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Original subtitles

Cadê ele?

Entrou pra cirurgia.

-Tava sangrando muito. -E já deu polícia?

Ferimento de bala, os médicos têm que reportar na hora.

Não.

E segurança? Já arrumou?

Esqueleto e Sombra. Estão vindo aí.

Dá pra confiar?

É meu irmão.

Dá.

Tá. Mas é pouco. Daqui a pouco a polícia chega,

capaz deles mesmos entregarem seu irmão de bandeja pro Búfalo.

Segura as pontas, deixa que eu resolvo.

-Fala, Marcão. -Fala, chefe.

Falei com o Emerson. O filho da puta tá por um fio, mano.

Ele não morreu ainda?

Tá vivo, mas tá fodido, meu irmão.

Então leva uma tesoura, porra.

Nem na bala dá pra matar esse arrombado?

Tá dando toda essa merda porque a gente veio cobrir a tua grana.

Puta que pariu.

Meu irmão,

o que o Jefferson aguentou de porrada e não quebrou,

não vai quebrar mais.

O coro aguenta.

-Cobre a porta. -Deixa comigo.

Quero ver quem vai ter cu pra entrar.

Paciente sem pulso.

Tamos perdendo ele, gente. Vamos!

Bora, partiu.

Filha da puta. É a PM, porra.

-Última forma, última forma. -Segura, segura, segura.

Caralho, filhos da puta.

Tira, tira, tira. Segura. Aborta, caralho.

Fala aí, chefe. Porra, a PM tá aqui.

A gente vai ter que arrumar um esquema agora.

Esquema?

Esquema de cu é rola, rapaz.

Vai chegar pra ele e vai falar assim: "Boa noite, tudo bom?

Meu chefe paga até a calcinha da tua amante, entendeu?

Então finge que eu não tô aqui."

Deixa eu ouvir. Bota essa porra no viva-voz.

Calma aí, meu patrão. A gente está na área do Galego, né, porra?

Vamos segurar.

Ele tem razão, vida.

Dá pra você sozinho fazer isso não.

Marcão, depois eu te ligo.

Vai de novo.

Afasta!

Voltou.

O que ele disse?

-Ele não respondeu. -Como não respondeu?

Mas assim que ele visualizar, eu te ligo.

Não é um convite pra jantar, putain, é o meu dinheiro que ele roubou.

-Atrasou. -Ninguém atrasa 15 milhões.

E você sabe disso.

Um dia pra esse garoto aparecer.

Depois, melhor se ele estiver morto.

Leila!

Ô, Leilinha!

Ô, Leila!

Achei que tu não fosse voltar mais.

De novo.

Bateu a ressaca, é?

Ressaca, Leila?

Porra, só se for de tanto trabalhar, né?

Pra te dar essa vida de rainha.

Aliás, que você merece, né, amor?

Ué, você tá brava?

Vem cá, porra.

A dona desse perfume barato não tá dando conta do recado, não, Galego?

Ô, Leila. Porra, de novo você com essas ideias de maluca?

Não tô te entendendo. Vem aqui, porra.

Ai, estou com gastrite, Galego. Me deixa.

E aí?

De novo essa merda, Leila?

Toma um remédio aí.

Acabou.

Arnaldo!

Ô, Arnaldo!

Arnaldo foi no mercado, Seu Galego.

-Eu vou lá comprar. -Não, não.

Sozinha tu não vai, não. O José te leva lá.

Leila!

Leila!

Cheio de ligação da Mirna no meu celular.

Alguma coisa aconteceu.

É? Com o Jorge, será?

Eu vou ver.

Manda preparar meu café.

Terminou. Graças a Deus.

Agora é esperar.

Vem cá.

Alguém aqui vai me dizer que cagada foi essa?

Vai, desembucha, caralho.

Pai, porra.

Casa-cofre.

-Casa-cofre? -É.

De quem?

Do Búfalo.

Cacete.

-Tava precisando da grana. -Puta que pariu, cara.

Mirna.

Fala, Mirna.

Então, já tem um tempo que eu tô discordando do Búfalo

em coisas da família.

Mesada, ele fica tentando me impedir de tocar meu negócio.

Mas tudo bem, isso é coisa nossa.

