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Original subtitles

UMA SÉRIE NETFLIX

Doutora.

Há quanto tempo aconteceu?

Então, não somos irmãos?

Filho da puta!

A minha vida é uma mentira. Vou matar-te!

Vou matar-te!

Filho da puta! Vou matar-te!

Vamos lá!

Estavas a pedi-las!

Diosito!

Dios.

Dios.

- O que foi? - Sai daí, meu.

- Estava a vê-lo. - Sai.

Pensa no que vais fazer.

Eu procurei-te para tomares conta do teu filho.

- Eu não aguento mais. - O que queres que faça? Que o leve?

Sou um fugitivo. Andam à minha procura.

Não sei. Vocês arranjam sempre desculpas.

Pede ajuda à Gladys. Ela tem andando a evitar-me.

A Gladys? Ela sabia disto?

Claro que sim. Quem achas que me mandou dinheiro?

Ela disse que virias cá assim que saísses da prisão.

E o Juan Pablo não faz ideia de que o pai é assassino,

ladrão e recluso.

Portanto, pensa como vais fazer.

Mas eu estou farta de ser a idiota que faz recados para a família Borges.

Armam-se que são os maiores, mas precisam que uma miúda vos salve.

Não faço ideia, mas o miúdo é teu.

E vê lá se não te apanham, Diosito.

Se o Juan Pablo tiver de te ir ver à prisão,

seria uma desgraça.

Despacha-te. Tenho de o levar à escola.

Vá lá.

Posso levá-lo?

Tu primeiro.

Não, espera. Dá-me a mão. Vamos juntos.

Deus te abençoe, Gladys. Cumprimentos ao Mario. Beijos.

Vamos explicar a situação a todos.

Chacal, vai buscar o Patón.

O Mario está bem.

Falei com a mulher dele.

Que sorte! Depois da sova que lhe deram.

Não, ele não teve sorte.

Está a ficar cego.

Então, acabou-se para nós.

Vão fazer dele o que quiserem aqui.

Não vão fazer dele o que quiserem, idiota. Não deixaremos que o façam.

Vamos dar cabo dos Sub-21.

Temos de lhes enviar uma mensagem.

Eu agradeço muito ao Mario, mas ele está por conta dele.

O quê?

Tudo começou com a merda que fizeram e acabou com a morte do rapaz.

Foi assim que isto começou. E tu meteste a ideia na cabeça do Mario.

- Eu? - Sim.

Não estás em posição de questionar ninguém.

Cala-te ou calo-te eu.

O Borges não teve que ver com a morte do fedelho.

Atrevido! O que fazes? Larga-a!

Filho da puta!

Não te ensinaram a respeitar as mulheres? Sai do pedestal ou eu tiro-te daí.

Não me ameaces.

Metes-te com o Mario, metes-te comigo.

Calma. Não te armes em chefe. O Mario não está aqui.

- Mas eu estou aqui. - Chega!

Vamos.

Vamos.

Eu respeito-te, Patón.

Chega.

Puta que pariu.

Não sirvo para nada.

Sou um inútil.

Não consigo ver.

Também não consigo falar.

Foram aqueles filhos da puta.

Deram-me uma sova.

Estriparam o coitado do Gucci, os filhos da puta.

O que importa agora o animal?

Por favor, Mario. O importante é estares vivo.

Cabrões de merda. Vou matá-los.

Agora, estás aqui. Tens de melhorar.

Para quê?

Se não sirvo para nada?

Não digas isso!

Nem consigo…

Nem consigo beber água.

Puta que pariu!

Soube que era grande amigo do recluso Brian Cody.

Eram tão amigos que estava a contar

que ele o ajudasse lá fora com o seu filho Lucas.

Vejo que está a par de tudo.

Como era a tua relação com o Brian Godoy?

Estávamos no mesmo bloco e éramos amigos.

Eram? Tanto quanto sei, também eram do mesmo grupo,

os 21, os Menores, seja qual for o nome.

Os Sub-21.

O que é isso?

Um gangue, um bando de rufias?

Não. Fizemos o grupo porque temos de nos proteger aqui.

Sabe como é.

Suponho que também não sabe nada sobre a morte do Brian Godoy.

Não.

Estava com as minhas amigas, as miúdas trans.

Elas cortam-me o cabelo, põem-me creme no corpo…

Sou muito vaidoso.

Estou a ver.

Quem poderia querer matá-lo?

Não faço ideia.

