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Original subtitles

Bem-vindos uma vez mais ao Simp�sio Ibero-americano...

de Cirurgia Cardiovascular.

Este ano, comemoramos uma nova edi��o...

o que nos enche de orgulho.

Mas antes da abertura oficial do simp�sio cient�fico...

queremos prestar uma homenagem � duas personalidades marcantes...

que h� mais de dez anos v�m prestigiando nossa atividade.

Com muito trabalho e esp�rito incans�vel...

sempre em busca dos avan�os na ci�ncia e na tecnologia.

Pe�o aos doutores Diego Esnaifer e Ricardo Tripicchio...

que subam a este palco e recebam um caloroso aplauso.

Nunca fui t�o sincero em agradecer de cora��o.

Obrigado pelas palavras e pelos aplausos...

dos quais n�o me considero merecedor.

Por tr�s de mim, na minha cl�nica...

h� um grupo de pessoas que trabalha todos os dias...

prop�e, questiona ideias.

Eu sou apenas o rosto vis�vel.

Adoraria mencionar todos. Agrade�o...

Ol�, Leopoldo. Como vai? Obrigado pela presen�a.

Estou muito feliz de liderar...

os melhores profissionais deste pa�s.

Obrigado por fazer de mim todos os dias...

um profissional melhor e...

principalmente, uma pessoa melhor.

- Muito obrigado. - Obrigado, Dr. Esnaifer.

E assim, est� inaugurado o simp�sio cient�fico.

Amanh� de manh�, �s 9h, come�am os debates...

- Eu gosto do Sean Penn. - N�o!

- Quem � Sean Penn? - Ele j� fez gays, drogados...

idiotas, Per�n. J� fez de tudo. � embaixador do Haiti me parece.

Sem essa, n�o me engana. Ele � milion�rio de esquerda...

- tipo Bono. - Pior s�o os pobres de direita.

Quem � Bono?

- Est� me gozando? - Ele n�o gosta de m�sica.

- J� sei! � aquele que usa �culos. - E tamb�m n�o gosta de ler.

- Como assim, n�o gosto? - Voc� n�o gosta.

Ler? Foi o que fiz a minha vida toda.

Sim, o comportamento da gl�ndula pineal.

- N�o, eu leio qualquer coisa. - O mist�rio da aorta.

Que maldade. Na frente dos meus amigos.

Quando me entregaram o pr�mio...

ouviu o que disseram do seu marido? Mais respeito.

Sim, � verdade. Parab�ns, doutores!

Parab�ns! V�o fazer a festa?

Sim, um fest�o! Dez anos.

- Que festa? - Somos Betina e Ricardo...

seus amigos, e em dezembro completamos dez anos.

Eu n�o apostava um centavo nesse relacionamento.

- Achava que n�o duraria um ano. - Como pode dizer isso?!

Mas vejam que beleza.

E voc�s, h� quanto tempo est�o casados? 17, 18 anos?

- Quinze. - N�o, estamos casados h� 16.

- Bem, d� na mesma. - Dezesseis anos.

- Ent�o, vamos brindar. - � isso a�!

- A mim, � minha paci�ncia. - N�o!

N�o, � para ter orgulho!

E as garotas? Olhe s� para elas!

Que maravilha... Eu te amo, Betina Lafourcade.

Tamb�m te amo, Dr. Tripicchio.

Contamos a eles?

- N�o, n�o. - Ora, vamos.

- N�o, meu amor. - O que tem?

- O qu�? O que se passa? - Vamos fazer um brinde.

Outro brinde.

- Ao que brindamos agora? - Aos nossos anos de amizade...

e para que n�o haja segredos entre n�s?

- Pare com isso. - H� segredos entre n�s?

Sim, n�s temos um segredinho.

- Que segredinho? - Muito bonito.

Quanto mist�rio. Que segredo?

Est� gr�vida?

Oh, n�o, por favor! E outra coisa.

- Est� b�bada. - N�o estou.

- Est�, sim. - N�o estou b�bada!

- Emi, venha comigo ao toalete. - Est� bem.

- Que sa�de, Betina. - Quieto, bobo! Venha.

L� v�o elas!

Cuidado com o que diz, Beti.

Quando subi ao palco...

lembrei de nossas conquistas dos �ltimos dez anos...

e quase chorei. Faltou muito pouco.

Teve um branco e esqueceu de me citar, certo?

- O qu�? - N�o citou meu nome.

Era tudo " eu", " minha gente".

- Pe�o desculpas. - Eu sou sua gente.

- Fa�o parte da sua equipe? - Sabe o que houve comigo?

Subi ao palco, olhei para as pessoas...

- e fiquei perturbado. - N�o � a primeira vez.

- J� conversamos sobre isso. - Quando?

Cada vez que somos homenageados, que nos d�o um pr�mio...

- quando vem gente de fora. - Mentira.

Minha cl�nica, meu pessoal... Sou seu assistente ou s�cio?

Eu te adoro, voc� � meu amigo. Desculpe.

Estou dizendo, mudou minha vida!

A gente se diverte.

� uma vida diferente, � outra coisa.

A primeira vez � dif�cil, voc� acha que n�o vai conseguir.

Depois, n�o quer parar. Parece a coisa mais natural do mundo.

� preciso um mandado para tirar voc�.

E desde quando?

Faz tr�s anos.

� outra coisa!

Tr�s anos?

Ah, ent�o, n�o � uma coisa passageira.

� algo...

Conte para o Diego. Seria legal.

Venha, me d� um abra�o.

Eu te adoro!

Mantenha-se � direita.

Reduza a velocidade.

- Zona de radar. - O que voc� tem?

- Recalculando. - Nada.

Nada? Est� calada. Est� se sentindo bem?

- Vire � direita. - Sim. S� estou perdida.

S� isso. N�o sei onde estou.

Mantenha-se � direita.

- Recalculando. - Fique tranquila.

Calma. Respire e exale, vai por mim.

Assim, tr�s vezes. Respire e exale.

Assopre tr�s vezes. Fa�a cara de tonta.

Oh, baixei o outro vidro.

O ve�culo parou.

- Ol�. - Boa noite.

Estamos medindo a gradua��o alco�lica. N�o vai demorar.

- Bebeu alguma coisa? - Pouco.

Uma comemora��o profissional com amigos.

Trabalha na TV?

- Sim. - Venha c�, Liliana.

Segure, por favor.

Venha.

Abra. Quem � ela?

N�o sei.

- Coloco aqui? - Sim, isso mesmo.

Como n�o sabe? � a mo�a da TV.

A Pastorutti.

- N�o, Liliana. - Soledad Pastorutti!

N�o, � a mo�a do tempo.

Ponha na boca. Assopre quando eu falar.

Sim, claro, a garota do tempo!

Pronto. J� vou dar o resultado. Com licen�a.

N�o leve a mal o que vou dizer. Parece ser muito simp�tica...

mas cada vez que diz que vai fazer tempo bom...

levo um guarda-chuva por via das d�vidas.

Eu me pergunto se estudou para fazer esses progn�sticos.

- Sim. - � mesmo? Tudo bem.

M�s not�cias. O limite � 0,5 e acusou 1,3.

- Ela n�o bebeu tanto assim. - V�o ter que sair do ve�culo.

Ou�a, eu sou m�dico.

- Por favor, eu imploro. - Sa�mos de uma comemora��o...

Infelizmente, � a lei...

Por favor, n�o me comprometa. Tem uma c�mera logo acima.

Por favor, doutor, guarde isso.

Certo, dirijo eu.

Se fizer o teste e der negativo, pode dirigir sem problemas.

Tem que colocar aqui.

- Sim, pronto. - Com licen�a.

- Tudo bem. - Agora sim.

- Posso agora? - Sim, pode assoprar.

Pronto. Com licen�a.

- Lamento, doutor. Deu 2,3. - N�o pode ser!

� a primeira que vemos algu�m com 2,3.

- Isso n�o est� funcionando. - Deixa pra l�, Diego.

Pode me acordar �s 6h45? Ou melhor, me acorde �s 7h45.

Venha c�. O que disse para a Em�lia?

Viu s� a cara dela? Estava p�lida, n�o?

Eu disse que n�o havia clima.

- Por que n�o me impediu? - Est� me gozando?

Combinamos que �amos contar. O que houve, se arrependeu?

N�o acho uma boa para eles.

Mas voc� est� cada vez melhor.

J� que vamos comemorar nosso anivers�rio...

por que n�o nos casamos?

Muito pouco tentadora esta sua oferta, doutor do cora��o.

Betina, quer se casar comigo?

Ter filhos? Viver na Patag�nia? Cultivar morangos?

Morangos, sim.

Patag�nia e casamento, talvez.

Mas o resto, n�o.

Mais forte, animal!

Querido.

Meu amor.

Diego.

Diego, est� dormindo?

Est� dormindo?

Estava at� agora. Por qu�?

N�o consigo dormir.

O que foi, n�o se sente bem?

N�o. N�o paro de pensar no que ela me contou.

- O qu�? Quem? - Betina.

O que Betina te contou?

Algo que ela faz com Ricardo.

N�o seja t�o misteriosa. O que fazem?

Eles s�o swingers.

O qu�?

Est� de fogo, Em�lia.

- N�o. - Como pode ser?

Betina me contou muitas coisas no toalete.

O que ela te contou?

Coisa que eles fazem.

V�o a lugares, festas, e fazem com outras pessoas.

Deitam lado a lado e olham um ao outro fazendo.

Eles se olham, se tocam, se chupam.

A Betina chupa? Tomou duas ta�as e diz qualquer asneira.

Estava zombando.

Disse que fazem com gente bacana, bonita.

