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[MÚSICA ANIMADA]
Isso parece gostoso.
É parte do meu plano para você sentir muita saudade, muita, muita…
Você não precisa de um plano. Eu já estou com saudades.
-É? -Sim.
Você já está com saudades mesmo.
Ei, eu vou perder o avião.
-Você não pode me deixar assim! -Eles não vão esperar por mim!
Amor, não sei quando nos veremos novamente!
Não fique bravo.
Não, tudo bem.
Olha, é sua mãe.
De jeito nenhum, ligo depois para ela.
-Atende, vai. -Não.
-Quer saber? -O quê?
Já que estou viajando para o aniversário de casamento dos meus pais...
-Certo. -Então...
Vou pedir dinheiro para eles para poder ir te ver.
-Assim posso ir o mais rápido possível. -Certo, pare de falar ou vai dar azar.
Certo!
Não vejo a hora de chegar lá.
-Vou fazer a mala. -Certo.
-Você precisa de alguma coisa? -Não.
-Certeza? -Sim.
Precisa de ajuda? Sim.
-A gente se fala? -Sim.
Fechado.
-Liga quando chegar. -Claro.
Vou sentir saudade. Muita.
-Muita, muita, muita… -Vamos falando.
Lá vai.
-Pegou tudo? Passaporte? -Sim!
-Sim, sim, peguei. -Certeza?
OS SEGREDOS DO ARMÁRIO
Manuel Lieto?
-Sou eu. -Entre.
Obrigado.
Mãe, eu passei! Avise o papai.
Querido, eu passei, então vou adiantar a viagem para Villa Mercedes.
Te amo muito.
Você vai ao Lieto?
Sim.
A melhor massa da cidade.
Você é filho deles?
Um deles.
O esportista?
Não, esse é meu irmão mais novo.
Você é o mais velho?
Ele ainda está na Europa?
Sim.
Ele é o cara, não é?
Deve pegar todas as mulheres.
Sim, pode me deixar aqui.
Esquerda ou direita?
Direita, por favor.
Quanto te devo?
Duzentos.
-Obrigado. -Obrigado.
De nada.
-Tenha um bom dia! -Obrigado.
[ALARME TOCANDO]
O que aconteceu?
O que você está fazendo aqui?
Oi!
Você veio!
Pensei que você vinha no fim de semana!
Não, já cheguei. Então agora temos um alarme?
Sim, muitos arrombamentos por aqui ultimamente.
-Esquecemos de te dizer. -Tudo bem.
Vocês estão bem?
Querido, seu pai poderia ter te buscado...
-Como você chegou aqui? -Tudo bem, peguei um táxi da estação.
E aí, pai? Tentaram entrar aqui?
Não, não. Ali na esquina,
estamos um pouco assustados, mas nada aconteceu.
Então você levanta e ele dispara?
Não, não!
Só se você abre a porta ou toca nas janelas.
Eu nem acredito que você está aqui!
Eu só queria fazer uma surpresa!
Sinto muito pela confusão.
Foi uma surpresa linda!
-Manu está aqui! -Mãe!
-Como vai a faculdade? -Bem.
Bem, tive uns dias de folga, então…
-Aliás, passei na minha prova. -Sim, sua mãe me disse!
Manu, o que está fazendo aqui?
Oi!
-Como vai? -Você tinha que fazer tanto barulho?
Desculpa, Certo? Nossa, que bafo podre, hein?
Que delícia!
Trouxe o overgrip para você.
-Trouxe algo para mim? -Nada.
Acorde o Facu!
Não acredito que ele não tenha acordado com toda essa confusão.
Posso faltar da escola hoje?
-Ela pode? -Não.
-Por favor. -Vai.
-Para a gente poder conversar, mãe. -Não.
-Vai. -Não, ela já faltou muito.
Ela está à beira de...
Tudo bem. Então me espere. Tomamos café juntos.
Sim, claro.
Que bom! É tão bom ter você em casa.
Eu sabia que alguma coisa estava estranha, sabe?
-Como se eu mesma tivesse parido você. -sim. Claro.
Ontem mesmo pedi para Dora arrumar seu quarto.
-Está limpo e pronto. -Sério?
-Sim. -Bem, obrigado.
-Certo, vou me instalar. -Certo, querido.
Deixei uma bolsa lá com algumas coisas minhas…
Coisas velhas. Não mexa.
Vamos, gente.
Estou atrasado para a fábrica, tenho que ir à Prefeitura...
-Vamos! -Espera!
-Vamos logo! -Estou tomando café da manhã.
-Você me busca na escola? -Certo.
Sim, claro. Que horas?
Uma da tarde. Mas chegue antes!
-Vou andando. -Não, por favor!
Facundo!
Estou indo! Ele não me deixa nem tomar café.
Beijo na mamãe.
-Tchau, bicha. -Ei. O quê?
Olha essa boca!
Toda manhã é a mesma coisa.
Estou tão cansada, juro por Deus.
-Quer mais? -Sim, eu pego.
É tão bom ter você aqui, filho.
Estou tão feliz.
Também estou feliz, professora.
São 25 anos…
A casa está em festa.
Apesar que eu tenho que dizer...
Está tudo uma bagunça. Não sei por que me meti nisso!
Mas é divertido!
Digo, é a desculpa perfeita. Está nervosa?
Um pouco.
Você está certo. Temos que comemorar.
Sei lá…
Ei, mãe…
O que o papai tem?
Por que ele tem que ir à Prefeitura?
É porque algumas pessoas lá talvez...
Bem, eles vão patrocinar a partida de Luisito.
Luis está vindo?
Se tudo der certo...
Manu, querido!
Oi, Dora!
-Como você está? -É tão bom ver você!
Digo o mesmo. Você está tão bonita!
Estou com uns problemas de velha, mas estou bem.
Não! Você está linda.
Sua mãe disse que você estava aqui, mas não estava te achando.
-Estava me instalando... -Você está lindo, menino.
Bem, obrigado.
Comprei todos os ingredientes para o molho que você adora.
-que delícia! -E talvez para uma sobremesa.
-Você é uma formiguinha, menino. -Sim, mas só para as suas sobremesas.
Sim, claro. Seu charlatão.
-Escuta, isso é para lavar. -Certo, vou levar.
Obrigado.
Eu atendo.
Alô.
Sim, quem é?
Laura! Quanto tempo, como vai? É o Manuel.
Tudo bem.
Minha mãe não está.
Não, não faço ideia. Posso avisar que você ligou.
Certo, eu peço para ela te ligar.
Certo. Tchau.
Finalmente!
-Oi! -Eu estava tão cansada da aula!
Bem, aqui estou.
-Obrigada por vir. -Por que eu não viria.
Quando você foi a única que ficou feliz em me ver?
Claro.
-Como foi? -Olha só para ele…
Quem é?
-Martín? -Sim.
Manuel?
-Professor. -Quanto tempo!
-Como você está? -Estou bem.
-Você está bem? -Sim.
-Visitando sua irmã? -Um pouquinho, sim.
Que ótimo. Bom, pessoal. Bom ver vocês.
Ele é tão gato.
-Meu Deus, Clara! -Ele é muito gato.
É sério, olha para ele! Só fica cada vez mais gato.
Mas eu não tenho chance...
Por quê? Ele finalmente saiu do armário?
Aqui não, obviamente.
Mas dá para perceber, e…
Acho que ele estava saindo com um ex-aluno
que aparentemente mudou para Mendoza.
Talvez quando eu me formar ele me note.
-Sim, claro. Você acha? -Sim!
O quê? Ele é seu professor agora?
Sim, meu professor de literatura.
Não entendo nada
mas quando ele vira e escreve na lousa...
-Aquela calça agarra as partes certas… -Certo, já deu!
Parece que você já está crescidinha, hein?
Cale a boca, você fazia a mesma coisa!
Nem pensar. Espera… Facu?
Ele tem Educação Física.
Que pena.
O professor foi tão legal, ele até lembrou de você!
É, bem, seu irmão é inesquecível.
Até parece! O que você fez?
Escrevi um belo trabalho sobre “Platero e eu”, foi isso.
Por isso?
“Platero é liso, peludo,
tão macio que quase pode-se dizer que é feito de algodão, sem osso.”
-Ele está falando de um pênis... -Meu Deus Clara, por favor!
É verdade!
