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Tudo bem, rapazes?
A verdade � que n�o se podem queixar.
Entregue a tempo e em boa forma.
Ol�.
- Como se portou a camioneta? - Lindamente.
Aos 110 km/h, o volante nem se mexeu.
E este brinquedo deve pesar pelo menos meia tonelada.
Tem monta-cargas?
E o cilindro?
V�o substituir este por um carregado?
Algo do g�nero.
- E ningu�m vai perceber? - Esperemos que n�o.
Villegas!
Entrem.
Anda,
vem comigo.
Ol�.
- J� comeram? - Sim, obrigado.
Como est�? Par�mos na estrada.
Com a carrinha carregada?
N�o houve azar. Fic�mos a v�-la pela janela.
- Est� tudo perfeito, ent�o? - Perfeito.
Nem as nossas mulheres sabem.
Dissemos-lhes que �amos pescar em Chascom�s.
Ent�o, ningu�m na cidade, nem na f�brica sabe de nada?
Com certeza que n�o.
Fizemos isto muito bem. Tivemos tempo para isso.
O Gauto foi transferido h� um m�s de Villa Maria
e ficou com umas c�pias das chaves.
E nos escrit�rios da cidade mud�mos os pap�is
e alter�mos os ficheiros.
Tudo perfeito e discreto.
�ptimo.
Recebem para a semana.
Perfeito.
E voc�? De certeza que n�o disse a ningu�m?
Est� t�o calado.
E tamb�m n�o contou do dinheiro que vai receber? Nem a um amigo?
A um colega de trabalho, a uma namorada?
A ningu�m.
Ent�o, �ptimo.
- Posso? - Sim. Serve-te.
Acalma-te.
Acalma-te.
S� quero que digas se mais algu�m sabe disto.
Juro que ningu�m sabe, Leboni�n.
Juro!
Explica-me uma coisa.
Por que n�o me dizes que mais algu�m sabe?
- Porque n�o contei a ningu�m! - J� sei que n�o,
mas por que n�o me mentes?
N�o viste o que se passou com o teu amigo?
Ele disse que n�o tinha falado com ningu�m e n�s mat�mo-lo.
N�o falei com ningu�m, Leboni�n. Juro pelos meus filhos.
N�o me est�s a ouvir.
Se me dizes que n�o falaste com ningu�m, mato-te. E pronto.
N�o quero testemunhas.
Mas se me disseres que falaste, n�o podemos matar-te.
Entendes?
Sim... Sim.
Falei com algu�m.
Pois �, mas agora n�o acredito em ti.
Lava isso com cloro.
O cabr�o continua a comer.
Cuidado.
Sim?
- Bom dia, Comiss�rio. - Por enquanto.
- Que jogo, ontem � noite. - N�o seja sabujo. Novidades?
N�o muitas. Dois carros roubados na rua Peru e um na Giuffra.
Nem me fales disso.
Assaltaram a casa a uma mulher e levaram-na a um Multibanco.
- Fizeram-lhe mal? - N�o muito. Uns murros na cabe�a.
- D� o caso ao G�mez. - Muito bem.
Na discoteca de San Juan y Piedras, dois porteiros espancaram um puto.
Foi ao hospital com uma hemorragia interna. Morreu esta noite.
Meu Deus! A imprensa vai atirar-se a n�s. Que pesadelo!
O dono colabora connosco todos os meses. Quer falar consigo.
Manda o Mancuso seguir o caso, mas quero v�-lo primeiro.
E a mulher de um militar participou o seu desaparecimento.
O marido foi pescar com um amigo para Chascom�s e ainda n�o voltou.
- Isso foi no s�bado. - Ent�o, pertence a Chascom�s.
N�o, porque ningu�m os viu l�.
Mandaram-na � esquadra mais pr�xima da casa dela.
Manda o Pontr�moli tratar disso. L� vem ele. Pontr�moli!
O Farina vai dar-te um caso de desaparecidos.
Dois militares que desapareceram no fim-de-semana.
Desculpe, mas n�o vai dar nada ao Diaz?
Porqu�?
- N�o sabe? - N�o sei o qu�?
O Diaz est� muito em baixo. N�o veio trabalhar quinta e sexta.
Encontrou a mulher com outro tipo, h� seis meses que o enganava.
Pens�mos que podia dar-lhe um caso, para o manter ocupado.
Sim, com certeza. Mas estar� em condi��es?
Est� a tomar comprimidos para dormir.
Mas podemos fazer o que fizemos quando o G�mez perdeu o filho.
P�r um psiquiatra a acompanh�-lo.
Falarei com o juiz para ver se h� um dispon�vel. Por mim, tudo bem.
O juiz n�o disse para eu dar palestras em escolas p�blicas,
ou trabalhar com pessoas com necessidades especiais?
A policia � um perigo, raptam pessoas.
Sim, claro...
�s o m�ximo!
Precisamente, "probation" significa uma suspens�o da pena.
Em vez de cumprir pena, posso fazer servi�o comunit�rio
num organismo p�blico... Dentro da minha profiss�o.
O processo c�vel continua, mas o crime fica encerrado.
Mas porqu� com a policia? O que querem?
N�o sei. Que cuide de um detective. Vou ver.
- A tua m�e telefonou. - O que queria?
Saber se vamos hoje para passar a P�scoa Judaica.
J� � a P�scoa Judaica? Caramba, os anos passam!
Queres que mande vir comida do "El Ciervo de Oro" e comemos aqui?
- Est� bem. Fazemos isso. - Se n�o queres, diz-me.
- Quero, querida. - N�o queres, ouve como falas.
Amor, estou a dizer-te que sim.
- Mas no fundo n�o queres. - Amor...
Quero muito que mandes vir comida e que fiquemos juntos.
E n�o te inquietes. Vai correr tudo bem.
Doutor, parece que...
o senhor foi acusado de...
Atropelar uma senhora.
Ela atirou-se para baixo do carro, mas os filhos processaram-me.
Ela saiu ilesa. Eu fiquei sem carro e sem carta. Uma vergonha!
Seja como for, o juiz informou-me que podemos contar com os seus servi�os.
Sim, � verdade. Do que precisava, exactamente?
Um dos meus agentes est� a passar um mau momento.
H� dias, descobriu que a mulher tinha uma vida dupla.
- Estava com outro homem. - N�o.
Disfar�ava-se de noite e ia combater o crime.
Desculpe.
Sim. Tinha outro homem, um colega de trabalho dela.
Meu Deus...
Desculpe, deu-me vontade de rir.
A quest�o � que ele seguiu-a e encontrou-os juntos.
Foi uma coisa muito...
- Uma situa��o muito traum�tica. - Exactamente.
A ideia era voc� come�ar a tratar o detective,
ajud�-lo a reintegrar-se no trabalho...
O pai dele era um bom amigo meu, � praticamente um assunto pessoal.
- Ele sabe que eu venho? - Sim, j� lhe falei disso.
Al� est� ele.
Diaz, velho lobo-do-mar, caramba!
- Como vai, Comiss�rio? - Bem, agora que te vejo.
- Farina. - Como vais, Diaz?
N�o sei.
- Diaz, este � o doutor... - Silverstein.
Como est�?
- Como est�? - Bem.
- Muito bem, Silverman... - Silverstein.
Em russo...
Ele � psiquiatra e vai acompanhar-te nas tuas tarefas.
O Farina vai dar-te a informa��o do caso...
N�o, n�o. Um momento.
Vou acompanh�-lo em patrulha? Isso n�o pode ser perigoso?
Em principio, n�o. � trabalho de rotina.
Al�m do mais, o Diaz � um dos nossos melhores homens,
n�o se preocupe, n�o vai correr riscos
Preferia que ele fosse ao meu consult�rio.
Sempre que precise, mas em sistema normal de terapia.
N�o o quero pressionar, mas o juiz disse que posso dispor do seu tempo
e eu preciso deste homem na rua.
