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Posso?
Não pode fumar aqui.
Claro.
Podia ao menos me dizer como está minha esposa.
Bem.
- "Bem"... - Eu...
falarei com ela mais tarde.
Eu quero estar presente.
Isso é impossível.
É para o seu próprio bem.
Eu conheço minha esposa,
sei que ela está chateada e relaxaria se eu estivesse junto.
Separamos todos vocês por motivos óbvios.
Sim, claro.
Porque encontraram nossas digitais na adaga.
Certo? E daí?
Acham que nos alinhamos em fila para esfaquear o bom médico?
Sério? É essa a sua teoria?
E qual é a sua?
Está muito claro.
Um de nós...
colocou as digitais na adaga.
E matou o médico sem nenhuma consequência.
Só isso, é tão simples.
Suspeita de alguém em particular?
Sabe de quem não suspeito?
Do Sr. Torre.
Boiola demais.
Como todos na comunidade dele,
latem mas não mordem.
E aí temos...
a Sra. Peão. Ela não faria mal a uma mosca.
Mas são as únicas duas pessoas
que ameaçaram ou agrediram o médico.
De fato.
O que isso te diz?
Não podem ser eles, é muito previsível.
Eu os descartaria.
Quanto
à doutora...
Ali Babá,
ela tem formação médica.
Ela pode ter colocado um anestésico no nosso vinho e nos drogado.
E quem melhor do que ela para esfaqueá-lo?
Quer dizer a Dra. Sayyid? Bispo?
Sim, a Árabe malvada.
E depois tem o Cavalo.
Se o Cavalo surtar...
tudo pode acontecer.
Quem imaginaria...
Quem imaginaria o quê?
Sinto muito pelo que aconteceu com o médico.
Sinceramente.
Mas...
ele causou isso a si mesmo, não acha?
Quer dizer,
prometer uma cura milagrosa
para pessoas loucas e desesperadas, sério?
- Mas você também está aqui. - Por causa da minha esposa.
Ela é a louca, entendi.
Eu agradeceria se demonstrasse
mais respeito pela minha esposa.
Minha esposa só está deprimida,
ela não é nada parecida com os outros malucos
que deveriam ser presos e a chave jogada no mar.
E algo me diz...
que também estão escondendo algo.
E você? Não está escondendo nada?
Eu?
O que eu poderia esconder? Sou um livro aberto.
Assim como minha esposa.
Desde o início,
dissemos que estávamos aqui
para superar a morte da nossa filha.
Só isso.
"SHADES"
Tradução e Sincronia por Tati Saaresto
S01E05 - SR. E SRA. POLAN
Ela se chamava Gina.
Foi há um ano.
Sinto muito.
Meu marido não me deixou afundar. Tentamos superar juntos,
mas precisávamos de ajuda.
Foi você
que decidiu entrar em contato com o Dr. Marlow?
Alguns amigos me falaram sobre ele.
Soube que era caro, mas dinheiro não é problema.
- Quando começou o tratamento... - Desculpe.
Se importa?
Não.
Claro que não.
O que dizia?
Quando você começou o tratamento, sentiu alguma melhora?
Não.
Mas era isso que esperávamos.
Nas sessões com a Dra. Marlow,
ela deixou claro que o importante era a cerimônia.
Olhem para as taças.
Apreciem a cor dos vinhos.
Eles são parecidos, não são? Mas, se vocês olharem com atenção,
o tom reflete que o vinho da nossa Rainha é mais vibrante.
Muito mais novo.
E agora...
me digam qual é o cheiro.
De vinho barato.
O meu, não.
Os dois foram envelhecidos no mesmo barril.
O que foi usado para o vinho do Rei
foi usado mais tarde para envelhecer o vinho da Rainha.
Fechem os olhos.
Por favor.
Feche os olhos.
O que foi?
Eu não confiava nele.
Mas se não confiava no método do médico,
não tinha nada a perder.
Depois do que vi, ficou claro que o método dele
mexia com as coisas dentro de nós.
Não é por isso que veio?
Não.
Só não queria ver minha esposa continuar sofrendo.
Primeiro, esse médico nos faz sentir uns merdas
e segundo, ele não serve para nada.
E por que você concordou?
Você é casado?
Não. Claro que não.
Se fosse, entenderia.
Por você.
Provem seus vinhos.
Quando a contagem acabar, quero que vocês voltem
quando o comportamento de Gina começou a mudar.
Três.
