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Todo homem sonha, mas de modo diferente.
Os que sonham à noite, no mais fundo da alma...
acordam para saber que era tudo ilusão.
Mas os sonhadores do dia, são homens perigosos...
porque agem segundo seu sonhos, de olhos abertos...
de modo a realizá-los.
Assim, fiz eu.
LAWRENCE DA ARÁBIA II MISSÃO DE RISCO
T. E. Lawrence.
Esse jovem arqueologista, sem a menor experiência militar...
tornou-se o pavor dos turcos.
O adorado líder dos beduínos...
quando o conheci, ele me disse...
haver um prêmio de 500 mil dólares, por sua captura.
Esse jovem irrequieto...
colocou-se à frente do exército beduíno...
do rei do Hidjaz, conduziu os turcos pela terra santa...
e devolveu o califado à descendência do profeta.
Aqui o vemos, rei não coroado da Arábia...
e seus cavaleiros árabes.
E chefe de seus cavaleiros árabes.
O filho do Rei Hussein do Hidjaz, o emir Faiçal.
Faiçal deu a Lawrence a famosa roupa branca...
feita de seda, que o emir pretendia usar.
Eu o vi dar a Lawrence seu próprio rifle...
como símbolo de gratidão e amizade.
Juntos, estes cruzadores do século vinte...
varreram os turcos da planície de Sharon...
onde os muçulmanos guiados por Saladino...
venceram a flor da cavalaria feudal...
e marcharam no final, em triunfo, em Messiness.
Os bravos filhos do deserto consideravam...
o louro chefe estrangeiro como um líder natural...
Trem das dez horas, esperem a parada total.
UM ANO ANTES, ARMISTÍCIO DE 1918
Desculpe, senhor.
Constantinopla está resolvida.
Sim, os franceses tentam de todas as formas...
entrar no império otomano...
-Já conseguiram? -Não, mas está nos planos deles.
-Como assim? -Penso que...
-Lawrence! -Quem?
-Os árabes. -Qual árabe?
Bem, essa é a questão.
Acho que temos uma opção na equipe...
Não vejo motivo nenhum para consultar esse Lawrence.
Do ponto de vista da conferência de paz...
existe um completo controle britânico.
Mas talvez seja necessário ter a cobertura de um líder.
É claro, mas quem? Por que Lawrence?
Há outros árabes, e outros especialistas em árabes.
Karl Magnus Hagen...
ele esteve numa campanha no deserto, não esteve?
Magnus Hagen é um palestino.
Tem ligações sionistas e chega do Iêmen, esta tarde.
Bem, então isso o recomenda junto ao ''foreign office''.
Isso mesmo. Mande chamá-lo.
Sim, mas Lawrence já chegou.
Somos obrigados a ouvir o que tem a dizer.
Pode ser um desastre... Cuidado com Faiçal...
Chega a ser um ultraje ao rei. Ele recusou a aceitar a medalha!
Coronel Lawrence.
Sente-se, por favor.
Todos aqui lhe damos as boas vindas, coronel Lawrence...
-ao comitê de guerra do oriente. -Claro que sim.
Este governo valoriza muito sua opinião, coronel Lawrence...
quanto ao acordo de paz.
A casa real árabe e o príncipe Faiçal provaram seu valor na guerra...
e provarão o mesmo, na paz.
Então estamos no mesmo barco, não estamos?
Ou, neste caso, camelo.
Há outros navios do deserto.
Imam. Adressi.
Acima de tudo, em minha opinião, Ibn Saud.
Mas não tão disposto a satisfazer às necessidades britânicas.
Comerciantes, sobretudo na Índia. Lorde Cassman está protegido...
na verdade os interesses britânicos seriam melhor atendidos...
com apoio aos hidjazitas.
Nesse sentido gostaria de sugerir que o príncipe Faiçal...
chefie uma delegação à conferência de paz em Paris.
Os britânicos escolheram...
Insisto em recomendá-lo a vossas excelências.
Ele seria... maleável?
Nas mãos certas.
As suas?
Os árabes interagem melhor com indivíduos.
E o que Faiçal ganhará por seus leais serviços à Grã Bretanha?
Algo que eu já lhe prometi, Síria.
Eles estão prontos para...
Você não mencionou os franceses.
Não.
Mas sabemos que eles também têm expectativas quanto ao oriente médio.
Com a Síria, em particular.
-E os franceses são nossos aliados. -Os árabes também.
O emir Faiçal certamente terá todo cuidado ao escolher...
um assessor estrangeiro, da nacionalidade que preferir.
Acho tranqüilizador que tanto o emir Faiçal como coronel Lawrence...
tenham os interesses britânicos bem claros em mente.
-Obrigado, coronel Lawrence. -Obrigado, senhor.
Vamos almoçar? Oh, o nosso restaurante abre hoje?
PARIS QUATRO ANOS APÓS A GUERRA...
AS NAÇÕES DO LITÍGIO REÚNEM-SE PARA DISCUTIR A PAZ.
OS TRÊS GRANDES CHEGAM PARA DECIDIR O DESTINO DOS IMPÉRIOS CONQUISTADOS.
DAVID LLOYD GEORGE PRIMEIRO MINISTRO DA GRÃ BRETANHA.
GEORGES CLEMENCEAU PRIMEIRO MINISTRO FRANCÊS
WOODROW WILSON PRESIDENTE DOS ESTADOS UNIDOS
Muito bem.
Só é perigoso se você se mexer.
Sua vez. Afinal, o cabo é feito de ouro inglês.
Ah, obrigado. Vamos jantar primeiro.
-Por quê? -Porque já é tarde.
Hajiraz, contribuição para a casa. Obrigado.
Estranho, é um idioma diferente...
dizemos El Órens, o secretário de defesa.
El Órens, eu gosto. Mas tive que contar mentiras para trazê-lo aqui.
Não é a primeira vez. E talvez não seja a última.
O que importa é que você me trouxe! Paris!
Anime-se, seremos irresistíveis.
Por que estamos parando aqui?
George Dumont, secretário particular do primeiro ministro Clemenceau.
Emir Faiçal, a França não está informada sobre a missão oficial...
que o senhor quer realizar em Paris.
Não falo francês. Sente-se e coma comigo.
Por conseqüência...
não é desejável que o senhor continue sua viagem a Paris.
Deve haver algum mal entendido.
O emir está aqui a convite do governo britânico...
representando seu pai, o rei Hussein.
