All language subtitles for Legend.Of.The.Lost.1957.720p.BluRay.x264-[YTS.AM].pt

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- Monsieur Dukas. - Fora, estou ocupado.

Excel�ncia, por favor, um extrangeiro quer te ver.

- Fora daqu�. - Tem um grande rel�gio de ouro.

Est� dando dinheiro.

Dinheiro? Alto! Detenham o enterro! Alto todo o mundo!

Excel�ncia, da azar parar um enterro.

O Jeque Nuwas, nosso convidado de honra, n�o tem pressa. Onde est�?

Por aqui, venha!

Sou Anatole Dukas, O prefeito da cidade.

� uma honra dar-lhe as boas vindas � nossa metr�pole.

Me chamo Paul Bonnard.

Estava na sua oficina quando as senhoritas

se ofereceram para te buscar.

Bom trabalho, queridas.

Se procura alojamento ou deseja trocar dinheiro,

estou a seus servi�os, monsieur.

Muito obrigado.

Esperava que pudesse me recomendar um guia.

Um guia? Posso perguntar para onde deseja que lhe guiem?

Ao deserto do S�hara.

Maravilhoso! Tenho o homem perfeito para voc�,

e eu mesmo lhe fornecerei o equipamento.

N�o quero incomodar.

� uma honra poder ajud�-lo.

Venha ao meu escrit�rio depois do enterro,

lhe apresentarei a um grande guia.

- A que horas? - As 17:00.

Muito bom.

Voc�!

Que vergonha! Aproveitar-se de um visitante.

- Me d�. - Espere.

Pagaras por este delito.

� uma vergonha para Timbuct�. Levem-na para a pris�o.

Desculpe, mas preferia que n�o acusassem esta jovem.

Mas se cometeu um delito.

Quem sabe o pagamento de uma multa satisfa�a a sua consci�ncia c�vica.

Monsieur, demonstra ter uma grande nobreza.

O munic�pio te deixa livre. Pode ir.

Agrade�a a esse cavalheiro.

Obrigado, senhor.

Estou muito envergonhado.

Me da licen�a, devo voltar ao enterro de Jeque Nuwas.

- As 17:00 em meu escrit�rio. - Sim.

Por favor, n�o de dinheiro em minha aus�ncia.

Vamos, vamos. Vamos todos.

- Por que o roubou? - Porque o queria.

Se queria, por que n�o me pediu?

Pode ficar com ele.

- De verdade? - Claro.

Obrigado.

Joe! Joe January!

N�o veio esta noite, Monsieur Dukas.

Joe, Joe January.

V� algo que lhe agrade?

Em absoluto. Estas mulheres vivem aqui?

Monsieur, s�o filhas da cidade. Por favor.

Joe! Joe January!

Monsieur Bonnard,

esta jovem cuidar� de voc� por um momento.

Devo cuidar de um assunto p�blico.

Cuide bem de nosso h�spede.

- Excel�ncia. - Joe January est� aqu�?

- Est� vivendo aqui. - Vivendo aqui?

- Sim, com todas suas coisas. - Como?

- Joe, est� doente? - V� embora.

Podemos ir a outro lugar? Tenho uma informa��o importante.

Preciso ficar na cadeia.

- Mas Joe, a porta est� aberta. - N�o me interessa.

Que h� com voc�? Ficou louco?

De repente, me enfiaram na cadeia, lembra?

Embebedar-se e quebrar cadeiras j� era ruim, mas fazer bombas, Joe!

Estava fabricando bombas!

N�o eram bombas, era Quatro de julho.

E o que tem de mal em ser Quatro de julho?

Nunca ouviu falar de George...?

- De quem? - N�o entenderia.

Sou um homem muito compreensivo, si voc�...

- Pare de gritar. - N�o estou gritando!

Estou usando um tom am�vel e amistoso. Est� livre.

Paguei sua multa, 200 francos, como sempre fiz,

e a anotei em minha pequena conta.

� um bandido, Sr. Dukas. Tem me roubado.

Passa a vida me enfiando coisas boas e anotando na conta.

E da�?

Que te dou cada centavo do que ganho e ainda continuo te devendo.

Uma bebida vai te fazer se sentir melhor, Joe.

Sim, gordo safado!

Desta vez me condenou a 30 dias, e antes a 270.

Se manda!

Tenho o direito de ficar 300 dias nesta cela.

Com os gastos por conta do governo.

- Preste aten��o... - Deixa de gritar e saia daqui.

N�o estou gritando.

Claro, que se estiver cansado de me alimentar

e me alojar gratuitamente, diga...

e eu sairei pela porta como um homem livre.

Pode ganhar a liberdade antes do que imagina.

N�o, nada de truques.

Chegou a Timbuct� um cavalheiro estrangeiro.

Est� cheio de dinheiro. Chama-se Monsieur Bonnard.

Roube-o voc�.

Quem disse que quero roub�-lo?

Monsieur Bonnard planeja uma expedi��o a nosso amado S�hara.

J� fiz algumas compras para ele.

Estou certo que sim.

Foi informado de que em toda �frica s� existe um homem...

que conhece o S�hara como a palma de sua m�o, Joe January.

Tem bastante dinheiro para me tirar deste Jardim do Ed�n?

S� tem que pedir, Joe.

Eu tenho dito bastante.

De acordo. Partem pela manh�.

J� tenho os burros. Est�o prontos para serem carregados.

Pensei que levar�amos camelos.

- Alguma vez montou um? - N�o.

Levaremos burros.

