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Original subtitles

PARIS, DEZEMBRO DE 2012

Estamos felizes em vê-los sãos e salvos.

Obrigado.

- Como se sente? - Muito melhor.

Obrigado, obrigado.

- Fez um bom voo? - Sim.

Que alívio…

- Tudo bem? - Agora sim.

- Olá. - Olá.

Sou o Dr. Bucher, clínico geral.

Vou acompanhá-los hoje. Faremos alguns exames.

Hematomas na clavícula,

no braço direito

e na coxa.

Respire fundo.

Muito bem.

Um hematoma.

- Qual é a sua altura? - 1,78m.

Pode se pesar, por favor?

61kg.

Não se preocupe, voltará logo ao normal.

Pode soletrar seu sobrenome?

D-A-H-A-N.

- Seu nome? - Gabriel.

- Data de nascimento? - 30 de setembro de 1980.

Obrigada.

Obrigado.

Olá!

Gostaria de me apresentar. Me chamo Hervé Peyrate.

Sou psicólogo e trabalho com ex-reféns.

Muito prazer.

Vamos sentar?

Você ficou em isolamento forçado por algum tempo.

Se precisar de ajuda, estarei aqui.

Como está fisicamente?

Estou cansado.

- Já viu sua família? - Ficamos juntos uma hora.

Às vezes, ex-reféns sentem euforia.

Mas ela vira desespero semanas depois.

Não é o seu caso.

Não me sinto eufórico.

Também encontrei reféns que se retraíram.

- Mas também não é o seu caso. - Não.

Isso é bom. Vou fazer uma pergunta direta.

Ser mantido refém foi uma experiência traumatizante?

Não é o termo que eu usaria.

Acho que é… pejorativo.

Não quero ser aquela vítima que carrega o trauma para sempre.

Mas esse período deixará muitas memórias.

Algumas serão dolorosas.

Pode falar sobre elas?

Quando fomos capturados…

Não consigo esquecer.

As execuções forjadas,

as surras,

os maus-tratos…

A fuga e a volta de Jérôme Andreux,

um repórter que estava conosco.

Prisioneiros gritando, falsas notícias boas,

ser forçado a mudar de local enquanto as bombas estavam caindo.

Tirando esses momentos,

o que foi mais doloroso em seu cotidiano?

O sentimento de culpa,

o tédio, pouca luz.

Mas o pior era o sentimento de culpa.

Está pensando em fazer terapia?

Se for necessário, mas não gostaria de fazer.

Sou melhor com ação, não com palavras.

Mas você trabalha com as palavras.

São palavras que descrevem eventos concretos, a realidade tangível.

Horas deitado em um sofá

falando sobre minhas memórias ruins…

Exprimir uma experiência incomum em palavras,

conectar partes aparentemente distintas da sua vida

pode ser útil, não?

Frédéric e eu fizemos muitas análises durante os quatro meses.

Eu quero uma coisa diferente.

E se alguém precisa de terapia, são os nossos sequestradores.

Talvez… Mas para você, há o antes e o depois.

Vai sair disso mudado.

Você pretende continuar trabalhando?

Vou ter que decidir, mas não hoje.

- Adeus. - Adeus.

- Adeus. - Adeus.

Como foi?

As perguntas do psicólogo me cansaram. E você?

Agora sei que sou um bom cliente.

Em comparação, interrogatórios são uma piada.

Não teria tanta certeza.

Os jornalistas de 32 e 52 anos puseram os pés na pista

em Villacoublay.

Estamos muito felizes por estar aqui, por ver o céu,

por andar e falar livremente.

Acabamos de ver na internet

como todos se mobilizaram para nos trazer de volta.

Ele também mencionou Jérôme Andreux…

Desculpe.

Estou tão feliz por vocês dois.

Não temos notícias do Jérôme.

Vamos lutar para trazê-lo de volta.

Sinto falta do vilarejo, dos passeios de barco…

O prefeito está animadíssimo.

Você será recebido como Zidane depois da Copa do Mundo.

- Já tem planos, Gabriel? - Ainda não.

