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1a.Exibição (22 Fevereiro 1985)
O ENIGMA DAS CARTAS ANÓNIMAS Segunda Parte
Elsie!
Miss Holland!
Bom dia.
Bom dia!
O autor daquelas cartas é moralmente culpado de assassínio.
Este tribunal considera que Angela Margaret Symmington se suicidou,
num momento de perturbação mental.
Miss Partridge.
- Eu... - O que foi, rapariga?
Amanhã à tarde. Posso ir ter consigo? Para conversarmos?
- O que andas a preparar? - Nada, Miss Partridge.
Mas ando com uma coisa na cabeça.
Superintendente! Entre, entre.
- Desculpe-me interromper. - Ora essa.
Cara Mrs.Dobsby, importa-se...?
Muito obrigada.
Creio que ainda não conhece a minha amiga Jane Marple.
Vi-a ontem, durante a inquirição, não é verdade?
Exactamente.
Esta é a única máquina de escrever que as senhoras têm?
A única.
- Eryl, é assim, certo? - Sim. O Mr.Symmington ofereceu-nos.
Quando foi isso?
- Miss Ginch deve saber. - Deixe-me ver...
Deve ter sido em Novembro do ano passado.
Vou ter de retê-las mais um pouco.
Importa-se de dactilografar algumas moradas nestes envelopes?
- Só sei com dois dedos. - Dois chegam perfeitamente.
Aqui estão.
- Acho que não estou a perceber. - Maud, querida...
Todas estas cartas horrendas tinham envelopes escritos à máquina.
Podem ter sido todos escritos na mesma máquina.
E atrevo-me a dizer que o Superintendente anda à procura dela.
É só uma vistoria.
Claro, claro.
Desculpe-me, Superintendente.
- Posso dar-lhe uma palavrinha. - Com certeza.
- O veredicto de ontem... - Sim, Miss Marple?
Na inquirição... Não achou um pouco simples? Demasiado simples?
Simples?
- A conclusão de suicídio? - Não, Miss Marple. Não achei.
- Aqui tem. - Muito obrigado.
Peço desculpa pelo incómodo.
Que fim de tarde maravilhoso!
Haverá outro sítio no mundo
onde os dias de Verão caiam tão lentamente na noite?
Owen! É um homem surpreendente.
- Surpreendente? Eu? - Sim, você.
Por um lado, é frio, eficiente e objectivo: o Doutor.
Por outro, fala dos dias de Verão que caem lentamente na noite...
São pessoas diferentes.
Sou Galês, sabe. Deve ser por isso.
Não, não sei.
- Fale-me do País de Gales. - Do País de Gales?
Não sei se serei bom a fazê-lo.
Só sei que um dia terei de lá voltar.
Subir ao cimo do monte e olhar para o vale...
- É difícil explicar. - Sim.
Explicar aquilo que mais ama.
Estou?
Sim, Megan?
Espera... Partridge?
- Deve ter ido dormir. - Um momento, senhor.
Afinal não foi. Vem a descer.
Partridge, a Beatrice tomou chá consigo. A que horas partiu?
Não chegou a vir, Mr.Burton.
- Mas Miss Megan disse... - Deveria ter vindo.
Esperei por ela para o chá porque disse estar preocupada
e que precisava de falar comigo. Preocupada?
- Não se pode confiar nessa rapariga. - Desculpe-me o incómodo, Partridge.
Estou, Megan? Ela não chegou a vir.
Provavelmente saiu com o namorado.
Pois...
Há algum problema? Pareces preocupada?
Aconteceu alguma coisa?
Posso ajudar em alguma coisa? Estou aí num minuto.
Obrigada.
Beatrice?
- É você, Miss Megan? - Rose! A Beatrice...?
- Pensei que pudesse ter entrado... - Que estranho.
Não chegou a vestir o melhor vestido.
Pois não...
Mas veste sempre, quando tem tardes livres.
