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UMA SÉRIE ORIGINAL NETFLIX
Experimenta.
Eles trouxeram isto do Borges, na rusga.
Aproveita.
Por vezes penso,
que se me dedicasse a roubos
ou à violência, me tinha saído muito bem,
porque sou muito motivado, muito cuidadoso,
muito exigente, e presto atenção
aos detalhes.
E tenho olho para a coisa.
Apercebo-me logo
quando algo vai correr mal e afasto-me a tempo.
Tivemos uma boa sociedade.
Fizemos bom dinheiro com o Borges
e estava a correr muito bem.
E divertimo-nos muito
mas, de repente, ele mudou.
Começou a conspirar nas minhas costas,
a fazer acordos com os guardas
e organizou este raio de sequestro.
Trouxe a rapariga para a prisão,
para a minha prisão, sem eu saber.
Mas depois, emprestou-lhe a casa para esconder a rapariga.
Mas aí eu estava confuso.
Porque o montante era tão grande.
Era um monte de dinheiro
e deixei-me levar.
Vês? Falhou-me a perceção.
Todavia, temos de continuar a trabalhar
e encontrar outra solução
para conseguirmos uma reforma privilegiada.
Além de que, para mim,
a nossa sociedade é muito vantajosa.
Vamos conseguir bons dividendos.
Por isso deves ter em conta
o que te digo
sobre o teu amigo Borges,
para que possas aprender com a experiência.
Guarda.
Está aqui um recluso para a ver.
-Não estou à espera de ninguém. -Entra.
Sim, desculpe. Entra.
Até logo.
Obrigada.
Como estás?
Tudo bem. Muito trabalho.
Todos temos as nossas preocupações.
Sabes? Preciso de um favor teu.
Quem tenho de matar?
Muita gente, mas não era isso que tinha em mente.
Olha, o teu irmão
ainda trabalha nos homicídios?
Sim.
Sim, o Ariel, e um primo meu também.
Não te disse que
metade da minha família era da Polícia
e a outra metade, criminosos?
Podes imaginar como são as festas de família.
Preciso de informações
sobre uma criança que está desaparecida.
Sim, pois claro, posso-lhe perguntar.
É para a senhora que trabalha em minha casa.
Para um familiar dela.
Mataram o casal que cuidava do miúdo
e não sabemos o que lhe aconteceu depois.
Se se passou na capital,
o meu irmão deve saber.
Sim, foi na capital, mas tenho de pedir a máxima discrição.
Ninguém daqui pode saber, está bem?
Sou mudo.
Ótimo. Obrigada.
Não, eu é que agradeço.
Não me esqueci o que fizeste por mim.
Não me poderia ter despedido da minha mãe
sem a tua ajuda para sair daqui.
Por aqui, és como uma flor no meio de pedras.
Puta que pariu.
Não consigo dormir, preciso de ver televisão.
Filho da puta.
Porque não tentas contar carneiros?
Quais carneiros...
Aquele punheteiro é que precisa de uma ovelha.
Seu porco, o que estás a fazer?
Diz-me, o que estás a fazer?
Nada.
Ele estava a masturbar-se a pensar na filha do juiz.
Se querem lutar, vão para o balneário
e matem-se por lá.
Então, paneleiros.
O que descobriste?
O maricas ri-se.
-Nunca te masturbaste? -O que descobriste?
Estou a falar contigo, o que descobriste?
A sala é a caminho do pavilhão dos evangelistas.
A sala é esta.
Está trancada,
mas eu tenho uma cópia da chave.
Há aqui um ponto de controlo
que já foi subornado.
E tens a certeza de que conseguimos cortar a energia sem o cabrão do Antín descobrir?
Confia em mim, Marito.
Pastor Peña,
vou-te dar uma amostra grátis
da tua liberdade condicional.
Não faças asneira.
"Grátis" é uma força de expressão, certo?
Sim.
Eles vão-te acompanhar.
