All language subtitles for A.Faca.e.o.Rio.1972

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Original subtitles

Até que enfim está chovendo.

Tá bom.

Sabino, me dá água.

Me dá essa bucha aí.

Vai ser preciso mudar a cerca, doutor.

Seu filho Diodato lhe ajuda.

Já tá homem feito.

É muito trabalho, doutor.

Diodato por hora ainda nem mussou.

Leve o pessoal que quiser.

Depois da grande cheia nunca mais se arranjou nada.

Mas há três anos... Foi a obra no Buriti só.

Ah, é verdade, João.

Oito anos, doutor.

Diodato tinha dez e tanto.

Menininho. Foi naquele ano que eu peguei nele pra minha casa.

Você não quer levar o fuzil, João?

Não, doutor. A faca me basta.

Fuzil é pra doutor mesmo.

Sozinho.

Fiquei sem terra, sem dinheiro e menino muito.

Só mulher tinha oito.

Criei tudo.

Ando aí pelo mundo.

Hoje minha casa tá sozinha como tapera e triste como o choro de mãe da lua.

Criei sem terra e sem dinheiro que me desse o que de comer pra eles.

As terras vendi para pagar a médica e o hospital.

Não me arrependo.

Era a mãe dos meus filhos.

Fiz o que pude para não ficar viúvo.

E agora lhe digo, com o senhor falo sério que é meu patrão.

E mais do que isso.

Não sei como agradecer o que o senhor tem feito por mim.

Mas o senhor sabe, conheço ela desde menina.

Estive lá pela casa deles quando juntei um dinheiro para comprar umas terras.

Arranchei-me com o pai dela.

Os corpos que levava emprestei a ele para ver se se livrava da ambição de um

tal de Juca, que, sendo dono de todo o município, tinha botado o olho na terra

pouca do compadre João.

Não emprestei nada.

Dei o que levava e mais tinha dado que ele tinha mais precisão.

Injustiça me dói.

Mas de nada adiantou que o coitado morreu na cadeia.

Dizem que com os braços e as pernas partidas, que nem nosso Senhor Jesus

Cristo.

A mulher, essa não largou o seu homem.

Me disse o doutor Dario que viu ela subir na calçada de barriga grande, ao

menos para ver o pobre coitado.

E o soldado derrubava ela com um fuzil.

Quando soube, já não adiantou de nada.

E que pode o pobre contra a justiça do rico?

João, eu não sei o que dizer.

Você é um homem velho, mais velho do que eu.

A moça é nova, tem metade da minha idade.

Você está se arrecando muito.

Só fico com cuidado porque você é um homem sério.

Mas ela é bonita e impetuosa.

Doutor, ou compro poldro novo ou cavalo velho não compro.

Fui casado com mulher velha.

Se agora fizesse o mesmo, estava mal.

Você não sabe o que é uma menina de 18 anos.

Ela está com 20.

João, olha bem.

Pensa no que você está fazendo.

Na sua idade, a gente não casa para desmanchar no outro dia.

A gente tem de dar o exemplo e respeitar o sacramento.

Doutor... Não vou caçar tatu velho que não cozinha mais.

Peguei um ruim.

Pego o melhor?

Largo nunca.

João, você já não é mais criança.

Larga sim.

Depois deixa a viúva nova e bonita.

Sou da raça de índio.

Minha avó foi pegada a laço nas terras de pão de açúcar.

Vou viver mais velho que o velho Joaquim.

Que tá de cabeça branca, ainda tira mel de jataí.

Tem muito caboclo novo por aí rondando a Maria.

Mulher sabe o homem que tem.

Mas se as coisas não der certo, doutor, não mudo de mulher, não.

Prefiro mudar de terra.

Não fala nisso, homem.

Para um casamento ser bom, basta que dois queiram.

Mas queiram mesmo.

Você quer, eu estou vendo.

E a Maria?

Ela quer também?

Quando está perto de mim, quer.

Mas não sei se o senhor conhece uma dona Ana.

que foi cozinheira do Palácio do Governo em Teresina.

