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Griots Team apresenta: Lee
Legendas: Danvers - Russi Madu21 - Marck93
Temos que ir. Vamos!
FARLEYS HOUSE, INGLATERRA, 1977. Bombas explodiram. Soldados foram mortos.
Sim. Espero que isso aconte�a numa guerra.
Bom, se voc� sabe, n�o precisa perguntar.
Respondeu alguma pergunta? Devo ter perdido.
O que espera ganhar com isso?
"Ganhar com isso?"
Se acha essa pergunta dif�cil,
reconsidere sua carreira no jornalismo.
Estou curioso.
Isso nunca � bom sinal.
Talvez pra voc�.
Est� fazendo tempestade em copo d'�gua.
S�o s� fotos.
N�o acredito nisso.
Devem ter hist�rias por tr�s delas.
Por que importa?
Devem ser ouvidas.
N�o quer que o mundo saiba de voc�?
N�o foi por isso que voc� foi l�?
Acha que fui � guerra pra me tornar famosa?
- N�o disse isso. - Disse, sim.
N�o quero te interrogar.
Toda entrevista � um interrogat�rio.
As boas, pelo menos.
Todas essas foram publicadas?
- Algumas foram. - Mas n�o todas?
O que eu ganho?
O que quer dizer?
Te conto sobre as fotos.
Te dou todas as minhas hist�rias.
O que ganho em troca?
Precisa ser t�o transacional?
A vida � assim.
Te conto uma hist�ria minha se me contar uma sua.
T� bom.
MOUGINS, FRAN�A, 1938.
Fui modelo, musa, a jovem em ascens�o.
Mas estava farta de tudo isso.
Eu era boa em beber, transar e tirar fotos.
E fiz os tr�s o m�ximo que pude.
A vida era divertida.
Pegue a lagosta. Coloque na orelha,
como se estivesse no telefone com seu namorado.
Linda, linda, linda.
Isso � �timo.
Quantas brigas acha que tiveram desde que sa�mos?
Acha que eles sa�ram da cama?
Ol�?
N�o. Ele n�o � "lun�tico".
Ele � calculista. Mau. E n�o vai durar.
Mas os alem�es parecem am�-lo.
Bem, os franceses n�o.
- Vive la France. - Aqui est� o almo�o.
Bravo. Venha sentar.
Por favor, sem mais pol�tica.
Ent�o, estava pensando, devemos nadar antes dos coquet�is esta noite.
Maravilhoso. Concordo.
Mas, s�rio, a Fran�a n�o aceitar� suas ideias, vamos agir contra ele.
Quando falhar, a Inglaterra estar� pronta para socorr�-los novamente.
Querido, voc� est� aqui!
J� �amos enviar uma expedi��o de busca.
Os ingleses adoram se gabar por salvar o dia.
Ajuda que voc� geralmente espera at� o �ltimo segundo.
- Roland. - Oi.
Roland. Bem-vindo.
Foi uma jornada horrivelmente longa?
De Cassis?
De Londres, � claro.
Fiquei preso atr�s de um fazendeiro.
Voc� conhece o Roland, n�o �?
Se eu o conhecesse, gostaria dele?
Ele � bastante encantador.
Ent�o, n�o vou me entediar se continuarmos nos apresentando?
Duvido.
A galeria de arte dele vende seus seios e sua bunda.
Quanto?
Posso falar por mim mesmo?
Claro que o pre�o n�o � alto o suficiente.
Vendi muito r�pido.
Queria ter ficado com eles mais tempo.
A mim agrada. Nunca gostei de ficar por perto.
Voc� n�o ouviu? � isso que todas as ex-modelos fazem.
Viajam o mundo e fingem ser algu�m interessante.
E voc�? Por que n�o te conhe�o?
Bem, n�o sou importante.
Apenas vendo suas obras.
Se voc� n�o � t�o importante, talvez deva cortar sua comiss�o?
Trabalho dia e noite para voc�, meu caro.
Voc� n�o parece algu�m que trabalha dia e noite.
E h� tinta em suas m�os. Assumo que voc� � artista tamb�m.
Vejo que voc� n�o limpa,
� porque quer que as pessoas saibam?
Ou deixa a� porque precisa convencer a si mesmo de que �?
Voc� serve o pr�prio vinho sem pedir ao anfitri�o.
Aposto que qualquer grande fam�lia inglesa
sabe seu nome antes de voc� chegar.
Voc� � parte do sistema e odeia isso.
Estou certa?
Minha fam�lia � quaker. N�o exatamente um sistema.
Mas, de resto...
Ela pode nos ver.
Posso tentar?
Por favor.
Boa sorte com isso!
Voc�...
cresceu numa classe m�dia r�gida,
o que significa que era pobre para os ricos e rica para os pobres,
ent�o sente que nunca se encaixou.
Est� acostumada com as pessoas se distraindo s� de olhar para voc�.
Voc� aprendeu a usar isso.
O que te torna mais esperta que a maioria.
Voc� n�o gosta de quem te questiona,
especialmente quando sabe que est� errada.
E voc� tem segredos.
Muitos...
que nunca compartilhar�.
Eu nunca estou errada.
Essa � a nossa Lee.
E tamb�m consigo servir meu pr�prio vinho.
Te conhe�o h� quase tanto tempo quanto conhe�o Jean.
E te amo quase tanto quanto o amo.
Sentimos sua falta.
Volte para Paris com a gente.
N�o sei mais quem sou em Paris.