Sim, mas eu repito.
A França não foi informada da missão do emir.
O senhor pode traduzir isso?
-Ah! Deu tudo certo. -Precisamente.
É uma grande honra conhecê-lo.
Seja bem vindo, aliados na paz como na guerra.
Coronel Lawrence, precisamos conversar.
-Sim. -Em particular, por favor.
Está muito frio. Entre no carro.
Senhor Dumont, por favor compreenda.
Ah, muito melhor. O senhor tem que ir à conferência de Paris.
Não posso deixar Faiçal!
Cuidado! Não nos cause mais inconvenientes.
Há muito mais nos planos da delegação de Hijaz.
A reunião com George e os encontros preliminares...
com Clemenceau e o presidente Wilson.
Há outro problema: quem é você, exatamente?
O que exatamente você vai fazer em Paris?
Com a autoridade de quem e em nome de quem você o fará?
Queremos saber seu papel.
Temos que saber em que lado você está.
Foi tudo planejado em Londres. Sou adido da delegação de Hidjaz.
-A função? -Como o quê?
O príncipe não fala inglês, precisa de um intérprete.
Um intérprete.
Bem modesto, para o conquistador de Damasco.
Como saberemos se sua versão diz a verdade?
Imagino que não seja apenas minha interpretação que esteja em jogo.
Acho que conheci seu pai.
Meu pai?
Você é igual a ele.
Ele não diria nada, totalmente desamparado.
E interceptei um telegrama.
-Resumido, como você leu? -Porque eu sabia o cenário.
-Por favor, a minha chave. -Coronel Lawrence.
Lawrence.
Sim, claro, darei ao coronel Lawrence.
- Por favor, qual é meu quarto? - É a suíte 66.
O senhor não tem cartas.
-Que tal é seu quarto? -Gelado.
Sem metrô, sem táxi, aquecimento, elevador...
e a qualquer hora, sem eletricidade.
-Diga, onde está Lawrence? -Acho que foi para o bar.
-Não foi não, não é nenhum vip. -Como vai?
Coronel, prazer em encontrá-lo.
Aproveito para avisar, não fale mal dos árabes.
-O que você faz aqui? -Um trabalho técnico.
Nós nos encontramos sempre em guerra.
Mas diga, ele o chamou de coronel Lawrence.
Em nosso último encontro você era capitão!
Fui promovido, serviços prestados.
Sinto muito, preciso ir. Tenho um encontro marcado com lorde Curzon.
Vai ter que esperar.
Meu nome é George Nathaniel Curzon...
sou pessoa muito importante, minhas roupas são limpas...
meu cabelo, cortado, eu janto fora sempre, como bom soldado.
-Louis, estava ótimo. -Sim, estava.
-Boa noite, senhor. -Boa noite.
Oh, paciência.
Desculpe, senhor, mas precisava lhe falar com urgência.
Precisava, não é?
Bom, então vamos entrar.
-Uísque, Louis? -Obrigado.
Não, obrigado.
Então, do que se trata?
O trem do emir Faiçal foi parado pelos franceses...
-na estação Monte Didier. -Faiçal.
O emir Faiçal e comitiva ainda estão, todos, dentro do vagão.
Vamos deixar isso com os franceses.
Os franceses não lhes reconhecem a condição diplomática.
Um direito deles.
O senhor deve insistir para que o façam.
Devo?
O senhor concordou com isso, senhor.
Bom, por favor, Louis, nos dê licença.
Ouça com cuidado.
Estamos em débito com a França.
Se ela conseguir ver com clareza, permitirá que a delegação do Hidjaz,
da qual não tem nada a temer...
tenha aquilo que tiver a bondade de conceder.
Ei, acabe seu drinque, amigo, por favor.
Obrigado, lorde Curzon.
Coronel Lawrence.
Deixe bem claro, por favor a Faiçal,...
que a última coisa que desejamos nesta conferência...
é arrepiar as penas francesas.
O galo francês e o buldogue inglês.
Tentarei explicar mas, acho difícil empurrar uma história...
de galo e buldogue nessa salada.
Sugiro que você tente, e com insistência.
Sim, senhor. Boa noite.
Espero que tenhamos feito a escolha certa.
Desculpe.
Bom dia, senhor.
Sentem-se, por favor.
Haverá alguma dificuldade, aviso.
Os senhores têm uma entrevista na terça no Quai D'Orsay.
Há uma oportunidade de falar com o cônsul às dez...
e com a imigração às cinco da tarde, pontualmente. Não se atrasem.
-Como? -Posso traduzir para ele?
Por favor.
Mas é só isso?
É que no seu caso empreguei o dialeto econômico...
a língua doméstica que o emir usa...
quando precisa ouvir apenas o essencial.
Impossível.
-Mas passemos ao título do emir. -Qual é o problema?
Temos que registrá-lo corretamente, não é mesmo?
Documento 1577.5 E.
O próprio assina-se Sharif e emir de Meca.
Sem problemas.
Mas, e há um grande mas no formulário...
4 de novembro de 1916, do rei dos árabes.
A função não era reconhecida por franceses ou ingleses.
E o telegrama número 961 do F.O...
sugere, em virtude de nossos tratados com outros chefes árabes...
Ibn Saud, Iman, etc...
que um deles deve ser eleito rei do Hidjad.
Segundo tais providências, sugerimos sua alteza...
Shiada, rei Melik do Hidjaz, certo?
Já foi aprovado pelo governo francês.
Meu pai é descendente do profeta Maomé.
E por mais de cem anos...
meus ancestrais foram Sharifs da cidade sagrada.
Nenhum outro título no mundo se compara em esplendor.
180 milhões de muçulmanos pensam assim.
E o emir de Meca tem outra ascendência.
Você é um tolo impertinente se pensa que o portador de tal título...
dá alguma importância se você o chama, além disso...
rei, imperador, presidente ou duque.
Certo.
-Passagem livre, para os dois. -Obrigado.
Grata pelo convite para o jantar.
-É ele? -Sim.
Não! Uma conversa brilhante. Uma atividade épica.
Muito interessante, fala de perdas, ganhos, complôs...
como governar o universo.
Você também deve prestar atenção.
Era um romântico briguento quando o conheci.
Olhe para ele agora.
Será que entendemos o que o coronel Lawrence fez mês passado?
Ele recusou o CB e o DSO.
O coronel Lawrence combateu até o fim.
