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Original subtitles

BOSTON, MASSACHUSETTS

Aos poucos, eu começo a empacotar o que eu sei, com certeza,

que não vou precisar mais para esse julgamento.

E, com sorte, a próxima vez que eu arrumar uma mala

será para guardar os ternos do tribunal

que espero nunca mais usar.

Estou sendo acusada de assassinar um policial de Boston.

Tem sido uma longa jornada, já está entrando no terceiro ano.

E só quero ir embora, ficar sozinha.

Não quero mais roupas de tribunal,

não quero mais especialistas. Só quero que acabe.

MISTÉRIO NA NEVE: O CASO KAREN READ

Poderia dizer seu nome e soletrar seu sobrenome?

Patrulheiro Joe Paul. P-A-U-L.

O patrulheiro Paul é especialista em reconstrução de acidentes

da Polícia Estadual de Massachusetts.

Ele desmontou parte do carro,

analisou alguns sistemas do computador de bordo

e fez uma análise do que aconteceu

com base nos registros armazenados

nos computadores do veículo.

Então, com base nesses dados, o veículo deu ré

por cerca de 5 segundos em linha reta

e atingiu uma velocidade máxima de 38,9 km/hora.

- Correto? - Correto.

De acordo com o que o patrulheiro Paul diz ter lido e analisado,

os dados do veículo naquela noite

mostram Karen colocando o carro em marcha à ré

e percorrendo 19 metros a uma velocidade de 0 a 39 km/h

antes de parar abruptamente.

Essa ação é a base do caso da acusação:

de 0 a 39 km/h em marcha a ré,

atingindo e matando John O'Keefe.

O veículo estava percorrendo, acelerando

de forma mais intensa quando...

Desculpem.

Só acrescentando que durante o interrogatório,

o patrulheiro Paul se mostrava uma testemunha muito nervosa.

O veículo acelerou rapidamente

antes de atingir o pedestre, John O'Keefe, na rua

e, posteriormente, deixá-lo no local.

Agora, especificamente nesse caso,

com relação à cinemática, que tipo de análise realizou?

Fiz uma análise cinemática no meu relatório.

A cinemática lida com os aspectos do movimento.

Então, nesse caso específico, o classifiquei

como um acidente de projeção frontal com impacto lateral.

E, nessa situação, ele teria sido atingido

mais pela lateral do veículo, perto da lanterna traseira,

que o lançou para a frente e para a esquerda,

de modo mais parecido com um impacto lateral.

A cabeça pode ter batido no chão.

Notei que no local havia um meio-fio de asfalto,

onde ele pode ter batido a cabeça

ou em algum ponto do pavimento e sofrido uma lesão.

Então foi a vez de Alan Jackson.

E a inquirição do patrulheiro Paul foi, na minha opinião,

devastadora para a acusação. Foi difícil de assistir.

Você tem algum diploma

na disciplina científica da matemática?

Não, senhor.

Tem algum diploma na disciplina científica da física?

- Não, senhor. - E em cinemática?

- Não. - Qual é o diploma mais alto

que possui?

- Tenho diploma de técnico. - Em quê?

Administração Judicial.

Alan Jackson fez o patrulheiro Paul

parecer inexperiente

na reconstrução de acidentes,

que talvez nem entendesse os próprios dados.

No meu relatório, digo que não posso afirmar com certeza

onde o pedestre foi atingido.

- "Posso afirmar?" - "Com certeza." Sim.

Precisa falar mais devagar e mais alto.

- Certo? - Certo.

Você disse que não pode afirmar com certeza

que houve um atropelamento de pedestre.

Eu me refiro aos dados existentes no Tech Stream.

Esses dados específicos, dentro desse intervalo de tempo.

Há algum indício de que ele tombou e rolou?

Não há indícios de que ele tombou ou rolou.

Com base na sua opinião de especialista,

acredita que ele foi lançado até cair onde foi encontrado?

Não foi o que eu disse.

Disse que não há indícios de que ele rolou.

Mas também não há indícios de que foi lançado pelo ar.

Exatamente!

Não é? Exatamente!

- Objeção. - Mantida.

O patrulheiro Paul apresentou a teoria de que John O'Keefe

foi atingido pelo carro no braço, foi jogado para trás

e caiu de cabeça no chão congelado,

causando muitas das lesões na cabeça.

Estou tentando descobrir isso há dois anos e meio.

Qual foi o ponto de impacto no corpo do John?

Foi a parte de trás da cabeça? "Não. Ele caiu para trás

e bateu a cabeça." Foi atingido na cabeça pelo carro?

Mas como?

