-a, seu malandro!
O beijo! O beijo!
Beija! Beija! Beija!
- Guido! O que aconteceu? - Nada, nada.
- Como se sente? - Bem, estou bem.
- Quem pôs essa poltrona aí? - Guido! Tudo bem?
- Sim, estou bem. - Sinto muito.
- Não foi nada. - Estou falando do...
- E a Srta. Guicciardini? - Está ótima.
Não a deixe sozinha, volte. Eu me viro aqui, podem ir.
- Guido. - Tio.
- Como se sente? - Bem. Estou bem!
Por que todos perguntam isso? Notaram algo estranho em mim?
Não, não é nada.
- Mas... vá para a cozinha. - Certo.
- Guido! - Sim?
Para a cozinha.
Hoje tiraram tudo do lugar. Veja só onde puseram a cozinha.
- Adivinhe quem é! - Quem é?
- Sou eu! Ficou besta, é? - Bruno!
Senhorita. Finalmente conheço você, Dora.
Ele nunca me apresentou. Ficou com medo, não, garanhão?
Agora não precisa mais ir ao bordel com a gente.
Desculpem a interrupção, parabéns e felicidades!
Seu garanhão!
- Que rapaz alegre. - Meu caro prefeito...
Não foi nada. Eu vou recolher tudo.
- Desculpem. - Infelizmente, já está tarde.
Aliás, meus parabéns. Sei que a senhora...
Princesa. Também está aqui?
Leve-me embora daqui.
E agora, senhoras e senhores...
um soberbo espetáculo oferecido pela direção do Grand Hotel:
O bolo etíope!
Olhe!
Obrigado! Música, maestro!
- Parabéns. - Obrigado.
Por favor, princesa.
- Mas o senhor... - Rápido, princesa.
Mas aquele...
Aquele é o tonto dos ovos!
Dora!
Dora!
Não. Ferruccio! Ele ficou com a chave de casa, porca miséria!
Um arame. Com um arame eu consigo abrir. Aqui está.
Sou um mágico com arame. Meu pai me ensinou.
Ele fazia todos os meus brinquedos com arame. Pronto!
Um...
dois...
Pronto, abri.
Josué?
Josué!
Josué! Vamos, assim a mamãe vai se atrasar!
- Eu perdi meu tanque. - Tudo bem, depois a gente acha.
Vamos, sente-se aqui. Onde deixou o tanque?
- Está ali na escada. - Eu pego. Segure a bicicleta.
Eu pego o tanque! Você leva esse tanque pra todo lado!
Tome, aqui está.
Vamos.
- Corre, papai! - Devagar! Vocês são doidos!
Você está atrasada!
Tem um cavalo ali! Dois cavalos!
- Tem um cavalo! - Guido, pare de tocar a campainha!
- Estou até zonza! - Não sou eu, é Josué!
- Não sou eu, é o papai! - Chega, vou descer.
Vira, vira!
- Chegamos. - Nos vemos hoje à noite.
- Tchau, mamãe. - Tchau, Dora! Tchau!
- Corre bem rápido, papai! - Claro. Um, dois e três!
- Vamos comprar pra mamãe? - Quanto custa?
- 15 liras. - 15? É falso.
É um bolo falso, como o seu tanque. Vamos, Josué.
"Proibida a entrada de judeus"..
Vamos, Josué!
Por que cachorros e judeus não podem entrar lá, papai?
Eles não querem judeus e cachorros. Cada um faz o que quer.
Tem uma loja de ferramentas ali...
onde não deixam entrar espanhóis e cavalos.
E eu fui à farmácia com um chinês amigo meu que tem um canguru...
mas não pudemos entrar, não queriam chineses e cangurus.
Eles não gostam, fazer o quê?
Mas a gente deixa todo mundo entrar na livraria.
Não! Vamos pôr um cartaz também. Do que você não gosta?
- De aranhas. E você? - Eu? De visigodos.
Amanhã escreveremos: "Proibida a entrada de aranhas e visigodos".
Esses visigodos já me encheram!
- Bom dia. - Diga! Tudo por metade do preço.
- Guido Orefice? - Sou eu, pode falar.
- Precisa ir comigo à prefeitura. - De novo?
- Ele já foi pra lá. - Vamos.