Sem esquecer que o rei foi cavalheiro...
e respeitou-o, como soberano.
Acredito que o coronel Lawrence pretendeu atrair a atenção...
para a causa árabe, com essa recusa.
Qualquer homem pode recusar uma condecoração.
Qualquer homem pode, ao recusar, esclarecer as razões dessa recusa.
Mas o momento da recusa...
quando sua majestade estava pronto para conceder a honraria...
foi monstruosa.
Minha ação foi provocada por um sentimento de vergonha...
pela provável traição aos árabes...
pelo mesmo país em que depositaram confiança.
Sem consideração.
Não, não, não.
Deixe, deixe o coronel Lawrence esclarecer, será uma longa desculpa.
Eu apenas senti que o rei deveria ser avisado...
do que estava sendo feito em seu bom nome.
Não tinha conhecimento da profunda paixão germinando na alma árabe.
Na verdade, foi tanta a pressão da guerra, tão intensa...
as batalhas da França tão exigentes, que eu apenas...
suspeitei das ações da revolta árabe no deserto.
Duvido muito que a existência do secretário de defesa...
fosse apenas conseqüência das guerrilhas Auaitat...
Bagail ou Ataiba árabes.
E eu percebi menos ainda...
o papel desempenhado pelo coronel Lawrence nessa revolta.
Não foi nada.
Nada.
-Na verdade, eu... -Ontem fui jantar no Magestic George.
Tudo parecia feito em ônix...
Você não vai escrever muito sobre mim?
Anotações. Deixei meus cadernos de guerra no Cairo.
Ah, a guerra.
A guerra era tão mais clara.
Isso é tudo que devemos esperar?
-É tudo que se deseja na Europa? -O quê?
Essa... espera.
Ah, isso é a clemência.
Nosso tempo chegará.
Atraí levas de homens com minhas mãos...
e escrevi meu testamento na areia.
Atraí levas de homens com minhas mãos...
e escrevi meu testamento no céu, nas estrelas.
Atraí levas de homens às minhas mãos...
amei vocês, por isso atraí levas de homens...
Chegou ao nosso conhecimento, que certas promessas...
que seu governo fez aos árabes durante a guerra, podem acontecer.
Mas há também a idéia que implica que nós não podemos ter...
pretensões quanto à Arábia.
Para os árabes, vocês prometeram a independência.
Mas a menos que concordem com a divisão, não há acordo.
A França tem a maior simpatia pelo dilema...
no qual o governo de sua majestade se encontra...
e Clemenceau confia que vocês saberão conciliar...
vossas posições contraditórias para a satisfação de todos.
Por favor, assegure ao ministro Clemenceau...
sobre a firme lealdade de meu primeiro ministro.
A verdade é que a França é elemento indispensável...
de toda negociação.
O resto é detalhe sem importância.
Jamais duvidamos que tais detalhes sem importância fossem aplainados.
Por favor, gostaria de ver o emir Faiçal.
Oh! Que mudanças, ficou muito bem a transformação...
do estilo francês em estilo Louis-Bagdá.
Sim, uma reconstrução aproximada do escritório do emir.
-Ah! Salammalec. -Salam.
Veja só, sua roupa, absolutamente...
Se eu me vestir como os outros, talvez seja tratado como os outros...
e não como um selvagem.
Esta é a roupa que o emir vestirá para a reunião, amanhã.
Ah, receio desapontá-los.
Por quê?
Foram os franceses, certo? Eles não querem acordo.
Os dois lados devem ser beneficiados.
Os árabes lutaram pela sua liberdade...
para se livrarem do império, não para apoiá-lo.
Quero liberdade para a nação inteira, não para algumas partes.
Lutaram, não foi?
Sua Majestade...
os árabes são eternamente gratos ao Lawrence...
por terem ganho a batalha com tanta eficiência.
Não?
Especialmente se considerarmos que ele sempre soube...
do acordo franco-inglês...
para dividir a Arábia de acordo com suas influências.
França, Síria e nós.
Vamos fingir que há alguma novidade nisso.
Que nunca soubemos de nada durante anos. Certo?
Deixo que você interprete o que foi dito como quiser.
Essa informação só foi dividida conosco...
pelo chefe do exército árabe.
Acho que os franceses não concordariam com você.
Então, eles devem estar loucos.
Terei que falar com Curzon.
Lorde Curzon está voltando para a Inglaterra.
Ele partirá muito em breve.
Damasco é tudo o que temos?
-Senhor? -Sim?
Qual é o motivo do barulho? Estou no andar de baixo.
Que belo quarto.
Não está usando seu carvão. Posso pegar? O meu acabou.
O que está escrevendo?
-O que é isso? -Nada, é besteira.
Sete contos da sabedoria.
Um triunfo.
Mas que homem esperto.
Não preciso disso.
A guerra inteira foi um espetáculo secundário do espetáculo secundário.
Agora somos intérpretes dos suplicantes desse espetáculo.
Somos quase invisíveis.
Triunfo...
Obrigado pelo carvão.
Príncipe Faiçal, porque não pensa de outro modo...
e em quem governará uma Síria independente?
Mantenho minha convicção.
Acumular bens perdidos.
Ter 20 milhões, a base na qual construir uma segunda Paris.
Príncipe Faiçal recita o Alcorão mas o coronel Lawrence...
traduz uma coisa totalmente diferente.
-Muito engraçado. -Obrigada.
Veja que técnica interessante, Miss Bell.
Como assim?
O emir Faiçal está recitando versos do Alcorão.
Sem dúvida você reconheceu o livro da vaca.
Esse livro, segundo muitos, é considerado o livro da liberdade.
Transmitir isso para sua libertação.
Pierre!
Oh, desculpem, acho que interrompi a conversa.
Não, de modo algum.
Deixe que lhe apresente Mister Richard Seadas.
Representante de Faiçal, Coronel Lawrence.
É mesmo? Não o reconheci.
Isto é, não nos conhecemos pessoalmente mas...
Caramba, o coronel Lawrence!
Eu o vi em Nova York, no cinema...
foi num show de Thomas no Alby, e o senhor aparecia.
O senhor também, claro, com Faiçal, o senhor viu?
Não.
É um sucesso!
E lhe digo, o senhor é a atração principal.
Apenas não o reconheci.
Sem aquelas roupas esvoaçantes e tal.
O rei não coroado da Arábia.
Pierre, posso usar seu lápis um pouco?