Pois a mulher veio passar uns tempos aqui.

E ela até se dava comigo noutros tempos.

Mas não é que não larga a cabeça da menina com a conversa de velho pra aqui,

velho pra ali, como se ela própria não fosse velha como eu.

Mas afinal, a moça quer ou não quer, João?

Doutor, mulher não quer casar?

Casa. Na cama costuma.

Mas a Maria quer ou não quer, João?

Ela lá tem coragem de negar.

Casava com ela, doutor.

Nem que outro tivesse conhecido e tivesse na casa do sem jeito.

Nem que não servisse para ninguém, para mim servia.

Eu dado, já faca.

Olha por ele.

Olha pela mulher dele que é moça e bonita e sabe que é moça e bonita.

E João só não é velho na força.

Tem amor de velho, ciúme de velho.

Até o padre falou zangado na igreja quando viu Maria.

Maria foi se confessar.

As mangas eram cavadas. Fez o pelo sinal.

O padre olhou.

Disse, não confesso o braço.

E Maria, não vim confessar braço, mas pecado.

Braços de Maria que nem deixam o padre rezar.

Santo Antônio que casou João e Maria.

Olha por João.

Olha por Maria.

Como vai Maria?

Quando é que chega menino por lá?

Então, João, o que resolveu?

Quer mesmo ficar com o Maitá?

Doutor, deixe pelos quinhentos.

A terra é pouca, fica longe da lagoa.

Eu é porque quer me ir embora.

Não estou me dando bem, não.

Maria é bonita, é moça.

Tem muita festa por aqui.

Doutor, deixe pelos 500.

Ora, João, você está ficando rico.

Doutor, não diga isso não, doutor.

Eu gosto do trabalho.

Mas o senhor bem sabe que o pão do pobre é o trabalho.

Deixa de conversa, João.

Quantas onças você já matou este ano a 10 mil reais cada uma?

53, seu doutor.

E tudo pegado a faca?

Todas elas, seu doutor.

Doutor, resolva logo.

Maria ficou sozinha em casa.

Está bem, João, eu vendo.

Mas só por ser para você.

Mas você me traz dinheiro ainda hoje.

E pede a Maria que venha ajudar amanhã na festa de chegada do doutor Tavinho,

do Amazonas.

Doutor, o dinheirinho já trouxe, senhor, sim.

Dê licença.

Dinheiro em saco?

Por isso é que dizem que você gosta de juntar, que tá rico.

20, 40, 60,

80... Que conversa é essa de contar dinheiro pra mim, João?

Você contou, tá contado, homem.

Levanta, bicho

Deus te abençoe.

E seu pai?

Ficou pegado na rocha.

Mas sexta-feira talvez apareça com Maria para a profissão do encontro.

E menino, Deodato?

Quando vem?

Isso é com o pai, doutor.

Desgosto dele.

Que foi que você entregou a Maria?

Diga, meu filho. Estou mandando.

Vamos ver.

Estou esperando.

Só posso dizer que não era de mal.

Como posso saber se você não disse?

Prometi não dizer.

Não digo nem ao senhor que me criou.

Pois como pai, eu lhe desligo desta promessa. De promessa só quem desliga é

Deus. Desligo eu que sou pai.

E tem o mando que vem dele.

Diga-se, não se arrepende.

Não diz porque não sou seu pai de verdade.

Só de criação.

Mas se arrepende.

Para mim é pai mesmo.

Mas não sou homem de quebrar a promessa.

Não digo.

Meu Deus, o que é isso?

Não é sexta-feira santa?

Meu Deus, que desgraça! Seu João, seu filho!

Não é mais meu filho.

Tome conta dele.

Anda fazendo coisa escondida.

O senhor está louco e se desconfia de mim.

O que Deodato trouxe foi esse castigo novo para eu dar ao senhor.

E o cavalo?

Deu dança?

A rede dele não está mais aí.

O pai está aí?

Ora, João, na sua idade não se precisa mais ficar rico.