Se me disser aonde quer ir,

pedirei a quantidade exata de suprimentos.

Dentro do deserto.

Por favor, n�o me entenda mal, Monsieur Bonnard.

Sei que n�o � assunto meu, mas agora somos amigos...

- pensei que queria me dizer. - Que?

Se vai tirar fotos ou visitar uns amigos...

N�o.

Ah, � um viajante,

algu�m que admira as paisagens ex�ticas.

N�o, n�o sou um viajante.

J� chega, Dukas.

N�o � assunto seu nem meu aonde ele v� ou porque.

Quanto durar� a viajem que planeja?

Dez semanas, ou mais.

- Ida e volta? - N�o. S� ida.

� uma dist�ncia consider�vel, senhor.

Podemos nos arranjar com dois burros de carga e outros dois para montar.

Necessitaremos de dois mais, para a viajem de volta.

Mais dois? Seis?

Muito bem. E a pergunta final, quanto?

- Quanto quer? - Creio que seja um homem rico.

- N�o sou rico. - Pois todos lamentamos.

Se me deixar levar a negocia��o, querido amigo...

N�o meta seus dedos ligeiros nisto, querido amigo.

Aceito o trabalho se me pagar o suficiente para sair de Timbuct�.

E quanto � isso?

Devo uns 1.000 a este chupador de sangre humano.

E a voc�, Dita?

Uns duzentos mais.

E 2.500 para um barco que me tire de Dakar.

Est� disposto a pagar 4.000?

Sim.

Bom. neg�cio fechado. E sem est�pidas perdas de tempo.

Contratou um guia...

Cale-se.

Te dou os parab�ns por este acordo, Joe.

Te vejo depois. Venha, te convido para um drink.

N�o.

Porque n�o? � a minha �ltima noite.

Quem sabe seja minha �ltima noite em Timbuct�.

Venha, faremos uma bonita despedida.

N�o � hora de frivolidades.

Temos que selecionar os burros para manh�. Vamos.

Roubar�s menos se te acompanhar.

Cuidado com a carteira, Bonnard.

Desculpe-me, Dita, este me interessa cuidar.

Bonnard.

Sr. Bonnard.

Mulheres.

Eu n�o.

O mundo est� cheio de animais ferozes.

Mas s� existe um cruel.

O homem.

Os animais matam, mas o homem faz algo pior.

Ele machuca.

Odeio os homens.

J� � de manh�. Devo ir.

N�o.

Sim, tem que dormir.

N�o.

Fale-me.

� uma mo�a que pede que lhe contem hist�rias.

Uma mo�a.

Quem me dera fosse.

Se pudesse come�ar de novo...

Mas voc� pode.

Todo o mundo pode fazer o que quiser.

O pecado n�o nos converte em pecadores.

O pecado � uma ferida que pode ser curada.

N�o tem tido sorte, eh? Vamos.

Saia daqui! �Fora!

Se quer limpar a alma de Dita, isso n�o me importa.

M�s levar� tempo.

Venha, ria porque um homem falou comigo a noite toda...

como se eu fosse um ser humano.

Vamos, ria, porco do deserto!

Odeio as meretrizes gritonas.

Sujo! Isso que voc� �!

Isso n�o foi muito am�vel.

Se quiser ficar e confundir ainda mais esta mulher, v� em frente.

Podemos sair amanh� O deserto continuar� aqui.

- N�o. Devo ir. Os burros est�o carregados?

Sim.

Bem, irei com voc�.

Pagou por isso?

Sim.

N�o tem sentido deixar uma tenta��o diante de uma mulher.

Estaremos prontos para partir em 15 minutos,

a n�o ser que tenha outros planos.

� amigo seu?

Sim.

� um amigo.

Todos s�o amigos, todos os porcos de Timbuct�!

Eu me odeio!

Me lembrarei de voc� como uma mulher com o cora��o cheio de dor.

Tenho que ir.

Adeus, Dita.

Adeus, Dita.

Tudo bem?

Bom dia, Joe.

- Ent�o voc� vai. - Quem sabe.

- Sabes algo mais de nosso amigo? - N�o.

� um homem misterioso? N�o conversou com ele a noite?

N�o. Ele estava ocupado.

Com Dita!

Ele lhe aplicou serm�es a noite toda.

A Dita! N�o! Imposs�vel.

Seguia com sua prega��o quando lhes encontrei esta manh�.

Dita, nosso pequeno peda�o da alegre Par�s na terra selvagem!

Bom dia.

- Boom dia. Todo certo? - At� o �ltimo detalhe.

Bom. Prontos para partir, ent�o?

Voc� montar� neste.

Aqui est� a metade de seus honor�rios, como acordamos.

- Dois mil francos. - Obrigado.

Te devo 1.000.

N�o. Em nota oficial disse 1.400.

Quer esses 1.000, ou volto ao calabou�o?

Joe, monsieur...

Muito bem.

Desculpe-me, monsieur, mas me oponho a isso.

- A qu�? - A que levemos bebidas.

Pois eu n�o.

Faremos um pacto. Voc� vive a sua maneira e eu a minha.

Quem sabe seja �til com finalidade medicinal.

� a melhor cura para o mal do deserto.

Leve-me contigo, por favor.

Estou acostumada ao deserto. Leva-me.

N�o posso, Dita. Ser� uma viajem grande e dif�cil.

N�o ser� uma mol�stia.

Fico comovido que queira vir, mas n�o � poss�vel.

Posso cozinhar, ajudar no acampamento.

Seria bom para a gente.

Queria te ajudar, mas tenho muito o que fazer.

