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Original subtitles

Querida m�e...

ap�s descansar uns dias em Lisboa, estou voltando a Madri.

Volto feliz e cheio de orgulho depois de ver

nossa bandeira erguida nas ilhas A�ores...

ap�s a vit�ria da nossa armada

frente a esses mercen�rios a servi�o da Fran�a.

Tive quase tanto prazer na vit�ria quanto na partilha dos bens.

Nunca vi tanta riqueza e generosidade entre soldados.

Volto com os bolsos cheios e muito animado.

Com o que trago, poder� viver como deveria.

Eu lhe prometi um dia, quando crian�a...

e saiba que nunca esqueci a promessa.

M�e...

rezo todos os dias para que melhore de sa�de

e fique boa logo.

Fique com Deus.

Receba um abra�o do seu devoto filho, Lope.

MADRI FINAL DO S�CULO XVI

Lope de Vega, seu filho da m�e!

O que houve?

A poesia que escreveu para minha mulher.

N�o gostou?

Desculpe, mas n�o posso devolver o dinheiro.

Por que falou do sinal?

Que sinal?

O sinal que ela tem nas costas.

As mulheres gostam que lembremos essas coisas.

Como sabe que ela tem um sinal nas costas?

Todas as mulheres t�m algum sinal nas costas.

E sua pele? E seu cabelo?

E seus suspiros quando...

Parece que estou com ela cada vez que me leem.

Tem certeza que n�o conhece minha mulher?

Como vou conhec�-la?

Tentei imagin�-la como voc� descreveu.

Voc� � um dem�nio, Lope.

Por precau��o...

Prepare-o para o marqu�s.

Que belo cavalo!

Quanto o seu senhor pagou por ele?

Lope!

Que bom v�-lo.

Est� com um bom aspecto.

Ningu�m diria que esteve na guerra.

Mas estive, e n�o pretendo voltar.

Nada justifica o que vi por l�.

Foi ver sua m�e?

N�o quero que minha m�e me veja assim.

E devo chorar ou tremer?

Voc� tem acesso ao vestu�rio do marqu�s.

Tremer!

Lope! Lope!

Lope!

Lope, meu filho!

Enfim!

Voc� est� bem?

Estou inteiro, m�e.

Onde est� o arm�rio que papai trouxe de Valladolid?

Est� com as m�os �speras.

Ningu�m vem ajud�-la?

N�o � uma �poca muito boa.

Desde que o seu cunhado toma conta dos neg�cios...

n�o sobra muito.

N�o se preocupe, m�e.

De agora em diante, viver� como uma marquesa.

Obrigada.

Lope.

Vejo que n�o exagerava nas cartas.

N�o posso me queixar.

Que alegria v�-los juntos outra vez!

Rezei tanto por isso!

Deve ter muita coisa para contar.

N�o falo de contos de veteranos, refiro-me aos seus pecados.

Tome isto. H� muito trabalho.

Sua m�e passava horas aqui cuidando dos doentes.

Rezo para que fique curada logo.

J� pensou no que vai fazer da vida?

A verdade � que sei o que n�o quero.

Mas n�o sei o que quero nem onde.

J� pensou na vida religiosa?

Talvez essa inquietude seja um sinal de Deus...

Vejo que Salcedo est� indo bem com o teatro.

Agora tem um patr�o, Jer�nimo Vel�zquez.

Um construtor que investe parte do que ganha no teatro.

Na constru��o, Lope, a� est� o dinheiro.

Olhe por onde anda!

Por favor, aceite minhas desculpas.

Lope!

Lope de Vega?

Como vai sua m�e?

N�o sabe quem sou?

Isabel.

Isabel?

Voc� n�o se lembraria.

Claro que lembro!

Isabel de Urbina.

N�o a reconheci.

Como foi na armada?

Sua m�e me leu algumas cartas.

Est� convencida que se tornar� almirante.

Ela deposita em mim muita esperan�a...

Mas a vida de soldado acabou para mim.

N�o penso em sair de Madri novamente.

Fico contente.

Chega. Aqui n�o se vem para fazer social.

Vou levar isto � farm�cia.

Eu n�o a via h� anos.

O que est� fazendo aqui?

Deixando a fam�lia louca.

Seu pai quer que se case, quer amarr�-la logo.

Frei Bernardo!

Frei Bernardo!

Meu filho...

Como vai pagar o enterro? Com seus pregos?

N�o sei.

Mas nossa m�e merece ser enterrada como uma senhora.

O que v�o dizer se a enterrarmos como...

Como o qu�? Como o que somos?

Somos o que pensamos ser.

Voc� sonha muito, Lope.

J� tem idade para p�r os p�s no ch�o.

� aqui.

Quer mesmo que entremos?

Preciso de dinheiro.

A nobreza da sua causa me comove...

mas preciso de garantias.

S� os piratas assinam contratos assim.

Por isso nunca os quebram.

Gosto de ter certeza dos meus acordos.

Garanto que pagarei.

Palavras...

Voc� tem orelhas bonitas.

Cuide bem delas, pois s�o para toda a vida.

De quem � esse bras�o?

Nosso.

� da fam�lia de nossa m�e, os Carpio.

Nossa m�e n�o tinha bras�o.

Mas agora tem.

Tome.

Agrade�a aos atores.

Cheguei at� a pensar que era da fam�lia da Cantabria.

Senhora, se n�o vai comprar, n�o toque em nada.

N�o posso fazer nada.

Odeio ver as coisas da mam�e de m�o em m�o.

Se n�o fosse esse enterro, n�o ter�amos que vender nada.

A escrivaninha do nosso pai.

Posso ficar com ela?

