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ESTA S�RIE CONT�M DESCRI��ES DE ABUSO E VIOL�NCIA SEXUAL
PODE N�O SER ADEQUADA A ALGUNS TELESPECTADORES
O mundo do rap foi abalado novamente.
Desta vez, pela morte violenta
do artista conhecido como Notorious B.I.G.
Ele foi v�tima de uma saraivada de tiros no meio da rua.
A morte ocorreu apenas 6 meses depois que seu rival,
o rapper da Costa Oeste Tupac Shakur,
ter sido assassinado.
Nos �ltimos 6 meses,
o hip-hop perdeu suas duas maiores estrelas.
� uma trag�dia.
Depois que o Big faleceu, recebi uma liga��o do Puff.
Lembro que ele parecia muito deprimido.
Ele disse que n�o sa�a de casa havia dias.
Ele era uma das �nicas pessoas al�m da minha m�e
que se importava comigo.
E ele disse: "As pessoas t�m batido na minha porta,
mas estou aqui sozinho e n�o comi nada."
Ele estava quase parecendo suicida.
S� tentei lan�ar uma luz sobre o que dava para sentir
que era um momento de muita escurid�o
e falei para ele que ele tinha muito pelo que viver.
Ent�o, lembro que, uns dias depois, ele me ligou de volta.
"G., venha para o est�dio depois do trabalho."
E ele tocou "Every Breath You Take".
E estava tocando alto.
Ele estava envolvido e tocou. E continuou tocando e dan�ando.
E lembro dele me perguntando: "O que acha?
Acha que rola um rap com isso?"
N�o sabia o que dizer. Porque sabe, "Every Breath You Take"
era um pop muito branco.
N�o conseguia ouvir ou n�o conseguia imaginar na �poca.
Mas fiquei feliz em ver que a criatividade dele
estava fluindo de novo. E ent�o "I'll be Missing You" estourou.
Foi um sucesso estrondoso.
Ele capturou as emo��es e a tristeza
que rolavam na comunidade afro-americana na �poca.
E aquilo nos ajudava a lembrar do Biggie de alguma maneira.
Em uma manh� de domingo, eu estava indo para a igreja
e "I'll Be Missing You" tocou. Tinha chegado na esta��o gospel
e foi quando eu soube quem ele era.
Foi, tipo, um "Amazing Grace" para a gera��o hip-hop.
Quando as pessoas ouvem isso, ainda ficam tocadas.
Ele conseguia ver coisas para a cultura
que outras pessoas n�o conseguiam ver.
E lembro de pensar: "Esse homem � um g�nio."
Mas enquanto esse g�nio desenvolvia seu talento,
o que mais n�o se desenvolvia,
para que ele se tornasse algu�m capaz de causar tanta dor?
A QUEDA DE P. DIDDY
Uma das minhas maiores motiva��es
para querer fazer parte disto � uma daquelas situa��es
em que n�o fazemos ideia, em tempo real,
de que estamos trabalhando com algu�m
que acaba mudando o mundo.
� imensa a import�ncia do que o som da Bad Boy
e do Puff foram para os anos 90.
Lembro de uma �poca em que podia ouvir r�dio por uma hora
e n�o ouvir nada al�m de artistas da Bad Boy
durante toda aquela hora.
Diddy sabia como criar o que a cultura negra queria ver,
o que a cultura dominante queria ver,
o que a cultura americana queria ver.
Puffy come�ou a trabalhar com produtores
que estavam usando samples retirados de discos
e ent�o, pegando alguns vocais e os interpolando.
Puffy levou isso para outro n�vel
cantando ganchos em cima das rimas.
Parecia que Combs e a equipe dele
estavam criando uma coisa atr�s da outra
e todas elas estavam pegando.
Ele tinha um relacionamento com o produto
e o p�blico desde o in�cio,
mas ningu�m conseguia ver isso,
at� que o imp�rio ficou t�o grande que foi tipo:
"� isso que ele vem fazendo esse tempo todo!"
Foi interessante ver Puffy
se mover para outras �reas al�m da m�sica.
Era inevit�vel que roupas fossem a pr�xima coisa.
Chamamos de "alta-costura urbana". Combinamos o visual
das roupas europeias
com o estilo urbano, que � um pouco mais solto,
um pouco mais largo, tem um caimento melhor.
A Sean John foi incrivelmente bem-sucedida.
A linha passou de ser usada s� por artistas
para ser usada por pessoas influentes na cena cultural.