Mas posso dizer-lhe quem não se importou com o Brian até o matarem.

Parece que a justiça só se importa com a sua reputação.

O que mata é a vossa indiferença, doutora. A bala é só mais um elemento.

Há outra coisa no teu cadastro.

A morte do guarda Luciani.

Acusaram-me disso, mas não tive nada que ver.

Sim, eu tenho o dossier do caso e há uma enfermeira que te defendeu.

Ela acusou outro recluso, que está em fuga.

O Juan Pablo Borges.

Não faço ideia.

Por milagre, sobreviveu ao massacre que aconteceu aqui há três anos.

Quase todo o gangue do Coco morreu.

Filho da puta!

Sim. O Coco era meu sogro.

Que descanse em paz.

Pensei que, tendo em conta o quanto gostava do miúdo,

me podia contar tudo o que sei que sabe.

Mas é óbvio que é igual a todos que estão aqui.

Respeitam os códigos da prisão.

Aprendemos a tratar dos nossos assuntos como dá.

Como lá fora não nos dão ouvidos, fizemos as nossas regras.

Não acha interessante o facto de ter sobrevivido

e, desde então,

não ter voltado a ter visitas da sua mulher e dos seus filhos?

Deve ser triste não o amarem.

Só posso dizer que o Brian não merecia morrer assim.

Isso é o que acontece aqui. Morrem pessoas que não merecem.

Mas tudo tem um preço.

Agora certifique-se de que não há mais Brians.

Se quiser.

Giménez!

Com licença.

Ouve uma coisa.

É hora de acabar com isto.

Agora que o gordo está fora de jogo, temos de apanhar o colombiano.

E, depois, os religiosos.

Sim, mas agora não.

Vamos esperar que as coisas acalmem.

- Ganhei. - Boa!

- Lixou-te! - Ganhei!

A juíza quer apanhar alguém. Quem fizer algo está feito.

Estás a gozar?

Esperar pelo quê? É agora!

Até o Antín nos pediu para esperar.

Não quero saber dele. Ele que me chupe a pila. Que importa?

Não vou esperar que se reorganizem.

Eu vou acabar com isto e tu disseste que me ajudavas.

Sim, mas quero fazer as coisas bem.

De repente tornaste-te moralista? O que se passa?

Também quero fazer as coisas bem. E tem de ser agora.

Vamos acabar com tudo.

Mas se não queres ajudar, esquece. Se não me queres ajudar, vai-te embora.

Porque eu vou acabar com isto.

Eu vou.

A guerra começa agora.

Por isso, decide o que queres fazer.

Ficas de fora ou vens para o nosso bloco.

Bom dia.

Bom dia, meritíssima. Já terminou o dia de trabalho?

E o senhor vai entrar agora?

Não. Eu levantei-me para ordenhar as vacas às 02h00. O meu trabalho começou aí.

Um diretor de prisão que se preze,

que quer reintegrar socialmente os seus reclusos,

tem de ter uma vida fora destas paredes.

Por falar de fora destas paredes, tenho uma pergunta.

Acabei de pedir para entrevistar o Mario Borges

e disseram-me que o senhor autorizou que o levassem para o hospital ontem.

Não, informaram-na mal.

Mario Borges, o gordo! Desculpe. Sim, tem razão.

Ele sentia-se muito doente

e eu tinha a obrigação de autorizar

a sua hospitalização porque…

No momento em que o testemunho do Borges

era essencial para esclarecer a morte do Godoy.

Não quero pensar que, na prisão, estão a tentar empatar a investigação.

Não me ofenda, por favor.

Somos auxiliares da justiça.

Eu sou um cão a seus pés. Estou à sua disposição.

Mas não me está a fazer um favor.

É o seu trabalho.

Claro que sim.

Não me fodas, Antín.

Tenha um bom dia, meritíssima, sua filha da puta.

Tudo bem, Triste? Só bebes mate?

Não comes churros, torta frita, nada. És mesmo forreta.

Onde estavas?

Andas a controlar-me?

Não. Está aqui uma pessoa que te espera há horas.

Quem? Ninguém sabe que estou aqui.

Sou eu, querido.

- És estúpido? - Para!

Para!

- Para! - Não quero falar!

- Dá-me um segundo! - Já disse que não!

Dá-me um segundo! O Mario está no hospital!

Bateram-lhe na prisão.

Ele está todo fodido. Está a sofrer.

O que queres que faça? Que me importa isso?

