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AS MEM�RIAS DE SHERLOCK HOLMES
"A Miss�o Crist� Para os Marinheiros Reformados"
A CAIXA DE PAPEL�O
N�o digo que a farda n�o ficava bem, Srta. Cushing,
mas � bom v�-la sem ela.
Sarah! Sarah!
Deve ser a outra Senhorita Cushing.
Esse deve ser um dia feliz para as tr�s?
Sim, claro que �.
Vou j�!
"Ladr�es de corpos atacam na zona norte de Londres."
Ser� esta uma nova vers�o da dupla Burke e Hare?
Infelizmente, as escolas de anatomia
n�o precisam da ajuda de ladr�es de corpos, nesta �poca do ano.
Est�o bem fornecidos com os corpos dos pobres.
- O que ser�, ent�o? - N�o sei.
Algum culto bizarro, talvez.
J� o consultaram sobre esse assunto, Holmes?
- Entre, Hawkins! - O Hawkins.
Fique a vontade. Beba um caf�.
Obrigado.
- Trouxe as descri��es? - Trouxe, sim.
Corpos exumados at� agora: Albert Cotter, 48 anos,
transportador de peixe em Shadwell. Morreu do cora��o.
Martin Rubery, 54 anos, cirrose no f�gado.
Dele, s� sabemos que praticou pugilismo amador quando jovem.
Jimmy King, 39 anos, era porteiro em Covent Garden.
Hemorragia cerebral.
- Vai continuar invertigando? - Se o Senhor Holmes o diz.
Digo.
E esteja atento ao Murdoch Gull.
Sim? O Murdoch?
Ele � o receptor de tudo o que � estranho.
Pode ser o nosso homem.
Mais uma coisa, Sr. Holmes.
Seria uma honra para mim e para os meus homens,
se nos visitasse na v�spera de Natal.
Ficamos alegres na �poca do Natal, e gostamos de receber pessoas.
O Natal...
Mary?
Mary?
Pronto. J� � um come�o.
- Sra. Hudson! - Sr. Holmes?
Como eu vou me lembrar de mais um presente para o Watson?
Todos os anos me faz passar pela mesma agonia.
� muito simples, Sr. Holmes. V� ao Gamages.
- Gamages? - Sim. Fica em Holborn.
� uma grande loja, um grande armaz�m de retalho.
N�o lhe faltar�o ideias.
Sra. Hudson, como se atreve a pegar na minha aspidistra?
Atrevo-me, sim.
Boa tarde, Srta. Cushing. Boas festas.
- Boa tarde, Wilkinson. - Parece que vai nevar mais.
Espero que n�o.
O que � isso, Sr. Jacottet?
- Senhora Susan. - T�nhamos combinado
que podia se sentar junto a lareira depois do jantar.
Agradeceria se, quando est� nesta casa,
se restringisse ao seu quarto.
A sua irm� Sarah me deu autoriza��o, minha senhora.
Esta casa � minha e n�o da minha irm�.
- Se assim fosse, mas duvido... - Duvida da minha palavra?
Ficaria surpresa se ela permitisse o uso da cozinha ao meu h�spede.
Ficaria surpresa com o que a sua irm� permite.
Muito surpresa.
Agradeceria se sa�sse da cozinha.
- N�o ouviu o que eu disse. - Susan...
Marcel! Susan! Deu resultado! Sou diretora da estalagem.
Pergunte o que ela me permitiu!
Deu autoriza��o ao Sr. Jacottet para usar a cozinha?
Creio que sim. Uma vez.
- Nunca pensei que ele... - Pergunte!
- O qu�? O que foi? - Pergunte!
Voc�s, ingleses, s�o mesmo hip�critas!
- Conte o que me permitiu. - O qu�?
Do que se trata? Ser� que algu�m...
Estou vendo.
Estou a ver. Muito bem...
J� que � diretora, vai viver para l�.
Deve ter aposentos na estalagem. Vai para l�.
N�o te quero na minha casa. Vai.
N�o te quero aqui. N�o quero.
Quanto ao senhor, vai sair imediatamente da minha casa.
Imediatamente, antes que eu chame a pol�cia.
Poder� ir buscar as suas coisas na porta da loja.
Como se atreve?
