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Original subtitles

O DESPREZO

Este filme � baseado na novela de Alberto Moravia.

Estrelando Brigitte Bardot e Michel Piccoli

E tamb�m Jack Palance e Giorgia Moll

E Fritz Lang.

Raoul Coutard fez a fotografia.

Georges Delerue escreveu a m�sica

O som foi gravado por William Sivel.

Agn�s Guillemot fez a edi��o.

Philippe Dussart e Carlo Lastricati foram diretores de produ��o.

Este � um filme de Jean-Luc Godard.

Foi filmado em CinemaScope e revelado nos laborat�rios GTC em Joinville.

Foi produzido por Georges de Beauregard e Carlo Ponti.

para Rome-Paris Films, Concordia e C.C. Champion, Roma.

"O cinema", disse Andre Bazin, "substitui um mundo..."

"por outro mais em harmonia com nossos desejos."

"O Desprezo" � a hist�ria desse mundo.

N�o sei.

Acho que vou visitar mam�e. Depois disso n�o sei.

Venha me encontrar, se quiser,

�s quatro...

... em Cinecitt�.

Tenho que falar com esse americano.

Pode ser.

V� meus p�s no espelho?

Sim.

Acha eles bonitos?

Sim, muito.

E minhas pernas? Acha bonitas?

Sim.

Voc� gosta de meus joelhos tamb�m?

Sim

Eu gosto muito de seus joelhos.

E minhas coxas?

Delas tamb�m.

Voc� me v� pelas costas no espelho?

Sim.

Voc� acha que eu tenho uma bunda bonita?

Sim.

Muito.

Quer que me ajoelhe?

N�o precisa.

E meus peitos, gosta?

Sim. Muit�ssimo.

Devagar, Paul, n�o assim t�o brusco.

Desculpe, Camille.

O que voc� gosta mais?

De meus peitos?

Ou de meus mamilos?

N�o sei. Gosto igual.

Gosta dos meus ombros?

Acho que eles deviam ser mais arredondados.

E meus bra�os? Gosta deles?

E meu rosto?

Tamb�m.

Todo ele?

Minha boca, meus olhos, meu nariz, minhas orelhas?

Sim, tudo.

Ent�o me ama totalmente.

Te amo totalmente, ternamente, tragicamente.

Eu tamb�m, Paul.

- Ol�, como vai? - Bem, obrigado.

O que est� acontecendo? Onde est� todo mundo?

Jerry despediu quase todos.

O cinema italiano vai mal.

- E ele, onde est�? - Est� por ali.

Onde?

Ontem, aqui havia reis...

... princesas, amantes,

Todas as emo��es humanas.

Ontem, ele vendeu tudo.

E v�o construir uma loja Prisunic de 10 centavos.

� o fim do cinema.

Sempre haver� cinema.

Voc� escreveu "Toto contra H�rcules".

- Que est� indo muito bem em Nova York. - Nada mau.

"Voc� n�o precisa ser modesto comigo. N�o creio em mod�stia."

"Eu acredito no orgulho. No orgulho de fazer bons filmes."

Voc� est� orgulhoso? Deve estar orgulhoso de fazer cinema.

Conhece "Odiss�ia"?

- Seu filme com Fritz Lang? - N�o!

"J� perdi meu est�dio e vou perder as cuecas por culpa dele."

Ele vai muito mal.

Por que o contratou?

Porque "Odiss�ia" precisa de um diretor alem�o.

Foi um alem�o que descobriu Tr�ia.

E que devo fazer?

Ele quer novas cenas para "Odiss�ia", n�o apenas sexo, mas com mais...

Os produtores s�o todos parecidos, nunca sabem o que querem.

Saber que n�o se sabe � de um esp�rito superior.

N�o saber e achar que se sabe, � um erro.

Saber que isso � um erro, evita que se cometa.

"Tenho o conhecimento aqui"

No creio que Lang aceite.

"Este � meu dinheiro"

Em 1933, Goebbels prop�s a Lang que dirigisse a ind�stria alem� de cinema.

Na mesma noite, Lang atravessou a fronteira.

"N�o estamos em 33. Estamos em 63. E ele dirigir� o que lhe derem escrito."

"S� sei que voc� vai escrever".

N�o estamos em 33. O Sr. Prokosch sabe que far� o trabalho.

Bom... Por qu�?

Ele dir� durante...

... a proje��o. Venha, � por aqui.

Por qu�?

Porque voc� precisa de dinheiro.

Como sabe?

Disseram a ele que voc� tem uma mulher muito bonita.

Que maravilha vamos ver hoje, Fritz?

Cada filme deve ter um ponto de vista definido, Jerry.

Todo filme precisa de um ponto de vista definido.

Aqui temos, a luta do indiv�duo contra as circunst�ncias.

A eterna quest�o dos antigos gregos...

Ah n�o, por favor!

� o eterno problema dos antigos gregos.

N�o sei se ser� capaz de entender, Jerry. Espero que sim.

Esta � uma luta do homem contra os deuses.

� o combate entre Prometeu e Ulisses.