Não vou deixá-lo ir embora.

Não se preocupe. Vou ficar aqui.

Naomi, quero lhe pedir algo.

Oh, merda. Como posso recusar?

- Pode cantar para nós? - Oh, não!

Gabriel falou muito de sua voz. Disse que ficava arrepiado.

Acho que ele queria me deixar com inveja.

Vou passar essa.

- Por favor! - Por favor! Vamos lá!

- Queremos ouvi-la. - Não fique com vergonha.

- Não consigo. - Sim, consegue. Vá em frente.

Tudo bem, mas apague…

Está muito claro.

É uma diva também.

Se você começar a zombar de mim…

Viajamos por duas horas até um posto de verificação

que, na verdade, era falso.

Homens mascarados nos tiraram da caminhonete

e nos golpearam com pistolas.

Dez segundos depois, estávamos no porta-malas com sacos na cabeça.

Eles nos levaram até uma casa.

Lá, descobrimos que nosso contato tinha nos traído.

Como descobriram?

Foi fácil.

Primeiro, eles queriam matá-lo.

Mas quando chegamos ao esconderijo, vimos que dois homens o libertaram.

Podem começar!

PARIS SE MOBILIZA

LIBERTEM-NOS!

JÉRÔME ANDREUX REFÉM DESDE 19 DE AGOSTO DE 2012

Certos tópicos da conversa,

como a emoção ao voltar para casa

e as condições brutais do cativeiro…

O Ministro de Relações Exteriores disse que não usaram verbas públicas

para a libertação dos reféns.

Como foi com a imprensa? Não assisti, como havia prometido.

Foi difícil.

Felizmente, Fred estava lá. Isso não é para mim.

As pessoas vão reconhecê-lo.

Você vai precisar de óculos de sol e boné.

Eles vão esquecer rápido.

Espero…

E como foi seu jantar no Palácio do Eliseu?

Foi bom.

Gostei do Hollande.

Ele é perspicaz. Nos fez rir.

Ele não parece ser assim na televisão.

É um problema para um presidente.

Vou para casa.

Não.

Por favor.

É melhor assim.

Por quê?

Lembre que nós terminamos.

Houve razões para isso.

Eu esqueci tudo nos últimos quatro meses.

Você disse que viver comigo era um inferno.

Agora é diferente.

Você queria um bebê.

Pare!

Me desculpe.

Meu amor…

Fale comigo.

Eu quero saber.

Alguns acham que ela tenha exagerado suas chances de trazê-los de volta.

Há ainda a questão de Benghazi. Isso foi um grande…

A pior economia desde a Grande Depressão.

É para se ter certeza de que os quatro meses de cativeiro

não terão efeitos graves em sua saúde.

Dois dias após o retorno à França,

eles podem agora se afastar do público,

com os pensamentos voltados para Jérôme Andreux,

ainda refém na Síria.

Bem, isso é tudo.

Boa sorte.

Obrigado por tudo.

- Adeus. - Adeus.

- Você fala demais. - Eles demoraram um século.

Parecem pessimistas em relação ao Jérôme.

Ontem, sonhei que ele tinha sido executado.

No meu sonho, isso parecia uma libertação.

Acordei chorando. Talvez porque ele ainda esteja lá…

ou por vergonha de ter sonhado isso.

- Vai para Sète? - Sim.

- O que vai fazer além de pescar? - Vou fazer anotações para um livro.

- Gostaria de escrevê-lo com você. - Não, desculpe.

Você é o escritor.

Posso ajudá-lo, fazer a revisão,

mas reviver tudo desde o começo seria demais.

É uma boa desculpa para refletir. Vai lhe fazer bem.

Nenhuma terapia, nenhum livro.

Minha terapia vai ser diferente.

Vou à Índia.

- É mesmo? Por quanto tempo? - Dois ou três meses.

Está falando sério? Vai ficar dez dias, no máximo.

Reformar a casa vai me manter ocupado.

E a Naomi?

Não, eu…

Acabou.

Depois do livro, voltará ao trabalho?

Não deixo as coisas inacabadas.