- Sim? Quem é? - Telefone, Mr.Burton.
É Miss Megan.
- Vou já. - Diz que é urgente.
Obrigado, Partridge.
- Estou? - Gerry! Graças a Deus!
É a Beatrice. Está morta.
- Meu Deus... - Foi assassinada, Gerry!
Presta atenção, fica calma. Eu vou já para aí.
Crawford, coloque um homem em cada porta. Ninguém entra nem sai,
até ordens em contrário, entendido? - Certo, senhor.
Johnson, vá para aquela porta.
Afastem-se. Vamos à ver.
Eu diria entre 15 a 20 horas.
É toda sua.
Bill?
Eu bem te disse desta casa? Tem mau-olhado.
- Não me deixam ir trabalhar. - Parece que não.
Pelo menos, por enquanto...
Um momento, senhor. Não pode entrar aqui.
- Mas Miss Megan telefonou-me... - E possível, senhor,
mas tenho ordens a cumprir.
Gerry!
- Não pode sair, menina. - Eu levo-a para dentro.
Se não se importar, senhor.
Esperem! Ela não pode sair e você não pode entrar, já lhe disse!
Não vê o estado em que está a rapariga? Ou eu a levo para dentro,
ou terá de arcar com as consequências.
Consequências...?
- Mas ela esteve fora todo o dia. - Não. Isso era o que nós pensávamos.
Mas o George fez-me perceber...
- Ela regressou... - Regressou?
Santo Deus! Senta-te aqui.
Uma chávena de chá, Rose. Com muito açúcar.
- E uma aguardente, se houver. - Havemos de encontrar...
Depois, algumas botijas de água quente.
Precisamos de a pôr na cama.
Que alivio! Os rapazes ficaram com os primos. Graças a Deus!
Que dia!
- Megan! O que se passa contigo? - Miss Holland. Venha comigo.
Pronto, querida. Já vais ficar boa.
Bebes um chazinho e vamos deitar-te numa cama quente.
Está em estado de choque.
E não estamos todos?
Mas você não encontrou o corpo, pois não?
- Como está o Mr.Symmington? - Muito abalado.
- Faça-me um favor... - Tentarei.
Fique junto dele. Ajude-o a distrair-se.
- Farei o meu melhor. - É assim mesmo!
O que faz aqui?
- A Megan telefonou-me. - Dei ordens explícitas...
Como conseguiu passar pelo Johnson?
A verdade é que ainda bem que o fiz. A rapariga está profundamente chocada
e ninguém se rala com isso...
Pronto, está bem...
- Chefe de Esquadrilha! - Valha-me Deus...!
Não se preocupe. A Rose vai já levá-la para cima. Irá cuidar dela.
Diga-me...
Toda a população de Lymston conseguiu passar pelo Agente Johnson?
Peço imensa desculpa. Estava a conversar com a cozinheira, a Rose...
Óptimo, óptimo....
E fiquei a saber algo bastante importante, não lhe parece?
É possível, se tiver a amabilidade de mo contar.
Parece que a Beatrice regressou a esta casa.
Ela nunca deixou esta casa, Miss Marple.
Não. Peço desculpa. Estava a falar do dia em que a Mrs.Symmington morreu.
A Beatrice havia discutido com o namorado, o George.
Depois, regressou e passou toda a tarde aqui.
Isso muda de facto tudo, não é assim?
- A Rose não me falou nisso. - Pois. Parece que não...
Talvez não lhe tenha perguntado...
- Mais alguma coisa, Miss Marple? - Não. De momento creio que não.
Então, se não se importam, saiam ambos desta propriedade.
Sim, claro... Venha, Chefe de Esquadrilha.
Desculpe, Superintendente, mas espero que não me ache... Como o direi?
Irritante?
Nem pense nisso, Miss Marple.
Óptimo. Fico muito contente. Obrigada.
Um momento, minha senhora. Tenho ordens a cumprir.