Não quero dinheiro para mim, mas para dar vida de moça rica, Maria.

O senhor vai pensar que ela precisa de um filho.

Não diz por delicadeza.

Mas o que é que eu posso fazer?

Ainda sinto o paladar da mocidade.

Mas com Maria eu não sei o que há.

Até fomos junto a São Raimundo dos Mulundu.

Não adiantou.

Vou dar uma compensação a Maria por ter casado com homem velho.

João, já que você foi franco, eu vou ser também.

Gente velha não larga mulher moça e sem filho no meio dessa rapaziada toda que

anda por aí.

Tem muito vaqueiro novo e bonitão.

Doutor, mulher de caboclo de vergonha não engana marido.

João, quem mata onça agora?

A onça está se acabando.

E Deodato?

Deu notícia?

Deodato afundou no meio do mundo.

Não deixou nem sinal.

João, e se você não ficar rico?

Fico, doutor, fico.

Nunca perdi nada que me imiti.

Nunca deixei de conseguir o que queria.

Mas se não enricar, não volto, não.

Aí o senhor me faz uma coisa.

Tome conta de Maria.

Não deixe ela casar com um homem novo demais, não.

Ela precisa de apoio.

Eu só quero é um pedaço de chão que seja meu.

Não aguento mais trabalhar para os outros.

Não quero muita terra que peça abraço de outro.

Pouco, mas meu.

Eu se vou porque é peritudo com a seca.

Eu vou só para enricar.

Vou em procura de uma terra em que chova todo ano.

Quando aqui começa a trovejar, me dá vontade de voltar voando.

Que ideia foi essa, seu João?

Um homem velho como o senhor, numa aventura dessas?

Quero ficar rico.

Vou dar a Maria a vida de moça rica.

Ir para o Amazonas é pisar no fio da balança da morte.

Por que não trouxe Maria para ficar aqui com a gente?

Não, isso não.

Ela tem um sítio para cuidar. É mulher casada, tem a casa dela.

Não lhe falta nada.

Vou mandar buscar minha filha.

Não vou deixá-la sozinha naquele sertão de onça.

Pense nisso não, dona.

Ela agora não é mais sua filha. É minha mulher.

Faça isso não, senão as mistérias se arrependem. Ela vai passar fome.

Deixei dinheiro com ela.

Antes de ir, eu não estou de volta.

Rico.

Ainda não tenho bastante dinheiro.

Obrigado, compadre.

Cigarra aumenta a saudade na gente.

Ora.

Você anda bebendo, compadre.

Rosa viu você hoje.

Achou você um velho bonitão.

Vamos lá, Sr. João.

Vai ver que tua mulher é saudável.

Não repita isso outra vez, compadre.

Dá pra fazer muita coisa.

Mala, baú, até bainha pra sua faca.

Gado bonito é boi, é boi.

Gado bonito é boi, é boi.

O que é isso, companheiro?

Um homem chorando?

Eu sofri tanto.

Se morrer aqui, minha alma não terá vergonha de voltar.

Está limpinha, limpinha.

Se me derem passagem, eu volto, ainda que seja para morrer no dia que chegar.

A ferida assara, mas a dor fica.

Não aguento a imaginação.

Não aguento, não.

Não amanço nunca.

Não me acostumo.

Quem vive no inferno se habitua com cão.

Só volto com muito dinheiro.

Coberto de conto de réis.

Nem parece verdade.

Quatro anos.

Mateus de Seringal Camusim diz que a bebida lá dos índios é boa mesmo.

Está bem, compadre.

Nós vamos.

É a despedida.

Vamos!

Está rico, hein, compadre?

Uma corrente.

Dá melhor.

Uma primeira classe para São Luís.

Vamos pentejar, compadre?

O que é que eu tinha do Panaíba?

Muito velho, mulher.

Ele não tá velho do corpo todo, não. Você só tá vendo uma cara dele aí.

Deixa de turismo.

Quatro anos.

Ela pensa que você já não vai voltar mais. Já te arranjou.

