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- Posto agora? - Me marque.
- Está bem. - Quero ter mais seguidores.
Olhem essa aqui, gostaram?
- Eu gostei. - Não curti.
E essa aqui?
- Legal, não é? - Poste uma em que eu estou bem.
Isso vai ser difícil.
Gostei dessa.
Já ouviu o que dizem dela pela cidade?
Essa cidade é um ovo, todo mundo fofoca.
- Isso é verdade. - Se ela postar, não tem problema.
É porque eu sou a Patri.
- Mas a Marta é a Marta. - Mas eu posso me exibir.
A Marta é a Marta. E ela ganhou essa fama.
Ninguém gosta dela, já sabemos disso.
Ela incomoda porque é esnobe.
Eles são obcecados por ela e pronto.
Mas tem essa fama por alguma razão.
Lis, mandou mensagem para o Nestor?
Não, não quero que ele ache que o estou perseguindo.
Vocês namoram.
- O quê? - Falei que vocês namoram.
Ele não é meu namorado.
Mas é verdade, todo mundo sabe.
Ele não é meu namorado.
E aí, nós vamos sair com seu namorado e os amigos famosos dele, não é?
Ele não é meu namorado!
Essa é boa!
Marca um minuto para mim?
Sim, espere.
Boa!
Lis, soube mais alguma coisa do Polaco?
- O Polaco? - Sim.
Sim, eu perguntei ao meu pai.
Ele é chamado de ªturista agrícolaº
porque anota tudo que fazem em uma caderneta e só fica olhando.
E vive de vento?
Acho que ele é bolsista.
Estuda Agricultura Ecológica, eu acho.
Agricultura ecológica, isso.
Bom, pelo menos ele é bonito.
Oi.
Oi!
Por que está usando essa roupa?
- Deixe a menina, está muito calor. - Não, mas na rua, não!
Outro dia, a Paula, aquela do quadril largo,
estava usando um shortinho que mostrava tudo.
Mas fazer o quê?
Ela tem um quadril enorme.
Não sei como a deixam sair daquele jeito.
Cada um é de um jeito.
Mãe, me dá dinheiro?
Vá pedir para o seu pai.
Você não pode me dar?
Você sabe por quê. Mas já vai sair?
Você nem jantou!
- Depois eu janto. Pode me dar? - Peça ao seu pai.
Você tomou banho?
Sim, na piscina.
Está indo para a balada?
- Sim. - Qual é a sua idade?
Quinze.
Ela já é uma moça!
Quinze anos, caramba!
Nossa, mas já?
Você tem namorado?
Não.
Tem um encontro hoje, não é?
Você não estendeu a toalha, filha!
Mãe, eu estou de saída.
Vá estender a toalha primeiro.
- Mãe, eu faço isso depois. - E não vai se trocar para a balada?
Aonde você vai?
Menina!
- Escute a sua mãe! - O que foi?
- Aonde vai? - À casa da Sara, mãe.
Na casa da Sara praticam o espiritismo.
Espiritismo?
Sempre controlo minha filha pelo celular.
Não está vendo que está queimando o meu cabelo?
- Eu avisei que estava úmido. - Então pare.
- Você quer ir com cabelo de bruxa? - Sim, igual ao da sua mãe.
Eu vou arrumar onde está armado e depois aliso.
Não vou deixar lambido.
Relaxe, está sob controle.
Oi.
- Oi, Lis! - Até que enfim!
Olha o meu visual para hoje à noite.
Gostou? Tem tipo uma redinha.
- É legal, não é? - É legal, sim.
Você gostou?
Para ela jantar com o namorado no la Tasca.
Ele não é meu namorado.
Claro que é seu namorado.
Mas já que eles estão aqui, vamos.
Primeiro: ele é seu namorado. Segundo: vamos e pronto.
Vamos fingir
que estamos indo jantar lá também.
- Eles vão nos chamar. - Mas quem está lá?
Os caras de Alcanar e os de Traiguera.
A gente vai e pronto!
Vamos, amiga!
- Não quero. - Mas a gente vai!
- Está decidido. - Podem ir, vou ficar em casa!
Que chatice!
E aí, vamos entrar?
Vamos!
Bogdan!
Pode entrar. Identidade?
- Eu esqueci em casa, mas... - Sei.
Sem identidade, não entra, já te avisei.
Meu pai é amigo do dono e ele disse que eu posso entrar.
Não sem a identidade. Preciso repetir?
O meu pai falou com o dono, eu falo sério!
Eu já disse que não, certo?
Mas eu sou daqui!
Eu não estou nem aí para isso, você não entra.
E você não pode ir lá falar com ele, por favor?
Caramba, você é muito...
Ele está lá dentro, no terraço.
Chegue para lá, deixe o pessoal passar.
E aí, lindona?
O que foi?
- O que foi, cara? - Por que não a deixa entrar?
Eu já avisei que sem a identidade ela não entra.
Todo sábado é a mesma história.
Eu entrava aqui com 14 anos.
Aos 12 eu vinha com a minha prima.
Nestor, eu já falei que não.
Sem a identidade, ela não entra.
A minha namorada não vai entrar?
Garoto, escute.
- Eu me comporto bem ou não? - É arriscado para mim.
- Eu sei. - Certo.
Está bem, anda.
E pare de trocar de namorada todo sábado.
Olá, boa noite!
Vinte euros.
E você sabe o que está fazendo?
Sei, sim, o meu pai me deixa vir para balada.
E os seus pais sabem com quem você anda?
Vamos sair daqui.
Então está bem.
Vamos entrando! Tudo bem?
Eu falei com o seu pai.