Fa�a o que quiser.

Lope, venha comigo para Lisboa.

N�o quero voltar � guerra.

Preciso respirar o ar da corte.

As mulheres parecem ainda mais bonitas que antes.

� igual ao nosso pai.

Coitada da que se apaixonar por voc�.

Quando vai partir?

Na semana que vem.

Sentirei saudades.

Lope, pense bem.

Em Lisboa poder� se alistar no meu batalh�o.

O que acha, irm�o?

Quanto � sua mulher, meu filho...

s� o que essa vadia faz � engan�-lo com o taverneiro da esquina.

E acho que pegou umas p�stulas.

Senhora, n�o podemos dizer-lhe isso.

Na guerra, o homem precisa de motiva��o

para viver e voltar � sua casa.

Imagine o efeito que isso ter� no seu filho.

� capaz de se deixar matar.

Deus me livre!

Diremos que ela est� com saudades

e quer voltar para seus bra�os.

Ele descobrir� a verdade quando retornar.

Lope!

Vamos!

Amanh� cedo ter� sua carta. Se n�o gostar, posso mudar.

Lope, espere.

Tenho que entregar uma mensagem da parte do marqu�s.

Mas como o sil�ncio precede sempre o trov�o...

o c�u calmo, as nuvens amenas...

o vento muda, e, de repente, come�a a tormenta.

Lope, se quiser ajudar, leve as espadas para o palco.

Sobretudo o final!

Lope... Lope!

Estava preocupada.

H� dois dias n�o sai nem para comer.

N�o tive tempo.

Quero acabar esta com�dia e lev�-la ao Vel�zquez.

Vai desperdi�ar seu talento em com�dias?

Seu marido mandou voc� me dizer isso?

Acha que n�o tenho ideias pr�prias por ser mulher?

Claro que n�o.

Desculpe.

Maria, n�o sabe o que � ver um espet�culo dos bastidores.

Coma, seu tolo.

Espere aqui.

O senhor Vel�zquez n�o pode receb�-los.

Deixem suas com�dias a�.

O que est� esperando?

Diga a seu amo que Dom F�lix Lope de Vega Carpio quer v�-lo.

N�o me ouviu?

O Sr. Jer�nimo n�o pode receber ningu�m.

Ouvi perfeitamente. Vou esperar.

Senhor, as ordens do Sr. Vel�zquez s�o claras.

Diga que Dom F�lix Lope de Vega tem uma com�dia...

Dom F�lix Lope de Vega ou das mil putas!

Mais vale sair por bem do que sair a chicotadas.

Ter� que me expulsar daqui!

Roque! Amezcua!

O que foi? Quem �?

Senhora, com licen�a.

Sou Lope de Vega e trago uma com�dia para o Sr...

N�o perca seu tempo.

O Sr. Vel�zquez n�o l� com�dias que n�o pediu.

- Senhora, eu imploro... - Saia daqui!

Quem pensa que �, sua galinha presun�osa?

Elena Osorio, filha de Vel�zquez...

o galo deste teatro.

Fora!

Olhos de tal gra�a e formosura

que d�o inveja ao sol e cor ao c�u

e se �s safiras � natural o gelo

como incendiais com sua luz pura?

Espere.

Por que da modesta compostura

com que os adorna com um v�u de recato

nasce um desejo que derruba ao solo

o que o amor plat�nico procura?

Olhais sem temor, olhos traidores

mantendo distantes os temerosos com seu veneno profundo.

Matais de amor

sem saberdes de amores

cheios de veneno e mais tir�nicos que Nero

pois abrasais o mundo.

Espere.

Todos nesta vila e corte se julgam autores.

Pode ler ou n�o...

mas, se n�o ler, vai se arrepender pra sempre.

Pe�o que leia somente as 10 primeiras p�ginas.

Est� bem.

Algu�m de confian�a me garantiu que tem talento.

Vou lhe dar uma oportunidade.

Por que n�o passa esta com�dia a limpo?

Vai ganhar algum dinheiro...

ainda que, pela sua roupa, n�o pare�a precisar...

Al�m disso, aprender� algumas t�cnicas do of�cio.

N�o h� nada melhor do que estudar obras alheias...

para aprender.

Senhora, n�o sei como agradecer.

Aprecie o favor que meu pai lhe fez.

Mas me contratou como copista.

N�o seja impaciente. Ele gosta que implorem.

- N�o est� bom. - Mas os ajustes funcionam!

N�o me diga como funcionam as coisas no teatro.

Est� claro? N�o haver� ensaio.

Acabou.

J� disse que acabou o ensaio!

O que est�o fazendo a� parados?

Como se atreve?

Eu te contratei para copiar a com�dia...

n�o para mud�-la.

Quem voc� pensa que �?

- S� queria... - Era s� copiar!

- Leia os ajustes... - Sou eu quem faz ajustes.

Est� claro?

S� quis dar vida � obra.

Quem � voc� para corrigir o mestre? Saia daqui!

Imploro que leia as novas cenas.

N�o foram s� as cenas. Foi tudo!

Quer que mudemos o cen�rio...

que vistamos os personagens de legion�rios.

Uma paix�o e dois atores s�o o suficiente para uma pe�a.

Mas Lope quer espadas, armaduras, lan�as, quer...

Quer Roma, n�o � verdade?

Com sua licen�a.

Mas onde voc� est� indo? O que voc� quer?

Quero que a com�dia se pare�a mais com a vida...

que os personagens sejam como n�s...

que sofram e riam.

Como quer que as mulheres contem piadas

no meio de uma trag�dia?

Dom Jer�nimo...

na vida, o riso e o pranto se misturam.