Que dev�amos ir, para aproveitar melhor a vida.

Por favor, Em�lia, conhe�o o Ricardo h� 15 anos.

N�o saberia que s�o swingers? Tenho de levantar muito cedo.

Deixe-me dormir. Eu te amo.

At� amanh�.

- O que � isso? - Um pr�mio que ganhei ontem.

- Quer p�r no quarto? Eu te dou. - Para que quero isso no quarto?

Por que me responde assim? Tudo bem.

Pode acalmar seu filho? Parece que levantou de mau humor.

Precisa ir, Lucas. A viagem � mais longa agora.

Voc�s se embebedam e eu tenho que sair �s 7h.

N�o nos embebedamos. Retiveram o carro por causa de um teste...

Sem explica��es. Vai!

- Voc� n�o tomou banho. - O qu�?

- Luqui. - Eu tomei banho!

N�o, s� molhou o cabelo, assim. Eu te conhe�o.

- Anda, Lucas. - Diga a ele para tomar banho.

- Tome um banho. - N�o tenho autoridade mesmo.

Sem risadas, por favor.

E o beijo?

N�o sei o que h� com ele. N�o consigo educ�-lo.

Ai, que dor de cabe�a!

S� penso no que houve ontem.

Eu tamb�m. Foi uma idiotice. N�o se deve dirigir alcoolizado.

S� tomamos s� uns tragos e somos parados?

N�o se aborre�a.

Falava da confiss�o de Betina no toalete...

sobre Ricardo e ela.

� inven��o da Betina. Vai acreditar? Falou de goza��o.

N�o, estava falando s�rio.

N�o sabia o que dizer a ela. Fiquei petrificada.

E pareciam estar muito bem. S�o apaixonados, unidos.

Sua ingenuidade me surpreende. Acha que s�o unidos?

N�o conhece a Betina? E o Ricardo, ent�o?

Eles gostam de se mostrar.

N�o est�o bem? Tenha d�!

N�o falei isso. Est�o normal. Igual a n�s, e muitos outros.

Muitos casais se exibem para que os outros fiquem comentando.

- Ao menos t�m projetos juntos. - Tamb�m fazemos coisas juntos.

- O que fazemos juntos? - Quer dizer, separados?

Falo s�rio, � uma pergunta simples.

- Responda. - O qu�?

O que voc� e eu fazemos juntos?

N�o sei o que responder. E uma pergunta ampla.

� que basicamente seguimos uma agenda.

Quarta ou quinta, cinema.

Sexta, sa�mos com os amigos. S�bado e feriados, transamos.

- Aos domingos, com a fam�lia. - Ou seja, mudou de assunto.

Tudo isso, para dizer que n�o transamos, certo?

N�o. Tamb�m estou falando de sexo, mas � mais do que isso.

Agrade�a que h� muitos feriados neste pa�s.

Significa que fazemos com frequ�ncia.

- Estou falando s�rio. - Eu tamb�m estou.

Temos problemas sexuais agora, � isso?

Fiquei sabendo agora que temos problemas sexuais.

- Por que se zanga? - N�o era minha inten��o.

Queria come�ar bem o dia. Tenho um trabalho dif�cil hoje.

- Vou tomar banho. - Certo.

Andei pensando numa coisa que me falou ontem.

Ela disse que fazem com gente bacana e bonita.

O que significa isso? Responda. E n�s, o que somos?

Os primos feios do interior? N�o somos bacanas?

O que � ser bacana neste pa�s?

Defina a palavra " bacana". Voc� � bacana? Quem � bacana?

O que significa a palavra " bacana"?

Como se faz para ser bacana?

Isso me d� no saco! Bacana, pois sim!

� m�e que o pariu!

S� NOT�CIAS

Ol�. Eu sou Em�lia Sanguinetti, trazendo a previs�o do tempo.

Not�cias n�o muito boas.

Alerta meteorol�gico para metade do pa�s.

S�o 13 as prov�ncias para as quais...

o Servi�o Meteorol�gico Nacional prev� chuvas...

e tempestades que podem provocar queda de granizo...

e fortes descargas el�tricas.

Tomemos precau��es como deixar o carro na garagem...

ou renovar o seguro e esperemos o tempo melhorar.

Passe uma compressa.

- O que voc� tem? - Nada.

A verdade � que nos conhecemos h� 15 anos...

e n�o gostei do que Betina contou ou inventou para a Em�lia ontem.

Foi de muito mau gosto.

- Acontece que essa hist�ria... - Que hist�ria?

- � verdade? - N�o sei do que est� falando.

� verdade o que Betina contou para Em�lia?

Que voc�s dois s�o swingers?

- � verdade. - Mesmo? Voc� � idiota?

Fico sabendo pela Em�lia no caf� da manh�!

- Por que n�o me contou? - Bem...

Outro dia, disse que �ramos amigos e...

Tudo bem, desculpe. Devia ter contado. N�o tive ocasi�o.

Voc� � muito conservador. Isso � �ntimo.

Voc� me conta o que faz com a Em�lia?

� diferente. Fa�o com ela o que fazem todos os casais.

- � a mesma coisa? - Esque�a.

Foi tolice da Betina. Est�vamos meio de fogo.

Depois ligo para a Em�lia...

N�o ligue! Tivemos uma noite de merda.

Em�lia se sentiu muito invadida por Betina.

Eu pe�o desculpas a ela em seu nome.

Depois quero que me conte como se meteram numa roubada dessas.

� preciso estar louco para fazer isso.

Posso contar se quiser, mas n�o � uma roubada.

Por favor, conte. Quando come�ou? Quem te iniciou?

- H� quanto tempo faz isso? - Voc� me conhece.

Eu sou sexualmente inquieto, insaci�vel.

E encontrei essa maneira de canalizar que � sensacional.

� sadia, honesta, sem trai��es. N�o h� mentiras, percebe?

� tudo � luz do dia. Algu�m te agrada, vai l� e pimba!

Curtiu outra pessoa... pimba!

E voc� envolve sua esposa. Ela fica envolvida.

� uma festa. D� para imaginar? E lindo!

Na monogamia, � preciso ser criativo de algum modo.

- Como voc�s fazem? - Como assim?

Com o desejo sexual. Como lidam com isso?

Bem, n�s temos amor.

A gente...

Falamos depois, vou me atrasar para o dentista.

Quando diz que adoraria fazer com a gente...

na verdade, est� se referindo ao Diego.

N�o. Com voc�s!

Bem, nesse caso Diego seria...

- Com voc�! - Com voc�, Diego...

e Ricardo.

Isso tamb�m envolve mulher. E a�, estou fora.

Voc� � divina, Beti. N�o me leve a mal, mas n�o � a minha praia.

- H� quanto tempo nos conhecemos? - Muito tempo.

Gosto de homem tanto quanto voc�.

Isso � outra coisa. Uma coisa mais profunda...

mais �ntima.

� algo que envolve, duas, quatro, seis, oito pessoas.

Geralmente, n�meros pares.

Voc� divide seu par com outros.

D� prazer, carinho.

Voc� desfruta, s� isso, nada mais.

Veja s� como se animaram em embarcar nessa.

E funciona para voc�s. Est� na cara.

Para embarcar nessa, como diz voc�...

� preciso estar bem com seu par, sen�o...

Sim, claro!

Portanto, sossega e esque�a tudo isso.

O que acha?

A mim, diverte.

- E o Lucas? - Na casa de Matu. Vai dormir l�.

- Tudo bem? - Sim.

- Est� cheirando a �lcool. - Tomei uns tragos...

- com Betina. - Devagar...

fiz tratamento de canal e n�o sinto nada.

Est� muito inchado?

Agora n�o, por favor. N�o.

N�o d�, n�o estou sentindo...

N�o me fa�a transar, por favor!

� que n�o...

Emi, n�o!

N�o se preocupe, eu fa�o tudo. Voc� s� precisa relaxar.

- N�o fa�a isso. - Calma, meu amor.

- Eu sei, mas sempre... - Onde est� o cirurgi�o?

Andei pensando.

Acho que deveria se informar mais...

com Ricardo sobre como funciona a coisa.

O qu�?

Betina me disse que se deve fazer...

quando se est� bem. Acho que � o contr�rio.

Falou para experimentarmos...

Acho que n�o entendi direito. Experimentar o qu�?

Por que me olha assim? Tentar ser swingers?

Ficou louca? Estamos t�o mal assim?

Estamos bem? Venho de noite, excitada e estamos sozinhos.

Fa�o carinho, beijo, tento te chupar...

- Eu estava anestesiado, Em�lia. - Anestesia geral?

O que h� com voc�? Da noite para o dia...

se transforma em Alessandra Rampolla, a rainha do sexo?

Por causa de uma confiss�o de Betina embriagada.

Vamos ser sinceros, Betina � uma alco�latra.

De repente, voc� vem cheia de questionamentos.

Sente que n�o viveu a vida. Sejamos adultos.

Sim, percebi que estava adormecida.

E quero despertar. Vamos despertar!

Est� me dizendo que para salvar nosso casamento...

temos que transar com nossos melhores amigos? E isso?

Que rude! Eu falei isso?

- N�o aborre�a, Em�lia. - Apenas pergunte.

- N�o me aborre�a. - E para se informar. S� isso.

- Como � essa coisa de swing? - N�o � swing...

- � interc�mbio de casais. - D� na mesma. Conte, quero saber.

Esque�a, n�o � para voc�.

Estou falando por mim, n�o por Em�lia. Conte.

S� vou dizer que o relacionamento precisa estar bom.

Est� �timo. Quem te disse o contr�rio?

Tudo bem. S� vou dizer que...

- isso n�o � para voc�. - Sim, mas...