Avisei que te deixei entrar. Danadinha.
Você, venha comigo.
O senhor que manda.
Vamos!
Você tem um lencinho, Rocío?
Me passe um lencinho porque aqui não tem papel.
Rocío!
- Um lenço de papel! - Caramba, você nunca tem nada!
Pegue logo essa droga.
E aí, hoje vai rolar...
Sabe com quem está metendo? Você está bem?
Precisa bater nele com força.
Não está com calor?
O que você...
Você jogou na minha cara!
Então está bem!
Mas que droga, venha aqui!
- Remédios! - Meu rímel, droga!
Vem, querida.
Espere.
Tudo bem.
Que droga.
Maldito celular.
Se importa se eu atender?
Atenda.
O que foi, Pablito?
Não, péssimo momento.
Que droga, sempre a mesma coisa.
Me dê dois minutos, está bem?
Você é tão sexy.
Não?
Vamos.
Tudo bem, mano?
- O que faz aqui, meu bem? - Vim com ele.
- É a minha namorada, cara. - Sua namorada?
É minha vizinha, sabia disso?
Cara, eu te trouxe metade, certo? Agora chega.
Nestor, meu querido, no banheiro, por favor.
Espere aqui. Isso não é da sua conta.
- Abra. - Quem é?
Abra.
- Não estou entendendo. - É muito bom!
Estou amando.
Você quer?
- Nós também não. - Qual é, cara?
Ande, já fiz as carreiras. Não invente.
Não mesmo! Não na frente dela.
Amanhã a cidade toda estará sabendo.
Já estou até vendo.
Não diga nada, boneca. Seja discreta.
Saia da frente, vadia!
- Trancou? - Sim.
Aonde vai tão rápido?
- Para a balada. - Balada?
Catalano.
Já não existem mais meninas assim.
Com esses peitos e tudo mais.
Cala essa boca, você fala demais!
Quando era jovem, gostava deles assim.
- Agora não. - Cada coisa a seu tempo.
- Já vou indo. - Aonde vai?
- Ao baile. - E te deixaram entrar?
Sim.
Está vendo a minha menina?
Não queriam deixá-la entrar na festa porque ela é novinha.
Quantos anos ela tem?
- É jovem demais para você. - Pai, eu tenho que ir.
Falei com o dono e ele a deixou entrar.
Sim, pai.
- Quer uma piña colada? - Não precisa.
Está com pressa?
Sim, eu estou atrasada.
Juízo. Senão, acabo com a sua alegria.
Essa aí não para quieta. Sempre com pressa!
Rapaz!
Deixe essa taça aí e pegue um copo de plástico.
Sinto muito, mas a taça fica aqui.
Sim, senhor!
De onde é esse cara?
Ele é daqui?
Não sei, de Alcanar, mas ele entrou com sua filha.
O quê? Vieram juntos?
- Ela chegou com ele? - Não, ela chegou depois.
Com quem estava dançando ontem?
- Conte! - Com ninguém, mãe!
- Quem era? - Ninguém.
Dançando e outras coisas também.
Com ninguém, que mentira!
Com quem estava dançando?
- Com ninguém! - Perguntei com quem, não se lembra?
Não.
Não se lembra ou não dançou com ninguém?
Não dancei com ninguém!
E também não fumou, não é?
Eu não fumo. Você que fuma, mentirosa!
Você fumou?
- Eu não fumo, eu sou atleta! - Escute aqui!
Você não tem idade para sair, andar com garotos, nada disso.
Então, fique esperta, senão acaba a festa.
Acaba essa festa de ficar andando o dia inteiro.
E o único que fuma aqui sou eu, ponto final.
Ficou claro?
Ficou claro ou não?
Sim ou não?
Sim, mas é mentira.
Como é que é?
- É mentira, ela... - Não responda!
Me traga um iogurte, anda!
Não quero mais.
Coma tudo.
Coma o que está no prato, vamos.
Eu vou comer com as mãos?
Afinal, você viu o site da escola de circo?
Sim, então, eu vi a parte dos trapézios e...
Você não viu, não é?
- Mas eu vi as fotos que você... - Você é ridícula!
Mas eu vi as fotos que me mostrou.
- Não. - Sim.
Tinha um trapézio, uma tenda ou algo parecido.
É uma tenda gigante.
De circo.
E lá dentro é tudo acolchoado.
E tem trapézios, cordas e coisas de circo.
- É muito legal. - Adorei!
Pelo pouco que eu vi, gostei muito!
Sim, é incrível.
Liguei lá e disseram que farão testes no ano que vem.
Ano que vem?
E o que os seus pais dizem disso?
Eu não contei nada para eles.
O que está olhando?
Eu não olhei, não!
O quê?
Esse, sim, tem um pinto iluminado, diferente do Nestor.
Quer dar um ªoiº?
Eu tenho muita vergonha.
Vá você.
Espere aí. Bogdan!
- O quê? - Venha aqui.
Querem jogar raquetebol?
Não, outra vez raquetebol?
- Escuta, você conhece o Polaco? - Conheço.
- Pode pedir o skate dele emprestado? - Peça você!
- Ande! - Peça você!
- Vá, Bogdan! - Aquele de ontem é o seu namorado?
Sim, não conte a ninguém porque é segredo.
- Ele toca nos seus peitos? - Quer apanhar, garoto?
É meu namorado, mas não diga nada.
Está bem.
- Pede o skate dele para... - Falei que não!
Vamos!
E se mostrarmos as acrobacias?
Legal! Polaco!
Polaco!
- Veja nossas acrobacias! - Conta comigo!
O que vão fazer?
Vá com calma, por favor, Bogdan!
