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Original subtitles

- Tem hora marcada? - Sim, com o Sr. Vedrani.

- Vou chamá-lo. - Sim.

ASSASSINATOS CASATI: "NÃO SUPORTO QUE AME OUTRO"

Carlo!

- Oi, Adelina. - Oi.

Oi.

Tenho uma reunião com nossos investidores.

Saro não está aqui, então eu vim. Fico feliz que esteja lá também.

Sabe, é a primeira vez para mim.

Adelina, eles não querem ver você. Dizem que a situação está clara.

Como assim?

Há uma dívida importante a ser paga. Nosso banco não pode mais se expor.

E o que eu devo fazer?

Pode tentar falar com Saro. Convencê-lo a vender.

A situação financeira da revista não pode ser salva.

Estou dizendo como amigo, não como gerente deste banco.

Você corre o risco de perder sua casa, porque ele hipotecou.

Posso ajudá-la.

Posso encontrar alguém disposto a pagar um preço justo.

E você volta para sua vida.

SRA. PLAYMEN INSPIRADO EM UMA HISTÓRIA REAL

EDITORA SARO BALSAMO

Nada. Eles nem quiseram me ver. Só disseram que temos que vender.

Não se preocupe. Saro vai pensar em algo e nos dizer o que fazer.

Vamos trabalhar na próxima edição.

Não vi ideias boas na ausência do meu marido.

Tivemos algumas ideias na ausência dele.

A marquesa Casati Stampa foi morta pelo marido.

Só um segundo…

Ela queria deixá-lo pelo amante, e ele atirou nos dois.

Depois tirou a própria vida.

Sim, está por toda Roma.

Então também sabe que o marquês pediu para ela posar nua,

de formas criativas, e dormir com outros homens também.

Se encontrássemos essas fotos íntimas e as publicássemos…

Vai deixar o gerente de vendas decidir o que publicar?

Ele conhece alguém que pode estar com elas.

É claro que estão pedindo muito dinheiro.

Mas pode valer a pena.

Não quero explorar um assassinato. Não somos esse tipo de revista.

Sra. Balsamo, em breve não seremos mais uma revista.

Então, senhorita?

Quantos centímetros?

Por favor, quantifique.

- Que pergunta é essa? - Não levante a voz.

Denuncio um ato de violência

e pergunta sobre meu vestido e por que estava sozinha!

Então, quantos centímetros o pênis do acusado penetrou?

Marziali.

Isso é apropriado?

Abaixo de certa profundidade, não pode ser considerado violência sexual,

mas apenas ato libidinoso.

- Estou cumprindo a lei. - Há mais de uma maneira de cumpri-la.

Ela me disse que posou para uma revista pornográfica.

Não foi o que eu disse!

Roubaram fotos particulares. Você é burro ou o quê?

Devo escrever: "Insultar um funcionário público"?

Só deve escrever o que a senhorita está dizendo. Ponto.

E acreditar na palavra dela?

- Vamos. Eles não se importam. - Então, eu descarto tudo?

Não. Senhorita?

A denúncia ainda é válida, se desejar prosseguir.

Como é o nome da garota?

Oi, Elsa, como vai?

Por que ele veio?

Calma, Elsa. Eles sabem da denúncia e têm uma proposta.

Sente-se.

Ouça o seu pai.

Fale, senhor.

Sim, tecnicamente, é o que que chamamos de "casamento reparatório".

Para casos como este, onde um homem perde a cabeça,

a lei permite que ele conserte as coisas,

por meio de um casamento.

Devo me casar com ele?

Sim, o homem casa com a mulher

e cuida dela como seu marido.

Salvará sua honra,

enquanto ele…

Seu crime é extinto.

- Elsa, eu gosto muito de você… - Não me toque!

Não me toque!

Vocês são loucos.

- As faturas que pediu, senhora. - Obrigada.

Com licença, Lella, posso perguntar uma coisa?

Claro.

Você é a única mulher aqui, exceto eu e as modelos.

O que acha da Playmen?

Eu?

Sim.

Com licença. Lella, a gráfica está ligando.

- É urgente. - Desculpe.

Estamos tendo vários problemas.

Certo.

Como assim, tem que casar com ele?

Prefiro me matar.

É claro.

Ei, vamos.