[“TU VENENO” DE NATALIA OREIRO TOCANDO]
Tenho que ir
Tenho que fugir de você
Preciso esquecer
E recomeçar
Porque seu amor é o alvo
Seu amor é o fogo que me queima
Porque seu amor sem pensar
Derrama o veneno que está me matando
E agora eu sei o que poderia ter sido
Eu não quero ver, Não quero ter
E agora que decidi parar de perder
Estou dizendo e você vai ter que entender
Já tive seu veneno
Tive seu amor e também seu fogo
Já tive seu veneno
Tive sua vida e já não a quero.
Tenho que escolher
Tenho que voltar a sentir
Tenho que procurar
uma forma de escapar
Porque seu amor é o alvo
Seu amor é o fogo que está me queimando
Porque seu amor sem saber
Derrama o veneno que está me matando
Eu agora eu sei o que poderia ter sido
Eu não quero ver, Não quero ter
E agora que decidi deixar de perder
Estou dizendo e você vai ter que entender
Já tive seu veneno
Tive seu amor e também seu fogo
Tive seu veneno
Tive sua vida e já não a quero.
-Tive seu veneno, veneno, veneno! -Mãe!
-Tive seu veneno...! -Você pode bater na porta?
Você sempre me dizia isso!
Belo ditado: “Bata na porta antes de entrar”.
-Bem, estou envergonhado. -Como poderia perder esse show?
“Tive seu veneno”! Essa música era tão legal.
Você guardou tudo para mim.
-Está tudo novinho. -Escuta...
Eu fiz tudo isso… Certo, a Dora me ajudou um pouquinho,
mas acho que isso é tudo.
Olha o que eu achei.
O que é isso?
-Esta pasta… -Não!
Você lembra?
Como eu poderia esquecer se guardei para você?
Mas nós fomos juntos ao teatro Gran Rex?
Exatamente, fomos para Buenos Aires.
(AMBOS) Quando o papai levou o Luisito para o torneio.
Juro que tinha esquecido sei lá.
-É verdade, fomos juntos. -Faz tanto tempo! Nos divertimos tanto.
Aquele fim de semana foi divertido, não foi?
-Olha isso. -Nati que linda...
Não acredito.
Não acredito que você guardou tudo isso, mãe.
Como não?
-Você está em boa forma! -Não é mesmo?
Adorei.
Escute, Manu,
estava pensando em chamar seus avós para jantar, tudo bem?
-Sim, claro. -É? Assim vocês podem se ver.
-Eles querem muito ver você… -Sim, tudo bem, mãe.
-Claro. -E assim passamos um tempo juntos.
-Queria te pedir outra coisa… -O quê?
-Venha comigo ao supermercado. -Não, não, não!
-Por favor! -Não estou a fim de encontrar ninguém.
Eu sei que você não gosta, mas quero que venha comigo.
Vamos…
Tive seu veneno, tive…
Tudo bem, certo, eu te acompanho.
Está bem.
Espera, vamos ver. Não lembro de ter visto estes.
Posso pegar um desses?
-Para termos algo doce. -Claro, filho!
Pegue o quiser. Coloque no carrinho.
Então, meu bem, diga, como vãos as coisas por lá?
Como está a faculdade? Conte tudo.
Tudo bem, está tudo bem.
Estou estudando, então trouxe alguns livros para ler...
Que bom!
Na verdade, quero falar com vocês sobre isso.
Você vai largar?
Não, não é bem isso, mas...
Que bom, porque seu pai e eu achamos que é a época ideal para você estudar.
Você não tem que cozinhar, tem uma empregada…
Espera, deixa eu pegar esse grão-de-bico para fazer humus.
Sim, por favor. Você faz um ótimo.
Senti falta disso.
Oi Rosa, Como vai?
-Bem. -Que bom!
-Você sabe quem é? -Não.
Você não lembra? Ela é mãe da colega do Facu.
Ela não para de falar dos próprios filhos.
Como eles são os melhores do mundo, e isso e aquilo...
Você sabe quem são o filhos dela?
-O mais velho… -Sim?
-É cheirador. -Mentira.
-É viciado. -Como você sabe?
Meu bem, todos aqui sabem. É um segredo aberto.
-Por que você se importa? -Vamos pegar o leite.
Facu sempre me pede e não quero ter que voltar aqui.
Certo.
Pegue o que quiser. Sério.
Eu já falei para Dora.
Ela está tão feliz que você está aqui.
Ela quer cozinhar para você, sabe como ela é.
Mas tive que fazer uma lista para ela
porque ela não lembra mais nada. É terrível.
Ela me pareceu bem.
O quê?
-Esses são desnatados? -Sim, os dois.
Certo.
Ela está velha, sabe? Ela está bem velha.
Sim, estou falando sério.
Ela não consegue mais limpar o teto.
E se ela cai e quebra a perna? Imagina só.
Se ela nos processar, vamos falir.
Ela também não consegue abaixar.
O chão da cozinha está com uma camada grossa de sujeira.
Mas o que eu posso fazer? Pobre mulher.
-É isso, não posso manda-la embora. -Não!
Você não pode manda-la embora!
Bem, não. Quer dizer, é uma possibilidade.
Eu preciso disso.
Digo, não é uma possibilidade,
mas tenho falado com seu pai.
Não acho que deva fazer isso. Ela está conosco há tanto tempo.
-Claro, e todos a amamos... -Certo!
Mas, sabe…
Também não quero nenhum problema...
Espera, eu não trouxe desodorante.
Certo. Sim, eu uso esse…
O que mais?
Espera!
Estamos dando voltas, mas eu tenho uma lista, na verdade…
Precisamos…
-Então, mãe. Como está o papai? -Já pegamos...
Seu pai? Bem. Ele está bem!
Digo, ele tem trabalhado muito…
Está exausto.
Sabe, a casa de massas dá muito trabalho.
Mas ele está bem…
Anda nervoso.
Porque quando Luisito vem ele tem que lidar com as coisas do clube...
Bem, na verdade estava falando de mim.
Como ele está comigo, digo...
Mal…
Ele está magoado, Manu.
Por que não fala com ele?
Estou tentando. Eu quero, mas não sei,
ele não parece feliz comigo aqui.
O quê? Do que você está falando, Manuel?
Ele é seu pai.
Ele te adora. Nós te amamos.
É só que não vimos mais você desde aquela noite.
Você soltou a bomba e nos deixou em choque...
E aí desapareceu. O que você esperava?
E agora, de repente você está aqui três dias antes…
Olha, aquele foi o pior Natal da minha vida.
-Você acha que foi fácil para mim? -Não foi fácil para ninguém.
Por que você veio antes?
Seu pai e eu já tínhamos descartado sua vinda.
Sempre temos que te forçar, temos que te ligar...
E agora aqui está você. Tem alguma coisa acontecendo?
Por favor, filho. Confie em sua mãe. Fale…
Não, mãe! Não tem nada acontecendo.
Eu quero falar sobre uma coisa com você,
mas não é nada sério.
Você vai largar os estudos.
Claro, sim… Eu sabia!
Sete anos em Buenos Aires e só três anos de faculdade?
-Facu, não está certo... -É Manuel!
Certo, Manuel.
Não é simples assim, mãe.
Quero te contar sobre meus planos com Maximo.
-Maximo? -Sim, meu namorado se chama Maximo.
Certo. Chega.
-Em casa nós conversamos. -Não!
-Vamos conversar em casa... -Mãe, quero conversar agora.
É tão difícil?
Em casa.
-Aqui está, meu bem. -Fica seis...
Obrigada.
Isso é bom, não é?
-E as plantas aromáticas ali? -Adorei.
-Maravilhosas. -Mãe, pai.
Oi, filho.
Podemos conversar?
Sim, claro.
-Aqui, eu vou. -Certo.
Do que você precisa, filho?
-Nada, quero conversar. -Quer?
Sim, obrigado.
O quê?
Dinheiro. Você precisa de dinheiro.
Você está enrolando.
Você poderia simplesmente ter pedido e economizado a passagem até aqui.
-É isso, não é? -Não.
Você vai abandonar a faculdade?
Não, pai. Não é isso. Escuta...
quero que a gente fale sobre o que houve no Natal.
Não, filho, não.
Não, agora não é o momento.
Seus avós estão vindo. Está tudo bem.
-Mas não está tudo bem! -Está tudo bem, Manu.
-Está tudo bem, Manu! -Mas não parece que está tudo bem!
-Não... -Pai, você não me trata como antes.
O quê? Filho, por favor…
Vamos mudar de assunto… Fale da sua carreira.
