All language subtitles for Shardlake S01E01 720p DSNP WEB-DL DD 5 1 Atmos H 264-playWEB

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Original subtitles

INGLATERRA 1536

O REI HENRIQUE VIII ROMPEU COM A IGREJA CAT�LICA ROMANA,

MAS OS MOSTEIROS PODEROSOS RESISTEM � REFORMA

Estou pronto, Matthew.

Para o que este dia possa trazer.

Para o Lorde Cromwell.

Como se atrevem?

O meu comiss�rio.

O meu representante.

A minha voz!

Atreveram-se a silenciar Cromwell! Isto n�o pode ficar impune!

N�o deve, meu senhor.

Diria que � necess�ria urg�ncia.

� necess�ria precis�o.

Venham comigo. Vou mostrar-vos do que este p�ssaro m�gico � capaz.

Tabitha, o p�ssaro das �ndias que falava ingl�s. Do Peru.

Afastem-se. N�o a rodeiem. Ela n�o gosta de multid�es em seu redor.

Atirem-lhe uma moeda �s patas...

O que � isto?

- ... e a Tabitha falar�. - Sabe Deus.

Uma trapa�a, decerto.

Deus salve o Rei Henrique.

Deus salve o Rei Henrique.

Veem?

� um milagre, n�o acha?

Um truque.

Tabitha, diz: "Morte ao Papa." "Morte ao bispo de Roma."

Morte ao Papa.

Disse um truque, senhor?

- Creio que sim. - Mas o p�ssaro falou.

O p�ssaro apenas repetiu uma frase proferida pela anci�.

Por favor, repita depois de mim, senhor Shardlake,

"Deus aben�oe Lorde Cromwell".

Ele quer falar-lhe.

Quem � o senhor?

Senhor Jack Barak, senhor. �s suas ordens.

Tenho documentos legais para apresentar ao tribunal.

Os documentos podem esperar.

Ao contr�rio de Lorde Cromwell.

Venha.

Venha.

Tente acompanhar-me.

Senhor!

Vai dar-me o raio da morada e eu vou ao meu ritmo.

Pe�o desculpa. Estou a ir depressa de mais para si?

Botas novas.

Magoam.

Siga os degraus e entre por uma porta.

Aguardam-no not�cias de uma morte.

Um homic�dio, ao que parece.

E a pobre v�tima?

Era seu amigo.

O pobre Sr. Singleton.

Robin Singleton?

Senhor Shardlake, ele aguarda-o.

Por aqui, senhor, quando estiver pronto.

Estou pronto.

Lorde Cromwell instruiu-me pessoalmente para estar atento � sua chegada.

Decerto saber� que tenho um dia de trabalho pela frente.

Deveras.

Matthew, venha para junto de mim.

Vossa senhoria, como � bom voltar a ver-vos.

Quando foi a �ltima vez que o vi?

J� h� uns meses.

Assisti � execu��o de Ana Bolena.

Testemunha p�blica.

Pois assistiu.

Ela assumiu a sua culpa.

N�o teve escolha, dadas as provas.

A Ana Bolena era ad�ltera.

Estas bugigangas v�o interessar-lhe, Matthew.

Rel�quias sagradas trazidas especialmente para mim.

Veja bem. Ali.

"B�rbara Sant�sima".

� a caveira de Santa B�rbara.

Desconhe�o.

Uma jovem virgem assassinada pelo seu pai pag�o na �poca romana.

� muito sagrado.

E isto, isto aqui,

tamb�m � a caveira de Santa B�rbara.

Do Convento Boxgrove, em Lancashire.

Uma santa de duas cabe�as.

N�o admira que fosse virgem.

Mas devo dizer que, agora, tenho curiosidade em saber quem eram.

E este, senhor Barak, � o meu Matthew.

Sempre atr�s de uma resposta para tudo.

Precis�o.

Temos neg�cios a tratar.

Tenho uma tarefa para si. Uma tarefa muito importante.

Jack.

E na qual n�o pode fracassar.

Ouviu falar do Mosteiro de S�o Donato,

no porto de Scarnsea?

N�o.

S�o Donato � uma casa beneditina.

Tem uma hist�ria de v�cio e, como todos os mosteiros,

� uma d�diva para a gan�ncia e para o engano.

Mostre-lhe a carta.

Leia-a. Leia-a agora.

Tem que ver com o homic�dio, Sr. Shardlake.