Sem lesões no ombro. Sem lesões no torso.

Sem lesões nas costelas. Sem lesões nas costas.

- Correto? É isso mesmo? - Sim.

Sua teoria é que ele foi atingido no braço,

absorveu a maior parte do impacto da lanterna no braço,

ficou junto ao veículo tempo suficiente

para a lanterna quebrar, se estilhaçar.

Depois, as estrias marcaram o braço dele. As abrasões.

Aí ele fez uma pirueta, girou no sentido anti-horário

e voou perto de 9 metros até onde foi encontrado?

Sim, mas teria que ir um pouco mais rápido do que isso.

Pensei que você disse que ele bateu a cabeça no meio-fio.

Eu disse que é uma das possibilidades

quando se observa a rua.

À medida que ele gira no sentido anti-horário,

existe a possibilidade de que o meio-fio esteja ali.

- É só, meritíssima. - Certo.

Jurados, faremos um intervalo.

Então, a defesa chamou dois especialistas da empresa ARCCA,

especializada em reconstrução de acidentes

e que trabalha para o governo, para a NHL

e vários outros órgãos oficiais.

E que foram contratados pelo FBI para analisar esse caso.

Certo, Sr. Jackson. Quando estiver pronto.

- Obrigado, meritíssima. - Os caras entraram,

pareciam profissionais, possuíam diplomas avançados

em biomecânica, em física

e todas as áreas relacionadas à reconstrução de acidentes.

Por sua natureza, um impacto lateral tem uma força mínima,

como vemos entre veículos que apenas se encostam.

Se houver um impacto lateral entre um pedestre e um veículo,

haverá muito pouco dano ao pedestre.

Da mesma forma, haverá muito pouco movimento.

As avarias à lanterna traseira eram consistentes

ou inconsistentes com um impacto contra um braço?

Nossas conclusões foram que são inconsistentes por várias razões,

mas são inconsistentes com o impacto contra um braço.

Sim, senhor.

E eles disseram que não há como o impacto de um veículo

ter matado John O'Keefe.

Pelo que entendi, o Sr. O'Keefe tinha uma fratura no crânio,

na parte de trás da cabeça. E quisemos fazer uma avaliação

da interação com a parte de trás da cabeça.

Qual é a sua opinião ou conclusão quanto a se os danos à lanterna

foram causados por um impacto contra a cabeça de John O'Keefe?

Do ponto de vista dos danos, é inconsistente.

Mas se você não acredita que outra pessoa matou John O'Keefe

e depois posicionou o corpo dele lá, para incriminar Karen Read,

que é a conspiração alegada pela defesa,

se você não acredita nisso, então como John O'Keefe morreu?

Havia uma lanterna traseira quebrada

e um copo de coquetel quebrado encontrado ao lado dele.

Se John O'Keefe tivesse jogado um copo de coquetel

contra a lanterna, poderia tê-la quebrado e estilhaçado?

O cenário mais provável, com base nas provas do julgamento,

é que John estava em pé de lado, segurando o copo de coquetel

que levou do Waterfall.

Se você olhar para a traseira do Lexus de Karen,

há uma marca exatamente onde um homem de 1,85 metro estaria,

segurando um copo. Essa marca na traseira do Lexus

poderia ter sido feita quando o carro, a 39 km/h,

atingiu o copo que estava na mão de John.

Acho que o plástico da lanterna do Lexus o atingiu,

cortou e arranhou o braço dele ao contato.

Há fragmentos afiados dessa lanterna

que definitivamente poderiam ter causado aquelas lesões.

Depois de ser atingido, ele girou

e bateu com a cabeça no meio-fio ou no chão congelado,

onde sofreu aquele corte na parte de trás da cabeça.

Não, não!

A médica-legista é uma parte neutra

e foi quem realizou a autópsia de John O'Keefe.

E iam questioná-la sobre as lesões que John sofreu.

Fiz a autópsia do Sr. O'Keefe

e determinei que ele tinha ferimentos na cabeça,

além de sinais de hipotermia.

A combinação desses dois fatores foi a causa de sua morte.

A natureza da morte tem a ver com as circunstâncias

em que o Sr. O'Keefe sofreu os ferimentos.

E eu não tinha informações suficientes

para poder determinar

se os ferimentos foram acidentais ou não.

Por isso, a minha conclusão

foi que a modalidade da morte é indeterminada.

A modalidade da morte nesse caso

foi considerada indeterminada pela médica-legista.

Essa é a parte mais fundamental de uma acusação de homicídio.

E nem mesmo a própria perita do Estado pôde determinar isso.