E at� um pai no Missouri podia ter uma camisa da Sean John.
Ele sabia o nome de algum disco do Puff Daddy?
N�o. Mas ele sabia quem era Puff
e estava usando Sean John.
A marca de roupas ent�o transcendeu a m�sica
e se tornou parte daquela mitologia
que Sean Combs come�ou a construir.
Fui com ele at� a Macy's
e nos reunimos com todos os executivos.
E ele foi tratado como se fosse o Ralph Lauren. Ele era um rei!
N�o tinha ningu�m em Nova York
com quem Diddy n�o pudesse entrar em contato.
N�s o cham�vamos de "Puff, o Drag�o M�gico".
Mas era sempre com amor. Ele era muito divertido!
E dava as melhores festas.
Eu via as celebridades se soltando totalmente.
Eu via Mary J. Blige, o Ashton.
Era estilo Grande Gatsby.
Era como nos filmes!
Eram festas enormes!
E parte da inten��o do Sean com as festas
n�o era uma festa s� pela festa,
mas visava definir
quem ele era na cultura.
Quem podia ir a uma Festa do Branco do Sean Combs?
E nos Hamptons? Tinha muito a ver com dinheiro negro novo.
Carregava um prest�gio diferente.
O que ouv�amos, mesmo na �poca em que elas aconteciam,
� que havia muita devassid�o.
Puffy colocava mulheres deitadas
e colocava comida sobre o corpo delas.
E essas coisas eram fotografadas, divulgadas
e vistas como uma coisa grandiosa e opulenta.
Comecei a blogar no in�cio dos anos 2000.
Comecei a receber relatos sobre o tipo de coisas
que aconteciam nessas festas.
Ouvia falar sobre drogas il�citas,
ouvia falar sobre aventuras sexuais.
Sempre tenho decis�es a tomar nas mat�rias.
E, por muito tempo,
quando se tratava de coisas relacionadas ao Diddy,
eu n�o publicava certas coisas porque temia retalia��o.
Ele se sentia e parecia ser invenc�vel.
Trabalho 20 horas por dia
e sinto que, como um jovem negro,
se eu pensar em qualquer coisa, eu posso fazer.
Em qualquer coisa que eu investir, vou ganhar com isso.
E invisto de 150 a 200% em qualquer coisa que eu fa�o.
Sempre.
Diddy realmente personificou a excel�ncia
e autenticidade negra. Ele estava tendo sucesso
e estava fazendo isso de uma forma autenticamente negra.
Ele era algu�m que muitos de n�s admir�vamos.
Mas com dinheiro, ele ficou mais g�ngster.
Ficou mais malvado, ficou mais resoluto.
Ele n�o podia tirar o p� do pesco�o de ningu�m.
O p� dele ficou mais pesado nos pesco�os
porque ele sabia que, se escorregasse um cent�metro,
se mostrasse um cent�metro de fraqueza,
iam tirar tudo dele.
MOUNT VERNON, NOVA YORK
Com toda certeza, tem um grande reflexo da inf�ncia dele
em quem ele � hoje.
Sean come�ou a respirar ar rarefeito
antes mesmo de perceber. Janice queria um pr�ncipe.
E a �ltima coisa que ela queria era que seu pr�ncipe
a fizesse passar vergonha.
E tem uma coisa sobre qualquer um do Harlem:
se voc� � mole, j� era. Essa � a mentalidade.
Porque, veja bem, ela perdeu um marido.
E ficou com um filho que era a cara dele.
Isso s�o emo��es. Algumas vezes, ela acordava
e ficava brava quando o via
porque via nele a imagem do Melvin.
A m�e de Sean teve que ser o pai e a m�e de Sean.
E tenho certeza de que o jeito como Janice o criou
foi com muito amor.
Mas houve momentos em que vi a personalidade da Janice
ir de quente para fria. E ele � que era a v�tima
de uma noite quente ou uma noite fria.
Janice n�o tolerava nada. Nadica.
Ela reinava com punho de ferro. "� melhor voc� acertar."
E, muitas vezes, Sean n�o conseguia acertar.
Ele n�o fazia nada direito.
E ela n�o o deixava se safar com nada. Nada.
E era assim na casa do Sean.
Se ele fizesse coisa errada, ele apanhava. Simples assim.
Ela sabia que ele n�o era dur�o o suficiente.
Naquela �poca, a coisa era assim. Sabe?
Ela n�o poupava a vara.