Dr. Goodhap, precisam de si.

N�o consigo descrever isto. � algo que tem de ver.

Respeita ao Sr. Singleton?

Vai precisar de uma lanterna.

S�o Donato n�o � a causa. Posso garantir-lhe, Dr. Goodhap.

� o trabalho de algu�m maligno.

Seja testemunha, por favor.

Quem fez isto?

Que pessoa faria...

Para tr�s! Para tr�s!

N�o serei o pr�ximo!

Conheceu-o, claro.

Sim, Vossa Senhoria.

Conhecia os m�todos dele.

N�o era o melhor advogado, mas o Sr. Singleton era poderoso.

Foi por isso que foi escolhido.

Para confrontar o abade e conseguir a rendi��o.

Rendi��o?

Estamos a faz�-lo, Matthew.

Finalmente, a reformar uma igreja corrupta.

H� certos nobres que continuam firmes contra mim,

mas combinei com o Rei Henrique

uma lista de 12 mosteiros a encerrar.

S�o Donato ser� o primeiro, permitam as provas.

S�o boas not�cias, Vossa Senhoria. Boas not�cias para os dinheiros p�blicos.

A riqueza que os encerramentos trar�o �...

Seria de pensar que um emiss�rio do rei assassinado

chegaria para encerrar o assunto, mas n�o.

O culpado tem de ser identificado e as provas registadas.

Se esse homem for um monge beneditino, est� tudo muito bem.

Se n�o for, ent�o, a ordem de S�o Donato

deve ser demonstrada como sendo papista, uns ladr�es ou sodomitas.

Ou os tr�s.

Todos os casos corroborados por provas.

N�o estou acima das leis de Inglaterra.

Como nenhum homem deveria estar, Vossa Senhoria.

Dito isto, a casa tem de cair.

� o objetivo das reformas, n�o �?

Livrar a terra dos homens que engordam com o pecado,

enquanto pessoas normais sofrem de frio e fome.

E o autor da carta, Vossa Senhoria?

� um Dr. Goodhap.

Estava l� apenas para ajudar o senhor Singleton.

Um cobarde, segundo parece.

O povo, Matthew, j� foi explorado tempo suficiente.

Um assassino tem de ser encontrado.

O mosteiro deve fechar e a sua riqueza entregue � Coroa.

Ao povo.

Um come�o.

N�o me deixar�o ficar mal. Nenhum de voc�s.

N�o deixarei, Vossa Senhoria.

Devo viajar consigo.

Prefiro ser eu a escolher o meu assistente.

N�o sou seu assistente.

Vou busc�-lo a casa ao meio-dia.

N�o preciso da sua companhia.

Discuta o assunto com o Lorde Cromwell.

Passe por essa porta, suba as escadas

e entre no quarto � sua esquerda, senhor Shardlake.

Meu senhor, Duque de Norfolk.

Que prazer.

Chamaram-no com urg�ncia para se encontrar com Thomas Cromwell.

Gostaria de saber porqu�.

Ou tenho de o mandar seguir e vigiar todos os dias?

Tenho de ir a um s�tio chamado Scarnsea, Vossa Senhoria.

S�o Donato?

Sim.

Deve obter a sua rendi��o e a sua riqueza.

Sinto que parte da minha conversa com Lorde Cromwell deve permanecer privada,

Vossa Senhoria.

Mas devo dizer que � um homem muito astuto.

Nobre.

Quem beneficiar� com esta riqueza?

O rei. O pr�prio Cromwell.

O povo n�o ver� um centavo.

� roubo em nome de Deus.

Vai escrever-me, senhor Shardlake, assim que o seu ato perverso for cometido.

Entendido, corcunda?

Alice, ande com cuidado. H� gelo por aqui.

Obrigado, senhor Bugge.

Dr. Goodhap! Sou eu, a Alice.

Tenho a sua comida.

Temo que o Dr. Goodhap transmita as ideias do anterior comiss�rio

ao pr�ximo comiss�rio sem anota��es.

Claro que transmite.

Ent�o, n�o h� tr�guas.

S� podemos manter a calma, irm�o Edwig.

Ele j� chegou?

N�o, senhor, ainda n�o.

Tem de comer algo.

Comer e arriscar perder a vida envenenado?

Satan�s apoderou-se deste lugar.

N�o serei o pr�ximo!

Senhor, est� uma braguilha distratora � porta.

