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A CIA. CINEMATOGRAFICA MEXICANA S.A
AGRADECE AO DR. MARIO GONZALES ULLOA.
A COLABORA��O COMO ACESSOR DO ASPECTO CIRURGICO DESSE FILME.
O MODELADOR DE ALMAS (PERFIDIA)
Esse � o cora��o de uma grande cidade.
Onde fundem-se pessoas e coisas.
Onde nascem id�ias.
Surgem ambi��es e morrem esperan�as.
Rio humano que arrasta ricos e pobres.
Aos que sofrem e s�o afortunados.
Homens e mulheres de todas as cidades e diversas ra�as.
Movem-se ao compasso implac�vel do tempo.
Cada um procurando seu ideal.
Todos procurando alcan�ar o �xito.
Esse � o cora��o de uma grande cidade quando o sol brilha.
Quando as horas passam r�pidas para alguns.
E lentas para outros.
Um cora��o que bate agitado com um ritmo suave.
Um cora��o onde est�o adormecidos o bem e o mal.
Um cora��o onde convive um cidad�o honesto.
E os que est�o fora da lei.
Esses.
Colidiram!
Estamos salvos.
Diminua a marcha.
Tem certeza que n�o nos seguiram?
N�o se preocupe.
Est�o ocupados com a colis�o.
D�-me as chaves.
Pobre carro.
Logo teremos outro melhor.
Vem um taxi.
Pegue-o.
Nos vemos na casa de Paco.
A ultima nota da policia.
Disse que localizaram os ladr�es da joalheria.
Ser�o presos a qualquer instante.
N�o d� aten��o.
Sempre falam isso.
N�o tem nenhuma pista.
Est�o desorientados.
N�o querem nos desorientar?
Pode ser.
Vamos essa noite.
J� est� tudo pronto.
Prefiro ficar.
O que?
Odeio esse lugar e as pessoas que o freq�entam.
Mais que �dio � um nojo imenso.
Um nojo que n�o posso esconder nem reprimir.
Bobagens.
L� estaremos seguros.
� o �nico lugar onde podemos dar sa�da...
A isso que conseguimos agora.
Vai querer que eu trabalhe?
Claro!
Ser� o melhor modo de afastar qualquer suspeita.
Voc� sabe porque n�o quero trabalhar.
N�o h� outro modo.
Ter� que faz�-lo.
Eduardo Mendon�a.
Contado vitima do acidente.
Depois do roubo da joalheria.
Tem o rosto totalmente deformado.
O caso do Sr. Mendon�a � dif�cil.
Acho que n�o h� nada para fazer.
Sim, tem poucos minutos de vida.
Quer que chame o Dr. Beltran para que o atenda?
Seria melhor voc�, Jorge.
Temos que esgotar os �ltimos recursos.
Est� bem.
J� � o momento.
Que coisa mais desagrad�vel.
Passei um medo.
Achei que tinha me tornado uma estatua.
Continuo de carne e osso.
Mas osso que carne.
A opera��o ser� f�cil?
Todas s�o f�ceis, senhora.
Sofrerei?
Espero que n�o.
Deus me ampare!
Sofrer me apavora.
N�o falo por experi�ncia.
Porque sofri o que se diz sofrer.
N�o sofri nunca.
Agora diga.
Se o caso do cora��o.
E isso n�o tem import�ncia.
Gosta de sofrer, doutor?
Por que deveria gostar?
Tem raz�o.
Fa�o umas perguntas t�o bobas.
N�o temos nada para falar, certo doutor?
Sim.
Tira-me as bolsas dos olhos.
As rugas do pesco�o.
E reconstruir o nariz.
Quero ele ousado.
Insolente.
Mas tamb�m sedutor.
Que me chamem de uma mulher bonita.
Entendo, quer um nariz jovem.
De uns 20 anos?
Certo de 20 anos.
Ou 18 se poss�vel.
Que emo��o.
Estrear o nariz.
Como assumirei.
As invejas que vou despertar.
Mas isso sim.
Tem que me garantir.
Que meu nariz � modelo �nico.
Que n�o far� outro nariz igual.
Garantido, senhora, garantido.
- At� amanha. - At� amanh�.
Gra�as a Deus que foi.
Uma enxurrada de bobagens.
N�o sei como teve paci�ncia para ag�entar.
N�o tem que v�-la nem c�mica nem rid�cula.
Aprofundando-se encontra-se sempre a trag�dia.
Que trag�dia pode ter essa louca? Percebe-se que � feliz.
E por que acha que � feliz?
N�o sei.
Sua despreocupa��o.
O vazio mental que demonstra.
N�o saberia definir.
