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Zulu
BASEADO EM EVENTOS REAIS
Muito bem! Concentrem-se!
"Senhoras e senhores!"
"Em breve eles viajarão pelo mundo
com sua espetacular apresentação."
"Recebam a Equipe Nacional de Ginástica da Dinamarca de 2012."
Bravo!
Sensacional!
O SEQUESTRO DE DANIEL RYE
SuB_VersioN League of Legends
"E aí, Daniel? Sentimos sua falta!"
"Já vamos entrar no avião."
"É estranho estar aqui sem você!"
"Melhoras! Tudo de bom! Tchau!"
Venha morar comigo em Copenhague.
Por que não?
Seu apartamento é pequeno. Mal cabe um sofá.
Qual é? Essa é uma péssima desculpa.
Claro que tem espaço.
Você enlouqueceria se morasse com um aleijado.
Além disso, você ficaria estudando o dia todo.
Você também encontraria algo para fazer.
Tipo o quê? Não tenho qualificações.
É bem frustrante.
Treinei 6 anos para nada.
HEDEGARD, DINAMARCA
Ei, essa foi fora!
-Foi fora. -Não foi, vovô!
-Foi sim. -Está roubando, vovô.
-Eu não roubo. -Daniel, pode ser o juiz?
Claro.
-Obrigado. -Foi totalmente fora.
-O quê? -Isso!
-Ele poderia fazer um estágio. -Ele quer ser fotógrafo.
Ele sempre quis.
Isso não dá dinheiro, mãe.
Por que você vive pegando no pé do Daniel?
Não pego no pé de ninguém.
Mas mimá-lo não ajuda em nada.
Ele já tem 23 anos, não tem?
Ele paga aluguel pelo menos?
Sim, ele paga 80 mil coroas por mês
e algumas contas, Anita.
Tive que pagar para morar aqui quando fiz 18 anos.
O Daniel não tem bolsa de estudo.
Exatamente, ele não tem.
Ninguém dá bolsa para quem faz cambalhota em vez de estudar.
Cala a boca! Você é insuportável.
-Arruma a mesa? -Não!
Maravilha!
Já pesquisou cursos de fotografia?
Não.
-Não compensa fazer curso. -Já é bom demais para isso?
Não, mas um estágio seria melhor.
Alguém quer mais presunto?
-Sim, por favor. -Obrigada, Susanne.
Você precisa fazer dieta, já que não está se movendo.
Até parece que você faz isso.
Não seja rude. É só um conselho.
Obrigado, pai. Este é um ótimo conselho.
De nada. Sabe que pode contar comigo.
Sempre.
-Ligou para quantos fotógrafos? -Não enche o saco, Anita!
Não fala comigo assim!
Então para! Você sabe que não tem fotógrafos aqui!
-"Não enche o saco". -Não pode falar essas coisas!
Podem parar.
E quanto a ir para Aarhus?
-É muito longe para Vossa Alteza? -Já chega, Anita.
A mamãe faz de tudo por vocês dois!
Agora ela terá de sustentar o Daniel por mais 1 ano.
Cala a boca.
Que tal tentar a sorte no namoreumfazendeiro.com?
Muito engraçado.
Ou um encanador para limpar seus canos.
Já chega.
Engraçadinhos!
Aliás, planejo me mudar para Copenhague com a Signe.
-Para Copenhague? -É.
Bom, boa sorte.
-Pode pegar esse também? -Sim.
E esse aqui também. Segura.
Esse eu levo.
Quando você se formar, vamos arranjar trabalho,
casar e ter filhos.
Vamos achar um lugar maior
e trocar de carro a cada 4 anos, como seus pais.
Vamos tirar férias
e viver a nossa vida até aposentar e morrer.
Credo... parece bem chato dizendo assim.
-Mas é a vida. -Claro que não.
E isso é muito triste.
Olá?
-Como você entrou? -A porta estava aberta.
Sou Daniel Rye,
vim para a entrevista de fotógrafo assistente.
Tínhamos marcado e todos os outros lugares que fui...
Oi. Oi, e aí?
Seu portfólio.
Sim.
Não estou nem aí!
Dá um jeito.
Não, dá o teu jeito. Eu te pago para isso, não?
Seus retratos são bem entediantes,
mas tem potencial para fotografia de rua.
-É, na verdade eu prefiro... -Sim! Espera aí.
-Tem passaporte? -Tenho.
Olha, esquece, acabei de achar um assistente.
Vejo você em Mogadíscio.
O quê?
Acho bizarro esse monte de ferro voar!
Pois é!
MOGADÍSCIO, SOMÁLIA
Você está bem?
Estou.
São muito novos. São crianças.
Para a guerra, já são veteranos.
Só pagamos a metade.
Se não sobrevivermos, pelo menos economizamos.
Onde deixo isso?
Em qualquer lugar. Vá tirar umas fotos.
"Quero fazer isso a vida toda, Signe."
"Nunca tive tanta certeza."
-"Certo. Já está bêbado?" -Não estou. Bem...
Talvez eu esteja um pouco, mas tenho certeza.
"Vai dormir e volta logo para casa."
Tudo bem. Eu te amo.
É importante mostrar o que está acontecendo.
-Na Síria? -É.
Vou mostrar como os cidadãos vivem em meio ao conflito.
O dia a dia continua apesar da guerra.
-Mas é perigoso. -Não vou para Aleppo, mãe.
Vou para uma vila perto da fronteira com a Turquia.
É bem longe de onde está tendo o conflito.
O que seu chefe acha disso?
Ele me deu uma folga. A ideia foi minha.
Não vou ficar no mesmo lugar por muito tempo
e vou voltar para a Turquia toda noite.
É onde vou dormir, como os jornalistas que conversei.
Só preciso de uma grana extra para a passagem e o hotel.
Extra?
Quem sabe possam comprar meu carro.
Vai vender seu carro?
Só serve para eu levar multas em Copenhague.
-E quando quiser nos visitar? -Mãe...
Daniel, não sei... O que acha, Kjeld?
Bem... quanto está pedindo pelo carro?
Umas 20 mil coroas... Ou 18 mil, talvez.
Não vale nem 10 mil, filho! O chassi está enferrujado.
Compra logo esse carro. Que tal 15 mil?
É.
E 14? 14 mil...
Te dou 12 mil se encher o tanque.
Eu pago o combustível.
-Meu Deus... -Fechado.
Pechinchador...
-Próximo. -Obrigado.
BAB AL-SALAMEH, SÍRIA
AGRADECEMOS A VISITA, REPÚBLICA ÁRABE DA SÍRIA
Daniel! Daniel!