- A sala de cirurgia est� pronta. - Estamos indo.

Estamos muito bem. N�o entendi a observa��o.

Respira��o passiva.

Tesoura.

Como � o ambiente, onde se passa?

Quem come�a? O que se deve dizer?

Como seria? Para eu entender.

Betina e eu. Em�lia e voc�. Ricardo, olhe para mim.

Como seria?

Eu e Betina.

Voc� e Em�lia.

- � mais ou menos assim? - �.

Em lugares diferentes?

N�o.

- No mesmo lugar? - Sim, claro.

Tesoura, por favor.

Voc� me v� e eu te vejo.

Sim, esse � o esp�rito.

Pode ser um ensaio?

Como assim?

Falo s�rio. Vestidos.

- O que acha? - Para com isso, Diego.

Ele quer fazer um ensaio!

Na escola, pais e filhos est�o atuando em uma pe�a escolar.

Lucas deve interpretar Moreno... Mariano.

Bem, vamos fechar. Fa�a um eletrocardiograma.

Saiba que o que voc�s fazem � coisa de gente insatisfeita.

- Isso n�o traz harmonia. - Eu pedi a sua opini�o?

Estou dizendo porque acho...

Voc� perguntou, e agora me d� li��es de vida?

N�o estou dando nenhuma li��o de vida.

J� falei que � um costume lindo, milenar, honesto.

Pode deixar seu celular em casa sem se preocupar com sua esposa?

- E quem pode? - Eu posso.

- N�o pode. - Claro que posso.

Vou explicar exatamente como �. H� duas regras b�sicas.

Temos que estar todos sob o mesmo teto...

e plenamente de acordo. Sen�o, n�o � poss�vel.

Voc� curte a Betina?

- Voc� curte a Em�lia? - Sim, bastante.

Eu penso nela.

- Ah, pensa nela. Veja s�. - Sim. Voc� curte a Betina?

� uma mulher bem agrad�vel.

E voc� transaria com a mulher agrad�vel?

- Ficou louco? - Transaria ou n�o?

Suponha que seja solteiro, conhe�a Betina...

e ela te agrada, transaria com ela?

Do que est� rindo? N�o, nem de fogo.

- Espere. Que tal um ensaio? - Voc� insiste com isso!

A Em�lia est� me atormentando.

Ela est� curiosa, pergunta o tempo todo.

Por favor. � uma maneira de eu abordar o tema...

sem me comprometer em demasia. E poss�vel?

Bem, anivers�rio de Pablito Martel.

Um amigo que sempre quis conhecer voc�s.

Na festa, vai ter gente que faz isso.

Posso perguntar a ele se podem ir. E nesta sexta.

Nesta sexta? N�o, eu preciso...

Levem para a Unidade Coron�ria. Eu j� vou!

Bem, eu chego. E a�? Costuma ter drogas?

O qu�? Est� me gozando?

N�o! Quero saber se posso ir com a Em�lia.

Tem que ir com a Em�lia! E para casais, Diego.

� gente igual a n�s, tranquila.

N�o s�o iguais a n�s.

Venha conferir. S�o sossegados, respeitosos, divertidos.

� o �nico lugar que basta dizer " n�o".

Voc� diz " n�o", e pronto. Sabe dizer " n�o"?

- Sim, claro. - Bem, vai ser legal.

Leve vaselina por via das d�vidas.

Boa noite.

- Boa noite. - Para a casa de quem v�o?

Pablo Martel, lote 332.

O carro parou.

Casa de Martel.

Se a coisa ficar esquisita, se algo n�o nos agradar...

- Esquisita, como? - Se n�o gostarmos de algo...

O que foi?

Eu digo a palavra " suspeito" e olho fixo para voc�.

Se eu disser " que suspeito", no meio de uma conversa...

voc� pega a sua bolsa e vamos embora.

Olha s�! O que � isso?

- Aqui! - Parece que � ali.

Deve ser o amigo de Ricardo.

Veja, � o Topo Giggio!

Aqui! Muito bem!

- Recalculando. - Bem-vindos!

- Cuide bem dele. - Ol�!

Bem-vindos! Que satisfa��o!

- Tudo bem? - Gente nova!

- Ol�. Tudo bem? - Feliz anivers�rio!

Bem-vindo! Como vai?

Gente nova! Isso � �timo!

- Feliz anivers�rio! - Muito obrigado.

- Chegamos muito cedo? - N�o. Est�o todos na piscina.

Trouxeram os trajes de banho?

- N�o, n�o sab�amos. - N�o sab�amos. Que suspeito.

N�o tem problema. O que voc�s precisarem...

eu tenho. Absolutamente tudo.

- Maravilha! Que bom. - Tudo bem. N�o vamos entrar.

- Aproveitem. Vamos! - Em�lia, venha c�.

Agrade�o a presen�a de voc�s.

� muita considera��o virem ao meu anivers�rio.

� algo realmente especial...

ter a chance de apresent�-los a grandes amigos.

Monica e Cesar.

- Ol�. - Minha namorada, Francis.

- Ol�, como vai? - Bem, e voc�?

Bebem alguma coisa?

- Eu quero um pisco sour. - Perfeitamente.

- Champanhe. - Muito bem!

- Betina e Ricardo? - Est�o na piscina.

- Ah, sim? - �.

N�o vai entrar na piscina, tirar a roupa?

N�o, estou com otite.

Ah, como as crian�as.

Um especial para voc�, Em�lia.

- Obrigada. - Champanhe.

Desculpe, amor, vou lev�-los. Por favor.

Estou ansioso para que conhe�am gente divina.

- Claro. - Venham comigo.

Quero dizer uma coisa a voc�s.

Aceitem como um conselho de quem entende.

O ideal � que n�o se sintam pressionados.

Tratem de deixar fluir esse novo canal...

para que possam sentir sensa��es in�ditas.

- Fui claro? - Acontece que...

- Ricardo! - Que bom que vieram.

- Por que n�o veste um cal��o? - Estou com otite.

Vamos sentar um pouco? Obrigado.

- Solta minha m�o. - Ol�.

- Senta a�. - Sim, j� vamos sentar.

Empreste sua esposa um pouco.

Voc� � muito divertido!

Como vai? Tudo bem?

Com licen�a.

- Ol�, muito prazer. - Como vai?

- Tudo bem? - Sim, tudo bem?

- O que foi, est� nervoso? - N�o, absolutamente.

- Nada de ruim vai te acontecer. - N�o estou nervoso.

Fique calmo. N�o quer tirar a jaqueta?

- Estou com otite. - Sua mulher � uma gra�a.

- � muito mais bonita que na TV. - Sim, � uma �tima pessoa.

E uma grande mulher.

Uma coisa aut�ntica, tem muito a ver comigo...

com meu modo de ser, uma alma g�mea.

E meu marido...

- Sabe qual �? - N�o. Quem � seu marido?

Aquele que est� ali, com Elvira.

Acha que ele vai gostar da sua esposa?

E quem � o marido dessa mulher? Onde est�?

� aquele ali.

Estamos na Argentina, liberte-se.

- Fique tranquilo. - N�o, n�o...

Eu estou tranquilo. De verdade.

Emily, aqui tem todo o tipo de gente.

Advogados, engenheiros, arquitetos, muito arquiteto.

Um secret�rio-geral de um sindicato, cr�ticos de cinema.

Pode encontrar qualquer coisa.

Aqui realmente � onde se v� a utopia socialista.

Est� aqui, � palp�vel.

- N�o, n�o. - Voc� est� tenso.

- N�o, estou � vontade. - Voc� � lindo!

Obrigado. N�o, pare.

Em�lia, suspeito!

Em�lia, suspeito!

N�o importa ser gordo ou magro, ter pinto pequeno ou grande...

ser velho ou peludo. Nada disso importa.

O meu � particularmente enorme.

E n�o vou ficar exibindo por a�. Veja.

N�o precisa mostrar.

Humildade � igualdade.

O que eu ganho mostrando a outro o pau que tenho...

Muita conversa aqui. Vou roubar ela de voc�, Pablo.

- Beti! - Que bom que voc�s vieram!

- Sim. - Est� se divertindo?

- Demais! - Fico feliz que estejam aqui.

Se toparem, queremos ter a honra de sermos os primeiros.

Brincadeira!

- Viu como o Pablo � simp�tico? - Sim, � divino.

Sim, ele � generoso.

Generoso com o seu corpo.

- Tem motivo. - Sim.

- J� esteve com ele? - Sim.

Nota dez.

Sexy, suave, com movimentos sensuais.

Faz voc� se sentir bem. Ele � um gladiador.

Preste aten��o. Se ele mexer a cabe�a assim...

- voc� faz assim. - Vamos dan�ar!

Dan�ar!

- � este aqui. - Ol�. J� fomos apresentados.

- Ah, �? - Sim.

- Bem, vou deix�-los a s�s. - Tchau.

E a�?

O qu�?

- Est� se divertindo? - Sim, muito.

Bela casa, bem constru�da.

O que foi?

- Faz tempo que est� com Pablo? - Sim, muito tempo.

Quase tr�s meses.

� um especialista em integrar pessoas.

Eu curto ele. E voc�?

� que eu gosto de homens assim, mais velhos.

- Bem... - O que foi?

- Com licen�a. - Aonde voc� vai?

- Ao banheiro. - N�o.

- Estou com vontade. - N�o! Vou te prender aqui.

N�o, deixe-me passar.

Vai ter que pagar ped�gio se quiser passar.

- Vamos l�! - N�o, eu realmente...

Bem, com licen�a.

Perd�o.

- Ol�. Perd�o. - Venha!

- Com licen�a. - Por favor, o banheiro?