� o combate contra os deuses, o combate de Ulisses

Esta � Minerva, n�o?

� a protetora de Ulisses.

E esse � Netuno, seu inimigo mortal.

O segundo rolo.

"Odiss�ia" 700, um.

O Sr. Prokosch gosta dos deuses.

Ele os entende muito bem.

"Jerry, n�o esque�a que os Deuses n�o criaram o homem..."

"Os homens criaram os Deuses"

Este � Homero.

N�o foram os deuses que criaram os homens

e sim os homens que criaram os deuses.

Franchesca, que � isso?

� uma sereia.

Isso � arte, mas... ser� que o p�blico compreende?

Quem � essa?

� Pen�lope.

O Sr. Prokosch tem uma teoria sobre a Odiss�ia.

Disse que a mulher de Ulisses era infiel.

Oh, irm�os, que enfrentando milhares de perigos...

... chegando aos confins do ocidente,

N�o hesitem em seguir o sol...

E explorar o mundo desabitado.

Saibam que n�o foram feitos para ser,

Mas para conhecer a ci�ncia e a virtude.

Conhece?

Claro. � muito famoso. � de Dante.

"J� a noite contempla as estrelas..."

"E nossa alegria se transforma rapidamente em pranto,"

"at� que o mar se feche sobre n�s."

Sou Paul Javal. O Sr. Prokosch lhe disse...

Sei muito bem.

Gostei bastante. Adoro CinemaScope.

N�o foi feito para pessoas.

S� para serpentes e funerais.

� o que acho deste material, Fritz.

Gostaria de reescrev�-lo, Jerry?

Voc� me enganou Fritz. N�o � isto que est� escrito naquele roteiro.

Est� sim!

Oh, n�o!

Traga o roteiro, Franchesca.

Que acontece, Srta. Vanini? Discutem por causa do roteiro?

O CINEMA � UMA INVEN��O SEM FUTURO (Louis Lumi�re)

Sim, est� no roteiro.

Mas n�o � o que estava na tela.

Porque no roteiro est� escrito.

E na tela s�o imagens.

Imagem movimento, � como se chama.

Ele diz que n�o s�o a mesma coisa, a tela e o papel.

Finalmente conseguiu sentir a cultura Grega.

Minha mulher vinha. Vou ver se j� chegou.

N�o saia da�.

Quando ou�o a palavra "cultura" puxo o tal�o de cheques.

Anos atr�s, uns anos horr�veis atr�s, os hitlerianos diziam "rev�lver",

Em vez de "tal�o de cheques".

Aceita o trabalho, sim ou n�o?

Mas sem temor, o homem...

... se coloca ante Deus.

Sua inoc�ncia o protege.

Ele n�o precisa de armas ou ast�cia,

Enquanto a aus�ncia de Deus o protege.

Bem.

Isso � Holderlin, n�o?

Sim. "A voca��o do poeta".

A linha final � confusa. Holderlin primeiro escreveu...

"Enquanto Deus n�o falte."

E depois...

"Enquanto Deus est� perto de n�s."

Sim. A reda��o final do �ltimo verso...

... contradiz as duas primeiras.

J� n�o � a presen�a de Deus,

E sim a aus�ncia de Deus que tranq�iliza o homem.

� estranho, mas certo.

Como se diz "estranho" em italiano?

Srta. Francesca Vanini! Srta. Francesca Vanini!

Volto em cinco minutos.

Apresento-lhe o Sr. Prokosch. Camille, minha mulher.

- Apresento-lhe minha mulher, Camille. - Encantado.

Fritz Lang.

Ele fez aquele western com Marlene Dietrich que vimos na sexta.

� fenomenal!

Eu prefiro M.

Seu M.?

Vimos na televis�o. E gostei de verdade.

Obrigado. � muito am�vel.

Adorei aquela cena de "Rancho Notorious",

Quando Ferrer se inclina na escada. � maravilhoso.

Obrigado. Quando acabar A Odiss�ia...

O Sr. Prokosch a convida a beber algo em sua casa.

Sim ou n�o?

N�o sei.

Ele diz que voc� sabe muito bem.

Eu?

Paul!

Sim, v� tomar uma cerveja, ou o que seja.

N�o contem comigo.

- At� logo. - Eu ligo para voc�.

Iremos se voc� quer.

Sente-se, senhora.

"Paul n�o ficar� confort�vel atr�s. Por que n�o pega um t�xi?"

Vejo voc� l�.

Sr. Prokosch diz que voltar� para pegar voc�...

Que v�o os dois na frente. N�s podemos tomar um t�xi.

Decidam-se.

Vai, anda. Anda, vai!

Qual � mesmo o endere�o?

Ol�, Paul.

Vou te arrumar um drink, Paul.

Est�vamos esperando voc�. Achei que nunca fosse chegar.

O que aconteceu com voc�, Paul?

O que foi que ele disse?

Sei tanto ingl�s quanto voc�.

Estamos esperando h� meia hora. Por que se atrasou?

Nada. Tive acidente...