Ninguém entra e ninguém sai.
Santos Deus, que emocionante!
E os jornais de domingo...?
- Já imaginou? - Não tenho vontade de o fazer.
Aqueles jornalistas andam sempre bêbedos, segundo se diz.
É deplorável!
Mas confesse lá. Não se sente nem um bocadinho entusiasmada?
Sinceramente, Mr.Pye...
''Rapariga de Lymston brutalmente assassinada''
Se eu fosse a si, não tocava nisso.
- Em quê? - Nessa máquina.
Nesta máquina de escrever? Porque não?
Foi essa, não foi?
- Foi esta que quê? - Que foi usada para os envelopes.
Quem lhe disse isso?
O Agente Johnson disse ao meu Arthur.
Foram todas escritas na Associação de Mulheres, diz ele. Nessa máquina.
Eles conseguem saber, percebe? E a Ciência.
Foi o Mr.Symmington que nos ofereceu esta máquina, Mrs.Cleat.
Nunca disse o contrário. Mas isso foi há muito tempo, não foi?
E você andava a arrumar cadeiras, não era? Isso também foi há muito tempo.
- Acha que é verdade? - E pois!
Aquela velha tem um faro infalível para o que não deve.
- Nesse caso, todas nós somos... - Sim. Somos todas suspeitas.
Partridge?
Partridge?
- Partridge! - Fui fazer as compras do talho.
- Quando parte o próximo autocarro? - Para Lymston?
- Daqui a alguns minutos. - Tenho de me despachar, então.
Lucky Cariad! Que na minha língua quer dizer, ''Olá!''
Não me vou embora para o País de Gales, só para Lymston.
Entre.
Foi uma sorte! la ligar-lhe.
Que agradável.
Gostaria de jantar comigo no sábado?
- Jantar? Só nós os dois? - E o seu irmão e a Eryl, obviamente.
Obviamente porquê?
- Porque eu... - Acha que me posso aborrecer?
- Precisa de uma dama de companhia? - Não. Não é isso.
Owen, já sou crescidinha, caso não tenha reparado.
Eu reparei.
Então...?
É também uma jovem moderna, habituada à agitação da grande cidade.
- Não conheço muitas, percebe? - E isso assusta-o?
Eu não diria isso.
Mas faz-me questionar o que haverá por detrás de tanto brilho.
Isso é que eu gostaria de saber.
Owen, isso é maravilhoso! Ao menos está interessado.
- Em saber onde a devo levar. - Não lhe disse? Para a Polícia.
Entende a minha preocupação, Superintendente?
Creio que sim.
No entanto, a carta de suicídio foi escrita pela Mrs.Symmington.
- Disso, não há dúvida. - Num pedaço de papel...?
- No mínimo invulgar, não acha? - E o que acha?
Também o suicídio é pouco vulgar, não lhe parece?
De facto, é.
Mas certamente que estas cartas costumam ser mais formais.
De certa forma, serão uma justificação do acto.
Mas nunca uma só frase, ''Não consigo continuar'',
escrita num pedaço de papel, rasgado nas pontas....?
Eu próprio me sinto já um pouco rasgado nas pontas, Miss Marple.
É o senhor, Mr.Burton?
- A menina Joanna está? - Teve de ir a Lymston.
Deseja alguma coisa, senhor?
Um whisky com soda, por favor.
Estou a perceber, Miss Marple, mas...
Desculpe, senhor.
- Diz que é muito urgente. - Quem diz, Johnson?
Esta jovem senhora...
Superintendente, acabo de receber outra dessas horrendas cartas.
- Miss Marple! Peço-lhe desculpa. - Ora essa, minha querida.
Encontrou isto no meio dos livros de Miss Barton?
Exacto.
Muito perspicaz, Chefe de Esquadrilha!
Nem por isso. Era um livro antigo, e o tipo de impressão...
Fê-lo lembrar da última carta que recebeu?
