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Original subtitles

Em 1968, durante a guerra, a vida era t�o fr�gil.

� a fotografia que simboliza...

... a guerra numa imagem.

Alterou para sempre a opini�o p�blica nos EUA.

CIVIL SUL-VIETNAMITA

Esta fotografia mostra claramente que n�o est�vamos a ganhar esta guerra.

Qual � a verdadeira hist�ria por detr�s desta imagem?

O general vietnamita

vingava-se de um membro comunista

que fora detido por ter assassinado a fam�lia de um amigo pr�ximo.

E essa fam�lia...

... era a minha fam�lia.

O MEU FILHO MORREU NO VIETNAME! PARA QU�? PELA AM�RICA

VIETNAME: A GUERRA QUE MUDOU OS EUA

EPIS�DIO TR�S ESTA N�O � A MINHA GUERRA

Trinta e seis batalh�es de tropas americanas avan�am esta manh�.

O objetivo � cercar o santu�rio vietcongue junto � fronteira cambojana.

Ser� a maior opera��o da guerra do Vietname.

Fevereiro de 1968.

O ano mais devastador de toda a guerra

e um ponto de viragem no conflito.

� uma nova guerra no Vietname.

O inimigo tomou agora a iniciativa.

Os Estados Unidos v�o retaliar contra a Ofensiva do Tet

com um contra-ataque devastador.

As for�as armadas solicitam mais 200 mil homens.

MAR�O DE 1968 TROPAS DOS EUA NO VIETNAME: 510 000

Juro solenemente.

Desde o in�cio do ano, a guerra no Vietname mudou.

Os jovens de fam�lias caucasianas abastadas

conseguem frequentemente escapar ao recrutamento.

S�o agora os afro-americanos que s�o chamados em maior n�mero

para combater nesta guerra.

Precisamente quando o movimento dos direitos civis est� no auge.

Muhammad Ali recusou-se agora mesmo a alistar-se

no ex�rcito americano.

Os verdadeiros inimigos do meu povo est�o aqui mesmo.

N�o no Vietname.

Os EUA travam duas guerras distintas no Vietname.

Uma contra o Vietname do Norte comunista,

com um ex�rcito profissional de mais de 500 mil soldados treinados.

VIETNAME DO NORTE

VIETNAME DO SUL

E no Sul, combatem um ex�rcito de guerrilha, os vietcongues.

Uma for�a de resist�ncia que se esconde entre a popula��o civil.

SAIG�O

O basti�o deste ex�rcito � o Delta do Mekong.

DELTA DO MEKONG

Existe um antigo prov�rbio oriental sobre a forma de drag�o

desenhada pelas �guas que atravessam o Delta do Mekong.

O prov�rbio diz:

"Quem controla a boca do drag�o controla o Delta.'"

� a� que a Am�rica concentra agora a sua aten��o,

enviando embarca��es pelo rio para ca�ar os vietcongues.

Um soldado que conhece bem a realidade do Delta

� o oficial comandante Melvin Pender.

Fomos as primeiras tropas americanas naquela zona.

Est�vamos l� para impedir os VC de transportar armas

e mantimentos pelo Delta.

Tinha 15 homens no meu pelot�o. Jovens, todos brancos.

EX�RCITO DOS EUA

Melvin Pender

alistou-se voluntariamente.

Sendo um atleta extraordin�rio, rapidamente se destacou como l�der.

Disse aos meus homens que ser�amos os melhores. Que ir�amos vencer.

Que se me seguissem, seria o l�der deles.

Mas havia um problema com um dos soldados.

Perguntei-lhe se me via de forma diferente por causa da cor da minha pele.

N�o me respondeu. Disse apenas que fora criado assim.

Expliquei-lhe que ali �ramos um s� povo.

Que eu estava ali para os manter vivos.

Que est�vamos ali para nos protegermos, para voltarmos a casa.

Depois dessa longa conversa...

... todos passaram a olhar-me de outra forma, a respeitar-me.

As embarca��es est�o equipadas com uma metralhadora pesada

e um lan�a-chamas.

Mas a miss�o est� longe de ser f�cil.

O inimigo pode estar em qualquer lugar e atacar a qualquer momento.

Lembro-me... v�nhamos a subir o rio.

H� pessoas

a correr junto ao canal. T�m uniformes pretos.

