All language subtitles for V.spiskah.ne.znachilsya.2025.WEB-DL.1080p.ELEKTRI4KA

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Original subtitles

21 DE JUNHO DE 1941

Legendas: Fred Cipriano

Sentido!

Esquerda, volver!

Ao longo do caminho pela janela vimos cegonhas de verdade...

Durante toda a sua vida,

Plujnikov não tivera tantas supersas agradáveis,

quantas teve nas últimas três semanas.

Lenochka, isso aqui é Brest?

Leia aqui no bueiro camarada Plujnikov.

Se conseguir.

Chegou a sua ordem de concessão,

Nikolai Petrovitch Plujnikov,

para a patente militar de Tenente.

E ainda recebeu uma curta licença

- pra ver sua mãe em Moscou. - Bem, muita saúde.

Pra você também, camarada Tenente.

E agora

chegava ao lugar Travessia ali!

para cumprimento do serviço Obrigado!

na Fortaleza de Brest.

Você ficou louco?! Ei!

- Por que levar essa tranqueira? - É um espelho caro.

Eu devia ter ficado em Varsóvia.

Levaram minha mãe pro gueto. A prenderam no meio da rua.

A cabra não pode ir, entendeu? Não dá!

Sou apaixonado pela minha cabrita!

Ela está na coleira.

Vovô, você é surdo ou o quê...

Nos reuniremos ao lado da janela do comandante.

Pra Fortaleza de Brest?

Siga em direção a Kastan e chegará lá.

Então nossas mulheres e filhos vão sentados no chão,

e ele vai sozinho banqueteando na mesinha?

Nem dá para mudar, ele é estrangeiro.

Grande coisa, pessoa importante!

Viu, Tenente?

- É alemão? - Alemão é claro.

Se não fosse a ordem de não ceder às provocações,

eu arrancava esse sorriso da cara dele!

Venham cá.

Venha aqui.

Vamos sair daqui antes que dê problema.

- Qual o seu nome? - Nikolai.

Somos xarás, então. Tem fumo?

Não fumo.

Espera aí! Já volto.

Gatinhas!

Façam companhia a dois lindos jovens

comandantes do Exército Vermelho.

Obrigada, mas hoje estamos com pressa!

Que pena!

Disseram que você é muito feio.

- Como é? - Brincadeira.

Aqui tem um restaurante chamado “Renascença”.

Que tal um jantar decente?

Não posso.

Preciso me apresentar hoje mesmo à minha unidade.

Dá tempo de sobra...

Dizem que lá tem um violinista mundialmente famoso.

“Tchernye Glaza” ele toca como um Deus!

Kolya, vamos lá relaxar?

- Hein? - Vamos de quê? De charrete?

Charrete... Tenho uma ideia melhor.

Ei, molecada!

- Desçam já! - Desculpem!

Obrigado!

Por favor, os senhores oficiais são bem-vindos.

Por que ele nos chamou de senhores oficiais?

É o costume aqui.

Por aqui.

- Por favor. - Obrigado.

Moça! Nsso pedido...

- Vamos brindar ao encontro. - Obrigado, mas não bebo.

Você é certinho demais...

Senhores oficiais, podemos sentar?

- Permita me juntar a vocês? - Bebe Vodka?

- Claro. - Sente-se.

Vamos nos apresentar.

Sobolev Nikolai. Artilharia antiaérea de Sumy!

- Igor Malyshev. - Nikolia Plujnikov.

Fui ao comissariado buscar recrutas,

mas fiquei preso no caminho.

Terei de esperar até segunda.

Que os alemães viriam a Varsóvia,

isso todo mundo já sabia,

a menos que fosse um completo idiota.

O que foi Kolya?

Falam de boatos sobre os alemães.

Que boatos, que nada.

Os guardas de fronteira dizem que toda noite

além do Bug os motores rugem.

Tanques, caminhões...

Que fome, hein! Vamos brindar ao encontro.

E semana passada um arcebispo veio de lá.

Disse que os alemães se preparam pra guerra.

Mas a TASS declarou oficialmente...

Calma, Kolya.

A TASS está em Moscou, aqui é Brest.

Não, pessoal, algo está preste a acontecer.

- Só não sabemos o quê... - Nada, não haverá nada.

Ao que responde a todas as perguntas,

camaradas Tenentes!

É um prazer tocar para vocês, camarada comandante russo.

Obrigado.

- Fuma? - Claro!

Bom!

Vai mesmo pra Fortaleza de Brest?

Não recomendo.

Está escuro e é muito longe.

Venha comigo ao comissariado.

Passe a noite lá e de manhã você vai.

Mas tenho que me apresentar hoje mesmo à unidade.

Agora está bem escuro.

Pode ser sabotagem?

Tenente, sozinho à noite com a mala por toda a cidade.

- Tem certeza? - Tenho.

- Chegarei antes do amanhecer. - Você é quem sabe.

- Descendo rumo a Kastan! - Obrigado!

Talvez a gente se veja de novo!

E talvez então bebamos um cálice, hein, Plujnikov?

Até mais.

Brest mergulhava lentamente na noite mais curta do ano.

E os pensamentos de Kolya involuntariamente voltavam

à conversa da mesa vizinha,

onde cochichavam sobre o que ocorria na cidade.