- Por ali. - Obrigado.

Pare.

O que fa�o?

Fico ou vou embora?

Acontece que estou mijando.

Quer ajuda?

- Voc� viu minha mulher? - Aqui n�o tem minha ou sua.

Pare de me seguir.

- Que tal eu? - Ou eu?

N�o se desespere.

Em�lia!

Suspeito, Em�lia.

Em�lia, suspeito.

Em�lia!

Em�lia!

Venha, Em�lia. Ficou louca?

- Acha que sou idiota? - O que foi?

O que diabos est� fazendo? Acha que sou imbecil?

- Est�o passando a m�o em voc�. - N�o!

- Querem te comer. - O que houve? Algo te aborreceu?

Malditos swingers! Eu gritei "suspeito" umas 30 vezes!

- N�o me ouviu? - Nunca ri tanto na vida.

Que festa!

Sabe o que eu queria? Fazer uma coisa bem louca.

N�o, pare! Quer fazer uma coisa louca?

Vamos pegar a estrada na contram�o.

- Ver� a emo��o que vai sentir. - Venha, doutor.

Preciso de uma cirurgia.

Cirurgia vou fazer naquele gordo de merda...

para parar de comer. Ele e seu anivers�rio!

Como te bolinava a garota, hein?

Eu curti te ver. Voc� gostou?

Aquele gordo nojento. O que ele te mostrou?

- Que gente ordin�ria, vulgar. - N�o, foi uma festa legal.

Juro que nunca me senti t�o mal.

N�o, foi �timo. Eu teria ficado.

A essa hora, devem estar fazendo espetinho humano.

Sabe que eu senti uma coisa?

- O que sentiu? - Sei l�, tive...

fantasias.

Senti vontade de fazermos coisas novas.

Coisas novas? O qu�?

N�o sei. Troca de casais, por exemplo.

Troca de casais � coisa dos anos 70. Est� ultrapassado.

Entre outras coisas.

Que coisas? N�o entendo.

Voc� n�o tem fantasias, querido?

Claro que sim. Quem n�o as tem?

Diga uma.

N�o consigo pensar em uma agora.

Queria ver voc� com outra mulher.

E gostaria de praticar jogos sexuais.

Fingir que n�o nos conhecemos, que nos encontramos em um bar.

Sou Candy, uma vadia, voc� me leva a um hotel...

transa comigo, paga e se manda.

Agora conte voc�.

- O qu�? - Uma fantasia sua.

J� falei que...

n�o tenho uma fantasia na cabe�a neste momento.

Como pode n�o ter fantasias?

N�o tenho uma que fique me martelando a cabe�a.

- Bem, conte uma. - N�o quero falar de fantasias.

- Conte agora, n�o importa. - Nada de fantasias agora.

Por que n�o quer contar? Conte.

- N�o quero. - Quero que me conte.

N�o est� entendendo que eu n�o quero?

N�o gosto que me pressione.

Desde a festa que voc� est�... D� um tempo!

Como assim, " d� um tempo"? Com quem eu vou falar?

Fale comigo.

Com quem vou falar? Com minha m�e?

Eu tenho impulsos, fantasias, desejos, sonhos.

E quero falar disso com meu marido.

Pode falar, mas n�o determine um assunto.

Eu me esfor�o, mas com voc�, � imposs�vel.

O que � t�o dif�cil comigo? Diga.

N�o deixo voc� falar? Fale.

Voc� me entendeu. Ficamos a� e...

Seja clara, sem mist�rios. Fale de uma vez.

Voc� sabe. J� tentei v�rias vezes e voc� n�o quer:

- " N�o, n�o, n�o!" - O que �, " n�o, n�o, n�o"?

- N�o me obrigue a dizer. - Diga, o que �?

Quero enfiar o dedo no seu rabo!

E a�?

Preciso pensar.

A espessa ponte de gelo que havia se formado...

nos �ltimos dias sobre o Lago Argentino...

rompeu-se durante a madrugada entre as 3h30 e 4h da manh�...

durante uma forte tempestade de ventos.

Ao norte do pa�s, em compensa��o...

N�o, foi dif�cil para mim armar tudo isso.

J� expliquei outro dia que para mim � muito...

Falando os dois ao mesmo tempo, fica dif�cil.

Perd�o?

Desculpe, eu ligo daqui a pouco. Obrigado, tchau.

- Quem era? - Ningu�m.

Sua sa�da da festa outro dia foi sensacional. Todos comentaram.

� o problema de quem faz swing, s�o muito fofoqueiros.

Mas Em�lia estava � vontade.

Engajada, feliz. Al�m disso, estava linda.

Por que quis ir embora?

Chega uma hora na festa em que voc� vai embora.

Viu s� esta revista?

De manh�, eu estava folheando, e vi um artigo muito legal...

e interessante de um sujeito que tem uma cl�nica.

" Minha cl�nica est� � altura das melhores do mundo. "

Outra vez com essa hist�ria?

Explique, assim fico sabendo se sou seu s�cio...

seu empregado ou s� um cont�nuo. Diga, assim eu me posiciono.

� espantoso como distorcem as palavras.

Por exemplo, isto eu n�o disse.

N�o dou mais entrevistas, causa mal-estar entre a gente.

Melhor, pois como assina os cheques, pode se achar o dono.

Assine voc� agora. Eu o fazia porque pensei que n�o gostasse.

Com licen�a. Ol�.

- O que faz aqui? - Oi, amor.

Estava de passagem.

Tem um minuto para tomar um caf� comigo?

Est� muito dif�cil dirigir.

Tomo t�xis porque n�o h� onde estacionar.

- Estive com Em�lia hoje. - E mesmo?

Combinamos de jantar os quatro na sexta...

por causa da sua sugest�o de um ensaio.

Se � para fazer o de sempre, conte comigo.

Se for aquela outra coisa, nada feito.

Diego...

segundo a Em�lia, o casamento de voc�s atravessa uma crise.

Muita rotina e coisas n�o ditas.

- Est� dif�cil despertar o desejo. - N�o � verdade.

- Precisam de uma mudan�a. - Pelo contr�rio.

A Em�lia, ao menos, precisa.

Ela est�... decidida.

Ah, �? Veja s� que bom.

Ou�a, eu sempre te achei lindo.

E me imaginei muitas vezes te dando um beijo.

Eu comento isso com o Ricardo.

Agora me diga...

por que voc� n�o quer?

- Est�o sob efeito de rem�dio? - N�o.

Parece que eu sou o diferente. Eu sou o doente.

N�o quero transar com voc�s e quem deve se desculpar sou eu.

- � o mundo de ponta-cabe�a! - D� a m�o.

Anda, n�o vou fazer nada.

O que sente?

Nada, � a m�o de uma amiga. O que iria sentir?

E agora?

- Nada. - Feche os olhos.

- E agora, o que sente? - Nada.

- Nada, nada. - E a�?

N�o sinto nada.

E agora, o que sente?

E a�?

J� chega, Betina. Basta!

Diego, o Ricardo quer, a Em�lia quer, eu quero. Pronto.

Supere seus preconceitos. Viaje. Deixe-se levar por suas emo��es.

Est� tudo bem.

N�o era seu amigo?

- Sim, mas ele enche o saco. - Como assim?

Voc� o conhece, � um pentelho.

- Eu tamb�m te conhe�o. - E da�?

Tamb�m conhe�o voc�. O que houve?

- Nada, ele come�ou a encher... - Ol�.

- Oi, meu amor. - Tudo bem?

Nem me esperou? Posso ir a uma pizzaria.

Voc� disse que chegaria �s 8h, s�o 9h30. O que houve?

Eu me demorei com Betina.

Ah, Betina!

Por que essa surpresa? Foi voc� que a mandou falar comigo.

N�o esperava que fosse t�o r�pida.

Voc� sabe que ela n�o perde tempo.

Tinha muita vontade de falar, contou coisas interessantes.

Sabe o que ela me disse?

- Que voc� est� decidida. � isso? - Decidida a qu�?

A fazer uma viagem.

Uma viagem...

Vamos � Disney?

Um pouco mais longe.

N�o, somos s� eu e seu pai. Uma escapada.

Ou seja, vou ter que ficar com a velha que arrota e peida.

A velha diz exatamente o mesmo de voc�.

Quase arrancou a dentadura dela peidando.

- Que velha mentirosa. - Deixe-nos um pouco a s�s.

- Leve os talheres. - N�o, deixe.

- Lucas, volte mais tarde! - Vou ver pornografia!

Como fala assim comigo na frente do menino?

Falou que decidiu fazer swing.

N�o falei isso. Decidi me sentir bem...

me divertir. A praticar um pouco...

e, por acaso, quero fazer com voc�.

Mas tudo bem se n�o quiser, eu fa�o sozinha.

Ficou claro que � um teste?

- Sim. - N�o, diga com convic��o.

- Ficou clar�ssimo. - Certo, perfeito.

E esse perfume?

Feromen. � novo. N�o gosta?

Adoro. Estou surpresa, nunca usa perfume.

Est� atra�da por Ricardo, por isso armou a coisa toda.

- Pode falar. - N�o seja tonto, Diego!

Poderia ter transado com Ricardo mil vezes sem toda essa arma��o.

Agora se entregou! Quando quis transar com ele?

Quem tomou a iniciativa? Foi no Natal? Responda!

Voc� est� paran�ico, meu amor.

- J� falei que fa�o isso por n�s. - Quer fazer algo por n�s?

Fa�a uma bela torta e ficarei feliz.

- Ol�! - Oi! Entrem.

- Sejam bem-vindos. - Obrigada.

- Como vai, Betina? - Ol�.

- Feromen. - Sim.