Ei!
-Oi, eu sou a Aya. -Sou o Daniel, prazer.
-Vamos, entre. -Tá!
Este é o Naim, nosso guia.
Estará conosco para nos proteger.
Ele é do Exército Livre da Síria. Ele não fala inglês.
E este é o nosso motorista, Mohamad.
Não se preocupe, posso te levar onde quiser.
Tenho contatos em Raqqa e nas trincheiras de Aleppo.
Eu era enfermeira lá. Conheço muito bem a cidade.
Pode conseguir ótimas fotos dos tiroteios.
Não, quero ficar na cidade perto da fronteira.
-Azaz? -Isso, perfeito.
Não quero fotografar o conflito e os soldados,
só pessoas comuns vivendo sua rotina.
Houve conflito em Azaz,
mas algumas pessoas ainda moram lá,
então posso ajudar você com as famílias.
-Daniel? -Obrigado.
-Ele é fotógrafo. -Muito interessante.
Se importa se tirarmos umas fotos?
Sim, pode tirar.
Aqui é a barbearia.
-Pode tirar... -Posso?
-Sim. -Certo. Obrigado.
-Eles estão vendendo pedras? -Sim, sim.
O que fazem aqui?
-Ele é fotógrafo. -Vocês não têm autorização!
-Vocês não podem ficar aqui! -Temos autorização!
-Entrega a arma! -Mas temos autorização.
De quem? Sou eu que mando aqui!
Ninguém autorizou nada!
-Mas... -Entra na van!
Temos autorização!
-Nós temos autorização. -Vem comigo!
-Entra na van! Vamos! -Vamos!
Entra na van. Agora!
-É um mal-entendido. -Anda!
-Eu tenho permissão. -Mohamad, busque o Ayman!
Vamos, entra! Entra!
Anda! Entra!
Vai!
Como ousa trazer um fotógrafo estrangeiro sem permissão?
Nós temos permissão!
-Do Exército Livre. -Eles não têm mais autoridade!
Vou levar vocês até a autoridade!
O que está acontecendo?
Nada, só árabes tentando ser machões.
Disseram que devemos ir às autoridades
para pegar permissão.
Isso acontece toda hora, Daniel.
Como assim, toda hora? Como retornaremos à Turquia?
Meu amigo Ayman está aqui em Azaz.
Ele vai nos ajudar, já está vindo.
Certo? Você estará seguro.
Saiam, vamos.
Lá para dentro. Depressa.
Precisamos de permissão para tirar fotos.
Ele não pode entrar aqui com a câmera.
-Me passa a câmera. -Não, não...
-Me dá a câmera. -Não, não...
-Me dá logo! -A gente pega na volta!
-Vamos, abre a porta. -Anda!
Rápido! Rápido!
-Calma... -Entra aí.
Vai, entra aí, anda.
Senta aí. Você também.
Está tudo bem.
Não se preocupe.
-Documento e passaporte. -Aqui, aqui.
Trouxe um estrangeiro sem permissão?
-Tenho permissão do FSA. -Eles não têm autoridade aqui.
-Mas eles deram permissão... -Não discute comigo!
Você está errada! Cometeu um grande erro!
O que faz aqui?
Sou fotógrafo, da Dinamarca.
Vim fazer uma matéria sobre os cidadãos da Síria...
Ei...
Sou amigo da Aya.
Temos permissão do Exército Livre (FSA).
Esse homem é fotógrafo de guerra.
Nós acreditamos, mas precisamos ter cautela.
Desculpe, não entendo.
Seu povo coloca rastreadores nos carros
para os aviões nos bombardearem.
Esses ocidentais são uns desgraçados!
Ele é apenas um fotógrafo dinamarquês!
Ayman!
Não se mexe.
Quieto.
De pé. De pé!
-Para onde vão levá-lo? -Não é da sua conta!
-Para onde vão? -Não te interessa!
-Ele não fez nada de mais! -Vamos!
-Fica calada! -Não podem levá-lo!
-Vai andando. -Deixa ele ir.
-Vai... -Não olha para trás, Daniel!
-Fica fora disso. -Solte-o, por favor!
Em frente!
-Faça o que eles disserem! -Ele é um espião.
ALEPPO, SÍRIA
Vamos!
Levanta.
-Qual é o seu nome? -Eu sou Daniel Rye.
De onde você é?
Sou da Dinamarca. Isso é um mal-entendido.
Olá, Daniel.
Olá.
Sabe quem eu sou?
Vim para te fazer contar a verdade.
Estou dizendo a verdade.
Eu juro.
Tudo bem.
Obrigado.
Já sabemos quem você é.
Ótimo. Posso ligar para casa e dizer...
Não fale nada agora. Já sabemos da verdade.
Mas queremos que você nos conte.
Como assim? Eu...
Ei!
Espera.
Por favor!
Eu estou dizendo a verdade.
Conta o que você sabe! Conta agora!
Por favor...
Certo...
-Qual é seu nome verdadeiro? -Daniel. É Daniel.
Vou perguntar... de novo!
-Qual é seu nome verdadeiro? -Meu nome é Daniel Rye!
Onde é isso?
Base de treinamento da CIA?
Não...
Esta é minha equipe de ginástica.
Nós nos apresentamos para os militares.
Como eu disse, sou ginasta.
Está mentindo! Você foi treinado!
-É soldado da CIA! -Não, sou ginasta. Olha!
Faz outra.
Faz outra!
Você soa como um asno, Daniel. E agora parece um também.
Viu?
Faz o barulho do asno, Daniel. Vamos!
Daniel, o asno!
O asno!
Alô?
"Ele não estava no avião."
Tem certeza?
"Chegou faz tempo. Ele não estava."
Tudo bem. Eu... vou falar com o Kjeld e te retorno.
Não é melhor denunciar?
Ele deixou vários documentos em caso de emergência.
"Tem o contato de um segurança chamado Arthur."
Certo, me mande o número dele. Vou ligar para ele, Signe.
"Está bem."
Até mais.
-"Tudo bem". -Tchau.
SÍRIA, PRÓXIMO À FRONTEIRA COM A TURQUIA
-Salaam aleikum, Ahmed. -Aleikum essalam.
Onde está o Kadir?
Ele estava com um homem em Aleppo
que tem informações sobre James Foley.
Paramos em um posto de controle, e eles abriram fogo.
Sinto muito.
Sinto muito mesmo.
Mas ele sabia que era perigoso.
-E o James Foley? -Nada.
O último transporte para Aleppo
foi na segunda e ninguém viu o James.
Mas viram dois jornalistas italianos.
-Obrigado. -Eu que agradeço.