Lembro disso muito vividamente,
ainda mais se voc� n�o acha que a puni��o
est� mesmo � altura do crime.
N�o cabia a mim dizer se estava ou n�o.
�s vezes, n�o parecia necess�ria.
Ele estava aprendendo a ser um lobo do jeito dif�cil.
Para ele, n�o foi t�o f�cil.
Demorou um pouco para ele se tornar um lobo.
Mas quando virou um lobo, n�o tinha volta.
Na nossa investiga��o, analisamos o hist�rico
do comportamento do Diddy nos relacionamentos.
Descobrimos que havia um padr�o claro de abuso desde o in�cio,
desde que ele era adolescente.
Eu notei como ele lidava com as namoradas dele.
E era bem diferente de como eu lidava com as minhas.
Era mais f�sico.
Era mais uma redu��o da autoestima.
Era muita inseguran�a, era muito: "Com quem est� andando?"
"Ouvi dizer que estava aqui." "Eu n�o gosto disso."
Muitas garotas foram postas para fora do carro. �s vezes,
eu levava as namoradas dele para casa, para onde moravam,
porque tinham tido uma briga.
Sabe, era para mim que perguntavam.
Elas falavam: "Timmy, o que tem de errado com ele?"
Parecia que ele nunca melhorava nos relacionamentos dele.
Um dos primeiros relacionamentos p�blicos do Combs
foi com Misa Hylton, que tamb�m cresceu na �rea de Mount Vernon
e era adolescente quando eles come�aram a namorar.
Qualquer garota que esteja com Sean tem que ser moldada
de acordo com as especifica��es dele.
Sean olhou para Misa como uma tela em branco,
tipo, "Meu Deus! Cara, eu posso consert�-la!"
Era o projeto dele.
Misa se tornou algu�m no jogo.
Quando pensamos nos looks mais cl�ssicos
e ic�nicos dos anos 90,
Misa Hilton estava por tr�s deles.
Ela era uma vision�ria por seu pr�prio m�rito,
criando alguns dos looks mais conhecidos para Lil' Kim.
Ela criou o molde do que voc� consideraria
o visual de uma artista daquela �poca.
Minha irm� Sonya e a Misa eram grandes amigas.
Ouvi que Puff estava "deitando" o bra�o na Misa em 89,
em 88, 89.
E na �poca, ouvi que, v�rias vezes,
a coisa ficou f�sica com Misa.
Eles brigavam o tempo todo. Discutiam como c�o e gato.
E, sim, com certeza vi os dois se agredindo fisicamente.
Lembro quando Misa estava gr�vida.
Sean tinha vinte e poucos anos. O cara j� era um milion�rio.
Ele n�o tinha nem 25 anos e j� tinha milh�es de d�lares!
Eles podiam terminar 15 vezes por semana.
Eles terminavam, voltavam, terminavam, voltavam.
E Sean come�ou a ficar apavorado:
"Estou prestes a ser pai. Tenho que me esfor�ar mais agora.
Tenho que me esfor�ar muito. Tenho um filho a caminho."
Uma noite, Puffy decidiu que n�o queria que Misa Hylton sa�sse.
1� DE MAR�O DE 1994
Ele ficou furioso.
Ela gritou e os pais dela vieram.
E ele agarrou o beb�
O R�U AMEA�OU TIRAR DELA...
e disse: "N�o vai ficar com esse beb�, n�o vai ficar com ele."
O BEB� DE DOIS MESES. O PAI OUVIU OS GRITOS
O pai dela tentou falar com ele.
E Puffy n�o gosta que digam a ele o que fazer.
At� a av� tentou falar com ele.
Finalmente, eles tiveram que chamar a pol�cia.
A EMPURRANDO COM O BEB� NOS BRA�OS
Misa deve ter sentido que estava acontecendo uma coisa
sobre a qual n�o tinha controle, que aquela era a vida dela.
Ele estava usando o beb� para control�-la.
Acho que isso a assustou muito.
Ele ficou bravo, furioso. Ele fez amea�as.
E ele foi preso.
ELE SUPOSTAMENTE TENTOU DESEQUILIBRAR CHRISTINE HYLTON,
A M�E DA EX-NAMORADA, ENQUANTO ELA SEGURAVA O FILHO DELE
Ela tolerou muito o temperamento explosivo dele.
Ela foi uma das poucas pessoas
que conseguiu entender esse tipo de raiva, quem ele era,
que tinha um monstro que sa�a dele que ningu�m sabia.
