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UMA SÉRIE NETFLIX
O corpo, a mente e a alma também podem ser prisões.
E nós podemos ser os nossos próprios guardas.
VENHO POR ESTE MEIO PEDIR…
Os dias na prisão passam à velocidade da luz.
Levantem-se, idiotas!
Ou podem passar tão devagar como a noite escura.
Não é preciso gritar!
Vamos lá, seus imundos!
O sistema castiga o nosso corpo com violência…
Cala-te!
… com fome…
Tudo bem, Panda?
… com sede…
… e com solidão.
A culpa é minha.
Sobreviver mais um dia parece impossível.
Foda-se!
Com licença.
Podemos?
Este é o Juan Pablo.
Amor, ela trouxe o menino.
Queres colo?
É igualzinho.
Olá.
Não importa quem paga.
É cara chapada!
Inocentes ou culpados.
Às vezes, o estigma é a única coisa que herdamos.
Os reclusos de ontem são os de hoje.
Os mesmos de sempre.
Vejam quem está aqui!
Juan Pablo Borges.
Jean-Paul Borges.
Diosito.
É uma incongruência chamar Diosito a um filho da puta como tu.
É um oxímoro.
Não sabes o que isto significa, pois não?
Imbecil.
Seu merdas.
Escumalha.
Voltaste.
Porque não te matas, filho da puta? Presidiário.
Só nos fazes gastar dinheiro contigo.
A minha sogra costumava dizer…
A filha da puta da minha sogra dizia:
"Quem se vai embora sem o mandarem,
volta sozinho e cagado de medo sem o chamarem."
Recuperaste as energias?
Agora, tens trabalho a fazer.
Muito trabalho.
O gato comeu-te a língua?
Ou apodreceu como os teus dentes apodreceram?
Apodreceste todo? O teu cérebro apodreceu?
Tens uma audiência agora, filho da puta.
Cuidadinho com o que dizes e como o dizes.
Senão corto-te em dois como uma batata cozida.
Abre.
Podes ir.
Vá lá.
Giménez.
Tirem-lhe as algemas.
Desculpe, eu aconselho-a…
Já disse para lhe tirarem as algemas.
Antín.
Sim, doutora?
A sua presença não é necessária.
Não a posso deixar sozinha com este rapaz.
Não me perdoaria se a magoassem. Lembre-se de Sierra Chica.
O inquérito não é público.
Peço-vos que saiam.
Com licença. Qualquer coisa, chame-me. Vamos.
Tem sede? Quer beber algo?
Muito bem.
Juan Pablo…
… Borges.
Este é o seu cadastro.
Não tenho nada a dizer sobre isto.
Uma asneira atrás da outra, mas não vamos falar sobre isto hoje.
Não tenho nada para dizer.
Não?
E o Luciani?
Lembras-te do Luciani?
O que me vais fazer?
O chefe dos guardas.
Fez o seu trabalho até ao fim da vida, até ao dia em que o mataram.
Por acaso, isso aconteceu no mesmo dia em que fugiste.
No final, eu ganho sempre.
Não me lembro dele.
Certo. Mas há quem se lembre.
Há testemunhas que dizem que tu mataste o Luciani.
Não sei o que disseram, mas não sei de que está a falar.
Não há problema.
Enquanto investigamos o teu envolvimento,
vais continuar a cumprir todas as tuas sentenças.
E vais aguardar o julgamento pela tua fuga.
És bom a matemática?
Queres somar todos os anos de sentença que te faltam?
Podes contratar um advogado
ou o tribunal pode atribuir-te um advogado oficioso.
Giménez.
Tem um bom dia.
Tudo bem, exibicionista?
Voltaste agora depois de nos abandonares?
Nunca pensei voltar a esta pocilga.
Mas pronto. Quando fugi, só pensei em mim.
Não pensei em vocês.
Vejam isto.
Ela está apaixonada.
César!
Podemos ver a cara de apaixonado?
Fazes anos hoje ou é a menina?
Como está ela? Como se chama? Posso escrever o nome dela onde quiseres.
Claro, escreve-o na minha pila.
Olha para ti, César!
Deixem-se de coisas!
A sério, César.
O amor é uma merda, meu.
Repararam que o Borges voltou?
A sério.
Como assim? Não estava no hospital?
Não me refiro ao velho. O idiota que tinha fugido.
Apanharam-no.
Sabias que o Diosito voltou?
