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Conhe�o a morte.
J� a vi, a senti, lutei contra ela.
J� salvei pessoas que eu mal conhecia
e perdi outras cujos nomes nunca vou esquecer.
De um jeito ou de outro, todas elas te assombram.
Hoje, o v�u entre os mundos est� mais fino.
Dizem que os mortos andam entre n�s, mesmo que por pouco tempo.
Ser� que � s� algo que inventamos para amenizar a dor? Ou � verdade?
Ser� que eles ficam por perto?
Ser� que escutam quando dizemos seus nomes?
Como dizer que se foram mesmo, se ainda os guardamos no cora��o�
e na nossa lembran�a?
UMA SEMANA ATR�S
Amor, consegue enxergar nisso?
Pode segurar a cabe�a?
Assim � melhor.
N�o quer mesmo que eu dirija?
Querida, sou o Cavaleiro Sem Cabe�a.
Suba no meu cavalo.
Certo.
Certo.
Tudo bem.
Pode�
Van, s�rio?
Foi mal, � dif�cil enxergar com isto.
Por isso eu disse pra colocar s� na festa.
V�o saber que sou eu.
Claro, ningu�m vai te reconhecer
entrando com a sua namorada.
Mas voc� n�o � minha namorada. � uma vampira sexy.
Voc� n�o tem cabe�a, mas tem m�os. Mantenha elas no volante.
Antes, preciso enxergar ele. Pode ajudar?
N�o estou vendo nada�
O bot�o, desabotoa o bot�o.
- Me ajuda! - Devagar.
- Por favor. - Pronto.
911, qual � a emerg�ncia?
Meu namorado e eu sofremos um acidente.
Acho que ele se machucou.
O impacto foi do lado do motorista.
Buck, Ravi, desliguem o motor.
BOMBEIROS DE LOS ANGELES
Bombeiros. Est�o bem?
Estou. Mas ele quase n�o falou depois do acidente.
Ele apagou por alguns segundos.
Vamos ajud�-lo.
Aguenta firme, t�?
Hen, Eddie, temos dois feridos. Ambos fantasiados.
Droga! J�?
Mais um ano presos � maldi��o da fantasia.
- Buck, traga as garras. - Certo.
- Ravi, resfrie o motor. - Pode deixar.
Est� sentindo dor ou desconforto? Est� sangrando.
Mordi meu l�bio.
- Bombeiros. Pode me dizer seu nome? - Van.
Sofremos um acidente?
- N�o se lembra? - N�o vi nada, por causa da fantasia.
N�o se mexa. Ainda temos que examin�-lo, senhor.
Sente os dedos dos p�s?
N�o, acho que n�o.
Certo.
Como ele est�?
Les�o na coluna cervical. Pode estar em choque.
- � arriscado tir�-lo por este lado. - Trouxe as garras.
- Elas morreram. - Como?
- Maldi��o da fantasia. - Maldi��o nada, ela � uma b�n��o.
Est� servindo de colar cervical.
Certo, preparem a maca.
Buck, trave os pneus. Ravi, cuide do guincho.
- Vamos arrancar a porta. - T�.
Beleza, Ravi.
Pronto.
Continua.
Quase l�.
Senhor, est� sentindo alguma dor?
N�o, s� um peso e formigamento nos p�s.
- Certo. - Pode mov�-los?
�timo.
� um bom sinal.
Como est� a outra pessoa?
A mulher que estava com voc�?
O cara que atropelamos.
Ele estava vestido de espantalho.
Capit�o, tem outra pessoa.
Bombeiros, est�o ouvindo?
- Algu�m precisa de ajuda? - Vamos.
Bombeiros!
- Buck. - Oi?
Juro que n�o vi ningu�m antes da batida.
- � s�rio, tinha um cara ali. - Achamos!
O que � isso?
� o cara que atropelaram?
Gra�as a Deus!
Achei que tivesse matado algu�m.
Alguns arranh�es e hematomas, mas vai sobreviver.
DESCANSE EM PAZ
Vou passar mal se comer este biscoito?
Pode pelo menos provar?
- E a�? - Est� bom.
- Mas est� certo? - Como eu vou saber?
Falta alguma coisa.
Estou tentando recriar os biscoitos do Bobby de mem�ria,
j� que a receita sumiu.
Acharia se cozinhasse menos e abrisse mais caixas.