Você tem que pagar suas contas.

Como vai conseguir?

Vou alugar meu apartamento. Goa não é caro.

- Vou pegar o metrô. - Quer uma carona?

Não, obrigado. Vou direto.

HORÁRIO DE CHECK-OUT 10H30

- Seja bem-vindo. - Obrigado.

Toalete, toalha, sabão… Está tudo aqui.

- Obrigado. - Obrigado.

- É para encher? - Sim, obrigado.

Desculpe, onde fica Parra?

Parra?

Para lá? Obrigado.

- Olá! - Olá!

- Como vai? - Tudo bem.

- Meu nome é Gabriel. - Eu sou Komol.

- Meu nome é Opkar. - E o meu é Nagha.

Muito prazer.

- Tchau! - Tchau.

Obrigado.

Desculpe! Onde é o Nidaya Hotel?

Estou indo para lá. Siga-me!

- Obrigado. - De nada.

- Olá. - Olá, Diego.

- Olá. - Olá.

- Monty está me esperando. - Tudo bem.

- Sente-se, por favor. - Obrigado.

Está esperando alguém?

Estou.

Mas cheguei muito cedo.

Você é a única hóspede do hotel?

Não sou hóspede, eu moro aqui.

Então você conhece o Monty.

- Está esperando por ele? - Sim, estou.

Ele está sempre atrasado. Vou mandar-lhe uma mensagem.

Parece que o conhece bem.

Ele é meu pai.

É filha do Monty!

Sou o afilhado dele.

- Você é afilhado dele? - Sim.

Prazer em conhecê-lo.

- Meu nome é Maya. - Gabriel.

Não sabia que ele tinha um afilhado.

Fui embora antes de você nascer. Mas brincava com a Anjali.

Ela é sua prima, não?

Está morando em Sidney. Ela se casou e teve um bebê…

Também conheci sua mãe.

Ela faleceu quando eu tinha cinco anos.

Eu sei.

Você parece com ela. Deveria ter adivinhado.

- Você é francês, não? - Sou.

Conheço duas palavras em francês: “Dégueulasse” e “oh la la”.

É um bom começo.

Aprendi com DVDs que os hóspedes esqueceram.

- Então vocês têm hóspedes? - Às vezes.

Ei! Como vai?

Gabriel!

- Já conhece a Maya. - Sim!

Esta é Sigrid, minha mulher.

- Muito prazer. - O prazer é meu.

- Rapaz bonito, não? - Obrigado.

- Na última vez que o vi, ele era assim. - Não tão pequeno.

- Como está sua vida? Como está tudo? - E você? Que lugar bonito!

- Era uma selva! - Ele fez tudo. Os bangalôs, a piscina…

Limpamos a terra para cultivá-la.

- Impressionante. - É uma longa história, vamos beber algo.

Por dez anos, foi um paraíso.

Agora, sempre temos problemas com nossos vizinhos.

Que tipo de problemas?

Bem, subornam os políticos para construir condomínios.

Estão arruinando nossa paisagem.

Vamos desistir, cedo ou tarde.

Se forem embora, vou assumir o lugar.

Nem pense nisso. Isso é bobagem.

Não pode desistir. Era seu sonho!

Veja! Está acabando. Está tudo vazio.

Você não quer hóspedes, os preços estão muito altos.

O hotel faz parte nosso passado, não de nosso futuro.

E certamente, não do seu.

Não comecem com isso.

Maya abandonou a escola após três anos em Londres.

Agora tem uma professora particular.

Vamos mandá-la a uma escola em Sidney.

Vai morar com a prima.

Não é difícil mandar a filha embora?

Claro que é.

Mas quero o melhor para ela.

Maya é inteligente demais para ficar aqui.

Ela deveria ser advogada, médica, professora, qualquer coisa.

Não quero que desperdice sua vida em Goa.

Quando você deixou o exército israelense?

Há um ano.

- Você lutou em Gaza? - Sim!

- Como foi? - Fantástico!

Já esteve em Israel?

- Olá. - Oi.

- Olá. - Olá.