Já te disse para não repetir isso outra vez.

Vou te capar, seu velho sapato. Filho da puta.

Levanta para morrer.

Não faça isso, rapaz.

Estou muito feliz em ter pegado somente esses dias de hospital e de cadeia.

A sua sorte é que o seu companheiro, o Zeferino, também é de ferro e já ribou.

Homem de bom coração.

Chegou a pedir pelo senhor.

O senhor fica devendo a sua liberdade ao governador que é lá da sua terra.

O senhor é muito valente.

Brigou com o cabaré inteiro.

Mas um conselho eu vou lhe dar.

Nunca mais ponha o pé no Amazonas.

Quatro anos.

Pensei que você não voltava mais.

Tive de largar tudo.

Vim morar com mãe.

Viaja todo como tá.

Você se lembrava de mim, Sr. João?

Voltou por minha causa?

Bebi cativo de um só pensamento.

Um corpo de mulher num pensamento.

Pior do que preso.

Estou desapertado, gente.

Trouxe um presente aqui pra minha companhia.

Seu João, guarda para mim.

Vamos voltar para São Francisco.

Essa menina tem sido o consolo dela.

Você se lembra da Luisa?

Fugiu de casa e deixou a menina.

Maria está criando e se pegou com ela.

O senhor deseja alguma coisa?

Quero uma faca.

Coisa fina.

Tem outras?

Essa faca é para te matar.

Não diga isso nem de brincadeira, compadre.

São 200.

Pedi o melhor, compadre.

Não perguntei preço.

Para o que vai ser, não tem preço.

Venha, senhor.

Deus te abençoe, minha filha. Deus te faça feliz.

Se alegre, moça.

Vocês não vão pra muito longe.

O seu João.

Não há de querer que a gente passe sem viver.

Os mesmos quatro anos, o seu João ficou no Amazonas.

Vamos, Maria.

Vamos para a sua casa, dona.

Você agora não precisa viver mais em casa alheia.

Nem que seja com sua mãe.

Nem precisa dar seu nome a filho do seu.

O senhor tem uma faca? Tem, sim, senhor.

E a faca nova, seu João?

Você esqueceu?

E a menina, aonde ficou? Está boa, bonita?

Está doente não, está bem.

Ficou com mal. Me disseram que o seu João ia voltar.

Está muito rico.

Vai ver que aquele miserável já voltou. Ele tem punhal.

Ele vai me matar.

Que conversa é essa, menina?

Isso é conversa de gente?

Matar? Ele matou a mãe dele.

Não está, comadre.

Seu João voltou, gente.

Está rico.

Parece até doutor formado.

De corrente de ouro, hein?

Anel de brilhante no dedo.

Que história é essa de fato?

Eu sempre disse a Maria que não casasse com você.

Você não merecia ela.

Mas agora parece que teu ciúme te endoidou. Se tivesse de morta, dona Ana.

Brincadeira de velho.

Brincadeira. Bem que eu te conheço com umas palmas das minhas mãos.

Mas isso não fica assim, não.

Te dou o ensino que te cura.

Velha dos diabos.

Tu não te mete com a vida dos outros.

Olha, eu te aviso.

Deixa a minha vida de lado.

Poxa.

Você está com o cão no couro.

Olha aí, o padre Lopes.

Vamos ver. Vai falar com ele para te benzer.

Então, já está de volta?

Está rico?

Rico não digo, padre.

Mas desapertado.

E a mulher?

Como achou?

Vou levar para um lugar de onde a gente não se separa mais um do outro.

Ué, gente.

Onde se meteram essas donas?

Isso você acha.

É bicho de saia.

Mulher e padre não se pode confiar.

Sempre fui contra o casamento.

Não cansei de avisar.

Moça nova demais não casa com homem velho... Deixa a moça falar, dona Ana.

Ele disse que vai lhe matar.

Ele tem um punhal.

Ele vai me matar.

Vou mandar buscar o homem.

Beleza.

Doutor, a faca é um presente para o meu compadre.