Em vez de criticar, podia me ajudar a procurar.
C
T�, o "C" claramente n�o � de "cozinha".
Acho que � de� "Cafona"?
Achei que fosse lembrar o que tinha em cada caixa.
Foram quatro meses pra achar uma casa
e mais tr�s esperando desocuparem.
�, eu j� teria achado outra.
Mas o quintal � incr�vel.
- As �rvores s�o lindas. - Sim.
Na verdade, preciso falar delas com o dono.
Ou�o barulhos toda noite. Acho que tem esquilos no s�t�o.
Esquilos?
Ou fantasmas!
- S�o esquilos. - Ou fantasmas de esquilos.
- Para! O que deu em voc�? - � Halloween.
� o esp�rito da data.
Ou talvez eu sinta uma energia paranormal aqui.
A energia est� normal, ao contr�rio de voc�.
- Nossa. - Achou a receita?
�.
- Sinto tanta falta dele. - Eu sei.
Ficou �timo aqui.
Quem sabe ele te inspire na cozinha.
Ent�o n�o gostou do biscoito?
N�o, o lugar � �timo, s�rio.
Posso at� malhar antes do caf� da manh�.
Desculpa, fui jogando tudo neste quarto
achando que ia organizar depois.
A� fechei a porta e esqueci.
At� falarmos da sua mudan�a.
Houve uma conversa?
- Gostei do lugar. - Que bom.
Vou achar outro canto para a bicicleta.
N�o, deixa ela a�.
Ele precisar estar em forma pra passar no teste f�sico.
N�o vamos nos precipitar.
Nem me chamaram para a entrevista ainda.
Olha s�, a c�moda est� vazia, ent�o pode guardar suas coisas nela,
mas receio que o arm�rio ainda tenha coisas.
CORPO DE BOMBEIROS DE LA
- Vou achar outro lugar. - N�o.
Pode deixar a�.
Vai ser bom ter um pedacinho dele aqui.
Vou deixar voc� arrumar suas coisas e pedir algo pro almo�o.
Pegou a S�ndrome de Estocolmo rapidinho, n�?
N�o sou ref�m.
Topei vir morar aqui, ela topou considerar eu entrar pros bombeiros.
- N�o precisa da permiss�o dela. - Mas eu quero.
Quero que ela me apoie. Que tenha orgulho de mim.
Ele saiu de carro com os amigos enquanto seus abuelos trabalhavam.
Sem carteira.
Ele n�o tinha carteira?
Nosso garoto de ouro reprovou duas vezes no teste.
E conseguiu ligar o carro sem a chave.
Pai!
Ele est� tramando alguma coisa.
Melhor come�ar a esconder as chaves do carro.
Esconda junto com isto.
Livro Cat�lico de ORA��ES
Reviraram minha cozinha?
Desculpa, n�o sabia que guardava outra coisa
al�m de assadeiras em cima da geladeira.
Foi um presente do capit�o Nash.
Ele era cat�lico?
Era.
E o ter�o?
� meu.
Edmundo, voc� voltou pra igreja?
Fui s� a algumas missas. N�o vamos exagerar.
Vai l�.
Mas j� � alguma coisa.
Est� se reconectando com sua f�, com sua comunidade.
Ainda n�o sei se sinto isso.
Nem sei se � por mim ou pelo Bobby.
- O que o Christopher acha? - N�o contei pra ele.
N�o quero pression�-lo.
Me obrigavam a ir � igreja e eu odiava.
Ele vai poder decidir sozinho quando for mais velho.
CREMOR DE T�RTARO
Cremor de t�rtaro. O ingrediente que faltava.
ADAPTA��O | REVIS�O | SINCRONIA: E-MAIL | loschulosteam@gmail.com
Meu Deus! Pessoal! Meu Deus!
PALAVRAS CRUZADAS
N�o v�o acreditar! Lembram do meu problema
com a receita dos biscoitos?
A receita do Bobby.
Passei semanas tentando achar
o ingrediente que faltava.
- Se voc� diz. - Esquece, s� prova. Aqui, pega.
Beleza. Hen, prova tamb�m.
Ravi. Vamos. Capit�o Chim, prove.
Caramba! Est� uma del�cia.
Ele sempre foi um �timo confeiteiro.
Era ainda melhor em evitar falar desse papo.
- Est� uma del�cia, Buck. - Adivinha como descobri.
