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IRMÃS, ANO DE 1918 UMA MANHÃ SOMBRIA
ALEXEI TOLSTOI THE ROAD TO CALVARY
BASEADO NO LIVRO HOMÓNIMO
EPISÓDIO 10
Como está a Dasha? Está melhor?
Quando me fui embora, estava mal. Muito mal.
Não sei nada dela. Ela não escreve e proibiu-me de o fazer.
A Katya e eu também acabámos.
Agora, ela é prisioneira do Makhnó.
Precisas de ajuda?
Não, eu arranjo-me.
Ser-te-á difícil lidar com isso.
Ele está do nosso lado agora.
Então, tornar-me-ei um dos vossos.
Não me importa quem vou ser, Vermelho ou Branco.
Só quero encontrar a Katya.
Claro, sou um oficial russo, e não tenho de fazer esses juízos.
Se estou em guerra pela Rússia? Sim. Mas com quem?
Com um alemão? Com um francês?
Estou em guerra com outro russo.
Por exemplo, contigo.
E eu tenho lutado contigo.
E também pela Rússia.
Mas por uma diferente.
Não, a Rússia é um país único,
não pode haver outro.
Mas estamos a destrui-la.
Bem, alguém devia parar primeiro.
Mas quem?
- Quem a valoriza mais. - Quem a valoriza mais...
Não te pergunto porque estás aqui.
Mas tem cuidado. Há soldados Brancos por todo o lado. Até ao rio Volga.
E Samara?
O Exército Vermelho está lá, mas não por muito.
Adeus!
Espera.
Toma.
- Que é isso? - Um mandato.
Mostra-o ao Batko, ele não toca nos nossos.
Obrigado, mas deixa-me retribuir o favor.
Aqui tens.
Bem, boa sorte, Sr. Roshchin.
Boa sorte, camarada Telegin.
"Não tenho medo de morrer na batalha. Daremos a vida pelo nosso poder."
Sabes quem é o autor? O Bessonov.
- Parece que morreu. - Está vivo e escreve lixo deste.
- Lê tu. - Não, obrigada.
Eu percebo.
Diz-me, porque há uma metralhadora aqui?
É a nossa Maksimka, é algo exótico.
O Mamont Dalsky adora exotismo.
Saúde! Às senhoras!
Muito obrigada!
Obrigado! Saúde!
Saúde!
Deixe-me apresentá-lo. Mamont Dalsky.
O grande ator e...
Sente-se.
- O seu cavalo? - O cavalo?
- Vinho? - Não, obrigada.
Entregamo-lo aos seus cavalos.
Acabou-se o vinho.
Traga-nos vinho, por favor.
Mesmo que não encontre vinho,
pode-se ficar bêbedo nos seus olhos.
Não se preocupe.
Não desfigurarei a sua juventude com o meu amor. Sou uma pessoa livre.
E as pessoas livres não amam.
Nem exigem amor.
Dia e noite O coração deixa doces carícias
Dia e noite A cabeça rodopia, selvagem, de alegria
Dia e noite Como os excessos de um conto febril
As tuas doces palavras Parecem-me verdadeiras
Apenas uma vez na vida Acontecem os primeiros encontros
Apenas uma vez O destino corta o seu sedoso fio
Apenas uma vez Uma noite fria de fim de outono
Amor é tudo o que quero trazer
Divinal!
Libertá-la-ei de todos os problemas e dificuldades diárias,
dar-lhe-ei fogos de artifício de paixão.
Darei tudo o que diz no espaço que existe entre abraços.
Peça-me agora, ou será demasiado tarde.
Diga-me o que quer.
Gostaria de voltar ao hotel para dormir, porque estou muito cansada.
Eu acompanho-te, Daria Dmitrievna.
Ficamos bem sem ti, amigo.
Eu acompanho-a.
Então, diga-me o que quer.
- Nada. - Bem, isso é impossível!
Não é.
É teimosa, rapariga.
Adoro isso.
- Muito obrigada. Boa noite! - De onde veio isso?
É aqui que estou.
Este sítio não é para uma mulher tão bonita como a senhora.
É só um sítio para dormir, nada mais.
- Então, acompanho-a à cama. - Está fora de questão.
Não é a resposta que quero.
Desculpe, mas não haverá outra.
- Tu... - Estou a pedir-lhe.
Não me trate de forma tão familiar.
Daria Dmitrievna!
Jantemos amanhã.
Amanhã é quarta-feira, não posso. Tenho uma reunião importante.