Ou devo dizer, essa caminhada em que você está.
Por favor, filho.
-Pai, Luisito está online! Vem cá! -Luisito!
-Vamos! -O quê? Não.
-Vai ficar com isso? -Sim.
-Mas… Traga… -Vai logo. Vai!
Certo, filho, comporte-se!
-Sim. -Comporte-se, Certo?
Será que…
-Mande uma mensagem! Vai! -Espera… O quê? Está sem som.
Não, não. Escreva para ele. Diga:
“Estamos todos aqui. Nós te amamos...”
-Meu Deus, mãe, ele já te viu. -Certo!
Muito, muito!
-Não, não. Não escreva isso, Facundo! -Meu Deus!
Vamos, cara!
-Manu, venha mais perto para ele te ver. -Estou aqui!
-Diga oi! -Dora!
-Venha aqui, Dora. -Venha aqui.
Luisito vai ficar tão feliz. Diga oi!
Ei, vamos comer. Os avós chegaram.
O que você estava fazendo?
Nada.
Estava lendo meu antigo diário.
Vamos ler alguma coisa.
Escuta:
“Hoje assisti “Muñeca Brava”.
Foi um ótimo episódio. Natalia é incrível”.
Você escreveu isso? Não tem nada mais interessante?
Bem, vejamos…
Deus do céu, você era obcecado pela Nati…
E daí? Eu gostava dela!
Olha isso:
“Hoje joguei tênis. Corri muito.
Estou treinando para o torneio Río Cuarto.”
Isso é tão bobo! Você estava mentindo, provavelmente.
Ei, posso te mostrar meu vestido para a festa?
-Sim. -Você ainda não viu.
-Não. -Sim?
Claro que eu quero ver. Espera!
-O quê? -Você está sem sutiã.
-Por que você está olhando? Não! -Você é atrevida, menina!
Cale a boca!
Não me obrigue a falar dos Suárez, eles sãos meus melhores clientes.
Compram massa de segunda a segunda.
Pobre Suárez.
Pobre Mari. A mulher não sabe cozinhar, por isso eles comem massa todos os dias…
E o Luisito?
O que sabe dele? Só falta ele aqui.
Luisito está na Europa. Treinando muito.
Vamos tê-lo em casa por uns dias.
-Sim! -Isso é ótimo!
Ele vai ficar um pouco mais porque tem um jogo aqui.
Isso é fantástico. Adoraria vê-lo jogar.
Sim, e você vai.
Claro, pai.
O que foi?
Por que está bufando?
Quero ir para o meu quarto.
Vamos, Facundo.
Querido, seus avós estão aqui. Não seja rude.
Tudo bem, vá. Se vai ficar com essa cara…
-Vai logo. -Mãe!
-Não, é sério. -Você não me deixou fazer isso.
Volte para a sobremesa, certo?
Você ouviu sua avó?
Volte para a sobremesa!
Isso não é justo.
Então, devo entrar na fofoca ou não?
Sim, vamos à fofoca, vovó.
Se lembra dos Manriques,
que viviam em frente da casa dos seus avós?
-Como poderia esquecer? -Eu não lembro.
Não lembro dos Manriques.
Você só lembra do que é conveniente para você.
[FALATÓRIO INDISTINTO]
É a verdade, querida! Você não sabe como é o seu avô.
-Certo, conta, mãe. -Fofoca.
-Fofoca? -Fofoca!
Então, eles foram e voltaram algumas vezes
e agora estão de volta porque tinham um filho na Espanha.
Mas tem um pequeno problema:
Por fim o filho deles é desmunhecado.
Você entende…
A vida é assim.
Aí esse menino estava num relacionamento com um empresário muito rico,
um milionário.
Bem, o velho morreu. Era muito mais velho que o menino.
Então o menino dos Manriques herdou uma fortuna.
Manrique está sem trabalho. Estão sem nada.
Ele pede para o filho ajudá-lo e ele se nega.
Mas, sabe…
Todo mundo sabe que essa gente tem um problema social
e a maioria dos homossexuais é muito rancorosa e vingativa.
Basta assistir TV, ver os modos deles, tudo.
Estão sempre buscando vingança.
E não ajudar seus pais é a vingança desse garoto.
Essas questões são complicadas…
Não sei, vó…
Você não devia generalizar.
Eu não estou, só estou comentando o que aconteceu com os Manrique.
E então, por que comentar?
Se eles foram maus com ele, então eles que se danem.
-O que você espera? -Você ainda não é mãe.
Um dia você vai entender que daria a vida por seus filhos.
Então eles podem ser maus com você e você tem que ser bom mesmo assim?
Não, mas ele saiu assim. O que você esperava?
-Manu... -Ele não “saiu assim”, vó.
Saiu, sim. Um dia você vai pensar bem e dizer:
“ Minha avó estava certa”.
-Tomara que eu morra antes. -Não, você não vai morrer.
Ei, Clara...
Manu, trouxe tiramisù para você, meu amor.
Você sabe que é meu favorito e você adora meu tiramisù.
Mas esse tem…
Oi, querido.
Oi Manu, desculpe, estou um pouco atrasado.
Tudo bem, não se preocupe.
Acabei de logar.
Como você está?
Estou bem. Onde você está?
No banheiro.
Essa casa está lotada.
É difícil ter privacidade.
Não estou mais acostumado a ficar com tanta gente.
Como vai? O que está acontecendo aí?
Você não respondeu a foto que te mandei.
Eu fiquei surpreso...
que você já estivesse aí com o pessoal.
Sim, quis vir um pouco antes
para falar com eles sobre o dinheiro.
Sim…
O que está acontecendo aí? Parece nublado.
Está muito frio?
Sim, hoje o dia não está dos mais bonitos.
Sim, está meio nublado.
É…
Que pintura é essa atrás de você?
Já estava no apartamento.
Você não faz ideia do quanto eu queria estar aí, baby.
Quero ficar com você, te abraçar…
Achei um ótimo casaco para a viagem!
Já que está frio aí, comecei a procurar e achei um ótimo.
-Deixa eu te mostrar. -Espera, Manu. Para…
Quero falar com você sobre isso.
Escuta, de acordo com meus cálculos
acho que consigo estar aí em um mês.
-Na verdade, isso é... -Mas espera, eu também pensei
que se meus pais me derem o dinheiro
talvez eu não tenha que procurar um emprego.
O lance é, eu queria falar sobre a viagem.
O quê?
Bem, vou ser rápido e direto para não ficar enrolando, Certo?
Escuta...
Você é, tipo…
minha história na Argentina, Certo?
E eu estou aqui agora…
e estou conhecendo gente, vivendo coisas novas,
fazendo novos amigos…
e se você vier para cá…
isso vai acabar.
Eu não quero que você venha.
O quê?
Eu não quero que você venha para cá.
Maximo, você está terminando comigo?
Algo assim.
Como, “algo assim”?
Ou você está me deixando ou não. Responda! Não se faça de idiota.
Certo. Sim. Sim.
Estou terminando com você, sim.
Manuel, vai logo, cara! Preciso usar!
Filho!
Sabe quanto tempo faz que não usamos esta máquina?
Você está fazendo ravióli!
Sim, me deu vontade.
Que lindo!
Faz muito tempo que não faço, tomara que fique bom.
Tem a mão da sua avó.
Luisito chega amanhã.
-Sério? Já? -Sim.
Que cedo.
Bem...
Mãe, posso deixar esses para você?
-Sim, claro! -Você se vira com o resto?
Claro! Obrigada por isso.
-Certo, estão prontos. -Que delícia!
Vou deitar um minuto, Certo?
-Você está bem? -Sim.
-Sim. Só estou cansado. -Certo...
Clara, vim aqui para ser ouvida e para resolver isso.
-Sim, Certo Gladys. O que eu... -Mãe, se acalme.
-Me acalmar? -Eu só preciso que você se acalme.
Não foi isso que combinamos.
Você não está cumprindo sua parte no trato…
Clara, eu vim aqui conversar, me deixe falar...
-Gladys, por favor... -Você precisa entender.
Eu te entendo, Gladys!
Então como posso me acalmar se você não está cumprindo nosso acordo?
-Por favor. -Mãe, escuta ela…
Eu sei que temos um acordo.
Mas temos tempos diferente…
-Onde está indo, bicha? -O que está fazendo?
-Você não pode entrar aí. -Não? E por quê?
Se eu não posso entrar, você também não pode.