Fazer o que lá?
- O senhor está com ele? - Sim, vamos.
- Tudo bem. - Eu vou também.
- Não, fique aí. É rápido, não? - Bem rápido.
Então eu vou. Tchau. Josué, olhe lá, trate bem os clientes!
Tchau, eu volto já.
Bom dia.
- Bom dia. - Bom dia.
- Vou levar isto. - Custa cinco liras.
Não. Está escrito que custa 10 liras.
Está tudo pela metade do preço.
Entregue isto à sua mãe e diga que é uma carta da vovó.
Não conheço minha avó. Nunca vi.
- Gostaria de conhecê-la? - Sim.
- Amanhã vai conhecê-la. - Amanhã?
Sim. Porque amanhã é o seu aniversário.
A vovó vai vir e trazer um belo presente.
- Um tanque novo? - Não. É uma surpresa.
Entregue a carta para a mamãe.
- Tchau, Josué. - Esqueceu o troco, vovó.
Obrigada.
- Quando vai voltar? - Em uma hora. Vou ver se o tio...
...tem sobras do hotel pra amanhã. - Tchau.
- Tchau. - O que mais a vovó disse?
Que amanhã ela vem.
LOJA DE JUDEU Já estava na hora!
- Agora você deve tomar banho. - Não quero!
- Vá tomar banho. - Já tomei sexta!
- É verdade, tomou banho sexta. - E você, troque a camisa.
- Já troquei na quinta. - Não se esqueçam das flores!
- Estão lá fora, vou pegá-las. - Também vou, papai!
Não, vá tomar banho! A água vai esfriar, cabeça-dura!
- Não quero, não quero e não quero! - Ande, preciso ir buscar a vovó!
- Onde ponho as flores? - Deixe aí, eu já vou!
Certo!
Já tomei banho sexta!
Josué?
Josué!
- Sabe onde ele se meteu? - Não sei. Deve estar ali.
- Vai dar um jeito naquelas coisas? - Claro.
- E as flores? Parecem lindas. - São lindíssimas. Já vou...
Quer ver as flores? Vou trazê-las já.
Flores, venham! Criado-mudo, venha! Venha!
Schopenhauer, a vontade! Quero que o criado-mudo venha!
- Aí está bom, criado-mudo! - Esse criado-mudo está imundo.
Bom dia, princesa!
- E ele já sabe ler e escrever? - Há mais de um ano.
- Você o educou bem. - Chegamos.
- Ajudo você a descer, mamãe. - Não, eu consigo.
Dora, o que foi?
Chegamos?
Não, é um cruzamento. Venha cá.
- Vai me dizer aonde a gente vai? - Como assim? Ora, vamos...
Você já me perguntou mil vezes. Vamos até aquele lugar...
- Como se chama? - Vamos...
Aonde vamos?
Que dia é hoje? É o seu aniversário, Josué.
Você vivia dizendo que queria viajar. Viu?
Levei meses pra organizar tudo. Está brincando?
Sabe aonde vamos? Vamos... Não posso contar.
Prometi à mamãe que não contaria. Senão ela fica zangada.
Meu pai também organizou uma viagem assim pra mim.
É de morrer de rir!
É uma coisa muito engraçada!
Nós vamos...
Não me faça contar, quero que você veja...
porque é uma surpresa muito engraçada.
- Estou com sono, papai. - Durma, durma.
Tio, aonde estamos indo? Aonde vão nos levar?
Que horas são? Estamos partindo bem no horário!
Quanta organização. Nunca andou de trem, certo, Josué?
- Nunca. É legal? - Muito legal! Você precisa ver.
É todo de madeira, sem bancos, todos de pé!
- Não tem bancos? - Está brincando? Bancos no trem?
Dá pra ver que você nunca andou. Não! Ficam todos de pé, apertados.
Olhe o tamanho da fila. Consegui as últimas passagens por milagre!
Vamos, tio, não quero ficar aqui porque o trem lotou.
Parem, nosso lugar está reservado! Guardem nosso lugar!
Veja só que fila!
Vamos, Josué! Estamos aqui! Reservamos o lugar!
Obrigado. Podem ir.
Pode falar, senhora.
- Houve... um engano. - Que engano? Quem é a senhora?
Meu marido e meu filho estão naquele trem.