- Mas, escute... - Deixe que os comediantes

leiam em voz alta uma vez e, se n�o gostar...

Nossas com�dias foram criticadas ultimamente.

Salcedo, sabe que foi coisa dos empregados do Porres.

N�o, as dele tamb�m s�o criticadas.

O p�blico est� cansado das mesmas coisas.

E agora temos a chance de oferecer algo novo.

N�o est� vendo que isso vai contra as regras do teatro?

O que s�o as regras? Os tempos mudam.

Por que conter a imagina��o?

Porque n�o faz sentido.

O p�blico n�o entenderia...

e porque as regras s�o assim.

Sobretudo porque esta � minha com�dia...

de minha propriedade.

Ent�o, Dom Jer�nimo, d�-lhe uma oportunidade.

Est� bem.

Vou ler com aten��o e ver se encontro algum sentido.

Que seja a �ltima vez que tome essa liberdade...

com um de meus poetas.

Sim, senhor.

Ent�o, senhores...

Vamos!

Textos!

Est� contente, poeta?

Contente?

Mais um pouco, e me joga no po�o.

N�o � verdade.

Voc� o impressionou.

Obrigada.

Contemplando estava Filis � meia-noite, sozinha

uma vela sob cujo lume costurava uma touca

pois voejava em torno dela uma branca mariposa.

Tomou-a em suas alvas m�os e assim disse, invejosa:

O que atrai seus olhos e a seduz nessa luz?

A boca com que a beijas e o gosto com que a provas?

Respeit�vel p�blico, venham ver a nova com�dia...

da companhia de Dom Jer�nimo Vel�zquez!

"O Cerco de Num�ncia"...

do poeta Miguel Cervantes y Saavedra.

Senhoras e senhores, respeit�vel p�blico...

Conseguiu vir?

S� para desejar-lhe sorte. O marqu�s precisa de mim.

Ali�s, j� � hora de devolver seu traje.

Isabel, estou contente que tenha vindo.

N�o ia perder a estreia da sua primeira obra.

N�o � minha, s� fiz alguns remendos.

Para um costureiro, deu muito que falar.

N�o d� ouvidos ao que dizem.

Se desse, sairia correndo para nunca mais v�-lo.

Boa sorte.

Ajude-me, Lope.

N�o seja bobo, isso � teatro.

Tome.

Voc� fez um milagre com a com�dia.

Voc� � grande, Lope.

Retirem-se, agora, romanos.

Escutaram a bravura �nica de Num�ncia...

de seus homens e mulheres.

A Terra nunca viu tal fa�anha...

pois dela, beber�o a coragem, os filhos dos s�culos por vir...

que far�o da Espanha uma terra forte e sofrida...

que, no futuro, h� de conquistar o mundo!

Fora!

Fora!

Fora voc�! Todo mundo sabe que est� a servi�o de Porres.

N�o vai celebrar o triunfo com a companhia?

Isso � para seu pai e os atores.

N�o sentir�o minha falta.

Por que voc� n�o vai?

Disse que estou indisposta.

Uma mulher pode dizer isso sem maiores explica��es.

Mas por qu�?

Porque eu, sim, senti a sua falta.

Tenha paci�ncia, Lope.

Ainda � cedo para que Madri descubra seu talento.

Nem em sonho imaginei este final para a com�dia.

Quem disse que � o final?

Desamarra.

Morda-me.

Doce Filis, se me esperas

fa�as o favor de ir mudando...

pois � muito se est�s brincando e muito pouco para deveras.

Se fias nos meus amores, aplaque as suas chamas

e se desdenhas do meu fogo, n�o o atice com favores.

N�o � justo que abrasar-me queiras

sem um favor de quando em quando

pois � muito se est�s brincando e muito pouco para deveras.

Finalmente! Onde estava?

A casa do livreiro � distante daqui...

e vim carregada.

Algu�m a viu?

N�o, se vissem, estar�amos em apuros.

"A Metamorfose"!

Por que n�o me deixam ler isso?

Porque deve ser coisa de herege.

E tenho mais uma coisa.

O que � isso?

Poesias de seu amigo Lope.

Come�aram a public�-las. Mas guarde-as...

porque j� est�o se esgotando.

"Para Filis". Quem ser� Filis?

O jovem Lope.

Dizem que voc� mudar� a arte dram�tica.

O sr. Jer�nimo Vel�zquez quer muito perder dinheiro.

Quem pensaria em misturar com�dia com trag�dia?

N�o responda. � s� inveja.

Com licen�a. Sr. Lope de Vega?

Sim, e o senhor � dom Gaspar de Porres.

Soube que modificou a com�dia de Cervantes.

Os atores dizem que fez algo novo.

Atores tendem a exagerar.

Parece que tem ideias pr�prias sobre o teatro.

J� escreveu alguma com�dia?

Sim, algumas.

Pode me mostrar?

Talvez possa encen�-la na minha companhia.

Agrade�o, mas me comprometi com o Sr. Vel�zquez...

e n�o quero trair sua confian�a.

� um homem honrado.

Fale comigo, se um dia a situa��o mudar.

Senhores...

Por que disse isso?

Vel�zquez s� o faz trabalhar como copista...

e n�o paga o suficiente.

Logo isso chegar� aos ouvidos dele.

Talvez mude de opini�o a meu respeito.

Ele ou a filha dele?

Basta!

Est� bem.

Levem o que quiserem.

Deixe de hist�ria. Sabe por que viemos.

- Seja o que for... - Somos da parte de Calero...

e n�o podemos voltar com as m�os vazias.

Se n�o tiver dinheiro... pagar� com uma orelha.