E na quinta-feira?
Talvez.
Na quinta, esperá-la-ei aqui mesmo.
HOTEL DONON
Sabe Deus o que é.
Sim, Agafia.
Quão apropriado.
Guardei o roupão. Não o vendi.
Quem o compraria, amo?
Nos dias que correm.
Sim, tens razão.
Camarada Bessonov, o comité da habitação pôs-nos na rua.
O quê?
Do vosso apartamento?
Pensei que fora do meu.
Santo Deus!
Claro que é o seu apartamento,
mas eu vivi...
... metade da vida aqui consigo.
Deixe-me ficar no meu pequeno quarto.
Prometo-lhe que não o incomodaremos.
Camarada Bessonov.
- Por Deus! - Não há Deus, camarada Agafia.
Há um ano que desapareceu. Não ouviste dizer?
Fecha bem a porta.
O Lenine...
O Marx...
A vontade do partido...
A vontade do partido...
A vontade...
... do partido.
Oh, estou a afundar-me, a afundar-me
Pedi para ir para casa
Mas ele não me deixou
Pedi para ir para casa
Mas ele não me deixou
Cala-te.
Cala-te.
Cala-te!
Mas não me deixaste ir à tua casa
Pedi para ir para casa
Mas tu...
Pedi
Mas ele...
Senhora, dou-lhe 20 moedas de ouro por este broche
ou 40 notas. Decida-se!
De que valem as notas agora? Dê-me as moedas.
- Deseja penhorar algo? - Desejo.
Dinheiro, joias.
Qualquer mulher quereria isso. Por exemplo, a minha mulher.
Mas ela não me aponta uma arma
só para cumprir o seu belo sonho.
Cale-se!
Menina, saia daqui!
Ou chamo os guardas.
Um está escondido atrás da fornalha. O outro está a descansar.
Talvez uma jovem não dispare, mas eu fá-lo-ei de certeza.
Acredita em mim?
Que escolha tenho?
Hoje, sonhei com teias de aranha.
A Sofa disse que significa "ruína".
A Sofa nunca se engana.
É tudo?
Está a ver, camarada.
Não há nada por que matar.
Sonhou com teias de aranha, não foi?
E havia uma aranha?
Não.
Então, deixo-o vivo.
Faça a Sofa feliz.
O povo ficou pobre.
LOJA DE PENHORES
- É hora de sair daqui. - Para Paris?
Não há dinheiro para Paris.
Mas temos bastante.
Só temos dinheiro para Zhmerynka.
Paris requer outros investimentos.
Vamos para Moscovo.
Só lá conseguiremos o jackpot.
E depois, Paris?
Claro. Vamos.
Vamos para Paris.
Estou pronta a tudo por isso.
Mas, primeiro, Moscovo.
Veremos para que estás preparada.
Sim.
- Para a nova capital. - Isso.
Depois, para Paris. Vamos fazer as malas.
- Querias ver-me? - Sem dúvida!
Onde estavas?
A passear pela estepe.
A estepe não é para passeios.
É para quê?
Para viver.
- E lavrar. - Tens razão.
Para lavrar e viver.
Vem, senta-te. Vamos almoçar.
Obrigada, mas não tenho fome.
Com fome ou não, é hora de almoçar.
Da próxima vez, não há lugar para ti.
Não faças isto. Não te estou a pedir.
Bom apetite, Alexei Ivanich.
Calma.
Anda cá e senta-te.
Come o teu almoço.
Porque estás tão zangada, querida?
Não tens uma casa.
Lida com isso.
O teu marido morreu. E agora? O nosso destino de viúvas é ficar em paz.
Não sou uma viúva, estou casada.
O meu marido não está cá agora. Mas isso não significa nada.
Não o enterrei. Não o vi morto.
Também não enterrei o meu marido.
Sei que desapareceu algures na Volínia,
mas não sei onde é a campa dele.
Mas sê mais gentil com o Alyoshka.
Tu vês como se interessou por ti.
Sim, não tem sangue azul.
Mas é melhor que viver sozinha.
Amo o meu marido.
Mas não o teu irmão.
Há guerra e fome por todo o lado.
Temos de sobreviver, mas só pensas no amor.
O Alyoshka tem dinheiro. Compraremos uma vaca e gansos no mercado.
Engordaremos o porco e sobreviveremos.
Sabes...
... o amor vem com o hábito.
Está bem?
Vamos ver.
Mexam-se!