A quest�o �...
quem voc� quer ser agora, Lee Miller?
E o que far� a respeito disso?
Vi seu trabalho, sabe?
Seios e bunda...
Eu me lembro.
N�o, quero dizer seu trabalho real,
seu trabalho fotogr�fico.
Voc� � realmente impressionante.
Obrigada.
Prefiro tirar uma foto do que...
ser uma.
Se importa se eu entrar?
Voc� me conhece h� quatro horas.
Imagine o que eu poderia saber em cinco.
Roland?
Roland?
QUERIDA... 69 MANEIRAS DE EU DIZER QUE TE AMO
Ol�.
Bom dia.
Est�vamos apostando que horas te ver�amos hoje.
Quem ganhou?
Adivinha.
Ele � muito menos chato do que eu pensava.
- Bom dia. - Est� vivo.
Mais ou menos.
Posso?
Por favor.
Agora, olhe aqui.
Se eu cair dessa escada e morrer,
diga s� coisas bonitas sobre mim.
N�o deixe o Man Ray fazer uma de suas explos�es.
"Ela viveu como parecia, futilmente e com aventura."
Eu n�o sou f�til.
N�o sou.
Para onde devemos ir a partir daqui?
Bem...
Certamente n�o de volta l� embaixo.
Eu parto amanh�.
Vem comigo para Londres?
Quando foi a �ltima vez que ficou mais de alguns meses em um lugar?
Como voc� pode saber tudo o que h� para saber
se fica sempre no mesmo lugar?
E voc� encontra prop�sito suficiente nisso?
Bem, talvez eu n�o tenha encontrado nada interessante o bastante para ficar.
Qualquer coisa ou qualquer um?
Deus.
N�o corra.
Bem...
Voc� poderia apenas...
Essa mo�a na Feira de Cal�ados
est� exibindo sapatos delicados para policiais.
Mas o lado s�rio da feira tem coisas muito bonitas para voc� olhar.
E voc� pode olhar os sapatos tamb�m.
Indo de um extremo a outro, quando Hitler faz seu 48� anivers�rio,
eles fazem um grande espet�culo.
Na verdade, ali, a receita para festas bem-sucedidas
parece ser algo como juntar algumas centenas de homens,
apresentar bandeiras flutuando ao vento...
- Jesus, olhe todos eles. - S�o idiotas.
Mas perigosos.
Est�o todos cegos.
Nem todos acreditam nisso. Certamente conseguem ver o que ele �.
Mas n�o veem. Olhe para eles.
Isso n�o � uma atua��o.
A �nica resposta s� � tirania � pintar
criar e beber.
E escrever! E dan�ar!
Eu ainda n�o entendo como nenhum de voc�s viu isso chegando.
Aconteceu t�o lentamente,
mas meio que da noite para o dia.
Acordamos uma manh� e Hitler era o homem mais poderoso da Europa.
Mesmo enquanto acontecia, n�o parecia real.
E o que voc� fez?
Bem...
LONDRES, 1940 Eu segui com a minha vida.
Naquela �poca, a Europa estava em guerra.
Mas tudo parecia muito distante de Londres.
Roland, como artista e objetor de consci�ncia,
fora contratado para desenvolver t�cnicas de camuflagem para o esfor�o de guerra.
E nos sent�amos seguros.
Roland?
Querida, voc� voltou.
Puta que pariu.
Sua vez.
- Que atacou os italianos... - Por favor, me deixe come�ar o jantar.
Vamos l�, tive uma grande ideia.
- Voc� prometeu. - Eu n�o prometi.
Eu sempre fa�o quest�o de nunca prometer nada.
Tudo bem.
- Como foi a cidade? - Horr�vel.
Demorou uma eternidade para encontrar um t�xi.
- Onde voc� quer que eu fique? - Bem aqui, por favor.
- Um golpe consider�vel em Mussolini... - Est� pronta?
Tudo bem, me fa�a invis�vel.
Se eu conseguir te deixar invis�vel, ent�o posso esconder qualquer coisa.
Que a perda de aeronaves alem�s para defesa antia�rea...
Seja r�pido, estou morrendo de fome. As filas estavam horr�veis.
Mas consegui encontrar manteiga hoje.
E tinha pimenta em p� no Fortnum's, ent�o se tivermos que comer ratos,
pelo menos eles estar�o bem temperados.
Concentre-se.
� um pouco dif�cil fazer isso.
Deus.
Jesus!
N�o seja territorial, Audrey.
Editorial, voc� quer dizer.
Com licen�a, Srta. Withers. Tem uma Lee Miller para te ver.
A Lee Miller?
O que ela est� fazendo em Londres?
Meu Deus. Deixe-a entrar, Maud.
Entre, por favor.
Obrigada.
- Cecil Beaton, ol�. - Ora, ora.
Algo a dizer?
Lee Miller. Ouvi que voc� � a mulher certa para um trabalho.
Audrey Withers.
E, sim, sou eu. Por favor, sente-se.
Obrigada.
Posso?
N�o contratamos modelos mais velhas.
N�o se exalte.
- N�o sou mais uma modelo. - Querida.
- Ent�o o que voc� �? - Cecil.
Voc� poderia nos dar um momento?
Por favor.
Voltarei para consertar esse desastre.
Pe�o desculpas pelo Cecil.
- Ele pode ser um pouco... - Monstro?
N�o. Ele n�o poderia esconder a decep��o com o envelhecimento das mulheres.