Pronto, vá.
- Vou te ajudar, cuidado. - Confie em mim.
- Fantástico! - Legal!
Agora. Um, dois, três.
Isso fica cada vez melhor!
- Gostou? - Bravo!
Olhe isso, Lee!
Você é ótima!
Venha!
Olhem só!
Oi!
Eles estão...
Vocês estão aqui!
- Caramba. - Porcos.
Vamos embora?
- Mas já? - Sim.
Procuramos vocês a tarde inteira!
- Mas é que... - Não, vamos embora!
- Querem conhecer o Polaco? - Sim!
Demorou!
- Polaco, venha aqui! - Podemos ir?
Essas são as nossas amigas, Patri e Rocío.
Amei seu cabelo!
Apaixonou.
- Cabelo. - Obrigado.
Obrigada!
- Te vejo mais tarde. - Sim, claro!
Até.
Mãe!
O que foi?
Não está vendo que estou trabalhando?
A Yolanda se trancou no quarto, não posso me trocar!
O que eu faço? Assim eu não vou na procissão.
- O que estão fazendo? - Se drogando, como sempre.
É mesmo?
Que barbaridade.
Já sabem como funciona, meninas.
Diga isso a ela, é sempre assim.
Abra logo que a sua irmã tem que trocar de roupa, vamos!
É uma vergonha eu ter de sair do trabalho para resolver isso.
- Ela não vai abrir. - Quieta.
Você me ouviu ou não?
Yolanda!
Não é possível!
Yolanda, eu estou falando sério!
Abra!
Quer que eu quebre a porta?
Traga um martelo.
E aí, já resolveu?
Eu vou contar até três. Já chega, Yolanda!
Aqui, mãe.
Eu vou derrubar a porta, ouviu?
Um!
Dois! Yolanda, eu vou derrubar!
Três!
Pelo amor de Deus. Vocês perderam a noção?
Relaxem, por favor!
Está de brincadeira? Estou ocupada e a sua irmã precisa se trocar.
Saiam todas!
Vamos!
Fora!
Vamos.
Não vá muito longe que vamos ter uma conversa depois.
- Ouviu bem? - Sim.
Ótimo.
Tchau!
Tchau, garotas!
Já vou, Merche!
Vá, ande logo!
Vocês vão adorar o top que a minha irmã comprou.
É lindíssimo! Juro!
Quero ver.
Sara, sua mãe trabalha com o quê?
E por que isso te interessa?
Não sei, ela trabalha no feriado, não é estranho?
E daí?
- O que faz aqui? - Por que afastou o rosto?
Pegue, é cigarro.
Cigarro.
Tem que cortar a pontinha. Sabe como é?
Não.
Coloque a mão desse jeito.
Um, dois e três.
Muito bem!
E aí você tem um baseado.
Bom, nada mal. Ficou até bom, para o meu primeiro.
Bom...
Você quer?
- Assim? - Se estiver me dando.
- Lembra de mim quando fuma? - Sempre me lembro de você.
Você vai fugir?
Eu? Não sei.
Quer que eu fuja?
Não.
Quando vai jogar raquetebol comigo?
- Quando quiser. - Para me ver ganhar.
Você? Eu acabo com você.
- Até parece, coitadinho, se acha... - Estou te falando.
Raquetebol, parada de mão. Mais alguma coisa?
Quer uma parada de mão?
- Faça. - Agora?
E o que eu ganho?
- Minha aprovação como pessoa. - Não.
Isso não vale.
Outra coisa.
- Um abraço? - Não.
- Vou ter que fazer eu mesma. - É mesmo?
E quem vai te ensinar?
- Eu vou para Barcelona aprender. - Para Barcelona?
- Na escola de circo. - É mesmo? E qual é o plano?
É onde eu quero estudar. É uma tenda gigante.
Eu posso ir com você para Barcelona.
Posso fazer minhas coisa lá e podemos ficar juntos.
O que acha?
- É um bom plano. - Sim.
Então vamos?
- Está bem. - Sim?
- Você vai comigo. - Com você.
Que droga esse celular.
Pablito.
Atenda você. Diga que estamos indo à praça.
Estou cansado.
- À praça? - Sim, por quê?
Vamos.
Para a praça de novo?
Tenho que levar umas coisas para o Pablo.
- Vai ser rápido, já voltamos. - Não pode ser depois?
Não.
Acabei de desligar.
Ligue para ele. Diga que estamos indo.
Sério?
Para a praça?
Espere, ainda não.
Vamos ficar um pouquinho.
Sério, vamos ficar.
Você faz isso depois, ou amanhã, ou...
Vai.
Você está bem?
Não.
Alicia!
Eu não gostei do que fez ontem.
Ouviu bem?
Você está me ouvindo?
Que isso não se repita, viu?
Que isso não se repita!
Feche essa geladeira.
Eu já te disse mil vezes: Pegue o que quer e feche a geladeira.
- O que foi? - Você quer que todos falem da gente?
É isso que você quer?
Hoje à tarde, nós vamos até o padre e você vai pedir perdão, certo?
- Não, mãe, por favor. - Sim.
Você vai, já passou da idade de fazer essas bobagens!
E na procissão. Uma tremenda falta de respeito!
Você entendeu?
- Entendeu? - Sim, entendi.
Ótimo.
O que foi?
Que essa menina foi à procissão
vestida como uma...
prostituta.
- As meninas se vestem assim. - Mas ninguém a obrigou a ir.
Você obrigou alguém?
- Não, eu não. - Pois é, eu também não.
Eu também não.
Eu não fico dizendo, Paco, que ela tem que ser religiosa.