- Achou meus óculos. - Você os esqueceu no hotel.

Desculpe pelo trabalho.

- Deveria ter me ligado. - Estava aqui perto.

Quer tomar um café?

- Preciso de café. - Claro.

- Conhece o Mills? - Não.

Vou levá-lo lá. Acho que é o melhor café em Goa.

Ótimo. Só um minuto.

Bem, o que faz em Goa?

Além de visitar desconhecidos.

Dou umas voltas, encontro meus amigos…

O tempo passa mais rápido assim.

Sonho bastante.

Sonha com o quê?

Meus sonhos são muito reais.

Mas quando tento escrevê-los, eles desaparecem.

- Você sonha com o quê? - Queria poder sonhar.

Mal consigo dormir.

Por causa do calor?

Não, é algo meu.

Você lê jornais indianos. Isso deveria fazê-lo dormir.

Adoro esses jornais. Principalmente, as fofocas.

Vamos?

O que está fazendo em Goa?

Fugindo das guerras? Papai disse que é repórter de guerra.

Trabalhei sem parar por dez anos.

Preciso de uma pausa por alguns meses.

Só para relaxar, se puder.

Não tem uma casa em Paris?

Tenho um apartamento, mas quase não ficava lá.

- Não tem namorada? - Não.

- E você? - Eu?

- Não tem namorado? - Em Goa? Não.

- E em Londres? - Não!

É surpreendente.

O quê?

Uma garota bonita como você,

que poderia viver só em uma cidade legal,

mas prefere morar com a família em Goa.

- Era para agradar meu pai. - Mesmo assim.

Londres não é para mim. A cidade é muito agitada.

Sentia falta do pessoal preguiçoso de Goa.

Queria ficar perto de minhas raízes, perto do mar,

da minha mãe.

Pelo menos, eles têm o oceano e animais exóticos na Austrália.

- Vombates. - Ornitorrincos.

- Coalas. - Diabos-da-tasmânia.

Sim, gatos também!

Está com fome?

Está com fome?

Simon, ele está com fome.

Ele já comeu.

Ele disse que acabou de alimentá-lo.

Também estava preocupada com meu pai.

Às vezes, ele desiste fácil.

Tinha medo de que falisse se eu continuasse lá.

Está vendo? É assim que funciona.

Eles mantêm o equilíbrio entre a água salgada e a doce.

É uma forma tradicional de agricultura

que já existe há séculos.

Poucos ainda existem.

Os terrenos próximos ao mar acabam sendo vendidos.

- A conversa está chata? - De jeito nenhum.

Adoro vir aqui, porque me aproximo de meus ancestrais.

- Mas também me deixa triste. - Por quê?

Porque a plantação está morrendo, o sistema não recebe cuidados…

Por falta de interesse?

É, a piscicultura está dominando. Há água salgada demais.

E construções ilegais.

O turismo está matando a agricultura tradicional.

Maya!

Você dirige rápido demais!

- Olá, Ashani. - Olá.

Não falei para usar o capacete?

Oh, papai…

- Aonde vai? - Para Morjim.

- Quem vai estar lá? - Todo mundo.

- Quem é "todo mundo"? - Pai, você já sabe.

- Os mesmos de sempre. - Venha jantar em casa!

Quer ir para Morjim com a gente?

- Eu? - É.

- "Little Russia"? - Sim, mas não ficaremos perto deles.

Deveria ir. Fique de olho nela.

Olá.

VÍDEO DO ISIS MOSTRA DECAPITAÇÃO DE REFÉM FRANCO-AMERICANO NA SÍRIA

AUTENTICIDADE DO VÍDEO DO ISIS AINDA ESTÁ SENDO VERIFICADA

Vão sem mim.

- E a praia? - Vou encontrá-las mais tarde.

Tudo bem. Até mais tarde.

REFÉM FRANCO-AMERICANO É MORTO NA SÍRIA

- O que você quer fazer? - Nada. O que posso fazer?

- Não virá ao funeral? - Acho que não.

Não vou conseguir lidar com isso.