Mas você só tem 14 anos, garoto.
-Por que eles estão aqui? -Não sei.
Quem sabe.
Se falar assim comigo nunca vou te desbloquear
e você vai ter sempre que ligar para a linha fixa.
Não.
Espera. Acho que meu irmão está ouvindo a gente.
Manuel!
Por que você está me ouvindo?
-Eu não estava. -Estava sim.
-Pare de me espionar! -Bem, o que você quer que eu faça?
-Não me espionar? -Certo, tudo bem…
-Aliás, você me deve uma conversa. -O quê?
Sim.
Sobre o quê?
-Você disse que podíamos conversar. -Me escute um segundo.
O quê? Você nunca me conta nada.
-Pode me escutar? -O quê?
-O que está havendo entra Laura e a mãe? -Não sei.
Você não sabe? O que eles estão fazendo aqui?
A mãe da Laura vem aqui de vez em quando. Talvez tenham continuado amigas.
-Amigas? Por que ela está aqui? -Eu não sei.
-Vamos conversar ou não? -Não... Vamos
Mas eu vou falar e você não vai responder.
Quero falar sobre nós.
-Eu quero falar sobre você. -O que você quer ouvir?
-Sobre Buenos Aires... -Não. Fale sobre a mamãe e a Laura.
-Por que ela está aqui? -Não faço ideia!
Pode me falar sobre os seus garotos?
-O que quer dizer com “meus garotos”? -Você sabe.
-Do que você está falando? -Vá mais para lá.
Na verdade, seu irmão é muito seletivo.
Você é seletivo. Sei.
Eu não sou um vagabundo que dorme com todo mundo.
Tenho certeza que é.
Vai, me conta mais!
-Não sei o que você quer ouvir! -Tudo!
Sobre o quê? Sou seu irmão, não sei o que você quer…
Bem…
-O quê? -Sexo.
-Não, não vamos falar sobre isso. -Sim.
-Não, não vamos ter essa conversa. -Por quê?
Porque sou seu irmão e não tenho nada a dizer…
não seja assim.
Não, bem…
Você faz e eu também. Somos adultos.
Como irmão mais velho, é sua responsabilidade me dar dicas.
-É mesmo? -Sim.
Com quem você quer que eu fale? Mamãe?
Não sei. Talvez com suas amigas?
Claro que falo sobre isso com amigas, mas não é a mesma coisa.
-Como assim? -Sua experiência é mais útil para mim.
Está de brincadeira? Útil? Minha experiência é útil?
Óbvio!
Digo, você tem um e chupa um.
Você tem o melhor dos dois mundos.
-Bem, nisso você tem razão. -Viu?
-Vai. Vamos dividir experiências. -Espera aí...
Você está num relacionamento?
Mais ou menos.
Como assim? Está namorando?
Você não o conhece. Além do mais, isso importa?
Bem, primeiramente: Eu tenho que conhecê-lo.
-Segundo... -Você é meu guarda costas agora?
Você precisa me pedir permissão para namorar.
Oi?
Claro, você sempre deve perguntar para seu irmão mais velho.
-Não mais. -Por quê?
-Você vai me dar dicas ou não? -Certo...
Me ensina…
-Me ensina a fazer um boquete bom. -Não, você está maluca!
Por que não?
Porque você é maluca. Como eu poderia…? Não!
-Por favor! -Você é minha irmã mais nova, não posso!
Eu sou grande você também.
-Exatamente. -meu Deus...
Você deveria se orgulhar que eu vou saber fazer direito.
Bem, vejamos…
Você já tentou com comida?
Não…
-Como? -Certo, tem um truque infalível
que sempre funciona: Uma bala de menta.
-Como assim, uma bala de menta? -Uma pastilha.
Desculpe interromper a conversa entre a bicha e a vagabunda
mas o jantar está pronto.
Você pode bater na porta?
-Vamos? -Segura esse assunto, Certo?
É sério, não esquece. Porque você sempre faz isso.
Vamos logo, para com isso.
-Então como a bala de menta funciona? -Assim.
-Passa o queijo. -Podemos começar?
Isso está lindo!
Você que sovou esses, Clara?
Eu?
-Isso. -Não! Foi o Manuel.
É sério, Manu?
Estão ótimos.
Você precisa dar um treinamento para os cozinheiros da fábrica.
Não é nada demais…
-Não estão tão bons assim. -Estão sim!
Você sempre cozinhou muito bem, filho. Admita.
Uau! Aplausos para o melhor ravióli!
Claro! Claro.
-O mestre do ravióli. -Está uma delícia!
-Maravilhoso. -Certeza que você comprou pronto.
É.
Você vai fazer de novo, não vai?
Luis vai ficar chateado por ter perdido.
Claro!
-Luisito gosta do de presunto… -Sim, ele vai pirar com esse!
Mãe, sabia que o melhor presunto é o da Espanha?
Bem, que seja!
Ele não vai ligar para o ravióli.
Deixe o presunto para lá. O importante é que foi seu irmão que fez.
Além do mais, ele está acostumado com seu irmão cozinhando.
Então eu também quero um prato especial para mim.
-Certo, eu cozinho para você também! -Ravióli de abóbora!
-Certo, combinado. -Escolha do cliente.
O que foi?
Facu?
-Por que você se importa? -Nossa!
Não seja rude.
-Então eu é que sou rude? -Sim, não fale assim com a sua mãe.
Você quer me ensinar modos?
O que está acontecendo, filho?
-Certo, já chega… -Para. Não me desrespeite.
-Pare com isso. -Estou bem, não que alguém se importe.
-Querido, perguntei para vocês dois. -Não, você perguntou para ele.
Certo, Certo!
Então, como você está? Diga.
Isso, como vai a escola?
Como vai a escola? Tirei um D. Vamos falar de outra coisa.
Você tirou um D?
Você está bem?
Que bela forma de mudar de assunto, hein?
-Estou bem. -O que você fez hoje?
Nada demais, dei uma volta.
Pela cidade com o cachorro.
Semana que vem você volta para a faculdade, certo?
Em teoria, sim.
Tem que se apressar com isso, filho.
Quero que dê umas dicas na fábrica.
Quero fazer umas reformas.
-Podemos ir lá um dia desses? -Certo.
-Sim. Veremos. -Que bom, eu ia adorar!
Podemos oferecer seus serviços.
-Será que colocamos um cartaz? -Não.
Manuel Lieto. Arquiteto.
-O quê? Não! -Por que não?
Porque ele é cozinheiro de ravióli.
Que engraçado! Mãe, antes de tudo, eu ainda não me formei.
-Exatamente. -Segundo, para que esse circo todo?
-Então apresse-se. -Você pode reformar meu quarto?
Sim, e quando você começar a exercer, vai precisar de clientes.
Então essa propaganda pode ser útil.
-Enquanto isso, pratique com sua irmã. -Faça o banheiro!
-Isso, o banheiro! -E um closet!
Ficou maluca?
O quê? Você saiu de casa. Eu fico com seu quarto.
O que está fazendo aqui, bicha?
O que você está fazendo entrando desse jeito? Peça antes.
-Aqui é meu depósito. -Ei!
-“Seu” depósito? -Isso.
Que engraçado.
Ei.
-O que você quer? -Escuta...
O que está rolando com Luisito? Está tudo bem?
-Com Luisito? -Isso.
Sim, claro. O que poderia estar errado?
Não sei, tem alguma coisa estranha.
Você sabe de algo?
Não, cara. O que você tem?
[CAMPAINHA]
Alô?
Oi, a Laura está?
Quem é?
Um amigo.
Não, Laurita não está.
Éramos amigos na escola.
Deixa para lá. Tchau.
Laura.
Ei, Manuel, como vai?
-Bem. -Nossa, que surpresa!
Há quanto tempo está na cidade?
Cheguei há alguns dias.
Você precisa de alguma coisa?
Sim. Quero falar com você.
O que foi?
Pode me dizer o que está rolando entre você, sua mãe e meus pais?
Nada, por quê? Não entendi sua pergunta.
Outro dia ouvi vocês conversando na minha casa,
e agora descubro que estamos pagando pelo seu plano de saúde?
Não tem nada de errado. Eles estão nos ajudando.
Sério? Meus pais não são de ajudar as pessoas.
Manuel, tenho que ir.
Não! Laura, por favor.
Me conta. Posso te ajudar.
Manuel, ainda não entendeu o que está acontecendo?