Mas essa noite vocês ficaram sabendo que tentaram matar o Profeta,

que trabalha pra ele.

E o motivo disso

é que a gente tá namorando.

E aí o Búfalo e a Suzana descobriram,

sabiam que eu tava puta pra caralho,

e ficaram com medo de talvez eu pleitear o Profeta…

Você tá acusando o Búfalo de tentar matar o Profeta, Mirna?

Tô.

O Búfalo armou tudo.

Deu a ordem pra ele ir no Recreio, naquele lugar que eu nunca nem ouvi falar.

Peraí, peraí. Uma coisa é quem tentou matar,

a outra é o motivo disso.

Você tem como provar isso que você tá falando,

que o motivo é esse mesmo?

Um dia o Búfalo está falando bem do Profeta pra quem quiser ouvir,

que ele aumentou o faturamento, e no outro dia manda matar?

O que mudou?

Espera um pouco, menina, você tá dizendo que o Búfalo vai matar o Profeta

porque vocês dois estão tendo um caso?

É isso? É isso?

-É mais do que isso. -Mais como?

Eu não sei como,

mas a Suzana

descobriu que a gente vai casar.

E aí o Búfalo viu que um cara que tem muito mais visão de negócio que ele

ia entrar pra família e pirou com a ideia de talvez perder o lugar.

Mas se você escondeu esse romance, ele não pode ter razão.

Eu não falei nada por causa dos meus problemas com a minha irmã.

-O Búfalo virou ela contra mim. -Peraí, Mirna.

Aqui não é lugar pra picuinha de família, não é? Por favor.

E o Búfalo não tá aqui pra se defender.

Não, e eu não vim aqui pra fazer fofoca também.

Eu vim aqui em nome do meu noivo

dizer que a gente não tá seguro com o Búfalo chefiando a família.

-Quem tem que estar aqui é o Profeta. -Peraí, Mirna.

Aí você se complica.

Uma hora você diz que não quer nada, outra hora você quer tudo.

Eles começaram, a gente não tem escolha.

Peraí, mas não é assim que as coisas acontecem.

"Quem tem que estar aqui é o Profeta." Não, não é assim. Shh.

Nós vamos precisar entender isso melhor.

Mas o Profeta tá lá no hospital.

Na mão da polícia que obedece a vocês.

Eu só tô pedindo pra polícia não se fingir de cega.

Bom, no que depender da gente,

a polícia vai fazer o trabalho que faria com qualquer outro.

Obrigada. Obrigada.

Eu não sei o que vocês acham, mas tá estranha essa história, não?

-Muito estranha. -Bem estranha.

Muito estranha.

Não falei?

Vaso ruim não quebra.

Caralho, hein, Jefferson.

Caralho, hein.

Nove milímetros, irmão.

Nove milímetros varou teu ombro.

Eu lembro.

Eu lembro também que eu te falei pra não me trazer pro hospital, né?

Agora tu sabe qual foi a minha resposta, né?

-Foda-se. -Ih, caralho.

Você explanou tudo.

Tua mulher tava aqui.

Saiu falando que ia conversar lá na Cúpula.

Tua mulher?

Eu não quero ninguém resolvendo meus problemas, caralho.

Não tem escolha, Profetinha.

Quase foi de arrasta, pô.

Vai ficar aqui um tempo.

Quanto tempo? Falaram?

Uma semana.

Nem fodendo.

Relaxa.

Tem eu e Sombra na atividade.

Porque o Nelinho não deu conta, pediu reforço.

Ô, viado.

Nelinho falou que vocês fizeram essa parada aí

pra recuperar a grana daquela merda.

Podia ter pedido ajuda, caralho.

Foi mal.

Foi mal a cagada toda aí.

Já tô vendendo os terrenos, já.

Tu pegou de agiota?

Só paga essa porra e esquece.

Por mim… É.

Mas o pai vai ficar puto com o segredinho de vocês.

-Vocês contaram pra ele também? -Claro. Tu estava no morre, não morre.

Puta que pariu.

O velho não saiu daqui de dentro, aquela porra daquele velho.

Tá puto.

Mas é o jeito dele de dizer que ficou preocupado.

Não fode, caralho.

Tomar tiro é do jogo, porra.