Eu não digo isso.
Mas se ela vai, coisa que eu não mando fazer,
que vá, mas que respeite.
Certo, Sole.
Ótimo, que bom que já sabem.
Pai.
Quero te fazer uma pergunta.
Você pagaria uma escola em Barcelona para mim?
Uma escola em Barcelona?
Por quê? Aqui não tem escolas?
De circo, não.
- Do quê? - De circo.
Uma escola de circo?
Existe escola de circo?
Uma escola de circo.
Você está viajando.
Que droga, acabaram as festas.
Que pena, eu quero ficar mais tempo.
- E quando você vai embora? - Depois de amanhã.
- Que droga. - Agora só no próximo verão.
Posso deixar aqui?
Lis, você viu que o Nestor está aqui?
Não me diga.
Vou acabar com você.
O que você tem?
Nada.
- Sara. - O quê?
- Sua mãe cura de graça? - O quê?
Ela é curandeira?
Você não sabia que ela é bruxa?
- Como assim, bruxa? - Ela é uma bruxa.
Ela guarda a menstruação dela na geladeira.
Que menstruação, ela nem menstrua mais.
Escute, quando você nasceu, ela comeu a bolsa?
E daí se ela comeu?
A bolsa?
- Sim, a placenta. - Sim, amiga, a placenta.
Muita gente faz isso, estamos no século 21.
E guardam a menstruação na geladeira.
Isso você que está inventando. Não guardamos nada.
Nós damos para a terra.
Chega, que nojo. Está me dando náuseas.
Nojento é você mandar pela descarga.
Nojento é guardar.
E você usa absorvente e todas essas porcarias.
Eu também guardo.
- Está vendo? - Desde quando?
- Eu guardo desde... - Acham isso supernormal?
Sim.
Eu vou fazer uma enquete para saber quem acha normal
ficar guardando a menstruação.
Você resolve tudo no Instagram, não é?
Eu tenho uma amiga,
aliás, duas amigas que guardam a menstruação na geladeira.
Vocês também guardam ou não?
Aprendi com a Remédios Naturales, obrigada!
Pergunte também se eles têm cérebro ou não.
Coloque aí: ªA Rocío tem ou não? º
Tenho mais que você.
ªTenho mais que vocêº?
Depois quer saber porque que não te contamos nada.
Oi.
O que aconteceu?
Por quê?
Como assim ªpor quêº?
Você some e pronto, nem atende o celular.
Eu não sumi, estava em casa.
E não tem dois minutos para falar comigo?
- Fale! - É que eu estava muito estressada.
Você se estressa e desaparece.
Desliguei o celular, mas estava em casa.
Leva só um minuto para me enviar uma mensagem.
Podia ter dito:
"Estou estressada, nos falamos amanhã.
Estou com dor de cabeçaº.
É muito difícil?
Não.
Não é difícil, mas não pensei nisso, desculpe.
Então comece a pensar um pouco.
Isso, agora um pouco para lá.
Freie. Boa.
Não entendi ainda.
Ligue o carro de novo.
A marcha tem que estar engatada, senão, não anda.
Vamos, você está se saindo bem.
- Posso ligar? - Não.
Primeiro pise na embreagem.
- Agora, ligue. - Isso está indo para a frente.
Agora solte devagar o pé esquerdo, entendeu?
Assim, vai mais um pouco.
Isso! Isso aí, olhe para a frente!
- Está muito rápido. - Vai.
Pode frear um pouco. Devagar.
Devagar. Isso, menos.
Não toque no freio.
Arrasou!
Agora, vamos pegar aquele caminho ali e virar o carro um pouco,
em direção ao mar.
Não pare.
Vá virando um pouquinho para a direita,
e quando chegarmos ali, freamos.
Com cuidado, vamos ver se não desliga.
Isso, agora vá freando.
Isso! Foi ótimo, não foi?
Foi mesmo.
Eu andei um bocado.
Você está tão sexy aí sentada.
Agora dê marcha à ré. Próxima parada: Fórmula 1.
Ande, só mais um pouquinho.
Não posso, preciso ir.
Precisa ir aonde?
- Para Traiguera. - Para Traiguera?
Por quê, se estamos nos divertindo?
- Eu marquei de ir. - Mas marcou de ir com quem?
Esse hambúrguer está me enjoando. Você quer?
Não, quero você.
- Que foi? - É que eu me sinto mal de jogar fora.
Nestor, não.
Eu preciso ir.
Não.
Mas que droga, se você tem que ir, então vamos!
Não fica assim.
"Não fica assim." Que chatice.
. Aprendi tudo com a Naturales.
Tenho duas amigas que guardam a menstruação na geladeira.
- Vocês também guardam ou não? - Rocío!
Aprendi tudo com a Naturales.
Obrigada.
- Sara. - O quê?
Peça para a sua mãe.
Peça você.
Pergunte a ela da consulta.
- Mas é a minha mãe. - Eu tenho vergonha.
Eu não estou entendendo.
Eu tenho vergonha.
Pergunte você.
Estou fazendo sálvia. Querem um pouco?
O que é sálvia?
É uma erva.
É muito boa.
Ela é ótima para muitas coisas. Quer um pouco?
Quero.
Você está bem, Alicia?
Não é nada, só os meus pais.
É que eu quero estudar circo numa escola de Barcelona.
E os meus pais não deixam.
E eles não me escutam
quando eu explico minhas razões, e eu não sei o que fazer.
Eu quero poder estudar lá, mas eu não sei como fazer.
A menos que eu fuja.
Quando você quer ir?
No ano que vem.
E os estudos como ficam?