- Que se foda! - É o Marito!

Não quero saber! Quero que ele se foda! Não tenho nada que ver com ele.

Tenho coisas mais importantes.

O que é mais importante do que quem te criou?

Porque não me dizes tu?

Diz-me. Tens-me escondido tudo durante toda a minha vida.

Porra!

Escuta, querido. Eu sei que descobriste da pior forma.

Não me refiro a isso. Refiro-me ao Juan Pablo!

O Juan Pablo. Quando me ias dizer que tenho um filho?

Quando?

Sim, agora tenho um filho, Triste. Chama-se Juan Pablo, como eu.

O que querias que fizesse?

Não te consegui encontrar. O que queres que faça?

Dei-lhe tudo o que consegui!

O que lhe deste? Que merda lhe deste?

Por favor! Deixa-te de merdas!

O que lhe deste? Dinheiro!

Estás sempre a falar da família, mas só lhe deste dinheiro.

Em vez de cuidares do teu neto.

Eu sempre soube que tens um grande coração.

Vais ser um ótimo pai.

Desculpa.

Para, Gladys.

Diz-me uma coisa.

Não somos irmãos.

Sou o teu pai.

Arruinaste-me a vida, filho da puta!

Vou matar-te!

- Acalma-te. - Não me toquem!

- Ele quer matar-me! - Calma.

COM CARINHO E COM LEALDADE ETERNA PARA SI. MERITÍSSIMO LUNATI.

Estou?

Sim, é a própria.

Exato. Para entrevistar o Lucas Palacios.

A que horas?

Ótimo. Certo, perfeito.

Até logo.

Olá!

Os velhotes chegaram!

Cuidadinho! Dávamos cabo de vocês em dois minutos.

Este é o vosso espaço.

Boa! A zona VIP.

Sim.

Acomoda-te aí.

Arruma as coisas.

Não, este fica na caixa.

O que se passa, cabrões?

Era assim que vos queríamos apanhar!

Vá lá, filho da puta!

O jogo acabou, filho da puta!

Ouviste?

Puta que pariu! Vamos embora! Acabou-se, filhos da puta!

Cabrões!

Vamos.

Vai-te foder!

"Dossier do Palacios, 5866.

Pedido de revisão de sentença: negado.

Pedido de audiência: negado.

Redução de sentença: negada.

Serviço Penitenciário Nacional. Ordem de transferência.

Autorização da transferência do recluso Palacios, Miguel

para outro local, a penitenciária n.º 3, San Onofre."

"Depósito de 475 mil dólares no Banco Exchange e Trust Panamá.

Setenta mil… 524 mil dólares… 185 mil dólares. Receção confirmada.

Março, abril e maio. Total: 490 mil dólares."

"Suspeita-se que o juiz negociou a libertação do recluso Palacios

em troca da libertação da sua filha.

Há provas de que o pai, o juiz Lunati,

se relacionava com o gangue conhecido como os Borges.

O juiz e o advogado do Palacios redigiram um acordo que o Palacios aceitou,

presumivelmente, sob extorsão.

Isso terá levado à sua admissão em San Onofre

com uma identidade falsa

sem autorização dos tribunais ou do estado.

Tratou-se de um acordo privado."

Mario Borges.

Certo?

Com quem estou a falar?

Com a juíza María Virginia Piñeiro. Conhece-me?

Sim, conheço.

Conheço o seu perfume, que é importado como o seu carro.

Comprei o perfume numa loja qualquer e conduzo o mesmo carro há dez anos.

Uma juíza do povo.

Sabe porque estou aqui?

Não é por caridade.

Estou a investigar a morte do recluso Godoy,

que aconteceu à porta de Puente Viejo.

Uma das coisas que mais me chamou a atenção

foi o facto de você ter atacado o gangue ao qual ele pertencia.

Às vezes, pagam os justos pelos pecadores, como se costuma dizer.

Ele pagou mesmo, Borges, e pagou bem caro.

Com todo o respeito, doutora.

Acha que está a falar com o dono do circo…

… mas eu sou o tipo que leva porrada.

Mais nada.

De que circo está a falar?

E quem seria o dono? O Antín?

Pode explicar-me a sua relação de amizade com o diretor da prisão?

Não será que ele o internou para o tirar da prisão?

Não faço ideia do que está a falar.

Eu não tive nada que ver com a morte do rapaz.

Porque eu levei uma sova

e deixaram-me cego.