Muito do que se ouviu da defesa foi: "Olhem as lesões de John.

Olhem para o braço dele e o que dizem ser mordidas de cachorro.

E lembrem que ele não tinha ossos quebrados

e pouquíssimas lesões abaixo da cintura."

Na minha opinião, as provas mais fortes da defesa

de que foi algo além de um atropelamento

são os ferimentos do John.

As lesões no braço que a senhora observou

seriam consistentes com arranhões causados por vidro,

plástico ou metal?

É possível.

E as lesões que observou

seriam consistentes com lesões que já viu

em outros casos de atropelamento de pedestres?

Não são as lesões clássicas

que observamos em vítimas de atropelamento.

Pessoas imparciais que analisam esses indícios

nem precisam se aprofundar,

só precisam olhar para os ferimentos dele e meu carro.

É evidente o que aconteceu e o que não aconteceu.

Mas o problema

é que os especialistas em reconstrução de acidentes

contratados pelo governo federal

não tinham todas as provas do caso.

Se o braço ou a cabeça do Sr. O'Keefe

tivesse interagido com a lanterna traseira,

haveria alguma expectativa de que houvesse sangue ou DNA

na lanterna traseira, correto?

Acredito que sim, como está no relatório.

E em algum momento, você foi informado

de que o DNA do Sr. O'Keefe

foi encontrado na lanterna traseira do veículo da ré?

Não.

Os promotores dizem que têm provas de DNA

que podem ajudar a provar o seu caso.

O DNA de John O'Keefe foi encontrado

na lanterna traseira quebrada.

O único fio de cabelo encontrado no SUV dela

também era dele.

Quando os especialistas em DNA depuseram,

Alan Jackson não demonstrou a mesma confiança

que geralmente demonstra fora do tribunal.

Quais são as suas opiniões ou conclusões

sobre a análise comparativa

entre a amostra da lanterna traseira do veículo

e o perfil de John O'Keefe?

"O perfil de DNA deste item

é pelo menos 510 nonilhões de vezes mais provável

de ter se originado de John O'Keefe

e duas pessoas desconhecidas do que ter se originado

de três pessoas desconhecidas e não relacionadas.

Isso apoia a inclusão."

A prova de DNA colocou partes do John

na traseira do carro da Karen,

no local onde o Estado afirma que ela o atingiu.

Havia DNA do John no copo quebrado ao lado dele.

Havia DNA do John na área da lanterna traseira do carro.

E havia um cabelo consistente com o dele

na traseira do Lexus de Karen Read,

perto da lanterna traseira.

A defesa tem duas respostas para isso.

Primeiro, o DNA de John O'Keefe estaria por todo o carro,

pois ele tinha um longo relacionamento com Karen Read.

E segundo, se o carro de Karen Read foi rebocado

por uma longa distância,

como um fio de cabelo ficaria grudado no veículo?

Parece estranho que um único fio de cabelo possa, de alguma forma,

se prender a um carro que depois é dirigido

por quase 100 km, indo e vindo, durante uma nevasca.

Quer me dizer que um fio de cabelo

ficou grudado no para-choque durante todo esse percurso?

Se perguntar à acusação,

houve uma grande nevasca naquela noite.

E a prova poderia ter ficado congelada no carro

enquanto era rebocado sob temperaturas congelantes.

Depois, uma vez que o carro estava no depósito da polícia

e todo o gelo e neve derreteram,

o DNA teria se revelado no veículo.

Eu não sou cientista. Nunca fiz um experimento

tentando preservar um fio de cabelo no gelo, então não sei.

Mas não está muito claro o que exatamente aconteceu.

Boa tarde. É um grande dia para o caso.

Não sabíamos se essa pessoa seria chamada,

mas hoje vimos o homem: Lucky, o motorista do limpa-neves

que limpou a entrada do nº 34 da Rua Fairview naquela manhã

e durante toda a noite, durante a nevasca.

Um dos aspectos mais óbvios desse caso

é que, se Karen Read atingiu John O'Keefe

à 0h31 do dia 29 de janeiro,

a partir dessa hora, o corpo dele estaria caído lá, certo?

Quer dizer, isso é óbvio.

Mas o motorista do caminhão limpa-neves

passou pelo local às 2h30 da manhã

e o testemunho dele foi devastador para a acusação.

O que você lembra daquele dia 28?

Havia a possibilidade de nevasca.

E recebemos um horário para começar.

Disseram para estarmos lá às 2h30 da manhã.

Brian Loughran dirigia o limpa-neves naquela noite

e foi, eu acho,

uma testemunha muito simpática para a defesa.