SEGUNDO UMA REPORTAGEM DA �POCA, COMBS FOI PRESO E INDICIADO,
MAS N�O H� CONFIRMA��O OFICIAL
Mas depois da Misa, veio a Kim.
Kim Porter era modelo. �s vezes, atriz.
Com um belo sorriso.
Era uma daquelas garotas realmente lindas.
Ela era assistente de Andre Harrell
na Uptown Records.
Puff me contou como eles se conheceram.
Ela cuidava dos artistas e repert�rio na Uptown Records
e o rosto dela era o primeiro que ele via
quando sa�a do elevador. E que ele se apaixonou por ela.
E ele disse: "N�o importa o que eu tenha que fazer,
vou conquist�-la." E essa era a miss�o dele.
Puff era um pouco mais velho quando conheceu Kim.
E Kim lentamente come�ou a ensinar ao Sean o que era amor.
"N�o � brigar o tempo todo. � isto."
E ele come�ou a receber, come�ou a mudar os h�bitos dele.
Bem pouquinho.
Ele amoleceu por um minuto.
Ele n�o era explosivo, n�o era t�o reativo.
Ele estava tentando se tornar um bom homem.
Eu sabia que o relacionamento dele com Kim Porter
era um relacionamento inconstante.
Eles terminavam e voltavam depois.
Mas a� ele foi infiel. Kim Porter,
a mulher que ele descreveu como o amor da vida dele
e a m�e de quatro dos filhos dele,
viu o relacionamento dele com Jennifer Lopez
explodir na m�dia.
Eu estava l� no in�cio da rela��o com Jennifer.
Assim como com todas as outras garotas,
Sean fez de tudo para conquist�-la.
Sean queria a J-Lo.
E ele conseguiu.
Em rela��o a Kim e o Sean, n�o vejo da mesma forma
que eu via o Sean e a J-Lo.
Eles iam separados ao mesmo evento,
diferente dele com Jennifer Lopez.
Ele vivia aparecendo em eventos de tapete vermelho com ela.
O que v�amos era um homem que dizia amar essa mulher
mais do que qualquer outra mulher,
mas ela n�o era tratada dessa forma.
Eu o vi agir perto da Kim de maneiras que eram horr�veis
e muito maldosas.
Eu a conhecia bem o suficiente
para socializar com ela de vez em quando.
Era uma Noite das Garotas na boate, com Kim Porter
e algumas outras amigas.
E vi Puffy entrar na boate.
Realmente pensei que ele estava entrando para se apresentar.
Achei que ele vinha se sentar conosco.
E que a noitada ia virar uma verdadeira festa, sabe?
Mas, de repente, tudo mudou.
O clima ficou realmente p�ssimo.
Ele come�ou a gritar com ela,
que ela devia estar em casa e n�o l�.
E a� ele pegou a bolsa dela e a virou de cabe�a para baixo.
Ele esvaziou a bolsa dela na frente de todo mundo.
Eu fiquei chocada!
Quando um cara faz uma coisa dessas,
� para envergonh�-la e faz�-la se sentir pequena,
para assust�-la. Nunca o vi encostar a m�o nela,
mas como todo mundo sabe, esse n�o � o �nico tipo de abuso.
Era uma quest�o de controle.
Puff achava que podia fazer o que quisesse.
Ele era muito abusivo com Kim.
Teve uma vez que falei para ele:
"D� para entender quando voc� tem problema com uma pessoa.
Mas quando � com todas as mulheres com quem se relaciona,
a�, voc� tem que ver que o problema � voc�."
Agora sabemos que havia sinais de alguns dos abusos
dos quais ele seria acusado mais tarde.
Aparentemente, como nunca houve consequ�ncias reais para ele,
o comportamento dele piorou.
Fui produtor e engenheiro de som da Bad Boy Records
por 12 anos. E com o tempo, Puffy se tornou mais agressivo
sobre o que a empresa podia fazer
e qual era a vis�o dele para a empresa.
Tem um v�deo dele em que ele desliga o telefone e pula
e come�a a berrar: "Preciso ter tudo o que quero!"
Eu sou animal! Preciso ter tudo o que quero!
Preciso ter tudo o que quero!
Foi um momento aut�ntico e uma mostra clara
de como ele pensava e de como ele agia.
O caso envolvendo Steve Stoute ajudou a expor como ele era
e o modo de agir mafioso dele,
tentando p�r as pessoas na linha.