Te verei de novo quando voltar.

- Quanto tempo vai demorar? - N�o muito.

Se me disser aonde vai,

poderia fazer com que nossa pequena Dita

lhe escrevesse.

O que est� tramando, mon capitaine?

Bonnard j� te digo aonde vamos a noite.

- Aonde? - Ao deserto do S�hara.

Sempre em frente e virando para a esquerda.

Joe, por favor, n�o posso.

Allons, Jeannette.

- Aqui come�a o deserto. - � tudo deserto.

Suponho que est� curioso para saber aonde vamos.

J� me dir�.

Passei 10 anos me preparando para este viajem.

Estudei o S�hara e sua hist�ria.

Li cada palavra que foi escrita sobre este mar de areia morto.

Isso � muito, em se tratando do S�hara.

Voc� gosta do deserto?

� meu.

� tudo o que tenho.

Creio que este ser� o trabalho mais importante de sua vida.

De que se trata?

Vou em busca de meu pai.

Vai se encontrar com ele?

Desapareceu no deserto fazem 10 anos.

E aonde espera reunir-se com ele?

N�o espero encontr�-lo com vida.

Era parte de uma caravana de sal.

As vezes, nem sequer os camelos sobrevivem.

Pensava que isso acontecia mais para o interior.

Perdeu algumas li��es sobre o deserto, Sr. Bonnard.

Acontece em qualquer lugar.

J� vi restos de animais e pessoas a 100 metros da �gua.

O vento sopra, a areia se move e adeus po�os.

O o�sis de Asselar n�o estar� coberto.

Pode come�ar a rezar.

Sim, � Asselar. N�o mudou.

O velho forte turco, o po�o, as palmeiras.

- Achava que nunca tivesse estado aqui antes.

E n�o estive.

� o maior o�sis, n�o?

Sim �.

- Quer que fa�a algo? - N�o pode deixar.

N�o h� nada como um bom trago enquanto se pode.

Aqui � onde acamparemos depois,

ao norte, passado ao vale de Tilemsi.

Vamos para as colinas de Adras.

E dali, ao acampamento de Tin Reroh, no pa�s tuareg.

Noventa e cinco km em linha reta.

Como sabe? Esse monte n�o existe em nenhum mapa.

Memorizei a carta de meu padre antes de destru�-la.

Eu citava uma rota de caravanas de mil anos de idade.

O deserto faz com que se imagine cosas estranhas.

Sim, e tamb�m que as encontre.

Sabe aonde vamos depois de avistar o monte Tahat?

Ali n�o existe mais nada que um milh�o de anos de areia morta.

- Sim existe. - O Que?

Direi quando chegarmos ao monte Tahat.

Santa m�e das pir�mides!

Vai em busca de um tesouro?

As minas do rei Salom�o ou a tumba de ouro de minha tia Minnie!

No meio parte alguma, sem saber o que buscamos e na pior esta��o!

Jeannette, tem um companheiro de viajem.

Um companheiro idiota. Eu!

- N�o ouviu algo? - Sim.

- Chacais? - N�o.

Existem outros animais que fazem esse ru�do?

Os homens.

Os tuaregs.

Acha que nos viram?

Est�o algumas horas atr�s de n�s.

S�o amistosos?

Aqui n�o existe nada amistoso.

Espero que n�o nos estejam seguindo.

S� h� um jeito de verificar.

Quem sabe nos sigam vigiando.

N�o devem saber o que busco.

N�o se preocupe. No deserto nada se fixa nos buscadores de ouro,

exceto o deserto.

Acha que sou um louco que acredita em contos de fadas.

Me paga um sal�rio.

Se quer ir em busca de uma panela de ouro,

irei com voc�.

N�o busco riqueza para mim.

O ouro que encontrar ser� para realizar o sonho de meu pai.

Um refugio para os necessitados.

Um lugar que acolha enfermos de corpo e alma.

Um monumento � humanidade em uma terra selvagem.

Esse era o sonho de meu pai.

Estiveram aqui.

Se foram h� algumas horas.

Se � que foram.

Recolho lenha?

N�o existem. Queimar�o toda fazem alguns anos.

- Use aquele esterco. - Esterco?

Esterco de camelo. V�?

Pegue as mais secas. Queimam bem.

Tranq�ilo. Pegue com calma.

Continuemos com o nosso.

Como chegou at� aqui?

Os tuaregs me trouxeram.

- Bem, que te levem de volta ent�o. - N�o.

- Vamos. - N�o.

Disse que vamos. Aqui n�o tem lugar para voc�.

S� tem provis�es para dois.

Quando se foram, chorei o dia todo.

Quis morrer quando chegou um homem ao meu quarto de madrugada.

Bati nele e fugi.

N�o posso continuar sendo esse tipo de mulher.

Por favor, deixe-me ficar.

Suma daqui. Foi despedida em Timbuct�.

Deixe-me ficar. Trabalharei, serei de ajuda.

N�o podemos deix�-la, Joe.

N�o fale no plural.

A partir de agora, � sua viajem.

Se quer cruzar o S�hara em companhia de uma louca, estou fora.

Deixe-me explicar.

N�o h� nada que explicar. Eu gosto das putas no meu quarto.

Porco!

N�o engana ningu�m.

Enlouqueceu por esse tipo e vem correndo at� aqui...

falando de salva��o.

Est� me machucando!

Se voltar a tentar me bater � o que farei.

Toda sua, Sr. Bonnard.

N�o pode nos deixar, Joe.

Ela ensinar� o caminho de volta.