Vão estar ao teu lado, mas não contes com a ajuda deles,
eles só se vão assegurar de que tu regressas.
Outra coisa,
põe aqui a tua perna.
-Não foi o que acordámos. -Põe aqui a tua perna.
Desculpa,
mas não te conheço bem o suficiente.
Não posso confiar completamente em ti.
Sabes como isto funciona?
Eu explico.
Se te afastares 100 metros deles sem avisares,
eles estão autorizados a rebentar-te os miolos.
-Percebes? -Sim.
Então e a arma e as coisas que lhe pedi?
Tê-las-ás quando chegarem.
Tens tudo, Bigote?
Está tudo organizado como planeámos.
Está bem, abre.
Ótimo.
Vamos lixar aquele sacana.
Vamos lixar bem aquele sacana.
Adeus.
Lucrecia.
Que raio aconteceu com os monitores?
-O quê? -Não vês que não funcionam,
só mostram estática, não começam?
-Chama alguém da manutenção. -Estou a chamar.
Vamos ver...
Continua e vai pelas traseiras.
O que se passa?
Nada.
Nada, o que queres dizer?
Se te estás a rir é porque algo se passa.
Estou a falar com amigos.
Sim, imagino,
mas importas-te de me contar?
É privado.
Mas se te estás a rir e se estás comigo, podes-me dizer porquê.
Fizeste-me vir até aqui.
Preferia ter ficado em casa.
Combinámos que se não voltasses à escola,
seria para passarmos mais tempo juntos. Foi o que combinámos.
Não vieste aqui para brincares com a tua espada?
Não gosto que me fales assim.
Não sei o que fizeste naquele buraco sem um telefone.
Onde, na prisão?
Sim, na prisão.
Volto já.
Estava a falar com o meu amigo James Rodriguez.
Ele sim, era uma boa companhia.
Agora estás fodido.
Não. Nem penses nisso.
-Onde está o meu filho? -O quê?
O miúdo que estava em casa do meu irmão
é meu filho, onde está ele?
Não sei do que falas.
Os meus homens é que tratam dos pormenores, não sei de mais nada.
Raptar uma criança não é um pormenor.
Quem é que o levou?
Repito, não sei.
Mataste o meu irmão
e a sua mulher. Já sabias onde estava a tua filha,
não havia necessidade.
Eu não matei ninguém, Miguel.
-Depois tentaste matar-me na quinta. -Isso foi diferente.
-Tentaste extorquir-me. -Está calado.
Fala. Onde está o meu filho? Depressa, ou eu mato-te.
Eu não sei, o teu filho...
Eu não sei, escuta.
Tenho muito dinheiro.
Vamos fazer um acordo.
Seu merdoso. Agora que estás com medo queres negociar,
mas quando a tua filha foi raptada não querias pagar nada?
Não é isso, estás enganado.
Estás enganado, eu queria pagar.
Estou-te a pedir, por favor,
a minha filha está aqui e não sei se percebes,
mas ela não tem mais ninguém.
Imploro-te, por favor não me mates, Miguel.
Fazia-te um favor se te matasse. Fala.
Eu queria pagar, Miguel. Eu dei um milhão ao Borges.
Dei-lhe um milhão.
Não deste nada ao Borges. Estás a inventar.
Não estou nada.
Eu dei-lhe um milhão.
Talvez ele não tenha querido dar-to ou partilhá-lo.
Eu deixei um milhão num automóvel.
Escuta, o dinheiro tinha um aparelho de localização
e acabou por voltar para a prisão. Está lá, em San Onofre.
Se me deixares ir, eu consigo-te o dinheiro.
Podemos chegar a um acordo.
Claro que podemos, mas primeiro diz-me onde está o meu filho.
Não sei. O teu filho estava na casa e deixámo-lo lá.
Não acredito em ti.
Falei com o meu irmão.
O que é que ele te disse?
Posso? Mandou-me por e-mail.