- Como se chama seu marido? - Guido Orefice.
Guido Orefice...
Josué e Eliseo Orefice também estão no trem.
Não há engano algum. Que engano?
Também quero entrar no trem.
Está tudo pronto.
- Autorize a partida. - Pode partir!
Volte para casa, senhora.
Quero entrar nesse trem.
Deixe-me entrar nesse trem!
A mamãe!
- Dora. - Pararam o trem pra ela subir.
Tio, tio!
Dora!
Dora!
- Pronto, tio. - Ele está cansado.
Olá, Josué. Está contente? Viu só este lugar? Está cansado?
- Sim. Não gostei do trem. - Também não gostei.
Então vamos voltar de ônibus. Nós vamos voltar de ônibus!
- Com bancos! Já avisei. - É melhor.
Também acho. Você viu? É tudo organizado.
Viu quanta gente? Tem gente lá fora fazendo fila pra entrar...
furando a fila, todos querem entrar.
- Papai, me conta que jogo é este. - Muito bem! Como assim?
É o jogo do coisa, o jogo... o jogo...
da... Nós todos somos concorrentes.
Entendeu? É tudo organizado. Os homens ficam deste lado...
as mulheres ficam do outro, tem os soldados...
eles explicam os horários... Só que é difícil, não é fácil.
E, quando alguém erra, é mandado de volta pra casa.
É preciso ficar atento. Mas quem ganha leva o primeiro prêmio!
Me diz qual é o prêmio.
É o primeiro prêmio, já falei.
- É um tanque. - Mas eu já tenho um tanque.
Mas é um tanque de verdade, novinho em folha!
- De verdade? Não! - Sim. Eu não queria contar.
Aonde o tio vai?
Ele é de outra equipe. Tudo organizado. Tchau, tio.
Tchau!
Um tanque.
Não falei, Josué? É incrível, não?
Mas que lugar! Vamos, senão tomam nosso lugar.
Nós fizemos reserva! Duas camas de solteiro!
Venha. Com licença! Com licença! Aqui está.
Aqui está!
Vamos nos apertar e dormir aí. Josué!
Papai, este lugar é horrível, fede! Quero ficar com a mamãe!
- Nós vamos vê-la. - Estou com fome.
Depois vamos comer.
E eles são muito maus, gritam.
É que o prêmio é valioso, todos querem. Eles precisam ser duros!
Mas posso ir ver a mamãe?
- Quando o jogo terminar. - E quando vai terminar?
É preciso marcar mil pontos.
Quem marca mil pontos ganha um tanque de verdade.
Não acredito! A gente vai ganhar merenda?
Merenda? A merenda... é só pedir, aqui todos são amigos!
- Olha quem está aí, é... - Bartolomeo.
Bartolomeo, uma pergunta:
Já passou o sujeito que distribui pão com geleia?
Que azar! Chegamos um segundo atrasados. Viu só?
Mas ele passa de novo para o segundo turno, não? Passa, sim.
- O que ele disse? - Procura alguém que fale alemão.
Vai explicar o regulamento do campo.
- Você fala alemão? - Não.
Começou o jogo! Quem tá, tá; quem não tá, não tá!
Quem fizer mil pontos primeiro ganha um tanque de verdade!
Felizardo.
Todo dia anunciaremos a classificação naquele megafone!
O último colocado levará um cartaz com escrito "burro" nas costas!
Nós fazemos o papel dos homens muito maus que gritam!
Quem fica com medo perde pontos!
Em três casos, perdem-se todos os pontos. Vai perder:
1) quem começar a chorar...
2) quem quiser ver a mamãe...
3) quem sentir fome e quiser merendinha! Podem esquecer!
É muito fácil perder pontos por sentir fome!
Eu mesmo perdi 40 ontem porque queria um pãozinho com geleia!
De pêssego.
Ele queria de morango.
Não peçam pirulito porque não vão ganhar! Nós comemos todos!
Ontem eu comi 20.
Deu dor de barriga.
Mas eu gostei.
Deixa pra lá.
Desculpem a pressa, estou brincando de esconde-esconde!
Vou embora, senão me acham.
- Com licença... - Não, não me perguntem nada.
Perguntem para Bartolomeo, ele sabe tudo. Depois conte-me também.