� verdade.
E n�o � algo exclusivo dos homens da moda.
Mas ele � irritantemente talentoso, ent�o, eu me viro.
Onde foi tirada?
Na S�ria.
Meu trabalho de est�dio � esse aqui...
� realmente espetacular.
Obrigada.
Mas Cecil tem raz�o, infelizmente.
N�o estamos contratando, no momento.
Para ser franca, com tudo que est� acontecendo,
n�o sabemos por quanto tempo nos deixar�o continuar.
Deixe-me terminar a pr�xima edi��o,
ver como estamos e falamos de novo.
Que tal?
Ela n�o disse n�o.
Nem disse sim.
Est� vendo isso da maneira errada.
Por favor. Voc� n�o estava l�.
S� quero fazer minha parte, qu�o dif�cil pode ser?
Voc� achar� algo, meu amor.
Deus, isso � t�o paternalista!
Querida, preciso te contar algo.
O qu�?
Ouvi que as pessoas em Paris est�o se escondendo.
O que voc� quer dizer?
Est� ficando perigoso.
Paul, Nusch, Solange, Jean...
todos estar�o se escondendo dos nazistas.
Por que voc� n�o voltou para Paris?
N�o pude.
N�o naquele momento.
Paris estava ocupada pelos nazistas, e a Gr�-Bretanha estava s�,
est�vamos totalmente isolados.
Ent�o, o que mais h� para saber?
Muita coisa.
Embora meus amigos vivessem sob ocupa��o,
ainda assim estavam fazendo algo.
Paul e Nusch entraram para a resist�ncia.
Mas eu n�o sabia disso na �poca,
e n�o tinha como contact�-los.
E...
todos come�aram a fazer algo.
Roland sa�a quase sempre para vigiar ataques a�reos. Me sentia in�til.
Quanto mais deprimida eu ficava, mais minha bunda diminu�a, e...
normalmente � o oposto.
Mas ela acabou te dando o emprego?
Sim, ela cedeu bem r�pido.
Acho que ela percebeu que lidar com Cecil Beaton
seria bem mais divertido com outra mulher por perto.
Cecil Beaton...
- Est� todo mundo bem? - Gra�as a Deus, sim.
Onde est� Audrey?
Ali.
N�o � t�o ruim quanto parece. A estrutura est� s�lida,
mas precisaremos mudar para o por�o por um tempo.
- Estamos fora dos neg�cios? - N�o vejo por que dever�amos.
Falei com o Minist�rio esta manh�, e temos nossa cota de papel.
- Bem, isso � um al�vio. - Tamb�m temos uma miss�o.
Incentivar as mulheres da Gr�-Bretanha a cumprirem seu dever.
Posso pegar isso por um momento?
- Certamente. - Obrigada.
Maud, venha comigo.
E voc�.
- Voc� gostaria de se juntar a n�s? - Ela � t�o criativa.
- Coloque essa faixa rid�cula. - Certo.
- N�o consigo ver nada. - N�o consegue ver nada?
- N�o consigo ver. - Meu Deus.
Aqui, isso � seu... Bem aqui. Certo, vamos l�.
Pronto!
Isso!
Meu Deus.
- Maud, voc� pode sentar bem aqui. - Certo, vamos l�.
N�o liguem para o pr�dio pegando fogo atr�s de mim.
The Blitz virou casas do avesso, ruas de cabe�a para baixo,
e criou caos para o povo de Londres.
Mas todos seguiram em frente, e eu fiz o que pude para captur�-lo.
Homens foram enviados para lutar.
As esposas ficaram para cuidar de seus filhos.
Sem essa responsabilidade, pod�amos ser focadas.
Trabalh�vamos o dia todo.
Qualquer coisa para fazer o pr�ximo n�mero sair.
Os meses passaram, bombas ca�ram.
Isso se tornou parte da vida di�ria.
Houve momentos em que congelamos, mas continuamos.
Audrey era uma chefe �tima e nos tornamos amigas.
N�o havia muito mais que isso.
Audrey.
Crian�as?
Deus, n�o. E voc�?
Deus, n�o.
Posso?
Ent�o voc� nunca quis ter filhos?
Bem, nunca pensei que poderia.
Nunca tive voca��o para ser m�e.
Por que voc� est� perguntando a uma velha tantas perguntas?
Vamos l�, voc� n�o � t�o velha.
Agora, isso n�o � coisa de homem?
Primeiro, n�o sou jovem o suficiente, depois n�o sou velha o suficiente.
S� tentando entender.
O qu�?
Tentando te entender.
Alvo...
Eu era ambiciosa.
Eu era boa em atirar sozinha.
Talvez formar uma fila.
Na minha experi�ncia, parcerias de trabalho eram complicadas.
E s� pode haver um chefe.
Boa noite, senhoras.
Mas ent�o Davy Scherman da Life Magazine apareceu.
- Ol�. - Oi.
N�o imaginei encontrar outro americano aqui.
Est� um pouco escuro.
Eu sei.
Posso?
De repente, n�o era mais uma competi��o, �ramos um time.
Foi f�cil.
- Um pouco � esquerda. - Sim, senhora.
- Diga "Blitz". - Blitz!
Obrigada.
- Obrigada. - De nada.
Receio que s� possa ir at� aqui, senhora.
N�o, eu sou da Vogue Magazine.
Ela est� comigo.
Precisa de credencial militar para passar daqui.
Deus.