Pronto, sua Graça. É perigoso continuar.
Há soldados do Makhnó por todo o lado. Vão matar-me.
Obrigado, irmão!
Sua Graça, também o matarão.
Por favor.
Que mais deseja?
Meu caro.
- Sim? - Chá e pão de gengibre.
Só um segundo.
Comporta-te.
Nikolya, acalma-te.
Informaram-me de que ontem, Mamont Dalsky
a levou ao hotel.
- Tem alguém a seguir-me? - Não, Daria Dmitrievna.
Apenas a protegê-la.
Preocupamo-nos mesmo consigo.
Já agora, não nos importamos que o Mamont Dalsky a corteje.
Por fim.
- Sirva-se, Daria Dmitrievna. - O seu pedido está pronto.
- Menina. - Obrigado.
Falemos do que importa.
Conhece esta pessoa?
Lembre-se...
Ele é o Anticristo.
O maior mal e perigo, não apenas para a Rússia,
mas para toda a humanidade.
Porque me diz isto?
Só para que saiba.
É um agente alemão.
E este é o engenhoso plano alemão.
Querem corromper o país a partir de dentro.
Mas queremos fazer a Rússia voltar e fá-lo-emos.
Mas temos de...
... nos livrar desta pessoa.
Devo matá-lo?
Definitivamente.
Por favor, beba chá.
Não é muito bom.
Primeiro, o dedo deve estar fora da patilha de segurança,
para evitar um disparo fortuito.
Avance a perna direita, meio passo.
Vire o corpo um pouco para fora.
Levante, devagar, a mão, para nivelar o pulso com o queixo.
Tem a mira e a alça de mira.
Alinhe-as para que a mira esteja no meio da alça
e ambas niveladas. Percebido?
Vamos, dispare.
Sim, é barulhento, desagradável e assustador, mas tem de disparar.
Daria Dmitrievna, não só tem de disparar, mas de ser precisa e rápida.
Apenas a senhora pode acabar com a guerra e o caos.
Inspire,
expire.
Pressione, suavemente, o gatilho de uma vez...
Vamos!
Vamos sair daqui...
Dar um passeio...
Quero organizar tudo.
Para quê organização num hotel?
Em algum sítio, devia haver.
Há quanto tempo tens essa paixão pela organização?
É recente.
Se tivesse tido antes, não estaria aqui.
Isso é interessante...
E onde estarias?
Ou mais importante, com quem?
Abram a porta!
Verificação de documentos!
Um momento, não estou vestida!
O revólver!
Abram rapidamente!
Abram a porta!
Verificação de documentos!
Senhora...
Tem dinheiro ou outros valores?
Que dinheiro? O meu marido é inválido. Sou enfermeira e não tenho trabalho.
- Nossa Senhora! - Calma!
Calma! Mãos no ar! Faça o que digo!
Mamont?
Mamont Dalsky?
Arkashka! Que reencontro este.
Arkash...
Arkashka!
- Onde perdeste a mão? - Na frente.
Como é que vais jogar bilhar?
- Jogavas bem. - Bem, isso não importa,
tenho um revólver e uma mão para o empunhar. Isso basta.
Quanto à minha mão direita, ei-la!
A minha mão direita.
A minha mulher.
Estou encantado.
Já acabámos aqui. Verifiquem os quartos vizinhos.
Que fazes em Moscovo?
- O mesmo que tu. - Bem!
Expropriamos valores.
Legalmente, para o superior interesse da revolução.
Cidadãos preocupados não gostam de dar os seus bens.
Liza, que te disse?
O mais importante é a escala.
Meu amigo,
e se celebrássemos o nosso encontro?
Não me importo. Entretanto, limpa esta confusão.
E dá-me um casaco.
- Que desejam pedir? - Eu escolherei.
Bem, traga-nos vinho, vodca e algo para comer.
- O quê, exatamente? - Tudo o que tiver.
Depressa, amigo.
Porque estás tão generoso?
Bem, tenho alguns rendimentos,
não como os teus, mas mesmo assim.
É preciso aproximar as pessoas para podermos roubar em grande.
Sempre gostei do príncipe Piotr Alexeyevich Kropotkin.
Comunismo sem poder,
é a isso que temos de almejar.
Por isso, decidi tornar-me anarquista.
Demais a mais, fazemos parte do governo.
Como resultado, as nossas buscas são perfeitamente legais.
És um tipo importante!
Tenho inveja.
Junta-te a nós, Arkash!
Já sou um anarquista.