Est� bem, n�o h� problema.
Talvez tenha raz�o e isto seja loucura...
Acalme-se, vamos solucionar essa quest�o.
Ou�a l�, olhe para mim.
N�o h� nenhuma trag�dia,
porque h� uma sa�da.
Se virmos uma sa�da no futuro,
o presente torna-se menos tr�gico. Est� a seguir-me?
Muito bem.
J� percebi que h� qu�mica.
Isto � completamente invulgar,
por isso vamos combinar um m�todo de trabalho.
Est� bem.
Queres dizer-me primeiro onde vamos?
Sim, desculpa. Vamos a um edif�cio militar.
As pessoas que desapareceram trabalham na sec��o de compras.
Compras de pe�as para as f�bricas militares
de Rio Tercero, Azul, Villa Maria...
E vamos interrogar os colegas de trabalho.
Quero dizer, vais tu interrogar os colegas de trabalho deles. Desculpa.
- Se te ocorrer algo, podes perguntar. - Sim, se puder ser �til nalguma coisa...
Queres contar-me o que se passa contigo?
Est� bem...
A minha mulher...
Com quem estou casado h� quase quatro anos...
H� um tempo que anda a sair com outro tipo.
E qual � o problema?
- Bem... - Quero dizer, h� um problema...
- Sim. - Ela mentiu-te,
ocultou-te coisas, mas tudo isso s�o problemas dela.
- Nunca a enganaste? - Sim, algumas vezes.
- E disseste-lhe? - N�o.
- E por que n�o? - Porque n�o � muito f�cil.
Claro que n�o, mas quero saber o que sentes com tudo isso.
O que sinto?
- Ang�stia. - Insultaste-a o suficiente, ao menos?
- N�o. - N�o a insultaste?
- E por que n�o? - Porque n�o faz sentido.
N�o faz sentido ou tens um certo receio?
Receio de qu�? O pior j� passou.
Quando o pior j� passou, podemos dormir sem comprimidos.
J� aconteceu, n�o h� nada a fazer. O pior j� passou.
Que a mentira te angustia, j� percebi. Mas eu vejo-te em p�nico.
Sabes o que � o p�nico?
� a sensa��o de que aquilo que mais temes, finalmente vai acontecer.
E o que mais temo eu?
Bom, isso � o que vamos averiguar juntos.
Ter�o ido com outras mulheres? Amantes, amigas?
O Villegas � um tipo calmo.
N�o conhe�o bem o Gauto. Veio h� pouco de Villa Maria.
- Costuma falar para a f�brica? - Sim, por causa do trabalho.
Qualquer coisa que saiba, pode ajudar.
Neg�cios paralelos, desaparecimento de armas, de explosivos...
- Qualquer coisa. Tens um papel? - Com certeza.
Obrigado.
- Risca o meu telefone, Diaz. - O qu�?
Nada. Se for preciso, encontra-me nesse n�mero.
Desculpem, senhores agentes, o General vai receb�-los.
Obrigado...
- Sambi. - Sambi.
Tinham algum ve�culo oficial?
O Gauto disse � mulher que iam no carro do Villegas
e o Villegas disse � dele que iam no do Gauto.
E os dois ve�culos est�o na garagem.
N�o tinham nenhum veiculo oficial.
Al�m de armamento, o que produzem as f�bricas militares?
Praticamente abastecemos todas as entidades governamentais.
Desde v�lvulas e compressores para bombeiros, material de demoli��o
para minas de carv�o, at� foguetes para parques nacionais,
passando por fornecimentos para centrais nucleares,
�cidos n�tricos, sulf�ricos, amon�acos. Enfim...
O que se passa, Diaz? Est�s bem?
Desculpem.
Alguma liga��o poss�vel com o tr�fico de armas?
Perd�o?
Li num artigo
que muitos militares argentinos est�o ligados ao tr�fico de armas.
- N�o todos, evidentemente. - Claro...
Por outro lado, era apenas a opini�o do jornalista.
Que eu saiba, n�o havia qualquer liga��o.
Alguns telefonemas estranhos?
Comportamentos estranhos?
N�o, nenhuns telefonemas estranhos. - Nenhuma...
E aquele nazi olhava-me com um ar... Colocas-me numa posi��o inc�moda.
Pe�o desculpa, mas sabes que tinhas raz�o? N�o a insultei o suficiente.
Sinto-me muito melhor agora.
E ent�o, por que achas que n�o a insultaste o suficiente?
Por que dissemos que o pior ainda n�o tinha acontecido?
Porque me enganou... mas n�o me deixou.
"E, se a insulto, pode deixar-me."
E o p�nico est� directamente relacionado com o medo do abandono.
Nunca vemos a realidade como ela �, vemo-la atrav�s de uma lente.
Por qualquer raz�o,
pela tua lente,
o abandono de uma mulher � igual � morte em vida.
- Talvez... - E qual poder� ser a raz�o?
Com que epis�dio da tua inf�ncia o relacionas?
A minha m�e abandonou o meu pai, quando ele ficou sem trabalho.
A� est�, Diaz, um ponto fundamental, avan��mos dez pontos.
- O que fazia o teu pai? - Era policia.
E por que o despediram?
Eu era mi�do, mas acusaram-no de revender
electrodom�sticos que tinham sido apreendidos.
Acusaram o teu pai de um acto de corrup��o!
Fizeram-lhe a cama. Toda a esquadra estava envolvida
e precisavam de um bode expiat�rio. E o meu pai estava � m�o.
E que idade tinhas na altura?
- N�o sei, 12 ou 13 anos. - Isso foi uma coisa muito importante.
� a idade da puberdade, do desenvolvimento,
dos p�los p�bicos, as hormonas est�o em ebuli��o
e, mesmo quando come�as a fazer-te homem,
o teu velho falha como homem.
E tudo perante o olhar desaprovador de quem?
- Da minha m�e? - De uma mulher.
N�o est�s a sofrer s� pelo problema actual,
mas tamb�m por problemas n�o resolvidos na inf�ncia.
E entras em p�nico, quando sentes os fantasmas que a tua lente cria
como sendo reais.
"Nenhuma mulher me voltar� a amar".
Isso est� na tua lente. Mas hoje "� a realidade".
"Nada valho como homem".
E junta a estes os fantasmas t�picos,
"Deixou-me, porque o outro � melhor que eu na cama."
"Deixou-me, porque o outro demora mais a acabar que eu."
"Deixou-me, porque o outro a tem maior."
Anda c�! Volta aqui!
- Diaz, chocaste com algu�m. - Pareceu grave, mas n�o foi nada.
Filho da m�e! Volta aqui!
- Chocaste forte contra outro carro. - Tem calma, n�o foi nada.
Est� bem, como quiseres. Tu � que �s a autoridade.
- Muito obrigado, Diaz. - N�o, eu � que agrade�o.
Julgo que esta noite vou poder dormir melhor.
Mesmo assim, toma o meu cart�o, tem o telefone do meu consult�rio,
que � c� em casa. Liga, se precisares. Fico acordado at� tarde.
Tentarei n�o te incomodar.
Est� � vontade. Tenho pacientes pela manh�,
mas se quiseres, podes vir depois do almo�o
e faremos uma consulta tradicional.
Este � o teu velho?
Ele embara�ava-me tanto.
Depois de ter sido despedido, andava sempre desmazelado.
N�o tratava de si bebia muito.
Uma vez levei uma namorada l� a casa e ele comia sem maneiras.
P�s-me louco.
Puseste-me louco.
Discuti com ele, fartei-me de falar. Tentei convenc�-lo, mud�-lo.
E agora sinto que...
talvez pudesse t�-lo desfrutado mais.
Hoje ficamos por aqui e amanh� falamos mais em pormenor.
- Temos a� uma quest�o fundamental. - Sim, obrigado.
Onde vives, Diaz?
Em Caseros, mas estou num hotel em San Telmo.