As revistas foram informadas, senhora. Somente acesso n�o militar para mulheres.
Por favor, dirija-se ao refeit�rio.
Jesus...
Pensam que eu n�o deveria estar cansada depois de horas no carro.
Desculpe.
S� MULHERES
VIDA NOTURNA ATUAL
- Ol�. - Com licen�a.
Sou Lee Miller. Trabalho na Vogue.
Ann Douglas, ATA.
Voc� pilota.
S� transporto nossos bombardeiros entre bases. Mas... sim, piloto.
Voc� se importa se eu tirar uma foto?
Sem problemas.
Seu trabalho realmente... nos mostra o que est� acontecendo l� fora.
Obrigada.
Vamos mov�-la para perto da porta.
Vamos tentar isso.
A� est�.
Quem sabe voc� aparece na revista.
Esse tipo de coisa sai na revista?
Espero que sim.
Voc� se importaria de tirar o chap�u?
�timo. Vamos l�.
A�.
N�o quero roubar mais seu tempo. Prazer em conhec�-la.
Foi um prazer conhec�-la, senhora Miller.
Ainda est� hospedado naquele hotel horr�vel?
N�o por muito tempo, se eu continuar quebrando espelhos.
Bem, voc� pode ficar aqui.
- Temos espa�o. - Tem certeza?
E Roland n�o se importaria?
Os �nicos que se importam com quem durmo
s�o os homens com quem eu n�o durmo.
Longe?
Para onde?
Para a costa.
Estou a poucas horas.
Por quanto tempo?
Acho que por um tempo.
Estamos nos preparando, n�o estamos?
Para a invas�o da Europa.
Sei tanto quanto voc�, infelizmente.
Vou disfar�ar tanques como quiosques de sorvete, mas n�o contei isso.
Davy, tire nossa foto antes de ele partir.
Sim.
- N�o v�. - N�o vai demorar.
Pare.
N�o. N�o! N�o!
N�o a roupa �ntima de alguma pobre mulher!
- Se Lee Miller acha que... - N�o � sobre o que Lee Miller acha.
Trata-se do nosso dever com os leitores.
Quem n�o tem empregada ou �gua quente se preocupa com muito mais que moda.
- N�o � fun��o da Vogue... - N�o � sua fun��o!
As calcinhas ficam. Obrigada.
Lee.
Cecil.
Acho que isso � o que voc�s ingleses chamam de se estressar.
S� uma mulher poderia ter tirado essas.
Bem, obrigada.
Audrey, me escute.
Quando chegar a hora, envie-me para a Europa.
O Minist�rio foi claro: quando chegar a hora, nosso dever ser�...
Fazer nossa parte. Sim, sim, sim. Eu sei, eu sei.
Mas por que os homens decidem isso?
Por que as mulheres n�o podem ir � linha de frente?
Por mais que eu admire sua determina��o, Lee,
n�o funcionaria.
Voc� n�o conseguiria nos enviar nada sem aprova��o militar.
Seria in�til.
Sinto muito.
Pe�a de novo.
Sim. Sim.
Estarei l�.
Certo, at� mais.
Quando voc� vai?
Dakota parte de manh�.
Voc� nem fala franc�s.
Ei.
Chega pra l�.
O que houve? Est� bem?
Que merda.
� uma merda!
Sei que n�o � culpa sua.
Mas eu deveria ter o mesmo direito que voc�.
A �nica raz�o de voc� ir � porque voc� tem um par de bolas.
Lee, eu estava dormindo.
Olha, eu n�o quero ir a lugar nenhum.
Estou feliz aqui nesta cama com voc�.
Eu entendo, de verdade.
Os brit�nicos e suas malditas regras nunca v�o te mandar.
Al�m disso, voc� � americana.
Puta merda!
Puta merda!
� isso, sou americana.
Sou americana.
Voc� � um g�nio, Davy Scherman.
Voc� � um maldito g�nio do caralho!
Acontece que eu estava tentando da forma errada.
Os brit�nicos nunca mandariam uma rep�rter mulher para a guerra.
Mas os americanos eram diferentes.
N�o eram presos � tradi��o.
Voc� tem certeza que quer fazer isso?
Sim. Sim, sim, sim, sim, sim.
Vai ficar bem?
Espero que sim.
Tenha cuidado.
- Por favor. - Vou tentar.
NORMANDIA, FRAN�A, 1944
Nasci determinada.
E nunca me senti t�o viva.
Para mim, tudo era aventura.
Eu precisava estar onde a a��o estava e esse lugar era a Europa.
Finalmente tive a chance de ver tudo com meus pr�prios olhos.
N�o permitem mulheres nas reuni�es de imprensa.
Voc� s� pode estar brincando.
Tem um toalete por aqui?
O inimigo � bem treinado, bem equipado e experiente.
Nosso ataque a�reo reduziu sua for�a no ar
e sua capacidade de lutar em terra.
Como voc�s sabem, n�s, junto com os aliados,
aumentamos os bombardeios na Alemanha nas �ltimas semanas.
Agora, cada um de voc�s ser� designado a uma unidade espec�fica
enquanto continuamos pressionando o ataque em terra
aqui na Fran�a.
Est� bem agitado l� fora.
Cuidado com as costas, olhos na estrada.
Dispensados.
Voc�!
Voc� deve ser Lee Miller?
Bom, aqui � uma zona de guerra, Coronel.
S� Lee est� bom.
