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LAKSHAGRIH - HÁ 25 ANOS
A arder, a derreter,
a perder laca.
Somos meros bonecos de cera.
- Nascemos puros e inocentes. - Vamos.
Depois, devagar, o calor do tempo queima-nos,
derrete-nos e acaba por nos transformar em cinzas.
No entanto, é a luz deste fogo
que nos mostra o caminho a seguir.
Arjuna, vamos.
- Vamos. - Arjuna, cuidado.
Que alívio! A luz não está longe, filhos.
Eu suspeitei de Duryodhana
mal ele sugeriu celebrar o aniversário da morte do pai
aqui em Varnavrata.
O aniversário da morte do pai e o nosso funeral.
Duryodhana planeara-o.
Mas ao incendiar Lakshagrih, demos uma resposta adequada.
Os Pândavas acreditavam
que tinham escapado ao perigo incendiando Lakshagrih,
mas o perigo aguardava-os lá fora
na forma de alguém cuja linhagem viria a alterar o destino de Kurukshetra.
Não disse, guru, que após o pôr do sol, a batalha deve cessar?
Onde estão os ideais nobres dos Pândavas? E as regras da guerra?
Uma noite, até as tuas regras e ideais
derreteram como cera sob o fogo, Duryodhana.
Lakshagrih.
Sei o que está a insinuar, guru.
Só uma vez.
E essa tentativa também falhou.
Que braseiro temível.
Como começou este fogo, irmão Hidimba?
Ainda bem que começou.
Esta noite assaremos a carne nesta fogueira.
Comida.
Cheira-me a humanos, Hidimba.
Aquele forte será a minha refeição.
Vai, Hidimba.
Trá-lo até mim. Vai!
Precisamos de descansar.
Só os demónios e camaleões podem mudar de forma.
Mas os Pândavas revelaram a verdadeira natureza
quando mataram Jayadratha após o sol-pôr.
Vamos tornar-nos demónios e enfrentá-los.
- Mas temos de ser éticos! - Calma, Duryodhana.
O nosso comandante e as suas regras.
Nem parece uma guerra, mas antes que voltámos à escola do guru.
Atiras bem flechas de sarcasmo, Karna.
Porque não disparas flechas na batalha?
Ouvi que desejas derrotar Arjuna. Então fá-lo!
Mata Arjuna.
Atei-te as mãos?
Não me culpes pela tua incapacidade.
Se te sentes restringido pelas regras, infringe-as.
Se até o próprio Vasudeva Krishna passou dos limites,
quem somos nós?
Quer dizer, hoje…
Guerra noturna.
Eles começaram
e nós acabamos.
Glória ao comandante Dronacharya!
- Glória ao… - Traição!
Fomos atacados.
Os Pândavas vêm aí.
Os Kauravas só tinham tomado uma decisão, mas com a orientação de Krishna,
os Pândavas não só escolheram o caminho da guerra noturna,
mas também o seu líder.
Ao ataque!
À medida que a escuridão aumentava,
Kurukshetra começou a brilhar ainda mais.
Como se não fosse apenas uma batalha entre Pândavas e Kauravas,
mas um conflito entre as trevas e a luz.
A noite seria longa para ambos os lados.
Aqui é Kurukshetra
Aqui é Kurukshetra
A GUERRA DOS 18 DIAS
GHATOTKACHA
O que te disse o Senhor Krishna, Ghatotkacha?
Deu-me a sua bênção e disse que a noite me pertence e eu a ela.
O que significa?
Krishna disse: "Todas as noites são uma celebração para o dia seguinte.
A noite é assustadora e bela."
Como pode a noite ser bela?
Ele disse que encontrou o seu amor sagrado numa noite assim em Vrindavana.
É verdade.
Conheci a tua mãe, Hidimba, numa noite assim.
Quem está aí? Quem é?
Uma mulher tão bela no bosque a esta hora.
És real ou és um sonho?
Talvez um demónio?
Só uma mulher
que não controla o coração.
- Quem o controla? - Podes ser tu, humano.
A tua forma, a tua juventude e os teus olhos.
Assumi esta linda forma só para ti.
Não me aceitas?
Começou assim a história de Ghatotkacha, meio-humano e meio-demónio.