Ia no t�xi, e bem na esquina...

no "corner" da rua...

dois carros, sabe...

Caiu um p�ra-lamas.

Os dois motoristas come�aram a se insultar...

Ent�o procurei outro t�xi. � por isso que...

� por isso, o qu�?

Qu�? Que cheguei tarde.

Tive que caminhar n�o sei quanto tempo...

De S. Angelo at� a Pra�a Veneza para encontrar outro t�xi.

Al�m disso, n�o me importa. N�o me interessa sua hist�ria.

Ainda assim, me tomou 20 minutos.

- N�o acredita em mim? - Discutiremos depois.

Vou dar um passeio.

O Sr. Prokosch pede que venha amanh� assinar o contrato.

Certo.

Por que voc� n�o diz nada?

Jerry, uma liga��o de Londres.

Na sexta filmamos em Capri. Venha conosco.

Responda quando falam contigo. Por que n�o diz nada?

Que estavam fazendo antes de eu chegar?

Nada especial.

Por qu�? Estava te cortejando?

- Por que pergunta isso? - Por nada.

Vou lavar as m�os.

- Onde posso me lavar? - Subindo a escada, � direita.

Que acontece? Parece desanimada.

N�o � nada.

Esteve chorando?

N�o.

� severo, teu chefe.

�.

Conhece ele h� muito tempo?

Que fazia antes de fazer filmes?

N�o quero falar dele.

Era s� para falar algo.

� uma bobagem ser t�o linda e estar t�o triste.

N�o te ocorre nada mais engra�ado?

Mais divertido...

Uma piada.

Qual?

A de Rama Krishna e seu disc�pulo.

Rama Krishna � um s�bio Hindu.

E tem este disc�pulo...

Que deixou de acreditar em seus ensinamentos.

Por isso decide estudar sozinho.

Assim, vai embora.

Depois de 5 anos, volta e diz: "Encontrei!"

Encontrou o qu�?

Diz ao s�bio: "Vou lhe mostrar."

Leva-o at� a margem do rio.

O disc�pulo caminha de um lado a outro sobre a �gua.

E diz: "V�? Posso atravessar sem me molhar."

"Agora j� sei!"

E Rama Krishna replica:

"Voc� � um tolo. Nunca molho meus p�s e o barco custa apenas uma r�pia."

Est� menos triste?

Fico feliz.

Qu�?

� isso o que chama de lavar as m�os?

Voc� me viu?

-Sim. - Estava s� contando uma piada.

D� no mesmo.

Est� sendo tola.

Onde posso urinar?

� um livro sobre pintura romana. Para te ajudar.

Mas a Odiss�ia � grega.

Ele sabe.

Ent�o eu estava certo, n�o?

Sobre o qu�?

Sobre dinheiro e a mulher dele.

O Sr. Prokosch a convida para o jantar. Sim ou n�o?

Estou cansada. Prefiro voltar para casa.

Diga a ele que estamos indo.

Vamos.

Se decidirem ir a Capri, liguem esta tarde, � preciso preparar a vila.

Paul ligar�.

E, por que n�o a senhora?

Porque... � meu marido quem decide.

O que o interessa na Odiss�ia?

Ainda n�o sei.

Talvez fazer o oposto dos filmes de hoje, que odeio.

Para voltar ao cinema de Griffith e Chaplin...

� �poca da United Artists.

O s�bio n�o pressiona os outros com sua superioridade.

N�o os humilha por sua impot�ncia.

Est� louco!

Viu? Ele deu um tapa nela!

Voc� muda r�pido de opini�o. Segunda-feira achava ele fenomenal.

Agora acho um imbecil.

Tenho direito de mudar de opini�o.

Mas, o que aconteceu nesta �ltima hora?

Nada.

Se est� feliz eu tamb�m estou.

Est� passando "Rio Bravo" no Regina.

E tamb�m "Bigger than life" de Nicholas Ray.

N�o estou interessada.

- Voc� tem a chave. - J� sei.

Liguei para sua m�e ao meio-dia. Disseram que voc� n�o estava l�.

Almo�amos aqui. N�o queria sair.

Eu gosto daqui.

� melhor que um hotel.

Viu? Eu tinha raz�o.

Quanto est�o pagando pelo roteiro?

10.000 d�lares. Seis milh�es de liras.

Podemos acabar de pagar o apartamento. � �timo, n�o?

Sim, formid�vel.

Quando vai chamar seu amigo para resolver as cortinas?

J� estou cansada!

Assim que ele voltar da Espanha.

Roberto disse que estaria de volta na sexta-feira.

Eu quero veludo vermelho. Ou isso ou nada.

Certo.

P�e a mesa enquanto tomo um banho?

Eu tamb�m quero tomar banho.

V� primeiro. Vou trabalhar um pouco.

N�o. Eu vou mais tarde, enquanto a comida cozinha.

Vagem outra vez?

Se te agrada, para mim tanto faz.

Posso por a mesa.

J� estava fazendo isso.

Hoje cedo comprei uma coisa para mim.

Me diga o que acha.

Que coisa?