Provou cada especiaria em ordem alfab�tica?
N�o. O Bobby me contou.
- Certo, Buck. - Sei que parece loucura.
Acho mesmo que ele me ajudou.
Achei uma foto nossa e deixei na cozinha.
Na noite seguinte, estava l�.
Cremor de t�rtaro.
N�o chega a ser loucura.
Muita gente passa por coisas que n�o consegue explicar.
Tem certeza de que � s� cremor de t�rtaro?
Pois �, porque voc� n�o � Eddie Diaz.
Ele n�o � nem um pouco supersticioso, lembra?
Estou abrindo a mente. Dando espa�o pro desconhecido.
Quem � voc�, metamorfo?
N�o � a coisa mais louca que j� ouvi,
embora chegue perto. Mas seja o que for�
� o Bobby.
Manda um oi.
911, qual � a emerg�ncia?
Perdemos nossa ab�bora!
Uma ab�bora perdida n�o � uma emerg�ncia.
CARROS
Mas vai ser.
Aten��o, todas as unidades. Ab�bora laranja gigante
vista na Rua Oito, sentido noroeste.
Aproximem-se com cautela.
- Est� no local, 1L 70? - Aqui � 1L 70, em persegui��o a p�.
Um vendedor de frutas foi atingido.
- Ainda consegue v�-la? - N�o mais.
Ela est� a noroeste pela Rua 9. O vento sopra para o norte a 13km/h.
Ou seja, rumo � rodovia.
CENTRO
Se ela cair na 110�
Causar� um caos total e muitas v�timas.
Precisamos intercept�-la.
Certo. Cruzamento da Rua 9 com a Grand.
Central, estamos no local. Sem sinal dela.
Ela deve estar chegando.
- O que fazemos? - Parem ela.
Estou vendo ela. Todos para tr�s!
Ela quicou.
Ela quicou! Droga!
Central, aqui � 727-L-30. Pronta para neutralizar o alvo.
Taser!
727-L-30, qual � a situa��o?
Central, alvo sob controle.
Bom trabalho, sargento.
Por que esse sorriso?
N�o esperava tanta gente em um dia de semana.
Agora s� tem uma missa por dia.
Quem quer rezar, n�o pode reclamar.
N�o fui eu que disse.
Foi o padre Bolsonaro.
Um padre engra�ado. N�o tinha padre assim na minha �poca.
Vai ver eu n�o tivesse odiado tanto a missa.
� preciso ter algo contra o que se rebelar.
N�o era s� rebeldia, sabe?
Eu nunca senti nada de especial.
A presen�a de Deus, ou algo do tipo.
Mas agora voc� voltou.
Vamos com calma, t�?
Estou s� sondando o terreno.
Indo � missa numa quarta-feira?
S� por voc�, porque � minha abuela e eu te amo.
Mas o que � o amor, sen�o um sinal da presen�a de Deus?
E quando eu o procurava na igreja�
Mi ni�o, estava procurando no lugar errado.
Senhor�
clamamos a Ti neste momento de dor e ang�stia.
O irm�o Ken e a irm� Lydia conduziram a vida com f� e devo��o.
Criaram uma fam�lia sob a luz dos Teus caminhos divinos.
Agora, a filha inocente deles,
nossa querida irm� Abigail, foi possu�da pelo Diabo.
Irm�s e irm�s, ergam as m�os e clamem
ao poder de Deus para expulsar este mal.
Suplicamos que liberte esta pobre garota das correntes demon�acas.
Expulse Satan�s do corpo dela!
Liberte-a do sofrimento!
Irm� Abigail, o dem�nio a deixou?
911, qual � a emerg�ncia?
O Diabo mordeu o irm�o Isaac!
SA�DA
O que est� rolando aqui?
Bombeiros, abram caminho.
Os param�dicos chegaram. Por favor.
Ela cravou os dentes nele.
N�o esperava por isso.
N�o � culpa dela. � o dem�nio dentro dela.
- O dem�nio? - Isso.
O irm�o Isaac estava expulsando ele.
Era um exorcismo?
O Diabo est� nela.
- Precisamos orar. - �timo.
Buck, organize uma ora��o l� fora.
Vamos, deem espa�o pra eles trabalharem. Vamos.
Vamos, todos pra fora.
Vamos.
Ela tem algum transtorno mental?
