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Original subtitles

Olá, sou o Jim Cameron e vou contar-vos um segredo.

Os filmes do Avatar não são feitos por computadores.

Os filmes do Avatar são feitos por uma equipa muito talentosa,

especialmente os nossos atores, que fazem fisicamente todas as cenas.

Trabalhei com o elenco no Avatar 2 e 3 durante quase 18 meses.

Todas as expressões, movimentos e emoções são atuações verdadeiras.

Assim que captamos isso, os artistas trabalham incansavelmente

para dar vida às personagens e àquele mundo.

Foi por isso que decidimos fazer este documentário,

que vos dará um vislumbre sobre como fizemos O Caminho da Água.

No final, ainda vamos mostrar uma cena exclusiva

do nosso novo filme, Avatar: Fogo e Cinzas,

que também foi feito usando essas técnicas.

O Jim sonhou isto.

Teve um sonho e anotou tudo.

Ele trabalha com muitas pessoas talentosas.

Para ajudar a tornar esse sonho uma realidade.

Não somos nós que damos tudo, é o Jim e a equipa técnica.

Nós simplesmente alinhamos e confiamos que eles sabem o que fazem.

Fomos para dentro de água, tínhamos um tanque enorme

e tentámos ir sempre mais longe.

Quando decidimos fazer um filme na água e dentro dela

e queremos fazer parecer que estamos no mar,

damos início a um desafio gigante.

- Câmara aquática em posição. - Liguem a GoPro.

Nunca nada na água é fácil.

Estás em movimento.

Sabíamos que teríamos de filmar num ambiente único.

Eles tinham de estar à superfície da água, a entrar na água,

a sair da água. - E ação!

Mas o problema principal era perceber como filmar dentro de água.

FOGO E ÁGUA

O MAKING OF DOS FILMES AVATAR

Se não fossem os atores e os duplos,

os Na'vi não existiriam.

Pandora seria um mundo lindíssimo sem qualquer forma de vida.

CAPTURA DE MOVIMENTO

MANHATTAN BEACH STUDIOS, CALIFÓRNIA

O filme passa-se em Pandora, mas Pandora não existe.

PRODUTOR

Não existem avatares com 2,75 m.

Olá, grandalhão.

Usámos um processo a que chamamos captura de movimento

para criar as atuações dos filmes.

Pomos os atores a trabalhar num volume com marcadores no corpo

e capacetes na cabeça.

E gravamos todas as suas atuações no mundo digital.

Quando entramos no espaço vazio a que chamamos volume,

não só nos convida, enquanto atores,

a usar a imaginação,

como nos faz agir, pois não existe nada.

Damos vida às coisas. É representação no seu estado mais puro.

Usamos um fato e uma máscara

cheios de pontos que são registados por centenas de câmaras de infravermelhos.

Está a gravar. Relaxa os braços.

Primeiro a cabeça.

Basicamente, regista o movimento de cada pessoa.

O ator faz algo no volume e isso passa automaticamente…

REALIZADORA ASSISTENTE, PRODUTORA

… para a personagem.

Ótimo.

Quando vemos os atores…

SUPERVISOR DE EFEITOS VISUAIS

… retiramos os dados, passamo-los para uma personagem

e, em tempo real, conseguimos ver como fica.

Isso. Vai buscá-lo!

Olha o máximo possível para os dois lados sem pestanejar.

Temos pontos espalhados pela cara,

um capacete

e uma câmara facial, que é uma GoPro

que está colocada à frente da nossa cara.

Isso mostra como é importante para o Jim captar realmente

todos os movimentos microscópicos que a cara do ator faz.

Assim, é o ator que forma a estrutura muscular e a emoção

da personagem.

Para onde quer que formos, esta família é a nossa fortaleza.

Tudo o que fazemos, dizemos,

sentimos e para onde olhamos

é passado para o sistema através dos pontos.

Preciso de ti comigo.

Nada do que fazemos é animado.

E preciso que sejas forte. Agora.

É tudo feito por nós e real.

Coração forte.

Quando comparamos a atuação da Zoe Saldaña…

PRODUTORA, PRESIDENTE

… numa cena dramática com a atuação da Neytiri na mesma cena,

vemos exatamente de onde vieram todos os gestos, franzires e suspiros.

As personagens adquirem atuações muito poderosas e emocionais.

E é por isso que as pessoas podem acreditar.

E sentir o que elas sentem.

DIRETORA DE CASTING

É a forma de atuação mais pura.

É como estar numa sala de ensaios, se ignorarmos os equipamentos.

Somos só nós, o papel e os outros atores.

- "Não quero que faças nenhuma parvoíce." - Sim, nem tens de dizer isso.

É o que estou a dizer. Não vou adicionar nada, está bom.

- Recua. - Mas a intenção é…

"Não estou zangado contigo."

Exato.

- Tens de fazer isto. - Tens de ser claro.

É muito divertido. Para mim, representar é uma verdade imaginária.

E isto é a verdade imaginária absoluta.

E valemos pela nossa imaginação.

- Percebes? - Sim, percebo.