Que coisa?

N�o olhe ainda. J� vai ver.

Quer ir a Capri?

O qu�?

Quer ir a Capri?

N�o vou dizer que n�o, mas tampouco que sim.

Seriam umas f�rias.

Al�m disso ele n�o me convidou.

Qu�?

Convidou voc�...

N�o a mim.

Onde foi que colocamos o espelho?

Nada disso. Convidou os dois.

Olha.

Me cai bem, n�o?

N�o, eu te prefiro loura.

E eu te prefiro sem chap�u e sem charuto.

� s� para parecer Dean Martin em "Some Came Running".

- Que piada! - Qu�?

Pode querer parecer com Dean Martin,

Mas parece mesmo com o cu de Martin.

Qu�?

Voc� n�o conhece as aventuras do cu de Martin?

Ele um dia foi a Bagd� comprar um tapete voador.

Encontrou um bem bonito, a bom pre�o.

Sentou-se, mas o tapete n�o voava.

O vendedor disse: "Mas � claro."

Est� escutando?

"Mas � claro."

"Se quer que o tapete voe, n�o pode pensar em cu."

Martin disse: "Certo, vou pensar em cu."

Mas automaticamente pensou em um, e o tapete n�o voou.

Que tem isso a ver comigo?

Exatamente o que eu disse.

Bom... n�o entendi.

N�o importa. J� acabou?

Sim. N�o precisa trocar a �gua. N�o usei sabonete.

Est� muito estranha hoje, Camille. Que acontece?

Nada em absoluto.

Sabia que voc� ia dizer isso.

Foi aquela garota?

N�o � nada. J� disse. S� disse que voc� � um cu.

Sons diferentes em locais diferentes.

Por que n�o quer ir a Capri?

Porque � um cu.

Voc� me d� medo, Paul.

E esta, n�o � a primeira vez.

Por que n�o me respondeu direito?

Por que fui me casar com uma datil�grafa de 28 anos?

� verdade...

Desculpe.

Eu tamb�m.

V� a Capri se quiser. Eu n�o quero.

Al�m disso, n�o gosto desse Jeremy Prokosch. J� lhe disse.

Por qu�? O que ele fez contigo?

Nada em absoluto.

Por que esse ar pensativo?

Porque estou pensando.

Te surpreende?

N�o, por qu�?

Uma id�ia.

Anda, venha comigo. N�o quero ir s�.

Tem estado muito diferente desde que conheceu esse cara.

N�o, n�o estou.

E me pergunto por que diz isso.

Por nada.

Esta manh� est�vamos bem.

E agora estamos brigando por nada.

Que acontece, amor?

Quero estar bem. N�o acontece nada, Paul.

Acho que vou me aborrecer por l�.

N�o irei.

N�o irei.

Viu a casa que est�o construindo a� em frente?

� um perfeito horror.

E agora, se me ama, cale-se.

Um marido tem direito de saber porque sua mulher est� aborrecida.

Tenho certeza de que est�.

Morra!

N�o, Camille n�o est�.

Achei que tinham sa�do juntas para comer e fazer compras.

Ah, acaba de entrar! Sua m�e.

Ligo amanh�. Tchau m�e.

Voc� est� maluco!

Por que disse a minha m�e que eu n�o estava?

N�o sei porqu�.

Eu sim, sei porqu�.

Para saber se era verdade que ela tinha almo�ado comigo

E se eu n�o estava mentindo.

Sim, � isso.

Outra dessa e me divorcio, Paul.

Levanta!

Que faz?

Vou dormir no sof�.

Quando? Esta noite?

N�o, todas as noites a partir de agora.

N�o se aborre�a.

� que n�o posso dormir com a janela aberta.

Pois fechamos a janela.

N�o, sempre diz que se sufoca. N�o, dormiremos separados.

Milhares de casais fazem assim...

E no entanto est�o bem.

Que foi que eu fiz? Diga-me.

Sinto ter dito que n�o estava. � isso, n�o? Desculpe.

Deixe-me passar.

Por isso est� de mau humor?

Sim, mas j� n�o estou.

Vou ficar bem aqui.

Queria saber o que foi que eu fiz.

Voc� ficou cruel de repente!

Eu?

Eu sou a mesma de sempre.

Foi voc� quem mudou.

Desde que conheceu essa gente do cinema.

Voc� escrevia novelas policiais.

N�o t�nhamos muito dinheiro,

Mas tudo ia bem.

- O que � isso? - Me d� isso.

"Partido Comunista Italiano."

Nunca me disse que tinha se afiliado.

Foi h� dois meses em Paris.

- Me d�. - Me larga. Vai me machucar!

- N�o me fale assim! - Nem voc�!

Eu trabalho para voc�. Este lugar � para voc�, n�o s� para mim!

Por favor, Paul, n�o quero discutir.

Al�m disso, n�o quero mais ir a Capri.

Por que n�o? N�o seja bobo, v�.

Paul, venha c�.

Qu�?

N�o, j� n�o me interessa o trabalho.

Quando Prokosch ligar, diga que n�o quero falar com ele.