Espere!

Espere um momento.

Isto cobre a primeira presta��o.

Entregue a Calero com os meus respeitos.

Uma arma espl�ndida, n�o h� outra igual.

As armas de p�lvora n�o t�m futuro.

Queria conhec�-lo, Lope.

Claudio fala muito do seu talento.

Por sua amizade, ele exagera.

Soube que j� foi soldado.

Experimente.

Meu forte � a espada.

E os versos. Todos os recitam.

Vamos.

Atire.

Eu disse que meu forte � a espada.

N�o sei se Claudio contou o que quero de voc�.

H� uma mulher que lhe resiste, e quer conquist�-la com versos.

Isso.

O c�u n�o me deu talento para a poesia...

mas me deu dinheiro para compr�-lo dos outros.

Ao talento!

E por uma longa associa��o.

Neste descampado, construiremos

nosso novo teatro de com�dia.

O maior de Madri.

Olhe para esta planta.

O acabamento ser� em carvalho.

Senhor, pode ler minha obra?

Tem for�a e vigor...

mas est� longe de poder ser encenada.

Diga de que parte n�o gostou, e eu reescreverei.

� tudo muito r�pido.

E muda o tempo todo, de um lado para o outro.

O p�blico n�o acompanhar� tanta mudan�a.

Temos que ir devagar.

H� outros interessados em encenar minhas com�dias.

Reconhece este documento?

Eis minha oferta:

Eu pagarei sua d�vida.

Em troca, ir� escrever s� para mim.

Depois de me entregar 5 com�dias...

que eu considere boas, estaremos quites.

N�o estou t�o seguro.

Fique com Deus.

Deveria devolver isto ao seu leg�timo dono.

N�o acho que o marqu�s goste de ver suas j�ias

passando de m�o em m�o.

Seguimos?

Est� louca?!

Est� aqui para fazer caridade, n�o para brincar.

Ele est� dando aula, ensinando a me defender.

Os dois n�o s�o incompat�veis.

Eu concordo.

� o pai dela que tem que concordar.

Volte ao trabalho.

Obrigada pela aula, Lope.

Onde est� com a cabe�a? Brincando aqui?

Ou estava comemorando o sucesso da obra?

Sei que teve grande participa��o.

Diga isso a Vel�zquez.

N�o quer encenar minhas com�dias.

J� entreguei 3 e n�o sei se vai ler.

E quer que eu fale com ele? Esque�a.

S� a filha dele influi nas suas decis�es.

� dela que quero falar.

Primeiro ajoelha e pede confiss�o.

- Mas aqui? - Isso mesmo.

Qualquer lugar � lugar para receber o perd�o divino.

Ajoelhe-se.

Seu marido est� representando nas �ndias h� 3 anos...

por isso n�o o conheceu.

Estou avisando, se o pai dela descobrir...

voc� ter� graves problemas.

Ele quer a filha na cama de algum rico poderoso...

mas ela rejeitou todos os candidatos.

Ele n�o gostar� de saber que um poeta pobre a tenha conquistado.

Quer me contar mais alguma coisa?

N�o.

Muito bem.

Como penit�ncia...

�s ter�as e quintas, vir� cuidar dos doentes das 6h �s 15h.

O que foi?

Por que n�o disse que era casada?

Sabia que eu ia acabar descobrindo.

Espere!

Achei que j� soubesse.

E da�?

Vou ter que dividi-la com outro?

Por favor, por favor.

Esque�a isso, meu marido n�o est� aqui.

S� estamos n�s dois. Vamos aproveitar o presente.

� t�o fugaz...

T�o fugaz, que quando eu me der conta...

o corno do seu marido estar� de volta.

E ent�o?

Vamos passar o resto da vida nos escondendo?

Quem sabe quanto vai durar a nossa vida?

Esque�a o meu marido.

Suponho que tamb�m n�o vai ficar feliz em saber

que meu pai encenar� uma de suas com�dias.

"Minhas l�grimas, meus versos, meus suspiros...

do esquecimento e do tempo, viver�o seguros. "

"Do esquecimento e do tempo... "

Achei que est�vamos convidados para a ca�ada.

N�o confunda as coisas.

N�o somos da classe deles. S� podemos olhar.

"Querem ascender ao espl�ndido c�u, onde est�o...

Onde est�o os esp�ritos mais puros. "

Tomara que decore, para n�o parecer um imbecil.

� como dar p�rolas aos porcos.

Isabel?

A pena e a l�ngua, respondendo em coro

querem ascender ao c�u espl�ndido

onde est�o os esp�ritos mais puros.

Que entre tais riquezas e tesouros...

minhas l�grimas, meus versos, meus suspiros

do esquecimento e do tempo

viver�o seguros.

Bom dia.

Quer dizer, boa tarde.

Oi, Ramon.

Oi.

- Sua apar�ncia est� melhor. - Obrigado.

Talvez a visita ajude, n�o, � Ramon?

� o poeta!

O que est� fazendo aqui?

Pagando penit�ncia pelos meus pecados.

Agora j� n�o sei se � penit�ncia ou recompensa.

Sempre com palavras galantes.

Ontem te vi na festa do marqu�s...

mas n�o me cumprimentou.

Eu n�o estava entre os convidados principais.

E o que voc� fazia no meio de tanta plumagem?

O marqu�s � amigo da fam�lia.

Parecia muito interessado em voc�.

Ele � muito agrad�vel.

E muito poderoso.

� o que dizem, n�o sei.

Por favor, senhora, pode me dar comida?

Desculpe, Ramon.

Parece que esse jovem lhe alterou o pulso.

Desculpe.