Vamos para Londres, como sempre dissemos. Vamos sair deste lugar de merda.

Não podemos ir para Londres. Só podemos pagar uma passagem.

Vá você, então. Não se preocupe, eu te alcanço.

Não vou sem você.

Então? O que vai fazer?

Com licença.

Ouça, Sarti me mandou isto.

Olhe, estão quebradas.

Bianchi, agora você conserta câmeras?

Gostaria de poder, Sra. Balsamo.

Como não temos dinheiro para comprar novas.

Nem para os editores, os designers e Lella.

Não recebem há dois meses.

Tenho pena dessa mulher.

- Deve saber que não é o lugar dela. - Talvez tenha sido duro demais com ela.

Com licença.

De repente, ela foi deixada sem dinheiro, sem marido…

Aqui.

Todos nós temos um papel.

Quanto antes entendermos, melhor.

Eu entendo.

Amor, diga à Maria que pode deixá-los sozinhos.

Cuide da sua irmã.

Tem macarrão na geladeira. Sim, querido, escute.

Diga à Maria que eu pago seu último salário amanhã.

Ela voltará logo. Espero.

Tchau.

DESPESAS - CASA - ESCRITÓRIO SALÁRIOS

Boa noite.

Quero vender uns carros. Rápido.

Um Lamborghini Miura

e um Mercedes Cabriolet 1968.

A garota de Mandrione está aqui e quer falar com você.

- Devo mandá-la embora? - Não.

Posso retornar depois?

Obrigada.

O que houve com você?

O que acha, depois que roubou minhas fotos?

- Vamos ao meu escritório? - Por quê? Tem vergonha de nos ouvirem?

Não tenho vergonha de nada! O que aconteceu comigo é culpa sua!

Querem que me case com o cara que me estuprou.

Eu não quero.

Preciso de dinheiro para ir embora.

Não… Não é o momento…

É uma hora ruim.

Posso fazer um cheque.

Ela é maluca?

Não…

Uma palavrinha, senhora?

Espere aqui!

Já volto.

Não pode dar dinheiro a ela.

Se fizer isso, ela pode voltar pedindo mais.

E há os possíveis problemas legais para você e para a revista.

Que problemas legais?

Se ela nos denunciar, o dinheiro que der a ela agora

pareceria uma admissão de culpa pelo que houve com ela.

Se algo realmente aconteceu com ela.

- O que você disse? - Como se atreve, garotinha?

- Bianchi! - Não dê um centavo a essa louca.

Você é um merda! Vocês são uns merdas!

Vão se foder!

Ah.

Quer ser minha governanta?

Posso perder a casa.

A revista está falida.

Uma garota que não ouvi foi estuprada.

E também não posso ajudá-la.

Então… É.

Preciso de um trabalho na sacristia.

Tudo o que faço não é suficiente.

Talvez eu tenha me superestimado.

Sabe…

Também me sinto inútil às vezes.

Tem uma garota lá dentro. Ela acabou de se casar.

Ela me procurou…

Ela estava envergonhada. Problemas com o marido, parece.

Ela se tranca no banheiro e o mantém longe.

Pra que me contar isso?

O que posso fazer?

Não.

Rocco, por favor, é a última coisa de que preciso.

Você se sairá melhor do que eu, certo?

Mamãe vai ficar brava se souber.

Se não demitisse Maria, não estaríamos aqui.

ESCOLA OCUPADA

- Oi. - Oi.

Distribua isto.

Na nossa universidade, precisamos do seu protesto.

Aquela é a sua namorada?

Quem me dera.

Que bom que decidiu vir.

- E que trouxe sua irmã. - Não podia deixá-la em casa.

Não era provocação. É bom que cuide dela.

E todos podem ajudar, certo? Finalmente vamos ocupar.

- O que estão ocupando? - Não. Eu disse para não falar.

Espere.

Estamos autofinanciando a ocupação.

Queremos convidar pessoas para falar.

Cada um de acordo com suas posses, certo?

Não é apropriado falar sobre essas coisas. Ninguém fala.

Calma, Clotilde.

Vamos fingir que sou um padre.

Não sei se serei boa o suficiente.

Se vou poder…

satisfazê-lo.

Não é só ele.

Você faz parte.

Pode pedir o que você gosta também.

Como assim?