- Esse perfume me excita. - E bom, n�o?

- Perfeito. Entrem. - Com licen�a.

- E Ricardo? - Na cozinha.

Eu entrego a ele.

- Foi dif�cil chegar? - Nem um pouco.

Oi, como vai? Que cheiro bom!

- Querido. - Trouxe sorvete. Onde ponho?

Deixe a�. J� vamos colocar no freezer.

- E a�, como vai? - Tudo bem.

Nem sabe o que estou preparando. Sente o cheiro?

- Sim. O que �? - J� vai ver. Bebe algo?

- Nada que tenha muito �lcool. - N�o, a medida certa.

- Que bom que vieram. - Sim.

Sa�de.

- Muito bom. Suave. - Delicioso, n�o?

Ent�o, gosta da Em�lia? Betina, tamb�m? Querem com�-la?

Querem comer minha mulher. Por isso a arma��o.

Confesse.

- Para, Diego. - Diga a verdade.

Calma, Diego. Relaxe.

- Estou calmo. - N�o vamos fazer nada.

Vamos jantar, tomar sorvete e conversar.

E acabou, voc�s v�o para casa.

- Mais nada. - Certo.

Piada de sal�o. Muito boa.

O humor da minha mulher.

Vai viajar por conta da sua cole��o, Beti?

Sim. Ricardo vai a um congresso em M�naco...

e eu vou para Paris e Mil�o com toda a cole��o.

Depois, voltamos juntos.

Legal. Ouviram falar do chin�s...

que se matriculou na faculdade de Direito?

-89 anos. - Sim, que velhinho!

Incr�vel!

Sabe o que � descobrir uma voca��o nessa idade?

Aos 89 anos, que loucura.

- Nunca � tarde. - N�o.

Eu largaria tudo agora.

Medicina, cirurgia. N�o importa.

Abriria um restaurante. Isso sim me faria feliz.

- Voc�s n�o sentem o mesmo? - Sim, com certeza.

Acontece que come�amos tudo muito r�pido.

A profiss�o, a fam�lia, tudo.

Ficaram faltando coisas para experimentar...

erros para cometer, sei l�, vacilos.

Eu fui diferente nesse aspecto.

Eu provei, vacilei. Voltei a provar, me enganei.

Voltei a provar.

Gostei.

- E continua provando. - N�o, j� escolhi.

Escolhi voc�, meus amigos, meu neg�cio.

Agora, estou jogando.

Por falar em neg�cio, n�o querem entrar numa transa��o?

J� estamos numa transa��o.

Quatro hectares em Exaltaci�n de la Cruz.

- Um para�so! - Sim, � espetacular.

- Como �? - � como estar em B�rgamo...

� um peda�o da Toscana em Buenos Aires.

- Fomos l� um dia desses. - Exuberante!

O que h�?

Por que est� de peito nu?

V�o querer a sobremesa?

Sobremesa?

Vou buscar o sorvete. Ponha uma m�sica.

Quer desabotoar a camisa tamb�m, querido?

Suspeito, meu amor. Ou�a o que digo, suspeito.

- Confie em mim, amor. - Sim, tudo bem.

- Eu te amo. - Tamb�m te amo.

- Confie. - Eu confio.

Eu te amo muito.

O que voc� tem?

Viu como canta esse cara?

Desculpe, significa que o ensaio come�ou?

N�o estou entendendo. O ensaio come�ou, Ricardo?

� um ensaio, Ricardo? � isso que n�o entendo.

Ou�a, � um ensaio ou n�o? E isso que n�o estou entendendo.

- Sim ou n�o? - Sim, amor.

Sim?

Olhe.

Veja s� isto.

Chegou a sobremesa, pessoal.

Que del�cia.

- Venha, vamos dan�ar. - Sim.

N�o, tudo bem.

Pare, Betina. Estamos ensaiando.

- � s� um ensaio. - Sim, � um teste.

Dance um pouco, se solta.

Eu estou me soltando. Pare um pouco.

N�o, j� chega. Parem, parem.

J� perguntei quatro vezes se � um ensaio.

Voc� s� balan�a a cabe�a. Sim ou n�o?

Relaxe.

Estou perguntando h� uma hora se � um ensaio.

- Calma, Diego. - Venha, me d� a m�o.

- Calma, amor. - D� a m�o.

Somos amigos, est� tudo bem.

Fique tranquilo.

Est� tudo bem. Venha.

Est� tudo bem.

Est� tudo bem.

Est� tudo bem.

- Relaxe. Est� indo bem. - Mesmo?

- Tudo bem at� aqui? - Com licen�a.

Tudo bem, querido.

Eu te amo.

Beije-a.

- N�o, est� bem assim. - Vamos, beije-a.

- Est� bom assim. - Vamos, pode beijar.

Um beijinho aqui.

N�o, n�o. Tudo bem.

Vamos embora agora.

- Beija com vontade. - Eu j� beijei.

- N�o, beija legal. - J� beijei legal. Vamos.

Olha s� o que � beijar.

Com licen�a.

Em�lia, pare.

- Est� tudo bem. - Eu sei, estamos ensaiando.

- Somos amigos. - Sim, eu sei.

O que foi?

Tudo bem, Betina.

Sinta minha pele.

Isso, assim.

Pega na minha bunda.

J� est� bom para mim.

Vamos l�, pega na minha bunda. Pega firme. Assim!

For�a!

Oh, como voc� � infantil!

N�o estou te sentindo.

Vamos, Diego!

Isso, muito bem.

A�, baby, pe�a o que quiser.

- Quero ir embora. - Relaxe.

Basta se entregar.

- O que h�, est� nervosa? - Um pouco.

� estranho, n�o?

� normal, est� tudo bem.

Olhe para eles. Gosta de ver?

- Estou excitado, Emi. - Sim, eu tamb�m.

- Espere. - O que voc� quer?

� s� pedir, baby.

Pe�a o que quiser.

Estamos ensaiando.

Meu amor!

- Olha s�, voc� gosta? - Que caf� da manh� chique!

Bem, fiz o que pude.

- Com salm�o! - Por favor.

Obrigada.

- Parece delicioso. - Sim, prove.

- Maravilha. - Sa�de.

Eu estou legal.

No come�o, senti muito ci�mes.

Foi como uma punhalada.

No come�o. Depois...

- Depois, n�o. - Eu tampouco!

- N�o senti culpa. - Eu tampouco!

Voc� tinha raz�o, � outro...

Sei l�, � outra coisa.

- A verdade � que... - Oh, querido!

- Quer um caf�? - Sim.

Queria ver a gente sempre assim.

� assim que eu quero.

Foi muito apelativo para mim.

Sabe que venho de uma fam�lia conservadora.

Os costumes s�o um problema.

E me veio � mente a quest�o do relacionamento.

Quer leite? O que � o casal?

O que foi, Emi?

O que voc� tem?

- Eu acho que... - Relaxe.

Fale mais alto.

Acho que cometemos um erro.

N�o fa�a isso comigo, querida. Vai arruinar a minha vida.

Vou me matar se voc� se arrepender.

- N�o. - Vai arruinar minha vida.

- N�o, n�o. - Vai arruinar minha vida.

- N�o me arrependi, n�o. - Vai arruinar a minha vida!

- N�o, meu amor, minha vida. - N�o se arrependa!

N�o, olhe para mim. Eu n�o me arrependi.

E por que est� chorando?

- Foi muito dif�cil para mim. - Eu sei, foi muito intenso.

- Entende o que estou dizendo? - Foi muito intenso.

- A m�e que o pariu! - Oi, Luqui.

- Nem me chamaram para a festa! - Por que entrou dessa maneira?

N�o estava dormindo? Por que levantou t�o cedo?

- � s�bado, tem capoeira. - Ah, sim, claro.

� seu anivers�rio?

N�o, o papai preparou o caf� da manh�.

Ele? Preparou o caf� da manh�?

Luqui!

J� conversamos mil vezes. Do que est� rindo?

- Chega de rir, querido. - Vista-se para tomar o �nibus.

�nibus, uma ova! Voc� vai me levar.

ALGUNS MESES DEPOIS

Apague isso antes que fechem a cl�nica.

Oito horas de opera��o e n�o se pode fumar um charuto?

Tome, fume um.

Faz tempo que n�o fumo. � bom?

- Sim, � bom. - Cheira bem.

Ela quase morreu.

- Tive medo. - Eu tamb�m.

Mas sobreviveu.

Belas tetas, hein?

Maravilhosas.

- Silicone, n�o? - N�o, naturais.

- Tem certeza? - Naturais. Eu as apalpei.

Tudo bem?

Como assim?

Voc� est� legal?

Estou.

E voc�?

Tamb�m.

Filho da m�e.

- O que faremos no fim de semana? - Vamos ao teatro.

Uma vers�o livre de "A Metamorfose". Vai adorar.

Levo uma ou duas almofadas?

Vou me arrastando em busca de alimento.

Vou me arrastando em busca de alimento.

Vou me arrastando...

Que droga de pe�a. Quem te recomendou?

- Voc� n�o entende nada. - Eu n�o entendo?

Deve gostar de luta livre.

� uma met�fora sobre a rotina.

- A� est�! - Estava morrendo de fome.

- Napolitana. - N�o entendeu?

A met�fora...

Sabe qual � a met�fora? Que a pe�a � uma droga.

Comida �tnica � legal. Mas comer esta pizza...

cheia de mussarela com as m�os, � o que h�.

Tudo o que se faz com as m�os...

Est� uma del�cia!

Divina!

Prestem aten��o. Desde que abrimos, h� alguns meses...

Cheguem mais perto, � embara�oso. A nossa filial.

Fa�o terapia uma vez por semana desde que come�amos com isso.