Sobre ruídos estranhos à noite,

sobre violações de fronteira por pilotos alemães,

sobre sabotadores.

A Kolya não agradavam em nada esses rumores.

Ele achava que era preciso temer provocações.

E agora

uma carruagem suspeita o seguia.

E se o estivessem vigiando?

Separaram-no de propósito do trio de Tenentes.

Mais uma vez olá, camarada comandante russo.

Vai pra Fortaleza de Brest? Suba, vamos no mesmo caminho.

Obrigado, eu vou a pé.

A mala é pesada e longe pra andar.

Se ele quer ir a pé, que vá!

Vamos embora, tio!

Está se molhando, suba logo.

Já estou quase chegando,

e minha sobrinha, Mirrochka, vai justamente pra fortaleza.

Querida, conheça o camarada Comandante do Exército Vermelho,

Tenente Plujnikov...

- Vamos! - Nikolai.

Boa noite.

Mirrochka já trabalha a um ano como cozinheira em Brest.

No refeitório dos comandantes.

Ela tem talento!

Talento de verdade.

Será uma excelente dona de casa.

Nossa Mirrochka.

Aliás, de onde o senhor veio?

De Moscou.

Foi um prazer tê-lo me ouvindo tocar.

Obrigado.

Até logo, camarada comandante russo.

- Obrigado pela carona. - Boa sorte, camarada Tenente.

Mirra, filha, passe em casa amanhã.

Está bem.

- Nos vemos de manhã. - Boa noite.

Pare! Documento!

É pra já... Um segundo.

Deitado! Deite ou eu atiro!

Deite ou eu atiro!

- Eu sou dos nossos. - No chão, rápido!

Está frio!

- Aqui! - Sou o Tenente Plujnikov.

Ele ia pegar a pistola, camarada sargento.

Sou o Tenente Plujnikov!

Levante-se!

Sou dos nossos!

- Entregue a arma. - Não tenho arma!

Ainda não recebi. Acabei de chegar.

E por que ia sacar a pistola?

“Sacar”? Eu abotoava a gandola!

E ele já foi me abordando, dizendo que iria atirar!

O sentinela agiu certo.

Aqui está.

Uma semana atrás mataram o sentinela do cemitério.

E isso está acontece muito por aqui.

- O senhor precisa ir pra ilha? - Sim.

- Sabe o caminho? - Eu o levarei.

Aqui só há uma estrada até a Fortaleza de Brest.

Oi, Mirrochka.

- Vai assumir o plantão? - Sim, senhor.

Então leve o Tenente.

Mas antes, dê um jeito nele,

senão os rapazes no quartel rirão na cara dele.

Sim, senhor, darei um jeito no Tenente!

Muito quieto...

E não há ninguém.

É noite.

E quase todos foram pros campos.

Como é a moradia aqui?

Sabe se há alguma para os comandantes?

Muitos alugam.

E você, tem família?

Não. Só por serviço.

E em Moscou, o que se fala da guerra?

Que guerra?

Aqui todos dizem que a guerra começará logo.

As pessoas compram sal e fósforos.

Sabe como isso se chama?

O nome disso é boato.

Primeiro, assinamos com a Alemanha o pacto de não-agressão!

Segundo...

Pacto de não-agressão...

Kolya ficou muito surpreso,

quando a moça o levou para um porão.

Nem imaginava o quão imensos eram os caminhos subterrâneos

da Fortaleza de Brest ainda desconhecida por ele.

Não tenha medo!

Não tenho. Para onde estamos indo?

Cuidado com a cabeça!

Vamos limpá-lo.

Entrem.

O que é isto, a cantina?

É o depósito.

- Olá. - Olá, tia Kristya.

Olá.

Vou lavar seu uniforme sujo.

Obrigado.

Saudações.

Olá, Stepan Matveich!

Ah! Chegou a tagarela.

Trouxe um convidado.

Qual o seu regimento camarada comandante?

Sou o Tenente Pluzhnikov,

acabei de chegar, não consto nas listas.

Sente-se à mesa. Vamos tomar chá.

Sente-se.

- Pegue um pãozinho. - Não, obrigado.

Tenho que ir ao regimento.

Dá tempo. O serviço não fujirá de você.

Tia Kristya, não há água.

Como?

E as luzes da cidade se apagaram.

Provavelmente foi um curto.

Pode ser.

Ainda bem que aqui temos nossa própria subestação.

Já está caída pelo comandante ali.

Tia Kristya!

De onde você é?

De Moscou.

- De Moscou? - Uh-hum.

Uau.

- E como está lá? - O que exatamente?

No geral.

Está normal.

- Estou com sono. - Sono?

Durma na casa da mamãe.

Toma seu chá e vamos, há muito o que fazer.

Foi trovoada?

O depósito de munição explodiu!

Isto é guerra, camaradas, é guerra!

Mamãe!

- Pare, Tenente! Aonde vai?! - Tenho de ir ao regimento!

Saiam! Rápido!

Silêncio. Alemães!

- São muitos? - Silêncio!

Kondakov levou um tiro, tentamos correr,

mas ele não resistiu.

Sou o Tenente Nikolay Pluzhnikov.