Deixemos isso e que cada um seja como Deus fez.
Discutir�amos e n�o chegar�amos a um acordo.
E depois � desagrad�vel analisar os pacientes em voz alta.
Os pacientes n�o s�o nem bons nem maus.
Nem agrad�veis, nem repugnantes.
S�o pacientes.
Senhorita �lvares.
Apresente-se ao consult�rio do dr.Morales.
Pode ir.
Estou indo.
Responda esses pedidos, por favor.
Acho que por enquanto n�o poderemos aceitar mais pacientes.
O que foi Alicia?
Outra vez com vontade de chorar?
Por causa dele, n�o �?
N�o gosto que se refira a ele como se tivesse rancor.
Talvez pudesse.
S� porque quer terei que odiar.
Mas...
Carlos � muito bom.
Est� deixando de ser humano, Jorge.
Entrega-se muito aos outros.
N�o poder� sentir carinho por uma �nica pessoa.
Amar todo o mundo � quase n�o amar ningu�m.
H� outra coisa pior Alicia?
N�o amar ningu�m por amar somente a um.
Quer um conselho?
Se machuca muito estar sempre com ele.
Como n�o estar?
Se � agora quando mais precisa de mim.
S� eu posso compreende-lo e ajud�-lo.
E muito bonito alimentar assim sua ternura.
Sua bondade.
N�o � justo sacrificar-se tanto por ele.
N�o � sacrif�cio fazer o que o cora��o pede.
� verdade.
Queria te invejar pois voc� pode esperar algu�m.
� horr�vel n�o poder esperar nada.
De quem fala?
De mim.
N�o entende?
Jorge.
Prometemos ser bons amigos.
N�o foi?
� verdade, Alicia.
Terei que me conformar.
Venho te dar uma desculpa, doutor.
N�o tem que falar de desculpa, Alicia.
Acho que ambos estamos com os nervos alterados.
E devemos sair vez ou outra desse mundo de paredes brancas.
A luz tamb�m cansa.
O que quer dizer?
Vamos sair e dar um passeio.
Distrair um pouco, quer?
Sim, doutor.
E isso n�o ser� tamb�m uma doen�a sua?
Uma obsess�o que n�o te deixar olhar outro aspecto da vida?
Voc� est� cego e n�o v�.
E o que eu n�o vejo?
Alegria e felicidade que todos tem direito.
- Minha felicidade est� em... - Querer ver tudo lindo.
Transformar com suas m�os o feio no belo.
N�o acha superior �s suas for�as?
Est� zombando de mim?
N�o!
Zombo de mim, pois sigo o mesmo caminho.
Mas sem esperan�a.
Acredito em voc�.
Preciso ter f� em voc�.
Bom.
Voltamos ao mesmo tema.
Combinamos que �amos descansar.
N�o foi?
Boa noite, senhoras e senhores.
Bem vindos todos a Sans Souci.
Vamos dar inicio ao show.
Com Julio Gutierrez.
E sua orquestra.
Temos prazer em apresentar.
A linda vedete cubana.
Miss TV 1953.
Rosita Fornes.
Vai nos apresentar.
Inspira��o de Julio Gutierrez.
A can��o.
Sinceridade.
Aplausos para.
Rosita Fornes.
by amn
Mulher estranha, n�o?
N�o ser� um truque para impressionar?
Fosse assim ficaria para o final.
Descubra o rosto.
Quem comeu seu rosto?
Espere-me aqui.
Acho que n�o foi nada grave.
Irei sozinho.
O que aconteceu?
Por que ningu�m avisa?
Para baixo, cuidado.
Sempre acontece isso.
No sof�.
Marucha.
- O que est� fazendo? - Quem � voc�?
� o medico.
Quem o trouxe?
Vim, sozinho, estava na plat�ia.
Fico contente, doutor.
Sempre resolvo a tapas.
N�o deve resolver-se assim?
Julio.
Marucha.
� o medico.
Estava na plat�ia.
Como foi?
O mesmo das outras vezes.
Grita quem te comeu a cara e Marucha desmaia.
Onde senta?
Quem sabe?
Julio, por que acontece isso com Marucha?
Por que � verdade que comeram a cara dela.
E quando lembra.
� verdade?
E foi um homem?
N�o!
Ratos quando era menina.
Esse ordin�rio.
Gostaria de fazer algo por voc�.
Ser seu amigo.
Nunca tive amigos e n�o preciso.
Vivo melhor sozinha.
Entendo.
Sinto compaix�o.
Guarde sua compaix�o para outros.
N�o preciso dela.
N�o sei porque diz isso.
N�o vim aqui por compaix�o.
Ent�o veio por algo pior.
