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Cuidado.
Segura bem. Pode ser um peixe gigante.
Sê paciente.
- Picou. - Está a picar?
- Não sei. - Acho que sim.
Olha, mamã! Mais um!
- Mamã. - Ángela.
Não a ouves?
Não, desculpa. O que foi, querida?
Vamos contar os peixes.
Ena! Pescaram isto tudo?
- Sim. - Irati.
- Pescaram isto tudo? - Sim.
Acham que devíamos fazê-los no forno
ou no churrasco?
- Sim! - Churrasco!
Baixem as defensas.
- Mãe. - Um segundo, querida.
Vamos bater.
O que foi?
Falta uma defensa.
Ángela!
Vamos bater.
- Eu sei. - Vais ver.
- Bom dia, família. - Bom dia.
- Bom dia, meninas. - Bom dia.
E essa perna, Vicente?
Continua igual. A dar-me problemas.
- Um dia de cada vez. - Não está com boa cara.
Sim, fiquei enjoada.
Eu disse ao seu marido que não era um bom dia para sair.
Estamos com pressa.
- Desculpe. Não me calo. - Pronto.
Faça pressão aqui. Vai ajudar.
Obrigada.
Saiam, meninas.
Vão diretas para o banho e, quando saírem, vamos fazer os trabalhos de inglês, sim?
- Está bem. - Vão lá.
E esses enjoos?
- Gonzalo. - Gonzalo, o quê?
O que foi?
Contas coisas ao Vicente e a mim não?
- Não te queria incomodar. - Nunca queres.
Não lhe contei. Foi ele que reparou.
O que estás a dizer?
Que devia ter reparado?
- Não disse isso. - Pronto.
Porque ficaste enjoada?
Por estar a ler.
Para a próxima, conta essa parte ao Vicente, sim?
Dizes: "O meu marido trouxe-me à merda do paraíso e eu fiquei a ler."
- Nós ouvimos. - Um euro.
Disse um palavrão?
- Sim. - Nem reparei. Desculpem!
É que…
Vamos lá. Vou dar um euro a cada uma.
… o pior deste ano, até agora.
Faz hoje 100 dias que a jovem arquiteta Nekane Ortiz desapareceu.
Não há desenvolvimentos desde 23 de março,
quando o seu sapato foi encontrado na ria de Plentzia.
A sua mãe apela a qualquer pessoa
que possa ter informações que ajudem a perceber o que aconteceu…
Eu arrumo. Vai deitar-te.
Como queiras.
Desculpa.
Não faz mal.
Pronto.
Peguem nas mochilas.
Vamos. Já chegaram todos.
Vamos lá.
Estamos atrasadas.
Deem-me um beijinho.
- Adeus, mamã. - Adeus.
Ángela, espera aí.
- Preciso de saber que estás bem. - Estou bem.
Estou muito bem, Esther.
Porque não atendes as chamadas?
Ángela, já te disse que não fiz queixa do Gonzalo.
Deixa-nos em paz.
Bego?
Bego.
Estou aqui, no escritório do Gonzalo.
- Bego. - Sim?
Tenha cuidado com as coisas dele. No outro dia mudou algo de sítio.
- Peço desculpa. Sabe que tenho cuidado… - Eu sei.
Limpe as janelas, se conseguir.
Limpei-as na semana passada.
- Já sabe como ele é. - Vou limpá-las já a seguir.
- Vou trocar de roupa. - Até já.
AS CRÓNICAS DA CIDADE PERDIDA
Vamos ser amigos.
- A Maribel também. - É boa companhia.
É bem-comportado.
Vamos dar passeios…
És muito lindo.
- És tão bonito! - Olhe quem chegou.
- Olá, Maribel. - Olha!
- Olha quem está aqui! - Olá.
- Olá, mãe. - Olá.
Puseram-lhe um chip com o meu nome.
Claro. Ele é teu.
Isso mesmo. É todo meu.
Também me puseram um chip no hospital, não foi?
- A ti também? - Claro.
Estão a observar-nos.
Anda!
Muito bem!
Anda cá.