N�o quero ir para casa. Principalmente, depois do que disse hoje � Monica.
Est� bem. Adeus...
J� combinaste jantar com algu�m?
- Boa noite. - Ol�.
Diana, a minha mulher.
Apresento-te o detective Diaz.
- Qual � o teu nome pr�prio? - Bruno.
- Est�s a brincar. - Sim.
� uma brincadeira tola que fa�o sempre. Alfredo.
- Como vai? - Diana...
- Casa simp�tica. - Fica � vontade.
Ali � o consult�rio, a biblioteca, espa�os grandes, poucas paredes.
Desculpa t�-lo convidado. Amanh� fazemos algo sozinhos.
Est�s a brincar? T�nhamos feito planos. Por que me fazes isto?
Diana, pe�o-te este favor.
E n�o sejas muito afectuosa comigo, ele tem graves problemas conjugais.
N�o quero deprimi-lo, est� muito sens�vel. Adoro-te.
Gostas de jazz, ou preferes outra m�sica?
N�o, est� bem.
E isto?
� C�rdoba. Tirei-a na �ltima viagem que fizemos juntos, h� tr�s anos.
Parece perigoso, mas o ch�o est� a um metro e meio.
Ele faz-se de valente, mas � um coelhinho de peluche.
Comemos?
- � assim, n�o �? - Cuidado. Isso � amargo.
Muito amargo.
Chama-se jrein. R�bano para nos recordar que j� fomos escravos.
Na II Guerra Mundial?
Tamb�m, mas era no Egipto, h� 5700 anos,
quando constru�mos as pir�mides. - Chega de Hist�ria.
A Hist�ria � fascinante.
- Sopa? - Sim.
Dantes, diz�amos que esta mistura era interessante,
agora ele pode dizer que tem um amigo judeu e eu um amigo policia.
H� muitos preconceitos contra a Policia.
N�o sei se ser�o preconceitos, h� � muita corrup��o.
Diana, isso � necess�rio?
Deve ser dif�cil fazer parte de uma institui��o que � t�o posta em quest�o.
H� de tudo. Com os sal�rios que se pagam, � l�gico que aconte�a.
Os m�dicos e os professores tamb�m ganham mal e n�o s�o corruptos.
Mas n�o t�m armas.
Se fosse eu que mandasse, melhorava logo os sal�rios.
N�o � bom um tipo descontente andar armado.
L� isso � verdade.
- S�o muito boas, estas bolinhas. - Obrigada. Comprei-as.
O que fizeste hoje?
Nada.
- Fui ao dentista � tarde. - Est� tudo bem?
Mais ou menos. Tenho de fazer um tratamento � raiz do dente.
E que mais?
Li os an�ncios.
A empresa onde ela trabalhava fechou. Ela � contabilista.
Passa-se alguma coisa, Diaz?
N�o, nada.
A Tati telefonou. N�o pode vir limpar na quinta-feira.
Tens a certeza que n�o se passa nada? Est�s inquieto.
N�o.
Mas creio que a tua mulher te engana.
O qu�?
Engana-te, meu amigo.
Engana-me, como? O que est�s a dizer?
- Anda a engan�-lo, sim ou n�o? - Como?
Acalma-te. O que se passa? Est�s a fazer uma projec��o!
O que est� ele a fazer?
Anda a engan�-lo, sim ou n�o?
Acalma-te. O que se passa? Est�s louco?
Responda � minha pergunta!
Diaz!
Baixa a pistola!
Acalma-te.
N�o est�s a falar com ela! Est�s a falar com a tua mulher.
- Anda a engan�-lo, sim ou n�o? - Diaz, baixa a pistola!
Responda-me! Sim ou n�o?
- Sim! - Diaz, baixa a...
O qu�?
O qu�?
Andas a enganar-me?
Andas a enganar-me?!
� verdade...
Mas eu amo-te.
�s uma cretina, Diana. Uma cretina!
Senti-me t�o sozinha, t�o desprezada!
Fala como deve de ser, idiota!
Pensei que andavas com outra, n�o me ligavas nenhuma.
E depois, lemos a Madame Bovary no meu semin�rio de literatura,
e o professor disse que ela era uma mulher valente...
Ela era uma mulher valente, porque vivia noutro s�culo,
em que as mulheres eram reprimidas e n�o traiam os maridos.
Hoje, todas o fazem e tu n�o passas de mais uma idiota!
Por favor!
Deus meu!
Como pudeste fazer uma coisa dessas?
Caramba!
Quem � o tipo?
N�o sei, o professor de um semin�rio liter�rio que ela fez.
Como percebeste?
Demorou muito a responder-te a uma pergunta simples.
E n�o tinha a alian�a no dedo.
As mulheres costumam tir�-las nestas situa��es.
N�o somos casados. Eu tamb�m n�o tenho alian�a.
E h� quanto tempo anda com ele?
N�o sei. Diz que h� dois meses, mas n�o sei.
Quatro meses.
Tira-me daqui, Diaz, por favor.
� incr�vel!
Como pode isto ser?
Que filha da puta!
Que grande filha da puta!
E eu tamb�m sou t�o idiota!
Porqu�?
Nos �ltimos anos descuidei muito a rela��o.
Andava sempre a trabalhar, fui a uns 20 congressos sozinho.
- Claro, ela tem raz�o. - Tem raz�o?
- Enganou-te! - E?
Tamb�m tive as minhas hist�rias e n�o foi terr�vel,
n�o signiflcaram nada. Por que hei-de ser machista agora?
- Mas a ela pareceu-lhe terr�vel. - Precisamente.
Mas se eu me distanciar um pouco, n�o � trag�dia nenhuma.
- Mesmo assim, ela agiu mal. - Agiu mal? Enganava-te com outro!
Ela tem 38 anos. N�o ia andar de m�o dada com ele.
- Mentiu-te... - N�o me podia dizer a verdade.
- Durante meses. - Dois meses.
Parece muito, mas o tempo de trai��o real...
n�o � tanto.
Viu-o uma vez,
passaram duas semanas, viu-o outra vez.
Isso j� faz quase um m�s.
Multiplica isso por dois, e a� tens os dois meses.
� o que pensas, n�o o que sentes.
O que importa � o que se pensa, n�o o que se sente.
Eu nem sei o que sinto.
Ora a� tens.
Chora como um homem, porra!
- Aten��o, Diaz. Est�s a ouvir-me? - Escuto, Central.
Apareceu uma carrinha com dois corpos num rio.
Podem ser os homens que procuras.
J� estou a ir para l�.
Por favor, afastem-se. Deixem passar.
Boa noite, senhor.
Arranje-me outro destes.
Toma, veste isto.
Obrigado.
- Caf�, Comiss�rio? - Obrigado.
- Vem comigo. - Merda, est� a chover a potes!
- Comiss�rio... Farina... - Diaz!
S�o os teus homens, Diaz.
Avisa as mulheres que eles j� voltaram da pesca.
Doutor...
Comiss�rio, como vai?
Sabiam o que faziam.
Atiraram-nos para o lado mais fundo do rio.
Apareceram por milagre, trazidos pela tempestade,
sen�o, a corrente tinha-os levado e nunca mais os v�amos.
Est� tudo bem?
Sei l�.
N�o sei, na verdade...
N�o sei mesmo.
- Tens alguma ideia? - N�o sei.
Venderiam armas no mercado negro?
Ou ter�o sido interceptados ao passar o carregamento pela fronteira tripla?
Diaz... Como vai isso com o m�dico?
Bem. Ele ajuda-me de facto. Est� a ajudar-me muito.
Desculpe.
- Vais poder continuar a investiga��o? - Com certeza.
- Que outros dados temos do ve�culo? - N�o tem matr�cula,
j� tir�mos o n�mero do motor, est�o a procurar nos registos.
Provavelmente, foi roubada. O fecho n�o � o original.
Fala com o m�dico legista. Quero o relat�rio amanh� de manh�.