Sim, eu vi-o. Está cá.
O que tens?
Estás bem?
Vou ver o meu filho amanhã.
E então?
E estou cagado de medo.
É normal. Não o vês há muito tempo.
Não sei o que lhe dizer. Estou perdido. Estraguei a vida dele durante anos.
Não sei.
Tens de te acalmar.
Ele já é maior.
De certeza que também te quer ver.
Não te posso dizer grande coisa.
Era o Brian que escrevia as minhas cartas para a miúda.
Na verdade, não sei o que te dizer.
O rapaz faz-nos falta.
Sim.
Posso entrar?
Mario Borges!
Eu, o diretor da prisão, trabalho 24 horas por dia
naquela gaiola imunda
e tu estás a coçar o teu rabo grande num hotel de cinco estrelas.
Mas que vida.
Porque não me deixas em paz, Antín?
A comida aqui é pior
do que o guisado de tripas nojento de Puente Viejo.
Ajuda-me, idiota. Dá-me água.
Onde está?
Toma, aqui está.
Marito, vim perguntar-te uma coisa.
A juíza não sai de Puente Viejo.
Está a chatear toda a gente e a humilhar-me.
Mete o nariz em tudo, faz perguntas…
Está a entrevistar todos os filhos da puta de lá.
Não lhe ligues! Ela ladra, mas não morde, Antín.
Nesta altura…
Bom, eu vim porque preciso que me digas a verdade.
Nunca mentimos um ao outro. Sempre fomos honestos.
Bom, enganamo-nos um ao outro um pouco, mas fomos honestos nas coisas sérias.
Quero que me digas a verdade.
A juíza fez-te uma proposta?
Sim ou não?
Sim.
O que se passa aqui?
A juíza encheu-me de perguntas e o Antín atacou-me.
O que se passa?
A juíza quer acabar com o Antín.
E também há pessoas que nos querem destruir.
Quem?
Os gunas?
Sim.
Aqueles sacanas traiçoeiros.
Puseram o Borges no hospital.
Eu salvei a vida ao cabrão do César há uns anos.
E ele chibou-me. Filho da puta.
Não foi só ele.
O Pastorzito.
Mas ele tem os dias contados.
Juro pela Virgem Maria que eles vão pagar.
Ainda bem que o Mario ficou contigo.
Não tinha fé em ti.
Mas ele sempre teve e tu nunca lhe falhaste.
Tu e o teu irmão são família para mim.
Não, desculpa.
O teu pai.
Ele não está bem de saúde.
Sim, eu vi-o.
Onde? Como o viste?
Fui ao hospital.
Apanharam-me lá.
Ele não está nada bem.
Não quero que volte para aqui.
Olha para este sítio.
Nesta selva…
… o leão envelhece
e é comido pelas hienas.
O que lhe disseste?
O que achas, Antín? Nada.
Sim ou não?
- Nós temos um acordo. O que lhe diria? - Era isso que queria ouvir.
Sempre cuidamos um do outro e fomos leais e sinceros.
Eu protegi-te e tu protegeste-me.
Ámen.
Peidaste-te, filho da puta?
O que querias? A comida é uma merda.
Que fedor, puta que pariu!
- Escuta, Antín. - O que foi?
Ainda bem que estás aqui.
Tenho de te pedir um favor.
Sei que voltaram a pôr o Diosito em Puente Viejo.
Preciso que cuides dele.
O Diosito fugiu e fez-nos parecer uma merda.
Mataram o Luciani.
E tu sabes como ficamos quando se metem com um dos nossos.
O Luciani era um filho da puta, o torturador do Galván.
- Isso não importa. - Não importa o caraças!
Vou ver o que posso fazer pelo teu filho.
Vou pensar no que direi à juíza para te deixar em paz, mas faz isso.
- Cuida do meu filho. - Está bem.
- Não te preocupes. - Cuida do meu filho!
- Cuida de ti. - Estou a falar a sério!
Não te preocupes.
Adeus, Antín.
Ele vem aí!
A partir de agora, renascerás na fé.
Estás livre!
Serás alguém
que o Senhor mandou fazer parte
deste grupo imaculado.
Acredita.
Acredita!
Converte-te!
Recebe no teu coração
este servo
que nós abençoámos!
Tem fé em mim!
Está tudo arrumadinho, Colômbia.
Sabes uma coisa?
Está tudo bem.