Seguro de saúde. Minha mãe. Seus pais.
Eu. Seu irmão. Não percebe?
Você está grávida?
Espera. Laura!
Você está um pouco fora de forma. O que foi?
Não estou, não. Corro todos os dias.
Só não estou mais acostumado a jogar tênis.
Melhor ainda. Vou com calma.
Quero te derrotar.
É?
Você está em primeiro.
Bem, não há competição para mim aqui.
Todos desse clube são fracos.
Sabe quem é muito bom, mas só me ignora?
-Seu irmão. -Facu?
Ele é genial. Já o viu jogando?
Ele tem um dom.
Ele tem o backhand do Federer. É incrível.
Mas ele só fica de preguiça o dia todo.
Nem treinar comigo ele quer.
Ele é jovem.
Além do mais, um jogador de tênis na família não é suficiente?
Sua irmã também poderia ter uma boa carreira.
Quase não há jogadoras de tênis na cidade.
-Vamos? -Não. Espera.
Podemos ir ao bar conversar um pouquinho?
Conversar? Sim.
Podemos falar no carro? Tenho que estar no trabalho às seis.
-Vamos indo. -Certo.
Pai...
Eu gostaria de ter uma boa relação com você.
Sinto que desde o Natal, algo se quebrou entre nós e...
Não sei.
Agora mesmo, enquanto jogávamos,
parecíamos desconectados, e não era assim antes.
Espera.
-Querida! -Como vai, Clara?
Luisito está aqui.
Que noticia boa, querida! Obrigado!
Nos falamos mais tarde!
Certo. Mudança de planos, Manu.
Vou voltar para o clube.
Quero terminar de organizar a partida.
Que partida?
Estou organizando uma partida para a Secretaria do Esporte
ver Luisito e talvez nos ajudar a patrociná-lo na Europa.
E enquanto fazemos isso, organizamos uma partida para a crianças da cidade
que estão empacados, para encorajá-los É uma boa ideia, não é?
Para que saibam que se quiserem ser atletas, eles podem.
Há muita droga por aqui.
Então, Luisito vai inspirá-los?
Isso, sim. Quem melhor que Luisito para inspirá-los?
Me deixa aqui.
-O quê? -Quero descer.
-Espera, por quê? -Porque quero descer aqui.
-Vou te levar para casa. -Não precisa. Vou descer aqui.
Mas... Tudo bem, eu te deixo aqui, mas o que aconteceu?
-Nada. Falamos mais tarde. -Só me diz...
Nada.
Por favor, diga que se tornou um leitor graças às minhas aulas.
Profe.
"Profe"? Você já se formou há muito tempo, não?
Há uns sete anos.
Muito tempo.
Como vai?
Bem. Dando uma volta pela cidade.
Notei a livraria e quis comprar um livro.
E você, senhor?
Você está me matando. Primeiro "Profe" e agora "senhor"?
Poderia se dirigir a mim com você? Olha, você me deixou nervoso.
Sim, claro.
Então...
-Está dando uma volta? -Sim.
Sim, estou visitando a família. Temos eventos familiares.
Que legal.
Já leu este?
Não, mas parece interessante.
É bom. É sobre um restaurante italiano em Mar del Plata.
Certo, se você recomenda
então talvez eu compre.
Você gosta de cozinhar?
Digamos que...
Tenho algumas especialidades.
Leve.
-Não, mas... -Pode pegar, sério.
-Posso pagar por ele. -Pode me pagar com algo gostoso.
Feito em casa, claro.
Certo, mas você pode pagar por ele, não é nada demais.
Eu sou o dono.
Que legal.
Bolo?
Perfeito.
Pode deixar, senhora.
Eu faço. Você não coloca sal ou óleo e as crianças detestam.
Dorita está te ensinando!
Seu irmão está aqui.
-É? -Sim. Vá dizer oi.
-Ele está se acomodando no quarto. -Já?
Sim, acabou de chegar de San Luis. Ainda bem que o voo estava no horário.
Certo.
Assim mesmo.
Manu! Mano!
Como vai?
-Estou bem. -Quanto tempo.
Mamãe disse que você estava na cidade.
-Você está bem? -Sim, vim passar uns dias.
-Legal. -Como você está?
Bem.
Estamos todos aqui.
Ótimo!
Assim parece. Como nos velhos tempos.
Você está de dieta?
Por causa disso?
-Comendo saudavelmente? -Cale a boca.
Meu irmão mais velho.
Que legal. Você vai ao jogo?
Não sei. Acho que não.
Talvez dê uma passada.
Só vim para o evento da mãe e do pai.
Não quero fazer muita coisa.
Bem, é só um jogo. Se ficar entediado pode ir embora
Tudo bem. Talvez eu vá.
E aí, meninos?
-Oi, pai. -Oi.
Duas coisas:
Primeiro. Decidimos que, como Luisito está
aqui, faremos uma foto de família nova.
-Certo. -Segunda coisa.
Hoje, Festa no clube. Para você, Luisito.
-Para mim? -Sim, claro que é para você, querido.
-Mas por quê? -Por quê? Porque você está aqui.
Consegui grandes nomes.
O representante da Prefeitura, o Secretário de Esporte...
Ei! O Secretário vem te ver.
Mas eu vim para cara para descansar, não para fazer um desfile.
Quero passar tempo com vocês. Descansar. Dar uma volta.
Ir à sua festa. Comer feito um porco.
Filho, uma coisa não impede a outra.
Você pode fazer tudo isso e ainda ir à festa em sua homenagem.
E a foto vai levar um segundo. Não dificulte as coisas.
É um desejo da sua mãe. Você também, Manuel, por favor não comece.
Eu não disse nada!
Esse é o papai.
Bem vindo à casa.
Manu!
O que está fazendo aqui?
Este circo é para você.
Eu não quero ir.
Falam comigo como se eu fosse Nadal.
Eles me tocam. É tudo muito falso.
Você quer?
Por que está fumando isso?
Tudo bem. É só um baseado.
Você tem uma partida para jogar amanhã.
Essa partida é uma bobagem que o papai armou.
Você o conhece.
Ele arrumou isso tudo para que a Prefeitura me patrocine.
Para que eles paguem os hotéis, os treinamentos.
-Bobagem. -Exatamente.
Se papai descobrir que você fuma isso, ele vai te matar.
Como vão as coisas? Como está a Europa?
Estou ótimo.
Barcelona é incrível. Os prédios, a arquitetura...
As ruas. E o mar é tão lindo.
Você devia vir comigo!
Ia gostar muito.
Às vezes penso que gostaria de ficar por muitos anos.
Não diga isso alto. É capaz da mamãe morrer se ouvir
que seu bebê vai se mudar para sempre para Barcelona.
Isso é verdade.
E como você está?
Nada bem.
Terminei com meu...
Com seu namorado?
Como você sabe? Se nunca te disse nada.
Todos nós sabemos.
Já faz um tempo que eu sei.
Por mim tudo bem.
Você é meu irmão e eu te amo.
E sobre o término:
Você é um cara bonito, vai encontrar outra pessoa.
Principalmente morando em Buenos Aires.
Há um milhão de pessoas.
É, não sei...
Quem sabe.
Espero que sim. E você e a Laura?
Acabou.
Mas, digo...
Aconteceu alguma coisa na última vez que vocês se viram?
Não, nada aconteceu. Só decidimos seguir caminhos diferentes.
Achamos que seria melhor cada um cuidar da sua vida.
Não sei. Se você está aqui, por que não vai falar com ela?
Ela não vem hoje à noite?
Eu não contei para ela.
Além do mais, ela sabe que eu estou na cidade.
Ela deve ter ouvido e mesmo assim não me escreveu.
Se eu fosse você, falaria com ela.
Pelo menos para perguntar como ela está.
Para quê?
Não sei.
[GRITO ABAFADO]
-Você ouviu esse grito? -Ouvi.
Acho que foi a Clari.
-Não foi nada. -Alguma coisa aconteceu.
Foi porque ela te viu.
-O que aconteceu? -Nada!
-Estou dizendo o que vi, senhor. -Ela está exagerando.
Entre no carro agora, Clara!
Entre no carro!
E você, moleque, saia daqui!
-Entre no carro! -Vá, querida.
Entre no carro! Você estragou a festa do seu irmão.
Você entende?
Chega de escândalos. Todos vocês, saiam. Vão para casa!
Você também, fora daqui.
Vou te pedir um favor.
Preciso que o que aconteceu fique entre nós.