Não, eu vou terminar o ano e depois vou para lá.
É tipo um...
Um curso técnico.
- E por que quer isso? - Vou estudar também.
É como um curso técnico,
mas você estuda e se especializa em circo.
Circo. Muito legal, não é?
Sim, muito!
Não sei por que eles não deixam.
Bom, talvez você tenha que conversar mais sobre isso.
Mãe, a gente não vai para Barcelona
na semana que vem ou na outra para buscar as flores?
Sim, por quê?
Bom, é que ela ainda não visitou a escola pessoalmente,
e fica em Barcelona.
Se vamos para lá, ela podia ir com a gente, não?
Sim, se os pais dela deixarem, por mim, não tem problema.
Eles não vão poder dizer "não". Você vai e volta com a gente.
E aí?
- Eu vou adorar. - Mesmo?
- Vamos? - Sim.
Eu vou querer ver a escola também.
Está bem.
Peça para a sua mãe. Tenho certeza de que ela vai deixar.
Vamos?
- Você já vão? - Sim.
- Sara. - O que foi?
Pergunte a ela sobre a consulta.
Pergunte você.
Anda, Sara!
Mãe, a Lis quer te perguntar uma coisa.
Quem é Lis?
A Alicia, mãe.
Alicia, Lis. Diga.
A Alicia quer te perguntar uma coisa.
O quê?
Nada, é que...
a Sara e a Remédios vão para Barcelona
e me convidaram para ir com elas para ver a escola de circo.
- Quero saber se posso ir. - Para mim, a Sara e a mãe dela,
a Remédios Naturales, eu não gosto dessa mulher.
Uma mulher com duas filhas sem pai a vida inteira.
Não é normal.
É estranho.
Mas isso não tem nada a ver.
Tem, porque não gosto dela.
Eu não quero que você vá com ela
para lugar nenhum.
Eu não posso ir?
É só por um dia.
Até você ter idade para isso, você não vai fazer nada em Barcelona.
O que tem para fazer lá?
Ver a escola, ver os testes e tudo mais.
Ver testes para quê?
Já te falei, quero ser artista de circo, pai.
Sim, está bem.
Artista de circo, não é?
Olha só, uma artista, bem aqui!
Uma artista de circo, cuidado!
Artista de circo.
Escuta, artista de circo, pegue um iogurte para mim.
Por que você não pega?
Preste atenção!
Preste atenção! Olha com quem está falando!
Veja bem com quem está falando!
Você não está falando com suas amiguinhas, ouviu?
Toma cuidado!
Cuidado comigo!
Sou eu que seguro as pontas aqui! Você não segura nada!
E se eu pedir um iogurte, você traz! Ficou claro ou não?
Eu não seguro nada.
O que está resmungando aí? Você segura o quê?
Dois peitos feito dois melões, não está bom para você?
Coça.
Deixe sair tudo.
Isso.
Coça um pouco.
Relaxa.
Deixe entrar, fazer o efeito.
Isso mesmo.
Me conte o que está acontecendo.
Você consegue, Lis.
Tire isso de você.
Eu vou te ajudar a liberar isso.
Reflita.
Vamos tirar tudo daí.
Para abrir espaço.
Você é muito corajosa.
Muito corajosa, Lis.
Assim.
Eu quero que você me ajude a abortar.
Mas eu não sou médica, Alicia.
Dizem que dá para abortar com arruda.
E com certeza você tem.
Escute, Alicia.
Eu vou te ajudar em tudo o que eu puder.
Mas só no que eu puder.
Você vai ter que falar com a sua mãe
e dizer que você está grávida.
Não posso falar com a minha mãe.
Alicia, isso é uma coisa
que você tem que enfrentar.
Tem que contar para ela.
Não.
As coisas não acontecem ao acaso, elas servem de aprendizado.
Isso aconteceu para que você possa resolver as coisas.
E precisa se responsabilizar.
Não pode fugir.
Mas eu estou bem.
Só não quero que meus pais saibam.
É o único problema.
Você não faz acupuntura?
Eu li que os chineses fazem acupuntura para abortar.
É só abortar e pronto.
Mesmo que você decida abortar, e está em todo o seu direito,
você deve ser consciente
de que está carregando um ser que está crescendo dentro de você
e que você, voluntariamente, decidiu tirar a vida dele.
Você tem que saber disso.
Para poder se curar,
você tem que enfrentar e se responsabilizar pelas coisas.
Isso vai te acompanhar pelo resto da vida.
E pode te acompanhar mal, se fizermos algo de errado,
ou te acompanhar bem, te ajudar a crescer.
Você falou com o pai?
Com o meu pai?
Se não falei nem com a minha mãe, com o meu pai muito menos.
Com o pai.
O pai do bebê, o seu namorado.
- Falou com ele? - Não.
Mas ele tem o direito de saber.
Eu vou te dar uns florais de Bach, certo?
- Servem para abortar? - Alicia, querida.
Alicia, venha arrumar a mesa para o seu pai!
Ande, que ele já vai chegar.
- Tem salada? - Sim.
Como foi o dia? Tudo bem?
Sim.
A Mari Carmen me disse que você foi se consultar com a Remédios.
O que foi fazer lá?
Como ela ficou sabendo disso?
Não sei, você sabe que ela descobre tudo.
Por que foi lá? O que queria?
Falar com ela.
E não podia falar com outra pessoa?
Não podia falar comigo?
Não sei, mãe.
Como ªnão seiº?
Se você tem algum problema, pode falar comigo, não?
Não tenho nenhum.
E você gostou?
Foi muito caro?
Ela não me cobrou.
Ela não cobrou?