Eles não são como nós.
Os Borges são…
Como se diz?
Uma edição limitada.
E tu és de confiança.
O Borges ensinou-me o que é uma família.
E sabes que mais?
Apesar de ele não estar aqui, vamos recuperar.
Bem-vindo.
Modernizaste-te!
Tens engenhocas novas?
Diosito, voltaste!
Tudo bem, Sandrito?
Sim, voltei.
Contra a minha vontade, mas pronto. O que posso fazer?
Tu também voltaste.
Bom, eu não tenho remédio.
Por isso, estou aqui para o que precisares.
Está bem.
Agora que falas nisso,
podes fazer-me um favor.
Claro. Sabes que estou sempre do lado do Diosito.
Conta comigo.
Colômbia, dá-me mais.
Este idiota não muda.
Aqui estás, filho da puta.
Explica-me que caralho fazes aqui.
Explica-me como caralho acabaste a escrever um livro, cabrão!
Contaste muitas mentiras!
Seja como for, ainda bem. Não chibaste ninguém.
Vem cá. Dá-me um abraço, meu.
Pensei que não te voltaria a ver.
Eu pensei o mesmo.
Mas pronto. Pelo menos estou vivo, certo?
Tu também. Quando te apanharam, pensei que não sobreviverias.
Também eu. Tens noção da sova que levei?
Bela barba, cabrão.
Olha quem fala.
Fuma um charro comigo. Senta-te.
Queres?
Nem sei como pegar nisto. Envelheceu três anos.
Escuta.
Agora também sou pai.
A sério?
Sim.
Descobri recentemente. Ia cuidar do miúdo quando me apanharam.
A vida é assim.
Tem coisas boas e coisas más.
Mas pronto.
Apanharam-te mesmo quando foste ver o teu irmão?
Caramba! As notícias sabem-se depressa aqui!
Gostas do charro?
Sim, foi isso.
Apanharam-me lá.
Agora estou aqui e o Marito está lá fora.
Tenho outra novidade.
Ele não é meu irmão.
É meu pai.
O quê?
Sim, ouviste bem. O gordo mentiu-me durante toda a vida.
Mas agora entendo melhor.
Não sei.
O Mario tem sorte em estar vivo.
Voltaste num momento difícil.
Eu não gosto de coisas fáceis, tu sabes.
Não deixarei que o matem aqui.
Ele mandou matar o Brian.
E terá de pagar por isso.
Fica bem.
Vemo-nos por aí!
Tira essa barba, desmazelado!
Adoras brincar às escondidas.
Tu é que tens andado escondida.
- Olha lá. - Tu também.
Não toques por tocar.
Não me vou ficar por aqui.
- Agora sou um renascido. Sabias? - Eu gosto dela assim.
- Renascida e tarada. - Nota-se.
Vá lá.
Desembucha.
O Diosito está a traçar um plano para o Borges não voltar.
E o James concorda com tudo, mas sabes como ele é.
Quer ficar por cima.
A sério?
Por isso, não tens de esperar mais. E eu também não.
Espera. Eu sou como as putas. Não dou beijos na boca.
Queres que te beije lá em baixo?
Sim, beija-me o pau. Vai lá.
Isso mesmo.
Devagarinho.
Assim.
Toma lá.
Toda.
Gargareja.
Calma, grandalhão.
Podes descontrair. Já estamos aqui.
Barny, magricelas, filho da puta!
Demoraste a chegar. Quem trouxeste?
O Sr. Sosa
e o Sr. Ninja.
Que lindo, os amigos!
Levanta-te, Marito. Vamos sair daqui.
Sim, vamos embora.
Vamos assaltar um banco.
- O Marito está sempre pronto. - Exato!
Tenho saudades de fazer uma maratona de assaltos.
Tenho mesmo!
Eu também.
Já combinei com a Gladys. Após o assalto, vamos esconder-nos.
Não voltarás para Puente Viejo na puta da tua vida.
Adoro aquela mulher.
O que seria de mim sem ela? Ou de vocês?
Céus!
Aqueles cabrões queriam matar-me.
Mas o tiro saiu-lhes pela culatra.
Eu saio sempre por cima!
- Exato! - O Borges não vai a lado nenhum!
Isso mesmo, Mario! Vamos lá, Borges.
Sim!
Isso mesmo!
Levanta-te!
- Vamos. - Vamos lá!
Barny.