N�o vou voltar.

Pois eu vou.

Deixe-me falar, por favor. Bom, decida logo.

Vou � cidade perdida de Ophir.

� uma cidade que desapareceu h� 2.000 anos.

Meu pai descobriu seu segredo na B�blia.

A cidade de Ophir floreceu em um certo lugar do S�hara,

quando no deserto havia bosques, lagos e rios.

No S�hara n�o existe nenhuma cidade perdida.

Milhares de caravanas cruzam o deserto durante milhares de anos

E seu pai vem desde a Somalia e encontra uma cidade perdida?

N�o seja ing�nuo.

A antiga cidade de Troya se conhecia h� mil anos,

mas ningu�m sabia onde estava.

H� alguns anos foi encontrada por um alem�o chamado Schliemann.

Tamb�m encontrou o tesouro do rei, e n�o foi quest�o de sorte.

Sabia aonde estava.

O deserto est� cheio de ossos que foram em busca de um tesouro.

Porque n�o sabiam onde procurar. Mas eu sei!

Escute, Joe, que tem a perder?

Veja, aqui est� o resto de seus honor�rios.

E lhe darei um ter�o do tesouro.

- Me oferece a um ter�o de nada. - N�o.

H� ouro, prata, marfim, pedras preciosas.

Um grande tesouro.

Meu pai o descobriu.

"Tive nas m�os rubis grandes como ovos...

"e esmeraldas do tamanho da palma de minha m�o. "

Escreveu meu pai, um homem que nunca mentiu.

Escutei por tempo demais.

Timbuct� ou Somalia, qual a diferen�a?

Ficarei com o ter�o de seu ouro da areia.

E suponho que voc� entra na divis�o.

Uma cidade perdida e uma mulher louca.

Ocupe-se de sua alma, eu me encarrego do deserto.

Esta cansada, Dita.

Por que n�o dorme?

N�o posso.

Ele me traz recorda��es.

- De que? - De Timbuct�. Dos lugares que conhe�o.

Lugares corrompidos.

Diga-me.

Sobre eu?

N�o gostaria.

Fala.

Eu te consolarei.

Minha m�e me ensinou s� uma coisa.

A n�o chorar.

Cada vez que chorava me batia at� me fazer ficar calado.

Dizia: "Os homens n�o pag�o por choronas".

Viv�amos na Argelia.

Eu fugi.

N�o voltei a ver minha m�e.

Seu pai est� vivo?

Quem sabe?

Fui � varias cidades.

Conheci muitos homens.

As recorda��es que tenho s�o sempre as mesmas.

As mesmas m�os correndo em mim como se fossem insetos.

Queria arrancar-me a pele e sentir-me nova.

Me de o canivete.

As l�grimas limpam melhor que os canivetes.

M�e de Deus!

A pecadora chora em seu ombro.

Deve sentir-se muito importante.

N�o acredita em nada nem em ningu�m!

Bebe, faz pouco dos outros e os fere!

Deixe-a em paz.

Claro.

� toda sua.

Devemos ter desviado de nosso rumo.

Ali n�o deveria haver uma cidade.

E n�o h�.

Mire o horizonte, um pouco para cima.

- � uma miragem. - Uma Miragem?

Existe um lugar chamado Bandiagara a 320 km de onde se v�.

Parece real.

T�o real como sua cidade perdida.

O que lhe acha se formos para l�?

E se lavramos essas torres de marfim?

Ser� melhor que nos refugiemos no c�nion.

N�o.

Um pouco mais a frente.

Odeio esse vento.

Est� doente?

N�o. Estou enjoada. N�o posso respirar.

Preciso que pare um momento, por favor.

Claro, todo o tempo que precisar.

Falarei com ele.

Paul!

- O que? Que foi? - Tira-me isso. Tira-me isso!

Estavam em cima de mim. N�o deixe que me toquem, por favor!

J� conseguiu seu homem? Bom trabalho.

Assustou-se. Havia aranhas.

Por isso n�o parei aqui. Este � o c�nion das Tar�ntulas.

- Eu teria cuidado com isso. - Est� com a cara machucada.

Essa pouca �gua poderia salvar uma vida.

� do meu cantil.

E de qual vai beber quando tiver acabado?

N�o da sua! Nem que estivesse morrendo de sede!

Se terminou com seus desmaios de rapariga, podemos seguir.

Deve para de falar assim.

- Devo? - Sim. Vai respeit�-la.

Ele? Respeitar uma mulher?

S�o um casal de falsos. Os dois.

Estou farto de v�-los gemer

por suas almas e dar tapinhas nas costas.

Desde que cheguei, brinca comigo e me enche de insultos.

S� um, Dita.

No deserto somos um mundo pequeno, Joe.

Que seja um mundo civilizado.

Dois homens e uma mulher

se colocam em estresse em qualquer civiliza��o.

Agachados.

S�o as fogueiras da morte.

Cavam uma tumba na areia e tocam os tambores at� que morre o doente.

Eu sei.

Sabe? Assustou-se ao ver os outros tuaregs,

agora deveria estar tremendo.

Esses s�o hoggars.

Estamos encalhados. N�o podemos dar a volta nesse po�o.

- A onde vai? - Quem sabe posso ajudar.

N�o interfira com a morte.

Devo fazer o que fez me pai.

Impe�a-o.

- Como? - V�o mat�-lo, ele n�o sabe.

- Sei que sabe. - Paul!

Espera!

Est� decidido fazer algo. Se gritar, ser� pior.

Est� se fazendo entender.