Qualquer pista para mim � muito importante.
- Obrigado, Farina. - De nada.
Agora, arranjamos-te um bom quarto, tomas um banho quente e vais dormir.
- Obrigado por tudo. - Por favor...
Toma isto. Pelo menos, dormes umas horas.
Obrigado.
Tenta descontrair.
Daqui a meia hora tenho o resultado do m�dico legista. Queres vir?
N�o sei. � algum programa bom?
A bala entrou pela regi�o occipital, saiu pela anterior do pesco�o
e finalmente atingiu de rasp�o a parte interna da t�bia direita
o que determina que no momento do disparo, ele estava sentado.
Na palma das m�os, tem part�culas de um metal n�o ferroso,
a�o, chumbo ou alum�nio.
Provavelmente, manipulou ou carregou uma coisa pesada durante muito tempo.
O colega Villegas
foi morto contra uma parede ou contra o ch�o.
A bala entrou pelo maxilar direito
e alojou-se no segundo molar.
Alguma resist�ncia impediu que a bala sa�sse.
A bala estava danificada, enviei-a para a Bal�stica.
Mandam o relat�rio �s 10 h.
Voc� � novo, n�o?
N�o. � um amigo que anda meio deprimido e que trouxe a passear.
Se lhe serve de consolo, voc� tem menos problemas que estes dois.
O seguinte!
Bom dia. Venho buscar o relat�rio do Gauto e do Villegas.
Vem buscar? S� o trouxeram h� meia hora.
Isto n�o � uma casa de fotografias. Esperem aqui, por favor.
SIL�NCIO POR FAVOR. RESPEITEM OS ATIRADORES
Eu tinha uns doentes para ver agora.
Mas, na verdade, n�o quero ver ningu�m, neste estado.
Mas devia avis�-los. Pelo menos, ficavam a saber.
Aviso-os uma porra! Que se lixem!
Est�o sempre mal, hoje sou eu que estou mal.
- Queres experimentar? - Eu? Est�s louco!
P�e isso.
Sinto-me como no "Arma Mortal", Diaz.
Thunder 9 mm, 15 tiros.
Semi-autom�tica, precis�o at� 35 metros.
Meto o carregador, a muni��o na c�mara...
- Certo. - Descontraio os bra�os,
ponho-me frente ao alvo,
descaio o corpo levemente para a frente...
- Aponto ao inimigo... - N�o tenho inimigos.
Disparo.
� a tua vez.
O outro bot�o.
Meto o carregador.
- Carrego? - Metes a muni��o...
- �ptimo. - Bra�os descontra�dos.
- Disparo? - Vamos!
Nada mal.
- Tr�s tiros no branco, Diaz! - E um na silhueta.
Est� muito bem para come�ar.
O pulso desvia-se para a esquerda, j� reparaste?
Mas vamos corrigir isso.
- E o teu desvia-se para cima. - O qu�?
O teu pulso. Para onde foram as balas que n�o acertaram no alvo?
Acertaram todas no mesmo local.
- N�o vinham buscar um relat�rio? - Desculpe!
Vamos...
Vamos!
- E? - Uma 38, l�gico.
- L�gico, porqu�? - Porque � um rev�lver.
Com uma pistola, as c�psulas saltam e, se ficam para tr�s, fazem prova.
Com o rev�lver, ficam no tambor e as provas v�o-se com ele.
� uma arma muito mais dif�cil de rastrear.
Mas � uma boa informa��o.
Mais ou menos. Deve haver umas 750 mil pessoas com uma 38.
Num armeiro, o modelo brasileiro sai por menos de 43 euros.
Diaz, est�s a ouvir-me?
Sim, estou.
Tinhas raz�o. A carrinha foi roubada h� duas semanas de Ramos Mej�a.
De que lado da Av. Garay?
- Rua Santiago del Estero, 1900. - Do lado da esta��o.
Como foi o roubo? � m�o armada ou quando estava estacionada?
- Enquanto estava estacionada. - De dia, ou de noite?
- �s tr�s da tarde. - Obrigado, Farina.
De nada.
AQUI APRENDEMOS A DEFENDER A P�TRIA
- Onde vais? - A Constituci�n, ver um amigo.
Est�s melhor, n�o est�s, Diaz?
Sei l�. Veremos o que acontece.
Exactamente.
Vamos ver o que acontece. Muito bem!
- Fumas? - N�o, obrigado.
O que � isso?
Fumo um charrito.
- Mas � marijuana! - Pois �. O que � que tem?
Mas tu �s policia.
E?
- E a marijuana � ilegal. - Nunca fumaste marijuana?
N�o importa, estou com um policia e creio que ele tem de dar o exemplo.
Sim, estou a d�-lo. Tem calma.
Como sabes que nunca fumei marijuana? Nem me conheces.
Porque n�o terias tantos preconceitos.
D� c�, assim como assim, j� estou todo feito num oito.
Que loucura! Em plena luz do dia!
- Ret�m o fumo. - �s incr�vel!
Passas sinais vermelhos, fumas marijuana! Fant�stico!
Quanto tempo?
O m�ximo que aguentares.
Eu bebo dois copos de vinho e fico b�bado.
Olha para aquele cartaz: "Comprimidos contra a calv�cie".
� incr�vel como a publicidade nos pode enganar.
E por que n�o? Se at� a tua mulher te engana?
Sim, l� nisso tens raz�o.
Ol�.
- N�o posso crer! - O qu�?
O que foi?
Nada. N�o posso crer.
- O que foi? - Nada, Diaz. Por favor!
Descobri a solu��o para o ovo e a galinha.
Como n�o percebi isto mais cedo?
- E o que veio primeiro? - O ovo.
E de onde saiu o ovo?
Sei l� de onde saiu. Mas � um ovo.
De qualquer sitio.
De debaixo de uma rocha, do mar, de outro ovo, que importa?
Aparecer um ovo no mundo � cred�vel,
mas aparecer uma galinha adulta assim do nada...
quem ia acreditar nisso? N�o percebes?
- Pode ser. - Pode ser? � �bvio, Diaz.
Pensa no que te digo. N�o percebes? N�o percebes?
N�o, n�o percebo. E depois?
H� duas horas que me est�s a massacrar,
"N�o percebes? N�o percebes?"
Eu n�o nasci em ber�o de ouro.
Desculpa, Diaz. N�o quis ofender-te.
N�o sejas foleiro.
N�o sou foleiro. Vamos, �nimo.
E por que me cantas os "Parab�ns a Voc�"?
Portas-te como uma crian�a triste e tento p�r-te bem disposto.
N�o � o "Parab�ns a Voc�", � o "Palha�o Plin Plin".
- N�o posso crer. - Em qu�?
- � espantoso. - O qu�?
N�o posso acreditar! Canta l� os "Parab�ns a Voc�".
- Parab�ns a Voc� - O Palha�o Plin Plin
- feliz... - nariz...
Caramba! � exactamente a mesma can��o, a mesma m�sica.
Isto n�o me faz nada.
- Tenho fome, Diaz. - Almo�amos depois de ver este amigo.
- Quem � o teu amigo? - Um ladr�o de carros.
Como podem saber que algu�m rouba carros e n�o o prender?
Se estivesse preso, n�o nos daria informa��es.
Al�m do mais, � um amigo.
- O que � isso, Diaz? - Confia.
- N�o, assim n�o pode ser. - Ent�o?
Tem de ser assim. Olha...
Continua, Sep�lveda.
- Sim? - Vim falar com o Cardinalli.
O Cardinalli n�o est�.
Quietos!
Tudo bem. � um amigo meu.
� um amigo meu.
Anda.
Passa.
N�o posso crer. Este idiota mexeu nas bolas.
Desculpa. Estavam aqui.
Querem beber alguma coisa?
- Uma �gua com g�s, por favor. - Uma �gua com g�s!
Para mim pode ser uma Fanta?
- Quem � este tipo? - O meu psicanalista.