Boa.
Como é que consegues, com a tua mão?
Eu e a Liza temos tudo definido.
Eu encontro um tipo adequado.
Ela tenta-o e depois eu apanho-o.
É canja.
Vendes a tua mulher?
Parece que sim...
Arkash, sempre foste...
Nunca ultrapassa os limites.
Apareço sempre a tempo.
Sabes quem é aquele?
O joalheiro Olovyannikov, com dois guardas.
Algo me diz que há algo interessante na mala dele.
Não pode escapar.
Tem dois com ele. Não sabemos quantos mais lá fora.
Se começarem a disparar, que fazemos?
Precisamos de outra abordagem.
A Liza?
A Liza.
Vamos.
A vida não passa de uma farsa...
- Mamont Dalsky! - Arkashka...
Bem...
... comecemos.
- Sim, mas... - O que foi?
- Não dormirei consigo por dinheiro. - Que queres, querida?
Moedas de ouro? Que gosto caro.
- Gostava de um anel. - Um anel?
Pelo menos, um dourado.
Por amor de Deus, está bem!
Eu arranjo-te um anel.
Primeiro, mostre-mo.
Calma, mostra-me os teus dedos.
Põe-te confortável. Não te demores.
Aqui tens, escolhe.
Não engonhes, escolhe qualquer um.
Para si, é fácil dizer, eu não devo apostar no cavalo errado.
Mostre-me o mais caro.
O mais caro?
Este.
Está a mentir?
Se não acreditas, escolhe outro.
Por amor de Deus.
Fico com ele, é lindo.
Que está a fazer?
Pare!
- Pare! - Para de te debateres!
Vieste, tens o teu anel.
Agora, deita-te quieta.
Pare!
Desculpe, podia dizer-me...
Largue-me! Não me magoe! Não!
- Quem são vocês? - A chave do cofre!
Depressa!
Morro antes de fazer isso.
Sei onde está a chave.
Onde?
Isto é a chave.
- O cofre está algures no quarto. - Sua cabra!
Nem imaginam
quem são os meus protetores.
Vão passar mal.
Obrigado pelo aviso.
Que sorte!
É verdade.
Que se passa?
O falecido é um dos homens do Savinkov.
Temos de ir imediatamente.
Temos de converter as joias em dinheiro. Urgentemente!
- Consegues? - Fá-lo-ei amanhã.
- Dois terços são meus. - Claro.
Vocês são dois e eu estou sozinho.
Vejo-vos amanhã, na Metrópole, às 18h00.
Arkash?
Deste-te a ele? Dormiste com ele?
- Não. - Gritaste. Aposto que de prazer.
- Estava a lutar contra ele. - Não mintas!
Apodrece no Inferno!
Para onde estás a olhar?
Vamos, anda.
Despacha-te! Vamo-nos embora!
Preparem-se para a inspeção!
Armas!
Sim, temos.
- Se têm documentos, apresentem-nos. - E quem não tem?
Teremos uma conversa em separado. Sergei, inspeciona-o.
Percebido!
Mostre-me os papéis.
Aonde vai, capitão?
De férias, ter com a minha mulher, em Samara.
É uma longa viagem.
Há motivos para crer que Samara está cheia de Vermelhos.
Eu sei, mas há indicações de que o poder mudará de mãos antes de lá chegar.
Boa viagem, Sr. Roshchin.
- Pode continuar. - Boa sorte!
- Sergei, verificaste? - Sim.
Mexam-se!
E quem é você?
Branco?
- Não, não sou. - Então, quem é?
Sou o Ivan Illich Telegin,
comandante do Exército Vermelho.
Bem, parece um soldado
do Exército Branco.
É isso. Branco.
Pergunto-lhe pela décima vez!
Quem é você? Um soldado Branco?
- Não. - Então, quem é?
- Um comandante do Exército Vermelho. - Ele é como um papagaio, Batko.
Porque continua com isto?
Não passa de um papagaio.
É um tipo suspeito!
Pediste-lhe os papéis?
Batko, vê a atitude dele.
Estou a dizer, é um oficial Branco!
E a identificação?
Qualquer um pode arranjar documentos agora.
Néstor Ivanich, tenho um mandato pessoal do camarada Sapozhkov.
Pessoal, do Sapozhkov?
No meu casaco. Pede-lhe que veja.
Bem, está bem.
Solta-o e deixa que se lave.
- Batko, não confie nele... - Cala-te!