VC em movimento ao longo dos canais. C�mbio.

Fogo!

Abaixem-se! Atingimos dois!

Abram fogo de cobertura!

Mas que raio?

N�o! Merda!

Fogo! Fogo!

Ajudem!

Socorrista! Soldados atingidos!

Perdemos muitos homens.

Um dos meus amigos morreu.

Ainda pesa no cora��o.

E...

Nunca nos abandona.

ABRIL DE 1968 BAIXAS AMERICANAS: 26 555

Os barcos-patrulha s�o apoiados por helic�pteros de combate.

A sua miss�o � sobrevoar as aldeias

para expulsarem os vietcongues.

Mas distinguir quem � o inimigo de quem n�o �

n�o � t�o simples como parece.

Um dia, estava a trabalhar num arrozal.

Olhei para cima...

Fic�mos especados e foi incr�vel!

Era como um OVNI. � assim que lhe chamaria hoje.

Cham�vamos-lhe may bay chuon chuon.

Significa lib�lula.

E os americanos sa�am por cada porta.

Eram altos. Eram grandes.

Os americanos chegavam

e procuravam o que quer que fosse.

Quando n�o encontravam, destru�am a aldeia inteira.

Havia um homem na aldeia, a quem eu chamava tio.

Os americanos perguntaram-lhe: "�s vietcongue?"

Ou: "Onde est�o os vietcongues?"

Ele n�o percebia a l�ngua.

Por isso, fugiu.

Eles mataram-no.

Pensei: "Que alternativa temos sen�o lutar?'"

Estes homens encontraram tr�s VC mais quatro

num riacho situado a cerca de 2000 metros � nossa frente direita.

Mas este n�o � apenas um conflito entre os Estados Unidos

e as for�as guerrilheiras comunistas.

Ao lado dos americanos combate o ex�rcito sul-vietnamita.

Com o apoio das unidades americanas,

estas for�as regionais e populares

tornam-se mais agressivas e mais confiantes.

Esta � uma guerra civil e est� a tornar-se cada vez mais brutal.

Quando um combatente vietcongue � capturado em Saig�o,

o ex�rcito sul-vietnamita executa-o na rua...

... criando uma imagem que vir� a definir esta guerra.

Foi o meu tio que me mostrou essa fotografia.

CIVIL SUL-VIETNAMITA

Trouxe para casa um exemplar da revista Time.

Apontou e disse-me que aquele tinha matado a minha fam�lia.

N�o sei ao certo, mas sei que...

... esses insurgentes que mataram a minha fam�lia, tiraram-me...

... tudo.

Huan Nguyen, de nove anos, e a sua fam�lia

vivem numa base militar perto de Saig�o.

Numa manh� de janeiro de 1968,

s�o surpreendidos por um ataque vietcongue.

O meu pai era oficial do ex�rcito sul-vietnamita.

Combatia o Norte comunista.

De madrugada, vi-os a entrar na base.

O meu pai disse a todos para irmos para o bunker que tinha constru�do.

E depois, quando dei por mim, est�vamos todos feitos em peda�os.

Vi...

... o meu pai... morto, l� fora.

Vi...

... a minha m�e a sangrar sem parar.

Ela perguntou:

"Est�o todos bem?"

E n�o sei porque � que disse isto,

mas respondi: "Sim... est�o todos bem."

E depois ela morreu esva�da em sangue.

Toda a minha fam�lia morreu.

Sou o �nico sobrevivente.

Fica comigo para sempre.

� algo que � simplesmente...

... irreal.

N�o �... N�o � deste mundo.

O guerrilheiro vietcongue que foi executado

ter� sido um dos respons�veis pela morte da fam�lia de Huan Nguyen.

Quando olho para esta foto vejo tudo o que estava errado nesta guerra.

� uma mem�ria cruel

do poder devastador da guerra.

Naquele ano de 1968...

... milhares morreram.

Para qu�?

N�o � assim que os seres humanos devem viver.

Entretanto, o fuzileiro Malik Edwards

patrulha as selvas do Vietname central.

Era sempre o homem da frente.

Na pr�tica, liderava a patrulha.

E por estar � frente,

99,9 por cento do tempo em que estive no Vietname,

era o primeiro a ser alvejado.

CORPO DE FUZILEIROS

Os da frente... Quer dizer, era raro ver um branco nessa posi��o.