Podia ser qualquer um aqui no meu lugar.

Cadê meu celular?

É isso. Vou falar pra eles que eu conheci esse tal de Profeta,

que ele estava arrendando os pontos do Gerson.

Falou que era empresário.

-Uma porra assim. -"Uma porra assim", não.

Tem que soar firme. Dar detalhe.

Pra quando chegar na parte que a Mirna tá por trás de tudo, eles acreditarem.

Mas ela não tá, caralho?

Tá, Búfalo. Mas homem custa a acreditar que mulher é capaz disso.

Falar que estou tomando volta de mulher, não.

Ainda mais da tua irmã. Os caras vão achar que eu sou um merda.

Búfalo, olha só. Chamaram você aqui pra falar do Profeta.

É a chance de derrubar ela também, porra.

Eu vou entrar com você.

Vou te ajudar.

-Grande Búfalo Victor. -Marcinho.

E aí?

-Tudo certo? -Veio na coleira?

Trouxe na coleira pra passear.

Ô, Búfalo, tu está há pouco tempo com a gente,

mas tu sabe que aqui, quando o papo é sério, o papo é sério.

Não tem enrolação, não tem joguinho.

A Mirna tá te acusando de ter tentado matar o noivo dela

porque tu tá com medo de perder o lugar pra ele.

Procede?

-Que porra é essa? -Calma, campeão.

Não, calma o caralho.

Calma o caralho. Estão me acusando de quê?

Abaixa a bola, Búfalo. Abaixa a bola.

-A Mirna tá acusando. -Ah.

Ela também falou que ela mandou aquele playboy

me roubar lá na casa-cofre no Recreio?

Que casa-cofre?

Nossa, lá no Recreio, porra.

-Era pra esse arrombado ter morrido. -Peraí.

Ela disse que vocês nunca tiveram nada lá no Recreio.

Mas agora a gente tem.

Mas se ela não sabia, como ela mandou te roubar, porra?

A Suzana deu um jeito de falar com ela pra ela ficar sabendo que tinha casa…

Peraí. Essa conversa tá muito sem pé nem cabeça.

Tem mais. Tem mais.

Eles estão juntos não é de hoje, não.

Não é de hoje, não. Estão de armaçãozinha.

E estão tentando me foder.

Quer dizer que a Mirna e o Profeta faz tempo que estão juntos?

Estão, porra.

E quando é que você soube que eles tinham ficado noivos?

Noivo?

Tô sabendo que eles tavam noivos não, pô.

O que mais eles fizeram?

Esses filhos da puta estão tentando me foder.

Roubaram o meu anel, entendeu?

Teve o problema lá na casa de Angra, que vocês estão sabendo já.

Tentaram foder minhas ma…

Meus esquemas aí na pista.

Porra, o que a gente vai fazer? Não pode ficar assim, não, parceiro.

Alguém mais tá sabendo disso?

Não, tô contando agora pra vocês, pô.

Hum.

Sai.

Sai…

e só volta se a gente mandar.

Galego, será que a gente pode dar uma palavrinha?

Hoje, não.

Hoje, não.

Que susto você me deu, hein?

Não foi nada.

Me liguei rápido na merda e pulei fora.

Era pra eu ter desconfiado, cara.

Tá tudo certo, Mirna.

Esquece essa porra.

Você falou com a Cúpula?

Falei.

E eu tenho uma coisa meio bizarra, assim, pra te contar.

Primeiro eu queria dizer que…

eu não sei se ficou muito claro até agora,

mas eu não sou o tipo romântica louca.

Jura?

Juro.

Então não precisa bloquear meu número ou pedir medida restritiva, os caralhos,

mas eu disse que a gente tá noivo.

Como é que é?

É. Eu disse que o nosso love-love ameaçou o Búfalo

e fez ele armar uma emboscada.

Você fez isso porque você tava culpada?

-Porque se foi… -Você tá maluco, cara?

Era o único jeito de eles levarem a sério de a gente assumir

e forçar a polícia a não tomar lado.

E deu certo?

Eles estão lá conversando, né?

Mas ganhamos tempo.

Então quer dizer que Mirna Guerra quer colocar uma aliança no dedo?

Eu quero colocar uma coroa na cabeça.