- Dá a patinha. Muito bem. - Muito bem.
Obrigada.
Olá, meu amigo.
- Muito bem. - Vá passeá-lo.
- Deu-me a pata. - Sim.
Ela parece bem hoje.
Sim.
Está contente.
Espero que a ajude.
Li que os cães os ajudam a estar presentes e que são bons para a autoestima.
Vai ajudar-nos a esticar as pernas.
Devia trazer cá as suas meninas.
O Gonzalo não quer que a vejam assim.
Sim, eu sei.
Tens o pau?
Pincelas só nas pontas.
Assim, a cola não se espalha por todo o lado.
Podemos ir brincar?
Que esperta…
Vá, vão lá.
Boa! Vamos!
- Olá. - Olá.
Olha o que fizeram no colégio.
Ficou fantástico.
Estou só a dar os retoques finais.
Está bem.
Esta merda continua partida?
O que foi?
Deram-me cabo do carro.
Amolgaram o capô.
Uns cabrões de Barrika.
Viram-me e fugiram.
Podem fugir à vontade. É claro a quem pertence os terrenos.
Papá!
Meninas.
Viste a maquete?
Sim, ele gostou muito.
Estou só um pouco chateado.
Tenho de despedir duas pessoas.
Para vos poder contratar.
Suas pequenas arquitetas!
Que bom…
- Achas? - Sim.
- Gostas? - Sim.
O que foi?
Então?
Estás a mentir.
O quê?
Não vamos foder por teres pena.
Ter pena? Mas apetece-me.
Quero que as coisas voltem a ser como eram dantes.
Mas, se mentires, não dá.
Estou a tentar, sim?
Não sei o que te dizer.
Não fui eu, Gonzalo.
Não. Foi uma denúncia anónima.
- Não fui eu. - Não importa.
Importa, sim.
Não importa.
Importa. Não fiz queixa de ti.
- Deixa estar. - Pedi para retirarem a queixa.
- Deixa estar. - E defendi-te.
Já chega!
Se as acordares, vamos ter problemas.
Já chega.
Isto não faz sentido.
Claro que não.
Nada do que andas a fazer faz sentido.
Vou mostrar-te a planta.
O que achas? Tem potencial, certo?
Vai ficar ótimo.
Que aconteceu à Nekane Ortiz?
- Não trabalhava convosco? - Sim.
Não fazemos ideia.
Diz-me. O que farias?
Removerias a divisória para deixar o espaço amplo?
Depende.
- São paredes-mestras? - Não, não são.
Eu removeria as paredes para ampliar a sala
e abriria espaço até ao teto.
Faria um segundo andar. Ficaria fantástico.
Já está a trabalhar.
- Quando podes começar? - Eu? Não.
- Porque não? - Não posso.
Não trabalho há anos e as meninas ainda são pequenas.
Ángela, por favor. Arranjas uma ama.
- Está na hora. - Temos a Bego.
Não te preocupes.
Nem tens de pensar muito.
Basta copiares a tua casa.
Amor, quem tem a casa mais bonita de Mungia?
O Gonzalo e a Ángela. Porquê?
Quero que a Ángela faça o mesmo à nossa.
- A sério? - Sim.
Foi um trabalho de equipa.
Não te menosprezes, amor.
Ela fez tudo. Eu só cumpri ordens.
Está resolvido.
Vou enviar-te as plantas.
Não aceitei nada.
E então? Já te convenceu.
Papá, o Luca pode dormir lá em casa?
Depende do beijo que me deres.
Mais força!
Sim, pode dormir lá.
Desde que a mãe não se importe.
- Claro. - Sim?
- Nós avisamos o colégio. - Sim.
Ele pode ficar.
Boa!
Vamos brindar à renovação.
- Sim. - Olé!
Temos muita sorte com esta casa.
Fizeste um ótimo trabalho.
O canto não está entalado.
Desculpa.
A casa mais bonita de Mungia.
Que história é essa da renovação?
É…
Não é nada, Gonzalo.
São parvoíces da Laura.
Não vou fazer isso.
- Não vais? - Não.