Comecei indo duas vezes por semana.

A cabe�a me explodia.

Meu terapeuta me encorajava. O assunto me deixava em conflito.

Acho que meu terapeuta tamb�m faz swing.

Acho que isso foi uma coisa... muito boa na minha vida...

As duas est�o rindo de mim. N�o falo mais!

- N�o, meu amor. - Estamos prestando aten��o.

N�o, isso para mim � uma coisa muito profunda.

E voc�s sabem disso. Sa�de!

Que legal!

O que vamos fazer esta noite?

Estamos s�s, o que vamos fazer?

- Lucas est� na casa de um amigo. - Sim, estamos sozinhos.

Querem vir jogar buraco em casa?

Velho babaca, deixou a chave na fechadura.

Est� brincando!

Papai!

Papai!

Papai!

Papai!

Em�lia! Acorde, Em�lia! Betina!

� o Lucas... � o Lucas!

Que Lucas?

Seu filho! Est� aqui.

- O que ele faz aqui? - Papai!

Ricardo, o Lucas est� aqui.

- Por favor, Lucas est� aqui. - Meu Deus!

Pode abrir?

Fiquem quietas.

- Papai! - Meu Deus!

O que estamos fazendo aqui?

Lucas chegou com alguns amigos.

- Diga que viemos � piscina. - O qu�? As 7 horas da manh�!

Por que voltou a essa hora?

Uma coisa de cada vez, Em�lia!

- Fique calma. - Papai!

Talvez chame mais algumas vezes e v�o embora.

Tem que atender.

E dizer que estamos os quatro pelados?

- Est� tudo bem. - Como assim?

Prestem aten��o.

Vou distra�-los, e voc�s esperam aqui.

- Esperem aqui! - Sim, vamos esperar.

- Quem �? - Quer abrir?

- O que quer? - Pode abrir a porta?

- O que quer? - Que abra a porta.

N�o ia dormir na casa do Martin?

- Vou explicar. Pode abrir? - Responda o que perguntei.

N�o ia dormir na casa do Martin?

- Eu explico. Pode abrir? - J� vou abrir.

- O que estava fazendo? - Eu estava fazendo coc�!

Estava cagando? Tudo bem.

Quando eu bater palmas, v� para l�.

Entendeu? Olha para minha m�o.

Agora!

Agora!

- Agora! - Relaxe, precisa curtir.

O que devo curtir?

- Voc� tem um filho maravilhoso. - Anda!

- O que foi? - Por que veio a essa hora?

O babaca esqueceu as chaves de casa e...

Que camisa linda. Onde a comprou?

� da Em�lia. De onde voc�s v�m?

Fomos dan�ar e ele nos convidou para o caf�.

Do que est� rindo?

- N�o, nada. - Est� com os olhos vermelhos.

- Andaram fumando? - N�o, � assim mesmo.

N�o devem perder o controle quando saem.

- N�o ria, Lucas. - S� fomos dan�ar, pai.

J� falamos bastante sobre �lcool e drogas.

- A gente se controla. - N�o banque o engra�adinho.

Ol�. Com v�o? Bom dia.

Oi, querido. Tudo bem?

Ol�, China. Trouxeram comida?

Ol�. Eu sou Em�lia Sanguinetti, trazendo a previs�o do tempo.

Semana muito quente, de grande instabilidade...

resultante de um sistema frontal...

que vai se desfazer muito lentamente...

e durar� ao menos at� o final da semana.

O sop� dos Andes ser� a �rea mais afetada...

por fortes tempestades.

Isso � tudo por ora. Aguardo voc�s na pr�xima edi��o.

Minha!

- Fora! - Fora, uma ova!

- V� olhar. Est� cego. - Foi boa.

- Precisa de �culos. - Foi boa.

Est�o muito encrenqueiros hoje.

Tenho certeza, ele estava de costas.

- Match point. - O qu�?

Pena termos de esperar at� meu anivers�rio...

do ano que vem para nos vermos de novo.

Estou sobrecarregado no trabalho.

- Ou�a, Diego. - Talvez outra hora.

- A vida � uma s�. - Eu sei.

- Diego. - O que �?

Voc� j� transou numa praia?

Com os albatrozes voando ao redor, porque detectam o sexo.

� uma vibra��o muito especial. Experimente.

Tudo bem, vou pensar.

Ricardo conhece Portezuelo.

Ah, sim, � muito bonito.

Tenho uma diferen�a com minha namorada, Francis.

Uma diferen�a � algo normal em um relacionamento, n�o?

Acontece que pegamos o carro no fim de semana...

e vamos a Palermo atr�s de uma " garota-garoto".

- Garota ou garoto? - N�o, uma " garota-garoto".

N�o existe isso. Garota ou garoto.

Um travesti. Ou melhor dizendo, um transexual.

Tem um transexual chileno que � uma beleza.

A quest�o � que estava tudo bem...

at� dez dias atr�s... dez ou doze dias atr�s.

Na �ltima quarta-feira, fomos...

fomos comer e ela me disse:

" Pablo, eu n�o vou sossegar...

at� que um travesti te arrombe o rabo. "

Veja como ela � inteligente...

e o argumento que usou para me deixar sem palavras.

Falou assim: " Qual o problema...

se voc� gosta que eu te enfie o dedo no cu...

quando estamos fazendo amor?"

" Qual � a bronca de um homem...

introduzir o p�nis em voc�?"

Bem, tem algo mais gostoso do que...

te enfiarem um dedo no cu quando est� transando?

� uma del�cia.

- N�o me diga que n�o? - N�o.

Ora, vamos!

- Do que est� rindo? - N�o.

Tudo bem, desculpe.

Tenho de concordar? Bem, n�o.

A ponta.

N�o sei.

O que voc�s acham?

Voc� � um pioneiro. Deve ir em frente. Depois nos conta.

Voc� � quem sabe, a bunda � sua.

Como v�o os preparativos para a festa de anivers�rio?

N�o tenho vontade de falar disso hoje.

Coloco uns merengues?

Por qu�? Pode deixar. O que aconteceu?

N�o, ainda n�o.

Nada que n�o tenha acontecido antes.

S� que desta vez me incomoda muito.

- Ah, voc� disse que ainda n�o. - Mas, o que �?

Ricardo est� comendo uma mulher.

- � mesmo? - �.

Ricardo est� tendo um caso.

Como sabe? Voc� viu ou ele te disse?

N�o, n�o me disse. Por isso, eu sei.

- N�o entendo, como assim? - Eu sinto.

Em outras ocasi�es, perguntei e ele admitiu.

Desta vez, tenho certeza que ele est� com outra.

Perguntei, e ele disse que n�o.

Ah, j� aconteceu outras vezes?

Em dez anos, claro que sim.

A fidelidade se baseia em outra coisa.

Nossa rela��o � aberta, mas sei l�.

N�o sei se s�o os dez anos, ou � a festa que se aproxima.

O que vou dizer ao Ricardo? N�o tenho o direito.

Se n�o me sinto legal, deve ser porque estou mais velha.

Parab�ns a voc�

Nesta data querida

Muitas felicidades Muitos anos de vida

A�, Luqui!

Creme e bolo fant�sticos. Voc� � incr�vel.

Por que est� calada? Aconteceu algo?

- N�o. - Voc� n�o diz uma palavra.

Betina e Ricardo contam tudo um ao outro.

- Como assim, " contam tudo"? - Tudo.

Eles t�m uma rela��o aberta.

Bem, n�o acompanho a pol�tica de intimidade do Ricardo.

Por qu�? Betina contou alguma coisa?

N�s temos uma rela��o aberta ou fechada?

O que voc� acha, depois de tudo o que aconteceu?

Ricardo est� transando com outra?

Sabe de alguma coisa?

- N�o. - Eu n�o sei.

N�o comece a revirar os olhos. O que significa isso?

� que Betina...

- Por favor, n�o se envolva. - Certo, tudo bem.

N�o importa a ela, vai importar a voc�?

- Tem raz�o. Vamos dormir. - N�o, espere.

Voc� est� linda.

- � mesmo? - Sim, gosto do seu cabelo.

- Est� com sono? - Um pouco.

Mas se tiver alguma fantasia que queira realizar...

Os �ltimos quatro ingressos. Est� lotado.

Ricardo est� chegando.

- A Em�lia, tamb�m. - �timo.

- Sabia que esse filme...? - Quer um?

- Eu n�o fumo. Nem voc�. - Tem fogo?

- Quando estou nervosa, fumo. - Algum problema?

Nem eu me aguento quando estou assim. Juro que... sei l�...

- A Em�lia n�o te contou nada? - N�o.

Sim ou n�o? E o Ricardo?

- N�o me assuste. O que houve? - Ricardo n�o te contou nada?

- Aconteceu algo que eu n�o sei? - Nada. Detesto me sentir assim.

Banco a livre e moderna e me d� vontade de mandar tudo � merda!

No fundo, sou uma tremenda conservadora.

Quer se acalmar e explicar o que est� havendo?

Quando estou com Ricardo...

fico submissa, idiota, tenho vergonha de mim mesma.

A mulher � gostosa?

- Que mulher? - Responda.

- Ela � gostosa? - N�o sei do que est� falando.

� mais nova que eu? Tem belas tetas?

Quer se acalmar?

- Ol�. - Oi, amor.

- Ol�. - Como vai?

Tudo bem, amor?

Veja, n�o vai acreditar. Venceu o Festival de Cannes.

- Que filme �? - Armageddon 3: Reloaded.

Vamos, j� vai come�ar.

- Deixei uma mensagem. N�o viu? - N�o, n�o vi. No celular?

N�o, Luqui. Foi falta sua!

