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Sem chantagem. Não há provas.
Não preciso, Vera.
Está ligada a meus negócios.
Uma mulher assassinada, uma menina que desapareceu.
É...
Achei que gostasse da Irina.
Como foi capaz?
Eu não misturo negócios com prazer.
Tome.
Ligo em breve.
Cada um se deita na cama que faz.
E, nesta vida, todos sabem no que estão se metendo.
Aonde pensa que vai?
-Ora, ora! -Me largue!
O que está acontecendo aqui?
Já viu quem é ela?
Não seja desagradável, Viana.
É uma mulher muito bonita.
E, aqui no clube, recebemos mulheres bonitas.
-Como se chama? -Cátia!
Cátia Batista!
Cátia...
pode entrar.
Cátia, Cátia...
Se quer ser parte do clube,
tem que obedecer a determinadas regras.
Você tem potencial.
-Pode ter certeza disso. -Mas não tem.
Ontem te vi com um cliente.
Hoje tentou entrar à força.
Você é um pouquinho indisciplinada.
Isso não é bom? Não é disso que os homens gostam?
Indisciplina.
Discrição.
Os homens daqui e os honens em geral
gostam de se sentir seguros.
Olá!
Idiota!
-É o de ontem, né? -É o de ontem.
Ontem fomos ao hotel. Hoje finge que não me conhece.
Cátia, Cátia...
Tem que perceber que nossos clientes
são homens sofisticados, importantes.
Você só vai se ele te chamar.
E o que acontece dentro do hotel
fica no hotel.
-Suas discussões com a Vera... -Pra você é "dona Vera".
Ela me pediu para chamá-la de Vera.
Ela nunca vai olhar para você. Desista!
É seu plantão hoje?
A Joana?
Já não trabalha aqui.
-Falou com ela? -Não. Nem preciso.
Se ela aparecer de novo, vai receber as contas e tchau!
-E você? Sabe da Joana? -Ela não me atende desde ontem.
Não acha estranho?
Vamos conversar.
Lá dentro.
Temos provas de que a Martina,
e talvez o Bastos, estão atrás de você.
Quais provas têm?
O carro visto lá fora era alugado,
da mesma empresa fantasma
dos carros que levavam as mulheres.
Deixe vir. Não tenho medo.
O que foi? Não tenho mesmo!
Por que querem te pegar?
Só penso naquela briga, da imigração.
Não brinque comigo!
Tentaram agredi-lo e estão atrás de você.
O que está escondendo?
-Tem a ver com o Rogério? -Não tem a ver com ele.
Está tentando protegê-lo.
Era o Rogério que trazia a droga, não era?
Acertei?
E se acertou? O que acontece a ele?
Ele é só uma peça do quebra-cabeça.
Ele passava droga do Bastos aqui no clube.
Ele se endividou, e o Bastos iria matá-lo.
Eu disse ao Bastos que, se não se afastasse,
eu o entregaria à PJ.
A Vera sabia da droga?
Não, não. Ela só sabia das mulheres.
Mesmo assim,
acho que ela acreditou que a Martina era uma agente.
Protegeu um criminoso...
Eu protegi os meus.
-E protegi o Clube. -E a Joana?
Não é dos seus?
Sabe onde ela está?
Está no caminho do Bastos e da Martina.
Querem te pegar.
Quem estiver à sua volta vai sofrer com isso.
O que eu faço?
Fique atento.
Consegue fazer isso?
Sr. inspetor?
Que bom vê-lo aqui no meu clube.
Em que posso ajudar?
Martina entrou em contato com você?
Ela é procurada pela polícia.
Tenho perfeita noção disso.
Tem?
Tenho. Mas ela não entrou em contato.
Parece que ela ou alguém ligado a ela
-tem rondado o clube. -Viram ela aqui?
-Não. -Eu também não.
Não está mentindo, não é?
Sr. inspetor, eu sei o que está em jogo.
Há outra questão sobre o assunto.
A Joana, sua porteira.
Não diga que se meteu com a Martina.
Teve contato recente com ela?
Não...
Não. Já liguei, mas ela não atende.
Não apareceu ontem nem hoje.
-E isso é normal? -Joana é uma boa profissional.
Se algo acontecesse, ela me ligaria.
Se ela entrar em contato, me avise, por favor.
Vá com calma, garota.
Desculpa?
Eu te conheço?
Não. Mas eu te conheço muito bem.
Já vi várias como você aqui no clube.
E então?
Acha que não posso estar aqui?
Eu disse isso? Eu não disse isso.
Eu disse isso?
Agora fique atenta, viu?
Está bebendo demais, daqui a pouco se descontrola.
Acha que tenho medo?
Deveria.
Você se descontrola,
e os clientes fazem tudo o que querem.
No dia seguinte, a maluquice não te deixa lembrar.
Fique de olho.