Temos dois faróis de neve

posicionados nos cantos do caminhão.

Ficam bem altos e iluminam muito bem.

Até que distância consegue enxergar para os lados,

à frente e diretamente à sua frente?

Consigo ver a uma distância bem grande,

provavelmente 1,5 metro, 3 metros.

Cinco metros à frente. Talvez até mais longe.

Conhece a residência dos Alberts na Rua Fairview?

Sim. Cresci em Canton. Sei onde eles moram.

E quando você passou por essa residência

pela primeira vez às 2h45 da manhã, com faróis acesos,

o que, se é que viu algo, havia no gramado em frente,

na área junto ao mastro da bandeira?

Não vi nada.

- Viu um corpo? - Não.

Ele confirmou que passou pelo local

e não havia um corpo lá às 2h30 da manhã.

E se não havia um corpo lá às 2h30 da manhã, o caso acabou.

LIBERTEM KAREN READ

As pessoas que apoiam Karen Read,

especialmente do lado de fora do tribunal,

nos disseram que acreditam que a história de Lucky

prova a teoria de que o corpo de John O'Keefe

não estava no gramado naquela noite,

quando todas as pessoas saíram da festa.

Obrigado.

Não sei o que pensar dele.

Parecia um homem muito simpático e gentil,

mas também ficou evidente

que a história dele mudou um pouco ao longo do tempo.

Mas quando depôs no julgamento, ele foi bem firme.

"Eu estava aqui nesse horário, depois aqui, depois aqui.

Não vi nenhum corpo naquele gramado."

Ele não mudou a história e pronto.

Estava preparado para o julgamento e inabalável.

Lucky mandou muito bem.

Quanto à forma como Lucky se saiu,

- foi melhor do que eu esperava. - Vou lhe dizer,

esse cara não vai precisar pagar bebida na cidade

- pelos próximos 6 meses. - Verdade.

É um herói local.

CENTRO DE OPERAÇÕES

O centro de operações está ficando meio deprimente.

Quase que moramos nessa sala nos últimos dois meses.

Está uma bagunça. Começamos no centro de operações,

aí ele virou um caos e nos mudamos para o refeitório.

Estão trabalhando nas alegações finais agora?

- Sim, estamos. - Ainda assumo a responsabilidade

de preencher os slides das testemunhas.

Só não fiz isso ainda.

As alegações finais em um caso como esse são um desafio.

Quando se tem tanta informação assim,

é preciso lidar com elas por partes.

E a única maneira de fazer isso é dividindo em seções.

"Enquanto me preparava para hoje, lembrei de uma citação

que fala sobre verdade."

Colocamos todos os subtítulos do encerramento em cartões

e depois os organizamos para ver o que podíamos cortar

ou reorganizar para dar ao Alan menos texto para falar.

"Escolha a dedo o investigador. Livre-se das provas,

do seu cachorro, destrua seus celulares,

entreviste as testemunhas juntas, garanta que o dono da casa

não seja perseguido porque é policial.

E o mais importante, culpe a namorada."

Se você for hábil o suficiente para apresentar os fatos,

não precisa massacrar os jurados com a sua interpretação deles.

Quero que pensem nisso antes que eu diga.

Que cheguem a essa conclusão sozinhos.

Esse é o poder de um bom encerramento.

"Façam justiça. Declarem Karen Read inocente."

Excelente. Você tem 1 minuto e meio de sobra.

E soltei a caneta. Menos de uma hora.

Você ajustou algumas coisas que eu gostei.

Está incrível, Alan. É uma peça de retórica fantástica.

- Você está pronto. - Legal.

Hoje teremos as alegações finais

e é o último dia que ficarei no tribunal.

Não tem mais "o que vem agora?", "qual testemunha vem agora?",

"o que vai perguntar a ela?".

Estou feliz que essa parte tenha acabado.

Senti uma sensação estranha quando acordei hoje,

estou acordada desde a 1h,

de que não sei onde vou dormir essa noite.

Posso estar sozinha e na prisão.

Sinto como se estivesse realmente em um sonho bizarro.

Esta manhã começa a apresentação das alegações finais

no julgamento de Karen Read,

a mulher acusada de matar o namorado,

o policial de Boston John O'Keefe.

O júri terá várias opções de escolha

durante as deliberações.

Ela foi acusada de homicídio doloso, de homicídio culposo,

de homicídio culposo utilizando veículo motorizado

sob efeito de álcool e acredito que em uma acusação menor,

pode ser condenada por dirigir intoxicada.

Acho que, durante as alegações finais,

contamos mais de 300 pessoas lá fora naquele dia.