- Não. - Desse jeito, eu também vou.
De você, ela vai cobrar.
Está bem, então eu vou pagar.
Mas e aí?
Ela faz pomadas e esse tipo de coisa, não é?
Você quer ir?
- Oi? - Você quer ir?
Quero saber como é.
- Não pode me explicar? - Vá lá e pergunte a ela.
Nossa, não dá para perguntar nada para você.
É que isso irrita.
Você se irrita à toa.
Eu só queria saber se ela faz poções.
Claro, poções.
- Não faz? - Não.
Bom, estou indo.
Não demore para descer.
O seu pai já está chegando.
Como ela ficou sabendo da minha consulta?
- O quê? - Fale baixo.
Não dá para fazer nada nessa maldita cidade!
Calma, esqueça. Estou farta dela.
Vadia fofoqueira!
Chata do caramba!
Não dá para falar nada na frente dela!
- Escute. - O quê?
- Minha mãe te mandou isso. - O que está fazendo?
Você quer que ela escute?
Deixa ela para lá.
- O que é isso? - É para você tomar.
- O que eu faço com isso? - Na língua.
O quê?
O que eu faço?
- Você pega... - Abaixe isso!
Você coloca na língua.
O que foi?
Está linda.
Você está triste?
- Mais ou menos. - Mais ou menos?
- Eu estou estressada. - Por quê?
O que foi?
- Estou estressada. - Bem...
É por isso que estou aqui.
Para te desestressar.
Pare.
Eu estou grávida.
- O quê? - Sim.
E como...
Como você sabe? O que você fez?
Que teste você fez?
Talvez esteja errado.
Não está errado.
- E se estiver? - É certeza.
Nada é certeza.
Bom, se quiser, eu faço de novo, mas é perda de tempo.
O que a vamos fazer?
Eu quero que me ajude a abortar escondido dos meus pais.
Existem clínicas que não precisam de autorização.
Bom, calma. Uma coisa de cada vez.
Está bem?
Você está bem?
Na medida do possível, sim.
Tem certeza de que quer abortar?
Podemos...
pensar, conversar.
O que quer conversar?
Não sei. Podemos pensar, não?
Vocês não sabem da última. Sabem o Pablito?
Ele finalmente saiu do armário.
- Quem? - Pablito, o vizinho da Lis.
Sempre o chamaram de Pabla, estava na cara.
Ia acabar acontecendo.
E se eu decidir sair do armário, e daí?
Você joga para o outro time agora ou quer chamar a atenção, como sempre?
- Você que gosta de chamar a atenção. - Você.
Caminhoneira.
Segura as minhas pernas?
Ele tem namorado?
- Namorado homem. - Sim.
E o pai dele?
Eu lembro que ele disse
que preferia ter um filho gay a um filho socialista.
Como se lembra, se não era nem nascido?
Eu lembro que ele disse isso!
Espera aí, escutem.
O quê?
Eu achei o namorado da Pabla.
Está no Instagram dele.
Qual é o problema de vocês? Sério.
É assim tão estranho ele ser gay?
É que você é muito moderna.
A caminhoneira e a circense.
Pode soltar.
Olha como ela planta bananeira.
Muito bom!
Você tem algum problema?
- Que engraçada você! - Muito.
Onde está o seu namorado de Alcanar?
Escondido.
Ele dá cocaína para todo mundo, menos para gente.
- Se quiser cocaína, vá lá e compre. - E se eu for?
Você não sabia que ele vive escondido?
Ou não?
É mesmo, você está transando com o inglês.
- Você está passando dos limites hoje. - Sim, demais.
A caminhoneira e a circense.
E o que você vai estudar?
Eu? Eu já decidi.
Eu vou ser igual à mãe da Sara.
Bruxa.
Eu vou viver no mundo da fantasia!
Ficou louca, sua idiota?
O que aconteceu com a Rocío?
- O que houve com a Rocío? - O que te importa?
Mari Carmen disse que você bateu nela. É verdade?
Você bateu?
Sim!
- O quê? Bateu nela? - E você está me batendo.
O que quer que digam de nós?
- Não importa! - Como assim, não importa?
Não, nada disso! Agora desça para pedir desculpas!
- Ela está aqui? - Ela está lá embaixo!
Sabe por que eu bati nela?
Eu não ligo para o motivo!
- Porque ela é uma pessoa má! - Quer parar?
O que vão pensar de nós?
Outra vez com essa história? Você se importa com isso?
- Não me bata, droga! - Olhe para mim!
Está brigando porque bati em alguém e agora me bate?
Você está falando mal dela.
- Porque ela é má! - Pare!
- Quer que eu te bata outra vez? - Não!
Desculpe.
Não espere que eu me desculpe.
Não sei por que veio, se não tem nada a dizer.
Porque você me chamou.
Chamei porque bateram na minha filha.
Ou acha que eu só queria ver a sua cara?
E a senhora não perguntou por que batemos nela?
É que não me interessa saber o motivo.
- Então, por que estamos aqui? - O motivo é o de menos.
- Por que estamos aqui? - Vocês bateram nela.
Eu acho que quem tem que resolver isso são elas.
É um assunto delas.
Você também achou normal a atitude da mocinha?
Achou normal?
Não é que seja normal ou anormal.
Mas elas têm quinze anos.
As mães não deveriam estar aqui.
Não são crianças de três anos.
Têm que aprender a resolver as coisas. Já são bem grandinhas.
Elas já são grandinhas e isso só piora por terem batido nela.
Se elas pedirem perdão sem saber o motivo, não adianta nada.
- Eduque a sua filha. - Mari Carmen...
"Mari Carmen", uma ova.