Pedi mais uma garrafa para nós.
Mais.
Então, está tudo sujo.
Está bom.
Pode deixar a garrafa.
A garrafa?
Tem certeza de que quer ir?
Merda!
-O que é que foi? -A polícia.
Acha que aconteceu algo lá?
Não sei. Pode ser só vigilância.
E qual é o problema?
-Ele vai saber que estivemos lá. -Sim.
Mas não queria falar com ele. Vá na frente.
Olá! Como está?
Já te vi aqui, não?
Conhecia a Andreia?
Sim, aqui do clube, não é?
É, mas eu já não vinha há uns meses.
Maria, essa garota aí da frente.
Conhece a cara dela?
-Claro. Você também. -É.
Ela costumava vir.
Não lembro o nome dela.
Ela voltou.
Está preparado?
Você é ótimo na cama!
Não! Isso, não, por favor!
Ai, parei!
Calma!
Fica pra próxima. Tchau.
Não sabia que estava acordada, pequena corça.
Vamos jogar um jogo.
E você é a presa.
Agora você corre.
Não! Não! Me largue!
Me largue! Me largue! Me largue! Me largue!
Está me machucando! Me largue!
Me largue!
Filho da puta! Está me machucando! Me largue!
-Não a machuque. -Me largue!
Tudo bem, Vera?
Não deveria estar na porta?
-O que aconteceu à tarde... -Algum problema?
Com o que aconteceu?
-Não, nenhum. -Muito bem.
Não temos nada para conversar.
Sabe quem sou?
Mulheres bonitas como você
são sempre bem-vindas no nosso clube.
Disse isso à minha irmã?
-Quem é a sua irmã? -Sou a Andreia, irmã da Jéssica.
Você a levou à Martina?
Fiquei presa num armazém por mais de um mês.
Me davam comida e me levavam ao banheiro.
E, lá, havia muitas outras jovens.
Uma morreu na minha frente.
Tem certeza de que Martina está por trás desse esquema?
Martina me levou.
E me vendeu num leilão.
Vendeu como?
Como? Fiquei em frente a uma câmara,
e homens ofereciam dinheiro, pela internet.
O que me ganhou pagou 10 mil euros por mim.
Iam me tirar do país. A polícia me salvou.
E minha irmã foi no meu lugar.
Você conheceu minha irmã
-quando ela veio ao clube. -Sim.
Você a apresentou à Martina?
-Não. Não fui eu. -Mas ela estava aqui.
Sim. A Martina frequentava o nosso clube.
Trazia as meninas.
Pensei que ela as ajudava, que as encaminhava.
Não.
Pra ela, somos mercadoria,
que ela vende a quem dá mais, para fazer o que quiser conosco.
Tem certeza?
Tenho. Ela não ia perder este negócio.
E a Jéssica tentou enganá-la.
Preciso entrar em contato com a Martina.
E achar minha irmã antes que algo aconteça.
Eu lamento,
mas não tenho contato com a Martina.
A polícia vai ajudar a sua irmã.
Olá! Você não é aquela...
Maria! Lembrei quem é aquela garota.
Trabalhava com a Martina.
-Me lembrei. É a Andreia. -Isso! Andreia...
O que ela faz aqui?
Eu sei lá!
Será que a Martina voltou?
Duvido. Depois do que houve com a Irina.
A cara dela não estava boa.
Com a Martina, a sua também não estaria.
O que foi? Algum problema?
Não.
Trabalha aqui?
Por quê? Tem medo da concorrência?
Não trabalho aqui.
E o que faz aqui?
Não fume mais disso.
-E essa sua amiga? -É irmã da Jéssica.
Veio procurar a irmã?
Martina a manteve presa.
Mas interceptaram o carro em que ela estava.
Igual ao que levou a Jéssica.
E agora ela mora com você.
Isso é prudente?
Há um policial na nossa porta.
Vá em frente.
Faça.
Vá.
Não se mata um leão com um abridor de cartas.
Me chamou?
-Tome. -O que é?
Seu salário e uma compensação.
Foi seu último dia aqui.
-Vera... -Combinamos até o fim do mês.
Estamos no fim do mês.
-Filha... -Não. Eu te admito.
Você não me comove.
Saia, não te quero aqui.
Achei que, depois do que o Vasco escreveu no testamento,
não iam demitir ninguém.
Tem razão,
mas isso não se aplica a você.
Então, onde se meteu?
Isso é comigo?
Não se faça de boba. Venha.
Como está sua mulher?
Está fazendo serão hoje?
Vai trabalhar até que horas?
Até altas horas.
Me pague um drinque,
e posso te ajudar com o projeto.
Por favor, me dê dois Famous. Sem gelo.
Satisfeita?
Quer ver meu projeto?
Quero.
Como escolhemos uma mulher sabendo o destino que a espera?