Não é esse o combinado?

Cartório, igreja.

A gente vai morar junto?

Só sai daqui.

Depois a gente vê isso.

Se quiser, eu contrabandeio umas cervejas amanhã.

Que isso?

-Você tá maluco? Aqui? -Agora você não foge.

Eu não tô fugindo. Eu não consegui fa…

-Me solta! -Vai gritar?

-Me solta! -Aqui, vai gritar? Hã?

Você acha que o deputado tá tendo comigo a paciência que eu tô com você?

-Hum? -Ele levou um tiro, Laurent.

O Profeta levou um tiro, porra!

Onde está meu dinheiro?

-Não sei. Acho que roubaram. -Quem?

Não sei.

Não sei. Tem alguma coisa a ver com o Búfalo.

Se sumiu quando tava na mão do Profeta, a dívida é dele.

Se o dinheiro não tá com ele, a dívida é sua.

Entendido?

Tá. Sai!

E aí, meu amor? Viemos pra Angra pra ficar no sofá?

Não tá puto, não?

Vai socar alguma coisa?

Gritar com alguém? Xingar?

-Eu te fiz uma pergunta. -Porra!

Tô aqui sentado aqui refletindo, porra! Calma aí, cara!

Pô, tô puto comigo. Sei lá.

Tô com a cabeça fodida.

Por causa do negócio da Cúpula?

Tudo múmia.

Se acham pra caralho.

Fica…

Tomando olé de tua irmã novinha.

Se soubesse a raiva que eu tô deles.

Se pudesse eu arrebentava eles de porrada ali mesmo, Suzy.

Sabe como eu sou, né?

Mas não. Fico lá puxando o saco deles.

E meu irmão, meu parceiro, eu mando matar.

Tu acha que isso tá valendo a pena? Pra mim, não tá mais, não.

Como não tá valendo a pena, Búfalo? Quer perder tudo que a gente tem?

A Mirna vai vir pra cima da gente igual a um trator.

Meu amor, você não tem culpa pela morte do Tortuga.

Esse era o plano deles.

Roer a gente por dentro igual cupim.

A gente parar agora é dar um prêmio pra eles.

Quem decide essa porra não é a Cúpula? A gente vai fazer o quê?

Não vamos deixar o casamento deles acontecer.

Hum?

Eles não falaram que a gente não podia tentar.

-Como ele tá? -Vivo.

Mas vai precisar ficar aqui um tempo.

Eu preciso ver ele. Sozinha.

Vem cá.

Você tem alguma coisa a ver com essa história de casa-cofre?

Casa-cofre?

Nélio, o Profeta precisa sair. Vai vir gente atrás dele.

Ah, por favor, Leila.

Faz tempo que você abandonou esse filho.

Como você está?

De saco cheio de ouvir essa pergunta.

Ah, é?

Eu posso perguntar sobre o dinheiro do Laurent.

Melhor?

Eu vou resolver, Leila. Tá?

-Assim que eu sair daqui. -Você nem conseguiu roubar a casa-cofre.

Foi a pirâmide, não foi?

Por que você não me falou nada?

-Você não mandou eu resolver? -Resolver!

-Não morrer. -Não posso falar nem que eu te conheço.

Por que vou te contar um problema meu?

Porque eu podia ter ajudado.

Porque eu estou me arriscando pra apostar em você, Jefferson.

Eu sei, Leila, tá? Eu sei.

E por isso que eu não falei nada também.

Pra não ver essa cara de decepção.

-Eu sei que você tá com vergonha. -E puto comigo mesmo.

Parece que eu tava dirigindo na contramão sem perceber.

-E não sou disso. -Tá cego por um problema que não é seu.

-Mas é da minha família. -Família não é ninho.

Família é prisão.

Aprende isso, Profeta.

Quem você acha que é seu aliado, é seu inimigo em potencial.

Se não fosse eles, eu não tava nem vivo.

Eles e a Mirna.

Ah, é verdade, então.

Vocês vão casar.

Pelo visto, é.

Era esse o seu plano?

Pra eu deixar de ser só um moleque de Campos sem pedigree?

O plano era te ver dentro.

Pra isso, você tem que estar vivo.

Vou levantar mais um dinheiro pra levar pro Laurent.