Venha c�.

Por que n�o quer mais escrever o roteiro?

Eu estava fazendo por amor a voc�.

� in�til, j� que n�o me quer.

Isso � novo.

"Fui juiz de um concurso de bundas entre tr�s beldades."

"Elas me escolheram como juiz."

"Mostraram-me sua deslumbrante nudez."

"A primeira virou suas costas alvas de onde nascia sua graciosa curva."

"Que surgiu redonda com duas covinhas."

"A segunda abriu suas pernas mostrando a pele rosada,"

"Que ficou vermelho cereja, n�o carmim."

"A terceira ficou im�vel como um mar calmo."

"Um tremor ondeou suavemente, sobre sua delicada pele,"

"Fazendo-a tremer involuntariamente."

Hipotecamos o apartamento se ficarmos sem dinheiro.

Alguma coisa te faz pensar que n�o te amo mais?

Sim.

O qu�?

Tudo.

Mas o qu�, por exemplo?

Antes, me diga se � verdade.

N�o, antes diga o qu�.

O qu�? O que me faz pensar que n�o me ama mais?

O jeito que come�ou a falar comigo esta tarde.

De manh� n�o era assim.

Nem ontem.

E tamb�m quando me olha.

"O problema, em minha opini�o,"

"Est� em nossa concep��o do mundo."

"Uma vis�o que � positiva ou negativa."

"A trag�dia Grega era negativa."

"No sentido em que toma o homem como uma v�tima do destino."

"que � personificado pelos deuses,"

"que o abandonam, sem esperan�a, ao seu destino."

Por que me disse que era aquilo da janela aberta?

H� mais alguma coisa?

Acho que sim.

"O homem pode se rebelar contra as coisas que s�o m�s, falsas."

"Devemos nos rebelar quando estamos presos � circunst�ncias, � conven��es."

"Mas n�o creio que a morte seja uma solu��o."

"Os crimes passionais n�o servem para nada."

"Amo a uma mulher, ela me engana, e eu a mato."

"E ent�o, o que me resta?"

"Perdi aquela que amava, j� que ela morreu."

"Se mato seu amante, ela me odeia, e de todo jeito perco seu amor."

"Matar n�o pode ser nunca uma solu��o."

Escuta, Camille...

Te escuto, te asseguro, te dou minha palavra...

... que n�o posso dormir com a janela aberta.

Preciso de sil�ncio, escuro.

Juro.

E voc� se mexe e me acorda o tempo todo.

De hoje em diante quero dormir sozinha.

N�o quer mais fazer amor?

Escutem s� o tonto.

Esse � um sorriso de deboche ou um sorriso de ternura?

Um sorriso de ternura.

Bom, responda-me!

Se fosse verdade, eu diria.

Uma mulher sempre pode encontrar uma desculpa para n�o fazer amor.

Voc� as vezes � um babaca.

Linguagem vulgar n�o combina com voc�.

O que n�o combina?

Escuta s�...

Caralho.

Foder.

Merda.

Puta que o pariu.

Babaca.

Filho da puta.

Puteiro.

Ent�o...

Ainda acha que n�o combina?

Por que n�o quer mais fazer amor?

Certo.

Fa�amos, mas que seja r�pido.

Andei pensando que Camille poderia me deixar.

Pensava nisso como um poss�vel desastre.

Agora o desastre aconteceu.

Antes, tudo acontecia como em uma nuvem de inconsci�ncia,

De cumplicidade.

Tudo se acontecia com uma espontaneidade r�pida, louca, encantada.

E acabava nos bra�os de Paul, a� me dava conta do que acontecera.

O comportamento de Camille j� n�o era espont�neo, nem o meu.

Mesmo com sentidos excitados, poderia eu responder com a mesma franqueza?

Assim como ela poderia, sem d�vida, ser franca comigo?

Eu fiz aquele coment�rio de prop�sito.

Com um secreto sentimento de vingan�a.

Ela parecia achar que uma mentira poderia resolver as coisas.

Ao menos por um tempo. Ao menos nas apar�ncias.

Estava claramente tentada a mentir.

Mas, pensando bem, decidiu n�o faz�-lo.

Paul me fez sofrer tanto.

Agora era minha vez de tortur�-lo,

Por aquilo que tinha visto.

No fundo, estava equivocado.

Ela n�o era infiel, s� parecia.

A verdade iria aparecer, apesar das apar�ncias.

Mesmo cheia de d�vidas,

Me agarrava a uma esperan�a vaga,

De que a raz�o pudesse dispersar a confus�o dos sentimentos.

Pensei muitas vezes que Camille poderia me deixar.

Pensava nisso como um terr�vel desastre.

Agora o desastre aconteceu.

Costum�vamos viver em uma nuvem de inconsci�ncia,

Em deliciosa cumplicidade.

N�o seja assim.

E como � que eu sou?

Sabe muito bem.

� culpa tua!

Parece estar avaliando minha express�o para decidir...

a atitude apropriada a adotar comigo.

"O avi�o particular mergulha no c�u azul."