- Parece mesmo a m�e. - E se parecer?
Depois da morte dela, n�o pensei voltar a ouvir este tipo de coisa.
Como se atreve a falar assim da m�e? Ainda bem que sou como ela.
De outra forma, n�o sei o que seria dessa fam�lia.
� voc� quem nos mant�m unidas? � mesmo fant�stica!
Sabe que a Mary foi embora, sem dizer a ningu�m?
�timo. At� que enfim que ela revela alguma coragem.
Diz que isso � bom?
�s vezes acho que n�o � s� fraca.
� propositadamente irrespons�vel.
- A Mary � uma mulher casada. - Mas n�o gra�as a voc�.
Dificultou a vida at� o �ltimo momento.
Jim Browner nunca esteve a altura da nossa fam�lia, n�o �?
As filhas do Major Cushing.
N�o importa que ele fosse um reles de um jogador.
- O nosso pai... - Cale-se!
- Se algu�m desgra�ou esta fam�lia... - Fui eu?
Te aviso que um dia
essa mania do respeito vai te fazer mal.
Voc� � mesmo... detest�vel.
- Cara Sra. Hudson. - Sr. Holmes!
O doutor est� acompanhado. E uma tal de Srta. Susan Cushing.
- � melhor guardar isto. - O que � isto?
O que � aquilo?
� uma �rvore de Natal. � um abeto da Noruega.
Essa � a Srta. Cushing.
A Srta. Cushing est� preocupada com a irm�, a Sra. Browner.
Continue.
A irm� mais nova da Srta. Cushing vive perto dela, a oeste de Camberwell.
A Sra. Browner vai tomar ch� com ela todas as sextas-feiras,
a menos que avise que n�o possa, o que n�o � comum.
Na sexta-feira passada, dia 19,
a Sra. Browner n�o avisou que n�o ia, nem apareceu.
A Srta. Cushing foi saber dela na sua casa,
mas ningu�m a via desde a quinta-feira passada.
- Parece que ela desapareceu. - E evidente, Holmes.
- H� raz�es para o desaparecimento. - Sim, eu sei.
Ou ela queria desaparecer,
ou algu�m queria que ela desaparecesse.
Sabe de alguma raz�o porque algu�m iria querer que ela desaparecesse?
A Mary? N�o.
Ela � uma pessoa amorosa. Todos gostam dela.
Quanto ao paradeiro dela,
sugiro que se dirija a uma ag�ncia de pessoas desaparecidas.
- Eu dou uma lista de endere�os. - Pronto.
Est� lindo.
Que melhoramento no ilustre picea sem gra�a.
Sarah.
- Sarah. - Marcel.
O que te deu? Estragou tudo.
Esperar me deixou doido. Me deixa louco, Sarah.
- As vezes acho que estou doido. - Onde est� morando?
No mesmo buraco nojento, perto do hospital.
Gra�as a sua irm�. N�o vou deix�-la se esquecer disto.
Se quiser morar num local decente, precisa duma carta de recomenda��o.
- Vai passar o Natal na B�lgica? - Vou falar com o meu tio, em Ostend.
Quando voltar, te escrevo uma carta de recomenda��o.
Sou diretora dessa estalagem. Vai valer de alguma coisa.
Te amo.
Vem falar comigo depois do Natal.
O correio, Srta. Cushing.
- Ponho os embrulhos junto a �rvore? - Sim, por favor.
- Nada da Sra. Browner? - Por enquanto, nada.
O Sugden incluiu o vinho da Madeira, na entrega de hoje?
Sim, Srta. Cushing.
- Est� tudo pronto para essa noite. - Obrigada.
- Boas festas, Sr. Bradbrook. - Muito obrigado e igualmente.
Senhorita Cushing.
Cara Srta. Cushing.
- Desculpe. - Sr. Bradbrook?
Creio que a sua irm� Sarah vai nos fazer companhia?
Receio que n�o, Sr. Bradbrook.
Ela agora � diretora da Estalagem Mission.
As obriga��es que tem com os h�spedes, a obrigam a ficar l�.
Agora s� a vejo aos domingos.
Lamento desiludi-lo, Sr. Bradbrook.
N�o, n�o. N�o desiludiu. De forma alguma.