Por curiosidade.
Ver meu rosto.
Este rosto que odeio, como odeio todo mundo.
E o que tem seu rosto?
Um cara como voc� o que vai saber de nascer num por�o imundo.
Entre ratos.
Tivessem me deixado morrer.
Malditos!
N�o me olhe assim.
Disse que n�o quero compaix�o.
V� embora.
N�o!
Sim!
Vai agora mesmo, pois vou te mostrar o meu rosto.
Olhe.
N�o te dou nojo?
Todos homens vem para a mesma coisa.
Falam de outras coisas.
Mas no fundo pensam no mesmo.
Voc� foi bom comigo.
E n�o tenho outra coisa com que te pagar.
O corpo � bonito, v�?
N�o, garota, n�o.
Me trouxe outra raz�o mais importante que seu corpo.
Voc�.
Sem esse corpo.
Sabe que posso fazer de voc� uma mulher diferente?
Quem � voc�?
Por que fala assim comigo?
Venha.
Sente-se e ou�a-me.
Posso mudar seu rosto e embelezar sua alma que n�o conhece.
Para que a sinta.
Primeiro tem que ser bela.
Mentira.
Est� mentindo.
Agora sei quem �.
Faz tempo um padre quis me ensinar a beleza da alma.
Me mostrava uma imagem e queria que eu a adorasse.
N�o sou padre.
Sou medico e posso mudar seu rosto.
Posso fazer-te igual as outras mulheres.
N�o mente para mim?
Porque seria demais.
N�o suportaria.
Tenha confian�a em mim.
Amanh� venho te pegar para te levar � clinica.
Por que vem amanh�?
Por que vem amanh�?
V� esse horror?
Pois acabou.
Nunca mais.
Vai mudar-me o rosto.
E acreditou?
Sim!
Sei que n�o mente.
Far� de mim outra mulher.
Sinto, mas n�o ir�.
Que idiota voc� �.
Iria para ver-me bonita nem que fosse por uma hora.
Mesmo que tivesse que morrer depois.
Se for a policia pode te encontrar.
N�o ouviu, que iria mesmo que morresse?
Seria pris�o, anos.
Passei a vida toda.
Desesperada.
Sem viver.
N�o ir�!
Tente impedir-me.
Se vai n�o volta a ver-me.
N�o quero que envolvam contigo.
Deixe-me em paz.
Idiota.
Nos veremos quando sair da pris�o.
N�o acha que vai se cansar de me esperar?
Alicia.
- Venha por favor. - Sim
Sente-se Marucha.
Doutor Morales.
Sim, Carlos.
Jorge, tenha pronto o prontu�rio do Sr. Soares.
Senhorita.
Sim, doutor.
Veja se Dr. Duram j� voltou.
Se n�o voltou, liga para ele.
Sim, doutor.
Lembre que a sala de opera��o nr 2 deve estar pronta as 6 da tarde.
Sim, doutor.
Obrigado.
Boa tarde.
Quero que cuide pessoalmente dessa mo�a.
Veja como tem meio rosto destru�do.
N�o me toque.
Sempre a mesma coisa.
Todos querem olhar e olhar.
Marucha, n�o h� o que temer.
Essa senhorita � minha ajudante.
N�o quero que ningu�m me veja, somente voc�.
E n�o tenho vontade de estar aqui.
Vou embora.
N�o percebe a sorte que tem?
Sabe o que significa que o Dr.Alonso te cure?
Alicia.
O Dr. Alonso � um amigo que vai te mostrar algo que voc� n�o conhece.
Deixe-me com ela.
Sente-se.
N�o tem porque aborrecer-te.
Aqui todos v�o te tratar bem.
Eu mesmo cuidarei de voc�.
E vai se acostumando pouco a pouco a essa nova vida.
Veja.
Todas essas pessoas tinham o rosto desfigurado.
E agora veja-os.
Completamente normal.
Essa mulher sofreu um acidente de carro.
O p�ra-brisa cortou todo seu rosto.
Foi preciso fazer um nariz novo e bochecha.
Esse � um bebe de 7 meses.
Nasceu com a boca, o paladar e as bochechas aberta de lado a lado.
Olhe ele aqui sorrindo.
Agora vai crescer sem complexos.
E eu doutor?
Eu poderei ficar...
- Chamou? - Faz uma hora.
O quer desta vez?
Por que Carlos n�o vem? Onde est�?
O Dr. Alonso, j� falei que saiu em viagem de urg�ncia.
Faz 3 dias que n�o vem me ver.
O Dr. Morales te atendeu bem e eu tamb�m.
Voc�.
N�o acha que procurei cuidar de voc� o melhor que pude?