Por favor, entregue isso à família do Kadir.
Para as despesas do funeral.
É um homem digno, Arthur. Obrigado.
Alô?
"Oi, meu nome é Susanne Rye."
-Certo... -"Sou a mãe do Daniel Rye."
-Quando teve notícias dele? -"Há cinco dias."
"Achávamos que estava sem sinal e que estaria no avião."
Tudo bem, Susanne.
Não pode falar disso com mais ninguém.
"Quantas pessoas sabem do desaparecimento?"
Meu marido Kjeld, que está aqui, eu e a namorada dele, Signe.
"Certo, vamos deixar assim."
-"Precisamos manter o sigilo." -Não vamos contar a ninguém.
"Eu volto a ligar."
-Temos que ir também. -Até mais.
-Vocês não iam sair? -Seu pai está com enxaqueca.
É, está insuportável.
-Você não tinha uma festa? -É, estou indo me arrumar.
Vai jantar em casa?
-Acabei de falar que vou sair. -Certo.
É, você disse.
Esquisitos...
Vou informar a Inteligência Dinamarquesa (PET)
e o Ministério das Relações Exteriores.
-Mas não esperem nenhuma ajuda. -Por que não?
Ele deve ter sido sequestrado.
A Dinamarca
tem uma política séria de não negociar com terroristas.
Poderão aconselhá-los, extraoficialmente.
Não vão se envolver.
O que podemos fazer para tirá-lo de lá?
Precisamos descobrir quem o levou.
Já tenho gente na Síria
procurando por um jornalista americano, James Foley.
Conforme a nossa experiência na Síria,
qualquer publicidade pode prejudicar os reféns. Conforme a nossa experiência na Síria,
qualquer publicidade pode prejudicar os reféns.
Por quê?
Eles querem ser vistos como guerreiros sagrados,
não só meros criminosos.
Precisarão manter todos os canais de comunicação abertos:
telefone, e-mail e até mídias sociais,
caso entrem em contato com vocês.
Se isso acontecer, eu assumo a comunicação.
-Desculpe. Comida, água... -Obrigado.
Muito obrigado.
Obrigado.
"Jamal!"
"Vem aqui!"
"Jamal, vem aqui!"
Desculpe. Come!
Isso, isso... Isso!
Oi!
Ei, olá!
Pode me ajudar, por favor?
Preciso chegar na fronteira da Turquia. Tem carro?
Pode me levar, por favor? Para a fronteira, para...
Posso te dar dinheiro se me levar. Por favor.
Por favor. Tem um carro?
Entre.
Limpe-se aqui.
Peguem comida e roupas, meninos!
Obrigado. Obrigado.
Obrigado.
Fizeram isso comigo. Sabe? Tortura...
Isso...
Por favor, ajuda.
Ajuda... obrigado.
Obrigado. Obrigado.
Obrigado. Obrigado.
Obrigado, irmãos.
Alá vai recompensá-los. Fizeram a coisa certa.
Bem, vou estudar na casa da Pernille.
Vou almoçar lá.
-Tudo bem, Chris. -Beleza.
Eu te levo até a porta.
Chris? O que eles têm?
Estão muito estranhos.
Não mais que o normal, não é?
Acho que sim... Aconteceu algo?
Nada acontece aqui.
Você já esqueceu como esse lugar é sem graça.
-Até mais. -Tchau.
Mãe, pode deixar as palavras cruzadas um pouco?
Não é "palavras cruzadas", é sudoku.
Por que não para de olhar para o celular?
-O que está acontecendo? -Nada.
Estamos relaxando. É domingo.
Mãe?
Mãe...
O papai está doente?
-É câncer? -Seu pai?
Não, ninguém está doente.
-Estão se divorciando? -Claro que não.
É o Daniel.
Ele não voltou da Síria.
-Ele está em Copenhague. -Não, Anita.
Ele desapareceu.
-Não sabemos onde está. -O que está falando?
-Eu falei com a Signe... -Ela também está mentindo!
Não podemos contar nada.
-Achamos que ele está vivo, mas... -Estão malucos?
Por que não podiam contar para mim?
E a Christina?
Nem a Christina, não podemos contar para ninguém.
-Quem disse isso? -Contratamos uma pessoa.
-A Polícia não pode ajudar. -Quem então?
Ele é ex-militar.
O nome dele é Arthur. É especialista em reféns.
KILIS, TURQUIA, PRÓXIMO À FRONTEIRA
Como está, Aya? Está bem?
Quero que saiba
que eu não tive nada a ver com isso.
-O que pode nos contar? -Sinto muito.
Sinto muito pelo Daniel.
Eu pensei que fosse seguro.
Disseram que eram Mujahedin. Nunca os vi antes.
Devem ter tomado a área do Exército Livre.
Eles torturaram meu amigo. Quase me mataram também.
Não sei como consegui chegar à fronteira.
Quem eram?
Só ouvi chamarem um nome.
Abu Suheib?
Precisa me ajudar a sair de Kilis.
Não posso voltar para a Síria.
-Não estou mais segura. -Vou te ajudar.
Obrigado.
Bom dia.
Richard me disse que a Inteligência Americana
interceptou uma ligação sobre um transporte de reféns,
2 dias depois que o Daniel desapareceu.
Para onde?
Deve ser Aleppo, mas precisamos confirmar.
Muitos grupos operam em Aleppo.
Mas Emir Abu Athir está no controle.
Mas o pessoal do Abu Suheib controla Azaz,
onde Daniel foi levado.
Podem trabalhar juntos, é o que estou dizendo.
Os grupos estão começando a se ajudar.
Abu Suheib é a chave.
Devo marcar uma reunião?
Vai ser quase o preço de um notebook.
25 mil dólares.
Acho arriscado atravessar a fronteira agora.
Já perdemos o Kadir.
Então fique aqui e concentre-se no Foley.
Não temos novidades sobre o Foley, Arthur.
Richard acha que devemos procurar em Damasco.
Ninguém sabe de nada.
É como se o Foley nunca tivesse existido.
Me deixe ir até a Síria e ver o que posso fazer.
É uma coisa que a gente pode trabalhar.
Leva tempo para agendar uma reunião.
Levarei Ahmed comigo.
Tudo bem. Vamos lá.
RAQQA, SÍRIA
O dinamarquês está mal. Pode estar com febre tifóide.
Peguem a mangueira.
É nojento, está cheio de merda.
Ele está fedendo.
Não deixem ele beber.
Ele vai se cagar de novo.
Use isso.
Se você se cagar de novo, vai morrer. Ouviu?
Levem ele para a cela.
Vai!