Comunica-se com eles de algum modo.

� maravilhoso.

O vai apanhando pouco a pouco.

N�o � digno de falar dele.

Agora acredita nele?

Em sua cidade de Ophir, cheia de rubis e esmeraldas, n�o!

Mas uma coisa � certa, tem valor.

Eu n�o teria ido at� l�.

� melhor que acampemos aqui.

Vem?

N�o, esperarei.

Se sei algo da hospitalidade tuareg, n�o voltar� antes do amanhecer.

Esperarei.

Temos problemas. Vem vindo para c�.

Me de uma m�o. Segure isto.

Estende isso entre esses dois montinhos.

Joe.

Veja!

Isso � o que falta em nosso mapa.

Memorizou muito bem.

Este � o monte Tahat.

Meu pai foi para oeste, para In Zize.

Entre In Zize e Bidon tem um plat�. Dirigiu-se at� ele.

Esse � um territ�rio muito amplo. Ningu�m que eu saiba esteve ali.

Meu pai sim.

A cidade est� aqui.

� uma viajem muito grande.

Precisaremos de algo melhor que ouro para regressar.

Qu�?

�gua. Sim essa cidade est� seca, ser� nosso fim.

Ter� �gua. Meu pai disse.

Eh! Precisa de ajuda?

- N�o a embarace. - N�o importa.

Como se fosse uma miragem.

Tem farinha?

Claro, por qu�?

Tem �gua de sobra. Vou fazer comida.

Sabe cozinhar?

Sei cozinhar, respirar e viver!

O que voc� tem? Esta doente?

- Por que? - N�o tem se metido comigo o dia todo.

Quem sabe eu tamb�m esteja recobrando a virtude perdida.

Sim, n�o seria nada mal.

� incr�vel caminhar sozinho pelo deserto.

� como passear pela esfera de um rel�gio parado.

Podemos ter fogo aceso a noite toda, e...

Rasgou o vestido.

O costurarei

- O que foi? - Vem, quero falar com voc�.

Bem?

Bom,

quer um trago?

N�o.

O que quer, Joe?

S� um pouco de amizade.

J� n�o tenho medo de voc�.

- Garota esperta. - Nem estou zangada.

Brindo por isso.

Bonita noite.

Qu�o alto est�.

Como una cama alta, com len��is limpos toda noite.

Me faz sentir muito pequena.

Eu sinto isso no deserto.

E a bebida te faz sentir maior?

Porque n�o bebe um pouco? Te far� escutar melhor.

- N�o. Venha. Que quer me dizer? - N�o tem pressa. Dorme como uma rocha.

Tem a consci�ncia limpa.

N�o sei.

N�o saberia dizer como � um tipo como ele.

N�o deixarei que fale mal dele. � um Homem puro.

Tem um bom cora��o.

Certo, quem sabe tenha raz�o. Por isso queria te advertir.

Sobre o que?

Para que n�o tire pedacinhos. Se est� apaixonado por voc�.

Mas n�o sabe como.

Mentira.

N�o � mentira, Dita. S� um conselho sincero.

Tenha cuidado e costure isso.

Tenho uma boa id�ia.

Venha aqui.

Tiremos a tenta��o de seu caminho, voc� e eu.

Oh, n�o!

Com voc� n�o!

Muito bem, n�o brigarei.

Seu idiota!

Vou enfiar isso na sua garganta!

Isso n�o te salvar�.

Quer nos deixar em paz?

- Quem te acertou? - Eu.

- Com uma panela? - N�o, com isso.

Devia ter me lembrado que voc� � muito boa nas brigas de bar.

Era o �nico do bar. Para voc�, todos os lugares s�o um bar.

Eu n�o vou saio por ai e dando golpes com frigideiras

Se o tocar, volto a fazer

Sinto muito. Tive que fazer. Os ouvi falar.

- E ent�o voc� atirou? - N�o, n�o em voc�.

O �lcool que te fazia falar assim.

Sejamos amigos. Comecemos de novo.

Muito bem.

Come�aremos de novo.

Mas se voltar a apontar com uma arma, um dos dois ser� um amigo morto.

Vou precisar de um pouco mais de informa��o.

Isso � muito dif�cil. Devo conhecer a situa��o exata.

Os desenhos na areia j� n�o valem. Veja este mapa.

Aqui est� tudo.

Estamos no tr�pico de C�ncer o ou perto dele?

Exatamente, a 23 graus e meio ao norte do equador.

Estamos no tr�pico de C�ncer. Sei onde estamos.

Aonde acha que vamos?

Meu pai foi desde os 23 graus e meio norte e 5 oeste,

segundo seus c�lculos,

at� aproximadamente 5 graus e 30 minutos oeste.

Aproximadamente! Segundo seus c�lculos!

Um erro de meio grau pode ser uma diferen�a de 50 a 65 km!

Que disse sobre a �gua?

Ali encontraremos um rio.

Encontraremos um rio. Em meio ao deserto.

e nos deixa um litro de �gua.

N�o vou discutir mais contigo. Buscaremos durante oito horas.

Se n�o encontrarmos seu Jardim do �den, voltaremos a In Zize.

Fim da linha.

Voltaremos.

Quase chegamos. Tenha f�.

Em que? Nisso?

E meu pai. Caminhou por aqui. Sei que atravessou este lugar.

Banhou-se no rio.

Sejamos pr�ticos.

Se seu pai encontrou ouro e um rio, por que n�o voltou?

Por que?

Eu acredito em voc�, Paul.