Steve Stoute � um executivo bem importante,
um g�nio do marketing no ramo musical.
Ele estava trabalhando com o Nas na �poca.
E Puff escreveu uma m�sica junto com o Nas,
chamada "Hate Me Now".
E assim como qualquer outro evento,
essa coisa estava sendo montada.
"Voc� ouviu a colabora��o do Nas com o Puff? � irada."
Pensando agora, parece quase rid�culo
que Nas e Diddy tivessem uma m�sica juntos.
Mas � claro que Diddy deu ao Nas
uma visibilidade que ele ainda n�o tinha.
E no clipe, eles acabam sendo crucificados como Jesus,
em uma analogia visual �bvia de Jesus,
o Nas e o Puff juntos.
Mas Diddy n�o gostou do jeito que foi retratado no videoclipe
e ele queria mudar.
Mas a vers�o do clipe com Puff e Nas
sendo crucificados no deserto foi veiculada na MTV.
E Puff ficou incrivelmente irritado.
E ele foi ao escrit�rio do Steve.
Puff entrou com o pessoal dele e o agrediu.
SOCOU STEVE NO ROSTO, DEPOIS BATEU NELE COM O TELEFONE
Quando ele fez isso com Steve, a hist�ria viralizou.
"EU ESTAVA DEITADO NO CH�O SANGRANDO"
SEAN COMBS � ACUSADO DE AGRESS�O
ASTRO DO RAP ABUSA DA SORTE
O incidente com Steve Stoute � incrivelmente revelador.
Tudo isso foi por causa de um videoclipe!
O que descobrimos � que n�o existem limites
para o que Puffy pode fazer
se ele sentir que o ego dele foi ferido,
se o orgulho foi ferido,
se as exig�ncias dele n�o foram atendidas.
Ele foi para o tribunal e a promotoria se manifestou
e disse: "Juiz, chegamos a um acordo
e o Sr. Combs vai se declarar culpado de uma contraven��o."
A pena dele? Um dia de um curso de controle da raiva.
No tribunal, o juiz disse: "Sr. Combs, se lembra de mim?"
E Puff disse: "N�o posso dizer que lembro."
E o juiz disse: "O senhor tem um hist�rico e tanto."
Porque ele vivia se safando.
H� muitos casos que o p�blico n�o conhece.
EXIBINDO UMA ARMA PRATEADA
Mas uma fonte levantou esses registros.
Ele tinha esse talento para fazer o sistema gostar dele
e pegar leve com ele.
E assim, ele sempre conseguia evitar a pris�o.
Muito disso funcionava a favor do Puffy no mundo do hip-hop.
Ningu�m quer ser visto como algu�m que as ruas n�o respeita,
que todos podem passar por cima.
Acabou havendo muita viol�ncia.
Acho que era uma coisa que, de certa forma, sempre fez parte
do DNA emocional dele.
Quando crian�a, Diddy achava que Melvin, o pai dele,
tinha morrido em um acidente de carro.
Mas conforme foi crescendo, descobriu que n�o foi bem assim.
Diddy descobriu que o pai
fazia parte de uma organiza��o de traficantes no Harlem.
Melvin, pai do Puff, era ligado a Frank Lucas,
um dos maiores traficantes de drogas do Harlem.
E ele era ligado � M�fia.
Tem um v�deo que Diddy postou no Dia dos Pais
em que ele fala sobre o pai.
E ele passa uma sensa��o de perda
e uma esp�cie de admira��o, tamb�m, por ele.
E as coisas que muitos diziam havia tempos sobre o Combs,
que ele era determinado, que era um conquistador do mundo,
ele creditava essas qualidades ao pai.
Mesmo sem ter conhecido meu pai,
ainda tenho o DNA dele em mim.
Tenho a mentalidade de lutador dele,
o esp�rito de lutador, a motiva��o, sua determina��o.
Acho que foi uma coisa com a qual ele teve que lidar,
que o pai tinha sido um traficante de drogas
e foi morto por isso.
�s vezes, me pergunto se essa era uma coisa
da qual ele sentia orgulho ou da qual sentia vergonha,
ou uma coisa que ele podia ter, sei l�, imitado.
Quer dizer, a gravadora se chamava Bad Boy Records.
N�o era um nome qualquer, se chamava Bad Boy, sabe?
Trabalhei com Puffy at� 2023.
Puffy me disse uma vez que atirou em algu�m
em uma boate
quando a J-Lo estava com ele.