- Pra onde corriam? - Pro depósito de munição.

Nós e Kondakov

fomos enviados ao depósito.

E ele foi morto.

Onde fica esse depósito?

Kondakov sabia.

Gostava de doces, caramelo.

E era um mão de vaca. Dava tchau com mão fechada.

Ah, Kondakov...

Ao meu comando, correremos até o nosso pessoal.

Pronto?

- Pronto. - Vamos!

Parem! Somos amigos!

Não atire, somos russos!

Deitem-se!

Chefe?!

- Onde está o chefe?! - Ali!

Mas ele está morto!

Estão fugindo de novo!

Cuidado, vamos pra casamata!

- Para o abrigo! - Aqueles são rapazes do 84º.

Não! Eles são os músicos!

- Venham para cá! Rápido! - Vem pra cá!

- Ei, pra onde! - Salta, salta!

Dê cobertura!

Vai!

- À direita, alemães! - Fogo!

Cuidado, rapazes!

Vamos! Vamos!

Lá em cima! Em cima!

Munição! Onde tem munição?

Lá no porão.

Precisamos encher os carregadores!

Os carregadores estão acabando!

Perto do clube! Os alemães estão ali!

Cubram, irmãos!

Recuem pro quartel!

Aguenta, querido, por favor, aguenta.

Eu sei que dói. Aguenta!

Onde estão as munições?!

Acabaram as munições! Só tem caixas vazias!

Me ajuda!

O que há lá em cima?

Nosso pessoal está vindo nos socorrer?

Estão a caminho. Aguente firme!

Camarada.

Camarada, sabe onde fica o depósito?

Precisamos de munição. Ouviu?

Arranque com os dentes, mas jogue!

Ah! É dos nossos!

Sou russo!

Sou russo! Não atirem.

Pessoal, 5 minnutos pra pegarem as armas.

Ataque com força total!

Quem ficar, será considerado desertor!

- A ordem está clara? - Sim, senhor!

Quem não tiver rifle, arme-se com pás ou pedras.

- De que regimento, Tenente? - Não consto nas listas.

- Aqui está minha ordem. - Documentos depois, tem arma?

Aqui. Só não tenho munição.

Cubra as janelas do lado esquerdo da igreja.

Dez homens à disposição do Tenente.

Os demais vem comigo. Entraremos pela direita.

Ficaremos aqui, camarada sargento?

Me dê pra beber.

Qual é seu nome?

Prižnuk é o meu sobrenome.

Uma granada seria bom. Melhor duas.

Todos se armem.

O que encontrarem. O mais rápido possível.

- Cumpram a ordem! - Sim!

- Por que hesitam? - Aguarde.

Avante! Pela Pátria!

Urrah!

Avançar!

Avançar!

Vamos, irmãos!

Cuidado, por trás!

Levante-se, Tenente!

Combatentes! Carreguem os feridos.

Você está bem, camarada Tenente?

Cortei a veia jugular dele, como numa vaca.

Aqui, no pescoço, em algum lugar por aqui.

- Minha pistola... - Vamos achá-la.

E a mim, ninguém acertou. Sou muito ágil.

Você está bem?

- Acho que sim. - Beba um pouco.

Os soldados tiraram do alemão morto.

- Tenente... - Vodca.

Você terá que ficar aqui.

A igreja é a chave da defesa da cidadela.

Junte as armas dos mortos, vou mandar uma metralhadora.

E água.

Mandem água, por favor.

Não prometo. Não há água na fortaleza.

Os alemães cortaram o abastecimento de água.

Camarada combatente,

junte todas as cantis e entregue diretamente ao Tenente.

- Vou juntar as cantis. - Cuidem da água.

As metralhadoras precisam de água.

e não temos acesso até a margem do rio.

E vista-se.

De cueca você só vai conseguir matar um alemão de rir.

- Vou me vestir! - Vamos levar os feridos.

Lidere-os, Tenente.

Qual seu sobrenome?

É Salnikov. Petr Salnikov.

Toda a aldeia é de Salnikovs!

Slavou a minha vida. Reportarei isso ao Alto Comando.

Quantos restaram?

Em condições, são uns dez.

Dois feridos.

Deixe.

Na metralhadora.

- Entendido. - Dê aqui.

♪ Se eu morrer... ♪

♪ Eu morrerei... ♪

♪ Me enterrarão... ♪

♪ E ninguém saberá... ♪

♪ Onde está a minha cova... ♪

Guarde meu endereço, Tenente.

Gomel, rua Karl Marx nº 112, apto 9.

Denishchik Vladimir.

E eu sou de Smolensky.

Das redondezas de Dukhovshchina.

E eu sou da região perto de Krasnoyarsk.

Da aldeia Goryachiy Klyuch.

Parece que o nosso pessoal estão atrasados.

Quem?

O Exército. Nosso exército é esse aqui!

Talvez rompam durante a noite.

Ou ao menos até a manhã.

Se não chegarem até de manhã, temos de ir.

A igreja é uma armadilha.

Estamos em poucos. Se cercarem, não resistiremos.

Não houve ordem pra recuar.

Está claro?

Sim, senhor.

Um pouco de água, camarada Tenente.