- Miss Barton! Quem diria? - É muito estranho.
E este envelope dirigido a Miss Burton.
Desculpe-me Superintendente, mas já reparou?
O ''U'' em Burton foi alterado a partir de um ''A''.
Sim...
Parece que o seu autor não quis acusar Miss Barton de ser ''uma meretriz''.
É de facto muito estranho!
- Se precisares de boleia, liga-me! - Assim farei.
- E volta sem essas muletas. - Está bem. Obrigado, Jo.
Boa sorte!
Ida e volta para Londres, por favor.
- Obrigado. - Obrigado, senhor.
- Olá. - Viva!
- O que te traz aqui? - Nada.
Acabo de encontrar a Partridge e lembrei-me de o vir ver.
- Queres ter a certeza que vou? - Sabe bem que isso não é verdade.
Nesse caso, o melhor é acompanhares-me.
Vai fazer algo de especial em Londres?
Os exames mensais. O Ministério da Aviação
quer ter a certeza de que o Doutor Owen não me anda a matar.
Aí vem ele.
Vai ficar longe muito tempo?
Só o tempo necessário.
Volta depressa, não volta?
Anda.
Atenção à porta!
- Mas não tenho bilhete... - Já tratamos disso.
Mas porquê...?
Porque de repente me senti como o Professor Higgins.
E tu serás a minha Eliza Doolittle.
- Quem é ela? - Já vais descobrir.
INSTITUTO DE MULHERES DE LYMSTON
- Quando for velha... - E ainda bela...
- Não te rias de mim. - Contigo.
É ali que vou acabar? A organizar quermesses...
...cafés da manhã e a engarrafar doces?
- É uma provocadora, rapariga! - E tu és impossível!
- Quem, eu? - Sim, tu.
- Boa noite... - Boa noite!
- Quem era? - Não vi.
Vamos.
Estás entregue. Obrigada.
- E isto? - O pó regressa ao pó...
Parece que sim. Boa noite e obrigada, mais uma vez e...
E...?
Tu e a Joanna têm tanta paciência para me aturar...
- Gostava de... - Tenho de te dizer.
Quero beijar-te.
Boa noite!
O que faz o senhor, Chefe de Quadrilha?
- É o senhor, Superintendente... - la a caminho de casa?
Sim. Ficou escuro de repente e andava só a passear.
Sim, claro... Está a ficar tarde, senhor.
E quer que eu vá andando?
- Boa noite, senhor. - Boa noite.
Miss Holland recebeu-a esta manhã.
Escárnio, certo? Não é tão explícita como a última...nos detalhes sexuais.
Achei que devia vê-Ia o quanto antes.
Quanto mais cedo, melhor. Como reagiu Miss Holland?
Fria como gelo.
- É corajosa, aquela rapariga. - Nunca tinha recebido nenhuma?
Não, creio que não. Nash...?
- Ainda não tem nenhum suspeito? - Talvez.
Esta carta pode ser aquilo de que precisávamos.
Esperemos que sim.
Obrigado pela sua ajuda. Vou mandar os peritos analisar.
Vou sair mas não demoro, Miss Ginch . Tenho de fazer uma chamada.
Com certeza, Mr.Symmington.
- Onde está o Inspector? - Lá dentro, senhor.
- Crawford. - Sim, senhor!
Leve isto para ser escrito à máquina. Nada de cortar palavras, desta vez.
Tudo escrito à máquina. E se condisser com o que já temos,
achámos o que procurávamos!
- Edward! Viva...! - Está muito ocupada?
Estou apenas a tricotar.
O Owen foi fazer as suas visitas.
- Que idiota que sou! Claro que foi. - Posso ajudar em alguma coisa?
- Não sei. - Entre, por favor.
É aquele remédio para dormir que o Owen me deu... Não o encontro.
Escondi-o algures por causa das crianças.
- Não preguei olho toda a noite. - Não há problema.