Agora,

se a meritíssima quiser fazer algo

em relação a quem me fez isto,

se me quiser ajudar,

ficar-lhe-ia eternamente grato.

Bom…

Penso que lhe vão dar alta deste internamento temporário em breve

e terá de voltar à prisão, nesse estado debilitado.

O seu bando deve estar a pensar no que vai fazer consigo.

Não me parece que restem muitos para o ajudar.

Por falar nisso, há quanto tempo não vê o Juan Pablo?

Segundo os médicos,

não o voltarei a ver.

Sabe a que me refiro, Borges.

Sim.

É um Borges.

Deve estar embriagado numa praia das Caraíbas.

Como qualquer Borges faria.

Sim.

Prepara tudo. Aviso-te quando sairmos.

- Com licença, doutora. Como está? - Olá.

- Preciso da sua assinatura. - Claro.

Amanhã não virei de manhã. Entrarei ao meio-dia. Pode ser?

Sim, claro. Mas qual é o motivo da ausência?

Arranjei uma forma do filho do Palacios ir vê-lo a Puente Viejo.

Não te pedi para esqueceres o Palacios?

É apenas uma visita do filho. Vai fazer bem ao menino.

- Está bem, Luna, mas não te exponhas. - Sim, obrigada.

Está lá?

Então, o grupo já está pronto? Devem vigiar o hospital.

Está bem.

Vejam só!

Agora, as putas e a madame comem connosco?

O que se passa, James?

O Capece mandou-nos servi-los.

O que se passa, maricas? Esqueceste-te de como as coisas funcionam?

Ri-te à vontade.

Vamos resolver isto já, Fabiolita.

Cabrão!

O que se passa com vocês, lacaios?

Esperem pela vossa vez.

Cala-te.

Tu deves-me um favor, amigo.

Não te devo nada. Não me fodas. Baza!

Foderam-te!

Continuas zangado por causa da princesa?

É isso?

- O que se passa contigo? - Deixa-o.

Ela contou-te que nos divertimos em San Onofre?

Capece, problemas na cantina!

O que foi? Puta que pariu!

Não podemos tirar os olhos destes animais.

Vai lá. Não precisamos de outro cadáver.

Controlaste a situação, Capece?

Sim!

Está tudo controlado.

Vou mandar os cabrões para a solitária!

Para a solitária, não!

A juíza pode aparecer, idiota. Manda-os para as celas.

Entendido!

Filho da puta careca inútil.

Um grande aplauso para o Pastor! Portou-se como um senhor!

Viste quando ele o agarrou e ele fez assim…

Apanhou-o bem!

Ele deu-te forte!

E aquele murro à Super-Homem?

Esmagou a cabeça dele contra a mesa.

Olhem para o Panda sentadinho!

Estiveste bem, meu.

Estás bem?

Ainda bem, meu.

Fizeste-nos parecer bem.

Um grande aplauso para ele. Vá lá!

Continuem!

Agora, está na hora do prémio do Pastor, cortesia do Panda.

Sim, querida. Vou a caminho. Não me chateies. Foi um dia difícil.

Não, sushi não. Dá-me diarreia.

Não, não me fodas. Sim?

- Tens uma visita. - Não. Outra coisa.

Vou desligar. Tenho visitas.

O Capece está aqui com um recluso.

O Capece pode entrar.

E o recluso também.

Entrem!

Com licença.

O que se passa?

Desculpe a ousadia por aparecer assim.

Qual é a cena deste senhor?

Tocar, chupar, receber, o que lhe pedir.

Às vezes, ele dá-me informações sobre alguns reclusos.

Pode ser-lhe útil.

Está bem. Adeus.

Com licença.

Tenho-te visto com o grupo dos Borges.

Agora que o Mario está fora, é dia santo na loja.

- Deves ter uma proposta para mim. - Sim.

Como te chamam?

- Bardo. - Bardo. Senta-te, Bardo.

Com licença.

Senta-ta, Bardo, e fala-me sucintamente da tua proposta,

porque a minha mulher está à minha espera.

- E ela dá comigo em doido. - Perfeito.

Basicamente, o gangue de Borges já não existe.

Acabou.

O Borges está todo fodido, todo desfeito numa cama do hospital.

Se voltar para cá, aqueles rufias vão acabar com ele.

Mas, tanto quanto sei, a hierarquia é a seguinte:

o Mario e, depois, o colombiano, não tu.

Sim, mas ele não tem perfil para liderar.