-É muito importante para mim. -Sem problemas, senhor.
Agradeço.
Queremos entregar esse troféu ao Luis.
Ou Luisito, como todos o conhecemos,
por agraciar este lugar com sua presença.
Obrigado.
Muito obrigado.
Só mais um pouquinho. Diga algumas palavras.
Quero agradecer por dividirem esta tarde comigo.
Estou feliz de estar de volta ao clube que me viu crescer.
Eu passei muito tempo aqui e fiz muitos amigos.
Adoraria, em algum momento, que fosse feito um torneiro internacional,
sob esta administração.
Então, muito obrigado.
Quem é?
Manuel.
Manuel Lieto.
Estou indo!
[PORTA ABRINDO]
-Olá. -Oi.
-Como vai? -Estou bem!
Você está bem? Entre.
-Com licença. -Sim, por favor, entre.
Certo.
[TELEVISÃO LIGADA]
Aqui estamos. É amargo.
-Perfeito. -Ótimo.
-Pode fazer as honras? -Claro, obrigado.
-É laranja e canela. -Está lindo, já adorei.
-Você gosta? -Sim, adoro.
-E castanhas. -Tem castanhas como decoração.
-Belo detalhe. -É uma receita de família.
Certeza que você não comprou isso na padaria?
Você acha mesmo?
Claro que não.
Você vai ver.
Espera.
-Vamos trocar. -Lá vamos nós.
Isso é legal. Estou feliz de vê-lo novamente.
Fale mais sobre você, sua vida em Buenos Aires, não sei...
Está na faculdade?
Sim. Arquitetura.
-Maravilhoso! -Sim...
Acho que serviu mais como uma fuga que qualquer outra coisa.
Estava cansado de Mercedes e tive que ir embora.
Tudo bem, eu entendo.
Fico feliz que você tenha ido.
Quanto a mim...
Eu penso muito em ir embora.
Mas também penso que tenho um emprego aqui e...
e quando você envelhece passa a ter outras preocupações.
-Bem, você não é tão velho. -sou sim.
Mas você parece estar indo bem aqui.
Estou bem.
Mas é isso... Bem.
Porque aqui, quer dizer...
Eu gostaria de viver numa cidade maior,
onde ninguém fica te encarando,
onde não fofocam tanto.
Foi exatamente por isso que me cansei de Mercedes.
Todo mundo tem sempre uma opinião e estamos sempre esbarrando em alguém.
E a verdade é...
Eu não gosto disso.
Quero poder ser eu mesmo.
-E você se encontrou? -Acho que sim.
Pelo menos você procurou por si mesmo.
Isso é o mais importante.
Que bom que esbarrei em você.
Faz tanto tempo, não é? Te vejo...
Crescido. Bem, você é uma criança.
Eu me formei há sete anos.
Verdade.
Está mais maduro.
Você está bonito.
-Muito. -Você também está muito bonito.
E grisalho.
Fica bem em você.
-Eu gosto deles. -Não deveria tingir?
-Não! Vão falar se você fizer isso. -Sim!
Tudo bem?
-Sim. -Certo.
[CAMPAINHA]
-a campainha. -não!
Eu preciso ir embora?
A menos que queira ficar para uma aula particular de análise sintática.
Não, eu passo.
Já vai!
Podemos conversar?
Claro.
O que foi? Tem mais dicas para mim?
Você sabia que a Laura está grávida?
-Quer ver meu vestido... -Ei!
Então você sabe que ela está grávida.
Sim, claro que sei.
E o Luis sabe?
Não Manu, como ele saberia?
Eles não podem esconder isso dele. É filho dele!
Não sei. Mamãe disse que se contarmos para ele agora...
ele não vai querer voltar para a Europa.
E que ele vai explodir esse ano. E ela tem um pouco de razão.
Não, ela não tem! Vocês duas estão malucas?
-Qual é o seu problema? -Bem, não sei!
Não sei o que fazer com isso.
Mas se você não quer mais drama, cale a boca.
Meu acontecimento noite passada foi drama o suficiente.
E como você está?
Para ser honesta, acho que um pouco brava.
Por quê?
Porque sim. E ele não responde minhas mensagens.
Ele vai responder.
Ele deve estar apavorado com toda aquela gritaria.
Era necessário?
Bem, você conhece o papai.
Manu.
-Ei. -O que está lendo?
Um livro novo sobre um restaurante.
Você está mesmo interessado em cozinha.
E você?
-Está bem? -Sim. Estava passeando um pouco.
-Sabe com quem eu encontrei? -Quem?
Lembra do meu amigo da escola, o "Manteiga"?
-O moreno baixinho. -Isso.
Estávamos conversando e ele me contou que vai ser pai.
Mentira!
Sério?
Bem, é uma notícia boa, não?
Na verdade, não.
Eu fiquei chocado.
Se me contasse que eu seria pai aos 23 anos
Não sei o que faria.
Eu não acho que seria um grande problema.
Digo, nossa!
E Laura?
Não a encontrou?
Você só fala da Laura ultimamente. Ela é sua cunhada favorita?
Desculpe, mas nós terminamos.
Não, digo...
Eu gostava dela, sempre a achei legal. Só isso.
A mãe dela é maluca.
Bem, todos os pais são malucos.
Imagina o que ela deve achar dos nossos.
Não, você não entende. A mãe dela é outro nível de maluca.
Ela é desequilibrada.
Então, já quer voltar?
Está tão na cara?
Não...
Mas, assim, você mora lá agora.
Eu estou com saudades do meu apartamento.
Talvez.
E você?
Vai voltar?
Vai ficar lá?
Não tenho certeza.
Às vezes penso em voltar para cá.
Mas, sabe, as coisas podem ser muito tediosas aqui.
Depende. Talvez se eu conhecesse alguém daqui eu ficaria.
Certo.
Oi, Manuel!
Como vai, Juancito?
-Vou bem! -Vim buscar uma coisa para minha mãe.
-Sim, vai ser seu almoço. -Sim.
Ei, seu pai está lá nos fundos. Quer entrar?
Não... Não, tudo bem.
Estou com pressa.
Que delícia.
Sabe de uma coisa?
Falta uma foto de vocês seis aqui.
-Sim. -Não concorda?
Você deve estar certo.
Uma boa ideia! Uma ótima ideia, na verdade.
Como vai, filho?
-Oi. -Podemos tirar a foto na festa.
-Claro. -Seria legal.
Estou feliz que tenha vindo. Quero te mostrar uma coisa.
Certo. Vou deixar isso aqui um segundo.
Era disso que estava falando:
Umidade. Umidade. Umidade.
Aquela mancha é nova e parece que está crescendo.
Além do mais, parece que está tudo velho.
Acho que podemos usar isso como oportunidade...
para reformar a loja toda.
Melhorar, modernizar.
-É... -Você topa?
Topa o quê?
Como assim? Fazer, filho!
Quer dizer que eu faria a reforma?
Mas claro! Quem mais?
Não pai, não...
Eu não faço reformas.
Prefiro fazer as coisas do chão. Começar do zero.
Você só aceita projetos na planta?
Mas reformar são uma parte importante da sua carreira, filho.
Sim, mas…
para ser honesto, o que você chama de “moderno” para mim é ultrapassado.
Esse lugar deveria ser demolido para que começássemos do zero.
Eu faria algo mais contemporâneo, sabe?
Um clima mais "cool", mais New York.
Bem italiano, mas "cool".
Sim.
Certo, como você quiser.
Se um cliente chega e te oferece um trabalho como esse,
você tem que aceitar, filho.
Porque você vai ter que se sustentar de alguma forma.
Vai ter que ganhar o pão de cada dia de alguma forma.
Por que não conversamos um pouco agora?
Você não queria falar comigo?
Sobre como eu não te amo, não era isso? Vamos conversar.
-Agora você quer conversar? -Sim.
-Podemos ou não? -Certo.
Estou cansado, pai.
Cansado de ser a ovelha negra da família.
Você está sempre apontando os erros. O tempo todo...
Quer dizer, sinto que você faz isso porque eu sou gay.
Porque eu gosto de homens.
Isso não é verdade, filho.
-não? -Não, não é verdade.
Não me importo com o que você escolhe, ou que você quer...
Mas não é uma questão de escolha. É como me sinto.
Tudo bem. Isso não me preocupa.
Só quero que seja feliz, filho. E você não parece feliz.
Isso me preocupa.
Quero que você seja feliz.