Dois.
Um.
- Gina! - Filha da puta!
Pensamos que era a adolescência, que ela só estava nos desafiando.
Gina, não...
Calma.
Mas ela se tornou violenta.
- Chega! - Me solta!
Gina, não...
Eu nunca a tinha visto assim.
Foi aí que decidiram interná-la na Inglaterra.
Como sabe disso?
Está tudo no relatório.
Estávamos sobrecarregados.
Não sabíamos o que fazer.
Achamos que disciplina seria bom para ela.
Mas acabou sendo ainda pior.
Não percebi...
que ela não estava pronta, insisti em mandá-la.
Nem minha esposa concordou.
O internato não te avisou que ela não estava bem
e que as coisas estavam piorando?
Não faça isso.
- Sei onde que chegar. - Onde?
Depois do que aconteceu com a Gina,
a raiva e a impotência nos levaram a culpar a todos.
Todos, menos a nós mesmos. O internato,
os professores, os outros alunos...
mas essa terapia de merda só serviu para uma coisa.
Só uma.
Aceitar que também tenho culpa.
Não posso responsabilizar o lugar
só porque não sabem o que passa na cabeça de uma criança...
E você?
Pode ser responsabilizado?
Eu deveria saber. Não sabia nada sobre ela.
Eu deveria ter percebido, sou a mãe dela.
Não teve notícias da sua filha?
Lá as meninas não têm celular
nem acesso à internet.
Pediram para não ter contato?
Não. Podíamos enviar cartas.
- Cartas? - Sim.
A escola considerava algumas tecnologias prejudiciais
ao desenvolvimento delas, então assinamos um contrato.
Deve me achar uma péssima mãe.
Não.
Só uma mãe desesperada.
Notou algo estranho nas cartas?
Ela nunca respondeu.
Eu queria pensar
que era porque ela estava com as amigas.
Não porque ainda estivesse brava por ter sido internada.
Não podiam visitá-la?
Sim, cara.
Uma vez por semestre.
"Dia dos Pais".
Naquela ocasião,
Gina sabia que estávamos indo.
Ela sabia.
Está ansiosa para vê-la?
Sim.
O que você vê?
Onde vocês estão agora?
Estamos no corredor da escola da Gina.
- Olá. - Indo para o quarto dela.
Gina?
Gina?
Gina!
O que foi?
A porta está trancada.
Gina!
A porta estava aberta.
Então, agora também está.
Só precisa querer abrir.
Não posso.
Não precisa ter medo.
Abra.
Não...
Não consigo.
Não vai fazer nada?
Gina. Gina!
Gina, não!
Gina! Não...
Gina!
Socorro!
Socorro!
Minha filha se matou.
Não...
Deve ter sido doloroso lembrar disso.
Não era só uma lembrança, lembro da minha filha todo dia.
O médico me fez reviver tudo.
Essa terapia não parece cruel?
Sim, foi difícil.
Mas foi algo mais consciente.
Deve ter sido tão intenso
que vocês dois acordaram do transe tão afetados.
Não disse que nós dois acordamos.
Você foi ótima.
Respire, respire.
Respire.
Isso mesmo.
Você se saiu muito bem.
Por que ele não acordou?
Só uma dor muito intensa...
te desperta desse transe.
Ele me enganou!
O desgraçado sabia exatamente o que ia acontecer
- e me enganou. - Ele te fez passar
pela mesma experiência e você reagiu de forma diferente.
Está insinuando que não dou a mínima
para o suicídio da minha filha?
Ele me perseguiu desde o começo.
Queria me humilhar na frente da minha esposa.
Fingia ser sensível, compassivo...
mas era um verdadeiro canalha.
Esse tipo de declaração sobre a vítima
não te ajuda.
Não fui eu.
Eu não o matei. Não dou a mínima para o que pensa.
E o que sua esposa pensa?
Cada um lida com a morte de uma forma.
Ele sempre foi mais forte do que eu.
Mas ele não é insensível.
Claro.
O que aconteceu depois com o Sr. Polan?
O médico o orientou em seu próprio processo.
Agora, quero que você volte um pouco mais no tempo.
Ao seu primeiro casamento.
Não.
Viemos superar a morte da nossa filha.
Não o faça passar por isso.
Ele ou você?
Não quero que ele sofra.
Para superar a morte de sua filha,
seu marido e você
devem chegar ao mesmo destino, por caminhos diferentes.