Hoje, tu e os meus netos nascidos de demónios
escreverão um novo capítulo dela.
Não se preocupe, pai.
Os meus poderes demoníacos são para batalhar sob as estrelas.
Não será só uma batalha. Libertarei um caos de destruição.
A própria morte dançará aqui.
Verão que o chão é estreito para fugirem e o céu é apertado para se esconderem!
Meu Deus! Quem é Ghatotkacha, Sanjay?
O tal que não paras de glorificar?
"Eu digo o que vejo."
Só falo do que vejo, Majestade.
O que estou a testemunhar é algo que nunca vi antes.
Quatro cavalos do tamanho de montanhas,
uma carruagem a rasgar os céus,
um temível abutre empoleirado nela
e uma bandeira vermelha ensopada em sangue a ondular ao vento.
Na carruagem está sentado Ghatotkacha,
ainda maior do que o seu pai Bhima,
como a encarnação da própria morte.
Fujam! Salvem-se!
Fujam!
Matem-no! Apanhem Ghatotkacha e matem-no!
Matem-no!
Matem-no!
- Fujam! - Salvem-se!
Fujam! Salvem-se!
Ghatotkacha. O teu nome significa "careca".
Porque te chamaram isso?
Ri-te à vontade, Ashwatthama.
Depois disto, não serás capaz de rir.
Vou deixar-te irreconhecível, vais temer o teu próprio reflexo.
Quando ele olhava, os ânimos esmoreciam.
Onde quer que Ghatotkacha passasse, deixava um cemitério.
Os Kauravas espalharam-se em pânico, a fugir para se salvarem,
e Duryodhana ficou impotente a ver aquilo a acontecer.
Mas será que Ashwatthama aceitaria a derrota tão facilmente?
A sua força vacilou perante o poder de Ghatotkacha.
Pai!
Em vez do corpo de Ghatotkacha, quebrou-lhe o espírito.
Ashwatthama atacou o filho.
Ghatotkacha, vê o sacrifício do teu pequeno demónio.
Anjanparva! Meu filho!
Tenho notícias da frente ocidental. Ashwatthama matou Ghatotkacha.
Não sabemos se está morto ou a respirar pouco.
Mesmo que volte a respirar, outros não o farão.
Viste aquilo a que ele sujeitou o meu sobrinho Ashwatthama.
E Arjuna? Que é dele?
Tanto medo do demónio e esqueceste Arjuna.
Ele é o eixo desta guerra.
Se ele cair, nem deus nem demónio poderá salvar os Pândavas.
Eu possuo uma flecha da qual nem Krishna pode proteger Arjuna.
A flecha Ekagni, do próprio Indra.
Só usarei essa flecha para Arjuna.
Arjuna, onde estás escondido? Enfrenta-me se és um guerreiro.
Para de te esconder atrás de Krishna.
- Avança! - Não, Arjuna.
Hoje não é o teu dia.
Devo ficar calado a ver os meus amigos a morrer?
Karna tem de ser detido, Keshava.
Claro que sim, Partha.
- Mas tu não o farás. - Quem, então?
Aquele que nasceu para este dia.
Olha quem está a regressar após vencer a morte.
Ashwatthama! Mataste o meu filho.
Chega desta guerra.
Hoje marca o fim para ti e para o teu exército.
Isto é terrível.
Foge se puderes, filho de Drona.
Temos de o deter, Duryodhana,
senão ele transformará Kurukshetra num inferno para nós.
Não te preocupes, Ashwatthama.
Se ele é o Inferno, temos o Senhor do Inferno do nosso lado.
Alayudha!
Procurei-te por todo o lado, Bhima. Mataste Hidimba.
Movi montanhas para te encontrar.
Manchaste o nome do nosso clã.
Avança, assassino.
Enfrenta-me!
Humano, leva-os a todos e sai daqui.
Tu e a tua família correm perigo.
Quem está aí?
Avança se tiverem coragem.
Há muito tempo que espero para te devorar.
Não posso esperar mais.
Veremos se me comes
ou se eu te mato.
Não, humano.
Irmão.
Ele era teu irmão?
Irmão, mãe, pai… Hidimba era tudo para mim.