Aonde vai com minha comida?

Isabel...

desde que surge a rosada aurora

at� que o Velho Atlas esconda o dia

choram meus olhos com igual teimosia

como o claro sol que outras montanhas doura.

E desde que do caos onde mora

sai a noite indolente e fria

at� que a V�nus outra vez envia

volto a chorar vosso rigor, senhora.

� lindo!

Deve ter custado uma fortuna.

O importante � que gostou.

E o marqu�s � muito generoso no pagamento.

Ele est� muito apaixonado.

Acha que a dama se render� a ele?

Espero que n�o, assim, continuar� precisando de mim.

Pois quando conseguir, os versos acabar�o.

Os homens s�o assim!

Presentes e versos at� conseguirem o que querem.

- Depois... - N�o sou assim.

Cobri Madri de versos dedicados a voc�.

"N�o sei o que o amor Tem a ver com voc�...

mas n�o posso me afastar.

Quando lhe dou a alma, Prisioneiro do meu corpo fico. "

Todo mundo os recita...

sem saber a quem s�o dedicados.

� bonita?

- Quem? - A dama. Ela � bonita?

�, sim.

Deve ser, para inspirar esses versos.

� o marqu�s quem assina. Ele paga, e eu escrevo.

Ent�o, escreve coisas que n�o sente?

Quando escrevo para o portugu�s, tento sentir o que ele sente.

O poeta tem resposta para tudo.

O Sr. Tom�s de Perrenot d� a honra de sua presen�a.

Isabel!

Isabel!

A dama � Isabel de Urbina.

Espero que logo me conceda sua m�o.

O marqu�s mostra que tamb�m tem bom gosto

para escolher a esposa.

Lope! Lope!

Venha c�!

Lope, quero lhe apresentar Dom Tom�s de Perrenot.

Lope de Vega.

O marqu�s fala muito de voc�.

Diz que � o melhor poeta da Espanha.

O marqu�s � muito generoso.

Mas seus versos s�o recitados por toda parte.

Seria uma honra.

Talvez consiga que conte quem � a misteriosa Filis.

Seja quem for, deve se sentir muito lisonjeada.

Dona Isabel tamb�m n�o pode se queixar.

Voc� comp�e lindos versos para ela.

Estava trabalhando neles hoje.

Prossiga.

O marqu�s vai recitar alguns versos.

Desde que surge a rosada aurora...

at� que o Velho Atlas esconda o dia

choram meus olhos com igual teimosia

como o claro sol que outras montanhas doura.

E desde que do caos onde mora

sai a noite indolente e fria

at� que a V�nus outra vez envia

volto a chorar vosso rigor, senhora.

Ent�o, nem a noite me socorre

nem o dia me sossega e entret�m

e fico no meio de extremos t�o estranhos.

Minha vida voa

o tempo corre

e ainda que minha esperan�a em v�s se mantenha

calado passam, velozmente, os anos.

O que achou?

Lindo.

Fiz ontem � noite.

Acabou de sair do forno.

E voc�, senhor Lope?

N�o tem alguns versos para n�s?

N�o me atreveria, senhora. Essa honra � do marqu�s.

N�o nos fa�a implorar.

N�o tem um soneto para nos presentear?

N�o deixe o poeta em apuros.

� t�o dif�cil para ele quanto para qualquer outro.

� que n�s, poetas, gostamos que pare�a inspira��o divina.

A dama quer um soneto? Neste instante?

Sim.

Nunca na vida me vi em tal aperto

14 versos, dizem que � soneto

brinca brincando, v�o-se 3 adiante.

Pensei que nada acharia de interessante

e estou na metade deste quarteto.

Mas se me vejo no primeiro terceto

nada h� nos quartetos que me espante.

Pelo primeiro terceto vou entrando

e parece que entrei com o p� direito

pois fim, com este verso, lhe vou dando.

Estou no segundo e at� suspeito que vou os 13 versos acabando.

Contai se s�o 14, e j� est� feito.

V�-se que � um homem de recursos.

Quase nos enganou.

O que quer dizer?

Nota-se que voc� tem versos decorados para cada ocasi�o.

Senhor, acha que os estou enganando?

N�o se ofenda.

S� quero advertir a dama dos seus truques de charlat�o.

Sr. Perrenot...

Procedo a refutar cada palavra E tendo ocasi�o de defender-me

Raro seria n�o atrever-me Reivindicando minha fama que se lavra

Em cada verso que fa�o N�o me vendo sob os candeeiros

Obraria talvez n�o t�o ligeiro.

Tomem de cada linha a primeira letra.

E digam se as trago decoradas.

Desculpe.

Quero que o p�blico sinta que est� no Novo Mundo.

Para isso temos que ampliar o cen�rio.

Posso falar com os carpinteiros...

mas n�o acredito que Vel�zquez autorize.

E quero �ndios...

De verdade, aqueles que trazem de Sevilha.

Para dar veracidade � hist�ria.

�ndios de verdade? Est� louco?!

Conforme-se com homens pintados. Isso � teatro, n�o a vida!

Elena, Dom Tom�s, por favor.

Salcedo!

Companhia!

Lope!

Dom Tom�s, quero lhe apresentar o ilustre poeta...

Lope de Vega, um jovem talentoso.

Lope, Sua Senhoria, Dom Tom�s Perrenot.

J� tivemos o prazer.

Mostrou sua habilidade com os versos.

Deve ser um perigo para as atrizes da companhia.

Frei Bernardo.

Vejo que j� se conhecem.

Dom Tom�s nos beneficiou com sua caridade.

Com licen�a, mas tenho que falar com os atores.