Tudo mais é romance dessa dona.

Desde quando o homem não pode possuir um punhal?

Estou rico, doutor.

Podia ter ficado no Amazonas no bem bom.

Mas voltei porque gosto da minha mulher.

Já comprei passagem.

Quinhentos e tantos mil réis.

E não estou olhando despesa para dar conforto a ela.

Mas vem essa dona... Dona Ana, não me traga mais fuxico de mercado.

Não me faça perder meu tempo.

Volta pra junto dele.

Volta e não te arrepende, sua idiota.

Que ele termina mesmo te matando. Você sabe lá o que é esse filme de velho?

Mato ela e mato você, sua cara que você envergonha.

Bicha que não espera o dono dentro de casa.

Pensa-se que enricou, pode fazer tudo o que quer.

Quer mandar em tudo?

Quer tirar a vida da mulher com umas onças que tu matava? Pra quem foi casar

com mulher, não?

Olha, vou te dizer.

Não adianta querer impedir.

Não vê que não adianta?

Tu nunca me viu mentir.

Viu hoje.

E digo mais.

Não vou matar de tiro, não.

Mulher ordinária, a gente vira de costa, dá um pontapé e joga fora.

Mas ela não é uma qualquer.

É minha mulher.

Mato de faca.

Mato de faca!

A faca já comprei, é verdade.

Mas não vou matar ela aqui, não.

Fique descansada que ela só vai morrer quando chegar dentro de minha casa.

Nossa casa.

Que ela não quis.

Mata não.

Mata nada.

Vou falar com o governador, vou falar com a dona das dores, com quem for

preciso.

Isso não fica assim.

Tu que precisa de uma boa pisa de imbigo de boi nos dias de cadeia.

Se o doutor tivesse dado um chá de xadrez, quando houve aquilo...

O Diodato não estava sumido neste mundo de Deus para nunca mais ter a notícia

daquele inocente. Vai se meter com sua vida, velha mexeriqueira.

Intrometida. Filha da puta. Filha da puta é você, assassino.

Ele mata ela.

Ele mata ela.

Dona Ana, quem vai acreditar?

Se ela recebe realmente alguma coisa, por que não foge?

Seu governador, o senhor não conhece aquele gente. Mas como pode a polícia

oferecer garantia de vida ao primeiro que se diz ameaçado? E se crime há, por

hora só em pensamento.

E a gente do Maranhão, fora da minha alçada?

Há uma vida humana em jogo.

Com vida de gente não se brinca.

Não tenho meios.

Não posso garantir a vida de ninguém.

Nem mesmo a mínima.

Das dores?

Veja esta carta.

Você tem razão.

Esse velho com ciúmes é ainda capaz de fazer alguma loucura.

Esse telegrama é para mandar urgente.

Governador, depois das seis horas as estações não atendem mais, não.

Mas tenta.

Não adianta, capitão. Só mesmo amanhã. Eu bem que disse, governador.

Deixa ficar que eu mando.

Maldade sem jeito.

Sangrei foi de pena.

Vicente. Oi, seu João.

Você fica com ele. Quer pesar umas cinco arrobas, hein?

Me asse o fígado na brasa, pra minha mulher comer.

Ajudantes do governador me disse que ainda não chegaram em São Gonçalo.

Estarão encalhados por aí.

Duas!

Duas quatro!

Duas seis! Duas oito!

Salão!

Duas!

Duas quatro!

Duas seis!

Para! Para!

Não era ladrão, não!

Deixou um bichinho pra gente!

Miséria dessa terra.

Puxa vida, que gente ruim.

Se for mulher, melhor que morra logo.

Antes que faça a desgraça de alguém.

Tome. Você deve beber.

Beba.

Outra vez.

Amigo, faz três dias que ele não sai.

Cuidado!

Você foi mais forte que a Sessão.

O senhor compreende?

Minha mulher está muito doente.

Está com muita dor de cabeça.

Olha aqui os incomodados que a gente muda.

Você aqui fica mais à vontade, Maria.