Vamos embora.

E no caso de Malik, o trauma psicol�gico da guerra

come�a a fazer-se sentir.

Nesse dia, comandava a patrulha.

E aconteceu.

De in�cio julguei ser um c�o.

A correr.

Mas ao aproximar-se, vi que era uma pessoa.

Vinha na minha dire��o, ent�o comecei a disparar.

Entrei em p�nico...

... porque tinha acabado de tirar uma vida.

Mas todos festejavam: "Ed Matador! Boa, apanhaste um.

Conseguiste, meu!"

Vinham cumprimentar-me, dar-me palmadinhas, celebrar comigo.

E eu s� pensava: "Calma, calma."

N�o conseguia reagir,

s� queria voltar para a minha tenda

e esconder-me debaixo do cobertor.

E isso muda-nos...

... de formas que...

... nem consigo descrever.

Com as baixas a aumentar em ambos os lados...

... surgem not�cias chocantes nos Estados Unidos.

...not�cias com Walter Cronkite.

Boa noite.

O Dr. Martin Luther King,

defensor da n�o-viol�ncia no movimento dos direitos civis,

foi morto a tiro em Memphis, Tennessee.

A sua morte � uma trag�dia terr�vel e uma dor

para a nossa na��o...

... e para a nossa consci�ncia.

Com o assassinato de Martin Luther King em abril de 1968,

uma onda de protestos varre uma centena de cidades por toda a Am�rica.

A situa��o evolui de forma r�pida e imprevista.

At� ao momento, contam-se pelo menos 19 mortos.

Temos de salvar a nossa humanidade.

N�o nos opomos apenas � guerra do Vietname,

opomo-nos ao servi�o militar obrigat�rio.

Nem pensar! Eu n�o vou!

� neste contexto

que uma radialista norte-vietnamita que transmite m�sica atual

ganha popularidade junto dos militares afro-americanos.

Mas � propaganda comunista,

na tentativa de manipular os soldados americanos.

Ol�. Sou eu, a vossa mensageira da verdade.

Soldados, o que fazem aqui?

O vosso lugar � em casa, junto das vossas amadas,

a saborear hamb�rgueres e batidos.

A "Hanoi Hannah" era uma mulher...

... com uma voz sedutora.

Creio que parte do fasc�nio vinha da� mesmo,

escutar a voz de uma mulher.

Naquele tempo, quase s� havia locutores homens.

Na verdade, era uma propagandista

que tentava persuadir-nos a deixar o Vietname.

Sobretudo os soldados negros.

Soldados, o vosso governo virou-vos as costas.

Combatem pela nossa liberdade?

E a vossa pr�pria liberdade?

Porque morrem os filhos dos pobres

enquanto os filhos dos ricos est�o protegidos?

H� igualdade na Am�rica?

Ela dizia que dev�amos combater o racismo nos Estados Unidos

em vez de os combater a eles,

porque eles lutavam pela liberdade, tal como n�s.

A vossa grande na��o abandonou-vos.

As vossas vidas n�o t�m valor para eles.

Foi um pouco chocante.

Primeiro, que algu�m dissesse sequer essas coisas.

Porque, eu era do Sul, ningu�m dizia isso.

Quer dizer, pens�vamos nisso, t�nhamos esses pensamentos...

... mas, bem, ningu�m dizia nada.

Mas ela tinha raz�o sobre o que se passava no nosso pa�s.

E comecei a pensar nestas coisas de uma forma que nunca tinha pensado.

V�o! V�o! Avancem.

Maio de 1968.

MAIO DE 1968

Os vietcongues lan�am uma nova ofensiva,

atacando 119 localidades e cidades por todo o Vietname do Sul.

O ataque a Saig�o fazia parte de uma nova vaga de viol�ncia

e parecia seguir, em toda a parte, um padr�o comum:

ataques iniciais com m�sseis e morteiros.

Os vietcongues est�o entrincheirados nas casas e mant�m fogo intenso.

H� mais um ferido na linha da frente e estamos imobilizados.

Dois mil trezentos e setenta e um americanos perderam a vida,

fazendo de maio de 1968 o m�s mais mort�fero de toda a guerra.

Entretanto,

a Am�rica parece estar a perder a batalha no Delta do Mekong.

Os VC eram muito espertos.