Todas torcendo por Karen Read.

É o dia da Justiça!

Libertem Karen Read!

- Hoje é o dia. - É isso aí!

Agora chegamos à parte do julgamento

em que os advogados apresentam suas alegações finais para vocês.

Dei a cada um deles uma hora para isso

e ambos me pediram para dar um aviso de 5 minutos.

Então, agora ouviremos o Sr. Jackson.

Obrigado, meritíssima.

"Olhe para o outro lado. Olhe para o outro lado."

Cinco palavras que resumem todo o caso da promotoria.

Cinco palavras que resumem as esperanças

daqueles que tentaram enganar vocês.

Conflito de interesse? Não importa.

"Apenas olhe para o outro lado."

Ligações tardias e buscas no Google,

depoimentos falsificados? "Apenas olhe para o outro lado."

O argumento final de Alan Jackson foi memorável.

Ele é um artista de tribunal fenomenal,

um contador de histórias, que é parte do trabalho de um advogado,

especialmente de defesa.

A promotoria não consegue explicar os ferimentos de John O'Keefe,

não consegue explicar a lesão na cabeça.

Não consegue e nem tentou explicar

a ausência de ferimentos no corpo dele,

do pescoço para baixo.

- É isso aí, Jackson. - Nada.

Senhoras e senhores, Karen Read é inocente.

Façam justiça. Declarem-na inocente.

Foi eficaz e artístico. Achei que foi o clássico Alan Jackson.

"Eu bati nele. Eu bati nele. Eu bati nele. Eu bati nele."

Vocês ouviram o depoimento de quatro testemunhas diferentes

que escutaram e observaram essas declarações da ré

em 29 de janeiro de 2022.

Adam Lally não tem a mesma oratória que Alan Jackson.

Usou muita informação e não foi muito dinâmico.

Aos 17min56s, a ré passou pela Temple Beth Abraham.

Mais uma vez, vocês podem ver isso no vídeo.

- Sr. Lally, 5 minutos. - Sim, meritíssima.

Era possível ver que os jurados estavam perdendo o interesse.

Um deles passou o tempo todo segurando a cabeça com a mão.

Que eram pedaços microscópicos,

1,5 milímetro por 1,5 milímetro.

Tem um minuto, Sr. Lally. Conclua.

Sim, meritíssima.

A ré dirigiu o seu veículo em marcha a ré,

atingiu o Sr. O'Keefe,

causando ferimentos catastróficos na cabeça,

deixando-o incapacitado e congelando até a morte.

Sr. Lally, tenho que interrompê-lo.

Seu tempo acabou. Certo?

Eu, literalmente, só tenho mais uma frase.

Uma frase. Vou permitir.

Esses fatos e provas demonstram de maneira inegável

a culpa da ré nas acusações apresentadas

e peço que a considerem culpada.

- Obrigado. - Certo.

O mais humilhante é que Adam Lally ficou sem tempo

e a juíza o interrompeu. Não sei o que ele ia dizer no fim,

mas sei que, se quer apresentar um argumento convincente,

precisa garantir que a última coisa que diga

fique na mente da pessoa ou das pessoas

para quem você está falando. Infelizmente,

Adam Lally não conseguiu isso.

Jurados, agora darei a vocês instruções sobre a lei...

A composição do júri é de 6 mulheres e 6 homens.

E agora estamos apenas aguardando

e torcendo por um veredicto de inocência.

Como equipe, esperamos que as deliberações sejam rápidas.

Acho que levará algumas horas. Se demorar mais,

eles vão começar a se preocupar um pouco,

com a possibilidade de um júri indeciso.

Tudo o que podemos esperar de vocês

é que decidam o caso com integridade e princípios.

Para obter uma condenação, a promotoria precisa

que todos os 12 jurados concordem.

Para uma absolvição, precisamos que todos os 12 concordem.

Se houver um júri indeciso, o julgamento é anulado.

E a minha cliente, tecnicamente, ainda estará em risco.

Agora podem se retirar e deliberar o seu veredicto.

DELIBERAÇÕES 1º DIA

Libertem Karen Read!

Estou preparada para não dormir muito a partir de agora.

A parte mais difícil será quando tivermos que nos levantar

para ouvir o veredicto. Eu sabia que esse dia chegaria,

sempre soube, por dois anos e meio.

Mas agora chegamos ao fim de um longo capítulo.

Acabamos com a parte da advocacia. Agora, é a espera.

É o momento de aguardarmos que o júri volte

com um veredicto rápido e justo.

Quando o júri retornar,

o escrivão do tribunal irá nos contatar

e vamos correr ansiosos de volta para o tribunal.