Voc� me odeia.
Se n�o fosse pelo seu trabalho j� teria me jogado na rua.
Mas teria medo do que Carlos lhe diria ao voltar.
Por que Carlos me ama.
Ainda que n�o lhe agrade.
Me ama.
N�o quero tomar nada, n�o quero dormir.
Quero que Carlos venha.
Que venha.
O Dr. Alonso chegar� essa tarde, por favor acalme-se.
Pode prejudicar sua recupera��o.
N�o se altere.
Fora, deixe-me em paz.
Espere.
Faz um m�s que me engana.
N�o me deixam ver quando estiver curada.
Pergunto e vira o rosto para n�o responder.
Voc� tem que saber.
Diga-me.
Puderam me modificar ou continuarei horr�vel como antes?
Vou trazer o Dr. Morales.
N�o!
Voc� vai me dizer.
Voc� sabe.
Diga-me.
At� tirarmos o curativo n�o poderemos saber.
Seu caso era muito dif�cil.
Sempre achei muito dif�cil.
Ent�o?
Ent�o n�o sei nada e se soubesse n�o diria.
Vou saber por mim mesma.
N�o!
Marucha.
N�o � poss�vel.
Na sua presen�a, Alicia.
N�o acredito.
Tinha tanta confian�a em voc�.
N�o pude det�-la a tempo.
N�o viu que no caso dessa mulher.
Pus todo meu conhecimento, meu empenho.
N�o s� para mudar o rosto.
Mas para mudar a alma tamb�m.
Por que odeia Marucha, Alicia?
Sim, voc� a odeia.
Desde o primeiro dia entendi.
Uma enfermeira n�o deve se levar pelos seus sentimentos.
Me d� pena que n�o entendeu essa mulher e n�o teve piedade.
Doutor, mentiria se dissesse que n�o a detesto.
Detesto ela por v�rios motivos.
Mas o que aconteceu n�o pude evitar.
Sei que perdi sua confian�a.
� duro.
Um trabalho de anos perdido em uns minutos.
Hoje mesmo deixarei a clinica, doutor.
Como pode falar assim, Alicia?
Porque pela primeira vez falou comigo desse modo.
Com licen�a, doutor.
Alicia, pense.
J� pensei, doutor.
Vou embora.
N�o ache t�o f�cil mudar uma alma.
Perigoso se meter onde s� corresponde a Deus.
J� era hora de vir.
Vim mais cedo que os outros dias.
Por que Alicia n�o vem mais?
Saiu do hospital.
Mandou ela embora?
N�o!
Foi porque quis.
Fico contente, era capaz de envenenar-me.
Como pode pensar isso.
� t�o cego que n�o v� que essa mulher est� apaixonada por voc�?
Foi minha companheira de trabalho por muitos anos.
E nada mais.
Est� bem.
N�o me importa o que h� entre voc�s.
Quero sair daqui.
N�o quer saber como ficou?
N�o acredito em milagres.
Como fiquei, diga-me.
Como fiquei?
� muito bonita, Marucha.
N�o h� palavras Carlos.
Me fez mal esse rosto desfigurado com a mis�ria que viva minha fam�lia.
Tudo isso � passado, n�o pense nisso.
Voc� acha que esse �dio.
E essa amargura � por causa do rosto?
Pela lembran�a da minha casa.
Meu pai sempre b�bado.
Batendo em todos n�s.
Praguejando, blasfemando.
Minha m�e.
Um fantasma que recebia os golpes e o choro de fome de seus filhos.
Se visse.
Quando meu pai n�o estava b�bado.
Era bom e nos acariciava.
E as vezes vi ele chorar.
Talvez desesperado por sua falta de vontade.
Esque�a tudo Marucha.
N�o volte a pensar nisso.
� dif�cil entender o que significa essa mudan�a.
Durante anos me escondi.
Anos procurando a noite.
Mas agora haver� muita luz para que todos vejam esse rosto.
Agora tudo ser� diferente.
Sim Marucha, tudo vai mudar para voc�.
Esquecer� seus �dios.
Aprender� a amar as pessoas.
Gostaria de entrar em alguma escola para aprender algo?
O que disse?
Fechar-me agora com esse rosto?
Est� louco!
Ent�o o que pensa fazer?
Muitas coisas.
Entre todas a que mais vai me fazer feliz.
Vingar-me dos que antes me repudiavam.
- Farei tudo... - N�o far� isso Marucha.
N�o permitirei que volte a essa vida.
Me solte, est� me machucando.
Durante muitos anos suportei toda esp�cie de humilha��es.
Por que n�o me vingar agora?
Porque agora � uma mulher diferente, Marucha, entenda.