Est� sozinha?

� usada por um jovem.

Deixe-o entrar. Chama-se senhor Barak.

Est� a comer. Esperava partir imediatamente.

Se vamos cavalgar durante a noite, preciso de combust�vel.

Al�m disso, n�o fiz as malas.

Sente-se.

Com certeza.

Senhor, a braguilha quer uma tigela de caldo?

Quer.

Obrigado.

L� confian�a tem ela.

- Pois tem. - � sua governanta?

Porque est� aqui, exatamente, senhor Barak? Porque preciso de si?

Presumo que Lorde Cromwell n�o deseje perder outro advogado.

Deve proteger-me.

Sou capaz de me proteger.

�? Viva!

Minha senhora, eu... N�o fixei o seu nome.

� Joan.

Joan.

Obrigado.

- Ela � casada. - N�o me surpreende.

� uma mulher bem constitu�da.

N�o gosto de si.

Admito que n�o o conhe�o,

mas a minha primeira impress�o raramente est� errada.

N�o gosta de mim ou dos meus trajes?

Se est� aqui para espiar, diga-o.

O caldo est� excelente.

Com o tempo, tamb�m espero ter uma governanta bem constitu�da.

O que � isto? O qu�?

Tu sabes o que �. � infantil, Matthew. � pat�tico.

Eu sou educado e respeitado. Pronto.

Mas n�o posso usar uma braguilha que chame a aten��o.

Podia, mas chamaria a aten��o sem motivo.

Como outros s�o famosos por algo, eu sou famoso pelo meu modo de andar.

Bem, sou eu e eu aceito-o.

� o meu disfarce.

Mais uma vez, pronto.

Estou pronto para Scarnsea.

Comiss�rios do rei!

- Abram os port�es. - Comiss�rios do rei!

Vamos! Abram os port�es!

Disseram que eram comiss�rios do rei, irm�o.

Achei melhor deix�-los entrar.

Senhor, est�vamos � sua espera.

� o abade Fabian?

Sou o irm�o Mortimus de Kelso, ac�lito.

Onde est� o abade?

O abade est� ocupado.

Ent�o, busc�-lo-� para n�s.

Cavalgamos h� dois dias.

Com quem falo?

- Senhor Jack Ba... - Senhor Matthew Shardlake.

Emiss�rio de Lorde Cromwell.

Senhor Jack Barak. Tamb�m um homem de Lorde Cromwell.

Um homem do rei.

Senhor Bugge, trate dos cavalos, por favor.

Cuidarei bem deles, irm�o.

Cavalheiros.

Pode, por gentileza, dizer-me se Robin Singleton est� morto?

Est�.

Derrubado por invasores.

Invasores, diz ele.

Ent�o, v�-lo-emos.

Assim que formos alimentados e falarmos com o Dr. Goodhap.

Que continua vivo, cremos?

Whelplay, seu tolo.

Tudo em que tocas torna-se um caos!

- Irm�o Mortimus, juro, n�o fiz nada. - Foi um acidente.

Devo deixar-te mais faminto? Chicotear-te?

- Por favor, irm�o. Fiz... - � a �nica ordem que entendes?

- N�o. - Foi ouvido, irm�o Mortimus.

Disso tenho a certeza.

Ter� calma com o rapaz.

O erro dele n�o foi intencional.

A culpa foi minha, senhor.

Sou desastrado.

Como ele pr�prio admitiu, o rapaz � um tolo.

Talvez porque lhe tenha dito isso e repetidamente.

Agora, v� chamar-me o Dr. Goodhap.

Alice, trata do sarapatel.

Sim, irm�o.

Vou chamar o Dr. Goodhap para o nosso ilustre visitante.

Ilustres visitantes.

Alice, lamento imenso.

N�o importa. Eu trato disso.

Creio que ele gosta de si.

Est� curioso?

Sou um emiss�rio do rei.

Deseja falar comigo?

O abade quer ver-nos esta noite ao jantar.

- Muito bem. - Senhor Matthew Shardlake,

este � o advogado can�nico, Dr. Goodhap.

Uma boa noite, doutor.

Estou aqui contra a minha vontade, senhor Shardlake,

e preferia n�o sair do quarto

at� ao momento em que sair daqui permanentemente.

Ele � um tipo amig�vel.

Uma boa noite.

Senhor, gostaria que se acalmasse e me contasse exatamente o que aconteceu.