Não precisa.

Não é um francês puto que vai me assustar.

Não estou fazendo isso só por você.

Tu não está entendendo, José.

Ele vai me matar.

Eu mato ele antes.

Quem é o chefe de segurança do Galego?

Quem garante que ninguém encoste um pentelho nele?

-Você. -Porra, Leila.

Eu não sou homem de ser amante pro resto da vida.

Eu te falei isso.

E essa barriga aí só adianta tudo.

Você larga ele.

Ou tu não me ama?

Claro que eu te amo, José.

-Mas é loucura. -Não é.

É, sim.

Eu demorei pra entender, mas tu sabe muito mais do que eu.

O Galego não aceita perder nada, nem ninguém.

Tu quer mesmo entrar numa guerra contra um cara desse?

E tem outra opção?

Não, não, Leila, não.

Isso, não.

Então…

Então a gente foge.

Com que dinheiro, José?

Eu dou um jeito.

Somando todas as contas, tá dando mais ou menos 18 milhões.

Se você tirar 15, você meio que queima a tua reserva.

Dane-se. Chega em quantos dias?

Dias, não. Semanas.

Ou você quer Receita voando do seu pescoço?

Se vira, Verônica.

Dá seu jeito.

Te pago há 20 anos pra botar meu dinheiro lá fora.

-Quando quero de volta, não posso? -Me ensina mágica.

Porque em 20 anos, eu só aprendi contabilidade.

-Vamos mexer na ONG. -Hã?

O centro esportivo novo tá com caixa. Vai.

Não. Você já não sugou demais essa ONG, não?

Eu não tô entendendo por que tanta pressa.

-Mexer nessa Caixa de Pandora… -A gente vai tirar um milhão primeiro.

Um, não. Dois.

Dois já dá pra eu ir pagando quem eu tô devendo.

Posso te dar um conselho de amiga?

Não.

Você tem certeza? Isso é loucura, Búfalo.

Só faz, porra. Quero papinho não. Bora, porra.

Ok.

Vamos lá, pessoal.

Alô?

-Cadê o Profeta? -Tá chapado.

Tentou sair sem autorização e sedaram ele à força.

Saímos.

Entra, entra. Pra frente. Olha pra frente.

Entra.

Beleza.

-A gente tá onde? -Tamos indo pra casa. Relaxa.

-Caralho. -Segura, Délcio!

Porra!

Segura, porra!

Caralho!

Calma, Délcio. No meu sinal!

Agora!

Porra!

Caralho!

Tu não vai morrer, caralho. Eu te amo, porra.

Tá com pressa, Leila?

Não. Nem tinha te visto aí, Xavier.

Tô com a cabeça em outro lugar.

Tem a ver com o dinheiro que a Verônica tentou sacar da ONG?

O dinheiro é pra comprar umas vans pros passeios das crianças.

Ela errou nas contas, só isso.

Eu podia ter ido direto falar com o Galego.

Mas eu resolvi ser gentil e te dar uma chance de falar a verdade.

Falar a verdade?

Você quer saber qual é a verdade?

A verdade é que o Galego não quer mais saber de mim.

Não me procura mais.

Nem pra falar de negócio.

Nem pra dividir a cama.

Ele colocou outra no meu lugar. Essa é a verdade.

Aí você resolveu roubar meu irmão?

Roubar?

Isso é direito.

Eu não vou deixar outra abocanhar o que eu ajudei a construir.

O Galego jamais vai te deixar na mão.

A não ser que você dê motivo.

Estou desesperada, Delmira.

Já não sei mais o que fazer.

Não dá pra enganar o Galego?

A gente mal tá transando.

Nem sei se eu ia querer ter um filho dele também.

Você tava tão apaixonada antes. O que aconteceu?

Acho que eu tinha que correr tanto atrás das coisas

que aí quando o Galego Fernandez apareceu,

eu me senti segura.

Aí depois,

ele quer uma dona de casa

que fica tomando chifre e abaixando a cabeça pra ele.

-E o que você quer? -Quero ter minha vida, Delmira.

Quero estudar, quero trabalhar.

O José te dá isso?

O José pensa grande. Até demais.

Mas ele pensa comigo.

Ele me ama também.