Falando nisso, você deve assistir aquela fita.
Coronel, posso lhe fazer umas perguntas?
-Claro. -Obrigado. Nossos leitores adorarão.
...não quer falar como ele mesmo e tenho que falar por ele.
Há perigo em ser visto como o ventríloquo de Faiçal.
Andei pensando...
ele está curvado sob um sentimento de impotência.
Então, veja quem você é. Boa noite.
-Boa noite, Berta. -Boa noite, madame.
O problema com os franceses é que acham a vitória ruim.
Madame Dumont, esposa do secretário da defesa.
Senhor Lloyd George.
-Como está, senhora? -Como está, senhor?
Perdoe-me se meu inglês não for tão bom, por favor.
Aquela mulher é mais francesa do que a Torre Eiffel.
Mas é verdade, então Marselha...
...dizem que mataram muitos.
Este champanhe está muito doce!
...Uma sociedade única. E a sociedade...
E toda desconfiança e intriga desapareceram.
Então podemos dizer...
...Só agora compreendemos.
Sua alteza real, o rei Faiçal, filho do rei do Hedjaz...
Emir de Meca, Sharif de Ramadha...
descendente de Maomé, príncipe...
-Que coisa mais linda. -Gosto oriental, condessa.
Santo Deus, nem em Damasco eu vi tanta pompa.
Aquilo foi um golpe de estado, não uma encenação.
Senhores, posso lhes falar um momento?
A delegação de Hedjaz.
Hoje temos uma oportunidade de ouro...
para aplicar os princípios da autodeterminação.
Sonhadores complicam o assunto.
-Mas seguramente... -O príncipe vai adotar esse método.
É o melhor para os árabes.
Não necessariamente o que eles imaginam querer.
Os britânicos, e seus aliados franceses...
estão igualmente ansiosos para se oferecerem como parteiros...
para o nascimento da nova nação.
Parece-me claro que esta conferência deve se preocupar, acima de tudo...
em selecionar quais trechos da Arábia cada um de nós será responsável.
Cara ou coroa.
Vamos.
-Bom dia. -Bom dia, Eddie.
Senhor presidente.
Chamem a delegação de Hedjaz.
Estou certo de que o cônsul deseja dar boas vindas...
à delegação de Hedjaz e seu representante emir Faiçal.
Um momento.
Com a permissão do cônsul, a França convida seu próprio intérprete...
a fim de verificar a exatidão das traduções.
O livro da vaca não serve mais.
Leia.
Excelências...
quando recebi a ordem para comparecer à conferência de paz em Paris...
dirigi-me a meu pai para pedir-lhe os documentos políticos...
com as promessas feitas a ele pela Inglaterra...
os quais ainda não vi.
Agora eu sei que tais promessas estão numa carta...
enviada pelo governo britânico.
Meu pai disse que essa carta estava na Inglaterra...
e que eu não precisaria dela.
Essa é mais uma prova da total confiança que meu pai tem...
no governo britânico.
Excelências, eu gostaria de ver essa carta...
e gostaria que seu conteúdo fosse agora divulgado...
pois acredito que nela não há divisões, esferas de influência...
mas a promessa feita aos árabes de independência absoluta.
Excelências, nossa causa é esta...
que toda região de língua árabe desfrute de independência individual.
Excelências, mostre-nos a carta.
Ela é anterior a qualquer acordo secreto...
feito entre a Grã Bretanha e França...
e qualquer acordo assim perdeu o sentido...
quando eu e o coronel Lawrence marchamos em triunfo sobre Damasco.
Exato?
O barão não entende inglês.
Agradecemos o coronel Lawrence por seu entendimento da língua árabe.
Mas temo que sua interpretação tenha se perdido inteiramente...
para alguns membros do conselho de dez.
O barão entende francês?
Talvez o coronel Lawrence possa nos dar uma de suas...
interpretações simultâneas, mas desta vez em francês.
Parece justo, é certo ministro?
Excelências...
quando recebi a ordem para assistir à conferência de paz em Paris...
dirigi-me a meu pai para pedir-lhe os documentos...
que contêm as promessas feitas pela Inglaterra...
e que eu jamais vira.
Meu pai escondeu-me que a carta encontrava-se na Inglaterra...
e que eu não precisaria dela.
Solicito que me deixem ver essa carta...
porque acredito que nela não haverá nenhuma divisão...
e tão pouco qualquer esfera de influência. Mas, ao contrário...
promete aos árabes dar-lhes independência absoluta.
Excelências, nossa causa é esta...
a independência de cada uma das nações árabes...
nossa delegação opõe-se ao sistema de divisão....
em esferas de influência estrangeira....
porque lutamos com a idéia de uma Arábia unida.
Excelências, mostrem-nos essa carta...
ela é anterior a todo acordo secreto entre a Grã Bretanha e a França...
e se acordo semelhante existir, ele foi anulado...
quando o coronel Lawrence e eu entramos em triunfo, em Damasco.
O ponto é este, a publicação da carta como foi pedido...
causaria confusão e...
Grande constrangimento ao governo de sua majestade.
Sim, e você compreende o papel que tem nisso, não é coronel Lawrence?
Confiamos em você, Lawrence, para deixar isso claro para o emir.
Você não pode esperar que os franceses desistam...
de suas pretensões na Arábia.
Temo, caso não tenha influência sobre Faiçal...
que você não é mais útil em Paris.
Vocês pensam que comandam tudo em particular.
E argumentam melhor atrás de portas fechadas.
Mas lá fora, em público...
eu tenho a vantagem de não tremer.
Vir à França, mas tenho certeza que o presidente Wilson...
apreciaria qualquer cooperação.
-Eu falei... -É preciso ser visto.
Há alguém com quem quero falar, me acompanhe, senhor.
... Depois que a carta for publicada.
Até lá, então.
Coronel Lawrence, como está?
Permita-me apresentar, Madame Dumont.
-Madame. -Encantada.
O senhor Dumont é assessor do premier Clemenceau.
Ah! Sim.
Estou muito interessada na sua causa.
Eu tenho alguma influência na conversão dela.
Isso é bom!
Na estrada de Damasco, realmente eu falei muito bem a seu respeito...
não sou criança birrenta, coronel, não sou imaturo.
Madame Dumont, que prazer encontrá-la!
-Bom dia. -Lloyd George está contra nós.
- Essa eu não perco! - É ele!
Coronel Lawrence!
Sai da frente! Coronel!