Tem menos gente.

Sim,

é melhor mesmo, seu João.

Eu não me ajeito para dormir em cama.

Olha, cumpadre.

Tenho um presente para você.

Comprei para um piquetinho justo.

Penso mais nele, não é?

A faca é sua.

Coisa cara.

Você, cumpadre, me ajudou a tratar da mulher.

A faca é sua.

Obrigado, pegão.

Já ouviu falar num tal de João que enriqueceu no Amazonas?

Parece que é gente daqui mesmo.

Esse homem é amigo do juiz de direito do outro lado do Rio.

É preciso ter cuidado.

Mas você sabe que o governador é um homem capaz de fazer um barulho de 600

diabos. O capitão Clóvis que me traga aqui o João e mais a mulher.

Para toda mulher, um.

Seu doutor juiz, peço que o senhor ouça os passageiros do vapor.

Eles são testemunhas que quase me matei de trabalho para salvar minha mulher do

empaludismo. E agora matar ela de faca?

Não faz sentido.

Doutor, ouça os passageiros.

Mas o culpado sou eu mesmo.

Foi depois de uma brincadeira minha.

Brincadeira de velho ciumento que deu essa mania na moça aqui.

E teve uma velha interesina, com pé de onda má palavras que é o doutor Júnior.

Uma velha mexeriqueira, sem vergonha, alcuviteira, que inventou essa intriga

toda.

Sou homem que nunca fui na cadeia.

Voltei do Amazonas rico.

Nota de 50 pra mim vale a mesma coisa que 10 custões.

Voltei por causa da mulher que não vi há quatro anos.

Não sou de matar, não, moço.

Matar só onça e bicho do mar.

Doutor, o senhor pode ouvir o doutor Juiz de São Francisco, que é colega de

vossa senhoria.

Ele sabe quem sou eu.

É meu compadre.

O senhor quer saber mais de uma coisa?

Sem nem mesmo adivinhar que o fuxico daquela nega em Terezinha tinha longe.

Ontem mesmo, eu dei a faca para o cozinheiro do vapor, o Vicente.

E a senhora, dona, o que é que lhe deu?

Ele tem uma faca.

Não compreendi.

Mais alto, dona.

Ele tem uma faca.

Eu tinha fome.

Virgem Maria, o que o senhor tem, seu João?

Senhor Vicente, me perdoe.

Preciso da faca.

Mas claro, seu João.

Não tem nada não.

Me lembrei que ia precisar.

Assim provo melhor a minha amizade, compadre.

A senhora que está amada, dona.

Maria! Você voltou?

E seu doutor? Está na casa. Vai dormir na fazenda nova.

O João vem vindo aí.

Vi logo que você vinha esperar por mim aqui, Maria.

Cadê o doutor?

Como está, Sabina?

Cadê o doutor? Está na caça.

Bom, a gente depois vê.

Seu João, posso ir na igreja me confessar?

Isso é coisa que se nega a um cristão, dona?

Ele não vai fazer uma malvadeza dessa com você.

Ele disse que não.

E você o conquistará com seu amor, com sua dedicação.

Seu dever de mulher é acompanhar o marido.

Isso é ciúme de velho, mas passa.

Paixão de homem velho por mulher nova.

Eu sou...

Aconteceu uma desgraça.

Desgraça maior que podia haver.

Acabei de matar Maria.

Pegaram 20 anos de cadeia.

João preza um jeito de dizer.

Passava o dia solto.

Havia, porém, uma ordem.

João não podia andar armado. Não devia andar armado.

Mas andava.

Um dia outro preso brincou com um velho.

Disse coisas de mulher da vida que João não gostava.

Falou mal da morta.

O preso matou João para não morrer.

João ia morrendo devagar.

Mandou-me chamar e disse... Doutor, tenho o dinheiro que o senhor está

guardando para mim.

Mande-me enterrar com decência.

Junto com ela...

Em chão de Deus.

E se der sobra mande botar uma pedra e uma cruz por cima de nós.

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