Permita-me tentar romper até o rio Bug.

Ou até o Mukhavets.

Precisamos de água.

Leve as cantis.

Despeje a vodca.

Sim, senhor!

Assim terminou o seu primeiro dia de guerra,

e ele não sabia, e nem podia saber,

quantos dias mais haveriam pela frente.

E os combatentes, caídos de cansaço ao lado

e de vigília na entrada,

também não sabiam, e nem podiam saber,

quantos dias mais cada um ainda teria.

Vivi-se uma só vida,

mas a morte de cada um era diferente.

Ataque aéreo!

Os alemães estão saindo do porão!

Saia daí!

Ataque aéreo! Ataque aéreo!

Os alemães ocuparam o clube?

Provavelmente se escondiam nos porões de lá.

E por que não inspecionaram os porões ontem?

A culpa é minha.

Não, Tenente. Não é só uma culpa, é um crime.

Eu deveria te fuzilar agora mesmo,

mas minhas balas são poucas.

Vou me redimir.

O comando alemão propõe um cessar fogo.

Essa resistência é sem sentido.

A Fortaleza de Brest está cercada.

O Exército Vermelho está derrotado!

Os bravos soldados alemães estão atacando Minsk.

A resistência de vocês é sem sentido

não há mais algum sentido tático.

Damos a vocês uma hora para refletirem.

Caso não aceitem

vocês serão aniquilados!

E a Fortaleza de Brest será varrida da face da terra!

Vity.

- Vai buscar água. - Sim.

Deixa que eu vou, camarada comandante. Eu trarei água.

- O quanto for preciso. - Cala a boca, Tenente.

Daqui a uma hora os alemães começarão o bombardeio.

Rompam para o clube e os expulsem de lá.

A qualquer custo!

Cumpram a ordem!

- Sargento! - Sim!

- Tire as caixas daqui. - Sim!

Soldados, me acompanhem.

Onde está o Denischnik? Sabe onde ele está?

Não sei.

Parece que ficou no clube.

Restam 2 minutos para decidirem!

Então atacaremos em um minuto.

Sem tiros.

Com silêncio e rapidez.

Essa agora é a nossa principal arma.

Avançar.

Vamos, vamos!

- Ah! - Denischnik, vamos!

Vamos, Tenente!

Antenção! Fogo!

Os russos estão atacando! Fogo! Depressa!

Avançar!

- Pela Pátria! - Urrah!

Ao ataque!

Tenente, cuidado!

- Volodya! - Volodya!

Volodya!

- Médico! - Aguente firme!

- Está doendo! - O que devo fazer?

Descomprima.

- Afrouxe o cinto. - Volodya!

Aguente firme! Auenta aí!

Erga um pouco.

Erga um pouco!

- De lado com ele! - Aguente, querido.

- Está doendo muito! - De lado!

Segure! Segure, Volodya!

Aperte! Aperte!

- Aguente, aguente. - Vai ficar tudo bem.

8º DIA DE GUERRA

Ele lembrava com clareza só os três primeiros dias de defesa,

e então dias e noites se fundiram numa cadeia única de incursões,

bombardeios, ataques,

perambulações por subterrâneos,

combates ferozes com o inimigo

e breves minutos de apagão, quase como desmaios.

E a sede constante, exaustiva,

que não o deixava nem mesmo em sonho.

E você?

E eu já bebi.

- Me dá um pouco pra beber! - Eu trarei à noite.

Agora não podemos dar as caras.

Não briguem por um gole, rapazes.

Foi só um gole e nada mais.

Como está lá em cima?

Estamos resistindo. Levaram as munições.

E hoje de manhã nossos aviões voaram por aqui.

Nove deles!

Deram três voltas! Isso significa que sabem de nós!

Sabem!

Aguente, por seus irmãos, sobreviva!

Diga-lhes, tipo,

aqui os rapazes morriam...

Sem vergonha...

Kolya.

Você... Me tire daqui.

Eu... Quero ver o sol.

Lá bombardeiam lá o tempo todo.

Você... Você me deve, Kolya.

As balas vinham pra você, Tenente.

Essa balas de chumbo são suas.

Eu chegarei. Sinto que chegarei.

- Salnikov está vivo? - Está vivo.

Ele tem sorte.

E ainda vai buscar água?

Vai sim.

Agora... Cuidado.

Assim...

Devemos todos partir.

Em pequenos grupos para as florestas.

Vá com Salnikov.

Vou te trazer uma capa.

Não!

Saia daqui, Kolya.

E não volte mais.

Camarada Tenente,

só nos restam três carregadores.

Alemães filhos da puta!

Vamos para o ataque sem cantil.

Ouçam meu comando!

Todos tomem suas posições!

Entendido.

- Salnikov! - Sim!

Salnikov, se lembra do primeiro dia?

Você corria atrás de munições. Para algum depósito.

Era o Kondakov que conhecia o depósito.

Vamos procurar?

- À luz do dia? - De noite não acharemos.

Vamos direto para a boca do lobo?

Como Denischnik?

Que sede desgraçada.

- Para onde? - Acho que para lá.

Avante.

Parem! Parem!

Armas ao chão!

Rápido!

Vamos. Mais rápido!

Corra, Tenente.