Bom, "S� Lee", n�o h� mulheres nas reuni�es de imprensa.
Imagino que voc� tenha recebido a instru��o.
Acho que n�o ouvi direito.
Pode me ouvir agora?
Sim, senhor.
N�o enviamos mulheres para o combate.
Isso � um problema, porque estou aqui.
- O que significa... - Que terei que lidar contigo.
Siga-me.
Esses m�dicos realizam mais de 100 procedimentos por dia.
Todos os dias.
Apenas fique parado.
Excusez-moi.
Precisamos de uma tesoura aqui.
Jesus Cristo! Luz!
Preciso de luz aqui.
- Aqui, aqui. - Aqui com isso.
Luzes!
Venha aqui.
Mesmo quando eu queria desviar o olhar...
eu sabia que n�o podia.
Roland me escrevia toda semana pedindo para eu voltar.
Ele n�o entendia por que eu queria estar l�.
Houve momentos em que nem eu entendia.
- Posso? - Claro.
Temos que continuar.
Ei.
Eu j� te vi aqui.
Quem � voc�?
Sou Lee.
- Estou com a Vogue. - S�rio?
Est� procurando modelos?
N�o preciso, j� encontrei voc�.
Qual � o seu nome?
Kurt.
Voc� tem olhos lindos, Kurt.
Tenho os olhos da minha m�e.
Menino sortudo.
Dizem que vou para casa.
Ei,
pode tirar uma foto minha?
Quando eu chegar, todo bonito, quero que minha garota veja minha bravura.
Claro.
Miller.
Vai garantir que publiquem isso?
Eu prometo.
Pegue suas coisas. Voc� vai para Saint-Malo.
Pode pegar carona com Assuntos Civis.
- S�rio? - Escreva seu obitu�rio
e envie para seu editor antes de sair.
Pr�tica padr�o.
N�o fique animada. A cidade est� pacificada.
Cacete! Saia daqui! Mova-se!
O qu�?
Ei! Temos que sair, vamos.
O que est� fazendo aqui?
Acabaram de dizer que estava pacificada.
N�o, n�o pode estar aqui, senhora.
Fique a�!
Vamos! Olhe para mim!
Charlie Three!
Aqui � o Baker 1-5.
Ainda recebendo fogo intenso da posi��o inimiga. C�mbio!
Coordenadas 325...
- 364. - 364. C�mbio.
N�o se importe comigo.
Acima 100, � esquerda 200.
Acima 100, � esquerda 200.
Eu ficaria longe da janela, querida.
Eles t�m atiradores.
Que porra foi essa?
- Deus, voc� de novo? - Voc� disse para ficar aqui.
- Para baixo agora. Agora! - N�o, espera.
Se quer ser �til, h� um monte de mulheres francesas no por�o.
- Ou�a, amigo... - Encontre uma que fale ingl�s. Deus!
� ela! � ela ali!
Calada! Calada! N�o terminei.
Quer que eu me cale?
Ela tem contado tudo aos alem�es.
Pare.
Por favor, senhora, chega.
� o bastante.
Segure a l�ngua.
Segure voc�.
A senhorita est� bem?
Me conte o que houve. Sou soldado.
Veja.
Ele n�o era como os outros. Juro.
Ele era gentil e dizia me amar.
Agora estou com medo.
Juro que n�o sou prostituta.
Ele disse que me amava.
Sim, querida, � o que todos dizem.
Todos dizem isso. N�o � sua culpa.
N�o � sua culpa.
Seque seus olhos.
O que tem a�?
Aquela bruxa malvada diz que a vizinha
conta aos alem�es das entregas noturnas.
E a loira?
Ela � s� uma garota de quem se aproveitaram.
Claro que sim.
O que voc� disse?
� o que todas dizem.
- Soldado. - Como se atreve?
Que diabos?
Levantaram a bandeira branca!
Idiota.
Heil Hitler.
Porra.
Com quem eu tenho que dormir para conseguir jantar?
J� estava na hora, n�?
Sem querer ser sentimental, mas estou feliz que voc� n�o est� morta.
Bom te ver.
Vamos.
Ent�o...
Voc� est� bem?
Sim.
Sim, estou bem.
Essa maldita p�gina em branco.
Fala como uma verdadeira escritora.
Eu quero que seja bom.
Quero que seja verdadeiro, mas quero que seja bom.
Preocupe-se com a verdade primeiro.
Depois fa�a ficar bom.
- Fico feliz em te ver. - E eu em ver voc�.
Foi napalm, n�o?
Bem, n�o sab�amos que foi napalm at� muito depois.
Audrey n�o conseguia entender por que a censura se recusava a publicar.
Nunca a agradeci.
Pelo qu�?
Bem, por tentar.
O que � isso?
� um poema.
De Paul Eluard.
Quem � ele?
Ele � meu amigo.
"Nos meus livros escolares.
Na minha mesa.
E nas �rvores.
Na areia.
Na neve.
Eu escrevo seu nome."
Com licen�a.
Allez!
Com licen�a.
O que est�o dizendo?
Que ela � uma puta.
Uma puta suja e aliada.
Ningu�m sabe te dizer o que isso causa.
Vergonha.
H� diferentes tipos de feridas.
N�o apenas as que voc� pode ver.
Liberta��o.
A palavra era t�o alegre quanto era sentir.
Todos celebraram.
Mas Paris era apenas uma cidade.
A guerra continuava por toda a Europa.
A luta estava longe de terminar.