Na maior parte das vezes nem os v�amos.

E quando sa�amos dos barcos, est�vamos na selva e...

... nunca sab�amos se havia um escondido num buraco ao nosso lado.

Quando ocupam uma zona,

o inimigo reagrupa-se noutra.

Perdemos tantos homens, jovens, no Delta do Mekong.

E ainda hoje tenho pesadelos.

Torna-se �bvio que os vietcongues

recebem um fluxo constante de mantimentos e refor�os.

A ofensiva comunista tem sido sustentada

por um fluxo terrestre de tropas e material vindo do Vietname do Norte.

Revela-se a exist�ncia de uma linha de abastecimento secreta

que parte do Norte do Vietname e atravessa o Laos, o Camboja at� ao Sul,

a rota Ho Chi Minh,

que transporta alimentos, muni��es e tropas para os vietcongues no Sul.

Para o Vietname do Norte, � a art�ria vital da ofensiva.

A For�a A�rea americana ataca agora essa linha vital.

Cerca de 400 avi�es americanos

participam nos ataques a alvos no norte.

Nos anos seguintes,

concentram-se em bombardear a rota Ho Chi Minh.

Uma tarefa atribu�da a pilotos como John Stiles.

FOR�A A�REA DOS EUA

Esta pr�xima imagem sou eu a sair do...

... avi�o... e...

... a fazer um manguito.

Bom dia, senhores. O vosso alvo para esta tarde, como previsto...

De manh�, recebemos as instru��es.

A miss�o era localizar

tanques e transportes inimigos, ve�culos de abastecimento.

E elimin�-los.

Bombardear tudo.

FILMAGEM AMADORA DE JOHN STILES

Bem, isto � um filme que fiz com uma c�mara Super 8.

E �s vezes, levava-a comigo nas miss�es

para filmar a partir do cockpit.

Sei que n�o o devia fazer, mas...

... quebrei as regras dessa forma. E consegui imagens incr�veis.

Estou a sobrevoar a selva...

... � procura do inimigo.

Aproxim�vamo-nos da fronteira norte-vietnamita.

Eu observava pelo lado esquerdo.

De repente vi um comboio

de m�sseis terra-ar.

Conseguia ver as armas.

Em segundos somos atingidos.

E entramos em espiral.

Sou ejetado.

Quando dou por mim,

o paraquedas est� preso na copa das �rvores.

Estou cercado por chamas e fumo do avi�o mesmo por baixo de mim.

N�o conseguia respirar. Por isso, soltei o paraquedas

e comecei a cair descontroladamente.

John Stiles tem de fugir do local da queda

para n�o ser capturado.

Mas quanto mais se afasta, menores s�o as hip�teses de resgate.

Naquele momento, estava t�o embrenhado na selva...

... que n�o apanhava sinal de r�dio.

Depressa percebem que John Stiles n�o voltou

e iniciam uma miss�o de salvamento.

Bob Noble � o piloto enviado no helic�ptero.

Chegou-nos um alerta. Um ca�a tinha sido abatido.

Sab�amos que cada minuto contava.

PILOTO DE SALVAMENTO

Por norma, se o inimigo tivesse mais de uma hora,

era tempo suficiente para a captura.

Na situa��o do John...

... estava condenado.

� preciso compreender que era a rota Ho Chi Minh.

S� havia �rvores de 60 metros.

Andei muito tempo � procura, sem resultados.

At� que avistei o avi�o destru�do.

De repente, ou�o um helic�ptero mesmo por cima.

Digo pelo r�dio:

"Acabaram de passar sobre a minha posi��o.'"

Foi um milagre.

E gritei: "Raios, agarra o gancho. Vamos embora daqui."

Est� a descer. Agarra-o.

Agarra o gancho.

John Stiles � um dos cerca de 3000 pilotos americanos

abatidos durante a guerra.

Agarro-me ao cabo.

Ent�o, o Bob Noble, com aquela m�o enorme,

estende-a e puxa-me para dentro.

Olhou-me nos olhos...

Lembro-me que me abra�ou.

Ele disse: "Obrigado."

E eu respondi:

"Faz-se o que for preciso para salvar uma vida."

Recordo-me de observar pelo vidro frontal do piloto

a paisagem a passar.

E percebi que...

... �amos safar-nos.

Descemos at� ao vale.