Um momento, por favor.
-Por que essa roupa branca? -Gosto dela.
Coronel, o senhor usa sempre a adaga?
Lawrence!
Como o senhor se veste em Rennes?
O que foi que ele disse?
Pediu-me para cavalgar com ele.
Aquele garanhão corre no deserto?
-Coronel? -Com licença, desculpe.
Coronel! Isso é uma espécie de jogo?
Houve um tempo, diferente de agora...
em que todas as tribos vieram à minha tenda...
fila após fila de seus príncipes, ajoelhando-se à minha frente...
na areia, e jurando fidelidade a mim.
E, no fim daquele dia, você veio a mim...
ajoelhou-se na areia e você jurou ser fiel a nós.
O que ganhamos com toda esta festa?
Você é o tema de Paris.
Mas, e nossa causa?
A causa! Eles não apresentarão a carta para nós.
Prometeram enviar uma comissão internacional...
mas ainda nem escolheram os comissários!
Eu ainda não fui reconhecido, por nenhum deles!
Tudo isso não será uma farsa?
Lawrence, pense em alguma coisa.
Você era tão cheio de idéias!
Já tenho... uma idéia.
-Bom dia. -Bom dia. Você já leu isto?
Os árabes de Lawrence também apóiam os árabes orientais.
Mas essa não seria uma aliança espúria?
Bem, de acordo com o artigo, eu cito...
''não seria interferência no plano Weizmann...
um estado árabe da Palestina?''
O que você acha?
Muito esperteza do Lawrence.
Ele está sendo pragmático, para um idealista.
Sem dúvida, ele terá mais apoio, em certos meios.
Exato, sem dúvida.
Li sua carta sobre a Palestina, príncipe Faiçal.
Fiquei impressionado vendo os princípios da cooperação...
sendo postos em prática.
Agora, como sabem, franceses e ingleses estão tergiversando.
Ainda nem selecionaram as pessoas que visitarão seu país.
Mas nós temos...
Antes de continuarmos, coronel Lawrence...
devo dizer-lhe o quanto minha esposa e eu apreciamos seu filme.
Oh, sim, foi maravilhoso.
-O senhor já o viu? -Ainda não.
Uma experiência e tanto.
Foi uma palestra ilustrada pelo Senhor Thomas...
minha esposa ficou fascinada com sua escolta em camelos...
um pequeno exército, devo dizer.
Pessoalmente achei que foi uma visão aprofundada da revolta árabe.
Tudo começa com um magnífico soprano...
cantando áreas do culto a Moisés.
O emir ficará muito honrado se o senhor assinar este documento...
em memória desta memorável refeição.
Terei muito prazer, senhor. Obrigado.
Por favor, diga-me o que o emir escreveu aqui.
Eu, abaixo assinado, concordo com todas as exigências do emir Faiçal.
Lawrence está escrevendo um livro.
O grande Lawrence está escrevendo um livro.
Ele não tem permissão para lê-lo ainda.
Isso é muito interessante.
No deserto, é possível ver camelos andando em fila perfeita.
Ao aproximar-se, você verá que, na verdade...
eles estão amarrados, cabeça a cauda.
O primeiro da fila é um burrinho.
Você entendeu a história?
-Acho que algo se perde na tradução. -Com licença.
Comam!
Ei, tenho mensagem urgente para presidente Wilson.
Segure.
Tenho um despacho urgente para o presidente.
Você não vai entender.
Alguém aqui fala inglês? Ah, você.
-Lawrence! Seu idiota! -Boa tarde!
Boa tarde, doido.
-Vamos tomar um chá? -Boa idéia.
-A dois. -Melhor ainda.
O que o senhor deseja? O que foi?
Uma mensagem para o coronel Lawrence.
O pai dele está muito doente.
Ele deve voltar imediatamente à Inglaterra.
Obrigado.
Muito bem, Carolina, o que aconteceu?
Mensagem para o coronel Lawrence, o pai dele está doente.
Ele saiu e não sabemos a que hora volta.
O que você está fazendo aqui?
Como você, tenho o mesmo objetivo.
-Neste momento você tem esperança. -Tenho esperança?
Foi uma vergonha você ter sofrido essa pequena derrota.
-Sim, na verdade uma guerra. -Por ouro.
-Por um ideal. -E por ouro!
Os sauditas tinham os melhores guerreiros...
melhores do que os sherafitas.
Dyson acredita que Ibn Saud é o líder árabe.
-Dyson? -Duvida?
Ele tem as marcas. O deserto gosta dele, não gosta?
E eu gosto de Faiçal.
Eu soube quando o vi, que ele era o homem.
Ibn Saud é a mais pura alma do deserto.
Faiçal é muito civilizado, muito complexo.
Então Faiçal não encaixa no padrão aceito! Ótimo!
E Ibn Saud é o maior guerreiro.
Quem entrou em Damasco não foi Ibn Saud, foi Faiçal...
eu e Faiçal, e vamos ganhar outra vez, agora.
Como pode estar tão certo?
O que quero para a Arábia é que seja o primeiro domínio de outra raça...
não apenas uma colônia de brancos...
e eu posso conseguir isso com meus árabes...
posso fazer qualquer coisa com Faiçal...
tudo que eu disser, ele o fará.
É melhor você calar-se.
Seu pai está muito doente. Você deve voltar à Inglaterra.
Coronel Lawrence.
-Seu táxi chegou, coronel Lawrence. -Eu mesmo levo.
Agora Churchill está do nosso lado.
E os americanos.
Volto assim que puder.
Dê isso para a portaria pôr em meu quarto assim que possível.
Sim, madame.
Eddie! Eddie! Obrigada.
Partindo! Todos a bordo.
Desculpe, senhor, não o vimos antes.
Vocês podem me dizer onde posso tomar chá?
Sirva-se, senhor.
Bem, estou temporariamente de folga, sou Nat.
-Sonprince. -Sprat.
Sentem-se, por favor.
As portas serão fechadas, vamos partir.
-Quer um pouco, senhor? -Por que não?
Está bem.
Saúde!
- Paris é sempre bonita, não é? - É.
Então, o que vocês fazem aqui?
Viemos com um barco, trazendo suprimentos em pacotes.
-Nós contamos. -Cinco mil.
Isso! Com destino ao Cairo.
Mas isso é confidencial, senhor.
Certo. Na verdade, encontrei com eles na minha última ida, no deserto.