Não se soube nada do miúdo durante vários dias.
Eles pensavam que ele já podia ter morrido,
mas depois encontraram isto.
Uma filmagem de uma câmara de segurança.
O quê? É ele?
Sim, isto foi filmado duas horas após os homicídios.
Obrigada.
Estou muito agradecida.
Conseguires esta informação foi muito importante.
Bem, só espero que encontrem o miúdo.
Pois. Eles sabem de mais alguma coisa?
Quem é esta mulher? Ou, não sei...
-Eles têm mais informações? -Não.
Sabes como funcionam as coisas aqui.
Eu trabalho para o Borges e...
Eu entendo.
Esquece.
Está tudo bem, já ajudaste bastante. A sério.
Se quiseres, o que posso fazer
é dar o teu contacto ao meu irmão
para que possam falar diretamente.
Boa. Perfeito.
Isso seria perfeito.
Está bem, adeus.
Calambre, não partas nada, está bem?
Tranquilo.
O que se passa, meu?
Estás contente? Já temos as nossas coisas.
-E este gajo a brincar como um maricas. -Sai daqui.
Não sejas agressivo!
Estamos todos felizes aqui.
Não temos culpa que o psicólogo te tenha rejeitado.
Não sei porque estão todos tão contentes.
Se o Antín se aperceber que recuperámos o que ele nos confiscou,
vai-nos confiscar novamente.
Sim, e nós recuperamos outra vez.
Se ele quiser comparar pilas, nós comparamos.
É sempre a mesma história.
Arranjei, sou um génio.
És um génio, dois cabos, um génio, um fenómeno.
Bem, obviamente.
Deixo isto aqui para assinares.
Está bem.
Não estejas assim, não te posso ver nesse estado.
Não é assim tão grave, nunca foram grande coisa.
É sempre o mesmo. Vamos ver:
reclusos a trabalhar,
reclusos a comer, reclusos a lavar,
reclusos a olharem uns para os outros.
Para te dizer a verdade, prefiro ver o Big Brother.
O Big Brother tem um guião
e prefiro ter tudo sob o meu controlo.
Está bem, mas tenta acalmar-te,
porque até eles aprovarem tudo,
quem sabe quando autorizam a reparação?
HOMICÍDIO JUIZ CAYETANO LUNATI ENCONTRADO MORTO
E por quantos ministros tem de passar.
Ele treinava todos os dias
num clube de esgrima e de tiro
no bairro de Nuñes.
O assassino, cuja identidade se desconhece,
matou-o, sem misericórdia,
com um tiro à queima-roupa.
Puta que pariu, que merda é esta?
Até agora não temos mais informações
sobre a identidade do atacante,
que conseguiu fugir à segurança do juiz.
REPÚBLICA DA ARGENTINA SISTEMA JUDICIAL
JUIZ: Cayetano Lunati
Olá.
Ele já o fez?
Onde estiveram?
Fontes da Polícia afirmam que o crime
está relacionado com o tráfico de droga
e foi, seguramente, perpetrado por um profissional.
Vejam só o que aconteceu ao meu dinheiro. Porra, puta que pariu.
Quem terá matado o filho da puta?
Para com isso.
Não te interessas? Não vês o que está a acontecer?
Que merda.
-A associação dos magistrados... -Pobre Lunita, que azar.
...perdeu um baluarte da justiça e da democracia.
Saiam todos daqui.
Mexam-se, tenho trabalho para fazer.
Vamos, pensam que viver aqui é uma piada?
Vá, toca a andar.
Que raio queres tu, Capece?
Cala-te, Borges. Toca a mexer.
Põe-te a trabalhar ou dou-te um pontapé no cu.
-Vá. -Não, não.
O que está a aprontar este filho da puta?
Já autorizei.
Vem diretamente à sala de visitas, com o Peña.
Com o Peña, certo? Quero falar com ele.
Estás a olhar para onde?