Se gosta de ser beijada no pescoço, na barriga, diga a ele.

Não.

Fale com ele.

- Diga a ele o que lhe agrada. - Não.

Nem pensar.

Ele toca em você?

Você é uma pervertida!

Deveria ter vergonha!

Não…

Vou levá-la à escola hoje. Sem motorista. Para passarmos um tempo juntas.

- Bom dia, Camilla. - Bom dia.

- Sra. Balsamo. - Olá.

Seu marido voltou?

Eu o vi saindo com uma maleta no outro dia.

Estava com pressa.

Sim, ele foi embora há alguns dias.

Seu motorista também foi embora?

Não, ele está morto.

Coitado. Morreu de quê?

Curiosidade.

- Obrigada. - Mãe, o ônibus!

Ah! Com licença, vamos perder!

Vamos, meninas.

Giulia, Erica, vamos. É isso. Perfeito.

Selva, esta deve sair na primeira página.

Sra. Balsamo.

- Bom dia. - Bom dia.

O contato de Bianchi está aqui com as fotos de Casati.

Ele era mordomo deles.

Ele está com Lella agora.

Me avise o que decidir.

Claro.

São todas que há?

- Ou já vendeu algumas? - Todas que achei na casa.

São exclusivas para você. E tem mais.

O diário do marquês.

Com suas perversões.

Podemos fazer um acordo para ambos.

Se não estiver interessada, há muitos compradores.

Nem perto, senhora.

É todo o dinheiro que tenho. Ninguém vai lhe oferecer mais.

Você é doida.

Sou.

Sou louca. A única louca o bastante para publicar essas fotos.

Não encontrará mais ninguém.

Certo. São todas suas.

Faremos uma grana alta.

Ela tem uma bela poupança.

Eu colocaria a segunda foto na capa, onde a vemos por trás.

Vamos jogar com a promessa do que pode ser encontrado no interior.

Brincar, fazer joguinhos.

Jogos eróticos… Jogos proibidos…

Poderíamos chamar a edição de "Jogos Proibidos".

E o diário?

- Ninguém liga para isso. - Desligue, por favor. Chega.

Não, continue. Senhora, pagou por essas fotos.

- Ninguém a obrigou. - Eu sei.

Ao vê-las agora, percebo que são só fotos íntimas de uma morta.

Imagino que tenha outro plano para pagar nossas dívidas.

Acharemos outras maneiras.

Sua entrevista com Pasolini na edição de Mandrione foi ótima.

- Infelizmente não temos muito tempo. - Ela sabia o que estava fazendo.

E daí?

Ela poderia ter pensado duas vezes antes.

Mesmo assim, ela não merecia morrer.

Pague os salários do mês passado com isto.

Posso não saber gerir uma revista, mas estudei economia doméstica.

Com licença, tenho coisas a fazer.

- Não pode me pegar! - Eu vou!

Que merda ela quer?

Não sabia se era o lugar certo.

O que está fazendo aqui? Ninguém vai protegê-la aqui.

Eu venho em paz.

Sinto muito pelo que fizeram com você.

- Eu gostaria de ajudá-la de alguma forma. - Agora quer ajudar?

Preciso de uma assistente.

Seu pessoal concorda?

Sem problemas legais com contratar uma louca?

Eu sou a chefe. Eu decido.

Só para deixar claro, não espere um salário alto.

Mas você pode fugir deste lugar e alugar um quarto em algum lugar.

Devo trabalhar para você depois do que fez?

Pense nisso. Você não seria obrigada a se casar.

Há destinos piores.

Casamento é só um deles.

Gim e tônica.

Não vim ver você. Vim encontrar umas pessoas.

Não se preocupe. Eu…

Não vou te envergonhar.

Desculpe. Eu só queria esclarecer as coisas.

Sabe quando percebi que queria ser fotógrafo?

Há cinco anos.

Enquanto eu lia um de seus artigos, sobre o Hopper.

Suas palavras sobre o uso da luz, a composição da imagem.

Você bebeu demais?

É o que eu penso.

Enfim, não me trate assim. Eu não mereço.

Luigi!

Isto é para você. Por conta da casa.

Obrigado.

É verdade que você trabalha para a Playmen?

Sim. Sou fotógrafo.