"Rex lembra algo familiar em Paula."

"Seus tra�os harmoniosos."

"Seus tra�os harmoniosos, agora indecisos, pareciam retorcidos."

"Rex conhecia essa caracter�stica,"

"Que aparecia sempre que Paula"

"Era obrigada a tomar uma decis�o."

"Isso ia contra sua natureza."

Mas que bicho te mordeu, Paul?

Te amo exatamente como antes.

Que faria se eu n�o te amasse?

J� te disse.

Esqueci o que disse.

N�o escreveria o roteiro, e venderia o apartamento.

Mas eu te amo.

Acho tudo isso t�o est�pido.

Quando Prokosch ligar, diga que ir� com ele a Capri.

E voc�?

Eu te amo. N�o me fa�a repetir.

Quero manter o apartamento.

Se n�o quer escrever o roteiro, n�o o fa�a.

Se acha que n�o te amo mais, est� errado.

Vem, me beija.

Est�vamos falando exatamente de voc�.

Sobre seu filme.

"movie"

Sim, a Odiss�ia.

Sobre o cara que viaja.

Em Capri.

Poderemos nadar?

"swim"

N�o sei.

Paul est�. Vou passar para ele.

Al�, � Prokosch...?

N�o comemos aqui?

N�o estou com vontade.

Est� bem?

Parece que temos que nos reunir com Prokosch e Lang no cinema.

Querem ver uma cantora no cen�rio.

Podemos comer depois.

Vai ficar tarde se antes tem um filme.

Isso podia me dar algumas id�ias.

Por que n�o busca id�ias na sua cabe�a, em vez de roub�-las?

Por que diz isso? Mas o que h� com voc�?

Apressemo-nos!

- Sabia. - O qu�?

Desde que disse que sim a Prokosch, acabou-se a ternura!

Exato, n�o mais car�cias.

De que falaram ao telefone?

- Daquilo de ir a Capri. - Que voc� disse?

Que dependia de voc�.

Est� maluco, ou o qu�?

Sabe que isso depende de voc�, n�o de mim!

Ent�o venha junto a Capri.

H� algo entre voc� e Prokosch?

Voc� � pat�tico.

Tenho que falar contigo.

De que, dos filmes?

Escuta, tenho que falar contigo.

Muito bem, escutarei.

Tenho...

Que falar contigo...

Antes que toque o telefone.

Disse que n�o queria aceitar aceitar este trabalho...

Porque n�o estava seguro de seu amor.

E voc� me disse que me ama,

E que eu devia aceitar.

Estou certo de que mentia.

Por qu�? N�o sei.

Por compaix�o, por interesse...

De que interesse est� falando?

De continuar neste apartamento.

Como pode saber o que penso?

Na verdade d� na mesma.

O apartamento, vend�-lo. N�o me importa.

Dizia que era melhor que um hotel.

Em absoluto.

Disse pra te agradar.

Bom, isso n�o vem ao caso.

Quero saber por que mentiu h� pouco.

Quem disse que menti? Ora essa!

Mentiu sim.

Posso lhe dizer que j� n�o me quer.

De que serve saber a verdade?

V�? Admite que tenho raz�o.

N�o admito nada. Me deixe em paz.

� isso. N�o te amo mais.

N�o h� nada que explicar. N�o te amo mais.

Por qu�?

Ontem, ainda me amava.

Sim, muito.

Mas agora se acabou.

Deve haver uma raz�o.

Sim, certamente.

E qual �?

N�o sei.

Tudo que sei � que j� n�o te amo.

Desde que estivemos na casa de Prokosch?

Quando me viu dar una palmada na bunda de Francesca Vanini?

Sim, digamos que � isso.

Agora acabou. N�o falemos mais disso.

Algo aconteceu hoje...

Que mudou sua opini�o sobre mim.

Mais, seu amor por mim.

Est� louco, mas � inteligente.

Ent�o � verdade.

Eu n�o disse isso.

Eu disse que � inteligente.

Foi alguma coisa que eu disse ou fiz hoje e que te caiu mal?

� poss�vel.

N�o me fale assim! Te pro�bo!

Te desprezo!

Isso � na verdade o que sinto por voc�.

Por isso n�o te amo mais. Te desprezo.

E sinto repugn�ncia quando me toca.

Acho que est� exagerando...

Perdoe o que eu disse, Paul. Finja que eu n�o disse nada.

- Boa noite. - Boa noite.

- A Sra. vai a Capri tamb�m? - Talvez.

- Est� bem? - Bem, obrigada.

O Sr. Prokosch releu a Odiss�ia ontem � noite.

E, por fim, encontrou algo que buscava h� muito tempo.

Algo que � indispens�vel no cinema e na vida real...

A poesia.

Lembra do que te disse ao telefone?

Sim, sim.

Dizem que Ulisses voltou para Pen�lope, mas...

Pode ser que antes j� tivesse se cansado de Pen�lope.

E por isso partiu para a guerra de Tr�ia,

E como n�o queria voltar para casa,

Continuou viajando o quanto pode.