Vou ligar para a Valerie. Espero que não fique brava.

Não me julgue.

Não estou julgando. Faça o que quiser.

E você?

Mal posso esperar para viajar. Talvez vá para a Líbia.

Devo esperar por você?

Não, ainda preciso de tempo.

- E de alguém? - Ainda não cheguei lá.

Você está bem?

Acho que sim.

- Quer que eu chame uma ambulância? - Não, obrigado.

- Tem certeza? - Tenho.

Obrigado, Monty.

- Sinto muito. - Não se preocupe.

- Como está a moto? - Nada bem.

Que bom que está bem. Teve sorte.

Eu sei.

Fique conosco por alguns dias.

- Vai ser melhor assim. - Não, está tudo bem.

Por favor! Vamos providenciar uma moto nova.

- Oi! - Oi!

- Olá. - Diga “oi” para minha tartaruga.

- Seu nome é Scooter. - Olá, Scooter.

Ela tem dez anos.

- Como está se sentindo? - Ainda dói um pouco.

- Quer ver meu quarto? - Me mostre.

Posso ouvir música?

Claro, o que quer ouvir?

Algo que eu não conheça.

Uma canção indiana.

Na verdade, não ouço música indiana, mas…

Deixe-me ver.

- Vou embora amanhã. - Você vai embora?

Vou viajar pela Índia. É algo que queria fazer há tempos.

Também quero visitar minha mãe em Bombaim.

- Você vai voltar? - Claro.

Pode me mostrar sua casa?

- Quando? - Agora?

- Não tem trabalho de casa? - Hoje é domingo.

- É o dono da propriedade? - Sim.

Muito prazer. Me chamo Viraginai.

- Estes são Serifanalis e Ashila Condosa. - Prazer.

Temos uma ótima proposta

que envolve a construção de imóveis residenciais.

A empresa é especialista na área de desenvolvimento imobiliário.

A Living Construction já fez mais de 30 projetos,

incluindo a construção de um prédio para o presidente.

Este projeto se tornou referência no estado de Goa.

Sinto muito, mas não está à venda.

Claro, mas se tiver tempo gostaríamos de lhe mostrar algo

que talvez interesse.

No momento, não. Muito obrigado.

Se incomodaria de ler isso? E aqui está nosso cartão.

Tudo bem.

- Obrigado. Tchau. - Tchau.

Não deveria ter pegado o cartão.

- É tudo bobagem. - Por quê?

- Eles não pareciam perigosos. - Mas são.

É por isso que meu pai quer ir embora.

Você já morou aqui?

Morávamos em Bombaim, mas passávamos as férias aqui.

Minha mãe não quis ficar lá.

Ela resolveu mudar para Goa e trouxe-me com ela.

Adoro esta casa.

O jardim…

Quando eu tinha sete anos, mamãe se apaixonou por outro

e abandonou meu pai.

E a mim.

E depois?

Saí da Índia com ele. Ele é diplomata.

Nós viajamos para lugares diferentes.

É melhor você voltar antes que seu pai fique preocupado.

- Estamos fazendo algo errado? - Claro que não.

Mas vai escurecer e acho que deve voltar.

Desculpe se causei algum constrangimento.

Não é o que eu quis dizer.

Maya!

Aqui está.

Obrigado.

Por que veio a Bombaim?

Não sei.

Para vê-la.

Queria visitá-lo em Paris,

mas seu pai disse que você não queria.

Eu não estava pronto.

Podia ter respondido minhas mensagens.

Ainda está trabalhando na sua ONG?

Sim, cuido dos meninos de rua.

- Não deve ser fácil. - Não!

Há coisas com as quais não nos acostumamos.

É melhor não se apegar. Não consigo.

- Você vê seus filhos? - Claro que sim.

Eles sabem que eu existo?

Por favor!

- O que disse a eles? - Sobre o quê?

Sobre o filho que cresceu longe de você.

Fui a Paris várias vezes nos últimos anos.

Você nunca estava lá

ou encontrava maneiras de evitar um encontro.

Vai continuar a trabalhar como repórter?