E como vivemos com isso?
Quando encurralada, sempre acho uma saída.
Venha comigo.
Vera, eu...
Você o quê?
Você é demais.
-Tem aplicativo da Uber? -Tenho.
Ótimo. Chame um.
-Tenho que ir. -Está brincando?
Não brinco com coisas sérias.
-O que está fazendo? -Nada.
Nada!
Porra!
-Não me acordou? São quase 8h! -Dormia tão bem!
Tome. Tome, tome.
Vista-se e saia. Vou tomar um banho.
Posso ficar até meio-dia?
-Não. -Não...
Por que foram ao clube?
Tem um policial aqui, outro no clube.
Seria incompetência eu não saber.
Não sabia que estava presa!
Não está!
Mas não deveria sair.
-Ainda mais à noite! -Me sinto presa!
Não quero que a Martina te pegue.
Por que foi ao clube?
Fui pedir ajuda à Vera.
Precisa saber a verdade sobre as garotas da Martina.
Muitas passam pelo Clube.
A Vera sabe de tudo. Não seja ingênua.
-Você corre perigo. -Vou procurar minha irmã.
Preciso achar a Jéssica.
-Tem que confiar em nós. -Tenho?
Não percebo por quê.
Esteve ótima, pequena corça.
Agora vá para o seu quarto.
Obrigada.
Eu amei a surpresa.
Mas esta casa aqui não estava à venda?
Você comprou esta casa, Gabriel?
Não, não. Ainda não.
Mas acho que esta casa combina muito com você.
Aliás, você combina com a casa.
Uma mulher como você,
com olhos de tirar o fôlego, deveria estar em cenários assim.
Olha, fiquei pensando naquela história da...
Da sua amiga.
-A que você me contou. -Amiga?
-Ah, a Irina! -Sim.
-A sua colega do Clube. -O que é que tem?
Acho que não deveria se expor a esse tipo de perigo.
É...
Não é uma coisa boa, mas é o meu trabalho, Gabriel.
Eu sei, eu sei.
Já pensou em ter só um homem na sua vida?
Assim, ter um cliente exclusivo?
Quanto custaria te ter só pra mim?
É o carro da Joana?
Sim. Foi encontrado de manhã.
Pelas multas, está lá há dois dias.
-Algum sinal de violência? -Não.
Ela treina em um ginásio perto.
Entendi. Vou lá.
Certo.
Boa! Boa!
-Bom dia. -Bom dia.
Bernardo Paixão, polícia judiciária.
Sei que a Joana Pereira treina aqui.
Quando a viu pela última vez?
Ela veio há dois dias.
Como ela estava?
Normal. Treinou, falou com as pessoas.
Nada de estranho.
A que horas saiu?
Por volta das 22h.
Estava atrasada pro trabalho.
Por quê? O que houve?
Preciso falar com ela.
Se ela vier treinar, me avise, por favor.
Mais alguma coisa?
Tenho saudade de treinar.
Me faz bem.
Venha quando quiser.
Tem que fazê-la mudar de ideia.
Não quero sair de lá.
E por que eu faria isso?
Se sair, o Bastos acaba comigo.
A Vera tem suas razões para não te querer lá.
Imagine a merda que vai dar.
A Vera é minha filha, Viana.
Filha biológica.
Quando soube da gravidez da Adelaide, pirei.
-E ela sabe? -Sabe.
A mãe contou quando o Vasco morreu,
mas não ficamos mais próximos depois disso.
Eu era outra pessoa.
Era um garoto.
Há tantos anos!
Sempre foi um grande covarde.
Se me despedirem,
digo ao Bernardo que você sabe que eu vendia drogas!
Está atrasado.
Ele já sabe de tudo.
O Bastos está por perto.
Parece que está atrás de mim.
Há polícia na entrada
e deve me seguir pra todo lado.
Querem a mim, não a você.
Só me faltava que um merda como o Bastos ferrasse o Clube!
Falo com a Vera.
Mas sem promessas.
Neste momento, não somos os melhores amigos.
Pode enfrentá-la.
Obrigá-la a recuar.
Afinal, é o gerente!
Viana,
-preciso deste trabalho. -Eu sei!
Todos precisam do Clube.
E todos querem arrancar um pedaço dele.
Eram sócias.
A Martina colocava as mulheres lá,
e isso gerava mais dinheiro.
A Vera achava que...
as mulheres da Martina atraíam clientes.
Porque eram fáceis.
E os clientes gostariam disso.
A Martina me levava a festas privadas,
a ambientes exclusivos, a homens muito poderosos.
Eu achava que ela era uma agente,
que as coisas eram assim.
JÁ TEM MULHERES PRA MIM?
O pior pesadelo é o que vivemos acordados.
A pior sentença
é a que não sabemos quando termina.
Tradutora: Luciana Afonso BRAVO STUDIOS
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