- Esta � cesta. - Boa bola!

- Voc� est� bem? - N�o.

- O que foi? - Isso n�o est� certo.

Quero cortar, antes que seja tarde.

- O que quer cortar? - Tudo.

- O de n�s quatro e o nosso. - Por que tudo?

Porque me apaixonei.

Penso em voc� o dia todo e...

estou com ci�mes da Betina.

N�o suporto que esteja com outra mulher.

Se cortarmos isso agora, acho que vai ser melhor.

E ningu�m sai magoado, que era a ideia.

Que cagada, n�o?

Por qu�?

� uma cagada. N�o sei o que te dizer.

O que sente por mim?

Eu gosto de voc�, Emi.

Gosto muito. Temos qu�mica, nem preciso dizer.

Temos muita qu�mica.

Mas � a mulher do meu amigo.

E essa � uma barreira que eu me impus desde o come�o...

e nunca quis, e nem quero, ultrapass�-la.

Se n�o existisse essa barreira, aonde chegar�amos?

N�o sei, Emi. N�o fa�o ideia.

Mas a barreira existe. Voc� � esposa de Diego.

Al�m disso, tem outra coisa.

Sou apaixonado pela Betina.

Viu s�? � preciso cortar.

Eu realmente tenho raz�o.

Diminua a velocidade. Zona de radar.

- Seu pneu est� furado. - O qu�?

O carro parou.

Al�. Tudo bem?

Boa tarde... Bom dia. Meu n�mero � 3697198.

- Estou com um pneu furado. - O que faz no meu bairro?

- Com assim, duas horas? - Eu te ajudo.

- N�o se preocupe. - Para que ligar ent�o?

- Voc� � muito malcriada. - Est� esquentando...

com gente que n�o est� nem a�.

- Abra, por favor. - Furou no m�s passado.

Tudo bem, trocamos.

Venha comer um ceviche em casa.

- Acabou de furar um... - Tire da�.

- Como �? - Tire da�.

- S� um instante... - Tem uma cinta el�stica.

�timo. Segure aqui.

- Segura ela um instante. - E que eu...

Enquanto todos os meus colegas do San Andr�s...

queriam ser corredores, adoravam carros de corrida...

eu sempre gostei dos servi�os de suporte.

Os caras que trocavam pneus e coisas assim.

Vou pegar o pneu.

Eu vi o Ricardo.

- Quando? - Agora h� pouco.

Estava no carro com tua esposa. Quase me atropelou.

Com minha esposa?

Que estranho.

Tenho certeza. Quase me atropelou.

Nem me deu aten��o. Que hip�crita.

Agrade�o muito a sua ajuda.

Se n�o fosse por voc�, ia ficar aqui. N�o sei trocar pneu.

- Obrigado. - Eu � que agrade�o.

Na verdade, temos que agradecer um ao outro.

Por qu�?

Nossa conversa no vesti�rio.

Lembra?

Sobre o chileno.

- Tudo bem, n�o precisa explicar. - N�o, eu agrade�o.

Na verdade, eu me livrei de um mito.

Incr�vel.

A penetra��o anal...

� a ponta.

O resto, vai e vem.

Por favor, � um assunto privativo seu.

N�o me encha o saco com isso.

Desculpe, � que me emociona.

Sabe o que � chegar � minha idade...

e voltar a sentir coisas como se fosse um garoto?

Abaixe um pouco o volume, Luqui querido.

Ol�.

- Oi. - Luqui, abaixe o volume.

Que cheiro bom. O que est� preparando?

- Frango ao curry. - Que del�cia.

- Como foi seu dia. - Bom. S� um pouco cansada.

- Por qu�? O que fez? - O de sempre...

s� que com 89% de umidade e essa press�o atmosf�rica.

Sim, mas o que fez?

Nada. Fui comprar verduras para fazer o jantar.

- Ah, sim? - �. E voc�?

Foi um dia tranquilo. S� me aborreci com um pneu furado.

- Ah, sim? - �, nem imagina.

O socorro ia levar duas horas.

Queria morrer, n�o sei trocar pneu.

E a�, do nada, aparece o gordo Martel.

- Ele me salvou. - Pablo Martel.

Trocou o pneu para mim.

De repente, n�o sei se por queda de press�o ou alucina��o...

falou que enquanto andava quase foi atropelado.

E era o Ricardo quem dirigia, tendo ao lado...

uma mulher que era a tua cara.

Est� brincando? Era eu.

Ah, nada a ver com a press�o. Era voc�. Por qu�?

O que h�? Por que a hist�ria da alucina��o?

Bem, eu perguntei e voc� n�o me disse nada.

Mas eu falei que estou ajudando o Ricardo...

a escolher o presente da Betina.

Ah, �?

Sim, eu contei, amor.

- Por que ficou vermelha? - Porque estou cozinhando!

- Ah, �? - �.

- Tudo bem. Quando comemos? - Daqui a uma meia hora.

- Vou me trocar e j� venho. - Certo.

Est� esperando uma liga��o, Diego?

N�o sei.

Da cl�nica, n�o. Sei l�.

- S�o 3h da manh�. - Sim, eu sei.

- Veja quem �. - Deixei o fone na sala.

- V� buscar. Veja quem �. - Quem liga a essa hora?

Filha da m�e!

Quem voc� pensa que �?

Vou arrancar sua pele!

Vou quebrar seus dentes!

Sr. Sanguinetti, � Balbuena, da assist�ncia t�cnica.

Vou te moer de tanta pancada!

Vou acabar com sua vida, com tudo!

Vou destruir sua casa! � melhor desaparecer...

- Quem era? - O cara da assist�ncia t�cnica.

- O que ele queria? - Era sobre uma reposi��o.

- Para quem estava praguejando? - N�o importa, vamos dormir.

- Mas era uma mulher. - N�o, era o t�cnico.

- Vamos dormir. - N�o, quero ouvir. Ligue.

Por favor, s� um instante.

Quer ligar, por favor?

- Voc� ficou louca? - Chifruda eu virei!

- Onde ela est�? - Arrebentou o port�o.

- Custou uma fortuna. - Quero falar com ela.

- S�o 3h30. - Betina!

- Vou te matar! - Calma, Betina.

Pare, Betina!

Parados!

- Pergunte a ele o que houve! - N�o atire, Benito!

- N�o atire! - Est� tudo bem?

Sim, s�o amigos. Amigos!

Est� tudo bem.

Por favor, Lucas est� dormindo.

Vamos nos acalmar. Traga esta louca para dentro.

Calma! N�o v� o que est� fazendo?

- Solta, estou calma! - Ela � louca!

Pode me dizer o que aconteceu? Lucas est� dormindo.

- O que acha que aconteceu? - Estou perguntando.

- Vai falar ou n�o? - Cale-se!

Falo eu?

Lucas est� dormindo.

Est� na minha casa, abaixe a voz. Meu filho est� dormindo.

Esses dois andam transando.

Por isso destruiu o port�o?

Sei que est�o transando, n�s quatro estamos.

Idiota! Eles transam sozinhos, sem a gente, entre eles.

Al�m disso, se apaixonaram.

J� falei que n�o me apaixonei, Betina.

Quem... Quem disse isso?

- N�o entendo. - Espere.

- Quer ver as mensagens? - Est� transando com minha esposa?

Estou falando com voc�. Est� transando com minha esposa?

- Sim ou n�o? - N�o, isto �...

- Sim ou n�o? - Sim, sim, sim.

Um monte de situa��es que derivaram...

Voc� � um merda. Ent�o, transaram sozinhos?

Voc� as deletou, filho da m�e! Foi r�pido.

O que est� fazendo com o meu celular?

Voc� se apaixonou?

Ouvi ele dizer que n�o se apaixonou.

- Voc� se apaixonou por ela? - N�o, n�o me apaixonei.

- Ent�o, me traiu por trair. - N�o te tra�!

Tivemos momentos de intimidade a s�s, s� isso. N�o te tra�.

N�o � preciso fazer um drama, s�rio.

N�o vai dizer nada?

Fica a�, com cara de tonta, s� revirando os olhos.

N�o sabe do que estamos falando, � isso?

N�o vai falar?

Desculpe.

Cometi um erro.

Ou todos n�s, n�o s� eu.

Isso n�o aconteceu por acaso, n�o vamos bancar os inocentes.

Era muito delicado o que...

- est�vamos fazendo... - Vamos l�, sem mais rodeios!

O que voc�s fizeram se chama "chifrar", aqui e na China.

O que para voc� � uma atenuante, para mim � um agravante...

pois nosso pacto de amizade...

era fazermos os quatro juntos, sob o mesmo teto!

E voc� fez merda!

Cagou em tudo, na nossa amizade, no nosso casamento...

e nas regras b�sicas do swing!

- Cale-se, Lucas est� dormindo! - Por favor, Betina.

Quer fazer sua mulher se calar?

Quer se acalmar?

J� relaxou?

E voc�?

- O qu�? - Nenhuma palavra?

- O qu�? - N�o estou surpreso.

Conhe�o seu hist�rico.

- Vamos, para com isso. - Quer que eu fale?

N�o, n�o quero que fale. Do que vai falar?

Cale a boca. N�o sei o que aconteceu.

Mudou da noite para o dia. Agora � virtuosa.

H� um m�s, era a Cicciolina.

Veio � cl�nica para fazer minha cabe�a.

A me encorajar a faz�-lo.

- Mas n�o me apaixonei por voc�. - Nem eu por voc�, idiota.

Eles se apaixonaram, e n�o me chame de idiota.

J� disse que n�o me apaixonei, Betina.

Estou apaixonado por voc�, ponto.

De quais regras estamos falando? Que regras?