- Mil pontos? - Não falei? É divertido!
Eles são loucos! Isto deve pesar uns cem quilos!
Está uns três mil graus aqui! Vittorino, eu não aguento mais!
- Já na primeira? - Por quê? Preciso levar outra?
- Até anoitecer, Guido! - O quê?!
Bartolomeo! O que foi? Aonde vão te levar?
Para a enfermaria! Machuquei o braço!
Nossa! Vamos morrer, Vittorino!
Não aguento mais! Vou pôr isto no chão!
Digo que não aguento, o que podem fazer?
Matam você.
- Aonde devo levá-la? - Pra lá!
Porca miséria, não aguento! Não aguento!
Vittorino...
está uns dez mil graus aqui!
Papai! Papai!
Josué...
como vai? Pronto.
Olhe só. Viu que linda?
Estamos inscritos.
Quando cheguei lá para me inscrever...
o árbitro disse: "Não, o senhor e seu filho não constam na lista.
Não pagaram a taxa de inscrição". Quase morri de susto!
Ele disse: "Voltem para casa". Eu falei: "Não, volte você!
Eu e Josué estamos inscritos. Está brincando? Dê-me o número!"
E eles me deram, olhe só que lindo.
Por segurança, mandei escrever aqui também.
Pois é, Josué, o papai te leva pra cada lugar lindo, não?
E você? Brincou com as crianças hoje?
Sim, só que elas não conhecem as regras.
Dizem que não vão dar nenhum tanque. Não sabem dos pontos.
E você caiu nessa? Eles são espertos, querem ganhar o prêmio!
Como assim, não vão dar um tanque? Não caia nessa!
- Quantos pontos marcamos hoje? - Hoje? Eu fiz 50. Bem, 48.
Tiraram dois pontos porque eu tropecei quando pulava amarelinha.
Tropecei, mas tudo bem.
É de morrer de rir, Josué! Eu morri de rir!
Foi tão divertido! Não vejo a hora de recomeçar amanhã.
Amarelinha, pique, brincadeira de roda...
tantos jogos que nem me lembro. Eles são fanáticos, chega!
Eu disse que estava cansado. Escute...
...você comeu alguma coisa? - Sim, mas não pedi a merenda!
Muito bem! Se você não pediu, marcou 12 pontos.
48 meus com 12 seus são 60.
Com 60 pontos, já ganhamos...
este pedaço de pão sem marmelada!
Tome, coma.
Obrigado.
- 60 pontos é bastante? - Porca miséria! Está brincando?
60 pontos é bastante, sim.
Veja quem está aí! Bartolomeo! Como foi?
Pior, impossível. Levei 20 pontos.
- Nós marcamos mais pontos. - Não espalhe. Estamos na frente!
Já não falei? Velhas e crianças não!
Pra dentro! Não podem trabalhar!
E vocês, desçam!
Vamos, garotas. Rápido. Bonitinhas. Por ali!
Esta é nova. Aprendeu rápido.
A de cima, que mandou sair, parecia boazinha ao chegar.
- É a pior de todas. - Mas poupa as velhas e meninas.
Eles não mandam velhos e crianças trabalharem porque matam todos.
Um dia vão chamá-los para tomar banho. "Meninos, para o chuveiro!"
Só que o chuveiro fica ali, na câmara de gás.
Desçam, desçam!
Como é possível? Vittorino!
- Onde acharam tantas bigornas? - Papai, papai!
Josué! O que está fazendo? Não pode ficar aqui!
Vá embora, esconda-se! Por que não está com as outras crianças?
Ouvi dizer que elas estavam indo todas pro chuveiro...
...e eu não quero tomar banho! - Vá tomar banho!
- Não! - Sim!
- Não vou, não! - Vá tomar banho!
O que vocês estão fazendo?
Estamos... estamos fazendo...
o tanque! Vamos construir o tanque.
Ainda estamos nas esteiras. Estamos atrasados. É divertido.
Não pode ficar aqui, já falei! Vá tomar banho!
Não quero, não quero e não quero!
Cabeça-dura! Vou contar pra mamãe! Você vai perder 10 pontos!
Esconda-se ali, quando eu terminar, vamos voltar juntos!
Não deixe ninguém ver você! É divertido.