Porquê?
Porque não.
As pizzas já chegaram?
Fiz-te uma pergunta.
Porque não? Esta casa ficou linda.
E a decoração é fantástica.
Tenho de ir tratar das meninas.
Não, não tens.
Estão a comer pizza e a ver um filme.
- Vou ver se precisam de algo. - Então?
Não confias em mim?
Não é isso.
Então, é outra coisa?
Prometi-lhes pipocas.
- Pipocas? - Sim.
Vou descer, está bem?
Gonzalo!
- Por favor. - Vamos ver se percebo, Ángela.
Por favor.
O que vai nessa cabecinha?
Gonzalo.
Não percebes? Não podes ter tudo.
A tua mãe não te ensinou?
Devia contar à tua mãe. Ela é igual a ti.
Não consigo respirar.
- Estás a sufocar? - Sim.
Se voltar a acontecer, o que fazemos?
Se voltar a acontecer, o que fazemos? Diz-me.
- Por favor. - Diz-me.
Desculpa.
Por favor.
- O que fazemos se voltar a acontecer? - Desculpa.
Fizeram merda no edifício de Karrantza.
Vou a Madrid falar com o cliente.
Volto amanhã, está bem?
Vá, meninos, senão chegam atrasados.
- Adeus. - Adeus.
Vamos.
- Adeus. - Adeus, meu amor.
Vá, entrem.
Estou?
Sim, sou eu.
Agora? Sim.
Dê-me dez minutos. Está bem.
Bom dia.
Peço desculpa.
Não estou com pressa.
São para ti.
Não são minhas. São de um tal Gonzalo.
É o meu marido.
Temia que sim.
Tenho de assinar?
Não, era só isso. Vou andando.
Ótimo.
Nada?
- Nada? - Não te lembras de mim?
Edu?
Eduardo Silva?
- Eduardo Silva… - Não acredito.
Nem um pouco?
- Nem um pouco. - Sou de Plentzia.
- A sério? - Então, Angie?
Não me chamavam isso desde os tempos da escola.
Quem és tu?
Não te preocupes. Eras uma deusa e eu era um palerma.
Estás ótima, Angie. Fico feliz por te ver.
Fico feliz por ver que tudo te correu bem. Belo carro e bela casa.
- Desculpa, tenho de atender. - Claro.
- Obrigada. - Adeus, Angie.
Estou?
Sim, já as recebi.
Sim, sabes que gosto muito.
Sim, Gonzalo, vou pô-las em água.
- Adeus, Angie. - Adeus.
Está bem. Falamos mais logo.
OLÁ, ANGIE. É O EDU.
OLÁ.
DESCULPA, NÃO RESISTI A GUARDAR O TEU NÚMERO.
ESTÁS SURPREENDIDA?
MUITO.
TENHO O NÚMERO DA ANGIE!
O QUE ESTÁS A FAZER?
ESTOU A FAZER O ALMOÇO.
E A SEGUIR?
TAMBÉM PENSEI EM IR CORRER.
ONDE NOS ENCONTRAMOS?
ENTENDIDO. ESTIQUEI-ME UM POUCO. DESCULPA.
Olá, amor. As coisas complicaram-se em Madrid e preciso de ficar mais um dia.
Desculpa.
Olha…
Eu sei que fiz asneira.
Talvez tenhas razão. Devia procurar ajuda.
Vamos ficar bem.
Sabes o que devíamos fazer? Passar um fim de semana fora só os dois.
Tenho saudades tuas.
Um beijo enorme. Até logo.
ANGIE, CONTINUO A PENSAR EM TI.
NÃO ESTOU A CHATEAR, POIS NÃO, ÁNGELA?
NÃO, NÃO ESTÁS A CHATEAR-ME.
FOSTE CORRER?
SOZINHO? NUNCA. NÃO ME DIGAS QUE FOSTE SEM MIM!
FUI!
HÁ QUANTO TEMPO NÃO VAIS A PLENTZIA?
Laura.
- Como estás, linda? - Olá.
Devia ter-te ligado mais cedo para dizer que não posso fazer a renovação.