Tenho aqui a receita. O Owen pode passar outra para ficar no registo.
- Sente-se um momento. - Obrigado.
Não perca estes também, Edward.
Não se preocupe. Aprendi a minha lição!
Do que precisa agora, é de alguém que cuide de si...
- Leu tudo isto? - Como?
Livros didácticos.
A História da Medicina Britânica...?
Em tempos, também eu quis ser médica, mas o dinheiro não chegava
e o Owen era o rapaz.
As raparigas têm de se acostumar a ser preteridas...
Aqui tem! Não se esqueça, só um.
Se tomar dois, fica a dormir durante 24 horas
e o que seria da Justiça em Lymston?
- Eryl...? - Sim, Edward?
Deus a abençoe!
Salvou-me a vida.
Miss Griffith, gostaria de lhe falar, por favor.
Com certeza.
Nash... Novamente?
- O que o traz cá? - E a si, senhor?
- Apenas a necessidade de dormir... - Estou a ver.
Preferia falar-lhe em privado, Miss ...
Não há problema. O Mr.Symmington é um velho amigo.
Muito bem, então.
Diz-lhe alguma coisa, Miss Griffith?
Não. Nada.
E se lhe disser que foi vista a dactilografar essa carta
no Instituto de Mulheres, anteontem?
Isso é ridículo!
- Não é nada do que está a pensar. - A pensar, não. Eu sei!
Superintendente, posso interrompê-lo?
Seja o que for que Miss Griffith tenha ou não feito,
tem direito a ser representada.
- Como advogado e amigo pessoal... - Não, Edward, não faça isso.
Vá-se embora, por favor. Vá-se embora.
- Mas minha querida... - Não!
Não quero que ouça... Não quero que veja.
Não quero que saiba.
Vá-se embora!
Manter-me-ei em contacto.
Miss Griffith, tenho um mandado para a sua prisão
pelo assassínio de Beatrice Dunn.
Na esquadra, poderá querer fazer uma alegação.
Entretanto, tem o direito de permanecer em silêncio.
Venha.
Quero tudo passado a pente fino, Crawford.
Apaixonada pelo Symmington, é óbvio que estava. Há anos que sei disso.
Mas matar...?
Nunca. Não seria capaz. Nem uma mosca.
Temos de poder fazer qualquer coisa.
Ninguém pode fazer nada, por enquanto.
Mas se pudesse, sei perfeitamente que o estariam a fazer.
- Aquilo está cheio de polícias. - Estão a passar tudo a pente fino.
Cada prateleira e armário do quarto da Eryl... Até levantaram o tapete!
Agora estão a revirar a farmácia e a sala de espera.
Sabe-se lá o que esperam encontrar...
O Inspector pede para avisá-lo que vamos levar isto.
O quê? De onde...?
- Do meio dos livros da prateleira. - E o pilão...
Faz ideia para que é usado?
Não lhe sei dizer, senhor,
mas o Inspector diz que pode muito bem ser a arma do crime.
Muito obrigado, senhor.
Maud, querida, tenho a certeza que prenderam a pessoa errada.
Mas a carta para a governanta? Eles viram-na escrevê-la.
Pobrezinha... E se viram? Isso não prova nada.
E as folhas dos livros com as palavras e as letras rasgadas,
por trás da secretária? Também não provam nada?
Não provam grande coisa.
Afinal, se tinha aquelas folhas, para que foi escrever a carta à máquina?
Mais nenhuma o foi, apenas os envelopes.
Sinto-me tão frustrada. Tão impotente... tão lenta!
Talvez...
Maud, tive uma ideia!
- Posso usar o teu telefone? - Claro, querida.
Não, ainda não... Conheces toda a gente por aqui.
Conta-me mais coisas sobre a enteada dos Symmington, a pequena Megan.
Está feliz, Elsie?
Claro, porque não haveria de estar...?
Eu também estou.