Talvez um dia…

tiremos umas fotos.

Vai ver como sou fotogênica.

Por que queria me ver? Sua noiva quer me delatar?

Ela gostaria de lhe agradecer.

É mesmo?

Não sei o que disse a ela, mas a notícia se espalhou.

Esta manhã também, vamos comparar duas opiniões…

Bom dia a todos.

Onde está Chartroux? Preciso falar com ele.

…diretor criativo da Playmen, Sr. Mario Chartroux.

Olá, bom dia.

E a Sra. Maria Masi, representando o coletivo feminista Donne Libere.

Olá a todos.

A Sra. Masi alega que sua revista explora o corpo das mulheres.

Bem, porque a revista dele é atrasada e machista.

Mercantiliza o corpo das mulheres.

Exatamente!

É uma revista erótica que cobre cultura também.

Vocês publicam pornografia, além de serem fascistas.

Garanto que há todo tipo de posições políticas na nossa equipe.

Está negando que pertenceu à Decima MAS?

- Certo. - Certo.

Não.

Eu não nego. Eu fiz parte da Decima MAS, e conheço os fascistas muito bem.

Eles eram mais parecidos com você do que comigo.

Não.

- Por favor, pare! - Que vergonha!

- Por favor, pare! - Não tenho vergonha.

Enfim, nós italianos temos alguns problemas com sexo.

Em vez de nos relaxar, nos irrita.

Meus seios eram maiores na sua idade, porque eu já estava grávida.

Venha cá.

Olhe.

Só precisamos apertar um pouco aqui…

Vai ficar linda.

Olhe, eles foram generosos fazendo esta proposta.

Vai poder andar pelo bairro sem sentir vergonha.

Não dou a mínima para a vergonha. Só me importo com você.

Acha que é a primeira mulher com quem aconteceu?

Somos mulheres.

E eles são homens.

Ettore cometeu um erro. Mas ele gosta mesmo de você.

Ele quer te fazer feliz, e te dar uma vida boa.

A vida é longa, sabe? Não precisa desistir de tudo.

Terão filhos.

Que bela transmissão.

Se eu soubesse que a Masi estaria lá, eu não teria ido.

Que mulher obtusa, arrogante e ignorante.

Ela o pegou desprevenido.

- Veio aqui zombar de mim? - Isso também.

E dizer que tenho uma ideia para a próxima edição.

Em vez das fotos de Casati.

Por favor, sente-se.

Obrigada.

Vamos falar com as leitoras.

Não como revistas de fofoca, de moda ou maquiagem fazem.

Vamos falar de sexo, erotismo e casais.

Sem deixar nada de fora. Realista.

Uma revista feminista.

Não, isso já existe.

Precisamos abordar um setor de leitoras que ninguém satisfaz.

Mulheres que querem se divertir,

que querem ser surpreendidas.

Sem tabus, sem hipocrisia.

E sem posturas políticas.

E como alcançamos essas leitoras?

Com uma edição sobre virgindade, sobre as primeiras vezes.

Vamos chamar de "A Noiva Erótica".

Com todo o respeito, esta é a Playmen.

Vendemos peitos e bundas para homens.

Pode escrever sobre virgindade,

como você fez sobre Sade e a perda da inocência.

O que acha?

Não sei, podemos fazer uma pesquisa e…

Comece com Paraíso Perdido, de Milton, e prossiga daí.

Milton é bom.

Eu poderia usar tons brancos e vermelhos para a arte.

Os Casati seriam uma aposta mais segura.

Ganharíamos muito dinheiro. A revista precisa. E você também.

Para seus filhos e para manter sua casa.

Quer provar ao seu marido que é competente?

É a sua chance. Não desperdice apostando em outra coisa.

Tem razão. "A Noiva Erótica" é uma aposta.

Não me compare ao meu marido, não tenho nada a provar a ninguém.

Como quiser, senhora.

Você tem 12 horas para se decidir. Precisamos finalizar a edição.

Nosso momento finalmente chegou!

Vamos ocupar!

Estudantes do colegial e da universidade unidos…

- Não bate palmas? - Sim.

Venha, vamos ocupar!

Vamos!

Vamos!

Sou eu?

Vamos!

Fiquem onde estão!

Venha comigo!

ESCOLA OCUPADA

- Você, pare! - Pare!