Ficas apeado. Um mês sem voar.

- Certo. - E tira essa porcaria da cara.

Algo que eu adorava…

COPRODUTOR

… era quando, mesmo antes de uma cena,

o cenário ficava quase vazio para que o Jim se pudesse sentar

com a Zoe Saldaña, a Sigourney Weaver, o Stephen Lang, o Sam Worthington

ou as crianças todas e falar sobre uma cena durante 30 minutos.

Falar sobre o que as personagens tinham passado mesmo antes da cena.

Era muito importante acertar nos estados emocionais.

Como a Sigourney disse…

MONTADOR

… é como um palco minimalista. Nada está lá, nada existe.

Está tudo na nossa imaginação.

E criamos um mundo imaginário onde os atores representam.

Eu sinto-a, pai.

Sentes quem?

Eywa.

Em termos simples, o ator é a base do que fazemos.

Temos a função de proteger as escolhas dos atores até ao fim.

A interação humana que acontece, a interação emocional,

a intimidade e a tensão que acontecem entre os atores naquele momento é crucial.

Eles têm alma e pensam e são personagens totalmente formadas.

Quando a Zoe sobe ao palco, é a Neytiri.

Tenta sempre dar vida à personagem da Neytiri.

Temos de manter isso vivo.

E corta.

Muito furtiva.

A ironia é que usámos a tecnologia…

REALIZADOR, ARGUMENTISTA, PRODUTOR

… para sermos o mais autênticos e verdadeiros com o que os atores fazem

da forma mais humana e técnica possível.

Não há nada que os atores façam em tempo real

que não seja passado para as personagens.

Conseguimos fazê-lo no ar.

Aqui, tivemos de criar uma metodologia para o fazer dentro de água.

PESQUISA E DESENVOLVIMENTO AR PARA ÁGUA

Durante algum tempo, antes de fazermos as sequelas…

COORDENADOR DE DUPLOS

… tentámos mostrar ao Jim como passar do ar para a água.

Aposto que não sabiam isso. Estivemos envolvidos em vários momentos.

Havia duas ideologias diferentes.

Seria possível fazê-lo dentro de água com tantos atores

ou teríamos de arranjar um modo credível de o fazer com cabos?

PRODUTOR VISUAL

Três, dois, um, vai.

Usámos guinchos computorizados.

Como os sistemas que se usam nos estádios, com as câmaras agarradas.

Usámos um guincho e pusemos alguém a voar, como se estivesse a nadar.

Ficou absolutamente espetacular,

mas quando o comparávamos…

DESIGNER DE PRODUÇÃO

… com algo filmado dentro de água,

dava logo para perceber e era impossível de fingir.

É impossível escondermo-nos da Física quando filmamos.

As pessoas têm de o fazer,

porque a Física passa para o resultado final.

- E ou fica bem ou não fica. - Fazem assim.

Demoram algum tempo a pôr as mãos para a frente.

Quando o tentámos imitar no ar,

como se estivessem na água, ficando suspensos com cabos

e andando às voltas a fingir que estavam na água, não resultou.

Ele disse-nos: "Não, não vai resultar.

Parece alguém que está a voar e a fingir que está a nadar."

E era verdade.

O Jim disse: "Tenho más notícias. Vamos para a água."

A resistência é essencial.

O corpo humano precisa de interagir com aquele meio,

que é 800 vezes mais denso do que o ar.

Quando puxamos a água, avançamos.

Quando empurramos um objeto, abrandamos.

Quando entramos na água, desaceleramos.

Há certas coisas inatas à Física.

Se estivermos a nadar, isso afeta tudo o que fazemos.

Fingir que sustemos a respiração enquanto chamamos alguém

é difícil de fingir.

Assim, pôr os atores no ambiente aquático

foi natural e consistente com a filosofia do Jim

de proporcionar aos atores o máximo da experiência real possível

para que se pudessem focar em atuar naquele momento

e naquele ambiente.

Acabámos por ir para a água e, quando eu recebi o guião,

havia muitas cenas dentro de água.

Nunca ninguém tinha filmado dentro de água.

DESCOBRIR COMO FILMAR NA ÁGUA

E não só debaixo de água,

mas também à superfície, que foi ainda mais complicado.

Sob e sobre a água ao mesmo tempo.

Tudo para que ficasse perfeito.

Tínhamos de criar uma metodologia que permitisse ao elenco

representar de forma emotiva e envolvente enquanto estava na água.

E isso foi desafiante.

Temos de o testar.

- Sim. - Temos de criar protocolos de segurança

e de o tornar seguro para os atores. É quase como um programa espacial.

Representa bem o Jim.

Acabámos o primeiro filme e sentimos que foi muito difícil,

e o Jim decide fazer o seguinte dentro de água.

Quando lemos o guião, percebemos logo.

A nossa equipa começou com algumas pessoas de várias empresas.

O primeiro teste que fizemos foi ver que tipo de visibilidade

teríamos com as mudanças óticas resultantes de estar dentro de água…

INFRAVERMELHOS

… e que tipo de luz seria sensível à lente da câmara.