E para mim, bem, as coisas estavam apenas come�ando.
David Scherman e Lee Miller.
Algum pacote para Lee Miller?
Merci.
Outra met�fora amorosa?
Deus te aben�oe, Audrey Withers.
Se vamos sair, posso me barbear primeiro?
Tudo bem. Eu...
Preciso ver um amigo.
- N�o vou demorar. - Tudo bem.
Relaxe. Tire isso.
- N�o. - Voc� queria isso.
- N�o. - Voc� queria isso.
Vamos.
Pare. Por favor.
N�o.
- N�o. - Isso � o que voc� quer.
- Cale a boca. - N�o!
- Seu filho da puta, porra! - O qu�?
- Saia de cima dela! - Saia de mim.
- Maluca. - Afaste-se dela.
- Cretino, deixe ela em paz! - Jesus Cristo.
Idiota!
Jesus Cristo.
Pensei que seriam mais gratas.
Saia daqui.
Saia daqui! Vai embora!
Sua vaca burra.
Porra...
Voc� est� bem?
Tome.
Na pr�xima vez...
corta fora!
Com licen�a, senhora.
Excusez-moi, madame.
Procuro por algu�m que morou aqui.
Senhora?
Solange?
Lee.
Solange!
Solange.
Meu Deus, est� s� pele e ossos.
Est� congelando.
Estou.
Sente-se.
Venha, sente-se.
Solange...
Eles se foram.
Todos se foram.
Meu filho se foi.
Ele estava tentando chegar aos arredores de Paris
para receber os americanos.
Estamos aqui agora.
Tudo ficar� bem.
Eles atiraram nele.
- Os alem�es. - O qu�?
Jean o fez prometer n�o se juntar � resist�ncia.
Mas eu... n�o consegui impedi-lo
depois que levaram seu pai.
- Levaram Jean? - Sim.
Para onde levaram ele?
Procurei por ele depois que me soltaram.
Soltaram voc� de...
de onde, Solange? N�o entendo.
Voc� est� fazendo essas perguntas porque n�o estava aqui.
Ent�o voc� n�o sabe.
N�o.
Volte para o hotel comigo.
E se Jean voltar e n�o conseguir me encontrar?
E se ele voltar e estiver essa confus�o?
Por favor, venha comigo.
Prometo que cuidarei de voc�.
Prometo.
N�o fa�a promessas que n�o pode cumprir.
Davy!
Davy!
Davy Scherman!
Lee, o que est� fazendo?
Eles trancaram...
trancaram a porta?
Ande!
Tudo bem.
Para onde voc� foi? O que diabos aconteceu?
Tome, beba isso.
�timo, est� tudo bem.
Voc� � um cara legal, Davy.
Voc� � um dos bons.
�, estou bem.
Coisas muito ruins realmente acontecem.
Sabe?
Coisas ruins acontecem com algumas de n�s.
Lee...
Lee, querida, o que quer dizer com isso?
Sabe de uma coisa?
Falaremos sobre isso depois.
Vou te deixar descansar agora, certo?
Recoste-se.
Isso, assim mesmo.
Est� tudo bem.
Sem d�vida, voc� est� pegando o jeito.
Voc� acha?
Est� sensacional.
"E pelo poder da palavra, recome�o minha vida.
Nasci para te conhecer. Para te nomear."
Libert�!
Dei a ela meu capacete.
Ela fez xixi nele.
E jogou pela janela. Tentei n�o olhar.
Disse para desinfetar com bebida alco�lica.
E depois me devolver.
E sendo Davy, ele colocou de volta na cabe�a.
Isso.
Exatamente.
Os homens geralmente fazem coisas idiotas perto da Lee.
� t�o... estranho rir.
Nunca pod�amos rir quando est�vamos escondidas.
Mal consegu�amos respirar.
Paris � como um sorriso com metade dos dentes faltando.
Eu vi a Solange.
Eles a mantiveram presa por tr�s meses.
N�o sab�amos onde.
N�o sab�amos se ela estava viva.
E ent�o, um dia, ela voltou.
- Por que a pegaram? - Quem sabe?
L�gica nazista maligna.
E o que aconteceu com o Jean?
- Voc�s sabem de algo? - N�o.
N�o sabemos. Todos est�o procurando algu�m,
mas nenhum de n�s tem respostas.
S�o uns b�rbaros fodidos.
E n�o foi somente com os judeus.
Artistas, comunistas, homossexuais.
Negros, ciganos.
Qualquer um com opini�o.
Qualquer um que n�o se encaixasse nos ideais deles.
Simplesmente desapareceram. Sem aviso.
Tudo que sabemos �...
que os empurraram para os trens.
Idosas.
Crian�as pequenas.
E quando eles v�o embora nesses trens,
n�o voltam mais.
Para onde os levam?
Eles simplesmente desaparecem.
Tanta gente desapareceu.
As pessoas n�o desaparecem assim.
Je sais pas. Eu n�o sei.
Eles desaparecem, sim.
Sim. Isso!
Audrey Withers.
Obrigada pelo pacote.
Lee! Como est� a liberdade em Paris?
Dizem que est� maravilhoso. Deve estar sendo uma grande festa.
Estamos ansiosos para saber o que voc� tem a dizer.
Estamos celebrando muito aqui.
A m�e da Maud fez um bolo.
Voc� falou com o Roland? Como ele est�?
Lee?
Voc� est� a�?
Houve registros de pessoas desaparecidas no notici�rio?
