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O primeiro...
E o segundo.
S�o iguais.
Jamais.
- S�o. - Os dois s�o chantilis.
- Pois bem! - Mas...
- Mas? - ...este � de a��car de confeiteiro.
- E este? - A��car granulado.
- Eles s�o iguais. - N�o.
- Antonin! - Antonin.
- Estou cozinhando! - Oi, Henriette.
Oi.
- Preciso do meu filho emprestado. - Sem problemas.
Temos uma noite movimentada.
Uns 50 soldados bonapartistas v�m jantar.
N�o os suporto! Vou matar um!
Quer que os envenene?
Eu adoraria, mas seria ruim para os neg�cios.
Antonin, ao trabalho!
Servi�o, por favor!
Cuidado! Est� quente!
Est�o com sede.
Que bebam a pr�pria urina.
Qual o seu problema?
Est� cozido demais. Veja. Se n�o consegue ver, saia.
- Volte aos seus bolos, me deixe quieto. - Nada de sair.
Ningu�m exige perfei��o, muito menos eles.
- Me ensinou a ser exigente. - E a ter paci�ncia!
- Fa�o um assado mil vezes melhor. - Calma.
Bonaparte!
Escute.
Esses idiotas celebram um covarde que atirou no povo.
B�bados, n�o sabem distinguir linguado de presunto.
V� fazer baba ao rum.
- Para se engasgarem? - Nada bom para os neg�cios.
- � uma ideia boa? - N�o.
Voc�s t�m gelo?
Toalha!
Pronto.
Por favor, ajude-o!
� Bonaparte!
Por favor!
Vire-o.
Obrigada.
O que � isso?
Espinheiro e t�lia esmagados.
Espinheiro dilata as veias. T�lia regula o sistema nervoso.
- � m�dico? - Cozinheiro.
- Conhe�o ingredientes. Repita mais tarde. - Obrigada.
Cozinheiro, seu nome?
Car�me.
Marie-Antoine.
N�o � preciso pedir que mantenha em segredo,
Car�me?
N�o � preciso.
Vida longa a Bonaparte!
Eu brindo ao primeiro c�nsul!
Soldados!
� o seu primeiro c�nsul falando!
Sua garota suja!
� garota safada!
Peguem-no!
BASEADA NO LIVRO DE IAN KELLY
ADAPTA��O | REVIS�O | SINCRONIA: QUER SE JUNTAR A N�S? | loschulosteam@gmail.com
CONFEITARIA
Ent�o?
Sinceramente? Vai ser dif�cil de vender.
Ent�o n�o venda!
N�o sei se voc� entende o conceito de neg�cio.
Pelo contr�rio!
Isso chama a aten��o.
Vai atrair clientes.
Lembre-se: O que importa � mais o sabor do que a apar�ncia.
N�o, jamais.
Existem cinco belas-artes:
a pintura, a escultura, a poesia, a m�sica
e...
a arquitetura.
Cujo ramo principal � a confeitaria. J� devia saber disso, pai.
Car�me Marie-Antoine...
O primeiro c�nsul Bonaparte te escolheu para trabalhar nas Tulherias.
Venha comigo.
Obrigado.
Mas n�o, obrigado.
Perd�o?
Recuso a oferta.
Eu trabalho aqui.
Mas talvez...
poderia dar isso ao seu chefe.
Tem certeza?
Sim, tenho.
Um bom dia, monsieur.
Voc� pode me explicar?
� pela noite passada.
Salvei a vida de Bonaparte.
N�o sei o que me deu. Deveria t�-lo deixado morrer.
Aceite a oferta.
Uma oportunidade �nica.
- N�o perten�o �quele lugar. - � o exato lugar a que pertence.
Escute-me.
S� quem nunca viu a fome pode apreciar sua culin�ria.
Os famintos n�o podem se dar a esse luxo.
Quer que eu trabalhe para o idiota que matou sua filha?
Que se torne um grande cozinheiro.
E se tiver que ir �s Tulherias para tal, v�.
N�o.
Aceite.
Imposs�vel. Voc� me conhece.
Quer provar?
� muito forte.
O que h� nisso?
�lcool, a�afr�o, �pio.
Voc� bebe isso todo dia.
E para que serve?
Acalma a dor.
Arrepende-se de recusar as Tulherias?
N�o.
N�o.
O que voc� quer fazer da sua vida?
Ser o melhor.
Faz�-los gozar com a minha comida.
- Que pretensioso. - Eu?