Vimos logo que os infravermelhos não funcionariam.

A água absorve rapidamente a luz infravermelha.

Se imaginarmos uma lanterna a sair da câmara,

essa lanterna teria pouco alcance.

A luz ultravioleta alcançava uma maior distância na água.

LUZ ULTRAVIOLETA

Quando filmamos num meio aéreo, usamos infravermelhos,

tal como todos fazem,

mas percebemos que poderia funcionar com luz ultravioleta.

Tínhamos de lidar com algumas coisas.

Contaminação, refração, reflexão,

água a agitar-se e a afetar o sistema com bolhas,

mas parecia ser fazível.

Conseguimos fazer um primeiro teste na piscina do Jon.

Pusemos fatos de mergulho, levámos duas câmaras,

arranjámos uma tábua com marcadores

e filmámos um objeto num espaço 3D debaixo de água.

Tudo bem?

- Põe um neste marcador. - Aqui? Sim.

Fomos para Long Beach,

usámos uma piscina interior,

para podermos controlar bem a luz,

e arranjámos uma pessoa para nos ajudar.

Tínhamos seis câmaras.

Pedimos a um mergulhador que ficasse parado no fundo da piscina

enquanto percebíamos o sistema.

Inclina-te para o lado. Dá um pontapé à frente. Atrás.

SAN PEDRO, CALIFÓRNIA

O teste seguinte foi no tanque grande, chamado Tanque 1.

Era um contentor enorme com 40 câmaras.

Foi a primeira vez que usámos várias pessoas.

À medida que fazíamos os testes, íamos mostrando ao Jim.

E ele dizia: "Boa! Estamos a fazer progressos.

Como os vamos filmar a entrar na água?"

Eu não sabia, na altura.

Na maioria das cenas,

havia filmagens dentro e fora de água.

E isso envolvia dois espectros de luz muito diferentes.

Ao trabalhar com o Ryan, ele sugeriu: "Porque não usamos dois volumes

e os sobrepomos?"

Pusemos um dos artistas, o Kevin Dorman,

a nadar à superfície.

Tínhamos um volume de infravermelhos em cima e um ultravioleta em baixo,

sendo a água um meio entre ambos.

Basicamente, usámos um volume para debaixo de água

e outro volume para o ar.

E os volumes tinham de ficar sobrepostos, com apenas 2,5 cm de distância.

Assim, o computador recolhe dados dos dois volumes

e integra toda essa informação em tempo real.

E mostra-me na minha câmara virtual…

Vamos!

… pessoas a ir e a vir,

a nadar e a subir para uma doca ou uma rocha.

A mergulhar e a nadar debaixo de água.

E eu via tudo na câmara virtual.

Unimos dois métodos totalmente diferentes de filmagem,

e o resultado foi incrível.

Mas surgiu outro problema.

A superfície da água é como um grande espelho em movimento.

Debaixo de água, se olharmos para a superfície,

parece mercúrio e crómio, como um espelho.

Portanto, as câmaras perto da superfície

captavam um reflexo de tudo.

Em vez de um ator e um marcador, viam-se dez atores e dez marcadores.

Como nos íamos livrar disso?

Propus que fizéssemos como em O Abismo,

para tirar o reflexo da superfície, que foi pôr contas pretas na água.

E disseram: "É possível, mas como fazemos com a iluminação?"

E alguém teve a ideia de usar bolas de plástico à medida,

com dois terços do tamanho das bolas de pingue-pongue.

Pusemos uma luz muito forte por cima,

e isso iluminou o cenário e criou uma luz suave debaixo de água.

- Vamos cortar. - Corta!

Bom trabalho. Ficou bem?

Ficou.

DESENVOLVIMENTO DAS CRIATURAS

Não queríamos ter de lidar com o mar,

mas precisávamos de um mar.

E precisávamos que as pessoas andassem debaixo de água nas criaturas.

Debaixo de água e à superfície.

- Vamos! - Sim!

Sim!

As criaturas vão à superfície, respiram, nadam à superfície e mergulham.

O skimwing sai da água,

voa acima da superfície e volta a mergulhar.

Começámos pelos princípios básicos.

"Como nos seguramos a esta criatura?

Como podemos ter uma postura que pareça natural?"

Antes de percebermos como tinha de ser o tanque,

tivemos de perceber como andar nas criaturas.

Como poderíamos perceber isso?

Tínhamos de construir algo que se movesse como elas.

Como podíamos gerar esse tipo de energia debaixo de água?

Havia uma resposta.

LAGO SHASTA, CALIFÓRNIA

Um sistema chamado Jetovator.

Foi construído por um inventor da Nova Zelândia.

O Jetavator usa tecnologia hidrovoadora.

FUNDADOR DA JETAVATION INC

Sentamo-nos como numa mota,

e usa a propulsão para nos fazer voar.

Acho que não estavam prontos para o Jim, porque ele chegou e disse:

"Usam um tubo.

E se pusermos uma pessoa por cima, porque é flexível?

Assim, a pessoa pode criar o movimento flexível."