Desaparecidas?
N�o entendo.
Milhares e milhares de pessoas desaparecidas.
Ouviu algo?
Desculpe, n�o est� muito claro. Quem est� desaparecido?
N�o acabou mesmo.
Eu sei.
Mas quando a pr�xima edi��o sair,
tenho certeza de que haver� boas not�cias.
Preciso ir.
O qu�...
Cuide-se.
O que foi?
Olhe s� quem apareceu.
Minha nossa!
Voc� est� bem?
Acho que voc� deve voltar para casa.
N�o posso simplesmente voltar para casa, Roland.
Senti muito sua falta.
Isso tudo vai acabar logo.
Acho que voc� deve me deixar cuidar de voc� agora.
Cuidar de mim?
Jesus Cristo.
- O que houve? - � por isso que voc� est� aqui?
Para me levar pra casa?
N�o.
Tudo mudou. Est� tudo diferente agora.
Eu sou o mesmo.
Voc� tamb�m.
Tudo voltar� ao normal.
- Tudo ficar� melhor. - "Normal"?
S� quer que eu volte para se sentir melhor por ter passado a guerra
pintando a porra de uns galp�es.
N�o precisa ser cruel.
- Do que voc� est� falando? - Por favor, abaixe a voz.
Pessoas sumiram. Nossos amigos.
N�o posso ir para casa, ficar parada sem fazer nada.
Lee.
- Eu n�o tenho escolha. - Isso n�o � verdade.
Ouviu alguma palavra do que acabei de dizer?
Ouvi, sim.
S� estou preocupado com voc�.
N�o fique.
E eu te amo.
Volte para casa.
Por favor.
Tamb�m te amo.
- Roland acha que eu deveria... - "Roland acha" n�o � uma frase
que eu gostaria de ouvir agora.
Estou indo para o front.
Pronto para ir?
N�o pensei que voc� diria isso.
FRONTEIRA ALEM�, 1945
Por que simplesmente n�o fui para casa?
Acho que eu poderia ter ido.
Mas sempre fui a �ltima a sair da festa.
Quer um pouco?
Todo mundo est� tomando.
D� uma relaxada.
Estou bem, obrigado.
Como quiser.
Caramba...
Meu corpo todo d�i.
Dirigimos por meses.
N�o nos lavamos por semanas.
Oitocentos quil�metros em dire��o ao pior.
Coronel?
Miller.
Encontramos pactos de suic�dio por toda parte.
Fam�lias inteiras ingerindo cianeto.
Somos os primeiros aqui?
S�o.
Obrigado.
H� tanta vida nos olhos de uma pessoa.
At� o momento em que n�o h� mais.
N�o era mais algo que ouvi ou imaginei.
Era real.
N�o se aproximem mais.
Depois que voc� v�...
n�o d� mais para n�o ver.
Nenhum sinal de vida, senhor.
Nenhum sinal de vida.
Nenhum sinal de vida, senhor.
Meu Deus.
- Davy. - Sim?
Davy, me d� uma m�o.
Certo.
Est� tudo bem.
Est� tudo bem.
Viu?
N�o vou te machucar.
N�o vou te machucar.
N�o vou te machucar.
Jesus Cristo.
O qu�?
Davy.
L� vai.
Vamos.
Registrou?
Sim.
Davy, devagar.
Diminua.
� aqui?
Sim, � esquerda.
Pra�a Prinzregenten, isso.
- Ol�, somos da imprensa. - � proibido entrar.
Somente para oficiais.
- Cigarro? - Obrigado.
- Est� meio frio, n�o �? - Com certeza.
Sou Lee Miller.
Este � meu amigo David Scherman.
Adorar�amos entrar
por alguns momentos, se...
estiver tudo bem.
Obrigada.
- Boa noite. - Senhora.
Voc�s t�m alguma solicita��o?
Bem-vindos � humilde morada de Hitler.
Obrigado.
- Cigarro? - Obrigada.
- Obrigada. - � um prazer.
- Ol�. - Oi.
Davy.
PARA ADOLPH HITLER
Porra.
Pode ir primeiro.
Davy, est� quente.
Davy.
Vem c�.
- O qu�? - Vem, r�pido. Preciso de voc�.
Para qu�?
- Est� bom? - Est� trancado.
Beleza.
Certo...
Aqui?
Sim.
Pronto?
Estou, e voc�?
- Quente! - Limpe o porta-retrato.
Droga.
Espera.
Jesus Cristo!
Est� filmando?
- Confira. - Sim, est� filmando. Vamos.
Garanta que n�o d� para ver meus peitos, ou n�o passaremos na censura.
Vai.
Davy?
Eu... n�o sei.
Todas aquelas pessoas.
Todas aquelas pessoas.
Eram o meu povo.
Hitler e Eva Braun estavam mortos
quando chegamos ao apartamento dele.
Eles cometeram suic�dio em Berlim.
Mas n�o sab�amos disso.
Isso mudou como voc� se sentiu?
Tomando banho na banheira do F�hrer?
O que te fez fazer isso?
Voc� acha que foi errado?
Acho que combina com voc�.
O que isso significa?
Ser impulsiva, sem pensar nas consequ�ncias ou apar�ncias.
E por que eu deveria me importar com apar�ncias?
Por que n�o responde a algumas malditas perguntas?
Tudo bem.
Fale sobre sua m�e.
O que voc� quer que eu diga?
Fica a seu crit�rio.