Vai para o canto.
Não entra no banheiro onde eu rezo.
Desculpe. Desculpe.
Bem-vindo ao nosso quarto.
Precisa tomar cuidado com essas feridas.
Eu sou o Jérémy.
Não vai acreditar porque quase não tenho sotaque,
mas sou francês.
Sou jornalista.
Qual é o seu nome?
Sou o Daniel.
Parece que está aqui há um tempo, Daniel.
Aqui.
Sou o Luis, jornalista francês. Como o Jérémy.
Deite aqui. O chão está gelado.
SÍRIA, PRÓXIMO À FRONTEIRA
Salaam aleikum.
Tudo bem, Omar.
-Salaam aleikum. -Aleikum essalam.
Este é o iPhone novo.
Mas os números na tela são muito pequenos.
É feito para mão de mulher, não de homem.
Obrigado pela disponibilidade...
em poder se encontrar comigo, Abu Suheib.
-O senhor é muito gentil. -Como posso te ajudar?
Daniel Rye. Quero levá-lo de volta para casa.
Impossível.
Ele confessou que é da CIA. Será executado.
Daniel é apenas um jovem que não sabe no que se meteu.
Quanto vão pagar por ele?
Os pais dele são gente simples.
Então que o governo pague por ele.
10 notebooks e uma ambulância. Esse é o meu preço.
O senhor já deve saber
sobre a política do governo dinamarquês.
Então está desperdiçando meu tempo.
Eu deveria matar vocês dois.
7 notebooks, é minha oferta final.
Também preciso de informações sobre o jornalista americano,
James Foley.
Impossível. Não posso te ajudar nisso.
-Adeus. -Obrigado.
Vamos embora.
Quanto estão pedindo?
700 mil dólares.
700 mil dólares?
Mas isso é...
-Esse valor equivale... -Quase 4 milhões de coroas.
É mais caro que o seguro.
Bem, Kjeld, a decisão é sua.
Mas em nome do Ministério das Relações Exteriores,
recomendo que não tomem nenhuma decisão precipitada.
Podemos confiar em Abu Suheib?
Abu Suheib é um homem muito ocupado.
Para ele, Daniel deve ser insignificante.
Essa é a nossa vantagem.
Antes que vocês decidam...
devo dizer que pedidos de resgate são negociáveis.
Não. Esse valor não pode ser negociado.
Sei que é difícil aceitar,
mas temos uma oportunidade única.
Não podemos perdê-la.
Vou pedir uma prova de vida para Abu Suheib.
Tem algo que só o Daniel saiba?
Ele tem alguma cicatriz ou marca de nascença?
Mãos na parede!
Daniel, olhe para lá!
A comida chegou.
Coma isso.
Merci.
Todo mundo aqui tem medo de você
porque veem o que vai acontecer com eles daqui um tempo.
Aquele é o Arwel, de Gales.
Wojceik e Raul.
O Alexei você já conheceu. Achamos que ele é do Kosovo.
É o único muçulmano. Ele não fala muito.
Aquele é o Hans. Ele não fala há 4 semanas.
São pessoas normais, como nós.
Jornalistas europeus e trabalhadores humanitários.
Os guardas não são tão maus, não é?
Os britânicos?
Não sei de onde você vem, mas...
São maníacos sádicos.
Chamamos eles de "Beatles".
O cara perfumado é o John. O pequeno é o Ringo.
Paul é o pregador, ele prega o islamismo.
George esfaqueou um cara no dia que chegamos.
Mas eu diria que John é o pior.
Rápido!
Encosta na parede.
De novo.
Ótimo.
Ótimo.
Qual é a cor do carro que vendeu para o seu pai?
-O quê? -A cor do carro que vendeu?
Verde!
Era verde. Verde-maçã.
Falou com o meu pai?
É...
Esta é a primeira foto, como prova de vida.
Eu trouxe a Hanne aqui hoje. Ela é... nossa psicóloga.
-Ele está tão magro! -É...
Bem...
Como podem ver, a pele dele está relativamente limpa.
Ele parece capaz de se concentrar.
Isso é um bom sinal.
Significa que está recebendo hidratação suficiente.
O banco aceitou hipotecar...
a nossa casa por 900 mil coroas.
Eu e a Susanne sacaremos nossas aposentadorias.
Vai dar cerca de 1 milhão,
pagando 60% de impostos sobre isso.
A Anita...
-vai ajudar com o que puder. -É...
Já falei com a seguradora várias vezes.
Infelizmente,
o resto da soma do seguro é destinado aos gastos.
Assim...
no câmbio atual, conseguimos juntos uns US$250 mil.
-1/3 do que estão pedindo. -Sim.
Podemos oferecer isso?
-US$250 mil é muito dinheiro. -Sei disso, Susanne.
Mas oferecer menos pelo resgate...
será visto como um insulto.
O que acha?
A decisão é sua, Kjeld.
-É... -É...
O procedimento habitual seria negociar.
Não existe procedimento habitual.
A situação na Sìria é instável.
Novos grupos surgem a cada hora. Alguns se ajudam.
E eles planejam criar um novo Estado Islâmico.
São movidos por um ódio sem precedentes.
E não vão parar.
Recomendo fortemente que vocês...
esperem até ter a quantia total.
O governo não pode nos emprestar,
extraoficialmente?
-Receio que não seja possível. -Mas isso é um absurdo!
Se ele tivesse sido pego com cocaína em Bangkok,
fariam de tudo para trazê-lo de volta.
Mas quando se trata de um jovem inocente,
-vocês estão pouco se lixando! -Anita, por favor...
Lamento, mas não podemos mudar a política.
Está certo.
Acho que poderíamos oferecer os 250 mil dólares.
É melhor do que nada.
Ele não pode ficar lá. Está só pele e osso!
Eu concordo. Não temos escolha.
Signe?
Está indo?
-Não terminamos? -Que tal um café?
-Você está bem? -Sim, eu só...
Estou bem ocupada e não durmo direito.
Tem conversado com a psicóloga que o Arthur indicou?
Sim, mas não está ajudando.
Só conversamos sobre mim.
Sobre botar tudo para fora e seguir em frente,
mas não consigo.
Tudo leva tempo e eu não tenho tempo!
Tenho um monte de provas para fazer!
Desculpe.
A oferta da sua família é um insulto ao Profeta, Daniel!
Em 24 horas, estará igual a ele.
Por que veio para cá, Daniel? É tão burro assim?
Seu governo está em guerra com o povo islâmico.
Sabe quantas vidas inocentes eles tiraram?
Por favor... eu sinto muito.
Não, Daniel...