Se estamos aqui, temos que dar o exemplo.
Se for desse jeito, o exemplo...
Você está tranquila, porque não bateram na sua filha.
Se tivessem batido nela, você não estaria assim.
Não seria tão normal para você.
Talvez ela tenha pedido, não perguntou a ela?
- Como assim, ela pediu? - Você que pede uma dessas todo dia.
- Eu não estou com a cara roxa. - Amanhã você vai estar.
- Vamos ver. - Você vai ver.
Por que não fazemos o seguinte?
Elas explicam o que aconteceu
e aí vamos ver quem tem a culpa.
Assim vemos quem é a culpada.
Expliquem.
Por que saber de quem é a culpa? Não adianta nada.
Culpa, perdão, são só palavras inventadas pela Igreja.
A culpa não existe.
É claro que existe! - Foi a Igreja que inventou.
Não. Essas são paranoias suas.
A culpa não é delas, é sua!
- Minha? - Principalmente sua!
- Pela educação que você deu a ela. - Perfeito!
A culpa é minha! Tudo bem por vocês?
Eu levo toda a culpa para casa.
Agora temos uma culpada.
E agora que já temos uma culpada, vocês podem conversar.
Elas podem conversar, já que têm 15 anos de idade,
e sem as mães aqui.
Elas podem resolver as coisas sozinhas.
Saber de quem é a culpa não tem sentido algum.
E agora que temos uma culpada, vamos embora.
Sim, não sei o que viemos fazer aqui.
- Bom dia. - Bom dia.
Isso, pode ir embora.
É por isso que chamam você de bruxa, "Remédios Naturales".
Ela é uma bruxa!
Ela é bruxa, não confie nela.
- Qualquer hora acontece... - Calma, Mari Carmen.
Daqui a dois dias serão amigas de novo.
- Sim, superamigas. - Daquelas que não fazem falta.
- Mas vocês não eram amigas. - Olha as amigas que ela arranjou.
- Que linda. - Que menina bonita!
Eu não a reconheceria se não estivesse com você.
E a mais velha?
Está estudando em Alicante.
Mas digo para ela ir visitá-las, está bem?
- Quero falar com a Remédios. - O que foi, mãe?
Remédios!
Como você faz com ela?
Porque a minha, o dia inteiro me deixa...
Quando elas têm essa idade, é difícil para todas as mães.
Menos mal.
Com ela parece que estou falando sozinha.
Mas a gente também foi assim, ou não?
É que ela veio aqui e não me explicou nada.
Eu disse para ela me contar como foi,
porque eu queria vir um dia também.
Mas isso fica entre nós,
porque o que acontece na consulta é particular.
Entendi.
Inclusive, eu também virei.
Quando quiser.
Mesmo?
Ela vai te deixar ótima!
Está vendo?
Eu vou ficar bonita?
Você já é bonita!
Do que estão rindo?
O que é tão engraçado?
E o que aconteceu com a aquela menina, a filha da fofoqueira?
O que aconteceu?
Ela é uma pessoa má.
Ela é como a mãe dela, uma pessoa má.
Fomos à casa da Remédios e decidimos ir com elas para Barcelona.
Foram na casa da Remédios?
- Sim. - Da Naturales?
A Remédios e a filha vão para Barcelona
e queremos ir junto.
Daqui duas semanas.
Vamos ver a escola, a escola de circo da nossa menina.
Para Barcelona?
Sole, já conversamos umas 30 vezes.
Ela não tem idade para estudar em Barcelona, certo?
Se ela quer estudar, estuda aqui.
Termina aqui,
e depois a gente vê essa bobagem de circo.
Mas vamos só para ver.
Vocês vão só para isso? Não tem nada para fazer em Barcelona!
- Sim, para ver a escola. - Você não vai ver a escola.
Muito menos com aquela tal de Remédios Naturales,
que é um perigo, uma bruxa.
Mas eu quero ir para Barcelona.
E eu quero ir para Cuba!
Não vai e ponto final!
E se você for para lá com a Remédios, não me apareça mais aqui em casa!
Cala a boca, estou falando com a sua mãe!
Vocês vão ficar aqui e ponto final.
- A Remédios é muito simpática. - Estou me lixando para isso!
E daí se ela é simpática? Eu também posso ser simpático.
Mas que droga!
Pode ir embora.
Mais respeito, ele é o seu pai.
Não sei por que ainda não se divorciou dele.
Reze para que isso não aconteça.
Porque se alguém for pagar pela sua escola em Barcelona será ele.
Porque eu, limpando casas...
não vou poder.
Posso trabalhar e pagar por ela.
Sim, você vai trabalhar.
Eu vou.
Essa eu quero ver!
Você vai ver.
- A loira fica calada, olha só. - Cale a boca.
Por quê? A vadia me bateu.
- Até que enfim! - Saiam, suas falsas!
Você está bem?
Deixe-os para lá.
Bando de cretinos, isso sim.
Mas o que a gente faz?
Se quiser, chamo a minha mãe, mas eu não volto naquele ônibus.
Está bem, chame-a que é melhor.
Voltamos com ela para Traiguera e depois vemos um filme ou jogamos.
Um filme?
E a prova de matemática?
Bogdan!
Filha da mãe, o que está fazendo aqui?
- Suma daqui! - O que está fazendo?
Me dê a raquete e os tacos.
Agora você quer a raquete e os tacos.
Toma.
- Olá. - Oi.
- O que está fazendo aqui? - O que foi?
- O que aconteceu? - Nada!
- Por que está me evitando? - Está na porta da minha casa.
- Por que me empurra? - Fique quieto!
Espere, caramba! Venha!