Aterr�mos.

Todo o pessoal da base nos recebeu, foi uma grande celebra��o...

Deram-me uma garrafa de champanhe.

FILMAGEM AMADORA DE JOHN STILES

Foi maravilhoso estar de volta junto dos meus camaradas.

John?

Oh, caramba.

Isto � �timo. � fant�stico.

- Caramba, est�s com �timo aspeto. - Ainda te aguentas em p�.

Sim. Sim.

Sem ti, sem o que fizeste,

eu n�o estaria aqui hoje.

- Foi gra�as a ti... - Ent�o.

... que tudo deu certo.

Merda.

Obrigado por me salvares a vida.

Acho que foi na segunda passagem que te vi mesmo nas �rvores.

Foi quando te disse:

"Agarra o cabo, meu."

- Pois. - "� tempo de ir para casa".

Foi um grande dia, meu amigo, foi um grande dia.

Em agosto de 68, os EUA dominam por fim boa parte do Delta do Mekong.

Mas perdem a guerra pela conquista do povo.

�s VC? �s, sim. �s VC?

Incapazes de distinguir quem � ou n�o vietcongue,

os americanos adotam uma nova pol�tica no Mekong.

Designam vastas �reas como zonas de fogo livre,

onde qualquer pessoa avistada � considerada inimiga

e pode ser abatida.

� como um jogo, no fundo.

Um dia apanh�mos uns 200 prisioneiros, queim�mos todas as palhotas � vista.

Mat�mos todos os animais.

Imagino que se n�o eram VC antes, agora s�o de certeza.

Demos ca�a ao inimigo.

A base foi arrasada.

Na Am�rica,

o pr�prio pa�s come�a a parecer uma zona de guerra.

Os protestos deram lugar a motins

e as ruas da Am�rica ardem.

Mais de 100 inc�ndios lavravam em simult�neo.

Alguns deles numa zona a apenas 20 quarteir�es da Casa Branca.

O Presidente Lyndon Johnson apela � calma.

Nada conseguiremos com viol�ncia...

... e divis�o.

Levanta-te!

N�o, para!

Naquela altura, estava furioso.

O Malcolm tinha morrido, o Martin Luther King tamb�m.

E ent�o, de repente,

via-se os nossos no Vietname a fazerem isto.

O punho no ar.

Deu-nos uma ousadia que nunca t�nhamos conhecido.

Agora diz�amos abertamente o que sent�amos.

A partir da�, acabou-se.

Fiquei farto dos Fuzileiros.

Pensei, se podia lutar por este pa�s...

... e fazer tudo isto por este pa�s, tinha de o fazer pelo meu povo.

Malik Edwards abandona os Fuzileiros

e junta-se aos Panteras Negras.

O que mudou � que...

... agora estou do lado dos vietnamitas.

� como se f�ssemos os outros.

Somos n�s os rebeldes, n�s... o inimigo.

Olha. Eu fa�o a fa�sca.

- Parece perigoso. - N�o!

Paga.

Melvin Pender quer cumprir a miss�o at� ao fim,

mas os seus superiores t�m outros planos.

N�o vejo ningu�m a vir.

Tira-o daqui. � a minha vez.

Vejam s�.

- Um ponto. - Este gajo n�o tem nada.

Estava ali � frente dos dormit�rios

a jogar cartas com o pessoal.

O meu comandante disse-me que tinha ordem para regressar aos EUA.

Perguntei-lhe o que se passava. Explicou-me ent�o...

Decidiram que devia voltar para treinar para os Jogos Ol�mpicos de 68.

O Tenente Melvin Pender conseguiu realizar o seu potencial

gra�as ao apoio do programa desportivo do Ex�rcito.

Quando Melvin se alistou no ex�rcito,

era �bvio que se tratava de um atleta extraordin�rio.

Agora, tinham outros planos para ele.

Correr fazia-me sentir... fant�stico.

Mas... s� conseguia pensar nos meus homens.

Como... fui treinado para cuidar destes homens, e...

Que mensagem passaria se os abandonasse?

Ele disse: "Bem...

... Mel, tenho ordens para te mandar de volta."

Os meus rapazes acharam �timo.

E foi t�o fixe, inventaram um lema.

Disseram: "Arrase com eles, meu tenente."

Foi assim que Melvin saiu do Vietname

para se preparar para os Jogos Ol�mpicos de 68.