Ficará pendurado aqui até morrer.
Depois vamos cortar sua cabeça
e mandar o vídeo para os seus pais, ouviu?
Por favor, me matem agora!
Não, Daniel.
Precisa merecer o direito de morrer.
Ajuda aqui! Ajuda!
-Caramba! É tudo para você? -Sim.
-Desculpe, preciso atender. -Mas estamos com pressa!
-Oi, estou com uma cliente. -"Recebemos um e-mail."
Eles estão furiosos.
Agora querem 2 milhões de euros.
Se entendi direito,
isso equivale a 15 milhões de coroas.
-Disseram como ele está? -"Não, não disseram."
"O tempo do Daniel está acabando."
"É pouco provável que ele sobreviva."
"Confirmem o pagamento de 2 milhões de euros."
"Nossas condições são as seguintes:
nenhuma cobertura da mídia
e o resgate deve ser pago em dinheiro."
Podemos arrecadar esse dinheiro.
Alguém vai nos emprestar.
Não conhecemos ninguém que tenha tanto dinheiro assim.
Como sugere que arrecademos o dinheiro, Anita?
Através de uma campanha de arrecadação.
Não poderão informar o propósito do dinheiro
e uma campanha de arrecadação seria praticamente ilegal.
Na melhor das hipóteses.
A Dinamarca não negocia com terroristas.
Que se dane a Dinamarca!
É o meu irmão!
Muitas pessoas têm dinheiro e querem ajudar.
A equipe de ginástica é como se fosse uma família para ele.
Eles jamais contariam para a imprensa.
Não podemos desistir dele.
Se isso vazar, as chances de ele sobreviver diminuem.
Segredos são difíceis de guardar.
Mas sabe que as chances dele são mínimas
se não conseguirmos o dinheiro.
Sei.
-Arthur. -"Oi."
"Entre em contato com o pessoal do Abu Suheib imediatamente."
Certo.
Diga que a família está tentando arrecadar os 2 milhões.
Mas os financiadores só vão doar
se tivermos um vídeo como prova de vida.
-"Para ganharmos tempo?" -Sim, exatamente.
-"Pode deixar." -Certo.
-Seu nome? -James Foley.
-Qual é o seu nome? -William Johnson.
James Foley. O famoso James Foley.
Vamos dar as boas-vindas.
O que está fazendo? Desce daí!
Tem dois prisioneiros novos.
Droga...
"Você é famoso?"
"O grande James Foley!"
"É assim que a gente recebe as celebridades!"
Lembra-se do Abu Ghraib, James?
Por isso você está aqui.
-Jim. -Luis. Francês.
-Jim. -Oi. Jérémy. Francês também.
-Jim. -Raul.
-Jim. -Arwel. Do Reino Unido.
-Oi. Jim. -Wojceik.
Oi, eu sou o Jim.
-Sou o Jim. -Daniel.
-Da Dinamarca. -Ah, sim!
Ouvi falar de você em Aleppo.
Ótimo...
Alguém quer jogar xadrez?
Eu...
não sou muito bom, então provavelmente vão ganhar.
Mas gosto de jogar.
E eu... fiz um tabuleiro.
Alguém?
-Tenho as peças... -É...
Mas não sei as regras.
Então vou ganhar. Pelo menos uma vez.
Certo.
O rei é muito importante.
E...
as rainhas.
-Todo mundo de pé! -Levantem!
Cadê o espanhol?
Parabéns, vai para casa.
-Vamos! -Levem ele.
Estão famintos.
Precisamos...
de mais roupas e remédios.
Quer morrer aqui mesmo?
O William está doente.
Se nos quer vivos, precisamos de comida, água
e antibióticos para as feridas dele.
Ninguém vai pagar o resgate de um morto.
Concorda com o Foley, asno?
Responde!
Eu...
Eu...
Sim.
Vocês dois vão morrer aqui. O Arwel também.
Seus governos não pagarão.
Gastam milhões matando muçulmanos,
mas parece que seus cidadãos não valem nada.
Já chega!
Olha para mim!
Se sua família te ama mesmo, você ainda tem chance.
Diferente do Foley.
O Foley é mau.
Sua conversão ao islamismo é uma farsa.
Logo vai morrer.
Você está bem?
Está tudo bem. Vem.
Que droga foi aquela?
Aquela imitação.
Eu...
É só algo que faço...
Eles gostam quando imito um asno.
-Já falamos para ele não fazer isso. -Se não fizer, eles me matam.
Se te matarem é porque ninguém pagou.
Não porque se recusa a imitar um asno.
Confie em mim. Não imite da próxima vez.
Ou, pelo menos, não imite tão bem.
Seja um asno menos convincente da próxima.
Nada fazia tanto...
sentido quanto viajar e contar histórias.
Acho que minha mãe entendia.
Todos tinham aceitado.
Tenho certeza que sua família é assim também.
Quando quebrei meu pé, tudo desacelerou.
Tudo ficou tão previsível...
Eu via que a minha vida era...
-Sei lá! -Chata.
É.
É...
Sempre tem uma motivação egoísta.
Mas isso não pode nos impedir
de fazer a diferença ou tentar, não?
Se não estivéssemos aqui,
como o mundo saberia o que acontece?
É...
Penso nos meus pais o tempo todo.
Nas minhas irmãs e na Signe.
É...
-Tenta não pensar nisso. -Não consigo.
Eu estraguei a vida deles também.
Eu estraguei tudo.
Nosso objetivo é arrecadar 15 milhões de coroas.
Mas as probabilidades
do Daniel voltar para casa aumentam a cada centavo.
Tudo está sendo feito anonimamente pelo nosso advogado.
Podemos ver as transferências, mas não os doadores.
Os clubes e as escolas não podem doar
para resgates legalmente.
Então venderemos as fotos do Daniel...
da Equipe Nacional de Ginástica da Dinamarca.
A carta que está na frente de vocês será enviada
a todos os membros da associação na segunda-feira.
Alguma dúvida?
Acho que as intenções são boas,
mas já pararam para considerar
a ética de apoiarmos financeiramente
um grupo de terroristas?
Sabemos que a campanha é uma decisão bem arriscada,
legalmente falando,
mas, segundo nosso advogado,
devemos considerar a vida humana.
Isso sim é legal.
Mas, é claro que são livres para escolherem
se vão ajudar ou não,
de acordo com seus princípios ou outros motivos.
Mas esperamos que nos ajudem.
Ótimo. Agora fechem os olhos.
Abram os olhos, equilibrem.
Concentrem-se. Fechem de novo.
Estão aqui a pedido de Abu Suheib
para gravar um vídeo do dinamarquês.