Despacha-te, amigo.
Depressa, Barny!
Barny.
Tira-me daqui, Barny!
- Calma! - Não me toques!
- Não me toques! - Calma!
- Estás no hospital. Calma. - Não me toques!
Está tudo bem.
Calma.
Olha quem está ali.
Não adoravas dar-lhe um pontapé na cabeça?
Queres destruí-los a todos?
Quem será o primeiro?
Temos muitas opções.
Como presente de boas-vindas, começa por onde quiseres.
Eu sei com quem vou acabar.
Adorava regá-los a todos com querosene,
atirar um cocktail molotov e pegar-lhes fogo a todos!
Não temos molotov nem merda nenhuma. Temos de negociar.
Estás calminho, Medina. O que se passou? A sova daqueles gnomos amaciou-te?
Ficaste mesmo bonzinho.
Sabes o que devíamos fazer?
Aproveitar o facto de o Bardo os ter deixado
e rebentar-lhes a cabeça.
Agora mesmo.
São presas fáceis.
Não gosto disto!
É muita gente junta.
É uma panela de pressão.
Se acendermos um fósforo, vai explodir!
Vou mandá-los juntos para as celas.
Não, idiota. Nada disso!
Juntos, não.
Aos poucos. Divide-os.
Se estiverem juntos, dão cabo uns dos outros.
Não entendes? Pensa.
Ali está o cabrão do Bardo.
E aquele idiota era nosso amigo.
Teremos de passar por vários para chegar até ele.
Devíamos deixá-los matarem-se.
Talvez os líderes morram.
Seria bom.
O que seria bom? Vá lá, explica-me.
Usa o meio neurónio que tens! Como é que isso seria bom, idiota?
A juíza está aqui na prisão.
Está a bisbilhotar, a ver se me consegue culpar de algo
para me agarrar pelos tomates e me atirar para a rua. Não entendes?
Ela é uma cabra amarga.
Bardo, a juíza vai interrogar-me. Temos de ver o que lhe vamos dizer.
Boca fechada. Nada. O que lhe vais dizer?
- Tens alguma ideia? - Não sei. Temos de pensar.
Ela é uma cabra, mas não é estúpida.
Ela está a fazer de tudo para descobrir o que se passou.
Encheram o rapaz de tiros. À porta da prisão. Foi isso que vi.
Não te faças de idiota.
Quem tem de pagar são o Borges e o colombiano.
O outro não esteve envolvido.
O outro? Quem? O Diosito?
Que me importa?
É da família do Borges. Acho que deve morrer.
Ele e o gangue.
Fizeste merda com o miúdo e meteste-me ao barulho.
Não te queixes, Medina.
O que está feito, feito está.
Ele não te salvou?
O que tem isso que ver?
O que me importa?
Agora és o advogado dele?
Não, mas ele não tem que ver com isto.
Resolvi as coisas com o Borges e o Pastor. Vão dar-me tréguas. Vão cumpri-las.
São pessoas de palavra e de moral. São criminosos, mas têm moral.
- Mas não podemos confiar nos outros. - Eu entendo.
Se entendes, mexe o cu. Vai fazer o que te disse!
E não olhes para mim com cara de chateado, idiota. Vai!
Preparem-se para tirá-los do pátio.
Matar o rapaz à porta da prisão
foi ideia tua.
Pediste-me um favor e contactaste-os lá fora.
Tu é que lhes pagaste.
Se quiseres fazer um acordo com a juíza, eu apoio-te.
Mas estás por tua conta.
Por minha conta? Estamos por nossa conta.
Somos irmãos, ouviste?
Escuta, Medina. A partir de agora, estamos unidos.
Como os tomates.
Inseparáveis.
Se eu for abaixo, tu vens comigo, entendido?
Vamos! Todos para dentro!
O que se passa aqui? Vamos lá!
Toca a andar, rufias de merda!
Para dentro!
Não quero ver nenhum idiota às voltas aqui.
Todos para as celas.
Nem quero sentir o odor a tomates aqui.
Toca a andar! Todos!
Senta-te aqui. Tenho de assinar umas coisas e entramos.
Bom dia.
Doutora. O que faz aqui?
Pensei que estava no tribunal. Continua com o caso do Godoy?
Sim. E tenho de interrogar um recluso que me pode dar um dado importante.
O que fazes aqui?
Não me digas que continuas envolvida na novela do Palacios.