Sabe bem o que aconteceu aqui.

Assassinaram um advogado como diz a minha carta.

Agora, s� desejo ir-me embora.

Vai-se embora quando eu considerar que pode ir

e n�o antes de partilhar todo o seu conhecimento.

Ainda que limitado.

Cada monge suspeito ser� mencionado

e todos os pensamentos e teorias do senhor Singleton ser�o partilhados.

Os pensamentos, diz.

Examine a cabe�a do senhor Singleton e ach�-la-� oca.

N�o tinha pensamentos. N�o tinha teorias.

Tinha fanfarronice. Vento.

Foi escolhido pessoalmente pelo Lorde Cromwell.

O que estou a dizer � que ele n�o queria partilhar os seus pensamentos.

E, infelizmente, a sua relut�ncia em confiar em mim

tornou a tarefa de fechar esta casa...

... impossible.

Como diriam os franceses.

As descobertas dele morreram com ele, tal como era a inten��o, estou certo.

N�o, irm�o. Faz isso mais tarde.

S�o para a ora��o da noite.

Mais tarde.

� o irm�o Gabriel.

Desculpe... Tenciona ouvir a conversa, irm�o?

N�o, senhor. Esta � uma tarefa que executo a esta hora todas as noites.

J� lhe disseram.

Mais tarde.

Vamos.

Era o irm�o na galeria?

N�o, senhor.

A galeria e o telhado est�o fechados para obras.

O senhor Singleton examinou minuciosamente as contas do mosteiro.

A venda de terras e assim.

Terras e assim?

N�o partilhou o que descobriu, se � que descobriu algo.

Mas tem de perceber que o abade Fabian � um homem inteligente.

Sabe que n�o pode haver um encerramento for�ado.

Sabe que deve haver provas de um deslize, o que duvido que encontre.

Ele tem os irm�os bem ensinados.

Tamb�m tem um comiss�rio morto.

Alegar� que foram forasteiros.

Invasores.

Porque o contr�rio n�o pode ser provado.

O mosteiro est� fechado e isolado da cidade por p�ntanos e pela dist�ncia.

O acesso a invasores seria dif�cil, diria eu.

Mas n�o... impossible.

N�o se deixem enganar pelas vestes.

S�o homens impiedosos e determinados, unidos n�o por Deus,

mas por preserva��o e gan�ncia.

Aprender� a n�o olhar fixamente, irm�o.

O qu�?

Janta bem, abade Fabian. � muito hospitaleiro.

Trabalhamos muito, Sr. Shardlake.

Cultivamos os nossos vegetais. Criamos gado.

Tudo o que est� na nossa mesa � produto de S�o Donato.

E o vinho � de onde?

Negociamos com a Fran�a, senhor.

Scarnsea j� n�o � o porto que era, mas continua a ser um porto.

� o irm�o Edwig. O guarda-livros.

Pois sou.

A quem o senhor Singleton prestou muita aten��o.

Prestou

e ficou satisfeito com os registos.

Paz � sua alma.

O irm�o Edwig teve a sorte de estar fora em neg�cios

quando o senhor Singleton foi morto.

O neg�cio da cevada e do rendimento.

Irm�o Gabriel, vejo que � o sacrist�o.

Sim. Sim, sou.

E sodomita.

Claro que � sodomita. � um homem.

Isso n�o � verdade.

Somos todos sodomitas, irm�o.

Sodomitas, glut�es e acumuladores.

- N�o � verdade. - Foi Thomas Cromwell quem o disse.

- Devia desfrutar da sua comida, irm�o. - Thomas Cromwell nunca se engana.

� o Anticristo.

Beba um pouco de vinho.

Condeno-o ao Inferno.

- Pronto, disse-o em voz alta. - Irm�o Jerome, pare imediatamente.

Ele n�o est� bem.

Thomas Cromwell, o rei e os seus seguidores...

- Irm�o Jerome. - Condeno-os.

Jerome, tem de se acalmar.

Porque n�o os hei de condenar a todos?

Ele assassinou a sua rainha...

... com mentiras.

Senhor, o passado dele atormenta-o.

O meu juramento ofende-o?

A minha f�, que outrora foi a sua f�, enoja-o?

Irm�o Mortimus.

Se � mesmo um homem de Cromwell, ent�o, tal como ao miser�vel antes de si,

um machado encontrar� o seu pesco�o.