Ele disse que j� tinha feito muitas coisas antes
e que, �s vezes, ele podia ser um pouco exagerado.
"Certo. Isso � papo furado.
Ele andou tomando algo ou sei l�."
Mas quando contei isso para um cara,
ele me disse: "N�o, rolou um lance.
Aconteceu em uma boate com a J-Lo
e Shyne foi para a cadeia por ele."
E fui na Internet pesquisar S-H-I-N-E,
mas a� eu vi que n�o, � S-H-Y-N-E.
Shyne era conhecido na �rea de Flatbush
como um jovem que sabia rimar.
E Puffy explorava o desejo dos jovens
de querer estar sob os holofotes.
Sean Puffy Combs dizia: "Olhe, ande comigo."
E de repente, era considerado o pr�ximo grande nome no hip-hop.
Ele estava crescendo, ia ser famoso!
Mas ningu�m esperava que acabasse do jeito que acabou.
Nunca vou esquecer a primeira vez
que ouvi sobre o tiroteio na boate em 1999.
Foi chocante.
Passei 25 anos com a minha honestidade
e o meu nome
em d�vida. Com tudo o que aconteceu,
com os processos e todas as hist�rias que surgiram,
sabia que era hora de eu falar.
Isso � uma coisa que estava no meu passado
e pertence ao passado. Mas n�o posso mais ficar em sil�ncio.
Esta � a primeira vez que conto minha hist�ria para as c�meras.
DEZEMBRO DE 1999
Comecei a dirigir para o Sr. Combs em 1999.
Em 26 de dezembro,
me avisaram que o Sr. Combs precisava dos meus servi�os.
Fui at� o est�dio dele
para apanhar o Sr. Combs e Jennifer.
Combs entrou no carro e, em certo momento,
olhei para tr�s
e o vi segurando uma arma preta.
Ningu�m falou nada. Ele me olhou.
Ele n�o falou nada. Eu n�o falei nada.
E continuei seguindo para a Boate New York.
N�o frequentava nenhuma boate nem nenhum lugar parecido
fazia quase um m�s. Na verdade, eu n�o estava saindo,
mas uma das minhas melhores amigas era promotora de festas
e queria que eu fosse com ela. E eu queria dar uma for�a a ela.
Puff chegou com a turma dele. E eles foram para a �rea VIP.
E um monte de gente come�ou a passar,
vindo da pista de dan�a.
Estavam todos indo na dire��o da �rea VIP
e alguns estavam dizendo: "Esse cara � o maior exibido."
Diziam para Puffy: "Voc� n�o � nada, n�o � isso, n�o � aquilo."
De repente, come�ou um empurra-empurra,
o pessoal ficou agitado e comecei a ouvir gritos.
E esbarraram em Puffy. E Shyne s� disse: "Cansei dessa droga."
E comecei a ver Puffy e Shyne voltando,
se afastando da �rea da confus�o em dire��o � porta.
E puseram a m�o na cintura. E me virei e disse aos meus amigos:
"Meu Deus! Vamos sair daqui. Cuidado! Est� rolando algo."
E assim que me virei e olhei para eles,
vi os dois com arma na m�o e Deus me disse: "Fique quieta.
Voc� vai levar um tiro." E s� vi o flash do cano...
Levei as m�os para o rosto porque, na hora,
senti uma coisa queimando no meu rosto.
Virei minha cabe�a e pensei: "Meu Deus!
Levei um tiro no rosto."
Eu me senti saindo do corpo.
E um ar frio veio na dire��o do meu peito e passou por mim.
Eu o senti passar por mim. E naquele momento,
tinha certeza que ia morrer
porque n�o pensei que um ser humano
pudesse perder tanto sangue e ainda ficar vivo.
Mas eu sabia que a minha vida nunca mais seria a mesma!
Naquele momento, Puffy estava tentando fugir de l�.
Estava o maior caos.
Shyne foi preso pela pol�cia.
O Sr. Combs e Wolf, seguran�a dele,
e Jennifer Lopez sa�ram.
E ele falou para mim: "Vamos embora, vamos sair daqui."
Eu sa� furando os sinais vermelhos, fugindo da pol�cia.
E reparei que o vidro traseiro do passageiro,
na dire��o do meu ombro direito, tinha sido aberto.
Mais tarde, descobri que foi quando o Sr. Combs
jogou a arma dele para fora do carro.
O Sr. Combs e Wolf ficavam gritando: "N�o pare, n�o pare!"