Corra, Tenente! Corra!

Parado aí!

Buuuuuu!

Dançe!

Você não vai a lugar nenhum!

Não! Não!

A saída é à esquerda!

Acabem com ele!

Vai, vai!

Onde vai?

Pra onde você vai?

Vamos, dançe!

Vamos!

Vamos, dance!

Pare! Pare! Pare!

Eu disse pra parar!

- Foto de despedida! - Vamos fotografar, vamos!

Fique parado.

Ei, pra onde ele vai?!

- Vai explodir agora! - Para trás!

Bebe, filho, bebe.

Onde estou?

Não me reconhece, camarada Tenente?

Viemos juntos pra fortaleza.

No carro do meu tio.

Você caiu no posto de controle.

Eu sou Mirra, lembra?

Você saiu em disparada quando o bombardeio começou.

E nós não conseguimos sair.

O caminho ficou bloqueado.

Desde então estamos aqui.

Sentados...

Limpinhos...

bem nutridos, sem ferimentos.

Seus irmãos ficaram lá em cima.

Seus camaradas jazem mortos.

Vou fuzilar todos vocês!

Fuzilarei vocês por covardia.

Por traição! Em nome da...

Não seja um canalha.

Não estamos aqui por vontade própria.

Acalme-se.

Filho, acalme-se.

Descansa, filho.

Descanse.

Preciso de munições...

Vamos, camarada Tenente.

Te mostrarei algo.

Carregadores, granadas, metralhadoras...

Levem tudo para a fresta no teto.

Quando escurecer, levaremos ao clube.

E mais.

As metralhadoras precisam de água.

Temos água.

Cavamos um poço.

Temos tudo pronto, comande, Tenente.

Então é o seguinte.

Agora nos dirigimos para o clube.

Lá nos juntamos aos rapazes

e juntos romperemos a fortaleza.

E nós?

Vocês...

Amanhã de dia sairão lá em cima com um lenço branco

e se renderão.

Rendição?

Ora, que invenção sua. Rendição!

Que idéia é essa, Tenente?

Houve ordem do comando.

Todas as mulheres e crianças devem deixar a fortaleza.

E Mirra?

Pensou nela? Quem precisará dela em cativeiro?

Ela é muito frágil

A menina é judia, além disso é manca.

Eles a esmagarão, com certeza.

Não ouse falar assim!

Esta fala é deles!

É modo fascista deles falarem!

A palavra, claro, é feia,

mas o problema não está na palavra.

Fedorchuk tem razão, não podemos mandá-la prisioneira.

Tudo bem, vocês ficarão.

Sairão quando eles retirarem as tropas da fortaleza.

Ou quando os nossos voltarem.

Vamos aguardar sentados até dar a hora.

Silêncio. Vamos!

Pare! Largue...

Me larga! Larga!

Com notável clareza

ele via agora todos os mortos por sua culpa.

Volodya Denischnik,

que o cobriu com o peito em batalha.

Salnikov, que o salvou três vezes.

Aqueles a quem prometera munições,

mas não as trouxe a tempo.

Ele só estava vivo até agora.

porque alguém havia morrido por ele.

Essa é a lei da guerra.

Tenente, por que não come algo.

- Três dias sem comida. - Esforço em vão.

Nosso tenentinho pirou.

O sargento-chefe tem que decidir o que fazer a seguir.

Está decidido.

Vamos esperar.

Esperar?!

Esperar o quê? A morte?

O inverno? Os alemães? O que esperar, eu pergunto?!

Esperar pelo Exército Vermelho.

Lá vem ele, com seu Exército Vermelho.

Jaz, sem memória. Está feito!

Ele foi derrotado!

Entendeu? Foi derrotado, seu tolo!

Bom, chega por hoje.

Vamos dormir.

Kolya!

Kolenkа...

Não, Kolya.

Não, Kolya.

Não.

Silêncio!

Mirra!

Atira em mim, Kolya.

Eu perecerei sem você, Kolya.

Você é o Exército Vermelho.

Meu Exército Vermelho!

Não pode me abandonar, Kolya.

Tá doendo...

12º DIA DE GUERRA

- Relatem. - Relatar o quê?

Onde estão os nossos? Onde está o inimigo?

Sabe-se onde os nossos estão. Abaixo.

Alemães acima, e os nossos abaixo.

- E de concreto? - Não se sabe.

Por quê?

- Não fizeram reconhecimento. - Que reconhecimento, onde?

Quantos dos nossos restaram? Alemães por toda parte.

Bloqueamos a saída.

Quem bloqueou?

Pergunto, quem bloqueou a saída?

Eu a bloqueei, e daí?

Não entendi.

O que não entendeu, Tenente?

Ainda não entendi.

Sargento-chefe Fedorchuk.

Daqui a 1 hora me reporte que o caminho para cima está livre.

Me ouviu, camarada sargento-chefe?

Cumpram a ordem!

Esta é a Porta Terespol,

este é o 333º fuzileiro, este é o clube.

O que você quer?

O camarada Fedorchuk desapareceu.

Estou desarmado!

Vou me render!

Eu me rendo!

Alemães!

O que você tem?

Ah, dane-se!

Cuidado, cuidado!