Ent�o, Sr. Bradbrook. � v�spera de Natal.
Para compensar, vamos abrir os presentes que est�o na �rvore,
Logo depois do jantar e n�o a meia-noite. O que me diz?
Muito bem. Sim, acho �timo. Fant�stico. Vamos fazer isso.
Pelo menos o Gladstone vai ficar satisfeito.
Est� ali um miminho para ele.
Bem-vindos, meus senhores! Ainda bem que vieram.
- O Gull? Ele foi preso? - N�o, Sr. Holmes.
- Veio apresentar queixa. - Veio?
Reparou que estamos a vigi�-lo e n�o lhe agrada a ideia.
- Mas n�o vai desistir? - Claro que n�o.
Junte-se a festa!
V� l�.
Sim. Entre!
Meu caro amigo, est� a us�-la.
Tinha de experiment�-la.
O melhor � que cobre o guiador, se for necess�rio.
- Onde a achou? - No Gamages, o grande armaz�m.
Obrigado. O cachimbo � fant�stico.
Hawkins, entre, meu caro amigo.
Sente-se, por favor.
H� not�cias dos s�rios roubos?
A pol�cia de Camberwell veio falar comigo. Houve incidentes l�.
Estavam pensando se haveria alguma liga��o?
Creio que n�o h�,
mas gostaria de ouvir a sua opini�o, Sr. Holmes.
Temos de resolver esta brincadeira.
- Brincadeira? - Uma senhora de respeito,
na companhia de amigos, abrindo embrulhos na v�spera de Natal.
Um deles � esquisito. Estava cheio de sal.
Ela despeja o sal, e o que est� l� dentro?
Duas orelhas humanas cortadas.
Cremos que seja um estudante de medicina. Ela teve um como h�spede.
A anatomia depois da morte pode tornar algumas pessoas insens�veis.
Ela p�-lo fora antes do Natal. Parece que discutiram.
Conhecendo os seus m�todos, Sr. Holmes,
n�o mexi nas orelhas e as deixei em casa da senhora.
Fica em... Sim, aqui est�. Trafalgar Villa, Camberwell.
� a Srta. Susan Cushing.
Sr. Holmes.
Veio me ajudar a encontrar a Mary?
Receio que n�o, Srta. Cushing.
O inspetor me pediu que averiguasse o outro triste assunto.
Ah, isso.
N�o fico com aquilo dentro de casa, Sr. Hawkins.
Se querem v�-las, ter�o de ir a estufa.
J� prendeu aquele jovem desprez�vel?
� uma quest�o de tempo, Senhorita Cushing.
- O carimbo postal � de Harwich. - Este tal estudante, o Jacottet,
ia para a sua terra, Ostend, via Harwich.
Sim, concordo.
Harwich � persuasivo.
A escrita � fraca, sem instru��o.
A profiss�o m�dica � conhecida pela sua ilegibilidade,
mas isto...
Foi escrito com uma esferogr�fica de bico largo, a tinta � ruim.
Cordel de marinheiro. �leo de alcatr�o.
Os n�s est�o intactos.
Sal grosso e, enterrado nele...
- Estavam estes itens curiosos. - Que conclus�o tira disso, Watson?
Foi arrancado um brinco desta orelha.
N�o fazem par.
Seria mais f�cil o Jacottet t�-las tirado de uma sala de aut�psia,
e n�o fariam par. - Com que prop�sito?
Para pregar uma brincadeira de muito mau gosto.
Meus senhores, n�o se trata duma brincadeira de mau gosto.
Qual a primeira sensa��o que t�m ao entrar numa sala de aut�psia?
Formalde�do. Gaita! Devia cheirar a formalde�do.
E n�o cheira. N�o se trata de nenhuma brincadeira.
Trata-se de um crime s�rio.
A sua irm�, Srta. Cushing.
A Mary!
At� que enfim!
Mary, Mary, muito pelo contr�rio!
Pensei que fosse a Mary.
Vim buscar mais umas coisas minhas.
Te comprei uma prenda, antes de termos discutido.
- Pode ficar com ela. - N�o a quero.
- N�o a quero. - O que foi contigo?
- � outra brincadeira nojenta? - O qu�?
- Afinal, ele era teu amigo. - Quem?