- N�o, nenhum. - Ela toma algum rem�dio?
- Bateu a cabe�a? - � completamente saud�vel.
Ela viajou pro exterior recentemente?
Ela participou de um programa na Costa Rica no m�s passado.
Uma viagem mission�ria. Desde ent�o, temos mantido ela por perto.
D� pra ver.
Ei, capit�o. Acho que encontrei a origem do Diabo.
Entendido. Estou indo.
- O que achou? - Vem ver.
Parece que mantiveram ela aqui � for�a, talvez por dias.
O fluxo de ar aqui � p�ssimo.
Ser� que foi mofo?
N�o.
Uma outra toxina.
Press�o alta. Pulso acelerado. Espasmos musculares fortes.
Por causa da dor. Usamos cetamina?
Se conseguirmos imobiliz�-la.
- Meu Deus! - � o Diabo!
N�o, � t�tano.
Eles a mantiveram presa numa cama enferrujada.
Aposto que deve ter um corte na perna dela.
Ela n�o precisa de ora��es. Precisa de antibi�ticos.
Trismo.
Vamos usar midazolam.
Com sorte, d� pra lev�-la pro hospital.
Mas se n�o funcionar�
Usamos um paralisante.
Preparem-se pra intubar, caso ela precise.
O Diabo n�o vai lev�-la!
Com todo respeito, senhor, cale a boca. Odiaria medicar o paciente errado.
Precisamos esperar.
- N�o adianta. - Vou usar algo mais forte.
- Preparando um miligrama de suxamet�nio. - Espera!
Acho que tem est�mulos demais aqui.
As luzes podem estar piorando.
Buck, vamos apagar.
Vamos.
- Gra�as a Deus! - Certo, coloquem ela na maca.
No meu sinal. Um, dois, tr�s.
Que possess�o, hein?
Por que o Diabo escolheu a Abigail?
Ela era uma boa garota.
�s vezes, s�o as mais f�ceis de desviar.
Abigail estava perdendo a f�.
Ela queria ir embora, deixar o nosso modo de vida.
Podemos ir com ela?
Podem visit�-la no hospital.
- Se ela ainda quiser ver voc�s. - Por que n�o ia querer?
Voc�s a trancaram e acorrentaram a uma mesa.
Ela disse que estava doente, e voc�s culparam o Diabo.
Sabemos o que � melhor pra ela.
Quem vai decidir isso s�o inst�ncias superiores.
Voc�s tr�s est�o presos por c�rcere privado,
maus-tratos e exposi��o de menor ao perigo.
T�m o direito de ficar calados.
Livro Cat�lico de ORA��ES
A� est� voc�. O que voc� e o Chris v�o fazer no Halloween?
Pedir pizza e ver um filme. Por qu�?
E se voc� e o Chris forem l� em casa�
pra gente falar com o Bobby?
Um tabuleiro Ouija? � sua ideia de divers�o pro meu filho?
� pra maiores de 8 anos.
S�rio, Buck?
Chega dessa hist�ria de casa mal-assombrada. Isso n�o existe.
E aquela hist�ria de dar espa�o ao desconhecido?
Olha a Abigail. Depositou f� em tudo o que mandaram,
e o que ganhou?
T�tano, trismo. E talvez uns 30 anos de terapia.
N�o tem nada de sobrenatural nisso. � s� a vida, e ela � terr�vel.
Sinto muito, Buck,
mas Deus n�o estava naquele quarto, e o Bobby n�o est� na sua casa.
- O que tem a�? - Jujubas azedas.
Quer trocar pelos meus amendoins?
- Claro! Trocado! - Trocado!
Sil�ncio!
Voc�s v�o acordar os mortos.
N�o sabem ler? Est� escrito "Descanse em paz".
Isso n�o significa nada pros vivos?
Ele � engra�ado.
Voc� � o qu�, exatamente?
Um morto.
Vamos usar essa fantasia no ano que vem.
Cad� a fantasia?
- Achei que ia ter uma festa. - Eu menti. S�rio? Raggedy Andy?
� bem popular com as solteiras.
Beleza, isso n�o � estranho?
Posso explicar.
Quer usar o tabuleiro Ouija pra falar com o fantasma do capit�o?
Legal, ent�o voc� topa.
Claro, n�o tenho nada melhor pra fazer hoje.
Pode apagar as luzes?