Voc� acha que essa id�ia � dele ou...

- Por que me despreza? - Me deixe!

- Bem, o que acha, Fritz? - Da garota ou dele?

Da garota, para Nausica...

Ela iria bem para o sul da da Austr�lia com os cangurus.

N�o vem a Capri conosco, Sr. Lang?

Toda manh�, para ganhar meu p�o,

Vou ao mercado onde se vendem as mentiras,

E cheio de esperan�a, me coloco ao lado dos vendedores.

- Que � isto? - Hollywood.

Versos de uma balada do pobre B. B.

- Bertolt Brecht? - Sim.

... ter�a-feira de manh� �s 8 na praia.

E que acha dele?

O mundo de Homero � um mundo real.

Mas o poeta pertence a uma civiliza��o...

Que cresceu em harmonia, e n�o em oposi��o

� natureza.

E a beleza da Odiss�ia,

Est� exatamente nesta cren�a.

Na realidade, tal qual �.

Mais que isso, na realidade como se apresenta objetivamente.

Exatamente,

E de um jeito que n�o pode ser decomposto,

E �, o que �.

Pegar ou largar.

- Por que n�o diz nada? - N�o v� que n�o tenho nada para dizer?

N�o sei se irei a Capri. Onde dormir�amos?

Na vila do Sr. Prokosch.

Com seu marido.

E o Sr. Lang tamb�m?

Onde ele quiser.

Os produtores est�o entre as coisas das quais posso facilmente prescindir.

N�o v� se n�o quiser. N�o estou te for�ando.

N�o � voc� que est� me for�ando.

� a vida.

Que faz?

Que faz?

Olhando.

N�o fique s�. Junte-se a n�s.

De que estavam falando?

Da Odiss�ia.

Estou de acordo com a teoria de Prokosch.

Que teoria?

Que a Odiss�ia � a hist�ria de um homem cuja mulher j� n�o o quer.

Pensa isso de verdade?

Estou certa que n�o.

Por favor, est�o no enquadramento.

Todos a seus postos!

As garotas venham para frente

N�o, Ulisses n�o. Saia do enquadramento.

V�o se despir?

Certamente.

O cinema � maravilhoso!

Vemos mulheres, usam vestidos,

Fazem cinema e vemos sua bunda!

Jerry, liga��o de Joe Levine de Nova York

Venha conosco para a vila, Sra. Deixe eles conversando.

N�o, voltarei andando com meu marido.

O Sr. Prokosch diz que j� passou o dia todo com seu marido.

Se importa se sua mulher vier conosco?

Em absoluto. V�, Camille.

V�.

N�o me importo, anda, v�!

Volto caminhando com o Sr. Lang para discutir sobre a Odiss�ia.

As garotas est�o na �gua.

N�o levar� muito tempo. Primeiro uma cena em que vemos...

o Conselho dos Deuses discutindo o destino do homem.

Um produtor pode ser um amigo para um diretor.

Mas Prokosch, n�o � um verdadeiro produtor. � um ditador.

Acho tolice mudar o car�ter de Ulisses.

Ele n�o � um neur�tico moderno de hoje em dia...

Mas um homem simples, astuto e audaz.

Eu acho interessante a id�ia.

Ulisses levou dez anos para voltar para casa...

Porque n�o queria voltar. � l�gico.

� l�gico,

E o il�gico toma emprestado do l�gico.

Corneille o disse em seu pref�cio a Surena.

Ulisses n�o se apressa a voltar para casa em �taca,

Porque � infeliz com Pen�lope,

Desde antes de partir.

Se tivesse sido feliz, n�o teria partido.

Usou a guerra de Tr�ia para escapar de sua mulher.

Matou seus pretendentes, n�o?

Isso se pode justificar...

Pelo fato de que Ulisses havia dito a Pen�lope

Que cedesse e aceitasse os presentes.

Ele n�o viu nos pretendentes uma amea�a s�ria.

N�o os expulsou para evitar um esc�ndalo.

Sabendo que Pen�lope lhe era fiel,

Disse que fosse am�vel com os pretendentes.

Acho que a� � quando Pen�lope,

Que no fundo � uma mulher simples,

Come�ou a desprez�-lo.

Deixou de quer�-lo por causa de sua conduta...

E lhe disse.

Ulisses se deu conta muito tarde que havia perdido o amor de Pen�lope.

Por ter sido cauteloso demais.

A �nica maneira de recuper�-la...

Era matar os pretendentes.

A morte n�o � a solu��o.

Encontrei isto no bote.

Crian�as n�o deveriam brincar com armas de fogo.

Eu estava l�, fora.

Nada.

Camille, venha. Quero te mostrar algo.

O mar, as �rvores, as rochas...

Jerry, ele n�o vai escrever o roteiro.

Por qu�?

Posso ser franco com voc�?

Claro, comigo sempre pode ser franco.

Eu sou um dramaturgo.

N�o sou um escritor de roteiros.

Mesmo sendo um bom roteiro... Estou sendo franco,

Faria s� por dinheiro!