Tudo! Tirem tudo! Pendurem tudo aí!
Podem pegar tudo depois do banho! Vamos!
Lembrem-se do número para pegar a roupa!
Mulheres e crianças tomarão banho juntas.
Machucou-se, senhora?
Obrigado, Bartolomeo.
Josué, a partir de agora, você fica escondido o dia todo.
Se alguém vir você, acabou. Vão nos desclassificar!
- O que eu preciso fazer? - Nada. Vittorino, ajude aqui.
É só ficar escondido o dia todo. Entendeu? Ninguém pode ver você...
especialmente os homens maus que gritam! Lembre-se disso.
Esconda-se! Este é o momento mais difícil...
mas, se tudo correr bem, o tanque é nosso.
Vamos ganhar 120 pontos por dia.
Vou esconder você de dia, não se preocupe. Você sumiu!
Quem viu? Quem conhece? Nunca vi! Onde?
Entendeu? Josué!
Eu vi você!
Muito bem.
Tem alguém aí? Estou incomodando?
Josué! Venha!
Venha, rápido como um raio!
Bom dia, princesa!
Sonhei a noite toda com você!
Sonhei que íamos ao cinema...
e você estava com o vestido cor-de-rosa que eu adoro!
Só penso em você, princesa! Penso sempre em você! E agora...
Mamãe! Precisa ver, o papai me leva no carrinho de mão...
mas não sabe dirigir! É de morrer de rir!
Estamos na frente! Quantos pontos já temos, papai?
Filho! Corra, os homens maus que gritam vêm aí! Vamos!
- Pra onde? - Por aqui, venha! Venha, Josué!
- Papai, já secou? - Sim. Já secou.
Tome. Vista-se.
Bartolomeo! E Vittorino, Alfonso, todos os outros?
Não conseguiram.
"Quando dizem meu nome, não estou mais aqui".
O silêncio.
O Grand Hotel.
Guido.
Guido.
- Temi o pior. O que houve? - Eles são meio doidos!
São meio doidos, Bartolomeo. O capitão que nos inspecionou...
é amigo meu, eu o conheci quando era garçom.
Ele disse que haverá um jantar para os oficiais e suas famílias.
Pediu que eu trabalhe de garçom nesse jantar.
Talvez queira me ajudar. Quem sabe ele nos tira daqui.
Josué.
Josué?
Bartolomeo, você viu Josué? Como?
Josué!
- O que está fazendo aí? Saia! - Não.
- Mandei você sair! - Não.
Como, "não"? Saia, venha com o papai.
Olhe só, você se sujou todo!
- Agora, quando... - Onde estava?
Já falei, eu precisava terminar de jogar cartas...
Eles fazem botões e sabão com a gente.
- O que está dizendo? - Queimam a gente no forno.
Quem disse isso?
Um homem estava chorando e disse que vamos virar botões e sabão.
Josué, e você caiu nessa? Caiu outra vez?
Sempre achei você esperto, inteligente!
Botões e sabão feitos de gente? Seria o cúmulo dos cúmulos! Ora!
Você acreditou?
Imagine! Amanhã vou lavar as mãos com Bartolomeo, ensaboar bem...
depois vou abotoar Francesco...
Porca miséria! Olhe só! Caiu Giorgio! Isto seria uma pessoa?
Ora! Contaram uma lorota, e você acreditou? Botões e sabão!
- O que mais disseram? - Que assam a gente no forno.
Queimam a gente no forno.
Queimam a gente no forno! E você acreditou!
Contam cada coisa pra você!
Já ouvi falar de forno a lenha, mas forno a gente nunca vi.
"Está faltando lenha! Pegue esse advogado!
Esse advogado não queima, está verde, olhe só quanta fumaça".
Josué! Botões, sabão, queimar no forno...
Vamos falar de coisas sérias.
Amanhã tenho uma corrida de saco com os maus.
Chega, papai. Quero voltar pra casa.
- Agora? - Já.
Mas está chovendo, você vai ficar com um febrão.
Não me importa. Vamos!
Tudo bem. Já que você quer.
- Vou pegar tudo, e vamos embora. - Podemos ir embora?
Claro! Não está pensando que obrigam alguém a ficar aqui?