Acabei de te oferecer a chance de fazer uma reforma,
uma coisa relacionada à sua carreira. E você recusa?
Você menospreza?
Não sei, filho, estou preocupado que passe a vida...
tentando ser alguém.
Quero que faça algo que te faça feliz e que te sustente.
Mas algo que você goste de fazer, menino.
Algo que te faça feliz.
E você? É feliz?
É essa sua paixão?
Olha, eu coloquei muito esforço em tudo que eu fiz.
Coloquei meu corpo e alma nisso, Certo?
E ninguém nunca me ofereceu uma reforma.
Isso não é verdade. Você está enganado. Não é como você está dizendo.
Oi! O que estão fazendo?
Como está, Luisito? Como vão as coisas?
-Estou bem, e você? -Bem.
Escuta, por que você não vai…
Pegue o carro e vá...
-E busque as crianças na escola, sim? -Claro.
Obrigado.
Quer vir comigo?
Sim, tenho que fazer umas coisas, mas tudo bem.
Mãe.
Manu!
Você foi ver seu pai?
-Sim. -E?
-E eu falei com ele. -E como foi?
Ele te falou sobre a reforma?
Eu adoraria que você fizesse, filho. Seria incrível.
Querido, estou feliz de estarmos os seis juntos!
Ter meus filhotes em casa.
Estou muito feliz.
-Mãe... -Eu tenho adorado isso!
Eu estou realmente interessada por jardinagem.
É uma coisa nova.
Não sei se já tinha te contado, não lembro.
Não lembro o que já te contei e o que não, mas estou muito animada.
É muito relaxante, sabe?
Conheci uma mulher que faz coisas incríveis.
Você morreria se visse! De verdade!
É engraçado porque o nome dela é Rosa,
-e ela ensina um grupo de mulheres que... -Mãe, me escuta.
Sim, filho, estou escutando.
Você está estranho. O que foi?
Eu não estou estranho! Eu não estou bem.
Não estou bem porque não estou bem com vocês. Preciso de vocês.
Meu namorado terminou comigo e eu não falo com vocês desde o Natal!
Bem, nós também não estamos bem. Eu já te disse, Manuel.
Pare de falar disso! Já chega, caramba!
Mas o papai disse que não liga para “isso”.
Ele disse que só se importa com meu futuro, minha felicidade, minha carreira.
O idiota do meu namorado me dá um fora assim que eu chego em Mercedes...
Eu também me importo com seu futuro! Me importo muito!
Mas deixa eu te falar sobre Máximo. É sobre isso que preciso falar!
Eu já te aceitei, filho…
Eu já disse. Eu aceitei.
Mas não consigo lidar com isso.
Não me conte o que faz na cama. Por favor, não me conte!
Mãe, eu não quero falar sobre sexo. Quero falar de amor.
Amor? Você disse amor?
Amor é o que eu sinto pelo seu pai. O que ele sente por mim.
Amor é um projeto de família. Isso é amor!
Você está maluca. Consegue se ouvir agora?
E o que você está fazendo com Luis?
Não contando que ele vai ser pai? Isso é amor?
Eu te imploro. Cale a boca, Manuel.
Por favor, filho, não fale sobre isso com ninguém.
Filho!
-Martin. -Manuel, como vai?
-Bem, e você? -Estava me esperando?
É, sim… Senti vontade de te ver e decidi te esperar.
Tudo bem, então.
Você está bem?
Mais ou menos.
-Quer entrar? -Sim.
-Eu quero. -Vamos.
-Depois de você. -Obrigado.
Estou tão cansado. Está tudo uma bagunça.
Sério? Tão ruim assim?
Não se preocupe. Você está aqui agora.
Acabou, Certo?
-Sim, mas sabe de uma coisa? Sinto... -O quê?
-Sinto que meus pais nunca vão mudar. -É?
Sim. Eles nem tentam me aceitar.
-Mas meu irmão não erra nunca... -É?
Digo, ele engravida a namorada,
e não é nada demais: Eles pagam o seguro médico dela e tudo bem.
Meu pai está preocupado com meu futuro, repentinamente.
O que se passa com eles?
Vai saber.
Olha, sabe o que é importante?
Que você seja claro.
Se você está desconfortável aqui, tem que ir para a cidade em que fique bem
e eles irão até você e vocês farão as pazes.
-Certo? -é fácil falar.
-E se eles não forem? -Então eles não valem a pena.
É o seguinte:
Há um período de três anos, certo?
É o que dizem. Três anos.
Se em três anos eles não te aceitarem, não vão aceitar nunca.
E? O que eu faço?
Como assim?
Tenho muito tempo até lá, mas...
se eu for embora, não vou te ver mais.
De jeito nenhum, você vai me ver…
a gente ainda pode se ver.
O importante aqui é que você esteja bem, Certo?
Que esteja bem.
Mas chega de falar dos seus pais, Certo?
Você consegue pensar em outra coisa?
Ou melhor, não pense.
TIVE QUE IR. ME DIVERTI MUITO. OBRIGADO!
-Sim, quem é? -A Laura está em casa?
Sou eu. Quem é?
É o Manuel.
Manuel... Não posso falar com você.
Meu irmão está na cidade. Precisamos contar para ele.
Eu sei que ele está aqui. Não vou contar nada para ele.
Laura, por favor.
Ele é uma boa pessoa, vai cuidar do seu filho e vai ser melhor assim.
Meus pais não entendem isso.
Tchau, Manuel.
Manuel, vá embora!
Laura, eu te imploro! Não seja uma péssima mãe!
Vá embora ou chamo a polícia.
Laura!
Manuel, é você?
Filho, onde você estava?
Não dormi aqui.
Não vou ficar me explicando. Eu não moro aqui.
Certo, não quero brigar.
Sou sua mãe. Você está em casa.
Você não voltou, eu fiquei preocupada, só isso.
Da próxima vez, só me avise.
-Certo, tudo bem. -Muito bem.
Olha, eu estava provando o vestido da festa agora.
O que acha?
-Fica tudo muito preto com esse sapato? -Não, você está bonita, mãe. Eu gosto.
-Gosta? -Sim, é bonito.
Tenho que ir ao salão e fazer tantas coisas.
-Não sei por que me meti nisso… -Não.
Juro, não consigo me divertir. Não consigo aproveitar você e o Luisito.
-Não consigo… -Ei, acalme-se.
Você está celebrando 25 anos de casamento. Vamos, isso não comum.
Então, aproveite. Use essa chance para se mimar.
Pense que se não fosse por isso, Luisito e eu não estaríamos aqui.
Sim, isso é verdade.
Desculpe.
Me perdoe, filho.
Desculpe se disse algo que te chateou.
É que é um assunto delicado.
E você me conhece...
Eu fico muito… Eu falo as coisas sem pensar.
Mãe...
Relaxa, Certo?
Eu sei que é muito difícil para você.
Eu entendo, de verdade, mas também preciso que você me entenda.
É um processo, mas quero que a gente passe por isso juntos.
Vai ficar tudo bem.
Certo?
Mas quero que me prometa uma coisa.
O quê?
Que vai resolver essa questão com Luisito.
Mãe, o que você está fazendo não é normal.
Certo, eu prometo.
Não está mais nas suas mãos!
Não consigo imaginar o que vai acontecer se seu irmão descobrir.
Relaxe.
-Você viu meus pais? -Não.
Obrigado.
Não! A minha tem álcool.
Tudo bem. Que saco.
"Que saco?" Quantos anos você tem?
Temos que comemorar. Comemorar é bom.
O que você quer que eu comemore? Isso é tão chato.
-Ei, idiota. Quais são as novidades? -Como assim?
-O que você vai estudar? -é sempre a mesma coisa.
No fim das contas você é igual à mamãe e ao papai.
-Não, bem… -Vocês não falam de outra coisa.
O que você quer que eu pergunte? Você nunca fala comigo.
Você só fica de preguiça o dia todo…
-Bicha. -Imbecil.
-Ei, vocês viram a mãe e o pai? -Não, por quê?
Não me diga que eles vão fazer uma grande entrada, por favor.
Não, por que eles fariam uma grande entrada?
Eles estão atrasados para a própria festa.
Enfim…
Por que você está bebendo?
-Você vai ficar louca. -Eu só estou com fome!
Certo, vou até a cozinha ver o que está rolando.
Pega algo para mim? Queijo e pão?
Vou ver o que tem.
Dora!
Como vai?
Mal.