Estás a olhar para onde, cabrão?
-O que estás a fazer, seu sacana doido? -Vou-te matar, seu sacana.
Vou-te matar. Gostas disto, maricas?
Estou farto de ti.
Que grande merda.
Estás louco, Peña?
Como é que te vais safar depois de teres matado um juiz?
Já se sabe da notícia?
Já se sabe.
Como é que havia de não se saber?
Se soubesse, não te teria deixado ir.
Por isso é que não lhe disse, para não o comprometer.
Sabes que a justiça é lenta, mas quando te metes com ela diretamente,
é rápida e eficaz.
Eles não vêm à minha procura. Sou um recluso. Tenho um álibi perfeito.
Tu tens um álibi, eu não.
Eu disse-te que o Borges me está a causar problemas,
e agora tu também, piores.
Não o podia deixar escapar.
O que te fez o juiz?
É pessoal.
O que acontece se o Borges descobrir?
Ele não vai descobrir. Quem lhe iria dizer?
Tu podes contar a alguém
e esse alguém vai contar ao Borges.
Tem cuidado, porque se eu achar
que me estás a tramar,
é o elo mais fraco que se parte:
tu.
Viste o Peña?
Picachu.
Vai buscar o Pastor.
Não, ele não está aqui.
Ele saiu cedo.
Para onde?
Não faço ideia.
Eu vi-o no meio da prisão.
Olha, tens um cigarro?
Não.
Há pouco tempo, eles vieram buscá-lo
para falar com a assistente social,
por isso, de certeza que também não estará aqui.
Que fará ele quando aqui estiver contigo?
O que vai fazer? Acampar contigo?
Não, ele ignora-me.
Ele fica na tenda,
ou segreda com os rapazes, entendes?
Não sei, ele é um amigo, mas
ultimamente não sei o que tem andado a fazer.
No outro dia vi-o ali
a falar ao telemóvel.
Não faço ideia.
Se ele é teu amigo, porque o estás a delatar?
Meu, porque és tu.
Já nos conhecemos há muito tempo.
Só quero ajudar.
Aqui há muitas regras
que ele não percebe.
Sim, tens de ajudar.
Tens de ajudar muito.
Avisa-me se vires alguma coisa estranha.
Claro, conta comigo.
Onde estavas?
O que se passa, tudo bem?
-Estava com a assistente social. -Desde quando?
Tenho estado à tua procura há algum tempo.
O que se passa? Não sei, há uma hora, mais ou menos.
Vamos, mexam-se e voltem ao trabalho.
Vamos?
Escuta. Mataram o juiz.
Lunati.
-A sério? -Sim. O pai da miúda
que perdemos na quinta.
-Sim, eu sei quem é. -Pois, mataram-no.
-Quem foi? Tu? -Não sei quem foi.
Não, não fomos nós.
Olha, diz-me se foste tu.
Estou a dizer-te a verdade, não fomos nós.
Gostaria que tivéssemos sido, e teríamos o nosso dinheiro.
Não sei quem foi.
Meu, que bronca.
É fodido, mas agora está feito.
Olha, que fazes esta noite?
Tenho uma surpresa para ti.
O que é?
É uma surpresa. Se te disser, perde a piada.
Mas estiveste ao meu lado quando eu estive em baixo, recentemente.
Deixa estar. Está tudo bem.
Além de que esta noite estou cansado.
O que queres dizer, não podes? O que se passa contigo?
Deixaste o meu irmão pendurado e agora dás-me uma nega,
passas o tempo todo com os otários do Sub-21.
-Tens algum problema com os Borges? -Está tudo bem, relaxa.
-Então vem. -Não posso.
Porquê? Vais ao cinema?
Está bem. O que é? Diz-me o que se passa?
Uma surpresa, já te disse.
Diz-me o que queres consumir, que eu trato de arranjar qualquer coisa.
Cocaína, erva, o que quiseres.
Pastilhas.