Já vimos a ficha dele, está limpa.
Mãos na parede!
Asno! Vem cá.
Espera. Imita o asno primeiro.
Rápido!
Eu disse agora!
Vamos. Imita, agora!
Não temos tempo para isso. Vamos, anda!
Certo, nós temos 742.213 coroas.
-Meu Deus... -Alguém quer contatar
-a Herning Rotary. -Se diz "Rótary".
-Tanto faz. -Quem é?
-É alguem que conhecemos? -O nome dele é Peter Damgaard.
-Damgaard. -É muito arriscado?
O Rotary tem uns 100 membros.
-Então pode aceitar. -É.
É o Arthur.
"Olá, Susanne."
-"Como vocês estão?" -Bem.
Vou te mandar um vídeo, mas...
"não o deixaram falar muito."
Aqui. Estão prontas?
Sim.
"Pode falar."
O nome da minha mãe é Susanne.
"E o nome do meu pai é Kjeld."
Christina e Anita são minhas irmãs.
"O nome da minha namorada é Signe."
E o homem que está aqui, que veio aqui, é Majeed.
"Já chega."
Querem ver de novo?
Oi, Signe.
Oi, Anita.
Sei que é estranho eu ter ficado aqui te esperando,
mas senti sua falta.
Já arrecadamos mais de 3 milhões de coroas.
E estou em contato com mais 20 empresas
que podem ajudar,
mas leva tempo para as diretorias aprovarem.
Sei que está cansada disso, Signe.
Ninguém está te cobrando nada.
Mas acho...
que a pior coisa a se fazer agora é ficar sozinha.
Ele não vai voltar, Anita.
O que disse?
Ele vai morrer. Não vamos mais vê-lo.
Isso não tem sentido.
Sua psicóloga te falou isso?
Precisa acreditar que ele está morto
para seguir em frente?
Não dá ouvidos, Signe. Isso é um absurdo!
-Não pode mentir para si mesma! -Eu sou fraca!
Não sou como você!
Fico pensando no que fazem com ele,
e não posso ajudar!
Eu sei.
Odeio me sentir tão impotente!
Signe, ele vai voltar para casa.
Até lá, você tem a nós.
Não pode desistir de alguém que ama tanto.
É impossível.
Ele vai voltar.
KILIS, TURQUIA, PRÓXIMO À FRONTEIRA
-Richard. -Bom te ver, Arthur.
-Este é o Majeed. -O Arthur me falou sobre você.
-Oi. -Entre aí.
Morei nos subúrbios de Raqqa anos atrás e conheço esta área.
Reconheci a voz do Imame e vi o complexo por dentro.
Havia um prédio enorme com estruturas no subsolo.
É este. Isso era uma escola.
É aí onde ele está preso. Tenho certeza.
Obrigado pela informação. Vou passar adiante.
-Desculpe. Passar adiante? -É, vou passar adiante.
Vamos falar sobre Foley e o comando de Damasco.
É.
Acho que é um beco sem saída.
Estamos nos concentrando no nordeste dessa área.
-Então vai desistir de Damasco? -É. Por enquanto.
Maldito, ele nem se importa com o Daniel.
Se isso os fizer apontar um satélite para o complexo,
fico feliz.
E não temos nada sobre o Foley.
Eu sei, mas ele podia ter mentido pelo menos.
É o que sabem fazer!
"Um jornalista descobriu sobre a campanha do Daniel."
"Não foi ao ar ainda,
mas não querem que mais ninguém divulgue."
"Outros vão acabar sabendo."
Certo, falarei com a mídia.
"Aqui não é a Turquia."
"Ainda temos liberdade de expressão."
É, vou implorar por um bloqueio midiático.
Até mais. Tchau.
Mãos na parede!
Wojceik, vai para casa. O governo pagou.
Vamos!
Anda!
É impossível.
-Nunca chega nossa vez. -Não aguento mais.
Olha o coitado do Alexei.
Ele está aqui faz tempo
e nem pediram uma foto como prova de vida ainda.
Eles não têm para quem mandar. Ele não tem família.
Todos nós vamos morrer. Nunca sairemos desse inferno.
Ei, fica calmo.
Calma.
Logo vai voltar para a França.
Está bem? Pense em outra coisa.
Eu sei.
Vai dar tudo certo.
"A última informação que tenho é que Ayoub
era mesmo um guerreiro estrangeiro na Síria."
"Ele serviu em Aleppo e Raqqa."
-Cheguei. -"Ótimo."
"Também foi confirmado
que ele mencionou James Foley durante o interrogatório."
Certo.
-Até mais. -"Tudo bem. Boa sorte."
ANTUÉRPIA, BÉLGICA
Certo. Assine aqui.
Obrigado.
Merci.
Obrigado por me receber, Ayoub.
Seu francês é péssimo.
-Quem é você? É da CIA? -Não.
A família de...
Agradeço o esforço, mas prefiro que fale inglês.
A família de James Foley me contratou para encontrá-lo.
E também procuro por um jovem dinamarquês. Daniel Rye.
Qual foi a última vez que ouviu falar de Foley?
Você nem sabe se ele está vivo.
Ele está?
Está perdendo tempo. O Foley vai morrer na Síria.
Eles nunca vão libertá-lo.
Quem são eles?
O Daesh, é claro.
Ou o ISIS, como quiser chamar.
Se começarem a vender os americanos,
os verdadeiros inimigos do califado,
todo mundo desvendará o esquema deles.
O Foley está ferrado.
Preciso de nomes.
Isso não vai te ajudar. As pessoas vêm e vão.
Eu te falaria se soubesse.
Não devo nada a eles.
Eles colocaram um saco na minha cabeça
e me bateram por semanas para testar minha fé.
Nos ensinaram a esfaquear e matar pessoas.
Nos obrigaram a praticar em manequins que eles fizeram.
Disseram que depois do primeiro assassinato...
nos sentiríamos mal e tristes.
Mas que devíamos superar.
Que fazíamos por Deus.
E que da próxima vez seria mais fácil.
Teve sorte de sair vivo.
Você já viu James Foley?
Ele e os outros prisioneiros foram levados.
Levados aos 4 caras britânicos.
O dinamarquês estava com ele.
Mas não sei o nome real dos britânicos.
James Foley e Daniel Rye estavam juntos?
Tenho certeza de que ainda estão.
-Obrigado. -Obrigado.
"Arthur, meu amigo! Como vai, cara?"
Boas notícias, Richard.
Finalmente sei onde Foley está.
Só mais 15 segundos.
-Não estou bem. -Vamos lá.
Vamos.