N�o quis s� embelezar seu rosto.
Preciso embelezar sua alma.
Minha alma.
Tendo um rosto bonito � suficiente.
N�o tem nenhum direito sobre mim.
Pagarei como puder e viverei como me agrada.
N�o deixarei voc� ir, n�o permitirei que saia daqui.
Vai me deter como?
Pedindo?
Pobre.
Pode sair da clinica agora mesmo.
O Dr. Alonso est� por aqui?
Sim!
Mas n�o quer ser incomodado por ningu�m.
Sou um grande amigo seu.
Foi dif�cil encontr�-lo.
Preciso v�-lo.
Vem sempre. n�o �?
� um bom cliente, porem...
Se puder fazer com que n�o volte mais.
Far� um grande favor a ele.
Onde est�?
Venha.
Carlos.
Carlos.
Consegui deixar esse mundo triste.
E voc� me traz de volta a ele.
Geralmente depois do sexto copo come�o a me sentir diferente.
Esta noite consegui com cinco.
Vamos embora.
N�o.
N�o v� que est� se matando?
E a quem importa isso?
Todas manh�s, entro na sua clinica e atendo os doentes.
Todo dia estou l� tentando n�o pensar.
N�o pe�a mais, Jorge.
A noite � minha e fa�o dela o que quiser.
Sim, mas...
A custa de que esfor�o passa o dia ai Carlos.
N�o v� que suas m�os come�am a tremer?
Pensa que n�o vejo como se destr�i fechando-se em si mesmo?
Aquela casa onde era uma alegria trabalhar.
Est� se convertendo num inferno.
Se n�o quer ficar comigo pode ir.
N�o seguro ningu�m.
Me deixaria ir?
Como Alicia?
Alicia.
Tem visto ela?
Sim!
O que faz?
Acho que queria fazer o mesmo que voc�.
Mas foi mais forte.
Jorge.
Voc� a ama, n�o �?
Sim!
E ela?
Ela continua amando voc�.
N�o sabia?
Quero v�-la.
A essas horas?
Sim, quero v�-la.
Onde mora?
No mesmo local.
Mas tenha cuidado, n�o machuque ela.
Porque isso.
Eu n�o te perdoaria.
Doutor.
Entre.
Desculpe vir a essa hora.
A hora � o de menos.
O importante � que voc� est� aqui.
Estou desesperado e precisava falar com algu�m.
Obrigada.
Obrigada, por que?
De que esse algu�m seja eu.
Voc� sempre foi boa, se conforma com pouco.
Sente-se.
Quer tomar algo?
N�o trabalha mais para mim.
Deixe de cerim�nias.
Me faz falta, por favor.
Quer caf�?
N�o o que eu quero � falar, falar.
Dela?
Sim!
Voc� me conhece melhor que ningu�m.
Poder� compreender-me.
Por que isso Alicia?
Porque � a primeira vez que ama realmente.
Amava tantas pessoas antes.
Que amava pouco a cada um.
Mas n�o.
N�o deve ser.
Tem raz�o, n�o deve ser.
� preciso desistir.
Por isso eu vim.
Perguntar.
Se d�i muito desistir?
Sim, Carlos.
Muito.
O que posso fazer?
N�o sei.
� t�o diferente esse amor seu feito de carne e nada mais.
Esse tipo de amor n�o sei nada.
Tem raz�o.
N�o queria confessar.
Mas cada vez que penso nela.
N�o � sua voz nem o rosto o que vejo.
� seu corpo e sua boca entreaberta me chamando.
Vai procur�-la, Carlos.
Mas n�o sabe a vida que essa mulher leva.
N�o entende que se a encontro n�o poderei deix�-la.
Tenho muita f� em voc�.
Sei que saber� se afastar dela, limpo outra vez.
Sabia que te aconselharia isso, n�o �?
E ent�o?
Vamos tomar algo, n�o gosta do lugar?
Tanto faz.
Um local como tantos.
N�o acho que encontraremos o que precisamos aqui.
Vamos saber.
Veja que s�o pessoas decentes.
Claro que n�o.
Mas o que procuramos � algo especial.
T�o especial que perdemos v�rios golpes.
E n�o foi poss�vel por falta de uma mulher decidida.
Com atrativos que sirvam de isca.
Bom.
Espera um pouco.
E agora, senhoras e senhores.
Vamos apresentar nossa atra��o.
A bela e sensacional.
Piel canela.
- Vamos, sa�de. - Sa�de.
� Marucha.
Voc� acha?
N�o � ela?
Pense bem.
Essa � uma mulher perfeita.
Marucha tinha metade da cara deformada.