Vamos falar das regras, ent�o.

- Falemos um pouco das regras. - Por favor.

Na verdade, eu estou falando de sentimentos.

Temos uma amizade de mais de 11 anos...

temos uma rela��o �ntima, e n�o � t�o estranho se enganar...

confundir-se.

Confundir-se?

Est� bem claro para voc�.

Voc� se apaixonou por ele.

O que n�o pode � mentir, trair, esconder...

- N�o abra a boca. - Pare. N�o banque a puritana.

Estas coisas acontecem o tempo todo no swing.

Voc� se lembra dos Goldemberg?

- Quer me dar aula de swing? - Vive acontecendo.

Calem a boca! Se o Lucas aparecer, me dou um tiro.

- Eu me mato. - Sexo em grupo � genial...

mas se apaixonar � um pecado mortal.

Eu j� esperava por isso.

Est� no mais elementar manual.

Desde o primeiro dia...

eu sabia que ia terminar assim.

Voc�s me encheram a cabe�a, dizendo: " Coragem, vamos l�!"

Agora, fica chorando.

Eu n�o entendo voc�.

S� fica falando de fantasia. Qual era a verdadeira fantasia?

Sabe qual era a sua fantasia? Trair-me com meu melhor amigo.

Voc� � perversa e vagabunda!

Vamos nos acalmar.

Por favor, saia da minha casa.

- Calma. - V� embora.

Cometemos um erro. Acabou. Vamos embora.

- Sim, v� embora. - Vamos, Betina.

- Que confus�o voc� armou. - Quem armou confus�o?

Voc�, veja s� o que aprontou.

Vou embora antes que te quebre a cara...

Agora sim voc� me enfiou o dedo no cu. Est� feliz?

Pare, Diego. Podemos conversar?

Queria a cl�nica no seu nome, agora ela � toda sua.

Tomou minha mulher, fique com a cl�nica...

- os sof�s... - N�o tomei sua mulher.

Pare! N�o me importa os sof�s, a cl�nica...

- Eu fico com os pr�mios. - Pare!

Ei, o que est� fazendo? Suba isso!

N�o. Ei, olhe para mim. Abaixe. E o meu sobrenome.

Podemos conversar?

Perdeu a mem�ria? Levou um golpe na cabe�a?

Lembra quem somos, quem montou esta cl�nica?

- Voc� esqueceu? - N�o, n�o esqueci.

Sempre teve inveja de mim. Todos diziam.

Da minha fam�lia, meu filho, minhas camisas.

O que mais me machuca � que armou tudo isso...

para me magoar, e isso eu n�o vou perdoar.

Pare de bancar a v�tima. Falei que n�o era para voc�.

- Falei ou n�o falei? - N�o tem nada a ver.

Claro que tem. Insistiu com a hist�ria de ensaiar.

N�o sou o �nico culpado. Podia ter falado com sua esposa.

- Voc� � meu amigo! - Sim, eu sou.

- Temos que conversar sobre isso. - Tire a m�o! Falo s�rio, n�o me toque.

Pare com isso! O que h� com voc�?

Pare, seu tolo, sossegue.

Eu sou seu amigo, gosto de voc�.

Solta!

- Gosto de voc�. - N�o gosta.

Gosto, sim. Estou pedindo perd�o.

As coisas sa�ram de controle.

Se vai me perdoar, fa�a isso agora...

mas n�o me castigue mais. Voc� quer se separar?

Podemos conversar? J� falei que foi uma situa��o...

extraordin�ria, que fugiu ao nosso controle.

- " Nosso controle"? - Ao meu controle.

Mas agora, j� est� feito.

N�o vejo nada de extraordin�rio. Foi ordin�rio o que voc� fez.

Como classifica tudo isso? Diga.

Voc� me traiu com meu amigo. N�o vejo outra explica��o.

H� seis meses, n�s quatro brinc�vamos com fogo.

Veja s�. Agora chama a isso de " brincar com fogo".

Voc� sabe que eu nunca quis fazer isso.

Voc�s me obrigaram. Disseram que eu era cag�o se n�o fizesse.

N�o vou bancar a v�tima...

pois ainda cabe uma reflex�o sobre isso.

Eu tamb�m fui respons�vel. N�o sou tolo.

Mas seu discurso sempre foi que era para fortalecer a rela��o.

Foi dif�cil, mas fui em frente.

Mas no fim as coisas mudaram.

Voc� se apaixonou, e tudo mudou para mim.

N�o me apaixonei, eu me confundi.

Eu me confundi, mas n�o me apaixonei.

� voc� que eu amo, e com quem quero ficar.

N�o sei mais o que te dizer.

Acho melhor...

darmos um tempo.

Quero pensar, ver o que sinto.

E desta vez, se n�o se importa, quero decidir eu.

Betina, meu amor! Abra!

Vamos fazer algo legal. Vamos ao cinema!

N�o estou a fim de ir ao cinema.

Vamos l�, querida.

Agora est� exagerando. Eu j� te contei tudo.

Sou uma chifruda!

- Uma chifruda? - Sou e me sinto uma chifruda.

Como assim?

Foi voc� que me ensinou a ter a mente aberta!

Que casamento e fidelidade eram coisas diferentes para n�s.

Babaquices de hippies! Sa�ram de moda.

Ora, Betina, voc� n�o � assim, meu amor.

- Vamos, abra a porta. - Sim, eu sou assim.

Abra a porta. Estou pedindo perd�o.

N�o est� ouvindo? Estou pedindo perd�o.

Abra! Veja como estou chorando. N�o percebe porque chove.

Abra a porta! Quer que eu seja atropelado?

N�o acredito em voc�, Ricardo.

Veja os l�rios que eu te trouxe!

Merda!

Ol�. Sou Em�lia Sanguinetti e, como todos os dias...

trago a previs�o do tempo.

Uma massa de ar frio no pa�s, com fortes ventos...

provocaram tormentas de intensidade variada...

Desde ontem est� assim, Luqui?

- Desde hoje. - Est� com febre?

Um pouco.

Vou te fazer uma massagem.

Estou bem...

N�o banque o macho. Ponha isso de volta.

Sabe que te amo, n�o?

Sei que n�o � f�cil para voc�, para nenhum de n�s.

Quer vir comigo esta noite?

- Amanh�, ou s�bado. - S�bado?

Por que vai embora?

Para come�ar, isso � coisa de adulto.

Acontece. � algo que sua m�e e eu temos que resolver.

A verdade � que n�o estamos nos entendendo.

E nos parece que a melhor solu��o...

� a gente se separar por algum tempo.

Mas saiba que voc�...

nada tem a ver com isso.

Isso � uma coisa entre sua m�e e eu.

N�o estou indo embora por causa dos seus peidos.

N�o sou crian�a, sei que n�o � por um tempo.

Talvez seja. N�o d� para saber.

- E o tio Ricardo? - O que tem ele?

Aconteceu algo?

N�o, est� tudo bem. Por qu�?

N�o ligam mais, n�o aparecem.

Luke...

Eu sou seu pai.

Pronto, um pouco melhor.

- � que a gente... - Ol�.

Oi, Em�lia.

J� deixei o telefone e o endere�o de onde vou ficar.

Venho busc�-lo amanh� de manh� para a aula de capoeira.

- Certo. - Tudo bem?

Eu j� vou. D� um abra�o.

Vamos l�, � t�o dif�cil?

Ponha isto de novo.

N�o quer ficar e ir embora pela manh�?

Prefiro ir agora. Venho busc�-lo amanh�.

- Tudo bem. - Tchau, Em�lia.

DOIS ANOS DEPOIS

Em�lia.

Ol�.

- Como vai? - Estou bem. E voc�?

Tudo bem. Estou �timo.

Eu vim assistir a um filme coreano.

- Parece ser interessante. - Que legal.

Eu tamb�m. Deve estar para come�ar.

- Tenho que... - Tudo bem.

- Voc� est� bem? - Sim, estou �tima.

- E o Lucas? - Ele est� �timo.

Est� no Brasil.

Fazendo capoeira.

Est� �timo.

Comprei pipoca.

- Ol�. - Oi, como vai?

Que legal! Parab�ns.

- Viu s�? - Obrigada.

- De quantos meses est�. - Estou entrando no 8� m�s.

- Que bela barriga. - Oi.

- Ol�. - Oi, amor.

- Como vai, Diego? - Tudo bem, Ricardo?

- Sua barriga est� enorme. - Sim.

- De quanto tempo est�? - Entrando no 8� m�s.

- Olha s� que barriga linda. - Obrigada.

- Menino ou menina? - Menino.

- Anouk. - Como �?

- Vai se chamar Anouk? - Sim.

- Que lindo. - Anouk Tripicchio.

- Que prazer ver voc�s. - Igualmente.

� uma novidade maravilhosa.

Sim, � um momento muito especial para n�s.

- Eu gostaria muito de... - N�o, n�o.

compartilhar com voc�s qualquer hora...

A palavra " compartilhar" me d� arrepios.

Sim.

- Sim. - Bem...

- Foi um prazer te ver. - Parab�ns.

- Felicidades. - Obrigada.

Bem, curtam o filme.

- Tchau. - Tchau, boa sorte.

Aqui.

- Eles parecem bem. - Sim.

Diego, Diego!

Falava de voc�s com a Francis.

- Que coincid�ncia incr�vel. - Ainda est� com otite?

O que far�o depois? Vamos comer na Daphne?

- Como v�o? - Tudo bem?

� a chilena.

Vamos l�, onde comem quatro, comem seis.

Bem, falamos sobre isso depois. Tchau.

- O que foi? - Nada.

Meninos!

Meninos!

Suspeito, meu amor, suspeito.

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