Gostaria de lhe falar.
- Sim, claro. - Deixe-nos a sós por favor, Elsie.
- Um momento... - Imediatamente, Elsie!
Muito bem...
Porque fizeste aquilo?
Quero dinheiro.
- Tens a tua mesada. Não chega? - Não chega.
Dentro de alguns meses, receberás o dinheiro da tua avó.
Quero que mo dês tu.
Queres?
Importas-te de ir directa ao assunto, minha menina?
Pois bem. Vi o que fez aos calmantes da minha mãe naquela tarde no quarto.
Não percebo o que queres dizer com isso.
E não ouvi nada...
Mas estás numa idade em que deves precisar de certas coisas.
De roupas e tudo o mais.
Por isso...
- 500? - 5000.
Chega?
Por enquanto...
Sim, sei muito bem que é um risco calculado, Chefe de Esquadrilha.
O meu receio é que digam que sou uma velhota tonta e me mandem para casa.
Nesse caso, irei precisar de um homem com a sua coragem.
Só espero que esteja certa, Miss Marple.
Vou já ter consigo.
Ainda não acabou, Rose?
Depois de pôr a mesa para o pequeno-almoço, senhor.
Vou levar o leite a Miss Megan e irei imediatamente para a cama.
Procurava alguma coisa, senhor?
- Não. Apenas um fósforo. - Há uma caixa junto ao fogão.
- Boa noite. - Boa noite, Rose.
Minha senhora, tem noção da posição em que me está a colocar?
Se isto correr mal, não sei o que lhe farão a si, mas sei o que me farão.
- Vão querer a minha a minha cabeça! - Tente perdoar-me, Superintendente.
Tudo o que sempre quis foi ajudar.
- Ajudar? - Sim.
Ajudá-lo.
Agarrem-no.
- Não fique aí parado, Johnson. - Sim, senhor. Obrigado, senhor.
Pulsação perfeitamente normal. Já irá regressar a si.
Graças a Deus que não lhe deu uma overdose!
- Mas porque não o fez? - Seria demasiado arriscado e óbvio.
Teria de responder a demasiadas questões.
Eram os calmantes dele.
Mas um forno a gás e uma pobre rapariga magoada pela morte da mãe...
O ideal!
- Bom, tenho de ir andando! - Superintendente...
Deixe-me dar-lhe os parabéns por ter tido a coragem...
Das suas convicções, Miss Marple. Obrigado.
A propósito, Doutor, iremos libertar a sua irmã.
Sabemos que foi o Symmington quem colocou aquelas páginas rasgadas
na sua sala de espera. - E essa última carta?
Um rapaz tonto e uma rapariga tonta.
Não raras vezes, as pessoas cometem erros quando estão apaixonadas.
E coisas terríveis, como a que fez o Mr.Symmington.
Mas é o que faz andar o mundo, como se costuma dizer. Por vezes...
- Mas porque foi ela...? - Pergunte a Miss Marple.
Costuma ter as respostas certas.
Tenham um bom dia.
Um momento, Superintendente.
E então...?
Talvez tenha sido dos falatórios.
A ideia de que Miss Holland
quisesse vir a ser a segunda Mrs.Symmington
e que talvez a carta a assustasse.
Megan?
Megan, querida?
Gerry...
Obrigada por tudo, meu querido. Foi muito corajoso.
Tome bem conta dela.
Está tudo bem?
Agora está.
Miss Holland... Vai sair?
Não conseguiria ficar nesta casa nem mais um minuto.
Dá-me arrepios. E vão todos dizer que a culpa foi minha,
mas eu não fazia ideia nenhuma!
Quando cavalheiros de uma certa idade se apaixonam,
esta doença afecta-os fortemente.
- Então adeus e boa sorte! - Obrigada.
Vai ficar bem.
Tal como o doutor previa, o paciente já voltou a si.
Óptimo.
Jantar hoje à noite, por favor. E só comigo.