Sim, verdade, mas...
� Marucha.
Sim, � ela.
N�o pode ser outra.
- Vou falar com ela. - Calma, n�o temos pressa para nada.
Mas � Marucha. n�o �?
Sim.
Com outro rosto e outras complica��es.
Outro ambiente e outras amizades.
Sabe que n�o gosta de perder tempo.
Perguntavam por voc�.
Boa noite.
- Quer tomar algo? - Obrigada.
Posso apresentar-te esse amigo?
Insistiu toda noite ent�o trouxemos ele.
N�o me disse seu nome.
4 milh�es no banco e 2 fazendas.
O que acha?
N�o se sabe o que � mais bonito o nome ou o sobre nome.
N�o d� import�ncia.
Me chamo Antonio Salas.
Isso o que importa.
E o outro?
� verdade , mas n�o gosto com conversa.
Rom�ntico?
Sim.
Incomoda?
N�o, todos temos algum defeito.
� verdade que queria ver-me?
Sim.
Disseram que sou cara?
Vi que � muito bonita.
Ent�o n�o te amedronto?
Corajoso.
Isso eu gosto.
Pode sair daqui?
Claro.
Ent�o venha conosco.
Est� bem.
Vou me trocar e volto.
Ola.
Posso te cumprimentar?
Canta muito bem.
Entende disso tamb�m?
Por que veio?
Para te ver.
- Mais serm�es? - N�o!
N�o, isso deixei em casa, em troca trouxe a carteira.
Esta � a noite de sorte.
Mas chegou tarde.
J� me disseram o mesmo.
Solte.
Est� aprendendo muito r�pido.
Estamos dentro de novo.
Daremos o golpe e dentro de uns dias todos ricos.
Vou v�-la.
N�o, agora n�o.
O Importante � que sabemos onde est�.
Na ocasi�o viremos peg�-la.
Sa�de.
Para que tudo saia bem.
Sair�.
Agora que encontramos Marucha.
Sair�.
Onde vai?
Com uns amigos.
E seu segundo numero?
Canta voc�, ir� muito bem.
Com quem vai, com o cara do bar?
Se pensa que vou te ag�entar, est� enganada.
Ernesto.
N�o o mates ainda.
Espera que fa�a o testamento.
Talvez me deixa rica.
J� vi que � dif�cil.
Vir� amanh�?
N�o sei, talvez nem v� essa noite.
O que est� fazendo?
Dar-te categoria.
Se sair com marca de beijo.
Podem acreditar no que andam dizendo.
Que sou sua amante.
N�o se preocupe.
Farei meu segundo numero.
Deu d�-me paci�ncia.
N�o esperava ver-te essa noite novamente.
T�o r�pido desiludiu-se dele?
Me abra�ou e vi que � voc� que tem a melhor carteira.
Por isso voltei.
Teve que aprender muito.
Mas mentir, n�o.
Voltou porque te interesso.
E porque...
- Porque quer saber. - De voc� sei tudo.
Sim?
Ent�o diga-me.
Para que vim?
Passar um momento contigo?
Ou ficar contigo?
Deixaria fazer o teste?
Sim.
Muito bem.
Me espera?
J� volto.
Como vai doutor? O que faz por aqui?
Por que foi embora?
Tinha que cantar de novo.
- Dez mil pesos. - Pago.
A banca tem 20 mil pesos.
Cubro.
Nove.
N�o jogo mais.
Quer jogar?
Toma!
Te machucou?
Que homem esquisito voc� �.
Por que?
Porque joga mal e ganha.
- Bate bem. - E perco.
Entre n�s s� pode existir isso, perder.
Perder ambos?
O que voc� perde?
Esse ego�smo no qual vivo tranq�ila.
E eu?
Voc�? Tudo.
N�o posso viver no seu mundo.
E voc� n�o saberia viver no meu.
Vamos?
N�o Carlos.
N�o entremos.
Mas, por que?
Vamos sair daqui.
Vi algo que lembrou minha inf�ncia.
Tem que fazer um esfor�o para esquecer, Marucha.
Esquecer, esquecer.
Ter uma inf�ncia assim � ser m� a vida inteira.
O pecado � algo que se pega livremente.
N�o se imp�e ainda.
E o que voc� sabe?
Isso pode-se dizer entre voc�s.
Nascem bem e vivem com conforto.
Vamos ao meu mundo anterior.
L� encontrar� perdidas, ladr�es, assassinos.
Perante pela inf�ncia deles.
N�o se altere nem se entriste�a.
Entristecer-me?
J� n�o sai desse mundo de vicio barato?
E como sai dele?
Caindo no mundo do vicio caro.
Agora sou estrela de cabar� fino.