Olhei para o lado e vi outra arma na cintura do Wolf.
E a�, uma viatura apareceu e bloqueou a 8� Avenida.
E pensei: "A persegui��o acabou."
PUFFY PRESO, LOPEZ DETIDA
Fomos todos levados para a delegacia de pol�cia.
E foi quando, pelo canto da boca dele,
o Sr. Combs disse:
"Joe, eu lhe dou US$ 50 mil para falar que a arma � sua."
E falou isso bem baixinho, � claro,
porque est�vamos bem na frente do policial na recep��o.
Puffy apontou para o dedo dele
e disse: "Eu lhe dou este anel de diamante,
que vale US$ 300 mil, para ficar como garantia
se n�o achar que vou cumprir o combinado."
Eu n�o queria aceitar o suborno.
Mas como se diz por a�: "Quem dedura pouco dura."
JANEIRO DE 2001
Antes mesmo de come�ar, o julgamento de Sean Puffy Combs
se transformou em uma guerra de tabloides.
Por envolver uma celebridade, o caso atraiu o apoio esmagador
dos f�s fervorosos do Combs.
Inocente!
O futuro de Puffy est� nas m�os de 12 jurados.
E ele pode pegar at� 15 anos de pris�o
por acusa��es de porte de armas e suborno.
No in�cio dos anos 2000, Sean Combs
vendia um estilo de vida, ele vendia uma marca.
Ele realmente tinha que proteger a reputa��o
e a liberdade dele a todo custo naquele momento.
Sua poderosa equipe de defesa inclui Johnny Cochran.
Johnnie Cochran foi o advogado do O. J. Simpson.
Se n�o couber, voc�s devem absolver.
Tinha outro advogado, chamado Benjamin Brafman,
um dos principais advogados criminais da cidade.
Ele estava defendendo Puffy.
Shyne, Wolf e Puffy, cada um tinha o pr�prio advogado.
Na verdade, foram dois julgamentos.
Era essa grande celebridade, Puffy Combs
e o guarda-costas dele
e o Shyne, na verdade, era s� um adolescente de Nova York
que tinha acabado de assinar o maior contrato da vida.
Da fama das pessoas sendo julgadas
� fama dos advogados, foi um circo.
Embora n�o tenham sido acusados de tentativa de homic�dio,
a promotoria afirma que algu�m provocou Combs na boate
e que ele e o colega rapper Jamal Shyne Barrow
sacaram armas e dispararam.
E que os tiros dados por Barrow atingiram tr�s pessoas.
Puffy negou desde o in�cio que ele disparou uma arma,
que tivesse alguma arma em posse dele.
Quero deixar isso 100% claro:
n�o tive nada a ver com o tiroteio nessa boate.
Durante o julgamento,
Puffy estava com uma postura muito confiante.
"Bem, dizem que supostamente subornei algu�m.
Ent�o n�o tenho por que me preocupar." Mas a�...
Todo mundo sabe que a mentira tem perna curta!
Decidi testemunhar.
Eu era a principal testemunha da promotoria.
O testemunho mais prejudicial at� agora
� do ex-motorista dele.
�, eu estava nervoso para cooperar, mas eu precisava!
Temos que defender o que � certo neste mundo.
Fenderson afirmou que Combs estava armado.
Eu mudei o meu depoimento
e n�o segui mais o plano dele
de assumir a posse da arma.
Mas Fenderson n�o foi a �nica testemunha
a afirmar que Combs estava armado.
Quando tive que testemunhar, eu disse que vi, com certeza,
quem atirou em mim. Fui baleada por Sean Puffy Combs.
Eu digo isso desde aquele dia. Eu nunca, jamais, mudei,
modifiquei ou alterei o que disse.
Nunca esperei fazer parte
de um ato de viol�ncia t�o sem sentido.
Natania foi uma mulher resiliente e corajosa.
Eu estava do lado dela.
A defesa trabalhou em duas frentes.
Primeiro, com as testemunhas,
afirmando que ele n�o estava armado na boate.
A maioria das testemunhas chamadas disse:
"Shyne tinha uma arma e n�o vi uma arma na m�o do Puffy."
E segundo, desacreditando as testemunhas
que disseram que Puffy estava armado.
O interrogat�rio do advogado de defesa
estava ficando muito agressivo.
Tanto que eu disse:
"N�o sou eu que estou sendo julgado aqui hoje, excel�ncia.
� ele!" E eu olhei e apontei para Diddy.