Porque n�o voltou? Eu te direi porque. Porque � mentira!

Tudo � uma asquerosa mentira!

N�o, � verdade!

Chegaremos a escarpa branca.

Encontrarei �gua!

Aqui n�o encontrar� mais do que uma cova quente.

H� um rio!

S� nos sobra �gua para chegar a In Zize.

Vamos voltar.

J� est� decidido. N�o existe o Jardim do �dem.

Voc� n�o da as ordens.

Quer transform�-la em um monte de ossos brancos?

Quer morrer perseguindo uma miragem?

Nos sobra �gua para oito horas.

- Logo sentaremos e nos abrasamos. - Voc� n�o nos da ordens.

Muito bem, mas sei que as dou a Joe January.

Voc� pode fazer o que quiser.

Est� louca! J� n�o podemos si quer voltar a In Zize!

Est�o loucos, os dois!

N�o est� longe, n�o � verdade?

N�o. Est� ali, acreditem em mim!

O encontraremos juntos. Os tr�s. Vamos.

Esta vez, creio...

Creio que rezarei.

Ali est�o! Ele escreveu:

"As escarpas brancas se elevam como paredes juntas".

Ali est�, essa � a verdade de meu pai.

Um muro maci�o de pedra e areia.

H� uma entrada. Ele escreveu.

Bom, tinha raz�o sobre o leito do rio.

Mas est� seco a mais de 100 anos.

Acredita que sabe onde est� a �gua, Jeannette?

Venha, vamos.

Obrigado, pai.

Pensou que �amos morrer?

- Me passou pela cabe�a. - Tr�s caveiras na areia.

E dentro de 100 anos, algum viajante diria:

"Me pergunto quem eram".

Segue zangado comigo?

- A uma mulher perd�o at� um assassinato.

Obrigado.

Pergunto-me a onde est� Paul.

Suponho que buscando rubis e esmeraldas.

Vai encontrar.

Mudou de id�ia?

Sobre qu�?

Sobre ele.

N�o sei.

Deve ter f� nele. Diga, por favor.

S� direi uma coisa, que ele tinha um pai esperto.

Seremos o que ele deseja, tr�s amigos.

- Encontrou algo. - Sim.

Esta n�o e a cidade santa de Ophir.

�s uma cidade romana.

Esta certo disso?

Olhe a arquitetura e a inscri��o.

"Sendo Imperador Trajano,

"a terceira legi�o de Roma,

"construiu esta cidade para que durasse para sempre. "

Suponho que seu pai n�o sabia ler.

Engra�ado.

Um tipo passa a vida...

buscando a cidade santa de Ophir...

e acaba descobrindo a cidade profana de Timgad.

Sim, mas porque desapareceu seu pai?

Tem algo...

que viva aqui?

Sim, os fantasmas.

Milh�es deles.

Bonnard!

Paul!

Espera!

N�o me deixe.

Sinto que nos vigiam todos os mortos que viver�o nesta cidade.

� como uma tumba extravagante, com portas e janelas.

Bonnard!

N�o gosto nada disso!

Bonnard!

Estava junto dele.

� seu pai?

O assassinaram.

Sabia que estava morto.

Mas d�i v�-lo assim,

ossos brancos que una vez foram um homem maravilhoso.

Qual � seu pai?

O que usa a alian�a.

Era alto.

Tem um buraco de bala na cabe�a.

O assassinaram.

Esse deve de ser o guia.

Esse tipo tem uma faca nas costas.

Deve de atravessado o cora��o.

Meu pai atuou em defesa pr�pria.

Ela morreu abra�ando o outro cara.

Usa um colar barato.

Imita��o de pele.

Pega

N�o era uma mulher muito elegante.

O qu� est� lendo?

O que �?

A assinatura "Jonathan". � a letra de seu pai?

Sim.

O que diz?

� uma carta de amor.

A uma mulher do Cairo, chamada Arabella.

Enviou dinheiro para que ela se encontrasse com ele

em Timbuct�.

Oh, n�o!

Seu pai era um mulherengo.

Falou para a mo�a do tesouro. "Riquezas que n�o pode nem sonhar. "

Parece que escreveu � desesperada.

Disse que a levaria a Paris e viveriam como Salom�o e Betsab�,

vivendo dias felizes e passando as noites em seus bra�os.

Est� lendo isso!

Passou a noite em meu quarto e disse que me daria uma vida nova.

Deixa-me que te ajude agora.

Quem sabe isso deveria ser assim.

Que deveria estar aqui para te ajudar.

Disse que Deus ajuda a quem � mal se voltar a ser bom.

Por acaso n�o perdoa a quem era bom e se torna mal?

Nada mudou para voc�.

� o mesmo, e se encontrar o tesouro...

pode fazer o que sonhar, o que seu pai sonhou uma vez.

- Construir um lugar de bondade. - Acredita ainda na bondade?

Provou-me que existe. Irei com voc�.

- Te ajudarei a tornar realidade seu sonho...

N�o tenho sonhos.

Enterrei-os.

Os tr�s.

Como disse em Timbuct�,

� um bom rem�dio. Prove.

- Ele nunca bebia. - Que voc� saiba.

- Ele mentiu para mim. - Vamos, est� morto. Pagou sua d�vida.

Ad�ltero e assino.

Pode ser passar por qualquer tipo de homem,

bom ou mal.

Se uma mulher te lan�a o arp�o, vai aonde te leva

Vamos, te ajudar�.

Leve-me a sua tumba.

Quem sabe te fa�a bem...

fazer uma ora��o por ele.