Sou uma pessoa decente, n�o � isso?
Agora ver� o ambiente que desconhece.
O que v�o beber?
- U�sque? Sim?
U�sque com soda, por favor.
Quis me impressionar, n�o �?
N�o acredita que essa seja a minha vida?
Antes sim.
Agora teu orgulho cresceu.
Voc� nunca soube o que � a vida.
Porque nunca ningu�m te deu nada.
Acostumou-se a pegar tudo pelas suas m�os.
Viu?
No lugar de voc� beijar, � melhor deixar-se beijar.
Por que me olha assim?
Porque queria saber o que manda mais.
Se o amor que tem por mim.
Ou a vergonha que te dou.
N�o me d� vergonha Marucha.
Quero te mostrar que sei estar contigo em qualquer ambiente.
Sa�de?
Sa�de.
- Dancemos? - N�o!
J� vamos.
N�o fale.
Deixa te olhar.
Mais.
E mais.
Pensar que tenho voc�.
Que � minha.
Olha-me como te olho.
E que somente nossos olhos falem.
E nossos pensamentos.
Vamos.
J� � tarde.
Estava t�o triste, me esqueci de tudo.
Pensa voltar?
Claro!
Est� bem.
N�o posso impor sua salva��o
Isso � coisa sua.
Tinha raz�o.
N�o quero voltar aqui.
Antes gostava que todos me olhassem.
Mas agora n�o quero.
N�o quero.
Ajude-me a ser boa, Carlos.
Leve-me onde n�o me conhecessem.
Onde nunca me viram.
Onde possamos ser felizes.
Marucha.
Finalmente.
V� para casa, Carlos.
Espere-me l�.
Tenho que recolher tudo aqui, para n�o voltar nunca mais.
Esperarei aqui, n�o quero ir-me.
N�o Carlos, vou demorar um pouco.
Depois.
Preciso me despedir disso do meu modo.
Contigo ao meu lado seria muito f�cil.
E voc� merece que seja dif�cil.
Ol� bonita.
Fico contente em te encontrar feliz.
N�o gostou de me ver?
N�o diz nada?
Para que veio?
O que quer de mim?
Por que me procura?
Sabe que sou um sentimental.
N�o pude te esquecer.
Estes, todos os dias me perguntando...
O que ser� de ''piel canela''?
E eu segurando a vontade de te ver.
Est� linda realmente.
Viram o que o doutor fez, rapazes?
Uma obra de arte.
Agora sim ter� poder.
N�o como antes que at� a mim me dava nojo.
Mas agora...
Sim que tenho poder.
E a coragem que me faz falta para expulsar-te daqui.
Como sempre deve estar encurralado.
E vem se esconder na saia de uma mulher.
Covarde!
N�o.
Decidi ser outra.
N�o poder� fechar meu caminho.
Ouviram, rapazes?
At� aprendeu a falar.
E voc� o que diz?
Assusto esse infeliz e ele vai embora.
Esse rosto novo.
Posso cortar quando quiser.
N�o ficou diferente por mudar o rosto.
E voc� � como n�s.
Ou j� n�o se lembra.
O que quer?
Cansei de andar escondido.
Entrar em todo lugar pela porta de tr�s.
Quero que seu doutor me mude isso.
N�o pedirei isso a Carlos.
E depois.
Ele n�o o faria.
Ouvi voc�s.
Anda apaixonada, n�o �?
Pena que quem te ama.
Te veja na cadeia.
Ainda procuram quem matou o joalheiro.
S� sabem que havia uma mulher no carro.
N�o � oportuno interromper lua de mel, mas...
O que fa�o?
Sabe muito bem quem o matou.
Canalha.
Foi voc�.
E quem sabe isso?
Voc� e eu.
E como penso dizer que foi voc�.
Que pena.
Agora que decidia mudar de vida.
Depois de tudo n�o pe�o muito.
Que leve o doutor amanh� onde eu te diga.
Depois de me operar, n�o voltar� a me ver.
E depois voc�s ser�o felizes para sempre.
Agrade�o por querer vir, Carlos.
� um caso muito triste.
S� confia em voc�.
Quando disse que te conhecia ficou feliz.
Obrigado, doutor.
O que significa isso, Marucha?
N�o disse a verdade a ele?
Carlos.
Juro que me obrigaram.
Voc� sabe o que foi a minha vida.
Era preciso acabar com isso de uma vez.
Carlos.
Por favor!
Fa�a o que pedem.
E vamos embora.
Fa�a-o por mim.
Salva nosso amor.
O que quer de mim?
N�o gosta do meu rosto, n�o � doutor.
N�o!