Sinto que o veredicto virá se não hoje, amanhã.

Em um mundo ideal, pensamos: "Argumentos finais.

Teremos o veredicto até o fim do dia."

Sei que os apoiadores esperam uma resolução ainda hoje.

Mas nunca dá para saber.

Nunca se sabe o que 12 estranhos aleatórios estão pensando.

DELIBERAÇÕES 2º DIA

Acho que hoje será o último dia desse julgamento

e teremos um veredicto.

Continuo pensando nas provas.

Não consigo imaginar uma circunstância

em que 12 jurados digam que ela é culpada

de qualquer coisa nesse caso.

- Não. - Nada?

AO MEIO-DIA, O TRIBUNAL RECEBE UMA MENSAGEM DO JÚRI

TEMPO TOTAL GASTO EM DELIBERAÇÕES: 6 HORAS

Saiu o veredicto? Já sabemos?

- Sabe por que ela foi chamada? - Não, não sabemos o motivo.

Estamos torcendo por um veredicto bom.

Pelo veredicto correto.

Acabamos de saber que os jurados fizeram a primeira solicitação.

Pediram o Relatório de Busca do SERT.

A juíza disse que já receberam todas as provas disponíveis

e que não receberão nenhuma prova adicional nesse momento.

Se eu fosse especular quanto ao que eles procuram,

eu diria que querem um esclarecimento sobre o horário

em que o primeiro pedaço da lanterna foi encontrado.

Isso é bom. Significa que já passaram pelo dia 29 de janeiro

e agora analisam a noite do dia 29. Assim espero!

Karen, venha cá.

Eu sei.

Você consegue. É uma pessoa forte.

Os pensamentos que passam pela minha cabeça são tipo:

"Será que vou ao banheiro? Porque se eu for algemada,

não vou conseguir ir ao banheiro."

- E não abracei o meu pai hoje. - Isso não vai acontecer.

- Karen, é impressionante... - Isso não vai acontecer.

Que tenha levado tanto tempo para você desabar assim.

- Só demonstra sua força incrível. - As coisas que passam pela cabeça

- são malucas. - Isso não vai acontecer.

Eu sei, mas mesmo com só 5% de chance...

Droga! Não estou preparada para isso.

Não é fisicamente. É mentalmente, não fisicamente.

Vamos respirar um pouco.

Isso foi o que, nesse ramo, chamamos de falsa largada.

DELIBERAÇÕES 3º DIA

Assim como ontem, por favor,

permaneçam no prédio até as 10 horas.

Retornem às 15h30. Certo?

Todos de pé, por favor.

Ontem eu trouxe trabalho comigo,

pensando que, enquanto o júri estivesse deliberando,

eu poderia retornar algumas ligações,

organizar as minhas finanças, fazer algo produtivo.

Mas logo percebi que isso não aconteceria.

Não consigo me concentrar em mais nada.

Ninguém sabe ao certo quanto tempo ainda vai levar.

Os apoiadores de Karen Read esperavam um veredicto rápido.

A esperança deles de uma absolvição está diminuindo.

DELIBERAÇÕES 4º DIA

As deliberações continuam nesta manhã,

no 4º dia do julgamento

de um assassinato ou de um acobertamento.

Quanto mais tempo levar, se continuar por dias e dias,

obviamente significa que há um desacordo entre os jurados.

Isso é normal, mas também um pouco preocupante,

porque eu esperava um veredicto mais rápido.

AO MEIO-DIA, O TRIBUNAL RECEBE UMA MENSAGEM DO JÚRI

TEMPO GASTO EM DELIBERAÇÕES: 18 HORAS E 30 MINUTOS

Certo. Advogados, já estão cientes da nota do júri.

"Cara Juíza Cannone, escrevo para informá-la,

em nome do júri que, apesar da exaustiva revisão das provas

e de nossa diligente consideração de todas as provas contestadas,

não conseguimos chegar a um veredicto unânime."

Assinado pelo primeiro-jurado.

Este é o 4º dia de deliberações.

Ainda não estou pronta para concluir

que as deliberações foram suficientemente minuciosas.

O júri informou ao tribunal que chegou a um impasse.

O primeiro-jurado usou uma linguagem forte

ao afirmar que já revisaram exaustivamente as provas

e que não conseguem chegar a um consenso.

Os jurados parecem frustrados.

Eu observei essas pessoas por, sei lá, 8, 9, 10 semanas.

Já não sei mais o que podemos fazer.

Só quero ir para casa, jantar e beber alguma coisa.

Libertem Karen Read!