Alguns disseram que era uma conspira��o.
Muita gente me xingou, fui acusada de tentar derrubar
um bom homem negro e destruir o hip-hop.
Eu realmente fico sentida pela Natania e pelo que ela passou.
Natania n�o merecia nada al�m de compaix�o e prote��o.
E a sociedade falhou com ela.
NO AR
Ficavam zombando de mim no ar,
dizendo: "Algu�m conhece essa caolha vagabunda?
Liguem para n�s e contem algum podre sobre ela."
E tocavam uma trilha sonora com o som de tiros ao fundo.
Fiquei arrasada.
Por que estavam fazendo isso comigo?
Depois do incidente, Natania foi para as r�dios
para contar a hist�ria dela
e passou a receber amea�as de morte.
Eu olhava pela janela e tinha carros com os vidros escuros
parados na esquina perto da minha casa.
Esses carros estavam me vigiando.
E, para minha pr�pria seguran�a, tive que me mudar.
16 DE MAR�O DE 2001
Nunca vou me esquecer do dia em que sa�ram os vereditos.
Um som de al�vio foi ouvido no tribunal.
PUFFY COMBS � ABSOLVIDO
Estou realmente muito emocionado agora.
Eu nem acredito. Estou muito emocionado.
S� me sinto aben�oado.
Parecia o Carnaval. Todos sa�ram para comemorar.
Sean Combs foi absolvido,
Anthony "Wolf" Jones tamb�m foi absolvido
e, claro, Shyne Barrow foi condenado.
PRIS�O PARA SHYNE
Falei com Shyne. E ele disse: "Olhe, ele mentiu no julgamento.
Ele fez outras pessoas mentirem por ele."
"Puffy me traiu." Essas foram as palavras dele.
"Ele entrou l� e mentiu quando falou que n�o estava armado.
Todo mundo sabia que Combs tinha uma arma."
E, POR FIM, TRAINDO-O
Quando eu soube do veredito, fiquei chocado
e decepcionado com nosso sistema judicial.
Mas fiquei aliviado,
porque eu n�o queria ser o cara que o mandou para a cadeia.
N�o queria isso, para minha pr�pria seguran�a.
Eu era uma filha do hip-hop, n�o merecia isso.
Fui uma v�tima. Queria justi�a.
Fui tentar consolar a m�e e a av� do Shyne.
E quando sa�mos naquele dia,
ainda tinha gente o apoiando l� fora.
Mas ningu�m realmente se importava com ele
naquele momento. Ele tinha perdido a import�ncia.
Quando ele foi condenado,
fiquei bravo porque aquelas fam�lias
estavam entregando seus filhos ao Puffy
e ele tinha uma responsabilidade com esses jovens
na gravadora dele.
DEZ ANOS DE PRIS�O
Acho que foi mais uma tentativa de derrubar um astro do rap.
E conseguimos provar claramente a inoc�ncia dele.
Ele foi, na verdade, uma v�tima naquela noite.
E acho que voc�s ver�o grandes coisas dele no futuro.
O que ficou claro para a maioria das pessoas que, no m�nimo,
ele deixou Shyne na m�o.
E, para piorar tudo, ele ainda levou a culpa.
Teve o incidente do City College,
o incidente com Steve Stoute
e o tiroteio na boate.
Ele estava ganhando uma reputa��o de ser intoc�vel.
E esse era um padr�o que passou a se repetir:
mesmo quando as coisas estavam muito, muito ruins
para os outros, para Puffy, eram s� um inc�modo.
Ele vinha se safando por muito tempo.
Mas acredito que a verdade sempre encontra o caminho,
mesmo no escuro.
No Dia de A��o de Gra�as, em novembro de 2023,
recebi uma liga��o:
"Seu estupro foi todo gravado."
Eu falei: "Como assim, 'meu estupro foi todo gravado'?"
EM RESPOSTA �S PERGUNTAS DO PRODUTOR,
A EQUIPE JUR�DICA DE SEAN COMBS DECLAROU:
"COMBS CONFIA NOS FATOS E NA INTEGRIDADE DO PROCESSO.
NO TRIBUNAL, A VERDADE PREVALECER�:
QUE AS ACUSA��ES CONTRA COMBS S�O PURA FIC��O."
O ID EST� COMPROMETIDO EM EDUCAR OS ESPECTADORES
SOBRE VIOL�NCIA DOM�STICA E DAR SUPORTE AOS QUE PRECISAM.
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