N�o acho que isso seja necess�rio.
N�o, mas como n�o comprei doces,
n�o quero que pensem que estou em casa.
Beleza.
A mensagem est� quase pronta.
"T".
"A".
VOC� � UM IDIOTA
"Voc� � um idiota"? S�rio, Rav?
� o que o Bobby diria se estivesse aqui. Foi mal, Buck, mas ele n�o est�.
O que foi isso?
Buck. A prateleira.
� uma pegada.
Pega a lanterna.
- Certo, me levanta. - Beleza.
Beleza, no tr�s. Um, dois, tr�s.
Certo. Obrigado. Boa noite.
O nome dele � Dwayne Payton. O dono disse que ele morava aqui antes.
Ele n�o tinha sido despejado?
Ele recebeu o aviso, mas depois sumiu.
E reapareceu no meu s�t�o.
Podemos autu�-lo por invas�o, moradia ilegal e vandalismo.
� isso que voc� quer?
Foi divertido pra voc�?
Fingir que a casa era assombrada?
O garoto tem raz�o. Voc� � um idiota.
Vou prestar queixa.
Que tal? Tirem ele da minha casa e o prendam.
- A casa � minha. - N�o � mais!
N�o pode me expulsar. Invadi antes e vou invadir de novo!
- Tem o direito de ficar calado. - Espera!
Cad� a receita?
Sei que pegou a receita do Bobby. O que fez com ela?
N�o peguei nada.
E como sabia do cremor de t�rtaro?
Os biscoitos estavam sem gra�a. Faltava um saborzinho.
Quer ajuda pra limpar?
N�o, eu me viro.
Se tinha tanta certeza de que n�o era o fantasma do Bobby,
ent�o por que entrou na minha onda?
Parecia que voc� precisava.
Oi, m�e.
- O que � isso? - Vou a uma festa de Halloween.
Gostou da fantasia?
Fantasia?
Sim, hoje � uma fantasia,
- mas quando me formar na academia� - Pode parar.
Por um momento, achei mesmo que eu estava errada.
Que eu tinha exagerado
quando voc� disse que queria ser bombeiro.
Mas, agora, vejo que eu estava certa.
- Certa sobre o qu�? - Que n�o est� pronto.
Porque isso n�o � uma fantasia. E o fato de achar que �
s� mostra que n�o tem maturidade pra esse trabalho.
N�o, m�e. N�o � isso.
Eu s� queria saber como era.
Agora voc� j� sabe.
Pode tirar e achar outra fantasia.
Deus Pai, hoje entregamos a Ti a alma de Jeremiah Kamada.
Que a luz eterna brilhe sobre ele e o leve � paz eterna.
Que a mem�ria dele seja aben�oada.
Que ele descanse em paz
em Tuas m�os cheias de amor e miseric�rdia.
Am�m.
Ol�? Com licen�a.
Esta cova est� ocupada. Estou aqui. Ol�!
Jeremiah?
Jeremiah, � voc�?
N�o � o Jeremiah.
Baix�vamos o caix�o quando ouvimos uma voz.
Os coveiros o puxaram pra olhar.
Dentro estava� Bem�
- Quem �? - N�o � o meu marido.
- Ele est� vivo? - N�o, ele n�o est�.
- S� est� se fingindo de morto. - Estou morto.
Se ele n�o sair da�, vai desejar estar morto.
Certo, vamos resolver isso. Ravi, pode�
Por aqui, padre, senhora.
Agora v�o finalmente me deixar descansar em paz?
Demorei muito para achar este lugar.
- Certo, alguma ideia? - Transtorno psiqui�trico ou drogas?
Ou ele teve uma concuss�o. Ele pode ter ca�do.
- Por que n�o perguntamos a ele? - N�o, por favor, me deixem em paz!
S� queremos conversar.
Ningu�m tem respeito pelos mortos?
Esse corte na sua testa. Voc� se lembra de como morreu?
Um cara num carro azul me atropelou.
- Viu o rosto dele? - N�o vi o rosto dele.
Ele n�o tinha um.
- Ele n�o tinha rosto? - Ele n�o tinha cabe�a.
O cara que atropelamos. Ele estava vestido de espantalho.
- � o cara que atropelaram? - Achei que tivesse matado algu�m.
O Sem Cabe�a achou que tinha atropelado algu�m, lembram?