O teu qu�? Em que te meteste, Diaz?
Posso? S� uma.
H� 15 dias desapareceu uma Kangoo da rua Santiago del Estero, 1900.
Sabes de alguma coisa?
N�o. H� dois anos que me dedico apenas aos carros importados.
- Queres que te prenda? - Outra vez?
Dedico-me aos importados.
Sabes o que te d�o por um carro nacional de 2000 num sucateiro?
Uma milena.
E sabes por quanto vendem? Dez milenas!
� esse o neg�cio. Ganham 1000 % e eu � que corro o risco.
E ainda tenho de pagar aos policias. N�o, eles s�o uns bandidos.
Quem ter� sido? Em plena luz do dia.
Os chilenos. Os filhos da puta dos chilenos.
Damos-lhes ca�a, mas voltam sempre. S�o piores que piolhos.
Puma,
averigua quem gamou uma Kangoo na Santiago del Estero, 1900.
- E a quem pergunto? - Eu � que sei?
Desde os 15 anos que andas nisto e ainda n�o sabes a quem perguntar?
Por que n�o metes os dedos no cu?
Desculpa, n�o reparei.
- Manda vir um para ti. - Est� bem, n�o te chateies.
- Tens raz�o. Estou com o Diaz e... - Que me importa com quem est�s?
Est� bem. Mas somos todos amigos. Tem calma, p�.
Fala o Puma.
O Cardinalli quer saber quem levou uma Kangoo cinzenta
do 1900 da Santiago del Estero...
Espera. Quando foi isso?
E como sabes que a carrinha era cinzenta, Puma?
Foi ele que disse. N�o era cinzenta?
Era cinzenta, mas n�o fui que o disse.
Pois n�o, n�o o disse.
Sei l� como sei.
N�o posso saber uma coisa sem saber como a sei?
- Est�s a tentar enganar-me? - Claro que n�o.
H� tr�s anos que comes deste bolo,
e j� est�s a armar o teu pr�prio neg�cio, filho da puta?
De que bolo? Recebes uma milena por carro e d�s-me 50 pesos.
- �s forreta! Eu � que corro o risco. - Est�s a chamar-me forreta?
A quem chamas forreta? A quem?
N�o queria mentir-lhe, mas era um cliente antigo,
ainda eu n�o trabalhava para o Cardinalli.
Era um trabalho r�pido, uma carrinha apenas. E pagavam em dinheiro.
- Onde o encontro? - Chama-se Oscar.
Comunicamos apenas pelo telefone. � sempre ele que me telefona.
N�o fa�o ideia do que faz. N�o perguntei nada, pelo sim pelo n�o.
Onde entregaste o ve�culo?
Mudei-lhe o fecho e o motor de arranque
e pediu-me que o deixasse numa garagem, no 900 da Av. Alem.
- Frente a um edif�cio militar. - N�o sei. No 900 da Av. Alem.
- E n�o te pagou? - Pagou,
mas quando me deu o trabalho. Depois, n�o o voltei a ver.
Onde � que n�o o voltaste a ver?
Em lado nenhum. Disse que n�o o vi mais.
N�o, disseste que n�o o voltaste a ver,
isso quer dizer que o viste algures. E estou a perguntar-te aonde.
N�o entendo.
Olha, Puma, n�o te conhe�o, mas n�o me pareces brilhante.
Por isso, n�o me faltes ao respeito
e diz-me onde foste v�-lo, quando te encomendou o trabalho.
- A um caf�. - A um caf�?
- Ou seja, foste v�-lo v�rias vezes. - V�rias vezes, como?
P�ra, doido, s�o s� quatro da tarde!
Sim, marcou v�rias vezes no caf�. Deve gostar de l� estar.
Que caf�?
Na esquina da Belgrano e da Balcarce.
V�s como foi f�cil?
Ou�am, n�o me parece que venha c� todos os dias.
E prefiro ir � esquadra tentar identiflc�-lo.
N�o sei quem � o tipo.
- Caminha, Puma. - "Caminha, Puma".
Noutro pa�s, metem-nos num programa de protec��o de testemunhas,
d�o-nos uma boa casa, roupa...
Daqui a nada, apanho um t�xi e vou para casa.
N�o est� c�.
- Boa tarde. - Sim?
Podemos falar um segundo?
- Sim, claro. O que h�? - Posso?
Sou agente da Policia e estou a seguir a pista de uma carrinha roubada.
Apareceu no fundo do rio com dois cad�veres na mala.
A pista que tenho traz-me at� si.
Que estranho! Porqu�?
- Isso � o que eu quero saber. - Com certeza, mas n�o fa�o ideia.
Ent�o, vamos averiguar juntos.
A que se dedica?
- Neste momento, a ler o jornal. - E em geral?
Estou desocupado.
- Como se chama? - Carlos.
- Faculta-me os documentos, por favor? - N�o os trago.
- Tem alguma identifica��o? - Nenhuma.
- Vai ter de me acompanhar. - Porqu�? H� algum estado de sitio?
- N�o, mas n�o est� a colaborar. - Eu estou a colaborar.
E n�o s�o voc�s que t�m de se identificar?
- E voc�... - N�s � que fazemos as perguntas.
Qual � a sua rela��o com o tipo ali sentado?
- Nenhuma. - Curioso!
� ladr�o e identificou-o
como o comprador da carrinha que encontr�mos no fundo do rio.
O que � isto?
O que se passa?
O que � a Camarasa?
Lisandro Prada.
N�o estava desempregado?
Fiz-lhe uma pergunta, Oscar, Carlos, ou Lisandro...
Tem alguma coisa a dizer?
Perguntei-lhe se tem algo a dizer.
Volte ao seu trabalho e deixe-me tomar o meu caf� em paz.
- Perd�o? - N�o volto a repetir, Alfredo Diaz.
Deixa as perguntas, ou a tua mulher e filhos aparecem a flutuar no rio.
N�o tenho filhos. Quanto � minha mulher, dou-te j� a morada.
�s policia...
Em que andas metido? Armas? Drogas? O que � a Camarasa?
- Calma, Gordalhufo. Desampara. - Como?
Desanda, que te estou a fazer um favor.
- E quem �s tu? - Ainda comes uma bala, imbecil.
E acredita que n�o terei de dar nenhuma explica��o por isso.
- Calma, por favor. - Perguntei-te quem eras.
- Cala-te ou morres. - Vamos, Diaz, por favor.
Estas preso por amea�ar um agente da Policia.
Levanta-te devagar e acompanha-me.
Calminha.
Vamos ver o que temos aqui.
Um 38 especial. Adivinha com o que mataram os rapazes da carrinha...
P�ra!
Agente!
Algeme estes homens!
Agente, sou o Diaz, da esquadra 59.
Fa�a o que lhe digo. Sou dos Servi�os Secretos.
Mandem uma unidade de apoio.
Ou�a-me.
Anda c�!
Eles v�m comigo para interrogat�rio.
Ele nunca afirmou pertencer aos Servi�os Secretos,
at� recusou identificar-se.
Portou-se como um mafioso.
Sabendo que o Diaz era policia, amea�ou-o.
Disse-lhe que a mulher ia aparecer no rio.
O pessoal do agente Arias fazia um trabalho secreto,
num caso que n�o posso discutir consigo,
mas que est� relacionado com essas duas pessoas.
E o Diaz faz parte da rede que estamos a investigar.
A Policia Federal est� totalmente corrupta
e o governo est� a pressionar-nos
para que limpemos o m�ximo antes das elei��es.
Al�m do mais, ele n�o � o �nico com as m�os sujas na esquadra 59.
E n�o estou a falar de ninharias, falo de corrup��o da grossa.
Carros blindados, pagamentos para seguran�a, extors�o,
subornos, redes de prostitui��o, sucateiros...
Na realidade, o informador do Diaz faz parte de um bando poderoso.
Mas n�o se preocupe, interrogamo-lo e largamo-lo.