Por isso estou de mau humor.

Todos temos um ideal. O meu � escrever teatro.

Mas n�o posso. Por qu�? N�o sei.

No mundo de hoje, temos que aceitar o que os outros querem.

Por que importa tanto o dinheiro no que fa�o,

No que somos, no que nos tornamos?

E at� em nossas rela��es com os que amamos.

O Sr. Jerry est� certo.

Ou Homero faz a Odiss�ia ou n�o.

O Sr. Prokosch j� disse: "Est� equivocado."

Voc� aspira a um mundo como o de Homero.

Quer que exista, mas desafortunadamente n�o existe.

Por qu�? Sim existe!

Pode ser que tenha raz�o...

mas quando se trata de fazer cinema, os sonhos n�o bastam.

Quando comemos?

Dentro de uma hora.

Vou dar um passeio.

O Sr. Prokosch quer falar com voc�.

� uma ordem ou um pedido?

Um pedido.

Como se sofre!

Pois �.

Sou eu, Paul.

Estive te observando como se fosse a primeira vez.

Se importa se fico?

Fique se quiser...

Por que n�o disse antes o que pensava?

N�o te entendo! Sempre disse que gostava desse roteiro.

Agora diz ao produtor, que � s� por dinheiro,

Que teu ideal � o teatro.

Ele n�o � bobo. Da pr�xima vez, vai pensar antes de te pedir algo.

Por que n�o pode entender uma coisa t�o simples?

Aposto que de qualquer modo vai faz�-lo.

Vai ver.

Te conhe�o.

Te conhe�o.

Se o fizer, ser� por ti. Para pagar o apartamento.

Deixarei voc� decidir se escrevo ou n�o o roteiro.

Se disser que n�o, partiremos.

Que esperto �!

Em absoluto, por qu�?

Se depois se arrepender, pode jogar a culpa em mim.

Em absoluto! Estou pedindo que decida.

Quer, de verdade, que eu diga o que fazer?

Sim.

Ent�o escreva o roteiro!

Assinou um contrato, e me cansa!

Antes vi voc� beij�-lo.

J� sei.

Por que n�o me ama mais?

A vida � assim.

Por que me despreza?

N�o direi nunca, ainda que voc� esteja morrendo.

- Diga ou vou te bater. - Al�m de tudo?

Tenho que saber porque me despreza.

Isso � coisa de loucos! Como quer que eu aceite?

Necessitamos do dinheiro, para pagar o apartamento.

Eu deixei meu trabalho de datil�grafa.

N�o posso aceitar isso depois do acontecido.

� por isso que, claro, me despreza.

Viu que nos beij�vamos mas j� tinha mudado de opini�o.

Rejeitei o trabalho, para que mudasse de opini�o sobre mim.

N�o me toque. N�o te amo mais.

Isto n�o tem jeito. N�o voltarei a te amar.

Mesmo que rejeite o roteiro, continuar� me desprezando?

- Sim, continuarei. - Por qu�?

Diga por qu�! Tem que haver uma causa.

A causa � voc�.

Como que sou eu?

N�o sei. Voc� n�o � um homem.

De qualquer modo, � tarde demais.

Mudei de opini�o sobre voc�.

Sei porque me despreza.

Quando tomei o t�xi outro dia,

Achou que te deixei ir com ele de prop�sito.

A mesma coisa hoje no bote. N�o sou est�pido!

Tenho defeitos, mas esse n�o � um deles.

Nunca te perdoarei.

Te amava tanto.

Mas agora � imposs�vel.

Te detesto porque � incapaz de me comover.

Sim posso! Est� a ponto de chorar.

Vamos partir! Fazemos as malas e nos vamos.

Eu fico. V� voc� se quiser.

Vamos, Camille!

Ent�o tamb�m fico.

N�o sei, mas Prokosch nos dispensar�.

- N�o comece! - Vou faz�-lo!

"Caro Paul,"

"Encontrei seu rev�lver e retirei as balas."

"J� que voc� n�o vai, estou partindo."

"Prokosch vai para Roma."

"Vou pegar carona com ele."

"L�, acho que ficarei em um hotel."

"Fique com um beijo."

"Camille."

O que voc� vai fazer em Roma?

Ah! Datil�grafa.

Voc� � louca.

Voc� est� fora de si.

Eu?

Datil�grafa.

O que acha...

De mim?

Entre em seu Alfa, Romeo. Vamos ver isso logo.

UM BEIJO

ADEUS, CAMILLE

Houve uma liga��o de Roma. Est�o ambos mortos.

Ent�o, adeus.

Sr. Lang, vim lhe dizer adeus.

Adeus. Que vai fazer?

Voltar para Roma e terminar minha pe�a.

E voc�?

Vou terminar o filme. Sempre acabe o que come�ou.

Que tomada est� fazendo?

O primeiro olhar de Ulisses quando v� de novo sua terra natal.

�taca.

Adeus, Sr. Lang.

Espero que voltemos a nos encontrar.

Estamos preparados, Sr. Lang.

Sil�ncio, rodando!

Fim

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