Vamos nos separar. Vocês vão pra esquerda.

Não atire!

Estou desarmado! «Nicht schiessen!»

Não tenho arma!

- A espingarda. - Para quê?

Espingarda, rápido!

Onde arrumou esses panos brancos?

Provavelmente roubou da tia Christa.

Camarada Tenente!

Não atire!

Ele foi morto!

Corra!

Estou vendo ele!

Mais rápido, mais rápido! Alcançem ele!

Ele foi pra lá!

Mais rápido!

Revistem tudo aqui.

- Procurem! - Sim!

Vamos, vamos!

Dispare ali!

Volkov!

Volkov!

Volkov!

Volkov!

A fortaleza ainda sobrevivia,

ainda reagia com raras rajadas de tiroteios

perto das muralhas externas.

Não era possível estabelecer comunicação

com algum dos defensores.

Os sobreviventes recuaram para os subterrâneos.

Mas Pluzhnikov não perdia a esperança.

Tenente,

estão condecorando com medalhas.

Condecorações do campo de batalha.

Provavelmente pelo kostel.

Canalhas.

Tenente!

Vamos embora!

Sargento!

- Faca! - Faca... Faca...

Nada grave. Pegou só na carne.

O osso está intacto.

- Mirra, leva... - Então, o buraco vai cicatrizar.

Por que está olhando assim, Stepan Matveich?

Estou pensando

onde foi parar aquele tenentinho

que eu vi há cerca de três semanas.

Não existe mais aquele tenentinho.

Mataram ele no primeiro combate.

Cada manhã, na mesma hora

os alemães entravam na fortaleza pelas portas de Terespol

e à noite saíam igualmente sorrateiros,

deixando guardas reforçados.

Eles já não tentavam atacar.

Algo mudou neles. Mas o quê?

Pluzhnikov não conseguia entender.

Era fundamental saber tudo sobre o inimigo.

Não precisavam de suposições,

nem de conjecturas, mas de respostas.

Venha!

Anda!

O que ele disse?

Mirra, traduza.

- Ele disse que não é soldado. - Como assim não é soldado?

E o que ele está fazendo na fortaleza?

Ele é do serviço de guarda, mobilizado em abril.

Ele diz que na fortaleza existem soldados de verdade.

Sapadores, fuzileiros, lança-chamas...

Chamam eles quando descobrem russos.

Ele é do serviço de guarda, nunca atirou em ninguém.

- E o que fazer com ele? - Não pode ser liberado.

Sabe o caminho até nós.

Venha! «Kom!»

Vai, anda! Vai!

Filha! «Kinder!»

Está pensando nas suas crianças?

E as nossas crianças?!

Mirra.

O que você está fazendo?

- Pare imediatamente! - Ajudar você, tia Christa?

Meu devolve isso.

Silêncio!

Venha aqui. Venha, venha!

Tia Christa!

Durma.

O que você vai explodir, Stepan Matveich?

Sente-se.

A situação é...

Estou com infecção, Nikolai.

Então, enquanto há forças,

quero subir.

Morrer, mas com música.

- Stepan Matveich... - Acabou, Tenente!

Agora minhas ordens são mais importantes.

E aqui está minha última ordem.

Proteja a garota.

E se mantenha vivo.

Sobreviva,

Só para irritá-los, sobreviva!

Por todos nós.

Agora vá.

Depois conversaremos.

Descanse, Tenente, de manhã você me ajudará.

Pluzhnikov entendia,

que na cabeça de Stepan Matveich tudo já estava decidido.

Decidido conscientemente, sem dúvidas nem hesitações.

Mas ele ainda assim ia tentar deter o sargento.

Nessa noite, Pluzhnikov lutava contra o sono.

Não dormir a qualquer custo.

Kólya! Kólya, o que aconteceu?

O sargento se foi.

Desculpe.

Você já viu alguma cegonhas?

Sim.

Eu não.

Dizem que são brancas.

Mas você já viu Moscou.

Sortudo.

E você verá.

Vou ver Moscou?

Está brincando?

Verá assim que a guerra acabar.

Eu te convido para visitar.

Vai vir?

Vou.

Me mostrará a Praça Vermelha?

Verá a Praça Vermelha, o Kremlin

e o Mausoléu.

E o metrô.

Sabe o que é metrô?

Metrô. Bem... É um...

É uma estação ferroviária, mas subterrânea.

E não há locomotivas, mas trens elétricos, imagina!

Também tem escada rolante.

- Sabe o que é escada rolante? - Não.

É uma escada que se move sozinha, entende?

Você entra no metrô, precisa descer na estação.

Entra na escada rolante, e ela te leva sozinha.

Depois te levarei ao melhor médico do mundo.

Um professor idoso, muito idoso, com barba.

E ele vai te curar.

E quando te curar, iremos dançar.

No Parque da Cultura Gorky.

E valsa! Um-dois-três, um-dois-três,

um-dois-três, um-dois-três.

Quer ir ao Parque Gorky?

Não quero.

Por quê?

Porque quando a guerra acabar, você logo se esquecerá de mim.

Quem precisa de uma pequena manca miserável, e ainda judia?

- Mirra. - Eu mesma!

Arrastem os corpos para as crateras!