Não quer que eu tire a criança de jeito nenhum.

Mas disse que a decisão final é minha.

Oi, Nelinho. Tudo bem?

Pega um lanchinho pra você e pro seu irmão também, tá?

Vai lá.

E você quer tirar a criança?

Não.

Mas eu tô com medo de fugir.

-De não conseguir. -Medo?

Agora você tá me dizendo que você tá com medo de viver um amor?

Dois amores.

Jefferson.

Tomei a liberdade.

Senta aí.

Brindar a esse teu casamento.

Obrigado, pai. Mas tô indo trabalhar.

Ah!

Quase morreu por causa desse teu trabalho aí.

Renasci das cinzas.

Mas arrastou toda a família pro incêndio.

Nem Moraes de verdade você é.

Você deve estar falando da porra de esquema de Bitcoins do Esqueleto, né?

Seu filho de verdade.

Ali começou a merda toda e você finge que não vê.

Não.

Começou quando tu saiu pilotando o ônibus sem dizer pra onde ia.

Você quer pilotar esse ônibus, pai?

Você se muda pro Rio de Janeiro.

Você toca os pontos, você faz do seu jeito.

Mas se você não quiser, me deixa trabalhar em paz.

Eu só quero estar um pouco mais informado.

Se não for pedir muito.

É essa filha do Jorge, né?

Tá querendo esquecer a família de Campos pra casar com a realeza do Rio.

Você sabe que eu nunca fui disso.

Olha aqui.

A gente briga, discute, bate boca,

mas nunca esqueça quem teve do teu lado o tempo todo.

Nunca!

Você pode ficar tranquilo, Seu Nélio.

Que isso eu nunca vou esquecer.

Quer dizer que Mirna Guerra quer colocar uma aliança no dedo?

Já vi esse filme.

Meu pai casou com a minha mãe, pegou os pontos da família dela

-e ela virou acessório. -Eu não vou fazer isso.

Oi.

Eu quero falar com o Galego, Mirna.

Não dá pra ficar esperando a Cúpula.

Tá. Eu vou arranjar um jeito.

E eu marquei o casamento no cartório sexta-feira.

Hum?

Que vontade de quebrar essa porra aí de jet ski.

Mirna gosta mais disso do que da própria família.

Sabe o que eu acho?

Que a gente vai esmagar esses dois e a gente vai voltar bem mais forte.

Pelo jeito, vai ser mais fácil do que a gente imagina.

Aqui quem tá mandando massagem pro papai agora.

Responde lá, meu amor. Responde.

-Tem alguma notícia do Laurent? -Como você está?

A Mirna conseguiu que o Galego me recebesse.

-Queria te avisar. -Não sei se é uma boa ideia, Profeta.

Você não tá entendendo, Leila. Eu preciso do apoio dele.

Não sei como, mas tenta não mentir pra ele.

Só cuidado, por favor.

Deixa comigo. Te aviso.

Vai pra Angra amanhã também, Dona Leila?

Dessa vez não, querido.

Vamos pra lá. Eu vou atrair ele.

Não precisa duvidar. Amanhã vai ter certeza.

Seu dinheiro tá vindo.

Mas eu trouxe umas joias pra adiantar.

Não, não.

Vocês pagam quando conseguirem.

Eu achei que o Jean-Luc ia pedir a minha cabeça,

mas ele compreendeu, deu prazo e mandou mais dinheiro.

Quer beber alguma coisa?

Eu realmente preciso voltar.

Não. Ei.

Quando fico pressionado,

perco a cabeça.

Me excedi.

Eu sei.

É muito dinheiro.

Nem tanto. Entra o plano B.

Un toast à la victoire.

O casamento, chèrie.

Já tá todo mundo sabendo.

É, Galego comentou comigo.

Mas eu não falei com o Profeta ainda.

Então fala.

Porque esse casamento muda tudo.

Com licença.

Obrigado por me receber.

Pegou aí, é?

Mas, se tá vivo, é porque tem alguém lá em cima te protegendo.

Eu quero saber quem e por quê.

Quero contar minha história, mas também queria te ouvir.

Minha primeira vez com uma lenda.

Lenda porra nenhuma, porque parece que eu morri.