Durante as deliberações, descobrimos que os jurados

podiam ouvir gritos, cantos e protestos

daquele lado do prédio. Isso me enfureceu.

Um júri em deliberação não pode ouvir manifestações

a uma quadra de distância enquanto tenta tomar uma decisão.

É injusto.

Agora vou pedir ao primeiro-jurado

e aos membros do júri que retornem às deliberações.

Se o júri tivesse acreditado na teoria da conspiração,

teríamos um veredicto bem mais rápido.

Mas à medida que os dias passavam,

notamos que o júri estava analisando várias provas do caso.

E o meu pensamento foi: "Isso não parece bom

para uma absolvição total."

Depois de 4 dias de deliberação no julgamento de Karen Read,

ainda não temos um veredicto.

Ao meio-dia, o júri estava em um impasse,

mas a juíza ordenou que continuassem.

Eles podem chegar a um veredicto

ou, se informarem novamente à juíza que não há consenso,

ela dará uma instrução especial

para encorajá-los a chegar a uma decisão.

Está começando a parecer mais e mais a cada dia

que será um júri indeciso. Depois de 10 semanas,

o que mais eles ainda precisam analisar?

O que mais estão descobrindo?

É nisso que estou pensando agora em relação ao júri.

DELIBERAÇÕES 5º Dia

Lembram quando falávamos sobre prazos e timing?

Lembro de ter dito...

Alguém falou em julho e lembro de ter pensado:

"Se isso for até julho, todos nós vamos enlouquecer."

- E aqui estamos nós. - E aqui estamos nós.

Hoje será um dia importante. Tem muita gente no tribunal

e o boato é que hoje será o dia decisivo.

Não consigo enfatizar o suficiente

o quanto hoje parece diferente.

ÀS 14H15, OS ADVOGADOS SÃO CONVOCADOS AO TRIBUNAL

TEMPO TOTAL GASTO EM DELIBERAÇÕES:

26 HORAS E 30 MINUTOS

Eu sempre soube que teria que enfrentar esse veredicto.

Só espero que ninguém desmaie de ansiedade,

que os meus pais fiquem bem

e que, se for o pior resultado possível,

eu tenha forças para continuar lutando.

1º DE JULHO DE 2024

Sentem-se. O tribunal está em sessão.

22117, o Estado contra Karen Read.

Certo. O júri chegou a um impasse.

- Vamos trazê-los para cá. - Levantem-se para o júri.

A minha ansiedade está alta.

Estou tentando ser positiva sobre esse júri,

mas a minha vida está nas mãos deles.

Só quero saber o que vai acontecer comigo.

- É agora. - Certo, pessoal!

Estão trazendo o júri. Estão trazendo o júri!

Estão trazendo! Estão trazendo! Estão trazendo o júri!

Quieta!

Sr. Primeiro-jurado, recebi a sua nota.

"Juíza Cannone, apesar de nossos esforços rigorosos,

continuamos em um impasse."

"Nossas perspectivas sobre as provas

estão fortemente divididas. Alguns membros do júri

acreditam firmemente que elas superam o ônus da prova,

estabelecendo os elementos das acusações

além de qualquer dúvida razoável."

"Por outro lado, outros acreditam que as provas

não atendem a esse padrão e não estabelecem suficientemente

os elementos necessários para as acusações."

"Essa profunda divisão não se deve à falta de esforço

ou diligência, mas sim a uma sincera adesão

a nossos princípios individuais e convicções morais.

Continuar a deliberar seria inútil

e apenas nos forçaria a comprometer

essas crenças profundamente enraizadas."

Não vou fazer isso com vocês.

O seu serviço está concluído.

Estou declarando anulado o julgamento deste caso.

- Anulado. - Foi anulado!

Libertem Karen Read! Libertem Karen Read!

74 testemunhas, mais de 600 provas.

Tudo para terminar sem um verdadeiro desfecho

para nenhum dos envolvidos nesse caso.

Karen Read e seus advogados abraçaram a família dela

antes de sair do tribunal,

fazendo um breve pronunciamento aos repórteres do lado de fora.

Pessoal, isso é o que acontece quando se faz acusações falsas

contra uma pessoa inocente.

Não iremos parar de lutar.

Não vamos desistir.

Até logo, pessoal.

- Danem-se. - Danem-se.

Vendo como todo mundo reagiu,

o veredicto nos pegou de surpresa.

Sempre soubemos

que havia a possibilidade de anulação do julgamento.

Alguns de nós achavam que isso podia acontecer.

Mas foi um verdadeiro golpe, um grande impacto.