Andem, vamos logo!
Vamos l�!
Acordem!
Larguem as x�caras!
Est� perfeito.
N�o est�, n�o. Est� aerado demais.
Monsieur Bailly?
Venha conosco.
- Est� preso. - O que � isto?
Ei!
Larguem-no!
- Calma! - Voc� quer ir com ele?
Podem vir.
Largue a faca, Antonin.
V� ao H�tel de Galliffet e chame o Talleyrand.
Diga que � sobre mim. V�o deix�-lo entrar.
V�.
V�!
Estamos esperando.
Posi��o ruim, minha cara Catherine.
Meu filho, quem muito fala, pouco sabe.
Aquelas p�rolas pelos seus brincos, Germaine.
Pode retirar.
Vieram v�-lo, monsieur.
Preciso ir.
Continuem.
Ent�o...
Estou ouvindo.
Preciso da sua ajuda...
� sobre Sylvain Bailly.
� o filho adotivo dele?
O que faz as melhores �clairs de baunilha de Paris?
Sou bem-informado.
E voc�?
Voc� sabe quem eu sou?
Todo mundo sabe.
E o que "todos" sabem?
Que voc� �
um nobre,
um pol�tico,
um padre.
S� isso?
Foi ordenado por n�o conseguir escolher a carreira militar.
Depois de se tornar bispo,
votou pela venda de propriedades da Igreja para agradar aos revolucion�rios.
Eu me prestei ao que se desenrolou.
E foi ministro do Diret�rio que planejou um golpe contra esse mesmo Diret�rio.
E que procura uma vaga no Consulado.
Dizem que � um traidor,
monsieur de Talleyrand.
Um vira-casaca.
Voc� tem um jeito curioso de pedir ajuda, rapaz.
Mas diga:
o cata-vento gira sozinho
ou � o vento?
E, se me conhece t�o bem,
sabe que precisa pagar para se reunir comigo.
Monsieur, Sylvain Bailly me enviou.
Ele foi preso.
- Por qu�? - Eu tamb�m gostaria de saber.
Ele � inocente. Certeza.
Inocentes n�o precisam da minha ajuda. Geralmente.
Talvez tenha sido eu.
Recusei trabalhar nas Tulherias para Bonaparte.
Prove isso.
Voc� deve ter raz�o.
A culpa deve ser sua.
Mas me recuso a...
Aceite a oferta.
Vou checar as acusa��es contra o Bailly.
Aceite a oferta de Bonaparte.
Ent�o, o que achou?
Disso.
Creme de profiterole n�o deve vazar.
Deve ser denso, a massa n�o t�o macia.
N�o veio do Bailly.
PAL�CIO DAS TULHERIAS
Laguipierre! O novo garoto.
� uma honra conhec�-lo.
Veio chupar o meu pau ou cozinhar?
Cozinhar.
Venha c�.
Tenho algo para voc�.
Voc� veio cozinhar, certo?
Frango � Marengo?
E ontem?
Frango � Marengo.
Ent�o, novato, voc� gosta de cozinhar?
- Posso perguntar uma coisa? - Pergunte.
Com tudo o que tem, por que n�o faz algo elaborado?
� mesmo. Por que n�o fa�o culin�ria mais elaborada?
Agathe!
Mostre ao novato como cortar cebola.
- Mais r�pido. - � um confeiteiro, normal!
Imaginando o que uma mulher faz aqui?
Vendo voc�, imagino o que os homens fazem aqui.
Tome.
Voc� vai ver. Vai pegar o ritmo.
Servi�o!
Vamos, idiotas!
R�pido, imbecis!
Mexam-se!
R�pido, imbecil!
Voc� n�o apresenta os pratos?
Est�o esperando que se mexa sozinho?
Seus merdas!
Vamos logo com isso!
Consegui.
O que est� fazendo?
- Criando um prato. - O 1o c�nsul n�o gosta de novidades.
A Jos�phine gosta!
- E est� com fome. - Laguipierre est� com as putas.
E ele? � um cozinheiro, n�o �?
Sou.
Ent�o cozinhe. A madame est� com fome.
Vamos esperar.
Ponha na mesa.
N�o vai demorar.
O que � isso?
Quer provar?
Como se chama?
"O Al�ar do Voo."
Pronto, pode ir.
Obrigada.
Os brincos ficaram lindos.
S�rio?
Acho um pouco chamativos...
A cara da Germaine de Sta�l.