Não, só alguma coisa para beber.
Dá-me um cigarro.
És tão saudável que me deixas doente.
Sempre um cigarro, água.
Sabes qual é o teu problema?
És como um desses viciados em droga
que esteve fechado numa quinta
no campo, com porcos, vacas e tudo o resto,
a comer marmelos e tornaste-te num finório,
um hippy, que não se quer drogar.
-Algo do género. -Tens razão.
Vês, eu sabia.
Tranquilo, como quiseres.
Olha, mas bebes uma cerveja, certo?
Sim.
Vem daí, Peña. Vai ver a tua assistente social.
Outra vez?
Vamos.
Vês, a rapariga não vive sem mim.
Eu vou dormir, ele está a observar-me.
Levanto-me e ele continua a olhar para mim.
Ainda por cima, todo o dia com a porra do San La Muerte,
com as velas, com as flores. Estou farto.
Sou livre de fazer o que quiser.
Poderia dizer o mesmo sobre ele.
Acordo, ele está a olhar para mim. Vou à casa de banho, ele continua.
Do que estás a falar?
Ele que vá para o pavilhão dos maricas.
Não tenho a culpa que ele goste de levar no rabo.
Pronto, chega de discussões. Parem com isso.
Têm de ser dar bem ou um de vós sai deste pavilhão.
Querem ir para o pátio?
-Sim, mande-o para o pátio. -Tu vais com os tipos do Sub-21,
seu cabrão.
Parem de lutar. A sério, parem já.
Entra, Pastor. Só um segundo.
Têm de aprender a ser mais tolerantes, ou um de vocês irá.
Entendo a tua devoção por San La Muerte, mas tens de ser mais respeitador.
Não vos quero a brigar outra vez, entendido?
Levem-nos.
Basta.
Entra, Pastor.
Vem aqui. Quero mostrar-te uma coisa.
É o Lucas?
Sim.
Fazes ideia de quem é a pessoa que está com ele?
Não.
Descobriste mais alguma coisa?
Não.
Não, só tinham esta fotografia na estação de Arzabal.
Perto da casa do teu advogado.
Como obtiveste isto?
Através de um polícia
do departamento de homicídios.
Sabes o nome dele?
Não.
Porquê?
Por nada.
A verdade é que eles estão confusos com isto tudo.
Não têm muitas informações,
mas tens de te manter calmo, em breve saberemos mais.
Obrigado.
A sério, muito obrigado.
O que se passa? O que é tudo isto?
Isto é uma parte de San Onofre que nunca viste.
O que se passa? Achas que estás a entrar num matadouro?
Rati.
Entra.
Nunca um botão, Nolbelto, não é?
Um bolso, fecha-o.
Então, homem. Não sejas medricas.
Vai ser uma noite em grande.
Vamo-nos divertir.
O que é isto? O que fazemos aqui?
Entra.
Confia em mim.
Eu disse-te que nos íamos divertir.
Somos amigos, mas nunca nos damos como amigos.
Só nós dois?
Enfim sós.
Tu e eu.
A ver o que acontece.
Não posso, mano, estás-me a fazer rir.
Eu tenho tudo, vês?
Parvalhão, assustaste-me.
Como o Willy Wonka. Toma uma cerveja, bebe.
Serve-te do que quiseres.
Come alguma coisa.
Estou numa campanha de fome zero
até à sobremesa.
Queres snifar uma linha?
Não.
Quem será?
Vá, abre.
Vá lá.
Olá, querido.
Bem-vindas, meninas.
-Olá, Pammy. Estás deslumbrante. -Como estás, querido?
Ele é como um irmão, por isso,
tratem-no o melhor possível.
Está bem.
Quer dizer,
que o Pastor é o teu melhor amigo aqui?
Sim.
Diz-me, o que te parece?
O que achas? Guardaste segredo.
Não nos disseste que o teu amigo era assim tão giro.
Giro, o que queres dizer?