Por que parou?!

Arrastem os corpos para as crateras!

Prizhnyuk.

Ao trabalho!

Eu disse ao trabalho!

Trabalhe, vamos!

Mexa-se!

Levante e trabalhe!

Ao trabalho!

Seu verme!

Trabalhem!

Prizhnyuk é meu sobrenome...

Eu sou de Smolensk...

Sou da região de Krasnoyarsk...

- Denishchik... - Sou Salnikov.

Pare!

Mirra, não tenha medo. Somos nós.

Receba os convidados.

Nebogatov?

Tolia Nebogatov!

Está vivo!

Quase morto, Mirra.

Defumado, seco e curado.

Sejam bem vindos!

Sente-se, farei algo para comerem.

Qual é o plano, Tenente?

Nosso plano é romper pra floresta de Bialowieza.

Teríamos saído antes, mas não havia munição.

Há munição, pessoal.

Então vamos romper juntos.

E ela vai conosco?

Claro.

Ela é manca.

E daí?

Pretendo levá-la até as primeiras casas.

Você a levará até a primeira bala, Tenente.

Onde há casas, há alemães. Que ela se vire sozinha.

Pense bem, Tenente.

Você não chegará até aquelas casas.

Não há como, entende?

Após a linha inimiga, há um campo vasto.

Teremos que rastejar por uns 2 km.

Ela conseguirá rastejar?

- Com a perna manca? - Tentamos uma vez e não deu.

Patrulhas em toda parte, vigilias pra todo lado.

Dia e noite.

A fortaleza ainda mantém o cerco.

- E estão caçando nosso irãos... - Silêncio!

- Você está no comando? - Não comando, mas ordeno.

Tenho a maior patente, eu dou as ordens.

Façam o reconhecimento.

Descubram como se infiltrar na cidade.

Depois pensaremos em salvar a própria pele.

Por que se importa com essa aleijada, Tenente?

Se fosse uma moça decente, eu entenderia.

E esta...

Mãos na mesa!

Mãos na mesa, agora!

Saiam lentamente rumo a saída.

Não sei o que você é...

- Idiota ou um lesado? - Eu disse, para a saída!

Dê a munição, Tenente.

E sairemos da fortaleza hoje mesmo.

Dê, senão morreremos sem ela!

Obrigado.

Continua sendo um idiota, Tenente.

Kólya.

Se foram.

Dei munição a eles.

Querem fugir da fortaleza esta noite.

Os alemães estão tramando algo.

Ficar é perigoso.

Amanhã eu farei reconhecimento do caminho e te levarei à cidade.

E você?

Vou ficar.

Você será morto!

Talvez.

Mas você vai sair, isso não se discute.

Eu vou ficar.

Não pode ficar, você sabe disso.

- Posso e vou ficar! - Mirra!

Nunca na vida eu tinha ousado sonhar que conseguiria amar.

Você diria que eu sou uma tola, uma medrosa,

e ainda assim arrumei tempo pra me apaixonar.

Será que temos culpa que o tempo...

Ninguém nunca me beijou.

Você não está com frio?

Não.

Stepan Matveich me disse que você ficou paralisado.

Como assim “paralisado”?

Ele disse que os homens congelam na guerra.

E só uma mulher pode aquecer um homem.

E eu não sabia que era mulher e que podia aquecer alguém.

Eu te aqueci, mesmo que um pouquinho?

Estou quase pegando fogo.

Por que está rindo?

Não é nada. Bobeira.

Tenho medo de pegar fogo perto de você.

- Que horas são? - Ainda é muito cedo.

♪ E eu dizia ainda é cedo, cedo, cedo... ♪

Vou cantar uma canção de ninar pra você dormir.

66º DIA DE GUERRA

Ele não atirou.

Percebeu que a distância

não seria suficiente pra disparar.

Com esse tiro inútil ele só se denunciaria.

Pluzhnikov não sabia que via agora uma pequena figura,

reduzida pela distância,

daquela cuja ordem dada

desencadeou em 22 de junho às 4h15, horário local,

o primeiro ataque a essa fortaleza.

Não sabia que na sua frente estavam

o Führer da Alemanha, Adolf Hitler,

e o Duce dos fascistas italianos, Benito Mussolini.

Se soubesse, teria atirado,

não importando com o que aconteceria.

135º DIA DE GUERRA

Não se espalhem, andem juntos.

Vamos, não fiquem para trás!

Parados!

Atenção mulheres!

As quatro primeiras filas nesta pilha.

Vamos!

As três filas seguintes para aquela pilha.

Os demais se distribuam à direita e à esquerda.

Tudo certo, dispersar!

Trabalhem, mulheres!

Mais rápido! Mais rápido!

Não fiquem paradas, trabalhem!

Animem-se, mulheres, animem-se!

Estas aqui, depressa!

- O que foi? - Nosso exército está ali.

Por que estão paradas? Andem logo!

Venham aqui!

- O quê? - Olhe lá.

Então, por que pararam?

Por que não estão trabalhando?

Levantem-se!

Levantem-se!

Trabalhem, rápido!

Vamos, não fiquem paradas, não fiquem paradas!

Os alemães devem trazem essas mulheres da cidade.