Não te preocupes. O Gonzalo disse-me.
- Disse? - Sim. Compreendo perfeitamente.
Também passei por um período difícil.
Um período difícil?
Quando voltei ao trabalho depois de ser mãe.
Andava muito ansiosa. Cheguei a ter de ir às urgências.
Lamento muito.
Ángela, quero que saibas
que tens um grande homem ao teu lado, as tuas filhas e todos nós.
Ángela?
- Desculpa. - Estamos aqui por ti.
Deixa as meninas comigo para descansares.
As meninas estão bem, e eu também. A sério.
Ángela, estou a dever-te uma.
Já disse ao Luca.
Vou pensar nisso e depois digo-te.
Obrigada.
Espera.
Então, Angie? Já te arrependeste de vir?
Sim, um pouco.
Dá-me um segundo.
- Jogamos amanhã. - Combinado.
É filho de um amigo.
- Vamos dar uma volta? - Claro.
Tantas memórias.
Uma noite, um amigo disse-me: "Vamos até à ria."
Eram duas ou três da manhã.
Levámos bebidas, uns charros e parecíamos uns reis.
De repente, ele diz: "Os meus sapatos estão a molhar-se."
Começou a entrar água.
Juro. Tivemos de voltar a nado. Estava um frio de rachar!
Foi um desastre. Parecia o Titanic. Juro.
- Quem era o teu professor favorito? - Não sei.
O meu era o Luis. Dava Literatura.
O Luis. Claro.
- Era um tipo fantástico. - Sim.
Pois é, o Luis. Eu não ia muito às aulas.
- Andavas por aí a portar-te mal. - Sim.
E tu? Eras uma santa?
- Receio que sim. - Claro. Isso pensas tu.
- Era mesmo. - Alguma deves ter feito.
Fumar, ser baldas, enrolar-te com um professor…
- Ouvi os boatos sobre ti e o Luis… - O quê?
Ele tinha uns mil anos. Que parvoíce. Não.
Esta terra não é assim tão má.
Não sentes saudades?
Não, nem por isso.
Nem um pouco?
Não.
Eu sinto.
Bastante.
Porque saíste de cá?
Pela minha irmã.
Precisava de um lugar mais confortável.
Porquê?
Foi atropelada quando era pequena.
- Lamento. - Não te preocupes. Está tudo bem.
Como se chama?
Chama-se Rosa.
Anda, eu pago-te um copo.
Lembro-me de um sítio. Era o meu favorito.
- Vamos. - Se o encontrar.
Sim?
Não reconheço metade da vila. Isto não estava aqui.
Deve ser aqui. Não te vais arrepender. Vou levar-te ao melhor sítio.
- É o melhor. Vais ver. - Veremos.
É aqui. Tem de ser. Vamos lá ver.
- Não… - Então?
O que foi?
Não está aqui.
Não é aquele?
Era, mas já não existe.
- É antigo. Tens a certeza? - Não te lembras do El Coldo?
Pois é. O teu plano era vir ao El Coldo?
- O meu e o de todos. Era o melhor bar. - Tens razão.
Eu costumava beber na rua.
Já sei.
Sei onde podemos ir.
- É perto. Dez minutos de mota. - De mota, não.
Vá lá. Antes que chova.
- Dez minutos? - Oito e meio comigo.
- Sim? - Está bem.
- Ótimo. - Dá-me um segundo.
Olá, é só para dizer que as meninas estão em casa da Laura
e que vou ao cinema, caso ligues e eu não atenda.
Ligo mais logo.
Não é incrível?
- É fantástico! Vives aqui? - Quem me dera.
É de um amigo. Um tipo francês. Venho cá ver se está tudo bem.
Sabia que ias gostar.
O que foi?
Estás linda.
- Sim, claro. - É verdade.
Vou mostrar-te a casa antes que escureça.
O meu amigo é forreta. Só paga a luz em julho e agosto.
- Só vem cá no verão? - Sim.
Deixo as chaves escondidas aqui.
Aqui estão elas.
Fazes isso há muito tempo?