- N�o quero o teu horr�vel embrulho. - Fique com ele.
Pelo menos, vamos manter a boa educa��o, mana.
A boa educa��o?
Ousa falar de boa educa��o?
Sempre desprezou as regras da sociedade.
E teve o descaramento
de me acusar de ter interferido no casamento da Mary.
- E n�o o fez? - E voc�, o que fez?
O que eu fiz?
- N�o fiz nada. - Sabe o que fez.
Apresentou a Mary a outros homens. Corrompendo-a.
Na sua inoc�ncia, a Mary me contou.
- Ela me acusou? - Sabe que ela n�o acusa ningu�m.
Mas vejo o teu dedo na infelicidade dela.
Que tolice.
Porque o Jim Browner recome�ou a beber?
Prometeu a Mary abster-se de bebidas alco�licas. Foi isso que os uniu.
Ela p�s-lhe a fl�mula azul ao peito e ele era um novo homem.
- Porque ele quebrou a promessa? - Porque pergunta isso a mim?
Porque discutiu com ele?
Nunca gostei do Jim Browner, � verdade.
Mas ele n�o merecia voltar a bebida por interfer�ncia sua.
- J� cheguei! - Jim.
Ol�, Sarah.
A Mary s� contava contigo mais tarde.
Consegui pegar a parte final da preia-mar. Poupei tempo.
- Ela n�o est� em casa? - N�o.
A Sra. Cooper est� mal outra vez. A Mary est� com ela.
Eu disse que a ajudaria com a roupa. Ela n�o deve demorar.
Ajuda-la muito, n�o �?
Isso � bom.
Creio que sabe porque a ajudo?
Como?
- Porque estou sempre aqui? - � irm� dela.
N�o consegue ser feliz por cinco minutos sem ela, Jim?
Tome. seja �til.
- Depois largue um dos lados. - O qu�?
Largue esse lado e pegue pelo outro lado.
Como? A Mary n�o faz isso.
Me atrevo a dizer que h� muitas coisas que a Mary n�o faz.
Eu te mostro como se faz, sim?
Ora bem...
V� l�.
Pegue nessa ponta.
Agora largue esse lado...
... e pegue no outro.
Fa�a voc�.
Isso n�o � para mim. N�o quero ter nada a ver com isso.
Me pondo a fazer trabalho de mulher. Isso � trabalho seu.
O Sr. Holmes e o outro senhor, querem falar contigo, minha senhora.
Desde que n�o tragam aquelas coisas para perto de mim...
E onde est� ele agora?
O Sr. Browner estava na carreira Sul-americana,
quando casou com a Mary, mas gostava tanto dela,
que arranjou coloca��o nos barcos do Mar do Norte.
Na carreira londrina Den Helder.
A Mary gostava dele?
- Foi um casamento por amor. - Por amor?
Apesar de...
Sim?
Na �poca, eu estava relutante em reconhecer isso.
Porqu�?
Achava que uma irm� minha n�o devia casar com um marinheiro.
E agora? O que pensa agora?
Penso que o Jim e a Mary podiam ser felizes.
- Quer dizer que n�o eram? - No in�cio, sim.
O que aconteceu?
Talvez seja melhor perguntar a Sarah.
Ela praticamente viveu l� por algum tempo.
Em que navio trabalha o Sr. Browner, neste momento?
No "May Morning".
Partiu no dia 17 para a B�lgica e para a Holanda.
Passaram o Natal em Roterd�o.
As tripula��es deitam a sorte e o Jim, este ano, teve azar.
A Mary era para ter passado o Natal comigo e com a Sarah.
A Sarah agora � diretora da estalagem.
Tem pena que ela j� n�o more contigo?
Tenho, sim.
Para ser sincera, Sr. Holmes,
as coisas n�o est�o bem entre n�s.
Discutiram?
Porqu�? Pode ter algo a ver com o que aconteceu a sua irm� Mary.
Eu sei disso!
Claro que tem a ver com isso! Acha que eu n�o sei?
- A culpo de tudo. - A Sarah?
Claro. A Sarah.
Ela passava tempo demais na casa da Mary.
O Jim e a Mary tinham acabado de casar,
estavam construindo a vida deles, fazendo os amigos deles.