Minha primeira reação instintiva foi:

"A família terá que passar por tudo isso de novo."

Foi meu primeiro pensamento.

"Terão que enfrentar tudo de novo."

Não achamos que a anulação do julgamento seja justiça.

Acho que ninguém pensa assim. Na nossa visão,

justiça significa que Karen saia livre do tribunal,

sem enfrentar mais nenhuma acusação.

Viu que o pessoal do Morrissey anunciou que me julgarão de novo?

Sim. Mas você está bem, pai? A mãe está bem?

Não consigo imaginar o que isso está fazendo com os meus pais.

Acabei de sair daquele tribunal meio livre.

É melhor do que estar na prisão. Mas é insustentável.

É insustentável para mim, para os meus pais de 75 anos

e para todos que se preocupam comigo.

É muito difícil nos preparar mentalmente

para um julgamento anulado

porque com todo o trabalho que foi feito,

queremos um resultado diferente.

E estamos de volta à estaca zero.

Mas, apesar de tudo, estamos muito aliviados

por Karen ainda estar conosco. Ela não está presa

e estamos prontos para lutar de novo.

Parte de mim se sente bem, mas outra parte se sente no lixo.

Lutamos com tudo nesse caso.

E esse júri indeciso, para mim, não parece uma vitória.

É um sucesso, mas não é uma vitória.

Uma vitória seria a absolvição.

O que David e eu falamos na porta do tribunal não foi papo-furado.

Podem fazer o pior possível.

Mandem ver. Jamais conseguirão

uma condenação contra essa pessoa.

Não estou decepcionada. Sei que vocês acham que estou,

mas não estou. A minha cabeça só está girando.

- Eu entendo. - Mas, por três meses,

eu vivi esse inferno.

E só foi suportável porque vocês estiveram aqui comigo.

Sério, não quero ver vocês irem embora,

mas nunca ficarei decepcionada

e sou muito grata a vocês. Sempre foram...

Essa rotina que vivi, por mais miserável que tenha sido,

e foi como viver no purgatório,

consegui encontrar um conforto estranho

ao me cercar com este caso,

sinto que estou sempre lutando e isso me ajudou a sobreviver.

Mas agora estou perdendo isso. É uma sensação estranha.

Sim, com certeza. Não tenho para onde ir.

Estou com ela desde o primeiro dia,

com a minha crença na inocência dela.

Espero e acredito que, assim como estive aqui no primeiro dia,

estarei no último também, quando o caso for finalmente resolvido.

Não acho que algum dia saberemos com certeza

o que aconteceu naquela noite.

Acho que, se as acusações permanecerem iguais,

com homicídio doloso e homicídio culposo sendo as principais,

essa ferida em Canton continuará aberta,

sem nenhuma chance de cicatrizar

porque tudo será trazido à tona novamente.

A anulação do julgamento não fez ninguém querer recuar.

Agora, todas as partes acham que têm algo a provar.

Não vamos parar depois de ver o que a família O'Keefe passou.

Estou nessa até o fim e sei que Johnny lutaria por justiça

para qualquer um de nós. Então, vamos voltar

quantas vezes forem necessárias, pelo tempo que for preciso.

A promotoria do condado de Norfolk nos disse,

claramente, que o caso será julgado

quantas vezes forem necessárias até obtermos justiça.

E continuaremos avançando até conseguir isso.

Em algum momento, de alguma forma,

eu acredito que todos receberão exatamente o que merecem.

É tudo o que posso esperar.

Acabei de voltar para casa, depois de quase 3 meses longe.

E é muito tranquilo. Eu me sinto segura.

Seria uma tarde agradável para simplesmente relaxar

e aproveitar o silêncio. Mas isso é temporário,

porque o Estado ainda está atrás de mim, como já anunciaram.

Posso respirar por um minuto, sentar ao sol, mergulhar no lago,

mas depois teremos que voltar à luta.

A luta vai continuar.

O SEGUNDO JULGAMENTO DE KAREN READ

ESTÁ MARCADO PARA ABRIL DE 2025

UM NOVO PROMOTOR FOI DESIGNADO PARA O CASO

O PATRULHEIRO MICHAEL PROCTOR FOI SUSPENSO EM 2024

NENHUM DETALHE FOI DIVULGADO SOBRE A INVESTIGAÇÃO FEDERAL

A FAMÍLIA O'KEEFE ENTROU COM UM PROCESSO CIVIL

CONTRA KAREN READ

O CASO ESTÁ PENDENTE

NINGUÉM ALÉM DE KAREN READ FOI ACUSADO

EM CONEXÃO COM A MORTE DE JOHN O'KEEFE

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