Que queres dormir tu com ele?
Podemos ir para cima da mesa.
Cuidado.
Cuidado com o quê? Vocês são mal comportadas?
Querem-no foder ao mesmo tempo?
Está bem, espera. Primeiro queremos conversar um pouco, está bem?
Para nos conhecermos melhor.
A sério.
De onde é que vocês são?
Da zona de Burzaco.
Onde vive a família do Leoncito, conheces?
Burzaco, sim.
É uma zona bonita.
Foi difícil entrarem aqui?
Não.
Difícil é sair.
Queres um pouco?
Não, obrigado.
O que se passa com o teu amigo?
Ele gosta de rezar, imaginem.
A sério?
-Eu também rezo. -A sério.
Todo o dia.
Eu tenho muita fé, vem cá.
Vamos dançar um pouco.
Olá, Pastor.
Posso fazer uma pergunta?
Qual?
Porque és tão reservado?
O que se passa contigo?
Reservado sobre o quê? Não se passa nada.
Esta manhã desapareceste,
disseste-me que estiveste com a assistente social,
mas eu não acredito em ti.
Onde estiveste?
Estive com a assistente social, parvalhão.
Não mintas.
O que se passa?
Tens outra pessoa cá dentro?
O que queres dizer, outra pessoa?
Outra pessoa.
Outro idiota com quem ajas de maneira igual.
Olha que estou a ficar ciumento.
O que se passa, estás tonto?
Relaxa.
Pus um comprimido na tua garrafa.
Por isso, aproveita, meu amigo.
Quem és tu?
Puta feia.
Que estranho.
O que se passa?
Estou a receber mensagens tuas
do telemóvel que me deste para falar contigo.
Pois, eu mudei de telemóvel.
Tenho saudades tuas, querida.
Não consigo viver sem as tuas tetas.
Mas quem é? Não percebo.
Fazes ideia onde estão as coisas que me foram confiscadas?
É o Antín.
Ele tinha a caixa com as tuas coisas.
Não vi o que continha.
Não sabia que o telemóvel estava lá.
Não posso acreditar.
Não podias ser mais burra?
O que queres que faça, meu amor, como poderia saber?
Não te preocupes com isso, amanhã arranjo-te outro número.
-A sério? -Sim, troco-to.
Olha, querida.
O quê?
Importas-te que não coma o peixe? Não me apetece.
Não faz mal, não importa.
Hoje só quero comer berbigão.
És obsceno!
O que me deste, otário?
Porque perguntas? Gostas?
Estou todo fodido.
Não, vem cá, snifa uma linha de cocaína que isso passa.
Vem cá, sacana, relaxa.
O que se passa? Vem cá.
Estás a ficar paranoico?
Vem cá.
Olha para onde estás.
Presta atenção.
Repara bem na festa em que estás.
Amanhã vais estar sozinho, homem.
O dia seguinte, sozinho, o resto do teu tempo
que te resta na prisão.
E quando saíres também irás estar sozinho.
Sabes que vais morrer sozinho?
Por isso te digo...
Porque não aproveitas este paraíso?
Como é que arranjaste isto tudo?
Querida, com dinheiro, tudo é possível.
Tal como noutro lado qualquer.
Há sempre alguém que te deve um favor.
Esta idiota estava com medo de passar um mau bocado.
Admite, estavas assustada.
Nunca estive num sítio destes,
estavas à espera de quê?
Eles fizeram uma rusga e levaram tudo.
A televisão, a PlayStation, os jogos, tudo.
Mas a Gladys
recuperou as coisas e trouxe tudo de volta.
Genial, aquela Gladys.
Sabes que ela é amiga da Gladys.
A minha cunhada, Pastor.
A Gladys é genial.
Há quanto tempo é que estás na prisão?
Estou a falar contigo, Pastor.
Faz anos.
Coitadinho, o meu pequeno Pastor.
Sabes uma coisa?