Acho que sim.

Não sei fazer outra coisa.

O que seu pai acha disso?

Disse que preferia me matar a me deixar ir embora.

Por que as guerras o atraem tanto?

Há muitos outros lugares para trabalhar como jornalista

sem ser decapitado, não?

Sim.

Por que ir aonde há islamistas perigosos?

Vou para onde me sinto útil.

É excitante estar no local.

É o mundo real.

Nenhum mundo é mais real do que outro.

Há miséria e dor em todos os lugares.

Sei do que estou falando. Vejo isso todos os dias.

Precisamos de jornalistas para ver a opressão.

E para serem usados em negociações de resgate.

E daí?

O que deveríamos fazer?

Queimar as pontes e deixar a Síria se isolar?

Não pagar resgates e abandonar repórteres, como outros países?

Valores altíssimos são gastos para resgatar reféns

e mal conseguimos ajudar a população local.

Não há uma relação.

O dinheiro dos resgates não vem do orçamento para ONGs.

O governo não gasta nem perto em ajuda humanitária.

Mas para reféns franceses, eles têm fundos políticos ilegais.

Desculpe a minha franqueza.

Você sabe que sempre digo o que penso.

Na próxima vez, diga ao Hollande para dar o dinheiro à sua ONG.

Gabriel…

não imagina o que passei durante seu sequestro.

Mas no fundo, sempre soube que voltaria.

Queria ter tido a mesma certeza.

Você está andando de Tata?

- Sem motorista? - Sim.

Dizem que sou louca.

Indianos dirigem como malucos, mas dizem que sou pior.

Estou atrasada.

Tenho que pegar o Nils na escola.

Quer vir comigo?

- Depois eu o deixo no hotel. - Não, obrigado.

Vou pegar um riquixá.

Não confia em mim.

Venha me ver quando puder.

Gabriel!

Sim?

Pode vir aqui?

Uau!

É lindo!

- Como vocês estão? - Tudo bem.

Tudo bem. Sim.

- Vamos colocá-lo no meu quarto. - Está bem.

- Isso é para seu pai. - Obrigada.

- É para seu pai! - Sim, sim.

- Tchau. - Tchau.

- Tchau. - Até breve.

- Oi. - Está atrasado.

- Desculpe. - Já íamos sair.

Goa se tornou um grande estúdio.

Comerciais, programas de TV, clipes musicais, tudo.

Não sei o que aconteceu.

A máfia de Goa, os turistas russos ou Bollywood...

É hora de ir embora, sem dúvidas.

- Então faça isso! - Não é tão fácil.

É nossa história e a minha terra. Ou pelo menos era…

Antes dos hippies trazerem problemas.

Sabia que colocaria a culpa em mim.

Praia Candolim…

Foi lá que o River Princess se espatifou em mil pedaços.

Demorou 12 anos e muitas discussões para tirá-lo de lá.

E nesse meio tempo, poluiu todo o litoral.

Disseram que havia um fantasma no navio.

E agora está vagando por aí.

- Você acredita em fantasmas? - Não, não acredito.

- E em Deus? - Queria acreditar.

- E você? - Não sei.

Quando me impressiono com a beleza do mundo,

acho que só um deus poderia tê-lo criado.

Mas quando penso em todos os massacres e desastres,

não consigo imaginar como um deus poderia permiti-los.

Bem…

- Como foi sua viagem? - Foi ótima.

Estou feliz por ter voltado. Cansei de ficar no trem.

Foi a Bombaim para visitar sua mãe?

- Sim. - Como foi?

É muito tarde para começar tudo de novo.

Ela tem a vida dela. Não precisa de mim.

- Golfinhos! Olhe! - Onde?

Uau!

Devemos estar perto do ninho dele.

Meu pai me contou que você foi sequestrado na Síria.

E que saiu nos jornais e tudo o mais.

- E daí? - Nada.

Achei melhor lhe dizer que sei disso.

Vamos voltar. Eles devem estar nos procurando.

Eles estão chapados.

Poderíamos ir embora no barco e eles nem notariam.