- Jerome. - Por favor!

Tire as m�os de cima de mim.

- J� estou despeda�ado e destro�ado. - Pare com isso! � um homem bom.

Um homem de paz. Um homem de Deus.

Cromwell � um homem do Diabo.

� do Diabo!

Levem-no. Levem-no!

Por favor, irm�o. Por favor.

Senhor Shardlake, pe�o desculpa.

O irm�o Jerome n�o � da nossa ordem.

Ele n�o pertence aqui. Foi-nos imposto.

� primo da nova rainha, a Rainha Joana.

E cuidamos dele como... como um favor, poder-se-ia dizer.

� cartusiano.

O potro deixou a sua marca.

N�o nos diz respeito, irm�o Guy.

Pass�vamos bem sem ele.

Ouvimos uma confiss�o?

Falou de um machado.

O que ouviu foram devaneios de uma mente atormentada.

Ainda assim, terei de falar com ele.

Como queira.

Quero.

Mant�m os seus irm�os bem ensinados, senhor abade.

Regras r�gidas.

Obedecer ou ser punido.

O rapaz � uma prova��o.

Posso garantir-lhe.

Porque � que, nesta casa de Deus, me cheira a segredos e medo?

N�o temos segredos.

E, com todo o respeito, � do senhor e do Lorde Cromwell que temos medo.

Se n�o cometeram nenhum crime,

n�o h� raz�o para terem medo.

Perdoe-me, senhor, mas isso nunca � verdade.

N�o � destas paragens, irm�o Guy.

Nasci em M�laga, Espanha.

Veio parar aqui, a Scarnsea no lama�al.

H� s�tios piores.

Londres, por exemplo.

Se o mosteiro fechasse, irm�o Guy, para onde viajaria?

- Para casa? - A minha casa � aqui.

O meu trabalho � a minha casa, senhor.

N�o h� necessidade de fechar o mosteiro. Nenhuma.

Foi o irm�o Guy que descobriu o senhor Singleton morto.

Pois fui.

Jaz aqui h� quatro dias.

O frio dever� t�-lo mantido fresco.

Vamos abrir o sepulcro.

Receio que fresco n�o esteja.

O que diria sobre a forma como ele morreu?

Diria o que � �bvia.

Tiraram-lhe a cabe�a dos ombros.

N�o pensei que tivesse morrido de tosse.

Mas h� mais para ver.

Diria que o atacante �, ou era, pelo menos, de estatura m�dia.

- Talvez mais alto. - Como pode dizer isso?

O senhor Singleton era alto.

Sem cabe�a, � dif�cil perceber.

V� como o corte no pesco�o � angular?

A cabe�a assenta irregularmente na pedra.

Pois assenta.

Al�m disso, observem como o ferimento � definido.

Tamb�m isso � dif�cil de conseguir.

N�o pode ser feito com um machado.

� um espadachim.

Definitivamente, uma espada.

Afiada e eficaz.

Singleton foi executado como se fosse da realeza,

como a Rainha Ana Bolena.

Paz � sua alma.

Senhor, � um facto

que em S�o Donato n�o h� espadas

nem t�o pouco espadachins.

Outrora, havia homens que eram soldados nas vossas fileiras.

Alguns, incluindo eu.

Mas isto n�o � obra de um soldado com princ�pios.

� obra do Diabo.

Dir� ao abade que vi o senhor Singleton.

J� pode ser enterrado como crist�o.

Acho que tenho uma voca��o, senhor.

- Como? - Irm�o Andrew...

Acho que tenho uma voca��o, senhor.

Rapaz, nunca poder�s ser padre. N�o percebes isso?

Sabes que o Livro do G�nesis diz que Deus nos fez � Sua imagem, certo?

Sim, irm�o.

Para servir a Igreja, temos de corresponder a essa imagem.

Olha para ti.

Rapaz.

Desculpe, tinha sede. � s� um gole.

� permitido um gole de �gua.

N�o preciso de mais do que um momento.

Conhecias o senhor Singleton?

Ele falou contigo?

Falou?

Imagino que sim.

Falou, senhor.

E o que te perguntou ele?

De que falaram?

Podes falar comigo, rapaz. Eu n�o mordo.

Ele perguntou-me se tinha sido afetuoso, senhor.

N�o fui. Juro.

Estou a ver.

Afetuoso com quem?

- Com um irm�o? - N�o fui.