� melhor saber onde nos leva, do que t�-lo ali dentro.
Pe�o-lhe que nos faculte todos os casos em que o Diaz esteve metido.
Relat�rios da Medicina Legal, da Bal�stica...
Sim, claro. Amanh�, logo pela manh�, tem tudo na secret�ria.
- N�o podia ser esta tarde? - Pode. N�o h� azar.
E, quanto ao doutor, tentaremos levantar a sua pena suspensa.
Se quiser, falo com o juiz.
N�o, eu trato do assunto. N�o se preocupe, por favor.
Pedimos-lhe que venha c� amanh� prestar declara��es
sobre o que viu e ouviu durante estes dias.
- Est� bem? - Est�.
Sim, fala o Leboni�n. Estou no sexto andar.
Podes vir acompanhar estas duas pessoas � sa�da?
Obrigado.
Senhores, foi um prazer. Comiss�rio, por favor.
Doutor, estou � sua disposi��o para o que precisar.
O comiss�rio n�o vai ser problema.
� preciso vigiar o psic�logo. P�e-lhe o telefone sob escuta, v� o que faz.
Ele n�o faz ideia de nada. N�o creio que nos cause problemas.
Mas se fizer algo suspeito, trata de lhe causar um acidente.
Jos�, faltam-me as informa��es do trimestre passado.
N�o tenha medo, tenho gente a trabalhar nisso.
N�o se preocupe. Esta semana ter� tudo pronto.
�REA RESTRITA
O ur�nio enriquecido fica armazenado em piscinas
sob rigorosas normas internacionais de seguran�a.
Os dep�sitos est�o guardados por agentes da Pol�cia,
temos c�digos de acessos
e auditorias semestrais da Comiss�o Internacional de Energia Nuclear.
- Isto � demais! - Sigam-me ao reactor, por favor.
Recordo-lhes que � terminantemente proibido fotografar dentro da central.
N�o nos dev�amos rir tanto.
Anda.
Boa tarde, Diaz. Sou o Jos� Leboni�n.
Est� dentro da �rea restrita da Divis�o de Assuntos Especiais,
que eu comando e, por isso, gozamos de alguma privacidade.
N�o o quero fazer perder o seu tempo, nem quero perder o meu.
Sou um tipo muito ocupado e tenho muito que fazer.
Tenho andado ocupado com uma opera��o que ser� feita esta noite.
E quero saber se disse ou fez algo que a possa comprometer.
N�o sei de opera��o nenhuma.
N�o fa�o ideia do que seja.
S� roubei uma camioneta.
Deixem-me ir, juro-lhes que n�o digo nada.
Cala-me esse palha�o.
N�o, deixem-no em paz.
Soltem-no!
Soltem-no!
Ent�o...
Preocupo-me com alguma coisa, ou n�o?
Diana, assustaste-me.
Onde estavas?
Deixei-te muitas mensagens.
Sim, estava irritado.
Camarasa...
O que � isto?
Transporte Camarasa, S.A. Que merda � a Camarasa?
- Estiveste com algu�m? - O qu�?
- Estiveste com outra mulher? - N�o, Diana, n�o estive com ningu�m.
� uma empresa de transportes e recolha de res�duos t�xicos...
E porque tens essa mordidela no pesco�o?
� uma n�doa negra. A policia abanou-me um bocado.
Eles transportam subst�ncias t�xicas altamente perigosas.
- E onde dormiste esta noite? - Num hotel. O que raio � isto?
- Ainda me amas? - Sim, claro que te amo.
A Camarasa ganhou a licita��o para a recolha de res�duos t�xicos
do Centro At�mico Campana... Centro At�mico Campana?
- Mas continuas zangado. - Sim, ainda estou um pouco.
Olha para mim, quando falo contigo!
N�o me ignores mais! N�o me ignores mais!
- Eu n�o te ignoro, calma. - Ignoras, sim. Sempre ignoraste!
Olha para mim.
- Diz-me o que pensas. - N�o quero pensar mais.
- E o que sentes? - Nada de s�rio.
Talvez n�o sejamos feitos um para o outro.
E isso de ser a metade um do outro... Somos t�o diferentes...
Nem sequer sei se somos duas metades, Diana.
Talvez sejas meio anan�s e eu meio quivi. Quem sabe?
Deve ser o Sambi. Esteve toda a tarde a telefonar-te.
- Quem? - O Sambi.
- Sim? - Ol�, fala o Sambi...
Fal�mos ontem, na parte de compras da f�brica militar. Tenho o seu cart�o.
Liguei ao seu colega, mas n�o atende.
Falei com um amigo de Villa Maria e algu�m levou um cilindro de R-22.
Fabricam-se apenas para a Central At�mica de Campana.
- Um cilindro de R-22? - S�o feitos de chumbo,
numeradas em s�rie, sob normas de seguran�a internacional
e servem para transportar ur�nio. - Ur�nio?
Sabe quanto vale o ur�nio no mercado negro?
Com 500 gramas fabrica-se uma bomba at�mica.
- Uma bomba at�mica?! -N�o diga que fui eu que lhe disse,
e oxal� encontrem os cabr�es que mataram os dois rapazes.
Estou? Estou?
- Quem � aquele tipo, Diana? - Que tipo?
Aquele.
N�o sei.
Fica aqui.
Sim?
Doutor, sou o agente Lomianto, da S.I.D.E.
Como est�?
Posso falar um segundo consigo?
Sim, diga.
N�o posso entrar?
N�o, agora n�o pode ser, porque vamos comer.
Disseram-me para prestar declara��es na S.I.D.E.
- Passa-se alguma coisa? - Acabaram de me dar este caso.
As primeiras impress�es s�o fundamentais. S�o s� uns minutos.
Sim, mas agora n�o pode ser. Se quiser,
falamos amanh� pelo telefone e combinamos um encontro.
- Parece-lhe bem? - Sim, perfeito.
Boa noite.
Raios! Porra!
Diana, acalma-te.
Acalma-te e arranja-me qualquer coisa para o atar.
Quem �s tu?
Aponta-lhe a arma a ele, por favor. Quem sou, como?
Diz-me a verdade. Desde quando me mentes?
- Como? - Desde quando �s espi�o?
Foi tudo um encobrimento? Diz-me a verdade, por favor!
J� te disse a verdade, Diana. Tu � que mentes.
Era por isso que n�o me prestavas aten��o!
Nada era real, n�o foi nada real?
- Diz-me com quem vivo, por favor! - � tudo real.
P�ra de chorar, Diana, por favor.
D�-me essa pistola.
Est�s a ouvir-me, Lomianto?
Est�s a ouvir-me, Lomianto?
Se eu n�o atender, mandam outro agente.
Repete o que te digo,
uma palavra errada, um sil�ncio enganoso
e levam-te daqui com os p�s para a frente.
Faz o favor de te acalmares, Diana!
Lomianto!
Sim, estou.
Sim, estou.
Algum problema?
Negativo.
Negativo.
O que faz o doutor?
Come com a mulher, nada demais.
Come com a mulher, nada demais.
E tu? Tens alguma novidade?
Quem � esse?
Resolve-me esse problema.
Sou eu, o Lomianto.
O ladr�o j� era.
- E o policia? - E o policia?
N�o dura mais que esta noite.
- Recebido. - Recebido.
Negativo, recebido, n�o estamos na guerra.
Mant�m-me ao corrente de qualquer novidade.
Salta aqui, por favor. Salta... Isso.
Diana, abre o porta-bagagens com as chaves que te dei.
Abre o porta-bagagens com as chaves que te dei. Acalma-te.
Faz o que te digo.
Boa noite. Ele vai casar-se.
N�o se passa nada, faz o que te digo.
Mete-te � minha esquerda.
Agora, entre no porta-bagagens, por favor. Vamos, entre.
Fa�a o que lhe digo. Diana, acalma-te.
Diana, tem calma.
Ouve o que te digo.