Como foi com o primeiro c�nsul Bonaparte?
Ele finalmente te nomeou ministro das Rela��es Exteriores?
Nada at� agora.
Ele se recusou?
Lembrei-lhe que eu trago mau agouro a governos que me negligenciam.
- Em v�o. - Ele sabe que precisa de voc�.
Bonaparte acha que n�o precisa de ningu�m. Eu disse: A Fran�a em paz com a Inglaterra
selaria as vit�rias dele por s�culos,
as tornaria gloriosas, hist�ricas, etc.
Orgulho.
Homens o controlam menos que seus p�nis.
O que ele respondeu?
Quer os ingleses fora de Malta e do Egito.
Na realidade, n�o quer a paz.
Vinte anos viajando pelo mundo
fizeram de voc� uma especialista em geopol�tica.
E eu sou?
O que vai fazer?
O embaixador ingl�s vir� almo�ar nas Tulherias amanh�.
Parece que ele ama sobremesas.
"Uma formiguinha", como dizem.
Nas Tulherias? Com aquela cozinha de quartel? E o bruto do Laguipierre?
Foi exatamente nisso que pensei.
- Venha se divertir. - Cale a boca.
Alguma not�cia sobre o meu pai?
Ele est� vivo...
por enquanto.
N�o � o homem mais bem-informado da Fran�a?
Este seria o ministro da Pol�cia, o monsieur Fouch�.
Ele me odeia.
N�o posso esperar nada dele.
Mas,
se me tornasse ministro das Rela��es Exteriores,
me seria muito mais favor�vel.
- Como? - Fazendo as pazes com os ingleses.
E voc� vai me ajudar.
Eu?
Duas emo��es governam a alma humana.
Nem uma, nem tr�s, nem dez. Duas.
O medo
e o prazer.
O prazer n�o vem daqui.
Mas daqui.
Ou daqui.
Para seduzir, escolhe-se bem um prato.
N�o aprendeu isso comigo.
Preciso de uma sobremesa de surpreender glut�es.
Para este almo�o,
ser� o chef confeiteiro da Fran�a.
Voc� tem carta branca.
Maravilhe-me.
Pois bem!
Nosso Laguipierre deve ter tido uma noite daquelas.
N�o � a primeira vez, ent�o ou�am. Hoje quero todo o batalh�o de confeiteiros
� disposi��o do Car�me. Ordens de cima.
Se ele pedir para rastejarem de quatro e latir,
n�o quero ver uma pessoa de p�.
Os outros, comigo. Temos 25 costeletas de cordeiro planejadas.
Andem. Mexam-se, idiotas!
Voc� consegue.
Meu caro lorde Jenkinson! Bem-vindo �s Tulherias.
Por favor, por aqui.
Aqui foi a casa de reis por tr�s s�culos.
Infelizmente, tudo mudou.
Agora!
Assim.
N�o!
N�o, assim n�o.
Eu quero assim.
Quero 100 assim. Andem!
Muito bom.
Agathe!
Qual deles?
Ent�o?
O que tem a��car de confeiteiro.
Mais elegante.
- Provou o tinto? - N�o. O branco.
Uma del�cia. Dev�amos levar alguns.
Vossa Excel�ncia.
- Sabe diferenciar a Fran�a da Inglaterra? - N�o, diga-me.
Na Inglaterra, h� dois molhos e 300 religi�es.
Na Fran�a, temos duas religi�es e mais de 300 molhos.
N�o �, Jos�phine?
Bela an�lise, caro pr�ncipe.
Sa�de, querida.
Ent�o?
Melhor?
Bom trabalho.
Quem te ensinou?
O meu pai.
Chamou de "O Extraordin�rio".
Ele deve ter orgulho.
O 1o c�nsul pediu uma pir�mide de sobremesa.
Uma pir�mide?
A mesma que deu a ele.
� imposs�vel.
Uma pir�mide significa guerra entre o Egito e o Imp�rio Brit�nico.
Tenho algo melhor.
Isso.
Uma homenagem ao embaixador.
- Vai adorar! - E da�? Ele quer uma pir�mide.
Mas ter� este navio.
N�o...
O que voc� precisa?
- N�o consigo refazer a pir�mide. - Consegue.
Antonin, n�o � hora de rabiscar.
Antonin.
Peguem o papel de arroz para bolo.
Fervam 9kg de a��car em 3L de �gua.
Assamos fatias de bolo genoise, montamos, cortamos, cavamos
- e enfeitamos com caramelo. - Certo.