Gostaria de lhe mostrar as novas depend�ncias.

J� sei de tudo.

Agora sei a quem amar.

Quero v�-lo.

Isabel.

Assim, n�o, Lope.

Assim, n�o.

Excelente! Extraordin�ria!

Esta com�dia est� cheia de ideias novas...

de sensa��es desconhecidas de vida...

de uma vida desconhecida para mim, mas vida.

Esse jovem tem talento.

Poder� ser o maior de todos.

Escute o in�cio desta cena.

Experimenta. Trouxeram-me neve da serra.

Est� preocupada?

E voc�?

Eu?

N�o, por qu�?

Talvez a carta que recebeu ontem.

A carta? N�o, era de Navas.

Sei.

O marqu�s sempre coloca p�talas de rosas nas cartas?

Era dela, n�o era? Isabel de Urbina.

Ela se apaixonou por voc�.

N�s, mulheres, n�o somos tolas.

Ela sabe que n�o � Navas quem escreve os versos.

Ela se apaixonou por seus versos, portanto, por voc�.

O que est� dizendo?

A culpa pode n�o ser sua.

Voc� cai no feiti�o das suas palavras...

e a fantasia se torna realidade.

Acreditou nos seus versos.

Mas tem que p�r os p�s no ch�o.

Voc� nunca ter� acesso a ela.

Logo se casar� com o marqu�s gra�as a voc�.

Pare de sonhar.

- Podemos ser felizes. - Felizes como?

Encontrando-nos �s escondidas?

Vamos embora.

Vamos para a Fran�a, It�lia, Am�ricas...

Se me amasse, n�o me pediria isso.

S� est� pensando em voc�.

Como vamos largar tudo?

A vida n�o � assim, Lope. Podemos seguir assim.

Se tivermos filhos, n�o ter�o meu sobrenome...

vendo como seu pai arranja amantes para voc�.

Como pode falar assim do meu pai...

depois de tudo que fez por voc�?

Vai encenar uma com�dia sua.

Conforme-se com o que tem.

N�o se pode ter tudo.

Pois eu quero tudo!

N�o deseje o que n�o pode ter.

S� se vive o presente.

Ent�o, n�o vou perder um instante.

Aonde vai?

O sr. Vel�zquez n�o receber� ningu�m.

- A mim, ele receber�. - Deixe-o!

Deixe-o entrar.

Espero que possa justificar essa entrada brusca.

Justificarei.

Vim dar por terminada nossa rela��o de trabalho.

Assinou este documento.

Sim, � a minha assinatura.

Se me lembro bem, tem que me entregar 5 com�dias

que eu considere dignas de ser encenadas.

O que voc� quer? Estou com a corda no pesco�o...

fazendo de tudo para ganhar a vida...

enquanto lhe entrego uma com�dia atr�s da outra.

Ent�o, o problema � dinheiro!

- Vamos falar de dinheiro. - N�o vim falar de dinheiro!

N�o veio falar de dinheiro.

Ent�o, do que veio falar?

De dignidade, de liberdade.

Zomba de mim, ri das minhas palavras.

N�o me surpreende! Que respeito esperar de um alcoviteiro?

O que esperar de um homem cujo maior desejo...

� deitar a filha na cama de quem pagar melhor?

Mas ela n�o � uma rameira.

Ela sabe muito bem na cama de quem se mete.

- Nossa sociedade est� acabada. - De jeito algum.

Vamos continuar os ensaios. Sabe por qu�?

As pessoas querem uma com�dia de Lope.

E eu nunca vou contra o neg�cio.

Voc� vai continuar escrevendo para mim...

at� cumprir o seu compromisso.

E nem pense mais em colocar os p�s nesta casa...

e muito menos se aproximar da minha filha.

Isso � ela quem vai decidir.

O que voc� fez?

O que voc� fez?

Voc� me transformou em uma puta.

O que importa o que ele pensa?

Ele n�o tem poder sobre voc�, j� sabe de tudo.

Podemos ir aonde quisermos.

Elena...

Voc� ouviu. V� viver com ele.

V� viver com esse poeta louco e miser�vel.

� isso que voc� que quer?

Diga!

Diga se � o que quer!

V� embora.

N�o quero mais v�-lo.

- Elena... - Fora!

J� foi dito tudo. Saia daqui!

Saia, antes que eu o expulse a pauladas!

Elena...

v� se arrumar.

Esperamos a visita de Dom Tom�s Perrenot.

N�o sou eu quem a transforma em puta.

� ele.

Obrigado.

UMA DAMA, EMBORA SILENCIE QUEM A QUEIRA

O que fiz de errado?

Est� sendo injusto comigo, pai.

O que fiz de errado?

Em que desrespeitei a educa��o que me deu com tanto esmero?

Como pode ser t�o insensata?

Voc� humilhou o marqu�s de Navas...

p�s sua honra em d�vida...

com esse marionetista, esse escritor de com�dias...

que brincou com voc�.

N�o fiz nada errado...

nada que n�o pudesse fazer na sua presen�a.

Eu sei.

Mas as coisas nem sempre s�o como s�o...

e sim como os outros pensam que s�o.

Tenho que pensar no que vou fazer com voc�.

Que n�o saia do quarto!

Filho da puta. E sua m�e era como se fosse minha m�e.

Tinha que fazer isso!

Isabel de Urbina rejeitou o marqu�s...

confessou que est� apaixonada por voc�.

Navas est� atr�s de voc�. Conhecendo Urbina...

o convento � o melhor que Isabel pode esperar.

Depois disso, ela n�o ter� outra sa�da.

Boa coisa voc� aprontou!