Por que não fazemos isso?

Que merda é essa?

Ele está armado. Corra!

Provavelmente, eram só crianças pregando uma peça.

Não acho que foi brincadeira. Poderiam ter me ferido.

- E não eram crianças. - Disse que eram jovens.

Sim, mas não eram crianças.

Tem certeza de que não viu os rostos?

Tenho.

Então por que correu atrás deles em vez de ligar para a polícia?

Queria pegá-los. Não foi um ato racional.

Por que levou uma faca?

Sempre carrego uma quando viajo.

Você não está viajando.

Bom dia.

- Olá! - Oi.

Algo errado?

Meu pai se trancou no quarto e não quer sair.

Por quê?

Ele brigou com a Sigrid por causa de um amigo dela.

- Oi, Gabriel. - Oi.

O que vamos fazer? A viagem foi cancelada?

Desculpe, mas não posso deixá-lo assim.

- Mas vocês podem ir. - Tem certeza?

Se as coisas se acalmarem, nós vamos.

Bem, Maya conhece Hampi como a palma da mão.

Não encontraria um guia melhor.

Aqui é a sala.

Aqui é o banheiro. As toalhas estão ali.

A televisão…

A geladeira.

As luzes.

Para ligar o ar condicionado.

Aqui é a sala.

As toalhas estão ali.

Pode abrir a janela.

A televisão e a geladeira…

- Qual deles você quer? - Você escolhe.

Escolha difícil.

Fico com esse.

Aqui é a parte da realeza.

Aqui é a parte secreta.

Aqui é a barragem Tungabhadra.

E estamos aqui, no templo Virupaksha.

Templo Hazara Rama…

O que significa Hazara Rama?

Significa muitas coisas.

Algumas ideias…

Os elefantes estão embaixo porque são mais fortes.

Os cavalos são muito inteligentes.

Depois vêm os soldados e as mulheres dançando.

Quanto mais alto, mais leve e feminino fica.

Os mongóis ficaram aqui por seis meses e destruíram tudo.

Esses são canais de transporte de água.

A água vinha do lago, que fica a alguns quilômetros daqui.

O lago ficava perto da cidade,

então a água podia ser distribuída facilmente.

Obrigado.

Maya!

Maya.

Tem que dormir no seu quarto.

Tenho mesmo?

Levante.

"Oh la la".

"Dégueulasse".

Não vou voltar com você, vou ficar no caminho.

- Para onde vai? - Para o sul, Samudra.

É o nome que minha mãe escolheu para a casa.

- Estou curioso. - Me leve com você.

Não acho que seus pais concordariam.

Por quê? Estão ocupados brigando e confiam em você.

E deveriam confiar?

Se eles concordarem, você me leva com você?

- Vamos? - Você vai.

É só mais uma praia.

Bem, até mais tarde.

Eu acordei e você não estava lá.

Você parecia tão feliz dormindo.

Acabei de falar com a Sigrid.

Ela tentou me ligar ontem, mas não conseguiu.

Então ela ligou para o hotel em Hampi.

Disseram que tínhamos ido embora.

Ela entrou em pânico.

Maya, pode mentir para eles, mas não deveria mentir para mim.

Eu ia lhe contar.

Ela disse que contaria ao Monty se você não voltasse agora.

Ela não sabe quem vai matar primeiro.

Você ou eu…

Provavelmente você, ela disse.

Quero ficar com você.

Não posso tirá-la do seu pai. Você é muito jovem.

E se eu amar você?

Ouça.

Não quero me apaixonar ou coisa parecida.

Não vou entrar no carro com você.

- Posso ir com você. - Não, não pode.

Por quê? Sou livre.

Talvez seja.

Mas sou um repórter de guerra. Minha vida é assim.

Você vai à Austrália, e isso é bom.

Você vai estudar e crescer.

Aí saberá o que realmente quer.

Obrigada.

Se cuide.

- Tudo bem? - Sim.

- Está em Istambul? - Desde ontem à noite.

Quero ver.

Consegue adivinhar?

Deixe-me ver. É o Flash Hotel?