Então o senhor esteve no deserto, é certo?
Sim, estive.
-Quanto tempo? -Dois anos.
Sim, sabem, pode-se sentir a diferença no ar.
Na primeira vez em que estive lá, fui levado até um castelo...
ao norte da Síria.
As paredes de argila do castelo precisavam de conserto...
mas nem todas, não as cobertas com flores, rosas, jasmins.
Meu amigo Dahun levou-me até as janelas do lado leste do castelo...
e me fez sorver o ar.
E ele disse: ''Este é o perfume mais doce de todos, não tem gosto.''
Notaram a diferença?
É o melhor?
Claro que é melhor, nada disso teria acontecido se a senhorita...
-Boa tarde. -Boa tarde.
A última coisa que queremos é a imprensa...
Houve abordagens preliminares junto ao governo persa.
-É mesmo? Interessante? -Muito!
Agradecemos ter vindo até aqui.
Vamos aproveitar esta oportunidade para...
esclarecer alguns detalhes.
Miss Bell! A senhora poderia fazer as traduções para o emir?
Ele não pode contar com os serviços do coronel Lawrence.
Não acho que isso seja necessário.
O emir tem um inglês quase tão bom quanto seu francês...
que é na verdade fluente.
Chegou a hora de terminar esse mito romântico e absurdo, não acha?
Ele não saiu diretamente da tenda do deserto para a civilização...
pela primeira vez.
O emir certamente é muito mais requintado do que decidiu revelar...
e perfeitamente capaz de compreender todas as nuances...
de qualquer coisa que os senhores disserem.
Na verdade, a ausência de seu intérprete oficial...
pode melhorar muito a comunicação.
Obrigada.
Quem poderia tirar pureza e imundície...
ninguém...
vendo que seus dias estão no fim e alguns meses ainda serão doces.
Vós lhe mostrastes o ponto do qual não poderá passar...
desvie seu olhar para que descanse em paz.
O trabalho que fez preencheu seus dias.
Ainda há esperança no vento e nos vales onde o desespero domina.
Há um terrível sinal pelo ar e a caça cai morta ao chão.
Mas na água a semente lançará raízes e com o tempo....
crescerá como as plantas.
Mas o homem morre...
entrega a alma deixando o corpo...
-Pastor? -Não.
Então me ajude, por favor. Sou do Times etc e tal.
-Você é jornalista? -Sim...
e fui enviado para entrevistar T. E. Lawrence.
Ele mora por aqui, não?
Acho que ele está viajando a trabalho. Em paris.
-Mas você o conheceu. -Mais ou menos.
Pode ajudar.
Quando ele morrer. Bela história.
-Quero ler. -Claro.
Mas pelo menos tenho a certeza de que ele está vivo no momento, certo?
Vai ser lida em Nova York.
Sobre Lawrence, na Arábia.
Les, tem alguém aqui que quer vê-lo.
Coronel Lawrence. Só algumas palavras, concorda?
-O senhor dirá o que quiser. -Tenha um bom dia.
-É sobre seu pai. -Não.
Leva só um minuto. Diga só uma palavra.
Nada a dizer. Dê o fora.
Sabe que sua atitude será bem divulgada?
Não acredite em tudo que dizem.
-Coronel Lawrence! -Uma palavra. Aqui, coronel.
-O que tem a dizer, senhor? -O que achou do acordo?
Aqui a anglo-saxônica...
Coronel Lawrence, posso fazer umas perguntas?
-O que o senhor veio fazer em Paris? -A paz.
Você refletiu sobre os fatos?
Se pensou nada, não podemos vencer.
Se você desistir, desistirá do princípio da esperança.
A presença militar britânica, em Damasco?
Apenas como medida temporária.
E o que mais?
Foi sugerida para pacificar os franceses.
Permitimos aconselhamento francês em certas circunstâncias...
como medida temporária!
Você não estava lá quando precisei de você.
Cheguei tarde demais para ver meu pai com vida...
e parti antes que ele fosse enterrado.
Que mais poderia fazer por você?
De qualquer modo, estou aqui agora.
E podemos recuperar algum terreno.
Talvez eu saiba como...
mas não posso depender da minha gente como dependo dos franceses.
Boa noite, coronel Lawrence.
Boa noite, madame.
Desculpe, mas meu marido não está em casa esta noite.
Perdoe, eu não a incomodaria se soubesse.
De modo algum. Posso tratar do assunto.
Não quer sentar-se?
Obrigado.
Falei com meu marido a seu respeito.
-Ele disse que o conhece. -Sim.
Se eu puder ser de alguma ajuda, eu...
Acho que se pudesse falar pessoalmente com Clemenceau...
faria toda a diferença.
Se seu marido puder ajudar de qualquer modo...
arranjar esse encontro...
Aurence...
uma pessoa que viu o que você deve ter visto...
-deve achar Paris aborrecida. -Não, de modo algum.
Todos falam dos seus olhos... macios.
Uma vez uma mulher árabe me disse, ''Não se apresse...
mas lembre-se do céu azul brilhando através das órbitas vazias do crânio.''
Mas desculpe-me, devo ir embora.
Sabe, o perigo sendo decorativo, mesmo que nunca o leve a sério...
mas levado a sério, pode ajudar você.
Aprecio devidamente. Obrigado.
A segunda possibilidade será ou o salão da guerra ou o salão da paz.
Ou o quarto da rainha, possivelmente.
A menos que o senhor prefira o grande salão de festa.
Não, não, não. Entre o salão da guerra e o salão da paz.
-Perfeitamente. -Acho que essa é a escolha.
Não pense que o protocolo nos peça que a delegação inglesa...
fique aqui de preferência a...
Coronel Lawrence, para o ato final do tratado de Paris...
escolhi o palácio de Versalhes.
Como historiador, o senhor irá apreciar minha escolha, concorda?
O senhor não gosta dos franceses, coronel Lawrence.
Não gosto de agressão colonialista.
A reivindicação francesa quanto à Síria...
o senhor deve lembrar, data do tempo das cruzadas.
Por favor, faça-me lembrar, quem foi que venceu as cruzadas?
O senhor não retirará nossa pretensão!
Faiçal deve vir negociar com a França...
ele deve aceitar o mandato francês ou deve abandonar a Síria.
Faiçal acredita que isso significa a escravidão para os árabes...
e um banho de sangue em Damasco.
O senhor é, me parece, um jovem que gosta de publicidade...
mas nem sempre diz toda a verdade.