Ele precisa fazer essa jornada, e você precisa testemunhá-la.
Por favor, olhe para mim.
Eu prometo ser cuidadoso.
Não esperava que o médico te fizesse lembrar dela.
Não.
Não pareceu se importar com o fato de ele entrar na sua mente
sem consentimento.
Três.
Dois.
Eu a veria novamente.
Eu a veria novamente.
Um.
Você já está com ela.
Teresa...
meu amor.
Cheira flor de laranjeira.
Você é linda.
Quero passar o resto da vida com você.
É o amor da minha vida.
- Sim? - Sim.
Por ali?
Teresa...
Sim, Teresa.
Nos conhecemos muito jovens.
Mas, desde o momento em que a vi,
soube que ela era o amor da minha vida.
Queria passar cada minuto do meu tempo com ela,
casar, constituir família...
E você fez isso.
Constituiu família.
Segundo os registros médicos, você teve...
uma filha.
Sua primeira filha.
Ela é idêntica a você.
Ela terá o seu nome.
Sua filha Teresa...
é igualzinha à mãe.
Por favor, pare.
Isso é necessário.
Confie em mim, vai ficar tudo bem.
Me diga,
o que está acontecendo agora?
Eu vejo...
- que estamos felizes. - Papai.
Não conseguiria viver sem ela.
Dezoito anos maravilhosos.
Nunca pensei que alguém pudesse ser feliz por tanto tempo.
O que aconteceu depois?
Depois,
o médico me levou ao dia em que meu mundo desabou.
Ela já estava se sentindo mal há algum tempo,
mas não pensamos muito nisso.
Sim, sou eu.
Até recebermos os resultados dos exames.
Câncer de pâncreas.
Nós vamos lutar...
Nós vamos lutar.
Contratei os melhores especialistas para tratá-la em casa.
Foi um tratamento muito agressivo.
Houve dias ruins, dias terríveis.
Vem cá, querida.
Mas também houve dias ótimos.
Sabe qual a taxa de sobrevivência de quem tem câncer de pâncreas?
11%.
Deus...
nos apegamos a esse número.
Se tornou nosso talismã.
Mas ela fazia parte dos 89% restantes.
Meu amor...
Você cheira...
flor de laranjeira.
Não quero viver sem você.
Não vá.
Ela aguentou por um mês.
Não! Não me deixe sozinho.
Pare.
Por favor, pare. Por que faz isso?
Pode voltar.
Amor, você está bem?
O que aconteceu?
O que aconteceu depois?
Foi só isso.
Depois ele começou a tratar a médica jihadista
e o gordo com borderline, e seguiu em frente.
Posso contar o que aconteceu...
Não precisa.
Muito bem,
se não precisa de mais nada de mim...
Não disse que terminei.
- E os exames? - Que exames?
De acordo com isso, antes da cerimônia,
eles realizaram...
exames genéticos.
Sim.
Tem razão.
Queriam avaliar nossa predisposição
a sofrer de doenças mentais, mas saiu normal.
Talvez não houvesse marcadores para doenças mentais,
mas descobriram...
outra coisa.
A Sra. Polan não é só sua esposa.
Ela também é sua filha.
Surpresa.
Não é o que você imagina.
- Claro que não. - Nunca toquei nela criança.
- Como adulta, ela podia decidir. - Ela era sua filha.
Você não pode me julgar!
Não, e não vou.
Mas um juiz vai.
Casamento entre pai e filha é ilegal.
E o que isso tem a ver com a morte do médico?
O médico sabia.
E você achava que ele sabia.
Eu prometo ser cuidadoso.
Sabia que esse é um segredo
que as pessoas matariam para que não viesse à tona?
- Eu não matei ninguém. - Talvez não.
Mas pode dizer o mesmo do seu marido?
Mesmo que ele soubesse, não poderia dizer nada
devido ao sigilo profissional.
O sigilo profissional tem exceções, como em casos de abuso sexual.
Eu não abusei de ninguém!
Se o psicanalista tiver certeza de que houve abuso pela família,
ele tem o dever de denunciar às autoridades.
Não houve abuso!
Eu amo ela.
Não me olhe assim.
- Assim como? - Com pena.
- Não. - Sim.
E sua pena me mostra seu desprezo.
Não, eu não te desprezo.
- Na verdade, eu te considero... - Não me importa o que você pensa.
Queria que ele me olhasse como olhava para ela.