- Onde ela est�? - Ela n�o quer v�-lo.

J� sabe de tudo sobre voc� e Elena.

- Como soube? - Como acha?

Elena se encarregou de contar.

O retrato que faz de voc� n�o � nada favor�vel.

Escolheu os piores inimigos:

Vel�zquez, Navas e Perrenot.

Ande com cuidado.

"A Conquista do Novo Mundo" do poeta...

F�lix Lope de Vega y Carpio.

Venham assistir a nova e maravilhosa com�dia...

A pe�a vai come�ar.

Com sua licen�a.

Sil�ncio venho pedir...

por 3 horas incomuns.

Ou�am o que for razo�vel...

e ignorem o que for tolo.

Que maravilha!

Que beleza!

Finalmente, minha terra desejada.

Padre, d�-me a cruz.

Quero que seja o farol a dar luz ao Novo Mundo.

Vamos coloc�-la aqui.

- Ajoelhem-se! - Aqui na areia?

N�o seria melhor ir at� a floresta?

Pelo amor de Deus, Bartolomeu!

Imagine que as entende.

Lembre-se de que estamos no ano do Senhor de 1492.

Os dois mundos n�o compartilham nem mesmo o alfabeto.

S� assim poder� viver de verdade este momento.

Quem s�o?

Que homens lindos...

Onde est� Lope? N�o o vi.

Cale-se e concentre-se na pe�a.

Por Castela e por Le�o...

Colombo encontrou o Novo Mundo!

Sua honra e nossa confiss�o.

Vamos batizar os primeiros s�ditos...

que Colombo trouxe, em uma fa�anha t�o grandiosa...

que se engrandece e vangloria de Castela e Le�o

at� o �ltimo territ�rio da Espanha!

E aqui acaba a hist�ria...

da conquista do Novo Mundo!

� Lope!

Lope!

Quero ler uns versos...

dedicados a Dom Jer�nimo Vel�zquez...

e sua honrad�ssima filha, Dona Elena de Osorio.

E ao Senhor Dom Tom�s de Perrenot...

seu s�cio no honr�vel empreendimento.

"Uma dama se vende a quem a queira. "

"Est� sendo leiloada, quer compr�-la?"

"Seu pai � quem a vende... "

"ainda que se cale. "

"Pede 30 ducados... "

"e uma saia de tafet�, seda ou anafaia. "

Tirem-no daqui!

Tirem-no daqui! Fora!

Oficial! Prenda esse homem!

Fora!

- Est� louco. - Deixe-me, Salcedo.

Est� louco, Lope!

Est� louco.

Venancia!

D�-me um minuto. Depois avise quem quiser.

Chega de palavras bonitas.

Seu trabalho � enganar.

Nunca a enganei. Acredite.

Se n�o acredita, ent�o grite.

E se n�o gritar?

Ent�o, saberei que me perdoou.

N�o me ver� mais.

Mas primeiro jure que se casar� com o marqu�s.

N�o acabe com sua vida.

Agora, sim, eu deveria gritar...

para que venham e o matem como a um cachorro!

Porque este n�o � voc�.

Ou �?

O que est� fazendo?

Estou me vestindo. Vou com voc�.

Vou para Lisboa me alistar na armada.

- Assim conhe�o o mar. - Est� louca?

N�o pode vir. Nos barcos s� h� putas e concubinas.

Serei sua puta.

� s� o que me faltava. Sabe o que pode me acontecer?

Lope...

Voc� abriu sua jaula e a minha tamb�m.

Agora quer ir embora e me deixar aqui?

N�o pode ser t�o cruel!

Eu o conhe�o melhor do que voc�.

Voc� veio me buscar.

N�o sobrou nada.

Isso vai acabar, em um dia chegaremos.

Falta pouco.

E neste dia, o que vamos comer?

N�o sei.

Desculpe.

Sabe onde est� Juan de Vega?

Est� na mesa de recrutamento.

Juan!

Juan de Vega!

Isabel?

Posso saber o que fez?

- A que se refere? - N�o sabe?

- Tive alguns problemas. - Alguns problemas?

O marqu�s de Navas, o corregedor Urbina...

Tom�s de Perrenot e seu tio, o cardeal Granvela...

acusam-no de difamar uma fam�lia respeitada...

e de raptar uma donzela.

Chegou uma ordem de pris�o contra voc�.

Desculpe coloc�-lo em situa��o comprometedora.

� voc� quem est� nessa situa��o.

Perrenot est� na cidade.

A �nica solu��o � voc� embarcar logo.

Na �gua, seus crimes n�o contam, sejam quais forem.

Vim pensando nisso.

Poderei pedir perd�o ao rei quando voltar.

Se voltar.

J� voltei uma vez.

Prepararei o seu embarque para o amanhecer.

N�o deixe que o vejam at� l�.

Lope...

sabe o que pode acontecer comigo?

Eu sei, irm�o. Claro que sei.

Isabel, temos que ir.

J�?

Logo amanhecer�.

Voc� n�o dormiu?

Passou a noite escrevendo?

� o melhor trabalho que fiz at� hoje.

Me d�i s� poder lhe dar isso...

mas quero que saiba que, aconte�a o que acontecer...

O qu�?

Ficou sem palavras?

Lope!

Lope de Vega!

O que faz aqui, poeta do dem�nio?

Desculpe, agora n�o tenho tempo.

� o Lope!

O melhor poeta da Espanha.

Uma vez na �gua, ningu�m poder� fazer nada.

Estou em d�vida com voc�.

- E Isabel? - Vou com ele.

N�o, cuide dela, Juan.

N�o pode me deixar aqui.

J� viu as mulheres que embarcam?