-Saiam! -Para fora! Vamos!
-Vamos! -Anda, anda!
Anda, vamos!
-Anda! -Vamos!
Anda, rápido!
Vai! Vai!
Levanta, porra!
Todo mundo no chão! No chão!
No chão, no chão!
Todo mundo deitado!
-Abaixa, abaixa! -Não se mexam!
-Oi. Richard? -"A escola estava vazia."
"O satélite pegou uns caminhões saindo antes de chegarmos."
"Perdemos eles numa nuvem de poeira,
depois de um bombardeamento da Síria."
"Acreditamos que estavam lá."
"Conseguimos fios de cabelo e sangue."
"A perícia está analisando, mas... Enfim, é isso, cara."
Certo. Obrigado.
Tirem a roupa!
Rápido! Agora!
Rápido!
Escutem!
Americanos, ingleses, dinamarqueses...
Seus países estão por trás disso.
Vou tratar vocês da mesma forma
que trataram nossos irmãos muçulmanos em Guantánamo.
Igual a um campo de concentração!
Traga as coisas.
Pega uma! Rápido!
Veste isso.
Rápido!
Certo.
Primeiro, o aperitivo.
Para você, meu amigo.
E para você.
E agora o prato principal.
Tomates maduros e suculentos.
Vamos comê-los aqui fora.
Ao ar livre.
Depois, vamos jogar xadrez, damas e...
Por que tão pequeno?
-Por que tão pequeno? -O quê?
Por que tão pequeno? Quero um tomate maior.
Não sei, são todos iguais.
É um mentiroso, está me diminuindo.
-Seu desgraçado... -Fique com o meu.
-Está zombando de mim. -Para.
Você não tem respeito!
Você não me respeita. Não me respeita!
Não, não. Está zombando de mim.
Para com isso. Para!
Sentado!
-O que está acontecendo? -Nada.
Ele zombou de mim! Me deu um tomate pequeno.
Al.
Porque ele é mau, Alexei.
Ele é manipulador e mau.
Vem.
Logo estará livre, está bem?
-Coloque ele no carro. -Vem.
Para fora!
Andem até a cova.
Para o lado, vamos.
-Anda. -Vai.
Abaixem.
Agora queremos que olhem bem.
Isso é o que acontece quando deixam um homem mau
como James Foley tomar o controle.
Olhem.
James, olha!
Seu grande amigo, Alexei...
está morto agora. Foi sua culpa, James.
Você o matou e todos sabem disso.
Vem!
Desça, desça.
Do lado do Alexei.
Segura isso.
Olha para a câmera.
Olha!
"Olha para a câmera."
Mande o vídeo para o ministro dinamarquês. E para o Richard.
Eu mando as fotos para a família.
-Vai mostrar o vídeo? -Não.
As fotos bastam.
"Vocês têm 48 horas para providenciar o dinheiro."
"Só escreveram isso."
DANIEL 2 MILHÕES DE EUROS
"Sinto muito."
Arrecadamos 10 milhões de coroas. Não chega nem perto.
Pai, ligue para o banco.
Diga... que quer aumentar o empréstimo.
-Que precisamos de mais dinheiro. -Não vão aceitar.
"Alguma empresa que ainda não contataram?"
Eu já escrevi para todos os diretores.
Todas as grandes empresas da Dinamarca.
O que eu faço? Não sei...
Já escrevi...
-Aonde vai? -Para a cama.
-Não, pai... -Não aguento mais, Anita!
Por favor, fique aqui, pai.
Desculpe, ligamos para você depois.
"Tudo bem."
O que foi?
-Oi, querido... -O que o vovô tem?
Vem aqui.
-Ele estava chorando. -Não, está tudo bem.
"-Oi. -Oi. Tudo bem?"
Quatro pedaços. A cara está ótima.
Olá, Henning.
Sou a Susanne.
-Estudei com sua esposa, a Mie. -Como?
Eu trabalhei no seu casamento.
Minha filha Anita escreveu para a sua empresa.
Sou mãe do Daniel Rye.
Por favor, escute o que tenho a dizer.
Claro, claro.
É só... ligar e marcar uma reunião comigo.
Já liguei umas 20 vezes.
Ninguém da sua empresa quis me atender.
-Lamento pelo seu filho, mas... -Por favor, me dá 10 minutos.
Não tenho mais a quem recorrer. Só te peço 10 minutos.
Todos já doaram aquilo que podiam.
Até as empresas pequenas.
Mas ainda faltam 5 milhões de coroas.
Se não conseguirmos arrecadar...
eles vão matar o Daniel.
Eu entendo.
É uma situação terrível.
Sinto muito por você e pela sua família.
Mas não posso ajudar.
Não estou pedindo um presente.
Mas sim um empréstimo.
Faltam 14 anos para eu me aposentar.
Se eu fizer hora extra, consigo pagar uma boa quantia.
Eu juro...
que vou conseguir o resto do dinheiro de alguma forma.
Meu marido é motorista de caminhão.
Ele pode trabalhar mais.
Eu sinto muito, mas...
não é possível.
Eu li que...
no ano passado seu lucro foi de 6 bilhões de coroas.
Eu nunca fui rica.
Mas, se eu fosse,
eu gostaria de ajudar o próximo,
pelo menos um pouco.
Mudar a vida de alguém.
É o que nossa empresa mais quer.
Mas, se começarmos a fazer esse tipo de coisa...
as consequências serão imprevisíveis.
-Tem filhos, não tem? -Tenho.
Dois meninos e uma menina.
Obrigada por ter me ouvido.
Não precisa pagar. Eu te ofereci o café.
São só 46 coroas.
Isso eu posso pagar.
Mande um abraço para a Mie.
Claro.
Vou mandar.
Jérémy e Luis, de pé. Vocês vão para a França.
De pé!
Vamos.
Vai.
-Vamos. -Vamos.
Vamos.
Está começando a entender, não é?
Alguns estão indo embora...
Voltando para seus entes queridos.
Enquanto outros...
Você e sua família são uma tremenda desgraça, asno.
-Bom dia. -Bom dia.
A gente pode comer cereal.
Já vou pegar.
Anita!
Mãe! Pai!
Estamos com 15 milhões! Recebemos 5 milhões ontem!
Olha!
-Caramba! -Temos 15 milhões!
Como assim?
Recebemos 6 transferências de 800 mil.
500 mil! 700 mil!
1 milhão e 46 mil! 700 mil!
Vou ligar para o Arthur.
Espera, espera! Vamos confirmar com o banco.
Meu Deus... é uma quantia enorme!
1 milhão e 46 mil coroas. Quem doou tudo isso?