Eu não me chamo Pastor, chamo-me Miguel.
Estou farto desta merda de Pastor.
O que se passa com o meu Pastorzinho?
Não me ouviste? Eu chamo-me Miguel.
Está bem. Michael.
Eu não sou Pamela, chamo-me Máxima.
Adoro o nome.
Cada vez que ele fica pedrado,
vem com esta conversa de se chamar Miguel.
No outro dia também, dispararam contra ele
e ele não se calava de dizer que era Miguel.
Pastor, Miguel, ou como quer que te chames
vem cá sacudir-me.
Levantem-se, montes de merda.
Vamos lá, seus filhos da puta.
De pé.
Quem não sair, eu vou buscá-lo
e arrasto-o pelo escroto, toca a andar.
Ouviste, Peña?
Eu disse para se levantarem.
Ontem, não te privaste de nada.
Anda, vamos embora.
-Porra, muito bem. -És como uma criança!
Ótimo, vejam só.
Vês, quando querem fazem as coisas como deve ser
e ignoram a burocracia da prisão.
"Não podemos, não podemos"
e conseguem fazer as coisas. Ficam motivados.
Bem, se estás à espera da manutenção,
bem podias esperar sentado.
Tens de agradecer ao Borges.
Sim, foi ele.
Pediu-lhes que arranjassem o painel de controlo
e eles puseram cabos novos.
Esse merdoso está a ganhar juízo.
Ainda bem.
Sim, foi para amenizar as coisas contigo, certo?
Como gesto de boa-fé...
Sim?
Vamos-lhe enviar esta caixa que confiscámos.
Sim. Acho que ele vai gostar.
Contudo, ele comprou tudo novo.
O que queres dizer com isso?
Não viste? Está tudo instalado. Olha.
Raios partam.
Não acredito.
Quem autorizou isto?
Ele está conivente com os guardas.
Convoca uma reunião com os funcionários, imediatamente.
-Está bem. -Para.
Quero-te dizer uma coisa.
Sabes que este sacana do Borges
está a foder uma rapariga daqui?
-O quê? -Encontrei isto no telemóvel dele.
Tenho as fotos e as mensagens que enviaram.
Enviam fotos todos nus, um ao outro,
-de mamas, de pilas. -Mas, quem é?
Não sei, não mostram a cara.
Ela deve estar a trair alguém
e não quer que se saiba quem é pela fotografia.
A autoestima que esta puta deve ter
para foder com um gajo tão asqueroso.
Que puta desleixada.
Queres que marque a reunião?
-Sim! -Está bem.
O que digo ao Brian?
Que espere que eu saia.
Sim, mas ele quer trabalhar agora, Mario.
Não posso ir roubar com um idiota qualquer.
Estou a avisar-te, ele tem-se dado com o Torta Rodriguez.
Com esse filho da puta?
Não, diz-lhe que se o fizer sozinho,
eu vou encontrá-lo e partir-lhe as pernas.
Já lho disse pessoalmente.
Já lho disse, mas sabes como ele é. Ele é duro.
Não presta atenção ao que lhe digo.
É melhor que o faça. Trá-lo para a semana.
-Eu quero falar com ele. -Está bem.
Meu, pobre Diosito.
Quem esperaria que um psicólogo o deixasse naquele estado?
Arranjei-lhe outro.
Não é a mesma coisa, Mario. Tu não percebes.
Como é que sabes se é ou não a mesma coisa?
Quando é que te tornaste terapeuta?
Agora és psicóloga?
Não, nem necessitaria de terapia.
Mas ele não é como tu, sabias?
O Diosito é diferente, ele tem uma sensibilidade.
Não sei, ele é um santo.
Não sei como deixaste isto acontecer.
Então, Gladys. Ele já é um homem.
Não interessa. Não está bem.
Deviam retirar-lhe a licença, ou dar-lhe uma carga de porrada.
Não gostei nada.
Porque me estás a arreliar, querida?