- Papai. - Eu a odiava
por não perceber o quanto eu precisava do meu pai.
Quando ela entrava em um cômodo, eu desaparecia para ele.
Era ela que me matava mais do que a rejeição do meu pai.
Quando minha mãe morreu...
- eu me senti... - Culpada?
Livre.
Tem uma explicação.
De acordo com o relatório, o médico achou
que você sofria de Complexo de Electra.
O nome muda o que eu sinto?
Foi aí...
que o relacionamento com seu pai
mudou.
Quando minha mãe morreu, ele ficou deprimido.
Passou quase um ano trancado em casa.
Ele costumava ser cheio de energia,
vida e ambição, mas se foi e ele ficou sombrio.
Não suportava vê-lo assim.
Eu precisava do amor dele.
Estava morrendo por seu amor.
Morrendo por sua lealdade à minha mãe.
Eu não sabia bem o que estava fazendo.
Mas, através dela, nossos sofrimentos chegaram ao fim.
Ele sorriu novamente.
Eu me senti viva pela primeira vez.
Estava recebendo o que sempre quis: sua atenção.
Eu adorava.
Você idolatrava seu pai.
Ele se aproveitou disso para abusar de você.
Ninguém abusou de mim.
Ele precisava de mim, e eu dele.
Estava arrasado.
Deprimido.
E ela me salvou.
Seduziu sua filha para preencher o vazio
deixado pela sua esposa. Sua própria filha.
Ela é minha esposa.
E ela está muito feliz com isso.
Ela te disse o contrário?
Ela disse que está infeliz? Não. Sabe por quê?
Porque estamos apaixonados.
Ela é sua filha e você a engravidou.
Você tem filhos?
Ser mãe da Gina é a melhor coisa que já me aconteceu.
Diferente da sua primeira esposa, ela derramou seu amor
e atenção em Gina, e você não suportou isso.
O que está insinuando?
Eu amava minha filha.
Eu adorava a Gina.
- Não ouse insinuar o contrário. - Como Gina se sentia?
O amor de Gina era diferente.
Ela não te idolatrava.
Parece que Gina amava mais a mãe.
Sr. Polan...
muitos estudos sustentam que crianças nascidas de incesto
desenvolvem transtornos psiquiátricos.
Gina era uma criança normal.
Só um pouco travessa.
Ela não tinha problemas mentais.
Ela simplesmente...
descobriu tudo e não conseguia aceitar.
Ouvimos como as mães amam seus filhos,
mas raramente sobre os filhos.
Filha da puta!
Gina! Gina!
Filha da puta!
Filha da puta!
- Não me toque. - Gina, calma.
- Não. - Não, não.
- Chega! - Me solta!
- Calma, minha vida. - Deixe-a em paz, por favor.
Solta ela, por favor.
Me solta, não me toque! Por quê?
- Desculpa. - Não me toque!
- Desculpa. - Não me toque!
Desculpa.
Eu poderia ter mentido,
mas pensei que seria a única pessoa que poderia me amar.
Vem cá, querida.
Ela é idêntica a você. Ela terá o seu nome.
- E aí mandou ela embora. - Não.
Não foi isso.
Achamos que seria uma boa ideia
mandá-la embora e ganhar um pouco de distância.
A vida continuou.
Sem termos...
que ficar sempre lembrando...
Já chega.
Responderá perante um juiz.
Muitas mulheres demoram a perceber que foram abusadas.
Teresa...
eu posso te ajudar.
Eu amo meu marido.
E se disser que seu marido sabia o que acontecia no internato?
O quê?
Isso estava no laudo médico sobre seu marido.
São vários e-mails entre o Sr. Polan e o internato.
Neles, disseram...
que sua filha não estava bem.
Depressão grave.
A psicóloga da escola a tratava há meses,
mas Gina não melhorava.
Meu marido não sabia.
A diretora pediu ao seu marido que a tirasse da escola.
- Não. - Para tratá-la em casa.
- Não. - Por favor.
Leia a resposta dele.
"Gina está em uma idade difícil, ela vai superar".
Ele pediu que as correspondências fossem guardadas.
Ele ofereceu uma doação para que permanecesse entre eles.
Gina?
Gina!
Seu filho da puta!
- Me deixe... - Seu filho da puta!
Filho da puta!
Filho da puta!
- Filho da puta! - Solte ele!
- Filho da puta! - Se afaste!
Filho da puta!
Chega.
Me segue no Xwitter: @SaarestoTati
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