Seria o cúmulo! Isso eu queria ver. Vamos fazer as malas...
e ir embora. Vou pegar tudo. Pena, estávamos na frente.
Vamos nos retirar, sair do jogo.
Tudo bem, o tanque de verdade vai para outro menino.
Não tem outras crianças. Fiquei sozinho.
Como assim? Isto está lotado de crianças!
- Onde elas estão? - Estão todas escondidas!
Não podem ser vistas. Este é um jogo sério.
Não entendo nada neste jogo. Quantos pontos nós temos?
687, já falei mil vezes. Mas tudo bem.
Vamos embora.
- Estamos na frente, mas se você... - Estamos na frente?
Estamos, já falei. Claro. Mas estamos indo embora.
Vi a classificação, estamos na frente, mas tanto faz.
Tchau, Bartolomeo! Eu e Josué vamos embora, cansamos.
Escute, você viu que o tanque está pronto, não?
Antes de dar a partida, limpe as velas de ignição...
e puxe o afogador, senão o canhão emperra nas esteiras...
e a metralhadora... Viu que lindo ficou o canhão?
Tudo bem. E abaixe o freio de mão.
Nós vamos embora. Josué quer sair do jogo.
Íamos voltar de tanque, mas vamos voltar de ônibus, dá no mesmo.
Tchau, vamos embora! Até mais, rapazes! Cansamos, vamos sair.
Venha, Josué, vamos perder o ônibus. Até mais, rapazes!
Josué, vamos!
- Vamos! - Está chovendo, vai me dar febre!
Josué!
Josué, sou eu! O papai!
É importante, rápido!
- Ele fugiu de mim o dia todo! - Tem mesmo um menino aqui?
Um? São uns dois mil! Parecem ratos, ficam escondidos!
Querem o tanque, esses danados! Pare aí! Espere!
Acho que o vi. Deve estar aqui perto. Venha. Olhe ali.
Veja se ele está escondido lá dentro. Vou esperar aqui.
- Papai, ele está lá, está lá! - Como ele é? Louro?
- Sim. - Então é ele! Chama-se Schwanz.
Há três semanas, ele está lá. Era o segundo colocado. Já o eliminamos!
Vou acabar achando os outros.
- Quantos são? - Parecem vespas, são muitos!
Estão todos escondidos!
- Papai, olhe! - Era um esconderijo!
Visto, visto, visto, eliminado! Vamos embora!
- Porca miséria, ela nos viu! - Fomos eliminados?
Não. Ela está vindo buscar você.
Agora começa o jogo do silêncio! Entendeu? Não pode falar. Jure!
- Jure! - Juro.
Muito bem.
Eles falam esquisito, não dá pra entender. Não diga nada!
Se passarmos nesta prova, o prêmio é nosso. É a eliminatória final!
É o jogo do silêncio! Fique em silêncio, entendeu? Em silêncio.
- Por que está com as crianças? - Eu ia...
Quieto! Não deve falar nunca, entendeu?
Juro.
Preciso falar com você. É muito importante.
- Onde? Quando? - Farei um sinal mais tarde.
Obrigado!
- Obrikado. - Não "obrikado"! "Obrigado".
- Obrigado. - "Obrigado".
"Obrigada".
Já disse que não deve falar com as crianças!
Doutor, minha esposa está aqui também.
Devagar. Coma devagar, Josué, vai passar mal.
Estamos na frente. Talvez possamos ir embora antes.
Sim, o jogo terminará antes do previsto.
Não erre agora que estamos em primeiro lugar. Devagar.
Certo, Guido. Preste atenção.
"Sou bem gordo e muito feio, de um amarelo sem par.
Pergunte-me onde estou, e só digo 'qua-qua-qua'.
Caminhando, faço 'po-po'. Quem sou eu? Adivinhe só".
O patinho, certo?
É o patinho?
Pois não é!
Foi enviada por um veterinário amigo meu, de Viena...
e não vou poder mandar a minha até que eu mate esta!
Já pensei no ornitorrinco...
mas ele não faz "qua-qua-qua". O ornitorrinco faz...
O ornitorrinco.
Eu a traduzi para o italiano para você esta noite.
E então? O que me diz?
Tudo aponta para o patinho!
Ajude-me, Guido.
Pelo amor de Deus, ajude-me.
Não consigo dormir.
É o patinho!