Sim.

Com aquele recepcionista deprimido?

Ele me perguntou onde meu amigo estava.

Seus olhos se encheram de lágrimas. Os meus também.

Falei com umas pessoas. O serviço secreto turco faz jogo duplo.

Eles apoiam os jihadistas mais radicais.

A Al-Qaida e os saddamistas infiltraram os rebeldes.

Vai explodir.

- Os jornalistas falaram algo? - Disseram que está piorando.

Erdogan está os ameaçando. Sabem que serão mortos ou presos.

Eu me encontrei com a Ozay. Passamos a noite juntos.

Vocês treparam?

Pare com isso. Ela foi demitida do Milliyet.

Recebe ameaças de morte e não faz nada.

Tivemos uma briga.

Ela gostou das suas matérias para o Daily Beast.

Quais?

As que escreveu na Síria antes de sermos capturados.

Vamos jantar quando você voltar.

Vou ficar segurando vela e depois ser assassinado.

- E você? Tudo bem? - Tudo bem.

Está em sua casa? Mostre-me.

- Esta é a sala. - Certo.

Aqui é meu quarto.

Deixe-me ver a mesa.

Vejo que voltou a fumar.

É mais saudável do que calmantes.

E isso me inspira. Estou escrevendo.

Este é seu texto com minhas anotações.

Que bom!

- E o meu quarto? - Vou lhe mostrar.

Aqui está!

Você tem que ver o jardim.

A vista.

É legal, mas a minha é melhor.

Com som é ainda melhor.

Passa para mim.

Passa! Chuta.

Aqui!

Chuta aqui!

Vá, Nagha! Este é para você.

Você está com a bola. Chute! Chute!

Isso!

Gabriel…

DOIS MESES DEPOIS

Oh, não! Oh, não!

Oh, não! Oh, não!

Não!

Papai Noel chegou

Acabou de chegar

Ele entrou pela chaminé

Acabou de entrar

Venha! A Maya chegou.

- Ele é mesmo afilhado do Monty? - Sim!

Nunca teria escolhido o Monty como padrinho.

Oi, gente!

Gabriel!

- Que bom vê-lo. - É ótimo encontrá-la.

- É o seu bebê! - Este é meu filhinho.

- Parabéns! - Obrigada.

- Prazer em conhecê-lo. - O prazer é meu.

Oi, Maya!

Olá.

Soube o que aconteceu com a casa.

Sinto muito.

- Boa noite. - Boa noite.

Gabriel…

Oi, Scooter.

Maya!

- Obrigado. - De nada.

Gabriel, o que é isso?

- Você não sabe? - Não, não sei.

- Chama-se diabolô. - Diabolô?

Sim, vou lhe mostrar.

Esperem por mim!

- Estão prontos? - Sim.

Quero tentar, quero tentar!

Agora sou eu!

Só um segundo. Quero tentar.

Pessoas fazendo compras Ao meu redor

Crianças brincando Se divertindo

É a temporada De amor e compreensão

Feliz natal a todos

É tempo de festas e celebração

Pessoas dançando A noite toda

É época de presentes E de trocar beijos

É época de cantar Canções natalinas

Nós vamos ter Uma festa hoje à noite

Vou encontrar aquela garota Embaixo do visco

Nós vamos nos beijar À luz de velas

Pessoas fazendo compras Ao meu redor

Crianças brincando...

Venha.

Por favor.

Pare de me olhar assim. Está acabando comigo.

E eu? E a maneira como me tratou?

Eu tive escolha? Seja sincera.

Por que está aqui?

Você sabia que eu voltaria no Natal.

Eu tinha que vê-la de novo.

Como deveria me sentir?

Desculpe, não queria magoá-la.

Você me magoou.

Fico feliz em estar com você.

Senti sua falta.

Mas você vai embora amanhã.

- Aqui está. - Obrigado.

- Gabriel. - Olá.

- Podemos ir. - Estou pronto.

- Frédéric. - É um prazer.

O carro está ali.

Tradução: Jô Correia LEGENDAS ETC FILMES

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