- Se são essas as ordens do Doutor. - Exactamente.
- Correste um risco enorme, Jane. - Eu sei, querida,
mas tinha de o fazer.
E o Superintendente foi maravilhoso, não acham?
- Como está ela? - Creio que está bem.
O Owen está a certificar-se disso.
Não compreendo quando começou tudo isto?
Calculo que há imenso tempo. Logo após a chegada de Miss Holland.
Todas as cartas anónimas, escritas naquela máquina
antes de a oferecer ao Instituto... Não passavam de um subterfúgio.
Queria que todos suspeitassem de uma mulher, e conseguiu-o.
Ficaram todos a olhar para o fumo, e ninguém viu o fogo.
Obviamente, o seu principal intuito era o assassínio!
Que impassível!
- Pois foi. Pois é! - O meu envelope?
O que tem o ''A'' transformado em ''U''? Era destinado a Miss Barton.
Mas o ''U'' não foi escrito na mesma máquina.
Foi um erro idiota e desnecessário da sua parte.
E a pequena e trágica Beatrice? Como se viu envolvida nisto?
Porque ele resolveu livrar-se da mulher
numa tarde em que sabia estar sozinho em casa. Numa quarta-feira.
Logo após o almoço, misturou o cianeto nos calmantes da mulher,
e voltou para o escritório.
Quando regressou, dirigiu-se à enfermaria onde lhe serviram um chá,
que ele levou para o quarto. Deixou uma carta anónima no chão
juntamente com a nota de suicídio, e deu o alarme.
- É de facto um verdadeiro actor. - Mas a nota de suicídio:
''Não consigo continuar''. Era a sua letra.
Mas as notas de suicídio
não costumam ser escritas em pedaços de papel rasgados de blocos de notas.
''Não consigo continuar'', o quê?
Não consigo continuar na sexta-feira, ou no sábado, talvez?
Ele deve tê-la encontrado, achou que poderia ser útil e guardou-a.
Bem sei que sou um pouco lento nestas coisas, Jane,
mas continuo sem perceber porque tinha a Beatrice...
A Beatrice... Foi uma discussão. E o assassino não poderia saber
que a Beatrice iria discutir com o namorado e regressar a casa.
- Onde viu o que aconteceu? - Não viu absolutamente nada.
Nem um namorado arrependido... Nada. Não caiu nada na caixa de correio,
nenhum carteiro veio dizer que entregara a carta anónima... Nada.
Lentamente, a pobre rapariga foi associando as coisas,
ficou perturbada e procurou a Partridge.
E foi por isso que ela não desconfiou.
- Como conseguiu ele? - Era uma quarta-feira.
Fingiu sair para trabalhar mas não o fez.
Bateu com a porta, voltou para dentro e escondeu-se.
Todos partiram deixando só a pobre Beatrice, sempre a última a sair.
Talvez tenha tocado à campainha e quando ela foi abrir,
bateu-lhe por trás atirando-a para dentro de um armário.
Ninguém reparou no seu atraso no escritório. E claro...
...a Partridge nunca chegou a saber o que a perturbava.
Jane, és realmente formidável!
- Não acham? - Sem dúvida.
Mas suponhamos que as coisas corriam mal. O que teria acontecido à Megan?
O Chefe de Esquadrilha sabe melhor do que muitos,
que não vimos para este mundo para evitar o perigo.
Pelo menos quando está em risco a vida de gente inocente.
Muito bem, Miss Marple.
Conseguiu convencer a Megan, terei de aceitar isso.
Até logo.
O seu irmão tem imensa coragem. Farão um belo par, aqueles dois.
E a menina também, com o belo Doutor lá de cima.
Sabes o que realmente me apetece, Maud?
Não faço qualquer ideia, Jane, mas só precisas de o dizer.
Será que...
... seria possível bebermos um chazinho?
1a.Exibição (22 Fevereiro 1985)
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