Vieste para me acalmar
e estás a deixar-me mais nervoso.
Não volto a pedir este lugar para estarmos juntos,
para de me atrofiar.
Amor!
Está bem, acabei.
Queres fazer de lado?
Está bem, tira o telemóvel daí.
Vem cá, vem aqui.
Vem cá, carinho.
Gostas assim, é?
De fazer conchinha, paizinho.
Sim, querida, sim.
Atira como deve de ser, homem. Vá lá.
Toma, meu.
Pronto, para.
Pastor.
O que se passa, amigo? Estás abatido. Não tens energia para nada.
Oiçam.
Saiam daqui, nós acabamos.
Desaparece, miúdo.
Nem fui ao pátio a noite passada.
Como te sentes?
Como merda.
Que raio me deste ontem?
Agora sentes-te como merda,
mas não me digas que não valeu a pena.
Meu, o que estás a fazer? Isto é de todos.
Para, meu. O que se passa?
Peña, vem comigo.
Agora?
Sim, agora, vamos, mexe-te.
Capece.
O que se passa, Capece?
Eles dão-nos merda.
Que cara terrível.
Sim, dormi mal.
Nota-se.
Por causa daquilo, queres dizer, não,
não é o que estás a pensar.
Não interessa, não tens que me explicar nada.
Pois, claro que não.
O polícia dos homicídios voltou a contactar contigo?
E?
Sabes, deixas-me confusa, Pastor.
Porquê?
Porque sempre que acho que te começo a entender, algo de novo acontece.
O que foi?
Identificaram o pai da criança e não és tu.
Estavas desesperado porque o teu filho desapareceu, e hoje
-apareces de ressaca. -Não, não.
-Não estou a julgar, mas não percebo. -Não é o que estás a julgar.
Fui arrastado para uma situação da qual não podia sair.
Achas que isto é porque eu sou um dos que está aqui dentro?
-Não tens de explicar nada. -Tenho sim...
-Sim? -Posso falar contigo um momento?
Sim, claro.
Espera aqui por mim um segundo.
-Como estás? -Bem.
Descobriste mais alguma coisa?
Não, amanhã farei a primeira ecografia.
Não me tenho sentido bem,
mas suponho que seja normal.
Pois, suponho que sim.
Olha, sabes mais acerca disto?
Pensava que querias saber de mim.
Sim, também, claro, estou a perguntar acerca de tudo.
-Sim, claro. -Quero saber de ti também.
Pois, mas queria saber se notaste
alguma alteração no Antín, algo de estranho.
-Se ele te perguntou alguma coisa. -Não.
Ele só queria saber se tínhamos falado.
O que fazes esta noite?
Porquê?
Não sei, podíamos ver-nos.
Passo em tua casa?
Não, sinceramente, não.
Porque não descontrais?
Vamos ter um filho juntos.
Estou a dizer que posso ficar até tarde,
esperar que adormeças, ficar contigo, e sair depois.
Obrigada, Gastón, mas não. Vai-te embora.
A sério. Tenho de voltar ao trabalho.
Está bem, vai trabalhar, adeus.
Adeus.
Eu envio-te uma mensagem para saber se mudaste de opinião.
É o teu namorado?
Meu namorado, o que queres dizer?
Eu vi como ele olhou para ti e como olhaste para ele.
Se é o teu namorado, não faz mal.
Estás confuso, não é?
Olá?
Olá, Emma, é o Ariel. Como estás? Estás ocupada?
Tudo bem? Estou a trabalhar,
mas diz-me, descobriste alguma coisa?
Enviei-te uma fotografia do Miguel Palacios.
Só para te avisar.
Ótimo, vou ver agora.
Mostra à tua criada, e se ela o conhecer, diz-me.
Ela pode ter informação útil para ti.
Espera um segundo...
ESTA É UMA OBRA DE FICÇÃO. QUALQUER SEMELHANÇA COM EVENTOS
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