E isso ainda vai demorar muito pra acontecer.

Mas quem tem que falar aqui é você.

Quer palestra, me contrata.

Eu acho que eu tô vivo porque era o justo mesmo, Galego.

Não tirei sangue de ninguém pro Búfalo querer tirar o meu.

Não tirou sangue, mas traiu o cara que apostou em você.

Essa é a versão dele.

Tu não estava pegando a cunhada que queria tomar o lugar dele?

Eu só fui saber disso muito depois.

Aprende uma coisa, rapaz,

que parece que essa nova geração do Bicho

criada com talquinho na bunda e diploma no exterior parece que esqueceu.

No nosso código, trair é pior que matar.

A gente não costuma se meter em assuntos de família, não.

Búfalo é casado com a Suzana.

Filha de Jorge Guerra.

Jorge Guerra.

Tu é o quê?

Noivo, namorado?

Só pra tu ver como tá difícil defender o teu, entendeu?

Eu acompanho vocês há muitos anos, Galego.

Hum.

Você, Jorge, Coelho.

Desde moleque, escuto meu pai contando as histórias

de como vocês botaram um império de pé.

Coisa fina mesmo.

Bastou eu trabalhar um tempo com o Búfalo pra ver.

Você sabe.

Ele é bem diferente de vocês.

Intempestivo, nervoso,

erra demais.

Tá falando mal dos outros agora, é?

Tu não acha que tu tá confiante demais pra quem tá chegando agora, não?

A gente fica confiante quando apanha muito e sobrevive.

Tô achando até que esse tiro aqui tá fazendo efeito.

Porra, eu nasci em Campos, Galego.

Eu trabalho desde os meus 15 anos.

Eu não tive talco na bunda e não falo inglês nem pra pedir café.

Por isso eu não tô pedindo o lugar do Búfalo assim.

Tu quer o quê?

-Que a gente não se meta? -Exato.

O Búfalo tem um exército.

Tu nem aliança tem.

Eu tenho o que você teve a vida inteira pra botar esse império de pé.

Garra, obstinação.

E o principal, cabeça.

Ai. Vamos. Vamos embora.

Agora é só nós três.

E esse, é bom?

Moleque do interior criado sem talco na bunda

tem tudo, tudo pra comer o cu do gladiador tratado a pão de ló.

Tá falando do…

Tal do Profeta.

Folgado, mas confiante.

Esperto.

Queria o quê?

Te pedir pra intervir?

Não.

Vai a seco, o rapaz. Você acredita?

Corajoso, né?

Maluco.

E eu gostei da atitude do rapaz, gostei.

Mas também não sei no que isso vai dar, não.

O que você acha?

Você volta?

Achei que você não tava mais interessada na minha presença.

Volta ou não volta, Galego?

Vai saber. Eu…

Eu não sou profeta pra saber o que vai acontecer, Leila.

O quê?

Fala mais devagar, Solange.

Como assim teve que dar o endereço?

Shh. Calma, calma.

Shh.

Shh, shh, shh.

Vai ficar tudo bem. Vai, vai sim.

Shh, shh, shh.

Papai voltou.

Não!

Zé!

Zé!

-Não! -O Galego não sabe dessa criança.

-Eu não tenho mais nada com o Galego! -Você é mulher dele, porra!

Isso é vingança, Xavier.

Não toca no meu filho.

Eu faço o que você quiser.

Você tem um dia

pra dar um jeito nessa criança e voltar pra casa do teu marido.

Se um dia você se esquecer do nosso trato

ou lembrar que teve esse filho,

eu acabo contigo.

E com ele também.

Entendeu?

O casamento é verdade.

Mas eu acho que não dá mais pra gente confiar no Profeta.

A gente espera ele pagar o que ele tá devendo

e diz que não tem mais negócio.

Acho que o deputado até vai gostar

-de ter esse tempo a mais. -Calma.

E se marcarmos um encontro meu com ele daqui a uns dias?

Um lugar afastado, pra não ter confusão.

Com o olho no olho, a gente se entende.

Você que manda.

Deixa.

Vai se trocar, eu faço isso aí.

Já te atrasei demais. Vai.

Tá nervoso?

Pra caralho.

Atende, porra.

Ela não vem, Jefferson?

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