Uma ora��o? Tudo era falso.

Sua voz piedosa. Seus olhos bondosos. Tudo falso!

Meu pai era uma mentira! Eu acreditei em suas mentiras.

Tamb�m serve como frigideira.

Menos mal que me acertou a cabe�a. Ali eu ag�ento.

O que foi?

Porqu� ele n�o est� com a gente? Ficou a noite toda fora.

- Temos que sair procur�-lo. - Ele vai superar.

Vai ficar procurando a porta de bronze que seu pai descreveu.

D�-me seu prato.

Estou preocupada com ele.

� o tipo de homem que as mulheres se preocupam.

Quem sabe o tenha subestimado.

- Sim. - Bem.

Ent�o se recuperar� do golpe.

Todo mundo deve sofrer alguns golpes.

Te derruba e volta a levantar.

Voc� fez.

Encontrei! Venha, preciso de ajuda!

E se comemos antes?

N�o.

Vamos.

A porta de bronze.

Est� deformada.

Ajudarei-te.

- Levanta e tira. - Sim.

Est� cedendo um pouco.

Mentiras! Mais mentiras!

Mentiras sobre Deus e sobre o ouro!

N�o est�s acostumado. Vai se sentir mal.

N�o sinto nada.

Onde estava?

Dando um passeio, pensando.

� uma cidade maravilhosa para pensar.

N�o h� distra��es.

A rela��o entre o guia e a mulher do Cairo...

deve ter come�ado no deserto.

Assim quando chegaram � Timgad, seu pai j� tinha se interado.

Sau Betsab� ia mudar de Salom�o.

Tamb�m j� tinha falado para ela da porta de bronze, assim que...

quando chegaram a Timgad escondeu o tesouro em outro lugar.

Temia que quisessem assassin�-lo.

- Pode ser. - Porque n�o?

Se colocaria entre eles.

Por isso deixou o recado, se por acaso lhe ocorresse algo

Deixou recado?

Imagino-o...

sentado sozinho aquela noite,

Cheio de dor,

e recorrendo ao �nico consolo que conhecia:

sua B�blia.

Assim que abriu seu Livro Sagrado...

e encontrou algo interessante. Uma p�gina dobrada.

A �nica p�gina do Livro que tem uma marca.

Aqui est�.

"E ir�o aos buracos entre as pedras...

"e as covas da terra, temerosos do Senhor,

"e nesse dia um homem...

"encontrar� seus �dolos de ouro e prata...

"junto �s toupeiras e os morcegos. "

Os morcegos!

Isso � o que diz.

Os morcegos sair�o da terra!

Cheira muito mal a� em baixo. Os morcegos vivem a� � 2.000 anos.

- Se quiser que eu des�a... - N�o.

Voc� o encontrou.

Alguns s�o eg�pcios e...

Veja este.

Que rubi.

Voc� gosta?

� lindo.

Deve ter pertencido a uma rainha.

Agora te pertence.

- A mim? - Sim. Te dou.

Este rubi � meu?

Obrigado!

� a pessoa mais bondosa que conheci em minha vida.

Que foi?

Quer falar comigo?

Sim.

A s�s.

Por favor.

Est� bem.

O que foi?

Sente-se.

N�o iria embora?

Ficaria?

Estou aqui.

- Me d�i muito seu sofrimento. - N�o quero te causar pena.

N�o, por favor.

Beije-me.

N�o posso.

Beija a todos os outros, por que n�o � mim?

Quer me tirar tudo o que me deste?

- S� te dei mentiras. - N�o.

Me deu um vestido branco.

Atravessei o deserto vestida com ele.

N�o tire de mim, Paul.

N�o. N�o posso voltar a isso.

Beije-me.

- N�o. - Porque n�o?

Que mais quer? Rubis, esmeraldas?

N�o quero nada. Pelo amor de Deus, deixe-me que v�!

Desculpe-me.

Toma.

Veja.

Passei toda minha vida me privando dos prazeres.

De todo tipo de prazer.

� f�cil para voc� neg�-los.

Tem tido todos.

N�o tenho tido nada.

Toma.

Tem esses todo para voc�.

Para que serve, se n�o para isso?

Eu te fiz virtuosa.

Comprarei tua virtude.

Ser� rica,

feliz,

estar� radiante.

Fique com isso! N�o me toque!

Deixa que v�.

� minha!

V� com ele.

Por minhas costas. Como eles fizeram!

Me matara, como eles o matar�o.

- Cale - se.

Me matar�, eu sei. Me matar�!

Volte aqui, louco.

Est� b�bado.

Est� louco e assustado.

Ser� melhor que fique aqui.

Que vai fazer?

Procurar que n�o me veja. Atira muito bem.

Voc� fique aqui, fora do alcance.

Ser� melhor que recolha a muni��o extra

Fique confort�vel.

Vai ser uma noite muito longa.

Pobre Paul.

Era t�o bom.

Como pode acontecer isso?

Assim s�o as coisas.

Mas a ele...

Ele acreditava em Deus.

N�o sei recitar salmos, mas conhe�o a gente que cr� em Deus.

E nosso amigo n�o era assim.

Colocou sua f� em seu pai, em um homem, um ser humano.

� f�cil perder essa f�. Disso tamb�m entendo.

Mas era um bom homem. Tratava de fazer o bem.

Sonhou com a bondade toda sua vida.

Come�o a me fartar do pobre Paul, t�o bom e cheio de gra�a.

Que ter� de fazer para voc� entender?

N�o acreditava em nada, Deus era s� uma desculpa para se dar import�ncia.