Elas certamente não são prisioneiras.

Ouvi elas conversando.

E a comida delas é caseira.

Você parece não estar feliz.

- Aqui, pega a minha. - Não, obrigado.

Coma você mesmo.

Vejo que está sempre enjoada. Pegue.

Que bobo você é.

Mirra...

O que houve com você?

Precisamos nos separar.

O quê? Nos separar?

Como assim nos separar?

Por quê? Para quê?

Meu querido.

Meu marido. Meu único.

Você está doente?

Está com medo?

Vamos ter um bebê.

Viu?

Eu sou uma mulher normal.

Provavelmente, isso é felicidade.

Na verdade, é uma felicidade enorme.

Um menino deve nascer, Kolya.

E aqui...

Sinto a cada minuto que sua força se esvairindo.

Não demorem!

Tudo ficará bem.

"E os peões virarão damas!"

"E haverá barulho e confusão, e sonhos se tornarão dinheiro."

"E as chuvas virão às quintas-feiras."

Alto!

Assim! Muito bom, como sempre.

Preciso sair e criar nosso filho.

Com certeza vos encontrarei depois da guerra, ouviu?

As demais para a direita!

Tudo certo. Vamos ao trabalho!

Formem trios!

Vamos, mulheres, rápido!

Por hoje é tudo!

Dividam-se em grupos de três!

Mais rápido, mulheres, mais rápido!

Rápido! Rápido! Vamos, vamos!

Mais rápido, mais rápido, mulheres!

Mais rápido, mais ágeis!

Bem! Que confusão é essa!

Organizem-se em seus trios!

De onde você surgiu?

De onde? Da cidade.

De qual cidade?

Vamos. Não dá para descobrir andando?

Mas é hora de ir. O dia todo no frio.

- Não é perda, é ganho. - Ganho?

E de onde veio esse ganho?

Cheira a porão!

- Senhor Oberefreitor! - Quietas!

- Boca fechada! - Silêncio! Formem trios!

Senhor Oberefreitor!

Aqui!

Parece que é do porão! Bunker!

Judia...

Do porão...

Não há nada para ver aqui!

Marchem!

Mais rápido, mais rápido!

Avancem, mulheres, avancem!

Chega de parar para ver. Não há nada para ver!

Marchem! Mais rápido!

Pluzhnikov ainda tentava ver

na coluna que se afastava sua Mirra,

sem suspeitar,

que o destino acabara de poupá-lo

da cena mais terrível de sua vida.

163º DIA DE GUERRA

Adivinha o que estou comendo agora.

Maçã.

Não.

Estou comendo

o peixe recheado da mamãe.

É pepino em conserva.

O que está comendo?

Estou comendo um éclair.

Acabei de comprá-lo na loja Eliseevsky

em Moscou, na rua Gorky.

Posso provar seu éclair?

Troco o éclair pelo pepino.

Mirra...

Mirra...

- Terminamos! - Sim!

Tudo certo, mulheres, terminamos!

Terminamos o trabalho! Formem-se em trios na coluna!

Grigorich!

Mexam-se, mulheres, mexam-se!

Grish! Congelou, é?

Deitem-se!

Estão atirando!

Atiraram daqui!

Procurem por ele! Encontrem-no!

Mais rápido!

Entrou aqui!

Dividam-se e procurem!

A neve traiu Pluzhnikov!

Pelas marcas na neve os alemães encontraram seu abrigo.

Encontraram e explodiram, e ele nem ouviu a explosão.

E tudo o que restou com ele foram 8 balas no bolso,

um casaco no ombro e 2 biscoitos dentro do casaco.

E ainda restava nele uma feroz vontade de sobreviver,

a fortaleza morta e ódio... 300º DIA DE GUERRA

Mais rápido!

Primeiro na igreja.

Vamos!

Não atirem!

Por favor, não atirem!

Mandaram-me dizer para vocês saírem.

Chegue mais perto.

Quem é você?

Sou um judeu comum.

Que fala bem russo.

Eles me encurralaram.

Minha visão ficou prejudicada e eles me encurralaram.

Eles vão te queimar,

e vão me fuzilar. São muitos lá.

E eu não tenho mais balas.

Onde estão os nossos?

Boas notícias circulam,

os alemães foram derrotados perto de Moscou.

Sofreram uma grande derrota.

E Moscou é nossa?

- Os alemães não tomaram Moscou? - Não, de jeito nenhum!

Eu sei com certeza. Com certeza!

Eles foram derrotados! Sofreram uma grande derrota.

Agora posso sair.

Vá.

Diga sua patente e sobrenome.

O senhor General insistentemente pede

que diga sua patente e seu sobrenome.

Meu sobrenome e patente...

Soldado russo.

E diga-lhe também que não entreguei a fortaleza.

Brest não caiu!

Ela simplesmente sangrou até o fim.

E eu...

Sou a última gota dela.

Ordene aos soldados que se formem.

Soldados! Formem duas filas!

Ele caminhava devagar, cambaleando.

Caminhava por entre os inimigos,

que agora lhe prestavam as mais altas honras militares.

Mas ele não os via,

e mesmo se visse, não daria importância.

Ele estava acima das honras.

Acima da glória.

Acima da vida e da morte.

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