- Eddie, de que lado � o ferimento? - Direito.
Lobo frontal direito.
- S�ndrome de Cotard. - S�ndrome de quem?
� um transtorno neuropsiqui�trico. A s�ndrome do morto-vivo.
Afeta as �reas do c�rebro ligadas � consci�ncia e percep��o.
A pessoa acha que est� morta.
- Ou que nem existe. - Tem cura?
Senhor, posso te examinar?
Ah, n�o.
Pessoal, n�o sinto pulso.
O que ele vai fazer?
Trazer ele de volta � vida! Nada, Eddie?
Sem pulso. Acho que o perdemos.
Ainda podemos salv�-lo.
Hen, o desfibrilador.
Isso.
Iniciando compress�es.
Beleza. Verificando o pulso.
Vamos l�!
Certo, afaste-se!
Temos pulso!
E o pulso est� bem forte.
S�rio?
- Quase perdemos voc�. - Mas voc� voltou.
- Bem-vindo de volta. - Eu voltei?
Ele voltou mesmo!
Eu voltei mesmo?
Voltei dos mortos?
Minha fam�lia vai ficar t�o feliz em saber disso!
Muito obrigado.
Agora podemos enterrar o meu marido?
- Sim. - Claro.
- Tirem a gente daqui. - Subam eles.
Bem-vindo de volta.
Obrigado, Jeremiah. Meus p�sames.
S�rio?
Dwayne!
Dwayne!
RECUPERA��O
Ficha de sobriedade.
Oi, capit�o.
Bom dia, pai.
E a�, campe�o? Acordou cedo.
A abuela est� preparando o caf�?
Ela n�o est� aqui. Vou preparar.
Mas a vi ontem � noite. Ela estava no meu quarto.
Disse pra eu n�o ter medo, que ela me amava.
Deve ter sido um sonho.
Vou preparar o caf�.
Oi, t�a. Todo mundo acordou cedo hoje.
- Eddie. - T�a?
Eddie�
O que foi?
� a sua abuela. Ela se foi.
Vim busc�-la pra irmos � igreja.
Ela n�o abria a porta, ent�o entrei.
Dizem que parece que est�o dormindo.
Mas eu soube, no segundo em que a vi�
que ela havia partido.
Eddie.
Achei que um dos policiais�
fosse me ajudar,
mas disseram que eu � que tinha que ligar pra algu�m vir busc�-la.
Pra funer�ria.
Disseram que viriam em algumas horas.
N�o sei o que fazer at� l�.
E se a gente rezasse?
Ela ia gostar disso. Tudo bem.
POL�CIA
Disseram que retirou a queixa.
N�o chegou a causar nenhum dano.
E me ajudou com o lance do biscoito. Quis retribuir o favor.
Valeu, cara.
Mas n�o sei pra onde ir agora.
Que tal ir a uma reuni�o?
Tem uma aqui perto.
� amigo do Bill W.?
Sou amigo de um amigo dele.
Voc� deixou sua marca.
Voc� era um bom homem. Um bom marido.
Voc� amou e inspirou os meus filhos.
N�o sei se consigo te perdoar por isso.
N�o � culpa dele.
Bobby era um cara legal, m�e, e eu o amava.
Mas eu era filho de uma socorrista muito antes de conhec�-lo.
N�o � sobre ser como ele, m�e.
� sobre ser como voc�.
O primeiro dia depois da perda n�o � o mais dif�cil. � correria demais.
Ligar para as pessoas. Cuidar dos preparativos.
Ficamos ocupados demais pra pensar na dor e abalados demais pra seguir em frente.
A tristeza chega no dia seguinte,
quando finalmente voc� est� sozinho,
em sil�ncio, com o cora��o partido e cheio de raiva. At�
At� perceber que nunca est� realmente sozinho.
Talvez tenhamos que ser os fantasmas das pessoas que amamos,
vagando pelo mundo com suas lembran�as e o que elas nos ensinaram.
Talvez n�o existam fantasmas nem esp�ritos.
Apenas n�s.
Comemorando, dan�ando, lembrando,
vivendo uns com os outros.
E talvez isso j� seja o bastante.
Dever�amos fazer isso todo ano.
N�o te deixa muito triste?
N�o. � como se eles ainda estivessem aqui.
Entende?
Sim. Entendo.
Legendas: Airton Oliveira
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