Você está bem?

Você me vê tão bonita assim?

Eu desenho o que vejo.

Olhe melhor, então.

Abram! Polícia! Abram a porta ou vamos arrombar.

POLÍCIA

Meu filho está livre? Bom.

Era o que eu precisava.

Vamos.

Espere.

Ligo pra você hoje à noite, tá?

Eles te machucaram?

Não, mãe.

Como justifica que menores sem antecedentes

não sejam assistidos por um advogado?

Não sei de nada. Fale com o comissário adjunto.

Vamos, querido.

Não. Aonde? Precisamos prestar queixa por indignidade.

Nossos filhos têm o direito de expressar suas ideias.

Estou muito ocupada hoje.

Sei quem você é.

A esposa de Balsamo, editora da Playmen. Sempre falo de você no rádio.

Inapropriadamente!

- Mãe, por favor. - Vamos.

Era necessário ocupar?

Sempre diz que devemos lutar pelos nossos direitos.

Mas não tenho 16 anos. E não quero que vá presa.

Vamos para casa! Onde devo assinar?

Oi, Camilla. Obrigada por cuidar dela.

- Por nada. Ela foi um anjo. - Leve-a até a porta.

Lorenzo! Pare!

- Está de castigo por uma semana. - Eu não fiz nada!

- Prefere duas? - A mãe da Anna ficou do lado dela.

Estou sempre do seu lado, mas essa ocupação está errada.

- Se seu pai estivesse aqui… - Mas não está!

Ele foi embora.

- Ele vai voltar. Logo. - Não é verdade. Ele deixou você.

Ele nos deixou. Não se importa conosco. Ele só se importa consigo mesmo.

Lorenzo.

O que deu em você?

Ainda pensa no papai. Espera que ele volte.

Em vez de ser feliz.

- Feliz com o quê? - Que agora estamos livres.

Nós nos livramos do babaca.

Meu amor…

Não.

Não.

Não, querida, não se preocupe. Tudo bem.

Desculpe, eu não queria ficar em casa, não sabia para onde ir.

Entre.

Minha mãe… está tentando sobreviver.

Ela ainda ama o babaca do meu pai.

É tão humilhante para ela.

Ela deveria falar com a minha mãe.

Ela não quer nada com homens.

Poderiam trocar dicas.

A culpa também é minha.

Não a ajudei enquanto ele estava aí.

Qual o problema?

Devo ir embora?

Porque você está…

Estava pensando nos seus desenhos.

Talvez eu não seja como imaginou…

É mais bonita do que eu desenhei.

Você é fofo.

Não é como os outros.

Anna, eu nunca…

Deixa comigo.

Por quê, você já…

Quieto.

Adelina. O que está fazendo aqui?

Mario ainda não voltou.

Na verdade, estava procurando você. Posso tomar um café?

Preciso falar com alguém.

Sinto muito, mas tenho convidados.

O embaixador belga na Santa Sé. Eu sinto muito.

Devia aprender a mentir melhor.

Sinto o cheiro dos cigarros mentolados de Costanza.

Quem vai abrir?

ASSASSINATOS CASATI: HOMICÍDIO DUPLO

"Hoje não, ela me disse com olhos suplicantes.

Por favor, seja gentil. É um dia maravilhoso. Não estrague tudo.

Eu te agradei da última vez com aquele salva-vidas.

Deixe-me em paz hoje."

- Faremos uma grana alta. - Ela tem uma bela poupança.

"Se não me agradar, terei que cortar sua próxima mesada.

Você precisa desse dinheiro para sua mãe. As palavras mágicas surtiram efeito.

Anna se deitou, com as coxas abertas, cobrindo o rosto com as mãos."

Meu Deus…

EDITORA SARO BALSAMO

- Sabia que o encontraria aqui. - Precisa de algo?

Você disse que eu tinha 12 horas para me decidir, certo?

O que decidiu?

Gosta do que escreve?

Não sempre.

Mas, de vez em quando, temos que fazer o que não gostamos.

O trabalho é assim.

O trabalho pode ser diferente.

- Mas você tem que conhecê-lo primeiro. - Eu não sou boba.

Sei que se não publicarmos os Casati corremos o risco de falir.

É que as coisas têm consequências.

E esta também terá.