Vi antes a santarr�es como ele, que visam fazer o bem a si mesmos.

Crer em Deus n�o � babar por rubis e esmeraldas.

Acredito que essa noite tem sido muito dif�cil para mim.

Ouvi a grande cena do leil�o.

Disse bem.

Ser� melhor que trate de descansar.

Voc� n�o vai dormir?

Eu n�o, dorme voc�.

Nos aguarda uma grande viajem de volta.

Voltar...

- A Timbuct�. - Sim.

Voltar a Timbuct�.

Pois far� todo o caminho...

vestida de branco.

Est� acordada?

- Bom dia. - Bom dia.

Parece que seu amigo se acalmou.

Quem sabe at� demais.

Acho que vou dar uma olhada.

Ser� melhor que fique com isso, para se acaso.

Tenha cuidado.

Eh!

- Que foi? - Ele se foi.

- Aonde? - E levou tudo!

A comida, os cantis, os burros, tudo!

A noite suspeitei de algo.

Mas fui idiota demais para dar-me conta.

Al�m do mais, como iria pensar

que maluco iria sair sozinho pelo deserto?

Duvidei que se tratava de um louco.

Toma, esvazia e enche de �gua.

Isso demonstra a gravidade da nossa situa��o.

Abandonou-nos para morrer.

Ainda n�o estamos mortos. Vamos alcan��-lo.

Isso � tudo por hora.

Vamos alcan��-lo.

Logo?

Muito cedo. Quando um burro tem sede...

lhe encolhe a barriga.

A cinta afrouxa. O equipamento cai.

Vamos agarr�-lo.

O �nico a quem se agarrara nosso amigo � ao tesouro.

Um rico que se arrasta pelo deserto.

Idiota!

Idiota!

N�o tem nenhum cantil.

Veja que n�o carregou um burro com �gua!

Que idiota.

Gra�as a Deus!

Gosta de p�ssegos?

Posso beber um pouco antes?

Claro.

Com cuidado.

Golinhos.

Assim.

J� basta por hora.

Vamos!

Vamos!

Levante-se.

N�o.

Continua sozinho.

� por minha culpa.

N�o sou boa.

Tudo o que toco se corrompe.

Est� delirando.

- Vamos. - N�o.

N�o mais.

J� tenho muitos problemas. Pare de se queixar.

Para que continua? Com que finalidade?

N�o quero viver.

Viver da muito trabalho. Um trabalho horr�vel.

J� quis morrer v�rias vezes.

Me alegro de que tudo tenha terminado.

J� mandei que se levante.

N�o vai tombar e morrer no deserto!

Vai se levantar e caminhar como um ser humano.

Como uma mulher!

N�o, j�...

N�o importa.

Jeannette! vem, Jeannette.

Vem, pequena.

Quanto me alegra te ver.

Dita, Dita.

Nossa reserva.

A tinha guardada.

Encontrei uma amiga.

N�o � linda?

Devo estar horr�vel.

Nunca esteve mais bela.

- Voc� acha? - Sim.

Eu acho.

Nunca estivemos assim.

Isso pode acontecer conosco?

A mim?

J� aconteceu.

Est� ficando sentimental.

Nunca antes me beijou assim.

Sempre quis fazer-lo.

Ai est�o.

Burros!

Dois burros!

- Est� morto? - N�o.

O rico est� contando seu dinheiro.

Me odeia.

N�o.

Vai me matar.

N�o.

Salve-me.

Salve-me, Dita.

Tem a cara muito inchada.

- N�o se pode beber os rubis. - Mas se est� morrendo.

Acho que tem �gua a tr�s metros,

se pudermos encontr�-la.

- Me ouve? - Que Deus me ajude!

Durar� mais algumas horas...

se n�o encontrarmos �gua.

Eu te encontrarei �gua, pequena Jeannette.

Tranq�ila.

Levar� tempo.

- Deixa-me. - N�o.

Descansa.

Nota a umidade?

N�o.

- Como n�o. - Est� aqui.

Sei que est� aqui.

Aqui tem �gua, Eu sei!

Cheiro-a.

H� �gua, veja!

�gua!

N�o, Paul! N�o!

N�o vai me matar, n�o vai me enterrar!

Joe! Joe!

Metei-o!

�gua.

Busca �gua.

Tenho muito frio.

N�o se mova.

Me pergunto pode me ouvir.

Est� morto.

Eu sei.

Mas mesmo assim me pergunto.

N�o o insulte.

Gostava dele.

N�o sei.

Sim.

Por isso o insulto.

Foi um...

bom tipo no geral,

quase at� o final.

Se seu pai n�o lhe tivesse decepcionado,

teria feito coisas boas.

Teria gastado o tesouro para curar os doentes e...

para ajudar os pobres.

E eu me meto com ele...

por cometer um erro no final.

Eu tenho cometido por toda a vida.

- N�o sei como dizer... - N�o tem que dizer nada.

Posso ouvir.

e se n�o estivesse t�o enjoado...

Estamos juntos.

Sim.

Lembre-me de te agradecer por isso.

N�o salvou o mundo,

mas uniu dois pobres diabos...

e fez com que tivessem um bom final.

N�o me queixo.

N�o me queixo.

Obrigado, amigo.

Joe. Joe.

Acredita em Deus?

Sim.

Ent�o reza para que isso n�o seja uma miragem.

Reza.

Estou rezando.

Est� vindo para c�!

Vem vindo!

Traduzido do Espanhol por Netol e Jaguar05 sincronia:palanca

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