Conheço a assinatura e selo dele como a palma da minha mão.
Ekaterina Dmitrievna, vamos limpar o feno.
Como estás na quinta, limpa isto aqui.
- Não fiques aí sentada! - Isto está limpo.
Não te preocupes, Katya.
Não discutas isto, Matryona.
Basta de paleio.
"Não fiques aí sentada", "limpa isto aqui".
Ainda não casaram, mas já lhe dás ordens?
E então?
Ela é como as outras raparigas.
Ela era da nobreza. Mas os tempos mudaram.
Ela vai habituar-se.
Ela é diferente, não percebes?
Deus criou-nos a partir do barro e da erva da estepe, num instante.
Vivemos e, se morrermos, não se perde nada.
Há inúmeras pessoas como nós.
Deus fez um belo trabalho enquanto a criava,
sussurrou palavras sagradas.
Por isso, é tão especial agora. Ela não é como toda a gente.
És uma tola, Matryona.
Vamos!
Vamos!
Eu disse: "Vamos!"
Vamos!
Bem, Ivan Illich Telegin,
vejam o que o gato trouxe!
Vim procurar a minha mulher.
É esta, sim?
Bem, é? Onde está ela?
Estava a viajar, de comboio, para Ekaterinoslav.
Foi atacado pelos vossos homens.
Sim, eu lembro-me dela.
- Onde está? - Não te preocupes.
Ninguém a matou nem lhe fez mal.
Fugiu com o Lyosha Krasilnikov.
Para a propriedade dele.
Por isso, atrasaste-te, marido.
A tua mulher safou-se bem.
Bem, come algo.
Lyosha!
A tempestade está a começar. Vamos para casa!
O vento está muito forte.
Muito forte, tens razão.
Voltemos para casa, irmã.
Antes que nos aconteça algo.
Vamos!
Ekaterina Dmitrievna, onde estás?
- Katya! - Vê no celeiro!
Ekaterina Dmitrievna!
Disse-te para não a tratares assim. Ela fugiu!
Ekaterina Dmitrievna! Katya!
Que fizeste?
Podias ter morrido!
Não me importo!
Eu importo-me!
- Vais sentir-te melhor. - Matryona, sai.
A Katya e eu precisamos de falar.
Vai.
Ekaterina Dmitrievna...
... abri-te...
... a minha alma!
Porque quiseste fugir de mim?
Não fugi de ti, Alexei Ivanich.
Fugi para mim.
Bem, sim...
És de uma família nobre,
mas a minha família era pobre...
Sabes, Katya...
Querida Ekaterina Dmitrievna,
os nossos caminhos não se cruzaram em vão, afinal.
As minhas intenções eram sérias.
Queria casar-me, ter filhos...
Eu não quero casar-me nem ter filhos.
Desculpa por ser sincera, Alexei Ivanich.
Lamento.
Lamento tanto.
Mesmo assim, casaremos no outono.
Nenhum de nós tem escolha. Consideremos isto uma proposta.
Cidadã Telegina,
trouxeram-lhe flores.
Começaram uma guerra contra nós,
contra o regime soviético.
Contra o poder dos trabalhadores e dos camponeses.
Agora, só há duas frentes,
a dos trabalhadores e camponeses
e a dos capitalistas, do outro lado.
A última batalha decisiva está iminente...
Ou ganhamos
ou ganham eles!
Morte ou vitória!
Ficaremos com todas as provisões que os especuladores esconderam.
Não deixaremos os pobres trabalhadores entregues ao seu trágico destino.
Inimigos japoneses e ingleses estão em guerra contra a Rússia!
Acreditam que os russos são...
... o poder dos proprietários de terras e dos capitalistas!
Não vai acontecer.
O Exército Vermelho é invencível!
Uniu milhões de trabalhadores e camponeses trabalhadores!
Aprendeu a lutar...
Porque não disparou?
Não consegui.
Prometeu-me.
Sim, mas...
... o atacador dele estava desatado.
Agora, temos de voltar a recuperar a Rússia!
Venha comigo.
... pelos pobres. E podemos fazê-lo!
Ponha a arma na mesa!
O que a impediu de disparar?
O atacador dele...
O atacador dele estava desatado.
Vi que ele era uma pessoa, viva.
Não posso matar uma pessoa.
- Lamento. - Na igreja, arrepender-se-á,
e, numa loja de sapatos, pode falar de atacadores.
Mas, aqui, tem de ser responsável pelas suas ações.
Legendas: Vânia Cristina
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