Eu acredito em ti.

Que mais perguntou ele?

Mandaram-nos ter cuidado com as palavras.

- Posso ir, senhor? Sinto-me doente. - Quem mandou?

O abade?

O irm�o Mortimus?

O irm�o bate-te muitas vezes?

Posso ajudar-te.

Por favor.

N�o tenho nada a dizer.

A minha fun��o � impedir que as pessoas no poder abusem desse poder.

Senhor.

Posso ajudar-te e gostaria que me ajudasses.

Estou certo de que h� quem faria o seu melhor para me enganar, mas n�o tu.

Eu sei.

Dir�s a verdade.

O que � isto?

� uma prenda para algu�m?

� s� algo que eu fiz, senhor.

J� posso ir?

Sim, j� podes ir.

Pensa no que sabes.

E no que viste.

Sim, senhor.

Porque acha que tem de se esconder nas sombras, irm�o?

Por favor, mostre-se e fale.

Se tem algo a dizer, diga.

Est� aqui. Eu sei.

Se tem algo a dizer...

... factos para oferecer...

Chame-o.

Sim, senhor.

Senhor Shardlake.

Senhor Shardlake.

- Comiss�rio. - Um momento.

Simon, bebe.

Ele tem febre.

Est� fraco e confuso, como ver�.

Encontrei-o, senhor, no ch�o do refeit�rio, enquanto fazia as rondas.

- O que o aflige? - Uma pancada forte na cabe�a.

Sim, mas o que me preocupa � a congest�o dos pulm�es e a febre.

Trouxe-o para aqui �s costas.

Precisa de descansar, mas insiste em falar consigo.

- Ent�o, preciso de privacidade. - Se puder ser breve.

Dei-lhe uma po��o...

Afastem-se, por favor. Mais para tr�s.

O nome dele? Nome crist�o.

� Simon.

Simon.

Comiss�rio, senhor.

Est� aqui?

Estou.

Queres falar comigo?

Foi enviado para fazer justi�a.

Sim. A verdade e a justi�a s�o a minha moeda.

Ele n�o foi o primeiro a ser morto.

N�o foi o primeiro. O senhor Singleton?

N�o foi o primeiro.

Eu avisei-a do perigo.

Avisaste-a? Avisaste a Alice?

Avisaste-a de qu�?

T�o querida.

Quero sair daqui.

Leve-me consigo.

Simon! Simon, se o senhor Singleton n�o foi o primeiro, quem foi?

N�o posso dizer.

Simon, eu posso proteger-te. Est�s a ouvir?

Posso ajudar-te.

- Senhor Shardlake. - Sim. Eu sei.

Ou a febre dele baixa ou o mata.

O que n�o quer que eu ou�a?

E porqu� dar-lhe uma po��o?

Senhor, ele quer descansar.

Todos precisamos de descanso.

Estamos a meio da noite.

Alice, posso dar-lhe uma palavrinha?

O rapaz disse que a avisou.

Sobre o qu�?

� o que eu pergunto.

N�o me avisou de nada.

Pense nas vossas conversas passadas.

N�o h� nenhuma. Mal falei com o rapaz.

N�o gostaria de pensar que a Alice corre perigo

e n�o a quero assustar.

A febre pode ter-lhe baralhado a mente, mas ele disse perigo.

�s m�os de quem? De onde?

N�o se sente amea�ada?

N�o, senhor.

Sim, de vez em quando, h� umas m�os e abordagens.

Como todas as mulheres, tenho de lidar com isso.

Porque tem de lidar com isso?

Porque � inc�modo.

Estou aqui para si, se precisar de mim,

� o que estou a tentar dizer sem clareza.

Obrigado, senhor. Fico-lhe grata.

Uma cara bonita, Matthew, e tornas-te num tolo trapalh�o. Tolo!

Deus me salve.

Toda a investiga��o se torna secund�ria.

Sim, eu protejo-a, senhora. Arrebatarei o vosso delicado cora��o,

casaremos

e teremos um filho ou dois... Dez!

Pensa no que tens de fazer.

Encontra este espadachim.

Desmascara este monge mort�fero.

V�o julgar-te mal, Matthew.

N�o importa.

O azar ser� deles.

S�o Donato ser� o primeiro.

Inspirado na saga liter�ria "Shardlake" de C.J. SANSOM

Tradu��o: Helena Cotovio

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