Metade dos ingredientes está faltando,
a comida não chegou e eles acabaram de me dizer...
Por favor, precisamos fazer alguma coisa, Dora. Isso está uma bagunça.
A comida acabou, não acredito.
Não sei, acabaram de perceber.
Precisamos fazer alguma coisa, Dora.
Podemos buscar um pouco das nossas massas?
Caramba! Contratei um serviço de bufê exatamente para evitar servir massa.
-Dá para acreditar? -Relaxa, pai. Deixa comigo.
Dora, quais ingredientes temos?
-Vamos dar um jeito. -A gente consegue...
Adorei!
Está delicioso. Você tem talento, filho.
Devia viver disso.
-Você acha? -Com certeza.
Foi bem simples, na verdade.
Tínhamos tomate, pão e rúcula, então fiz umas bruschettas.
Bem, eu não teria pensado nisso.
Falo sério, filho.
Você nos salvou. Nesta noite, você nos salvou.
-Vou falar oi para Lore. -Tudo bem.
Lore!
Oi Martín, é o Manu.
Estou bem, estou na festa. Está um saco, mas tudo bem.
Podemos nos encontrar mais tarde?
Certo.
Não se preocupe, está tudo bem.
Até mais tarde. Tchau.
Bem, vamos brindar à minha filha Clara e seu marido, Luis.
É maravilhoso celebrar em família.
Obrigada, mamãe.
Obrigado, sogra.
Quero estender esse brinde aos meus filhos,
principalmente meu filho Luisito,
que voltou especialmente
para esta noite tão importante para nós.
Me emociona que esteja aqui.
Obrigado, pai.
Seu pai está certo.
Deve ser difícil ficar longe de todos nós.
Eu também quero fazer um brinde.
Por Facu, Clari e eu.
Afinal, também somos seus filhos.
Desculpe, pessoal, mas esqueci da nossa estrela.
Ele não se aguenta. Ele tem que ser a estrela da noite.
Meu filho, Manuel, preparou essas delícias que estamos comendo.
Que está cada vez mais longe de construir edifícios, mas, bem faz um canapés.
Querido, não é hora nem lugar para essa piada, Certo?
-Um brinde a… -Não estou brincando.
Um brinde ao Luisito.
Um brinde a você.
Um brinde aos meus filhos.
Eu também seu filho, pai!
-Não faça… -Pare!
Sou seu filho, você gostando ou não.
E acho que devemos brindar às minhas conquistas e às dos meus irmãos.
Você disse conquistas?
Um brinde aos nossos filhos.
Não.
Não, sinto muito, mas ele não tem direito de fazer isso conosco.
Luis, um brinde aos meus filhos. Porque eles são nossa família.
Mamãe está certa.
Vamos brindar à família.
Por que também não brindamos aos novo membro da família?
Cale a boca, Manuel.
-Um brinde ao… -Cale-se, Manuel.
Bebê de Luisito e Laura.
Que nascerá em breve.
Ele fará de nós
tias, tios e avós!
Como?
Cala a boca, cara!
Pai?
-O que foi isso? -Escapou.
Você não pode simplesmente deixar uma coisa dessas escapar!
Eu sei, mas você viu como o papai estava me insultando?
Então essa é sua desculpa?
Me desculpe! Foi a primeira coisa que me veio à cabeça!
Ele vai me matar.
Ele vai me matar...
-Você me odeia, certo? -Não, por que eu odiaria?
Não, isso não é sobre você! Isso é com eles.
-Me desculpe... -Você sabia disso?
Sinto muito.
-Ele vai nos odiar. -Vamos, depressa.
Irmão.
Queríamos ver como você está.
Como acham que estou?
Eu não entendo vocês!
Não entendo nenhum de vocês Menos ainda a mamãe e o papai.
-Parece que estão todos contra mim! -Não, não estamos contra você!
Digo...
Eu só fiz o que tinha que fazer.
Você tinha que saber o que estava acontecendo.
Sim, não fique bravo com Manu.
Você precisa nos entender também.
Você vem e de repente é o filho perfeito.
Você tinha que saber.
Não era o lugar e a hora, mas…
-Você preferia não saber? -Vocês me odeiam.
-Não. -Não!
Eu odeio o que nossos pais fazem com você.
Eles apontam todos os meus erros, mas você é o filho perfeito.
Mas…
isso não é mais minha culpa, Manu.
Isso é com eles.
Sim, você está certo, mas...
fazendo essas diferenças, eles nos colocam uns contra os outros.
E, pessoalmente, não gosto de me sentir assim.
Certo. Obrigado.
Então, o que você vai fazer?
Agora, não sei.
Quero ver Laura.
-Acho que ficarão bem. -Sim.
Também quero voltar para a Espanha e ver o que acontece.
Você ainda tem tempo para pensar, relaxe.
Irmãozinho. Acalme-se.
Desculpe.
Eu errei, não devia ter dito aquilo.
Sinto muito mesmo.
Não estou bem. Estou passando por um momento complicado...
e acabei machucando todos vocês.
Peço desculpas a vocês.
Sinto muito também.
Eu precisava saber de alguma forma.
E é bom saber que vocês não me odeiam.
Como poderíamos odiar você?
Você devia vir mais frequentemente, só isso.
-E trazer chocolate de presente. -você tem toda a razão!
O que estão fazendo aí em cima? Desçam, por favor.
Não! Estou cansado de vocês dois, pai!
Gente, por favor, desçam daí!
Então você pode continuar gritando com a gente?
Espera. Estamos indo.
Pessoal...
-O quê? -Acabou. Vamos descer.
Acabou.
Não vamos fazer disso um espetáculo maior.
Sim, quem é?
O Manu.
E aí?
Está ocupado?
Sim...
Sim, um pouco.
Posso entrar?
Estou ocupado.
Certo, tudo bem. Eu entendo.
Quero dizer que vou embora amanhã bem cedo.
Então eu queria...
Queria te ver e passar a noite com você.
Eu...
Não posso agora. É impossível, não.
Não posso.
Não posso mesmo...
Mas, ei. Bem…
-Tenho certeza que nos veremos novamente. -Certo.
-Espero que volte em segurança. -Certo.
Espera!
-O quê? -Qual é o seu problema?
O quê?
Eu disse que vou embora amanhã e você vai simplesmente me deixar ir?
Quer dizer, não se importa comigo?
O quê?
Cara, estou dizendo que vou embora amanhã,
e que não vamos nos ver por não sei quanto tempo
e você não liga. Só me deixa ir.
Não perguntou o que houve,
se algo aconteceu comigo ou com a minha família...
Tipo, qual é o seu problema?
Abaixe a voz.
Não está acontecendo nada…
Acho que você está muito confuso, Manu.
Está tudo bem.
Mais que bem.
Nos divertimos…
Mas foi só isso. Nada mais.
Então, é isso?
Sim, é isso.
Volte em segurança.
[ALARME TOCA]
Manuel!
Essa droga de alarme!
O que houve?
Nós acionamos porque achamos que você estava em casa.
-Quero sair daqui! -Não!
Desculpe, pai. Sinto muito por hoje...
Não, filho, por que está se desculpando?
Desculpe por ser bicha.
Me desculpe.
Não, filho!
Lutei contra isso toda minha vida.
Eu precisava...
Precisava me aceitar, mas...
Tudo que me importava era que vocês soubessem por mim.
Então ficaria tudo bem. Vocês não sofreriam.
Nós te amamos, filho.
Eu e sua mãe erramos em muita coisa, não foi?
Sinto muito.
O que me chateia é que às vezes você não está feliz.
Não parece feliz.
Quero que seja feliz.
Sinto que estou fugindo o tempo todo e estou cansado.
Estou exausto.
Você é muito corajoso, meu amor.
Você é muito corajoso.
Não consigo mais fazer isso, mãe.
Lembra de quando você era pequeno e ia à fábrica?
Você adorava!
Aí você decidiu ser arquiteto. O que aconteceu, hein?
Sempre quis ser como você, pai.
Sempre.
Escolher a arquitetura foi uma desculpa.
Para escapar, para fugir. Não sei, mas estou cansado.
Cansei de fugir.
Quero ser feliz aqui, com vocês.
-Sim, querido. Sim. -Quero estar perto de vocês.
Sim, claro, filho querido.
E...
Já vai estar.
Já vai estar.
Amo vocês dois.
Também te amamos.
Nós te amamos.
[MÚSICA ANIMADA]
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