Vim acompanhar o Lucas.
O filho do recluso Palacios.
Veio visitá-lo.
Vamos, Lucas.
Muito obrigada.
Olá, Luqui.
Olá.
Olá, Luna.
- Vou deixar-vos a sós para falarem. - Sim.
Não. Fica aqui. Vou buscar uma cadeira.
Não é preciso.
Eu volto já. Está bem?
Senta-te.
Trouxeste um brinquedo?
Trouxe biscoitos de champanhe.
Tu adoras. Pelo menos, adoravas.
Foste ao cemitério?
Sim.
Acabei por ir.
Ajudou-te?
- Sim. - Que bom. Ainda bem.
Não sei, fui ver uma pessoa que não conheci.
- Mas senti que devia ir. - Ainda bem.
Trouxe-te daqueles bolos que gostas.
- E fiz-te quiche de presunto e queijo. - Obrigado.
Queria trazer-te mais coisas, mas ainda tive de ir ao hospital.
Não faz mal. Eu não tenho fome aqui.
Há outra coisa importante. A Eli passou no hospital e levou o menino.
Então, levei-o para casa. Vou cuidar dele.
Sim, isso é bom. Cuida dele.
Cuida dele, Gladys.
- Cuida dele. - Sim.
Não lhe mintam, está bem?
Promete-me que não lhe mentem como me mentiram.
Prometo.
Ando a tentar ver-te há muito tempo, filho.
Ou ligar-te. Mas é difícil a partir daqui, entendes?
Sei que tem sido complicado para ti na instituição.
A Luna conta-me tudo.
Eu quero ajudar-te, está bem?
Vou cuidar de ti, filho.
Como cuidaste da Emma e da mãe?
É tão lindo. É igual a ti! O Mario adorou conhecê-lo.
- Tem as bochechas iguais às tuas. - A sério?
- O que disse o Mario quando o viu? - Ficou feliz.
Ele tem-se sentido mal desde que te apanharam.
Mas a culpa não foi dele.
- Eu é que o quis ver. - Sim, eu sei.
Fico destroçada ao vê-lo assim.
Ele sempre foi forte e astuto.
Agora, está frágil, perdido…
Sabes quando lhe vão dar alta?
Não. Não me falaram disso.
Estás a imaginá-lo aqui no estado em que está?
Não, nem pensar. Nem eu aguento estar aqui.
Isto é uma merda, Gladys.
Não…
- Ele não pode voltar. - Não.
- Escuta. - O quê?
Temos de ativar o plano que combinámos.
És linda.
Os teus beijos são melhores do que tudo o que me escreveste.
A sério?
Sabes porquê?
Porquê?
Porque estou apaixonado por ti.
És linda.
Continua a dizer-me coisas lindas.
Queres que te diga coisas lindas?
Quero imaginar-te como te imaginava no meu quarto.
A sério?
Fecha os olhos.
PENSO EM TI E VENHO-ME.
"Penso em ti e venho-me."
Penso em ti e venho-me. Percebes?
Venho ao quilómetro 30.
CORAÇÃO RECLUSO
E vou buscar o teu coração recluso.
Gostas?
Já viste o poeta que sou?
Linda.
Quero-te lá fora comigo.
Não posso. Tens de esperar por mim.
Vou sair em breve.
Não acredito que és tão linda.
Posso perguntar-te algo?
Sim.
Queres formar uma família comigo?
A sério?
Sim.
Claro que sim.
Então, vou fazer-te imensos filhos.
Ouviste? Vou fazer-te 20 filhos.
Escuta, Luqui. Cometi muitos erros na vida.
Mas tu sempre foste o mais importante para mim.
Tudo o que fiz foi para os impedir de nos separarem.
Mas fiz asneira.
E agora estou aqui a pagar por isso.
Mas o facto de estar aqui não impede que tenhamos uma relação.
Quero estar perto de ti, filho. Quero ajudar-te.
Quero que tenhas uma vida diferente da minha.
Prometo que te vou ajudar.
Não me perguntes nada.
Acabou o tempo.
Vamos.
É essa a tua conclusão? Não me fodas a cabeça.
Vai-te foder!
Medina, estão à tua espera.
Já vou.
Agora, linda. Tenho de mandar um carro?
Estou ocupado. Não vês?
Bom, despacha-te, princesa.
Está quase.
Espera, Medina.