Manda vir um carro e vai para casa dos teus pais.
N�o uses o telefone, n�o uses o telem�vel,
e n�o tentes contactar-me. Fui claro?
Tenho de ir.
Tenho de ir, meu amor. Meu amor!
Est�s muito nervosa.
- Sabes o que tens de fazer? - Ir para casa dos meus pais.
Muito bem, Diana.
Tenho de ir, meu amor.
N�o quero reac��es. Entendido?
O Diaz est� a ser interrogado, ningu�m se mete, nem faz perguntas,
isto est� nas m�os dos Servi�os Secretos
e eles t�m-nos agarrados pelos tomates.
E se n�o fizermos o que eles querem, ainda rolam cabe�as por c�.
- O que faz aqui? - Tentei impedi-lo.
Retire-se e feche a porta, Liniers.
N�o h� tempo a perder.
V�o matar o Diaz, temos de ir ao edif�cio da...
Doutor, o Diaz est� bem guardado, sugiro que se tranquilize.
Tenho este homem no porta-bagagens do meu carro,
entrou na minha casa e tentou matar-me.
Est�o a eliminar as pontas soltas, j� mataram o Puma
e agora v�o matar o Diaz, ouvi atrav�s da r�dio.
O caso est� nas m�os dos Servi�os Secretos
e a sua rela��o com esta Policia terminou.
Com os Servi�os Secretos, como?
Isto � um grupo de delinquentes que actua clandestinamente.
V�o roubar ur�nio de uma central nuclear em Campana.
O Villegas e o Gauto entregaram um cilindro de R-22,
para o transporte do ur�nio, fabricado pelos militares.
Mataram-nos, porque sabiam o que se ia passar.
- Continue a falar e prendo-o. - Voc� est� louco? N�o me ouve?
- Digo-lhe que v�o matar o Diaz. - Prenda este homem, Gomez.
Voc� n�o disse que era pessoal? Que o pai do Diaz era seu amigo?
Estou a dizer que v�o matar um amigo e n�o vai fazer nada?
J� disse para prenderem este homem.
Quem se meter � expulso desta esquadra. Fui claro?
Os interesses individuais n�o podem guiar-nos os movimentos. Porqu�?
Porque prejudicam os do grupo.
Tenho uma opera��o em marcha.
Posso ter alguma surpresa esta noite?
N�o sejas teimoso, Diaz. Deixa de sofrer.
Reponde-me e dou-te um tiro.
Est�s � espera do Principe Encantado?
- Boa noite. - Como vai? Boa noite.
Meu Deus! Erro, erro!
Boa noite.
Como est�? Sou o Lopez, da Esquadra 27,
algu�m encontrou esta identifica��o e levou-a � esquadra.
Venho entreg�-la. Calculo que esta pessoa trabalha aqui.
N�o sei. Trabalha aqui muita gente.
Mas deixe-a c�, que eu entrego.
Infelizmente, n�o posso deixar.
Tenho de a entregar pessoalmente,
e preciso at� da assinatura de quem a receber.
Quem sabe o que lhe aconteceu. Voc�s v�o querer investigar, n�o?
- Espere um segundo. - Tudo bem.
Foram 40 anos.
Mal ou bem, vivi-os.
Tive os meus momentos de felicidade...
- Passe. - Obrigado.
- Boa noite. - Deixe ver.
Sim, trabalha c�. Damos-lha amanh�.
- Onde quer que assine? - Como?
O guarda disse que tenho de assinar.
Por favor.
Tem um recibo?
Escreva-o apenas num peda�o de papel.
Escreva, "Recebi o bilhete de identidade de tal e tal
das m�os do agente Lopez", etc, etc.
Deus meu!
- Como est� o jogo? - � do ano passado.
Uma reposi��o...
Sim, julgo que j� vi esse. Argentina contra quem?
� o Racing Club que est� a jogar.
- Sim, mas contra quem? - "Os Bichos".
- Uma partidona! - Mais alguma coisa?
Sim. Pode deixar-me ir � casa de banho?
- N�o. - N�o?
Considero isso m� educa��o. Vim c� fazer-lhes um favor,
pedi-lhe para ir � casa de banho e recusa com um sorriso ir�nico?
N�o o posso deixar passar.
N�o? Sou da policia federal.
Mas isto � a S.I.D.E. N�o tem acesso aqui.
Muito bem.
- Mas falei-lhe do aspecto humano. - Tenho de lhe pedir que se retire.
- N�o me vai deixar passar? - N�o.
N�o me vai deixar passar?
Deixa-o ir � casa de banho, mal educado!
N�o posso, Juan, n�o � pessoal autorizado e � proibido...
Pessoal autorizado, os tomates!
Pediu-te para ir � casa de banho, deixa-o passar.
Ficas respons�vel.
Por aqui.
Deixe aqui a arma.
A arma! A pistola.
Ali na mesa.
- Mil vezes obrigado. - Caramba!
Arrisca a vida de noite por um sal�rio m�nimo e o novato trata-o assim...
Aconte�a o que acontecer, foi um gesto bonito.
N�o vai acontecer nada, campe�o.
A �ltima coisa que quero � causar-lhe sarilhos.
Calma, n�o me vai causar sarilho algum.
A casa de banho � boa,
mas n�o h� papel higi�nico. Pode arranjar-mo?
Vou buscar-lho.
- Boa noite. - Boa noite.
- N�o reparou em nada de estranho? - N�o.
O que aconteceu?
Isso � o que lhe pergunto.
- O que se passou? - N�o sei.
- N�o sabe. - N�o, n�o sei. O que se passou?
- O detido continua a� dentro? - Dentro de qu�?
- Onde poder� ele estar? - N�o sei. Na �rea restrita?
L�gico.
N�o sabia que havia prisioneiros...
- Mas tamb�m n�o tenho l� acesso. - Como podia ter?
Al�m do mais, � um pa�s s�rio. Nem devia saber onde � a �rea.
Mas tem l� uma tabuleta.
- No terceiro piso? - N�o, falo da do oitavo andar.
Estamos a falar de coisas diferentes, cavalheiro. Siga na sua vida.
Ele n�o sabe de nada.
Avan�amos com a opera��o. Eu encarrego-me disto.
- Radam�s, est�s a ouvir-me? - Sim, estou.
Vai ter comigo ao ponto de encontro.
- Boa noite. - Boa noite.
Conv�m pedir uma "probation", assim ficar�s livre da causa penal...
A causa penal...
Tudo o que se est� a passar � muito injusto.
Que merda!
P�ra para mim e para tudo. Animais!
- Foca. - Foca, cinco pontos. Cores.
- Rosa... - Temos um intruso.
Temos um intruso, como?
S�o cegos? O policia que foi � casa de banho.
Mexam-se, por favor!
Isto � incr�vel!
Sr. Leboni�n, fala o Morales, da Recep��o.
Um intruso entrou no edif�cio, tem uniforme de policia.
- Algo estranho a�? - N�o, aqui est� tudo bem.
- Avise-me do que se passar. - Entendido.
N�o sei o que dizer.
H� 35 anos que trabalho nos Servi�os Secretos e nunca vi nada igual.
- Largue o cacetete, por favor. - Claro.
- Entro? - Fa�a a fineza.
N�o quero problemas.
S� pretendo que libertem o Diaz.
Lomianto, est�s a ouvir-me?
Sou eu que o tenho. Est� num lugar seguro.
D�-me o Diaz e digo-lhe onde est� o Lomianto.
Muito bem...
Quer negociar?
Onde est� o Lomianto?
Prefiro que liberte o Diaz primeiro.
N�o confio em si.
Faz muito bem.
- Boa noite. - Boa noite.
Sectores G2, G6 e G8, res�duos t�xicos. Contentores externos.
Muito bem.
Ele n�o sabe de nada. � inofensivo.
Inofensivo? M�os atr�s das costas.
Violou a seguran�a do edif�cio e entrou na �rea restrita pela janela.