Passei toda a minha vida
achando que eu era o problema.
Que minha simples exist�ncia era o problema.
Demorei a perceber que n�o era eu. Era ela.
Sentia que ela me culpava por tudo que dava errado na vida dela.
E...
me fazia sentir que eu tinha estragado tudo para ela.
� realmente o que voc� pensa?
Voc� tem outra explica��o?
� decepcionante.
Pare.
Jesus Cristo.
Acho que est� aqui.
VOGUE EDI��O DA VIT�RIA
Onde est�o elas?
- Onde est�o minhas fotos? - N�o est�o a�? Deixe-me ver.
N�o est�o porra nenhuma!
Lee? Posso te ajudar?
Est� procurando algo espec�fico?
Posso ajudar?
Onde elas est�o?
Meu Deus! Pare! Por favor, n�o fa�a isso.
Elas s�o minhas.
Eu as tirei. Eu decido o que acontece com elas.
Lee!
Pare! Pare! Pare!
S�o registros hist�ricos.
E da�? Ningu�m viu! Voc� n�o publicou.
Eu lutei por elas, Lee. Lutei por elas!
- Porra! - T�m de ser preservados.
Para qu�? Para ficar num arquivo?
O Minist�rio achou que elas perturbariam as pessoas.
Porra! Isso aconteceu!
- Isso realmente aconteceu. - Lee!
- Isso aconteceu. - Lee, Lee.
Essas imagens v�o perturbar as pessoas ainda mais.
Devemos seguir em frente.
Seguir em frente? Seguir em frente?
Essa menina, num campo de exterm�nio, estuprada e espancada!
Como ela segue em frente?
Nunca. Nunca.
Nunca.
Eu s� quero...
Eu as enviei para Nova York.
E espero que a Vogue Americana publique-as.
Estou realmente tentando, Lee. Estou realmente tentando.
N�o o suficiente.
Voc� n�o est� tentando o suficiente.
Sei que pensa que eu te decepcionei.
Gostaria que me deixasse explicar antes de destru�-las.
Sinto muito.
Minha m�e n�o estava bem
quando eu tinha sete anos.
Ent�o fui enviada para ficar
com amigos da fam�lia at� que ela melhorasse.
Eles eram pessoas boas.
Foram bons comigo.
Mas havia outro homem que vinha visitar.
Ele tinha cabelo escuro.
Ele cuidou de mim na casa quando...
a fam�lia foi � cidade um dia.
Ele me levou para o quarto
e me disse:
"deite-se."
E ele...
E ele...
Minha m�e disse para eu nunca contar.
Ela estava t�o envergonhada.
Ent�o eu nunca contei.
Sinto muito.
Isso � inconceb�vel.
Mas acontece o tempo todo.
E eles ficam impunes.
Isso � uma...
mecha
do seu primeiro corte de cabelo.
Este � o primeiro livro que li para voc�.
Esta � a primeira imagem que voc� desenhou.
Esta � a primeira foto que eu tirei de voc� e seu pai.
Sei que cometi erros.
E sei que talvez eu n�o tenha sido uma boa m�e, Tony.
Mas eu realmente tentei.
Por que n�o me contou nada disso?
Eu gostaria de saber.
LEE MILLER MORREU EM FARLEYS HOUSE EM 1977.
ANTONY NUNCA SOUBE O QUE SUA M�E TINHA FEITO DURANTE A GUERRA.
AP�S SUA MORTE, ELE ENCONTROU SUAS FOTOS ESCONDIDAS NO POR�O.
HOJE, LEE MILLER � LEMBRADA
COMO UMA DAS MAIORES CORRESPONDENTES DE GUERRA DE NOSSO TEMPO.
SUAS FOTOS DOS CAMPOS DE CONCENTRA��O
EST�O ENTRE AS IMAGENS MAIS SIGNIFICATIVAS J� TIRADAS DO HOLOCAUSTO.
LOGO AP�S SUA MORTE, A FAM�LIA DELA CRIOU OS ARQUIVOS DE LEE MILLER.
ROLAND MORREU EM 1984.
DESDE ENT�O, ANTONY E AMY, NETA DE LEE,
DEDICAM SUAS VIDAS � PRESERVA��O DE SEU LEGADO.
DEPOIS DA GUERRA, DAVY VOLTOU A NOVA YORK.
PERMANECEU NA REVISTA LIFE E SE TORNOU O FUNCION�RIO COM MAIOR TEMPO NA ATIVA.
FOI AMIGO DE ROLAND E LEE AT� O FIM DE SUAS VIDAS.
AUDREY MORREU EM 2001, AOS 96 ANOS.
ELA SEMPRE SE ARREPENDEU POR N�O TER PUBLICADO
AS IMAGENS QUE LEE TINHA TIRADO DOS CAMPOS DE CONCENTRA��O.
MAS ELA AS ENVIOU � VOGUE AMERICANA, QUE AS PUBLICARA EM JUNHO DE 1945,
NUM ARTIGO CHAMADO "ACREDITE".
EM 1946, UM ANO AP�S O FIM DA GUERRA, AOS 40, NUSCH TEVE UM AVC E MORREU.
PAUL FICOU ACABADO E USOU UM PSEUD�NIMO PARA ESCREVER SEUS �LTIMOS POEMAS A ELA,
POIS "SUA MORTE TINHA MATADO PAUL ELUARD".
N�o deixe as fansubs morrerem! Venha ser um volunt�rio.
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