Entregar flores? Há cerca de um ano.
Porra… Já passou um ano?
- Gostas? - É incrível.
Tens de experimentar. É o trabalho de uma vida. Adoro.
Pronto, já vi que estás a brincar.
Adoro ter de levar flores aqui e acolá.
Não gosto. Sinceramente, detesto.
Mas é melhor do que entregar pizzas.
- Não sei. - É bom.
Sim, é bom.
Às flores.
- Há uma coisa de que gosto no trabalho. - O quê?
Não posso dizer.
- Vá lá. - Não posso. Não é muito profissional.
- Não posso. Desculpa. - Então, não digas.
Como assim? Devias insistir um pouco.
Vá lá.
Diz-me, por favor.
Adoro ler os cartões.
- Os cartões? - Os que vêm com os ramos.
Adoro lê-los. Não consigo evitar.
Tens noção das piroseiras que dizem?
Dá-me vontade de rasgá-los depois de os ler.
As pessoas batem mal.
Só escrevem lamechices.
- Rasgar os cartões seria um favor. - Leste o meu?
Não.
Não.
- Leste ou não? - Não.
Está bem.
- Não li. - Eu acredito em ti.
Seria incapaz.
Lamento, meu amor.
Foi um erro.
Juro que não voltará a acontecer.
Amo-te mais do que tudo.
- Algo assim? - Algo assim.
- Imagino que diria isso. - Imaginas?
Porque dizes isso?
Vi esse pescoço, Ángela.
É por isso.
- Quero ir embora. - Espera.
- Estou a meter o bedelho. - Pois.
- Vamos beber o nosso vinho. - Sim, estás meter a bedelho.
Eu levo-te a casa. Acaba o vinho.
Achas que sabes quem sou
ou quem é o Gonzalo por termos estudado juntos?
Sabes o que fez por mim ou a dor que lhe causei?
A dor que causaste?
- Sim. - A sério?
O Gonzalo salvou-me a mim e às meninas. Salvou-nos às três.
Mas olha o teu pescoço, Ángela. Olha para isso.
Ele só faz isto às vezes.
E também lhe custa.
Vamos?
Ouve. Se somares três, com quantos ficas?
Não, querida. Se copiares, não aprendes. Vá lá, pensa.
Tu sabes.
Esta é fácil.
O que se passa?
- Nada. - Nada.
De certeza?
Mostra lá.
Vês como sabes?
Não, este cão não fala inglês.
- O do Luca fala. - O do Luca dá a pata?
- Não. - Pronto. Tu dás a pata, não dás?
És tão lindo. Muito bem, Maya.
Não tens medo. Tu também não.
Ela parece diferente hoje.
Elas deixam-na contente.
Dá a patinha.
Venham, meninas. Está na hora do lanche.
- Vamos. - Sim!
Há frutos secos.
- Quem quer uma maçã? - Não.
- Merda! - Estás bem?
Sim. Sou uma trapalhona.
- O que aconteceu? - Queimei-me no tubo de escape.
- Desculpa. - Ora essa.
- Sou uma trapalhona. - Vamos pôr água.
- Estou bem. - Não te preocupes.
Vamos lá. Vai arder, mas vai ajudar.
- Está bom. - Sim? Ajudou?
- Já passou. - Ainda bem.
- Estás pronta? - Claro.
Vamos.
- Bom dia. - Olá.
Eu levo a mochila.
- Vais adorar este lugar. - É fantástico.
- Por aqui? - Sim.
Que tal? É fantástico, não é?
Sim.
Adoro vir aqui.
É lindo.
O que estás a fazer?
- Experimenta. - Estás doido? Fico com frio só de te ver.
Vamos?
- Estás louco. - Vá.
- Nem pensar. - Está um bom dia.
Mas…
Estás a brincar.
Aonde vais?
Edu!
Anda! Está boa!
- Vá lá. - Nem pensar.
Está frio!
Como consegues fazer isso?
O mar está tão louco como tu.
Não, não me toques.
É o Gonzalo.
Atende.
Estou?
Como estás?
Duas vezes?
Sim, tenho aqui duas chamadas.