JOGOS OL�MPICOS DE 1968 M�XICO

Aqui vem Mel Pender.

Ali estou eu.

Mel Pender, que � capit�o do ex�rcito, infantaria aerotransportada,

e favorito do p�blico.

Mel, surpreendeu muita gente ao entrar nesta equipa.

N�o, n�o fiquei surpreendido, sabia que ia conseguir.

Mel � escolhido para correr a estafeta dos 4x100 metros.

A� est� a passagem do testemunho para Mel Pender.

E foi ent�o que disparei como uma bala.

Nunca tinha corrido t�o depressa na vida.

Mel Pender a dar tudo pelos Estados Unidos.

Vejam como acelera na pista.

A equipa americana estabelece um novo recorde mundial

e conquista a medalha de ouro.

Um novo recorde mundial e ol�mpico.

Ganhei aquela medalha...

... pelos meus homens no Vietname, porque lhes tinha prometido.

Representar o Ex�rcito dos Estados Unidos... foi um momento incr�vel.

Foi durante estes Jogos que outros membros da equipa

decidiram fazer um protesto.

Ainda recordo o gesto silencioso do John Carlos e do Tommie Smith.

Para mim eram her�is.

Defenderam as suas convic��es.

E se n�o estivesse no ex�rcito, teria estado ali ao lado deles.

E Huan Nguyen, depois de perder toda a fam�lia,

refugiou-se nos Estados Unidos.

Se continuarmos presos ao passado, n�o conseguimos seguir em frente.

S� conheci a paz ao chegar aos Estados Unidos.

E servir no ex�rcito americano

deu-me a sensa��o de retribuir

o que este pa�s fez por mim.

Tenho 65 anos.

J� vivi o dobro do que os meus pais viveram.

Tenho tr�s filhos. Sou av�.

S�o o meu orgulho.

Durante muito tempo escondi deles...

... estas trag�dias,

porque queria que crescessem com uma vida normal.

N�o queria que crescessem como eu.

Quarenta, cinquenta anos depois, ainda carrego as cicatrizes desta guerra.

Muitas vezes esquecemos o impacto em tantas fam�lias diferentes.

Mulheres que perderam os maridos no campo de batalha.

E crian�as que perderam o pai, perderam a m�e.

Para ambos os lados,

1968 foi o ano mais mort�fero.

Muitos soldados come�aram a questionar

a sua presen�a no conflito.

N�o creio que tiv�ssemos o direito de vir para aqui.

Eu pr�prio n�o me sinto obrigado a estar aqui, mas c� estou.

Faltam-me 30 dias. Vou cumpri-los e sair.

Mais de 36 000 americanos j� morreram

e a vit�ria continua distante.

Em casa, cresce o mal-estar.

Gostava que acabasse, que os nossos rapazes voltassem.

Como o faria, n�o sei.

Se sairmos, acabamos com este banho de sangue.

� esta a minha opini�o.

O que fazemos l�?

Porque alguns cometeram muitos erros

e decis�es erradas n�o deviam custar-me a vida,

as pernas ou os bra�os, ou algo assim.

O Presidente Nixon sucede a Lyndon Johnson

e promete acabar com a guerra.

Mas a guerra continuaria.

O sorteio do recrutamento.

Um direto sobre a escolha das datas de nascimento para o servi�o militar.

SORTEIO DO RECRUTAMENTO

Para tentar acalmar as cr�ticas

sobre quem era escolhido para combater nesta guerra,

introduz um sistema de sorteio com o recrutamento em direto na televis�o

conforme as datas de nascimento retiradas de um recipiente.

Catorze de setembro.

Entendido. H� dois nascidos a 14 de setembro.

O 14 de setembro n�o � propriamente o teu dia de sorte.

E nas linhas da frente o consumo de drogas aumenta.

E as tropas tornam-se mais dif�ceis de controlar.

Indiv�duos e pequenas unidades

ficam por vezes incapacitados e impossibilitados de combater.

NARRADO POR ETHAN HAWKE

Todo o arquivo hist�rico apresentado � aut�ntico

e foi filmado durante o conflito.

Na aus�ncia de filmagens de certos acontecimentos,

foram usadas imagens que retratam momentos semelhantes da guerra.

Legendas: Andr� Alves Ribeiro

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