Se quiser, posso ajudá-lo a resolver a confusão que há aqui.

E, se me autorizar, livro-me do peso morto.

A sério?

- Olá. - Olá.

Tens de preencher este formulário com os teus dados e está tudo.

É só isto.

Mais nada.

Pensei que não te veria mais.

Vim pelo Lucas.

Eu disse-te desde o início que não queria que te envolvesses comigo.

Desculpa por tudo.

Não quero falar disso agora.

Eu sei exatamente quem era o meu pai.

Tratemos disto, por favor.

Se quiseres desistir, não faz mal.

Não tens de continuar com isto.

Vou ajudar-te, Miguel.

Vamos falar do Lucas. Vá lá. Preenche isto.

Acabarei por descobrir porque faço isto.

Quem está aí?

Quem está aí?

Quem está aí?

Sou eu.

Dios!

Não! O que fazes aqui?

Ainda estás zangado, idiota?

Vem cá, idiota.

Vem cá.

Vem cá.

Queres tocar-me nos dentes, cabrão?

Não, imbecil.

Estou só a dar-te festinhas.

Continuas a cerrar os dentes.

Já não faço isso.

Faço menos.

Dios.

Perdoa-me.

Perdoa-me, Dios.

Devia ter-te contado a verdade há muito tempo, caralho.

Esquece isso.

Eu vim porque quero contar-te algo.

O quê?

Agora, também sou pai.

Muito bem!

Fizeste de mim avô, idiota!

Sim.

Pelos vistos, numa das visitas conjugais, a Kari engravidou e…

Não te faças de parvo.

Tu já sabias.

Descobri que tu e a Gladys lhe enviavam dinheiro.

Mas não faz mal. Não estou zangado.

Vim apenas dizer-te que já sei de tudo. Mais nada.

Sou um desastre, Dios.

Mas juro-te que faço o meu melhor.

Além disso, como te podia encontrar?

Eu não queria que voltasses.

Queria que continuasses livre, longe desta merda.

Quero dar-te uma coisa, Marito.

O quê?

Toma.

O que é?

Não.

Não!

Não, Diosito!

Não, tens de ficar com ele. Era da tua mãe.

Ela punha-to sempre porque dizia que assim não choravas.

E tinha razão.

A tua mãe tinha razão, naquele dia.

Não devia ter insistido para irmos, naquele dia.

Sou um idiota.

Mas eu pensava…

… que nunca nos aconteceria nada.

Como estava errado!

Como estava errado!

E também estava errado quando pedi à tua avó para te dizer…

… que eu era teu irmão.

Mas era mais fácil estar preso…

… sabendo que eras feliz lá fora.

Mas quando saí, era tarde demais.

Fiz merda contigo.

É tarde demais para resolver as coisas.

Tinhas razão…

… em mandar-me à merda!

Mas não tive escolha.

Não tive escolha, Diosito.

Porque pensei…

… que se não podia ser o melhor pai…

… podia ser…

… o melhor irmão.

E foste, Marito. Foste o melhor.

Foste a única coisa boa para mim.

A sério.

Mas…

… durante o tempo que estive cá fora…

… e que nós estivemos separados…

… percebi que não consigo viver sabendo que estás preso.

Principalmente, neste estado. Entendes?

És o meu pai, o meu irmão, seja o que for.

Para mim, és o mesmo filho da puta gordo de sempre.

E não te vou deixar assim, Marito.

Vou ajudar-te.

- Eu pensei em tudo. - Não.

- Tenho um plano. - Não.

- A sério. - Não, ouve-me.

Ouve-me, por favor.

Neste estado, eu não sirvo para nada.

Não sirvo para nada.

Tens de aproveitar a tua vida, Diosito.

Faz tudo aquilo de que me falavas.

Eu só fiz asneiras. Tu não…

Tu não tens de acabar assim.

Escuta.

Vai-te embora.

Vai-te embora de vez.

Vai-te embora antes que te vejam.

Fica com ele, Marito.

Fica com ele.

Eu vou ficar bem, miúdo.

A Gladys vai ajudar-te lá fora.

Eu vou ficar bem.

Vai-te embora.

Vive.

Vai lá.

Vai, miúdo.

Adeus, Mario.

Adeus,

meu querido.

Alto! Polícia! Quieto!

Alto! Polícia!

Para o chão! Quieto!

Eu disse-vos que ele ia aparecer.

Legendas: Ruben Oliveira

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