- Qual é o problema? - Eu já te disse qual é o problema.
Calma, relaxe!
- Você sempre faz a mesma coisa. - Mas o que você tem? Calma.
- Você tem vergonha de mim? - Eu não tenho vergonha!
Mas eu preciso de espaço! E não fique ali!
- Eles podem te ver! - Mas podem te ver com o outro?
Eu vim fazer uma surpresa na porta da sua casa!
- Mas você não pode... - Liguei umas 40 vezes, eu te amo!
- O que está fazendo? - Eu te amo!
- Eu não ligo para isso agora! - Qual é o seu problema?
- Por que você não atende o celular? - Cala essa boca por um segundo!
Cala essa boca por um segundo!
- Não me empurra! - Pare de agir assim!
Eu faço o que eu quiser! Por que não posso te buscar em casa?
- Porque é... - Por quê?
- Saia de cima, por favor! - Não saio!
Fale logo!
Estou tentando te explicar e você não deixa, droga!
Meus pais vão ficar bravos, eu já te disse umas mil vezes.
Você sempre faz a mesma coisa, me espera em outro lugar!
- Você tem vergonha de mim? - Não, eu não tenho!
Você tem vergonha de mim e do maldito inglês, não!
Para de gritar desse jeito, me deixe explicar!
Eu só te peço uma coisa: não fique parado ali!
- Só isso! - O que você quer que eu faça?
- Que fique em outro lugar! - Onde, se não atende o celular?
Procurei você pela cidade toda!
Não tenho por que ficar grudada no celular!
Agora eu não posso deixá-lo de lado?
- Não posso me desconectar? - Não pode desaparecer!
- Por que não? - Porque sou seu namorado!
Você é o meu namorado, mas não é meu dono!
Eu posso fazer o que me der na telha!
Juro que se aquele inglês aparecer na minha frente, eu mato.
E agora, não posso ter amigos?
Qual é a sua? Com ele pode e comigo, não?
Quer que eu o mate?
- Dá para ficar calmo? - Eu mato! Desgraçado!
O que é isso?
Você enlouqueceu? Qual é o seu problema?
Droga!
Onde está o Polaco?
O quê?
- E o Polaco? - O Polaco?
Ele foi embora.
Para onde?
Sei lá, para casa, ele concluiu a bolsa de estudos e foi embora.
Ele não te contou?
Não.
Se ele não te disse nada, não é seu amigo.
Ou ajuda ou não atrapalha, eu tenho que trabalhar.
Coloque isso aqui.
Aqui.
- E para que serve? - Que cheiro bom.
Retira as más vibrações.
Deixa as boas vibrações.
Deixe as boas, leve as más.
Não tem um cheiro bom?
Eu contei para sua irmã e ela ficou brava.
Quadrada do jeito que ela é.
A Remédio é genial!
Ela disse que se eu fizer isso por uns dias,
a casa será um poço de paz e tranquilidade.
Dá para acreditar?
Assim vamos afastar
tudo o que é ruim.
Isso é poderoso mesmo, não é?
O que foi, filha?
O que foi?
Não chore, assim você parte o meu coração.
Diga.
Diga.
O que foi?
Se eu te contar uma coisa, vai ficar brava?
Não, claro que não.
- De verdade? - Pode falar.
Daqui a pouco eu é que vou chorar.
Vamos, me conte.
- O que foi? - Não vai ficar brava?
Claro que não!
Me diga o que foi.
De verdade?
Vamos!
Estou grávida.
- Mas que droga! - Mãe, me perdoa!
- Mãe, me perdoe. - Pedir perdão não vale.
Perdão não adianta.
Você mentiu para mim o verão inteiro.
Você mentiu para mim.
Está de quanto tempo?
- Não sei! - Está de quanto tempo?
Não sei!
Diga que não é verdade, filha!
Diga que não é verdade.
Vamos! Diga que não é verdade!
É verdade, mãe! Por favor, não fique assim!
Você é uma mentirosa!
Mentirosa!
Mentirosa! Traiçoeira!
Eu não quero ter.
E o que me importa isso?
Ele não devia nem estar aqui, para começo de conversa!
Eu te eduquei e o que você fez?
O que você fez?
Ficou grávida!
Você acha isso certo?
Que fácil, não é? Você só abre as pernas e pronto!
Você é a vergonha dessa família, Alicia!
Eu não te eduquei assim!
- Mãe, me perdoe! - Não! Isso não tem perdão!
Ouviu?
Não tem perdão para isso!
- Me perdoe, mãe! - Você é uma...
Eu não te conheço!
Não te conheço mais!
Saia da minha frente, não quero olhar para a sua cara.
Saia daqui!
Oi.
Vamos, por favor.
Terminar?
E se eu não quiser terminar?
Não sei.
Aconteceu e pronto.
- Aconteceu ou não? - Sim.
Podemos voltar no tempo?
Como assim, voltar no tempo?
Não podemos ficar culpando um ao outro!
- Não adianta. - Mas eu não entendo!
- O que ganhamos com isso? - Não ganhamos nada!
É que não entendo, Sole! Não estou entendendo nada!
Não entendo. Essa menina fica com você o dia todo!
Como ela ficou grávida?
O que você não entende? Por acaso nasceu ontem?
Sole, como você deixou isso acontecer?
Como não percebeu?
Como pôde deixar isso acontecer?
Droga.
Mas que droga!
E o que vamos fazer?
Está com as chaves?
Estão na ignição.
Mãe,
eu estava pensando.
Já que vamos para Barcelona,
eu poderia olhar a escola de circo.
Já que estaremos lá.
Não podemos?
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