Meu Deus...
Disseram que minha família arrecadou o dinheiro.
Isso é ótimo, Daniel.
Meus parabéns.
Parabéns.
-Mas deve ser mentira. -Não.
Você vai para casa.
Daniel...
Pode levar uma carta para a minha família?
Sim, claro.
-Talvez possa decorar. -Vou tentar, vou me esforçar.
Você quer levar...
2 milhões de euros na bagagem de mão?
É.
Quem vai acompanhar?
-Nós vamos também? -Não todos.
É importante ele ver alguém da família.
Você deveria ir, Anita.
-Eu? -É.
Eu e o Daniel não...
Ele é mais próximo da Christina e da minha mãe.
Ele ficará feliz em te ver.
Tudo bem.
-Salaam aleikum. -Aleikum essalam.
-Turkcell? -Vodafone.
"Penso muito nos meus irmãos e na minha irmã."
"Me lembro de brincar de detetive com..."
-O Michael. -"Com o Michael."
Vieram te buscar.
Vejo você quando sair?
Se eu não sair...
Lembre-se, está tudo bem.
É sério.
Vai voltar para a sua vida, sua...
Sua vida chata e comum.
Vou ficar aqui e aproveitar a diversão.
Eu vou ficar bem, de verdade.
Também deve estar com medo.
O que mais temo é me entregar ao ódio deles.
E não preciso disso porque...
tudo que sinto é amor.
Lembre-se...
quando voltar, esqueça esses caras.
Siga a sua vida.
Não perca tempo.
Burro!
Agora vá.
Asno? Você vai para casa!
AGRADECEMOS A VISITA, REPÚBLICA ÁRABE DA SÍRIA
Daniel?
Daniel Rye?
Meu nome é Arthur.
Eu vim para te levar para casa.
Aqui.
Venha. Sua irmã está aqui.
Olá, Anita.
Posso tomar uma cerveja?
Claro! Pode pegar o que quiser.
Aqui está.
E...
E a Signe?
-Não sei, Daniel... -Tudo bem.
Vai levar um tempo.
-Mas vai ficar tudo bem agora. -É.
-Até amanha. -Boa festa.
Vou jogar e bloquear esse cara.
Juízo, meninas! Vamos jogar.
Você tem um gol.
"O Estado identificou um ataque iminente...
"Notícias urgentes."
"Forças aéreas dos EUA atacam alvos do ISIS
na Síria pela primeira vez."
"A missão é clara: destruir o ISIS."
"Os ataques foram intensos.
Foram usados mísseis Tomahawk, aviões de caça e bombardeiros."
-Alô? -"Daniel?"
Oi.
-"Podemos conversar?" -Sim.
"Tem alguém com você?"
Tem a minha família. O que houve?
"Recebemos um vídeo, possivelmente do James."
"Sinto muito."
"Mas os americanos pediram para confirmar se é ele."
"É urgente."
"Você precisa entrar na internet
e pesquisar por Vídeo ISIS James Foley."
Feche os olhos e ouça a voz do James.
Quando ele terminar a 1ª frase, pode fechar o vídeo.
UMA MENSAGEM AOS EUA
"Eu peço aos meus amigos e familiares
que se levantem contra quem me matou, o governo americano."
"O que vai acontecer comigo
é o resultado da criminalidade deles."
Daniel?
Está me ouvindo?
"Pode confirmar se é o James?
É o James.
-"As mesmas pessoas..." -Tem certeza?
"...que colocaram o último prego no meu caixão."
-Tenho, é o James. -"Obrigado."
Feche o vídeo.
Não fique assistindo.
"Queria ter tido a liberdade
de ver minha família mais uma vez."
"Mas isso não vai acontecer."
"Acho que eu desejo..."
"Daniel, feche o vídeo. Não assista."
"Esse é James Wright Foley."
"Um cidadão americano..."
Esse é o James.
Esse desgraçado!
Daniel?
Daniel, feche o vídeo!
Feche, Daniel. Não assista. Feche.
"...que aceitaram o califado islâmico como sua liderança."
"Qualquer tentativa de negar aos muçulmanos
o direito de viver em segurança"
"sob o califado islâmico,
resultará no massacre do seu povo."
Não! Não!
"Daniel Rye...
passou vários meses com o James na Síria."
"Ele foi a última pessoa a ver o James vivo."
Este é o Daniel. Daniel, esta é a mãe do James, Diane.
Como é bom finalmente te conhecer!
"Antes de ser libertado,
o Jim pediu ao Daniel que memorizasse uma carta
para nós."
Para a família dele.
"Essas foram as palavras do James a vocês."
Querida família e amigos...
Me lembro de muitos
bons momentos em família que me fazem esquecer esta prisão.
Sonhar com minha família e amigos
me fazem esquecer,
e a felicidade preenche meu coração.
Penso muito nos meus irmãos.
E irmã.
Agradeço muito a vocês pelas boas lembranças da infância.
Me lembro de jogar detetive...
Jogar detetive com o Michael.
E tantas outras aventuras.
E, Katie...
Estou muito orgulhoso de você.
Você é a mais forte e a melhor de todos nós.
Penso em você trabalhando duro
e ajudando as pessoas como enfermeira.
Fico muito feliz de ter falado com você antes de ser capturado.
Rezo para poder ir ao seu casamento.
Sei que estão pensando em mim
e rezando por mim.
Posso sentir todos vocês, principalmente quando rezo.
Rezo para que continuem sendo fortes e que tenham fé.
E sinto que posso tocá-los.
Até mesmo nessa escuridão,
quando rezo.
Daniel foi mantido refém por 13 meses
e foi o último a sair vivo.
Sete reféns foram mortos.
Dois continuam desaparecidos.
Depois da morte dos reféns,
o presidente Obama emitiu uma orientação
para melhorar a comunicação entre o governo americano
e as famílias dos reféns.
Ele declarou que as famílias americanas
nunca foram processadas
por arrecadarem dinheiro para resgates.
Ele não mencionou possíveis processos contra os doadores.
O governo dinamarquês mantém sua política
de não pagar resgates de cidadãos aprisionados
por grupos terroristas como o ISIS.
Mais de 100 jornalistas morreram na Síria
desde o começo da guerra civil.
Mais de 400 mil pessoas morreram durante a guerra.
Aproximadamente 12 milhões fugiram ou foram exilados.
Daniel Rye ainda viaja e trabalha como jornalista.
Ele e Signe reataram, e agora tem um filho.
"Muitos que vão da Dinamarca para a Síria
viveram coisas muito piores do que eu." Daniel Rye, 2016.
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Resinc: Marinhojmc
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