Diga-me, quero ser bem claro num ponto...
vocês reivindicam Damasco por um golpe de estado.
Sim.
Vocês têm um bom argumento nesse fato, chegaram lá antes.
É um tema central: a glória de sua entrada...
com Faiçal, em Damasco, que de um golpe...
justifica todas as reivindicações árabes e varre todas as francesas.
-Porque chegaram em primeiro lugar. -Sim.
Há alguém aqui que contesta disso.
Compreendo o significado que você atribui...
ao fato dos árabes chegarem primeiro.
Mas temo que Damasco não pertença a eles, ou a você.
Como acho que você muito bem sabe, os fatos são estes...
Faiçal entrou na cidade em três de outubro...
você entrou na cidade em primeiro de outubro...
mas em três de setembro, a primeira guarda da minha décima divisão...
já estava dentro de Damasco.
Os australianos entraram lá primeiro.
Havia irregulares árabes na trigésima.
Irregulares!
Meus homens lutaram duro por esse momento de glória.
Em Macaba, Gaza e Palestina.
Não desistirei de nossa posição de conquistadores de Damasco...
para um bando de intrusos saqueadores.
General Chével...
o senhor está disposto a discutir tal assunto em público...
caso seja necessário?
Estou.
Coronel Lawrence!
Preciso ver Chanceler. É muito importante.
Sinto muito. Ele teve que ir a Londres.
Viajou esta tarde.
O senhor não quer deixar um recado?
-Ah, ministro! -Ah, Lawrence.
-Ainda está aqui. -Sim.
Eu pensei ter dito que sua atuação foi muito boa.
Eu disse... posso falar um momento com o senhor?
A respeito de quê?
Faiçal... Damasco... Síria.
Sei. Você falou bem. Defendeu suas idéias.
O resultado foi positivo.
-Quero ver o presidente Wilson. -Impossível.
-Preciso vê-lo, é importante. -Ele não pode vê-lo.
Por que não? Ele deve me ver.
Prometeu apoiar-me e agora preciso disso.
Ele não pode vê-lo porque está doente.
-Onde ele está? -Ele está no hospital.
Onde? Em que hospital?
Sinto coronel Lawrence, não posso dar essa informação.
Desculpe.
Dei um dinheiro ao homem lá em baixo para que me deixasse entrar.
Para esperar você.
Espero que não se importe.
Madame Dumont...
muitas vezes pedi sua ajuda...
mas não posso corresponder ao seu desejo...
é...
simplesmente não está em mim fazer isso.
Sem docinhos, acho que está bem.
Tirando os docinhos há lugar para a chaleira.
Sobremesa, café...
De qualquer modo...
a coletiva do presidente Wilson ainda não tem lugar certo.
-Se ele mudar... -Falando francamente, tanto faz.
Essa é a quarta, sim, pronto.
Essa quarta sempre dá problema.
É só apertar um pouco.
Não, não pode olha.
Vai precisar de lubrificação. Passa o óleo.
-Cuidado. -É só nela.
-Você não sabe nada. -Como que é?
Vamos, cara, você está atrapalhando meu trabalho.
- Não tem importância. - É, mas depois...
-É óleo. -Como?
É óleo, petróleo.
Por causa disso, Faiçal está sendo sacrificado...
para garantir os direitos do petróleo inglês.
Os franceses pegam a Síria, nós ficamos com Golfo persa.
Bem, é Faiçal versus petróleo.
Faiçal não resistiu aos números.
Faiçal está?
Você não pode ir para casa, agora não!
Ibn Saud está lutando com minha família.
Ameaçando as cidades sagradas.
Há um navio esperando nas docas e estou embarcando nele agora mesmo.
Lorde Dyson e Dumont arranjaram tudo.
Foi tudo que fizeram?
Disseram que seu encontro com Clemenceau correu bem.
E eu parto, agora que estamos progredindo, finalmente.
Sim.
Faiçal foi embora. Acho que nunca mais o verei.
Tome um champanhe. Vai melhorar.
Vamos, faz bem para os nervos.
Não tomo álcool.
Uma taça! Não conto para ninguém!
A primeira vez que o vi...
foi quando você veio foi quando você veio à minha tenda, valente.
E lá, com a escuridão do deserto ainda às suas costas...
eu achei que você era o garoto prazer de alguém.
Você sentou-se em minha cama e disse, ''Eu sou Lawrence''.
E eu disse, ''Menino ou menina''?
Será que posso emprestar sua banheira?
-Preciso tomar um banho. -À vontade.
Obrigado.
-Você já leu meu manuscrito? -Li.
Você não gostou.
Ele me desagradou profundamente.
Sinto não ter sido mais simpático com você.
Poderia ter dito a verdade a meu respeito.
Ah, foi isso, a verdade.
Muito pouco num livro é a estrita verdade.
Ele se baseia em fatos mas... eu escrevi.
Então, o que você esperava?
T. E. L. obra falsa.
É exatamente o que sou, uma falsificação.
Prisioneiro da mentira.
Minha vida inteira é uma mentira.
Você sabia que eu sou ilegítimo?
-Não. -Sim.
Meu pai e mãe nunca se casaram, fui criado num ambiente de falsidade.
Ninguém deveria desconfiar.
Como você vê, nasci falso e essa é minha atitude em toda minha vida.
Lawrence não é nome de sangue.
Vivo sob um pseudônimo desde que nasci.
Tecnicamente, não tenho nome algum.
O verdadeiro nome do meu pai é Chapman.
Era um aristocrata anglo-irlandês.
Minha mãe entrou na família como governanta...
imagino que eles se apaixonaram.
Imagem tentadora, não acha?
Quero dizer, esse acasalamento.
Os únicos não nascidos que irritam nossa carne.
Santo Deus! O que foi isso?
Eu estava andando pelo deserto de camelo, durante a guerra.
Castigo acertado, penso eu.
Importa-se de fechar a porta?
Vou cometer um ato que provavelmente me destruirá.
Mesmo assim, grato pelo banho.
Pois não, senhor?
Sou o coronel Lawrence, adido da delegação de Hedjaz.
Sei exatamente quem é, senhor.
Obrigado. Tenho um encontro com Lorde Curzon.
O príncipe Faiçal viajou e sou o representante dele.
Imediatamente, senhor.
Romênia, Tríbia...
são 5 da união servo-croata.
Sargento? Pode abrir a sala da Arábia?