Estávamos a perceber se seria possível manipular esse tubo

e transformá-lo na coluna da criatura.

- Um sistema não controlado pelo condutor. - Sim.

Não queriam que o condutor manipulasse nada, como os controlos.

Estou a imaginar algo tão barato, mas otimista,

que tenho vergonha de o dizer em voz alta.

Em vez do pescoço, usamos uma pessoa.

Ou seja, o condutor segura-se a uma corda presa a essa pessoa.

Tínhamos uma pessoa que tornámos invisível para a captura de movimento

que estava dentro da nave.

Essa pessoa manipularia os controlos e fá-lo-ia mover-se como a criatura.

Boa.

Construímo-lo e levámo-lo para o mar.

BAAMAS

Fomos às Baamas. Muitas ilhas e paisagens bonitas.

Há um bom apoio para mergulhar e para os barcos.

Pegámos em tudo o que construímos,

levámos a nossa equipa de artistas aquáticos

e passámos à fase de tentar perceber como o fazer.

O objetivo desta semana é arranjar uma boa referência

para como deviam ficar nas criaturas. É esse o objetivo da semana.

Temos de captar bem a posição corporal do condutor.

Tínhamos os nossos artistas lá, claro,

e eles não estavam habituados ao mar, se é que me entendem.

Eu não quereria ver as filmagens.

Exatamente.

- Pelo menos, não antes do almoço. - Sim.

Fizemos vários testes…

COFUNDADOR DO LEGACY EFFECTS

… e levámo-lo para o mar. Fizemos um Payakan que podia mergulhar

e trabalhámos com os duplos e os atores que iam andar naquilo.

Foi uma experiência valiosa. Era tudo real.

DUPLOS

Estávamos a voar nos skimwings e a andar nos ilu debaixo de água.

Estavam a andar nos ilu, umas criaturas de pescoços longos.

Não os queríamos simplesmente a balouçar em cima dos ilu.

E, sempre que viravam, eles deslizavam.

É uma forma de o fazer, e foi como a Kiri o fez, no início,

porque lhe fez sentido e deixou-se levar, e ficou bonito e fluído.

Mas um condutor experiente, como os dos recifes,

segura-se e deixa o corpo reto.

Tem uma perna esticada, a fazer de leme,

e a outra perna para a frente, presa na barbatana.

Os ilu já tinham barbatanas, mas pusemo-las mais para trás,

e o ombro ficou no sítio certo…

ARTE CONCEPTUAL

… de modo a conseguir prender lá o joelho. Criou uma linha muito elegante.

Excelente, Charlie. Arrasaste.

No skimwing…

DUPLO

… o James queria que fosse possível fazer umas manobras

e mergulhar para o fundo do mar.

Da primeira vez que tentaram andar no skimwing,

foi do género: "Subi à superfície,

estou no ar e a voar, e vou mergulhar." E bateu com a cara.

O duplo disse que foi como levar com um pau na cara.

Eu disse: "Muito bem.

Vamos repetir. Desenvencilhem-se."

Fizemos o skimwing sair da água e voltar a mergulhar.

Eu estava sempre a cair.

O Garrett disse para eu ficar agarrado, e eu respondi que estava a tentar.

Segurei-me com todas as forças.

O Chris Denison, o nosso duplo…

COORDENADOR ASSISTENTE DE DUPLOS

… é perito em mergulho e forte e ágil na água,

mas o melhor foi ele saber como funcionam as filmagens.

É um duplo experiente e sabe como funciona a pesquisa e o desenvolvimento.

E soube transmitir-nos o que sentia.

"Foi difícil segurar-me aqui. Precisava de me agarrar ali.

O meu braço estava muito esticado aqui."

Foi isso que nos permitiu fazer pequenos ajustes.

Descobrimos que, com a onda,

se eu batesse com a cabeça na água com toda a força,

mergulharia e conseguiria ficar agarrado.

Foi muito giro, porque, quando filmássemos no tanque,

se a posição do corpo estivesse mal, eu podia dizer:

"No mundo real, sairias disparado se fizesses isso.

É assim que se faz."

As ondas eram enormes, mas sabíamos o que tínhamos de fazer.

Subimos nove metros no ar e mergulhámos na água, e pronto.

Foi perfeito! Assim mesmo.

Foi muito divertido.

Aprendemos imenso.

Não só o que funcionava, mas também o que ficava bem.

Excelente. Quero filmar assim.

Vês como esconde a criatura?

- A criatura não se mexe. - Sim.

Foi a fase inicial

do que acabaríamos por conseguir fazer nos tanques para o Avatar.

Depois, surgiu a pergunta: "Como filmamos o mar

com criaturas e pessoas à superfície, a nadar grandes distâncias,

a entrar em grutas e a andar em cima de animais, a 30 km/h?"

Decidimos usar um tanque,

mas, para isso, precisávamos de ondas e correntes.

Precisávamos de espaço.

CONSTRUIR O DERRADEIRO TANQUE

Começou relativamente pequeno.

Havia um tanque no estúdio 28 de um milhão de litros.