Sim.

- Posso ir com voc�, Lope. - Desculpe.

- N�o posso permitir. - Lope, quero ir com voc�.

Voc� n�o vai!

Espere por mim. Eu juro que voltarei.

Tome, entregue isto ao Porres.

Que pague 500 reais, � boa.

� um bom trabalho.

Vamos, Lope!

Jure que vai voltar!

Vamos!

Jure que vai voltar!

Jure que volta!

Alto!

Esperem!

Sua espada.

Lope de Vega...

temos ordem de pris�o contra voc�.

S� depende de voc�, Lope.

Se n�o voltar, seu irm�o pagar� por voc�.

Lope de Vega...

Do que sou acusado?

De difamar a honra e fama do Sr. Jer�nimo Vel�zquez...

e de sua filha.

H� outra ordem por raptar e estuprar Dona Isabel de Urbina.

N�o permito que insultem meu esposo.

Dom Lope � meu esposo perante Deus...

pois prometeu se casar comigo e me deu este anel.

Parem a carro�a!

Parem a carro�a!

Parem!

Lope...

Meu Deus... Achei que nunca mais o veria.

Frei Bernardo.

D�-me um pouco. Deus a aben�oe.

Bebe, filho...

Calma.

Como podem trat�-lo assim?

N�o � animal nem assassino. � o poeta Lope de Vega!

Na sua aus�ncia, Salcedo encenou suas com�dias...

e todos est�o loucos por elas!

Vamos!

Voc� precisa aguentar.

Vamos!

Vamos tir�-lo de l�. Prometo.

E voc�, quem �?

Se n�o responder, pensarei que � a morte...

que veio tomar minhas medidas.

De fato, � a morte.

Para que veio? Ver a situa��o em que me encontro?

Ent�o, olhe e aproveite.

Pode ser a �ltima vez que me veja.

Talvez me mandem para as gal�s...

e de l�, s�o poucos os que voltam.

A culpa n�o � minha. Voc� procurou isso.

Eu te amava, pod�amos ter sido felizes.

Como?

Escravo do seu pai e seu amante �s escondidas?

Eu n�o sou livre como voc�, n�o entende isso?

Mas voc� escolheu.

Eu sempre te amei.

Sinto muito v�-lo assim, mas voc� foi injusto.

Apunhalou-me com suas palavras.

N�o sabe como me senti.

E sabe como eu me senti? Nunca se colocou no meu lugar.

Sabe como tenho vivido?

J� disse ontem, senhora. N�o pode receber visitas.

Ent�o, entregue isto a ele.

Se for para escrever, j� sabe que n�o...

N�o pode ser.

Por favor.

Pode entregar isto a ele?

Se n�o puder escrever, vai ficar louco.

Por favor.

O r�u atuou de forma indevida com a fam�lia Vel�zquez.

Mas � justo que um momento de fraqueza...

um ato de dor e desespero, condene � pris�o...

o poeta admirado por toda Madri?

Eu n�o penso assim, senhoria.

Imploro por sua generosidade...

e solicito para o acusado

uma pena proporcional ao delito cometido.

Tr�s meses de servi�os no hospital de San Gin�s.

Cedo a vez � acusa��o.

Com todos os antecedentes, as circunst�ncias agravantes...

e as provas apresentadas...

pe�o que o julguem com o m�ximo rigor...

para que sirva de exemplo e advert�ncia...

a quem pensar...

que se pode difamar impunemente uma fam�lia honrada.

E tamb�m escandalizar os honrados s�ditos...

de Sua Cat�lica Majestade.

Assim sendo, solicito...

a pena de 5 anos de pris�o...

a ser cumprida nas gal�s.

Escutamos atentamente todas as partes.

Sem d�vida, trata-se de um delito grave...

uma vez que se atentou contra contra aquilo que � mais sagrado:

A honra.

Portanto, retiro-me para deliberar.

� tarde, comunicarei minha decis�o.

Entre!

Com licen�a, Excel�ncia.

Pode me conceder uns minutos?

O que deseja?

Ap�s profunda reflex�o...

e levando em considera��o o que foi dito aqui...

declaro o r�u F�lix Lope de Vega y Carpio...

culpado dos delitos a ele imputados.

Consequentemente, o condeno...

a 8 anos...

Se n�o fizerem sil�ncio, ter�o que sair.

Condeno o acusado a 8 anos de ex�lio...

n�o podendo voltar � cidade durante esse tempo...

e permanecendo, pelo menos, 2 anos...

fora do reino de Castela.

A transgress�o desses termos...

implicar� na pena de morte!

Se n�o se calarem, ser�o todos expulsos!

Desmaiar-se, atrever-se, estar furioso,

�spero, terno, liberal, esquivo,

alentado, mortal, defunto, vivo,

leal, traidor, covarde e animoso,

n�o achar, fora do bem, centro e repouso;

mostrar-se alegre, triste, humilde, altivo,

enojado, valente, fugitivo,

satisfeito, ofendido, receoso.

Fugir o rosto ao claro desengano,

beber veneno por licor suave,

esquecer o proveito, amar o dano;

crer que um C�u num Inferno cabe,

dar a vida e a alma a um desengano:

Isto � amor.

Quem o provou o sabe.

LOPE DE VEGA, CONHECIDO COMO "MONSTRO DA NATUREZA"

ESCREVEU MAIS DE 4000 POEMAS

E MAIS DE 800 PE�AS TEATRAIS, CONSIDERADO O AUTOR MAIS PROL�FICO DA HIST�RIA.

TEVE 14 FILHOS E MORREU AOS 73 ANOS DE IDADE.

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