Eu tamb�m n�o.
E faz 30 anos que carrego isso.
J� me cansei.
Quero que voc� me fa�a outra.
E voc� acha que isso � f�cil?
De Marucha n�o foi f�cil e voc� o fez.
Nego-me faz�-lo.
N�o negue t�o r�pido doutor.
Posso te dar raz�es convincentes.
As raz�es que tenha, n�o me interessa.
S� sei que n�o posso ser seu c�mplice, entende?
N�o!
� melhor se acalmar, doutor.
N�o queria que acontecesse nada a nenhum dos dois.
Quero que me opere hoje.
Aqui!
Viu que fui prevenido.
Sua enfermeira est� ai com tudo o que for preciso.
Cuide para n�o se enganar com o bisturi.
Vou estar por aqui.
Aqui n�o vai ficar ningu�m.
Se ele morrer.
Morreremos todos.
N�o acredito em ningu�m, doutor.
Mas sei que � um medico honrado.
Depois que fizer o primeiro corte.
Serei somente um paciente.
Me engano doutor?
Se soubesse que tipo de opera��o era, n�o viria.
N�o deveria ter me chamado.
N�o te denunciarei, mas n�o me pe�a para voltar a ver-te.
Desceu muito.
Alicia, espera deixe-me explicar-te.
Estar� satisfeita.
Carlos.
Desprezo-me pelo que fiz.
Que nem sequer tenho rancor de voc�.
Tenho pena de voc�.
Carlos, ou�a-me.
Podem levar ele para a cama.
Quanto tempo vai levar?
Uns 3 meses.
Ent�o j� sabe.
Amanh� nos vemos as 3 da manh� no lugar combinado.
Est� bem, chefe.
N�o me deixem.
Julio!
Era Julio Llavez, n�o �?
Sim!
Era Julio.
Ningu�m vai encontr�-lo.
Tem outro rosto.
E essa.
Ningu�m viu.
Voc�? O que vem fazer aqui?
Sei que ama Carlos.
Eu tamb�m, Alicia, acredite-me.
Com toda minha alma.
Teria dado minha vida para evitar tudo isso.
N�o chore.
Voc� n�o tem direito a chorar.
Sim, tenho.
Amo ele mais do que voc�.
Amo tanto ele, que para n�o perd�-lo, menti.
Eu n�o sabia que...
Voc� s� soube ser ego�sta.
Usa uma beleza que nem � sua para prejudicar.
Destruir um homem como ele.
V� embora.
V�.
Isso � o que voc� sempre quis.
Que v� embora.
Isso � o que no fundo Carlos desejava.
Desfazer-se de mim.
N�o � poss�vel mudar t�o r�pido a noite pelo dia.
N�o souberam perdoar meu primeiro amor.
Para isso tem que ser bom.
E voc� n�o �.
Um daiquiri.
Julio, n�o se assuste.
Vim te pegar.
E seu medico?
Acha que vou esperar que saia da cadeia?
Vai apodrecer l�.
J� tirei dele tudo o que tinha.
Olha.
S�o boas.
Voc� tamb�m progrediu.
Por que n�o comemoramos esse encontro?
Sa�de!
Como � bom sentir-se nos seus bra�os.
N�o pensava assim, quando estava com seu medico.
Bobo!
N�o acredito que teve ci�mes desse est�pido.
Ent�o, continua sendo a mesma?
Mostrarei quando voc� quiser.
Quando eu quiser?
Uma garrafa de u�sque das boas.
Isso tem que comemorar por dupla partida.
J� volto.
Avise os rapazes que estejam prontos para amanh�.
O espelho quebrou.
E isso traz m� sorte.
Ao contrario.
Agora � quando come�a nossa boa sorte.
Sa�de!
Vamos.
N�o.
N�o sei se gosto assim ou como era antes.
Deixa o meu rosto.
Seu?
As coisas s�o de quem as faz.
E esse o fez Dr. Alonso.
Pobre diabo.
O que menos esperava, ir preso.
Viu a cara que fez quando chegou na cadeia?
N�o era para menos.
Pensava que seus homens poderiam nos matar a qualquer instante.
Ou�a.
Se n�o te operasse?
Seria capaz?
De tudo.
Me conhece, primeiro a enfermeira, depois voc�.
Ele percebeu que esse era o �nico modo.
N�o sabia que matou pessoas.
Quem sabe.
Pelo menos se suspeitava.
Eu lhe tirei essa id�ia.
Que bom voc� �.
N�o se mexa.
Ouviram tudo?
Sim.
Tudo gravado.
Traduzido e legendado por Alexandre Neto.
F I M UM FILME MEXICANO FEITO EM 1953
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