COORDENADOR DE PRODUÇÃO

Começámos a fazer pequenos testes com seres aquáticos,

geradores de correntes e pequenas ondas

para ver o que o sistema de captura de movimento captava e não captava.

- A filmar? - Certo.

- A filmar. - Eu não estou.

Que tal tentarmos para vermos as manobras possíveis à superfície?

A ideia é ser por cima e por baixo, mas ver o que se pode fazer inversamente.

Era um tanque de teste com o qual poderíamos aprender muito.

Cometemos os erros todos naquele tanque e aprendemos com eles

e, depois, construímos um novo tanque enquanto filmávamos naquele.

O tanque de teste era parecido com o Tanque 1 em que filmámos.

Também tinha de incorporar o trabalho dos duplos,

os testes de correntes

e quanto tempo os mergulhadores conseguiam atuar naquelas profundidades.

Tinha quase cinco metros de profundidade.

Vamos arranjar uma solução. É tudo novo, ninguém sabe como o fazer.

Quando acabarmos, vamos saber.

E mais ninguém o vai querer fazer.

O Jim teve uma ideia mais grandiosa.

Ia construir um tanque sobre a superfície e também subterrâneo

num dos palcos de som em Manhattan Beach.

Lembro-me de pensar: "Como o vai fazer?"

Ele desenhou tudo num guardanapo e disse:

"É isto que vamos fazer. Quero os efeitos especiais."

OFICINA DE INOVAÇÃO

Tem ligações ao Woods Hole e estudou dinâmica de fluidos

e o que ele queria que acontecesse. - Não. É aqui que acaba a corrente.

Naquele ponto. Mal comece a dar a volta, a água entra pelo lado…

O Jim queria…

COORDENADOR DE EFEITOS ESPECIAIS

… proporcionar o ambiente mais realista possível.

Quisemos construir um ambiente mutável

para simular todos os cenários do filme.

Tinha elementos como uma máquina de ondas

para podermos simular o comportamento das ondas no mar.

Tínhamos de fazer tudo. Precisávamos de uma máquina de ondas

e de uma máquina de correntes.

Precisávamos de uma ilha e de um remoinho.

Tínhamos vários departamentos num espaço muito pequeno,

um grande buraco no chão, e tudo tinha de funcionar.

Há áreas sem acrílico.

- É parede sólida. - Certo.

- E essas paredes… - Podemos transferir através delas.

A parede do tanque tem de ter robustez suficiente

para a amarração. - Certo.

Abanámos a cabeça a pensar: "Nunca mais apostamos contra o Jim."

- A postos. - Três, dois, um.

Comecem!

O Jim queria criar uma onda muito específica.

Era uma boa onda.

Não era necessariamente uma grande onda para surfar.

Queríamos que os atores pudessem estar a flutuar no meio do tanque,

que viesse uma grande onda e que oscilassem para cima e para baixo.

E, se aumentássemos a velocidade e cronometrássemos bem as ondas,

podíamos criar outras formas de ondas que rebentassem,

criar marés de tempestade, tudo isso. Foi isso que tentámos construir.

TESTE DE ANIMAÇÃO DA WĒTĀ FX

O departamento de efeitos visuais

fez simulações ao vivo de ondas.

Eles deram-nos a forma, e nós passámos essa forma para o tanque.

A minha maior preocupação com a máquina de ondas

era termos 20 toneladas de aço a oscilar a 1,8 metros por segundo.

Se alguém ficasse debaixo dele ou se aproximasse, podia correr muito mal.

Tínhamos de construir uma proteção para manter as pessoas afastadas.

Criámos um sistema de portas muito inteligente, obra do Jim.

Permitia passar as ondas, mas não pessoas.

Até podem ser barras de prisão.

Desde que ninguém passe por elas. As barras de prisão estão bem estudadas.

Constroem grandes prisões e têm muitas celas.

Têm a distância máxima para que uma pessoa não passe.

Se fosse mais estreita, precisariam de mais barras.

- Treze centímetros. - É? Sabes isso?

- Prisão de LA. - Certo.

A parte prática de pegar numa carga tão pesada, mergulhá-la na água

e fazer deslocar aquela quantidade de água foi fenomenal.

Passámos ótimos dias no tanque,

o que nos permitiu ter atuações reais incríveis.

Porque foi real.

Estavam na água, a apanhar com ondas e a tentar puxar um corpo para as rochas.

Eram rochas falsas, tal como as ondas eram falsas,

mas nada daquilo era falso para os atores.

Vamos cortar.

Desde cedo que o Jim teve o sonho ou a visão

de instalar no tanque hélices de barco gigantes

e de as usar para criar a corrente.

Mais!

Segurem!

Duas hélices, cada uma a pesar 450 quilos, com um ângulo de 17º.

Podíamos bombear milhões de litros de água através dos geradores de corrente

em menos de um minuto.

Basicamente, é um tanque com milhões de litros de água,

e cada gota de água

é bombeada pelas máquinas em menos de um minuto.

Isto é 50% da nossa capacidade.