Porque é que o jeitoso te veio buscar?
Vou ver um advogado.
A sério? Parece que me estás a trair, sabes?
Não vais falar com a juíza, pois não?
Diz-me que não vais falar com a juíza, filho da puta.
Bom, sim. Vou falar com a juíza.
Não lhe vou dizer nada sobre ti. Não te preocupes.
Mas vou inventar uma história. Não ficarei com a culpa da morte do rapaz.
És um filho da puta. Vais chibar-me, não vais?
A ideia foi tua.
O plano foi teu.
Não vou foder a minha vida por tua culpa.
Tens merda na cabeça.
Estás confuso, estás a escolher o caminho da traição.
E não me estás a prejudicar só a mim, mas sim o grupo todo.
Vais fazer a tua irmandade carregar uma cruz, querido irmão.
De que estás a falar, idiota?
A esta altura, quero que isso se foda!
És um bufo, filho da puta. Um bufo que fodeu os seus irmãos.
És um filho da puta!
Pensa o que quiseres.
O que se passa?
O que se passa aqui?
Queres denunciar-nos para te proteger e eu não vou permitir isso.
O que vais fazer, filho da puta? Eu vou fazer o que tenho de fazer.
Se tens tomates, impede-me.
Claro que tenho tomates. Vou purgar a merda que tens na tua alma.
Vou libertar-te, Medina. Agradece.
Porque não terás de carregar mais nenhuma cruz na tua vida.
Para! O que estás a fazer?
O que estás a fazer, cabrão? És bom com facas?
Vem cá, filho da puta. Bufo de merda!
Vais morrer.
Filho da puta!
Morre, filho da puta! Morre!
Morre!
Chegou a hora, rapazes.
Irmãos, renascemos!
Saímos do útero.
É a nossa oportunidade, rapazes!
Este sacana imundo não tinha fé em nós!
Não tinha fé.
Achou que podia ter sucesso sozinho, mas enganou-se.
Bufo!
O orgulho matou-o!
A arrogância!
A fé que o Medina não teve em nós
continua a ser o nosso grande escudo protetor!
Ouviram?
Sim!
Eu acredito em vocês!
- Acreditam em mim? - Sim!
- Acreditam em mim? - Sim!
Sim? Eu acredito na irmandade e na segurança deste grupo.
Merecemos isto!
Puente Viejo é nossa! Vamos dominá-la!
- Sim! - Vamos!
Vamos lá!
Vamos! Vamos dominar Puente Viejo!
Vamos acreditar em nós!
Vamos lá, filhos da puta!
Vamos lá, caralho!
Vá lá!
Está tudo fodido.
Quero que se preparem todos.
Puente Viejo é nossa! Vamos lá!
Capece, que caralho se passa? Puta que pariu!
Disse para ficares de olhos neles. Estão a armar um caos.
Estava a ligar-lhe. É um desastre.
Faz alguma coisa, idiota!
Queres que nos matem a todos?
Mexe-me esse cu, careca idiota!
Vamos!
Toca a andar!
Sem perguntas! Sem hesitação!
O que se passa?
- Espera. - Não te mexas.
Foda-se! Houve merda. Gladys, isto é perigoso. Vai-te embora.
- Tem cuidado, amor. - Segue o plano.
Está bem.
- Depois ligo-te. - Não!
- Não! - Vai-te embora! Depois falamos.
O que se passa?
Temos um problema, senhora. Temos de evacuar.
Entra.
Olá, doutora!
Como está, doutora? Bem?
O que se passou?
- Corram para a saída. Não parem. - E tu?
Eu fico bem. Dá-me o teu telemóvel.
- Para quê? - Dá-mo.
Fujam!
- Lembra-se de mim ou não? - Sim, mas deixe-me sair.
Lembra-se de me dizer que ninguém me amava? Sim ou não?
- Calma. - Disse que ninguém me amava.
- Tenha calma. - Eu sou muito amado.
Sou respeitado.
Sou valorizado.
Eu mando aqui!
Corre, Gladys!
Desce, Luna! Depressa!
- Depressa! - Ajudem-na a sair!
Vão sair. Vão conseguir.
Sim! Precisamos de ajuda urgentemente!
Há reclusos armados em movimento pela prisão.
Estou a ver tudo!
Puta que te pariu! Obrigado.
Lucas!
- Lucas! - Luna!
Luna!
Legendas: Ruben Oliveira
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