Faço o possível para não reunir muita gente por muito tempo no mesmo lugar.
-Já abri, senhor. -Abriu? Já?
-Sim, senhor. -Por quê?
Para o coronel Lawrence, senhor. Ele é do tribunal.
Foi miragem, imagino.
Ele estava aqui um minuto atrás.
-Pode enviar, por favor. -Imediatamente, senhor.
Coronel, uma encomenda para o senhor.
Lawrence!
Um papel, por favor, para um convite de almoço...
-Sei que querem o óleo. -Bem?
Foi uma conduta vergonhosa, concorda?
Há muitos reinos, na Arábia.
Faiçal não precisa ficar com a Síria.
Dei a ele minha palavra.
Você não espera conseguir alguma coisa aqui!
Todos estão ocupados em planejar...
uma cerimônia degradante para os alemães.
Depois disso, depois do show...
poderemos fazer as coisas acontecerem.
Você é ameaçador, um guerreiro...
faz as coisas acontecerem.
Quero você do meu lado.
Coronel, você sabe que os outros perigosos.
-Fiz uma coisa que vão odiar. -O que?
Tudo que faço é convidar você a servir seu rei e país.
É tão mais simples.
Depois que tudo acabar, tudo que se verá...
será uma flor lilás, desaparecendo no horizonte.
Talvez, quando a poeira abaixar.
Há algo que você deve saber.
Sou o único europeu bem informado e independente.
Garçom!
Eu juro, por Deus todo-poderoso...
que serei fiel e enfrentarei religiões por sua majestade.
Tanto no sucesso e prometo....
pessoalmente e com dignidade, contra todos os inimigos.
...generais e oficiais determinarem.
Você escreveu uma carta, incluindo trechos específicos...
de correspondência secreta sem qualquer tipo de autorização...
com o fim de fortificar uma causa que sabe ser contra o interesse nacional.
Isso é um ato de traição!
Você executou o papel de um espião inimigo.
Você passou dos limites.
Lorde Curzon não quis vê-lo.
Meu Deus, ele sentiu muito mas...
diferente de nós, também ficou surpreso.
Não há castigo, penso, equivalente.
Você não tem nada a dizer...
o único europeu informado e independente.
Mas não é único.
Tão pouco instruído.
E julgando por esta carta, nem europeu.
Você voltou-se contra seu país e sua raça.
E traiu sua religião por estrangeiros do mal.
Conheço algo do estigma que a ligação com seu pai...
trouxe à minha família.
A vergonha das circunstâncias do seu nascimento...
este seu ato, confirma sua ilegitimidade...
seu contato oscilante com Faiçal...
e sua recusa em participar de outras batalhas.
Eu pediria sua palavra, se achasse que tem algum valor.
Você voltará a seus estudos acadêmicos em Oxford...
onde você receberá uma bolsa de estudos...
assim que o exército desmobilizar você.
Tente, com todas as forças, desaparecer.
FAIÇAL É COROADO REI DA SÍRIA. A FRANÇA PROTESTA.
Onde está Lawrence?
Lawrence deixou de ser um caso de estado no momento.
Ele está em Oxford, estudando igrejas e antiguidade...
também história antiga e moderna do oriente próximo.
Oh, desculpe, você entende meu inglês?
Entendo perfeitamente.
Nós nos tornamos objeto de estudo acadêmico.
-É ele. -Bem vindo à Inglaterra, senhor.
Estou aqui para discutir a situação da Síria.
-Vai visitar o coronel Lawrence? -O senhor irá ver o show?
Que show? Estou aqui para discutir a situação da Síria.
-O rei não coroado da Arábia. -Fale sobre o coronel Lawrence.
-É um gênio. O maior de sua época. -Do passado.
Pelo contrário, no futuro, em cem anos...
talvez daqui duzentos anos, ele será compreendido.
-Mas não hoje. -Só mais uma pergunta.
Seu quarto já está pronto.
Algum chamado da polícia?
Sim, disseram para chamar Dick e Harry em Londres...
-e avisar que é Lawrence da Arábia. -Lawrence!
Bem... ando escrevendo muito.
Trouxe para você, vai gostar de ler.
-Terminou? -Sim.
Pensei muito no que poderia lhe dar.
-Não, por favor. -Não! Ouça.
Eu deveria lhe dar os escritos arqueológicos.
-Você sabe que eu tenho... -Os únicos...
escritos arqueológicos de todo meu reino.
Será muito especial.
Entretanto, creio que estou a ponto de ser deposto.
Por que você não estava lá para me receber?
Recebi ordens para não vê-lo novamente.
Então, eles não destruíram você.
Não.
Eles nos uniram para sempre.
-E estamos juntos agora. -Sim.
Não acredito que você pudesse ter feito mais por mim.
-Ainda não terminou. -Não?
Não.
Não.
Juntos, fomos moldados.
Por causa dos ventos do espaço aberto...
um gosto dos ventos selvagens, da luz do sol...
e a esperança que nos enraizava.
Nas manhãs, a frescura do mundo a nascer nos intoxicava...
nos desenraizávamos com idéias fugidias e vaporosas...
mas pelas quais lutávamos.
Vivemos muitas vidas naquelas campanhas vitoriosas.
Jamais nos poupando e, mesmo assim...
ao vencer e o novo mundo amanhecia...
o velho homem surgia...
para nos tomar a vitória...
e refazê-la na leveza do mundo que conheciam.
Ouvi dizer que o show americano vai chegar em Londres.
Sim.
Eles estão nos olhando!
Lawrence da Arábia!
Eu sei!
O rei não-coroado da Arábia.
Sim. Eu sei.
Valeu a pena?
Ainda não terminou.
Lawrence! Lawrence!
EM 1920, OS FRANCESES EXPULSARAM FAIÇAL DA SÍRIA.
UM ANO DEPOIS, CHURCHILL E LAWRENCE COROARAM FAIÇAL,
REI DE UM NOVO ESTADO ÁRABE, O IRAQUE.
MUITO DOENTE, ELE MORREU NA SUIÇA EM 1933.
ESTAVA COM 48 ANOS.
EM 1922, LAWRENCE FOI REBAIXADO DA AERONÁUTICA E DO EXÉRCITO,
VIVENDO ASSIM SEUS ÚLTIMOS ANOS.
MORREU EM MAIO DE 1935, APÓS UM ACIDENTE DE MOTO.
TINHA 46 ANOS.
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