Conseguimos gerar correntes de 18,5 km/h. Na potência máxima, serão 40 km/h.

Podíamos fazer as ondas rebentar na costa

e filmar as pessoas a tentar sair da água enquanto lutavam contra as ondas.

Hélice em movimento.

Parecia real. Parecia que estavam no mar.

A chave era filmar debaixo de água

e também à superfície para terem de nadar bem,

de usar o próprio peso para sair da água ou de mergulhar como deve ser.

Parece mesmo real.

Muito bem.

Vamos fazer o que é preciso e sair para ensaiarmos.

A equipa Zulu é quem faz as peças do cenário usadas nas gravações.

Se a Neytiri estiver a atravessar a selva,

for a correr, subir para um tronco e descer,

não é uma superfície lisa.

Precisamos da geometria correspondente

para o ator se alinhar com o cenário virtual.

E esse é o herói desconhecido de todo este processo,

porque é muito importante, mas também invisível.

Esse trabalho já é importante e difícil num cenário seco,

mas tínhamos de o fazer num tanque e precisávamos de cenários subaquáticos.

Muito bem. Vamos empurrar.

Parem!

Lembro-me de dizer: "Quero propor uma espécie de tabuleiro gigante."

Qualquer mecânico sabe do que falo.

Pomos os cenários no tabuleiro, colocamo-lo numa base e erguemo-lo.

E o chão era uma espécie de passador.

Precisávamos de uma plataforma em que a água escorresse

e subíamo-la até à superfície, reconfigurávamos o cenário

e baixávamo-la até ao fundo.

Senão, precisaríamos de dez mergulhadores durante três dias

a mudar os cenários, e não era possível.

Também há algo saído daquele lado.

- Certo. - Vamos pôr os pequenos.

Pomos algo ali e criamos uma pequena…

As caras deles vão estar aqui, certo?

- Certo. - Uma abertura.

No tanque principal, construímos um sistema de pórtico.

Todos os cenários seriam construídos fora do tanque, içados,

transportados e postos na água.

O guindaste permitiu-nos pôr coisas em ângulos diferentes, movimentá-las

e criar muitas variações num instante.

Preciso daquele cano. Não está no sítio certo.

- Devia estar… - Não é tão grande nem largo. Para cá.

Não vamos tentar adivinhar. Temos de ter a certeza.

Havia uma plataforma de 12 metros, uma de seis e uma de três

que podíamos juntar

ou separar na configuração que quiséssemos.

Também podíamos criar um espaço aberto.

Foi incrível, no primeiro dia,

ver o tanque pronto e todos prontos para filmar.

E eu pensei: "Belisquem-me."

Construímo-lo mesmo e funcionava.

Sei que todos trabalharam muito para ter o tanque pronto.

É o primeiro dia, e o tanque está pronto.

Vamos filmar, e está ótimo.

Quero agradecer a todos.

- Sim! - Obrigado.

MERGULHO LIVRE

Se usarmos uma botija de oxigénio nestes cenários,

o sistema assume as bolhas de ar como marcadores.

As bolhas de ar a caminho da superfície

parecem as esferas de vidro nos marcadores retrorrefletores.

E o sistema perde a cabeça.

E ação!

Numa das primeiras reuniões com o Jim sobre os requisitos

para a captura de movimento subaquática…

CINEASTA SUBAQUÁTICO

… ele explicou que não podíamos ter bolhas de ar

e perguntou-me como poderíamos filmar,

e eu disse que a sequência deveria ser filmada por mergulhadores livres.

Ele perguntou: "Vão todos respirar ao mesmo tempo e mergulhar juntos?"

Respondi que sim, porque gosto de pensar que, enquanto profissional

que filma vida selvagem como mergulhador livre,

nenhum ator iria suster a respiração mais tempo do que a minha equipa.

A resposta do Jim foi mergulho livre.

O Jim é um mergulhador livre experiente

e quis ensinar ao elenco como fazer mergulho livre.

- Cinco, quatro, três, dois, um. - Para cima.

Tínhamos de deixar os atores confortáveis debaixo de água

e capazes de fazer as coisas que as personagens deveriam fazer.

No caso da família Sully e dos filhos, que acompanhamos,

eles não estavam habituados a isso.

Não fazia mal os movimentos deles não serem fluidos

ou não susterem a respiração,

mas os atores que representavam o Povo do Recife

tinham de fazer parecer que cresceram na água

e que evoluíram de modo a conseguirem suster a respiração, quase como focas.

As instruções do Jim foram simples.

Ele disse: "Quero que os atores consigam fazer as acrobacias

e, acima de tudo, que pareçam confortáveis na água,

como se pertencessem lá.

E quero que fiquem debaixo de água tempo suficiente para eu os filmar."

Logo no início, contactámos

um dos melhores instrutores de mergulho livre, o Kirk Krack.

Vamos ficar totalmente relaxados e, depois, subir lentamente.

Vai demorar cerca de um minuto.

O Jim vira um filme que fizemos, chamado Defending the Vandenberg,

que era mergulho livro guerrilheiro, uns atrás dos outros,

nuns destroços em Florida Keys.