Então? O que você decidiu?

Publicaremos as fotos dos Casati.

Mas vamos publicar o diário também.

Você ouviu o Bianchi. Ninguém liga para isso.

Eu ligo.

Quero contar quem era aquela mulher.

Muitos acham que ela causou o que aconteceu, teve o que merecia.

Mas não é o caso. Aquela mulher era uma prisioneira.

Quando ela tentou se libertar, o marido dela a matou.

Vou informar Selva.

Teremos o tema da virgindade, voltado para mulheres.

- Quem vai escrever? - Eu.

A coisa dos Casati não é quem eu quero ser.

Quem quer ser?

Vamos!

Ainda está aqui?

Sim.

Apesar de atrasado para meu encontro com Alice.

A garota da Piper.

- Ela não me deixa em paz. - É.

Escute.

Vou a uma exposição no centro.

Se quiser…

Então Brecht falou sobre tudo isso, enquanto Pirandello…

o reelaborou?

Ele foi o primeiro italiano a fazer isso. Mas foi Pasolini, com Decamerão…

Eu amo Pasolini.

Eu adoraria…

Fazer o que ele faz com filmes com minhas fotografias.

Vamos pedir conselhos a ele.

A quem?

Vem, eu te apresento.

Pier Paolo.

- Como vai? - Tudo bem, Mario. Bom te ver.

- Já faz um tempo. - É… Você está ótimo.

- Posso apresentá-lo a um amigo? - Claro. Pier Paolo.

Luigi Poggi.

Ele apertou minha mão e se apresentou. Pasolini. Ouviu?

Pasolini.

Ele me convidou para o set.

Estou sem palavras, é…

É graças a você.

Espere.

Os papéis estão claros, né?

Não consigo ficar longe de você.

A NOIVA ERÓTICA

O que as mulheres são?

Somos muitas coisas.

Esposas, amantes, mães.

Para alguns, somos santas.

Para outros, somos coisas que podem usar,

podem ter, podem comprar,

ou jogar fora quando não formos mais úteis.

Às vezes, somos apenas mulheres solitárias.

Assustadas, como na nossa noite de núpcias.

Ninguém nos fala nada.

Está sozinha, com um homem.

Você está sozinha. Ele está sozinho.

E talvez seja a sua primeira vez.

Você sabe pouco sobre seu corpo,

e nada sobre o dele.

Acha que, se ficar ali deitada, quieta, ele cuidará disso.

Ele vai fazer.

Ele vai decidir.

Porque são os homens que mandam.

Nosso trabalho é agradá-los.

E nós?

O que queremos?

Do que gostamos?

Não importamos nada?

A escolha é nossa.

Podemos ser o que quisermos.

Podemos deixar de ser mulheres solitárias

e sermos mulheres livres.

FOTOS DA MARQUESA DIÁRIO DE CAMILLO CASATI

Tchau.

Tem a Playmen? É a terceira banca.

Desculpe, acabou.

Tchau.

- Viva! - Viva!

Vamos! Não se preocupe!

Vamos brindar.

Hein? Finalmente.

No mínimo, vai comprar um novo casaco de pele, né?

Ter evitado a falência é o bastante.

Podemos bancar essas garrafas, né?

Sim, vamos. Sirva-me um pouco.

- Principalmente ela. - Vamos.

- Vamos brindar. - Obrigado.

- Saúde! A nós! - A nós!

Parabéns, senhora.

- Obrigada. - Espere, senhora.

Lella, pelo menos me chame de Adelina.

Veja quanta correspondência. E não são credores.

São todas cartas de mulheres. Escute só isso.

"Comprei a revista para o meu marido,

e pela primeira vez também achei interessante."

O que esta diz?

"Depois de ler A Noiva Erótica,

consegui falar sobre sexo com minha filha.

De agora em diante, têm duas novas leitoras."

Inacreditável.

Oi. Como posso ajudar?

- Vim aceitar o emprego de assistente. - E por que mudou de ideia?

Prefiro trabalhar para você a ser empregada daquele babaca.

- Começo na segunda. - Muito bem.

Eu só disse o que ela queria ouvir.

INSPIRADO EM "ADELINA TATTILO - UNA FAVOLA SEXY" DE DARIO BIAGI

Legendas: Natalia Serrano

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