Josué! Josué! Venha! Aqui!
- Venha, desça aqui! - Estou com sono.
Venha, Josué. Isso. Vamos.
Onde estamos? Talvez eu tenha errado o caminho.
Isso, Josué, durma, tenha um sonho lindo.
Talvez seja tudo um sonho mesmo. Estamos sonhando, Josué.
Amanhã a mamãe vai nos acordar...
e preparar duas xícaras de café com leite e biscoitos.
Vamos tomar café, e depois vou fazer amor duas ou três vezes.
Se eu aguentar.
Com licença. Bartolomeo!
Chamaram esses dois oficiais 20 vezes. Acho que fugiram.
- Entendeu mais alguma coisa? - É preciso saber alemão? Não vê?
Acabou a guerra, todos estão fugindo.
- E aonde vão esses caminhões? - O importante é não subir neles.
Saem cheios e voltam vazios. Entendeu aonde vão?
E as mulheres? O que está havendo? É melhor sairmos do alojamento...
senão morreremos feito ratos! Nem precisamos fazer as malas!
Há horas ouço tiros e cães latindo. Acho que querem matar todos.
Bartolomeo, eu vou embora. Nos vemos em Viareggio.
Vamos abrir uma fábrica de bigornas. Adeus, rapazes!
Josué, veja! Veja como estão zangados, estão fulos!
Viu? Estão procurando você! Tudo isso é por sua causa!
Você é o único que falta achar! Olham até debaixo das pedras!
Viu que coisa? Amanhã o jogo acaba, haverá a premiação.
Se não acharem você hoje à noite, marcaremos 60 pontos!
- Quantos pontos temos? - 940 pontos. Mais 60?
- Mil. - Os primeiros. Vencemos.
Nossa, como procuram você, estão furiosos! Não vá errar agora!
- Vá para a casinha, rápido! - Mas Schwanz está lá.
Quem?
Schwanz, aquele menino louro.
É verdade. Não, ele foi encontrado ontem e eliminado.
É o lugar mais seguro, ninguém olha, Schwanz estava lá.
Vamos! Rápido como um raio! Um, dois, três! Vamos!
Depressa, entre aí! Pra dentro!
Tome o cobertor, pode sentir frio.
Volto daqui a pouco, Josué. Tchau, vou despistá-los!
Vi o menino indo para lá!
- Papai, você me mata de susto! - Dê-me o cobertor. Está com frio?
- Não. - Então me dê também o casaquinho.
Vou colocá-lo numa árvore para despistá-los.
Precisa ver como procuram você!
Todos gritam: "Onde está Josué?" Dizem palavrões...
estão fulos da vida, ninguém consegue achar você!
Tchau, volto daqui a pouco.
Escute, Josué, se eu demorar muito para voltar...
não se mexa. Não saia daí.
Você só deve sair... ouça bem... quando houver silêncio total...
e você não vir mais ninguém, por segurança. Repita.
Só saio quando todos forem embora.
Muito bem, cabeça-dura.
Tchau, Josué.
Vão embora. Vá embora, cachorro! Vá embora!
Sai, cachorro! Sai!
Vá embora, vá embora, cachorro. Vá embora, vá embora...
Muito bem, Ferruccio. Funciona.
Dora. Dora!
Alguém se chama Dora? Dora!
Dora! Você está aí? Sou eu, Guido!
Sei que tem gente escondida aí! Alguém se chama Dora?
Alguém se chama Dora aí? É italiana, é minha esposa!
- Há uma Dora aqui. Dora! - Dora! Sou eu, Dora!
- Quem é? - Não, não é ela! Há outra Dora?
Assim que o caminhão sair, desçam, saiam correndo!
Depressa!
É verdade!
Olá, menino.
Está sozinho? Qual o seu nome?
Não está entendendo, certo? Vamos levar você, venha.
Vamos, suba aqui.
Vamos!
Isso.
Mamãe!
Pare!
Mamãe!
Essa é a minha história...
Mamãe!
...o sacrifício que meu pai fez...
Josué!
...o presente que ele me deu.
- Ganhamos! - Sim, ganhamos!
- Josué. - Mil pontos, é de morrer de rir!
Os primeiros colocados! Vamos voltar pra casa de tanque!
Ganhamos!
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