Entenderam? Peguem o papel de arroz. Precisamos dele.
Agora! Precisamos de 3L de �gua! Vamos l�!
Andem, pessoal! Sem descanso.
O que � isso?
Um insulto?
Uma provoca��o?
Fazemos isso com a guerra, Excel�ncia.
Vossa Excel�ncia. � uma honra.
Parab�ns.
� reconcilia��o.
Onde est� o nosso her�i?
Com a idade, voc� endurece.
Vai descobrir.
Para o melhor ou para o pior.
Venha. Quero falar com voc�.
Pode se orgulhar.
Evitou um incidente diplom�tico.
Mas Bonaparte n�o vai me ouvir.
Ele n�o quer a paz.
Quem sabe que guerra vai come�ar.
Preciso de um itiner�rio.
O 1o c�nsul vai � �pera daqui a cinco dias.
As rotas dele s�o sempre secretas.
Mas h� um mapa.
Bonaparte esconde em seu quarto.
Quero o mapa.
Voc� o odeia tanto assim?
O que importa � o que a Fran�a precisa.
D�-me esse itiner�rio.
Eu?
Fa�a o que te pe�o
e vai se reunir com o seu pai.
Como entro no quarto de Bonaparte?
Improvise!
� tamb�m o quarto da Jos�phine.
Quem �?
Car�me. O cozinheiro.
Entre.
O que voc� quer?
Cozinhar.
Para a primeira-dama.
- J� cozinhou. - N�o s� para ela.
No quarto dela. Sem o primeiro c�nsul.
Por qu�?
Ela gosta da minha comida. Ele n�o.
Voc� sabe o pre�o
para se aproximar da madame?
Ela ficar� satisfeita.
Prove para mim.
Aproxime-se. Eu n�o mordo.
Quase nunca.
Gostou do que escolhi?
Ingredientes simples e sofisticados.
Gosto de simplicidade.
E est� certa.
Simplicidade exige mais arte.
Espere.
Obrigado.
Merece algo melhor.
Prove este coquetel.
Para come�ar.
Deixar uma mulher beber sozinha � falta de educa��o.
Posso fazer uma pergunta?
Quer engravidar h� muito tempo?
S�o produtos afrodis�acos.
Mas creio que promovem a fertilidade. Correto?
� uma nova era. A minha j� passou.
A minha guilhotina � o tempo.
� a mulher mais linda que j� vi.
� sempre bom ouvir isso.
Infelizmente, a beleza n�o pode me salvar.
Mas outra coisa.
Outra pergunta.
Pode fechar os olhos?
O que est� fazendo?
O que seria de um cozinheiro sem segredos?
Meu marido gosta de efici�ncia.
N�o h� perda de tempo.
Ele faz tudo rapidamente.
Vejo pela maneira como ele come.
N�o h� prazer.
� uma pena.
MAPA DO BAIRRO DO PAL�CIO REAL
Rua Saint-Nicaise...
Tenho sab�o de Marselha feito com azeite!
Vire!
- Uma reuni�o! - Sua Excel�ncia n�o atende.
Vai me receber!
Pare!
Por que est� aqui? Trabalha para ele?
- Antonin, est� sangrando. - Trabalha?
A carruagem de Bonaparte virou antes.
Ele sabia!
Algu�m o avisou.
Quem?
- N�o quero saber. - N�o quer saber?
Morreu gente, Henriette!
Dezenas de pessoas est�o mortas!
O qu�?
Talleyrand o avisou?
Para ganhar sua confian�a.
Antonin, fique fora disso.
Fique fora disso.
- Vamos, tenho pressa. - Agora, monsieur.
- O que � isso? - N�o se mexa.
Trabalhe para mim.
Ajude-me a coroar Bonaparte e sussurrarei para perdoar seu pai.
Voc� � maluco.
N�o existe trono. N�o mais.
Faz oito anos que guilhotinaram o rei.
Exatamente.
Tudo � poss�vel hoje.
Tudo.
Voc� � talentoso.
N�o desperdice isso.
Veja o que fizemos numa refei��o.
E, se Fouch� descobrir sobre o ataque,
voc� ser� executado.
Ent�o, temos um acordo?
- Pare aqui! - Sim, monsieur.
N�o fique aqui, monsieur Fouch�.
Ainda pode ser perigoso.
BASEADA EM CAR�ME: COZINHEIRO DOS REIS
Legendas: Valmir Martins
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