Ou�a-me, � importante! Se me mata, tem dois problemas.
Primeiro, sou o �nico a saber onde est� o seu agente.
Segundo, conhe�o muita gente. N�o lhe vai ser f�cil encobrir isto.
Eu pus e depus presidentes, n�o imaginas como vai ser f�cil.
Temos de sair daqui, sabes o que � o ur�nio em m�os erradas?
- N�o h� nada a fazer. V�o matar-nos. - V�o matar-nos?
Antes de dizer uma coisa dessas, pensemos...
H� cinco horas que estou a pensar.
Onde � a sa�da do ar condicionado?
N�o h�.
Ent�o, tentemos tirar as algemas e enfrentemos estes tipos.
- N�o conseguimos tirar as algemas. - N�o?
- � para isso que elas servem. - Assim, v�o matar-nos.
Sou eu que arru�no tudo.
N�o digas isso.
- Tudo o que toco, estrago. - Acredita.
Sei o que digo. Cobro 35 # por sess�o.
"Arru�no tudo, estrago tudo".
Tira-me daqui e dou-te o telefone do Dr. Olive.
- Ainda tens muito que resolver. - E tu?
Eu sou teu amigo. Convida-me para jantar.
- Mata-me a mim! - N�o! Por favor!
N�o lhe toques!
- Sim? - Sou eu, o Morales. Trago-lhe o bolo.
O qu�?
Fa�o anos. Trago-lhe um bocado de torta.
Torta?
Que torta?
Boa noite.
Entra para ali e n�o me tornes a vida mais dif�cil.
Rapazes...
Vamos, senhores?
- Que confus�o! - Espera, foi ele que me deixou entrar.
Fa�amos um acordo. Garanto-vos que poder�o reformar-se amanh�.
Os vossos filhos nem ter�o de trabalhar.
O meu filho nunca trabalhou. Tem 19 anos e passa o dia sentado.
Eles v�m procurar-vos.
� a vossa palavra contra a minha.
Mesmo que saiam vivos daqui, nunca chegar�o antes de n�s a Campana.
Diaz!
Farina.
Vamos, vamos!
Fica quieto a�.
Sabes pilotar isto?
Segui um semin�rio sobre manejo de um helic�ptero na Policia Federal.
Os pedais controlam os rotores da cauda.
O rotor principal � com isto.
Olhem para isto. Sabem o que isto vale?
- Como ligamos o motor? - � um Volcoff, deve estar em cima.
Lembra-te que as turbinas n�o podem ultrapassar os 600 graus.
Os 600 ou os 800?
Tu n�o fizeste o curso?
N�o. Fiz "Introdu��o aos Computadores".
Nesse tempo, ensinava-se LOGO,
"Adiante, tartaruga, direita, tartaruga". N�o me serviu de nada.
Ouve... Sabes aterrar?
N�o � melhor entregarmo-nos?
Tem calma.
Carregas, destravas
e disparas, 24 tiros por segundo.
O que elas t�m de bom � que podes ir corrigindo a pontaria ao disparar.
C� est� outro!
Quantas mais pessoas h� na central?
Quieto.
Quieto, diz ele.
Cumpro ordens, se te mexes, disparo.
Conhe�o gente perigosa em todo o pa�s.
Muito perigosa.
Deixa-me fugir
ou um dia vais a andar na rua e h� um carro que te passa a ferro.
Ou vais cair para baixo de um comboio.
Por que me tratas assim?
Todos os meses pago impostos que pagam o teu sal�rio
e v� como me tratas! Sempre com essa cara de mau!
Relaxa, irm�o!
N�o podes deixar esse barril aqui. � perigoso.
Todos os dias lemos hist�rias de corrup��o nos jornais.
E dizemos, n�o pode ser, os tipos n�o podem ser todos maus.
Mas s�o! Por que n�o fazes as coisas como deve ser, no teu gabinete?
N�o, tens de especular, de amea�ar pessoas!
N�o te repito mais.
Deixa-me fugir, ou nunca mais dormir�s tranquilo.
E eu n�o to voltarei a repetir,
ou calas a boca, ou prego-te um tiro na nuca e enterro-te em campo aberto.
Julgas que n�o tenho amigos na Policia? Sabes como nos encobrimos.
Dispara!
Dispara!
PROIBIDO PESCAR
Comiss�rio Alonso, da Esquadra 59.
Olhem aqui, rapazes.
Obrigado.
O que se passou?
Como est�?
Ainda n�o me informaram do que se passou,
mas quero que saiba que o pessoal da 59 desobedeceu a ordens,
actuou por conta pr�pria
e tem todo o meu apoio para tomar medidas punitivas.
Vamos. L� para dentro.
Estes homens impediram uma perigosa opera��o internacional, Comiss�rio.
Sempre aconselhei os meus homens a seguirem os instintos.
Um policia faz o que tem de fazer.
- Mais caf�? - N�o, obrigado.
Como est�s?
- Voc� � o Diaz? - Sou.
Importa-se que falemos uns segundos?
Com certeza.
- Ent�o, est� tudo bem? - Tudo bem.
Estranho,
mas tudo bem. Anda.
Estranho, porqu�? O que se passou?
O tipo trabalhou dez anos nos Servi�os Secretos.
Agora est� a organizar uma ag�ncia de seguran�a internacional.
N�o percebi se trabalhava para o Governo, a ONU, ou ambos.
Queria um relat�rio pormenorizado do que aconteceu.
N�o podia acreditar.
Quer falar connosco para a semana e perguntou-me
se estar�amos interessados em participar.
Participar, como?
Ele est� a formar um grupo.
C�lulas independentes de duas ou tr�s pessoas de forma��o diferente
e falou-me de um treino de seis ou oito meses.
- Mas seria como agentes? - Sim.
Talvez seja um passo em frente para ti, mas eu tenho uma vida...
� um bocado desordenada, mas isso nada tem a ver comigo.
Talvez n�o tenha realmente nada a ver contigo...
Treino de qu�? De tiro?
De tiro, p�ra-quedismo, l�nguas, artes marciais, mergulho...
Os servi�os secretos est�o sempre por detr�s de coisas sinistras,
n�o sejas ing�nuo. - Mas n�o deixar�o de existir.
E ser� bom se l� houver dois tipos como n�s.
Nunca consegui fazer peixinho, acreditas?
Porque agarras mala pedra.
Tens de a agarrar com o polegar e o indicador.
- O que se passa? De que te ris? - De nada. O tipo perguntou-me
se n�o podias ser um espi�o da CIA ou da Mossad.
Algu�m que entra num pr�dio como tu entraste e dispara como tu...
n�o lhe cabia na cabe�a.
E depois do treino, ter�amos uma miss�o?
Sim, pod�amos ter...
Passa-se alguma coisa, Diaz?
N�o �s, pois n�o?
- N�o sou, o qu�? - Um espi�o.
Est�s a brincar?
N�o. Se fizeste aquilo tudo para encobrir esses tipos, tudo bem,
mas agora quero saber a verdade. - De que est�s a falar?
�s um agente dos Servi�os Secretos internacionais, sim ou n�o?
- O qu�? - Sim ou n�o?
Ainda n�o.
Mesmo assim, deixa-me pensar.
Posso mudar de ideias, sou lento a tomar decis�es.
Fiz um bocado de mergulho em Canc�n, durante um congresso em 1994.
Na verdade, foi snorkel.
Mas p�ra-quedismo... N�o sei se me atrevo, mesmo com instrutor.
N�o sei se o instrutor saltaria comigo.
Tu n�o �s gordo, Diaz. �s compacto...
Tenho v�rios quilos a mais. E � noite, transpiro muito.
Vamos l� experimentar.
Ora a� est�.
TEMPO DE VALENTES
Argumento e realiza��o
Produ��o
Tradu��o Margarida Silva Dias
Adapta��o e Legendagem Cristina Silva/ CRISTBET, Lda
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