Conheci o Kirk Krack num avião

e conhecia o trabalho dele como o tipo do parkour subaquático

que estava a criar formas interessantes de filmar o mergulho livre.

Disse que precisava dele no meu filme, e ele deu-me o cartão dele.

O meu trabalho é treinar quem vai suster a respiração no tanque

para que possa fazer, no mínimo, uma cena de dois minutos.

A ideia é conseguir o tempo de filmagens máximo

para que a magia flua e eles consigam editar tudo.

Tudo isto enquanto atuam.

Ajuda se tiverem aptidão para a água,

como a Kate, a Sigourney e o Sam têm.

A Zoe nem por isso. Penso nela como num felino.

"Vou para a água se tiver de ser, mas…"

A parte boa é que a Neytiri odeia água.

Tivemos de deixar a Zoe confortável.

Ela não tinha muitas cenas aquáticas,

mas tinha algumas, e tinham de ficar bem.

Engolimos e aguentamos o ar na glote.

Lembro-me de o Jim dizer: "Sim.

Vais ter de suster a respiração entre três e quatro minutos."

E eu respondi: "Jim, não consigo suster a respiração 30 segundos."

Mas, na primeira sessão com o Kirk,

sustive a respiração um minuto e meio.

E pensei: "Como aconteceu isto?"

Vamos ver como reage o coração.

- E… - Meu Deus!

É algo bom.

Fizemos sessões de duas ou três horas

a explicar a respiração, os diferentes músculos respiratórios

e a parte física de estar dentro de água.

Acima de tudo, para compreender a segurança e a gestão de problemas.

Para conseguirem fazer mergulho livre, temos de os deixar confortáveis

para explorar o seu potencial.

Foi um processo de treino muito intenso.

Foi cerca de um mês seguido.

Começou por ficarmos confortáveis a suster a respiração durante muito tempo,

que é algo que exige treino.

Aprender a fazer isso, a suster a respiração assim

e a oxigenar todo o sistema

para conseguirmos suster a respiração durante mais tempo é muito técnico.

Ele pôs-nos deitados na água, a respirar por um tubo de mergulho,

para acalmar o nosso impulso mamífero.

É maravilhoso, porque conseguimos sentir o nosso corpo a mudar

e a relaxar na água, até ficarmos suspensos.

Vamos girar aqui.

A maior parte do tempo, o que nos leva à superfície

não são os níveis de oxigénio baixos.

É a necessidade de respirar pelos níveis de dióxido de carbono altos.

Acumulamo-lo depressa no sangue,

e o aumento de dióxido de carbono torna o nosso sangue ácido

e muda o pH, e é aí que o nosso corpo diz: "Tenho de normalizar o pH."

Por isso, faz-nos tentar respirar

e sentimos uma certa urgência e contrações para respirar.

Temos uns tremores involuntários

quando sustemos a respiração durante dois ou três minutos.

São bastante fortes, e o Kirk chama-lhes "o vilão".

Temos de pensar: "Sim, corpo, vejo que queres respirar,

mas ainda tens bastante oxigénio.

É só o desejo de te livrares do dióxido de carbono."

Sempre que o fazemos, relembramos ao corpo que aguenta mais.

Temos de aprender a esvaziar a mente.

E isso não é fácil para muita gente.

Certamente, não é fácil para mim.

Agora, quando estou enervada, entro numa piscina

e sustenho a respiração.

Foi muito bom.

Respira, respira, respira, respira,

respira, respira.

- Quanto foi? - Que achas?

Não sei. Seis minutos e dez segundos ou sete minutos e dez segundos.

- Sete minutos e 15 segundos. - O quê?

Tive desde pessoas que adoravam água a pessoas que tinham medo de água

ou que estavam a tentar estar confortáveis na água e a nadar, quanto mais mergulhar.

Muito bem, relaxem e subam.

A Bailey é um bom exemplo. No início, não gostava nada de água.

A água não era para ela.

Mal acabava o treino, ela saía da água,

e, antes de o treino começar, perguntava: "Temos mesmo de estar lá tanto tempo?"

Depois, aconteceu algo incrível. Semanas depois, ela fez um mergulho.

Via-se o reflexo de mergulho e o suster da respiração.

Tudo se alinhou, e ela susteve a respiração muito tempo.

Quando voltou à superfície, quis repetir.

E deu para perceber que algo tinha mudado.

- Podes trazer-me essas barbatanas? - É o melhor dia da minha vida.

Eu odiava a água. No início, mal sabia nadar.

Odiava pôr o fato de mergulho e era péssima nisso.

Mas esforcei-me imenso, e o Kirk ficou muito orgulhoso no final,

porque disse: "Eras uma das piores nadadoras

e tornaste-te uma das pessoas que mais sustém a respiração

e uma das nadadoras mais fortes, porque te empenhaste."

Queríamos garantir que acabávamos a produção

com os milhares de horas e mergulhos necessários em segurança.

E que todos os atores e duplos

pudessem fazer 40 ou 50 mergulhos diários de forma consistente e em segurança.