Entendo a tua dor, Hidimba.
Mas se eu não o matasse…
Ele ter-vos-ia comido a todos. Eu sei.
Foi por isso que ele me mandou cá.
Para vos matar a todos.
Podias ter-nos matado. Porque não o fizeste?
Porque amo o teu filho mais do que a minha própria vida.
Diz-me, como posso matar a quem amo?
Mas agora sinto que tenho de abdicar da minha vida.
Porque dizes isso, pequena?
Não aceitarão um demónio como eu.
Porque não?
És uma criatura de Deus, tal como nós.
Que Deus te abençoe com um filho.
Com certeza que um dia o teu filho te deixará muito orgulhosa.
Podes procurar o meu pai depois.
Primeiro, salva-te de mim.
É o fim de Ghatotkacha.
Arjuna, seu cobarde, aparece!
Alayudha!
Como pudeste atacar a tua família, idiota?
Sou teu inimigo.
Se queres matar, mata-me a mim.
Antes disso tenta apanhar-me, seu elefante.
Eu esmago elefantes como formigas.
Ghatotkacha!
Uma prenda para o Príncipe Duryodhana, de Ghatotkacha.
Ghatotkacha!
O que foi? Não gostaste?
Espera, eu mando-te mais.
Acabarás por gostar de alguma coisa.
Que feitiçaria é esta, Karna?
Temos de o deter.
Já te disse, se quiseres ver a madrugada amanhã, mata Ghatotkacha.
Ninguém me levou a sério. Agora salvem-se.
Ghatotkacha!
Uma maravilhosa, aterradora
e espetacular batalha.
Destruiu todas as estratégias que Karna tinha planeado.
Karna, esquece Arjuna e detém Ghatotkacha.
Usa a flecha Ekagni!
Vá lá, Karna. Usa a flecha Ekagni.
Salva-nos, Karna. Por favor, salva-nos a todos.
Só posso dizer que no fim desta guerra, Arjuna estará de pé ou estarei eu.
Karna disparou a flecha Ekagni,
a flecha que recebera de Indra,
para matar Arjuna, filho de Indra.
Ghatotkacha tinha caído.
Os Kauravas celebraram.
Mas Krishna sabia o que Karna perdera.
O filho de Bhima está morto e estás a sorrir, Keshava?
Por ti, Arjuna.
Não digas mais nada, Keshava. Não quero ouvir nada.
Keshava?
Lembras-te do dia em que vieste ter comigo, Arjuna?
Hoje vim eu ter contigo.
Diz-me, Keshava.
Tens de ganhar esta guerra, Partha.
Não por ti nem por mim.
Nem mesmo pelo irmão Yudhishthira. Tens de a ganhar pelo dharma.
Se ganhares, o dharma ganha.
Se perderes, o dharma perde.
A flecha Ekagni que Karna usou hoje para Ghatotkacha era para ti.
Se tivesses sido atingido pela flecha, terias morrido.
Eu sorria por isso, Arjuna.
Porque sei que, enquanto estiveres vivo,
o dharma também estará.
Fui eu que impedi Ghatotkacha e Hidimba de sacrificar humanos.
E hoje sacrifiquei-o ao fogo de Kurukshetra.
De que serve um reino se o meu filho morreu?
Nunca vi pai mais egoísta.
Esta guerra ultrapassou há muito
o egoísmo, o altruísmo, o justo e o injusto, Bhima.
Só o tempo dirá quem tinha razão e quem estava errado
e só o tempo curará as tuas feridas.
Somos bonecos de cera.
Com um pouco de calor, começamos a derreter.
Após 14 dias de guerra implacável, Dronacharya estava cansado e desanimado.
Mas também estava feliz.
Porque ele e a sua linhagem
tinham sobrevivido para ver outro amanhecer.
Um amanhecer que em breve trará destruição.
Aqui é Kurukshetra, o campo de batalha
Eu sou a luz
E sou a sombra
Cujo fim
É a libertação da ilusão
Aproxima-te e funde-te em mim
O fim é o teu destino final
Em baixo está a terra, em cima estão as estrelas
Aqui é Kurukshetra, o campo de batalha
Legendas: Rodrigo Vaz
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