Estava no supermercado e não ouvi, amor.
Como vão as coisas?
Vens para onde?
Sim.
Está bem.
- Chega daqui a meia hora. - Eu levo-te.
Tenho de ir.
Edu, depressa, por favor.
- Merda. A mota. - O quê?
- Onde está a mota? - O quê?
Cabrões…
- O que foi? - Mandaram a mota ao chão.
Não acredito. Foda-se.
- E agora? - Cabrões de merda!
- Como posso ajudar? - Tira a chave.
Filhos da puta.
O que posso fazer?
Não acredito. Estás a brincar!
Como assim? O que fazemos?
Podes calar-te um segundo?
- Desculpa. Vou ligar para a oficina. - Está tudo bem.
- Está tudo bem. - Vou ligar para a oficina.
Vou pedir para te darem boleia.
- Dar boleia? Não. - Vou ligar.
Não posso esperar. Tenho de ir.
- Tenho de ir. - Dá-me um segundo.
Não tenho tempo, Edu.
- Tenho de ir. - Cabrões! Merda!
O que se passa?
Não atendem.
Então, o que fazemos?
TeleTaxi. Faça favor.
Pare aqui.
- Aqui? - Sim.
Só um momento, por favor.
Continue.
Pare.
- Outra vez? - Sim. Aqui tem.
- Fique com o troco. - Obrigado.
Ángela?
Ángela?
Ángela?
Estás aí?
Estou a tomar banho. Vou sair agora.
- Já tomaste banho? - Sim.
Queres ir jantar fora?
Sim. Queres ir ao Ginza?
Japonês?
Sim, apetece-me.
Devíamos ligar à Bego para ela vir tomar conta das meninas.
Temos de ligar antes que ela faça planos.
- Está bem. - Sim?
O que queres comer?
Gosto de tudo aqui. O que quiseres.
Vou à casa de banho.
Olá, Edu.
Não sei o que aconteceu nestes últimos dias,
mas o Gonzalo quase me apanhou e a minha família é a prioridade.
Por favor, não me ligues nem mandes mensagem.
Desculpa.
APAGAR HISTÓRICO DE CHAMADAS
Estás linda.
Obrigada.
Pedimos o combinado de sashimi.
E saqué?
- Vou deitar-me, amor. - Subo já.
Tem calma.
Que fazes aqui?
Como posso explicar isto?
Tens de ir embora.
- Tens de deixar o Gonzalo. - Edu…
- Enviei mensagem. Tenho uma família. - Sim, mas ouve-me.
Não é isso. Não percebes que é perigoso?
Ele quer matar-te.
Contratou-me para o fazer.
- Que conversa é essa? - Ángela.
Não sou de Plentzia.
Não entrego flores. Não sabia que te chamavam Angie.
Ele é que me disse. A viagem foi só um álibi.
Não sei porque queres meter-me isso na cabeça.
Porque quereria matar-me?
Fizeste queixa dele. Ele nunca te perdoará.
- Deixa-me em paz. - Ángela, por favor.
Deixa-me em paz.
Ángela!
O Gonzalo vai atrás de ti.
Ángela?
Está tudo bem?
As minhas filhas desapareceram.
O que farás dois dias sem as meninas?
Irati? Maya?
Ana, viste as minhas filhas?
Não fiques sozinha.
Se ficares sozinha, matam-te.
Merda. Tenho de ir a Madrid amanhã.
Virias numa viagem comigo e com as meninas?
- O Gonzalo devolveu-te o lenço? - O lenço?
- Não me convences de que é um assassino. - Está bem.
Mas vê o telemóvel dele.
Podes ligar-me a qualquer hora.
Mataste a Nekane Ortiz?
- Confia em mim. - Não confio.
A mulher mais maravilhosa do mundo.
Disseste mesmo?
Amor, cometi um erro.
Aqui! Estou aqui!
- Não! - O telemóvel!
Merda!
- Não sei o que fazer. - Vai à Polícia.
Preciso que me perdoes.
- Quem és tu? - Como assim?
Legendas: André Bernardes
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