Vamos descer e chegar ao nível pretendido.

Foi tudo controlado e feito em segurança.

Com a ajuda deles, os atores estavam calmos

e confiaram no sistema. - Adorei estar no tanque.

Adorei as pessoas que estavam no tanque.

Foi uma experiência em conjunto incrível.

E, quando lhe juntamos água, é do género:

"Não acredito que estou a fazer isto. É empolgante."

NADAR COM CAUDAS

Tivemos a ideia de terem caudas fortes

que podiam usar para ter mais propulsão.

MODELO DA WĒTĀ FX

Mas onde entrava a cauda?

Tivemos de perceber como iriam nadar.

BAAMAS

Trouxemos um campeão mundial de mergulho livre

para vermos como era ter um corpo a nadar debaixo de água

sem ter de parar para respirar.

E ele sustinha a respiração imenso tempo.

Até achámos que ele tinha morrido.

Olhámos para o relógio, e ele apareceu todo feliz.

Sou mergulhador livre. Ganho a vida a mergulhar o mais fundo possível.

CONSULTOR DE BRAÇADAS

Nado sem barbatanas

e tento nadar com potência e de forma eficiente

pela água para alcançar a profundidade máxima.

E é isso que o povo Na'vi tem de fazer no seu dia a dia.

Basicamente, tive de perceber

como os Na'vi se moviam na água de forma eficaz e potente

e arranjar um movimento e uma braçada correspondente.

Tentem brincar.

Finjam que são adolescentes Na'vi a descontrair na água.

Movem-se com tanta elegância na água.

Esta é uma ótima oportunidade para estudar os vossos instintos no mar.

Criámos uma braçada chamada "fechadura".

Usamos as mãos e os pés como remos,

fazemos grandes movimentos na água

e mexemos as mãos e os pés pela água enquanto o tronco se mantém firme.

E o movimento dos braços faz lembrar uma fechadura.

Uma característica do povo Na'vi

é que têm membros evoluídos e a cauda é mais plana.

E usam-na para dar mais impulso.

- É demasiado. - Sim.

Usa muito a parte posterior.

Se tivermos uma cauda forte com uma grande base musculada,

as ancas movem-se com a cauda,

mas não temos uma cauda, ela é adicionada mais tarde.

- É como um aligátor. - Sim.

Depois, pensámos que não iam a lado nenhum enquanto deslizavam

porque não geravam impulso suficiente.

Por isso, pensámos na propulsão.

Atenção, 007.

Os mais recentes propulsores a jato subaquáticos.

Encontrámos uns propulsores a jato

e demos-lhes um interruptor.

Podiam dar a braçada,

carregar no botão do propulsor a jato e abanar as ancas.

E tornaram-se peritos nisso.

Toca. Passa por ele, Lang.

Faziam acrobacias subaquáticas à vontade.

Vê para onde vais depois.

Boa. Olha para a câmara enquanto avanças.

- E corta. - Corta!

HAVAI

Levámos toda a gente para o Havai.

Algumas notas.

Não entrem na água e mergulhem até ser seguro.

Segurança, supervisão direta, um em cima, um em baixo, tudo isso.

Treinaram o mergulho livre.

E achei que era melhor ensinar isso num recife real.

Podiam distrair-se, ver os peixes e sentir-se em sintonia com a natureza.

O objetivo deste exercício é continuar a vossa nova relação

com o mundo subaquático.

Queríamos proporcionar-lhes uma experiência

o mais próxima possível de Pandora.

- Certo. Queres aquele? - Quero aquele.

Não, este não é teu. Devias começar com o teu.

No mar, criamos laços com os outros,

porque, ao suster a respiração, nadar nas grutas

e ver a vida selvagem,

vimos à superfície, e todos respiram e recuperam em conjunto.

"Foi incrível."

E voltamos a mergulhar.

Quando vemos algo engraçado,

pensamos se devemos descer tanto para o ver.

Fizemos um mergulho noturno.

Fomos até ao fundo do mar,

na escuridão total, de noite,

e surgiu uma criatura pré-histórica, que parecia vinda de Pandora

e que passou por nós.

Foi uma espécie de experiência religiosa para todos.

Sobretudo para o Cliff Curtis, que tem uma raia tatuada no peito.

É o espírito animal dele.

E as raias estavam a passar-lhe a centímetros da cara

e deixavam que lhes tocássemos.

Uma das melhores coisas que fiz na vida

foi nadar com raias no Havai.

Foi espetacular.

Fiquei muito feliz.

A raia estava muito perto dele,

e ele aproveitou o momento.

A raia passou por baixo dele e fez umas cambalhotas à frente dele.

Acho que foi uma experiência que ficou com eles

quando filmámos cenas como o primeiro mergulho.

No filme, aparece uma raia que nada junto à Kiri,

e a Kiri toca-lhe com a mão.

Foi muito parecido ao que vi a Sigourney fazer

no mergulho noturno quando a raia passou por ela.

EM MEMÓRIA DE JON LANDAU

Tradução: Lara Kahrel

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