Depois a Sarah apresentou-lhes o Alec Fairbairn.
Sei que tinha segundas inten��es.
A Sarah parecia querer envergonhar o Jim Browner.
N�o sei o que o Jim tinha feito a Sarah,
mas ela parecia odi�-lo.
Acredito que...
- Acredita que o qu�? - Lhe pergunte!
Pergunte a Sarah. Ela est� aqui em casa arrumando as coisas dela.
Pergunte se n�o queria que a Mary fugisse com o Alec Fairbairn.
Era isso que ela queria.
Tenho certeza.
A mensagem foi recebida.
Caf�, senhor.
- Obrigado pela ajuda, inspetor. - E muito dif�cil, Sr. Holmes.
N�o podemos ignorar as provas.
O que temos n�s? Duas orelhas num embrulho,
o estudante de medicina, o Jacottet, que foi expulso de casa da senhora.
� um motivo forte.
O embrulho foi enviado de Harwich no dia 19.
Ele estava em Harwich no dia 19. N�o temos mais do que isso.
- A sua l�gica parece infal�vel. - Obrigado.
Lamento n�o ter conseguido esconder isto dos jornais.
V�o contar a hist�ria na primeira edi��o de amanh�.
Tamb�m conseguiram apurar o nome da Srta. Susan Cushing.
- Ela n�o vai gostar disso. - Coitada.
Quanto ao outro assunto, o Sr. Holmes tem algumas ideias, n�o tem?
Creio que um elemento da profiss�o do Dr. Watson,
talvez de alguma superioridade, ultrapassou os limites.
Os corpos pertencem todos a pugilistas, amadores ou n�o.
Qual � a triste caracter�stica dos pugilistas,
que lutaram durante muito tempo?
Podem ter les�es cerebrais
que fa�am com que pare�am estar sempre b�bedos,
que tenham um discurso indistinto, perda de mem�ria e assim.
- Ficam embriagados com os murros. - Nem mais.
Quer dizer que algu�m est� estudando a patologia do tecido cerebral?
E pelos melhores motivos, atrevo-me a dizer.
E a paix�o que sentem pelo assunto ultrapassou o bom senso.
O Sir Marcus Lanyon! Aposto um ordenado mensal no Sir Marcus!
� precisamente a sua especialidade e ele � muito impaciente.
- � muito impaciente. - A� tem, inspetor.
Ela est� muito triste.
Est� assim desde que retornou, a tarde.
Srta. Cushing.
Porque discutiu com o seu cunhado, o Sr. Browner?
O qu�? Quem � o senhor? O que faz aqui?
� o Sherlock Holmes. Ele investiga o desaparecimento da sua irm� Mary.
Ela fugiu com o Alec Fairbairn, s� isso.
Porqu�?
- Ela tinha medo do marido. - Porqu�?
O Jim Browner era um b�bedo.
Era violento com ela. Ele era desprez�vel.
Qual � a sua explica��o para as orelhas cortadas?
Viu a caixa de cart�o na casa da sua irm�.
Aquelas orelhas cortadas eram para voc�, n�o eram?
A mensagem era para voc�.
Entendeu o seu significado.
Foi o Marcel Jacottet que as enviou.
Ele me disse que ia fazer alguma coisa.
Nunca pensei que ele fizesse algo t�o nojento.
Ela est� mentindo, Watson.
Ela mente com todos os dentes que tem.
- O Gull est� l� fora. - �timo.
Fui aos escrit�rios da carreira mar�tima.
- E? - � como o Holmes imaginava.
O "May Morning" zarpou de Londres para Den Helder no dia 17,
mas uma pipa soltou-se.
Partiu parte da blindagem e teve de ser reparada.
- Em Harwich? - Em Harwich.
A tripula��o teve licen�a no dia 18.
O "May Morning" zarpou ao fim do dia 19, quando o embrulho foi enviado.
Excelente, Watson. J� est�.
Sr. Holmes.
Sr. Gull.
Mandaram um telegrama.
O Jim Browner saiu do barco em Ramsgate, as 7 dessa tarde.
�timo.
Eu sabia que podia confiar em voc�.
- E eu em ti, n�o posso? - Pode.
O nome Sir Marcus Lanyon te diz alguma coisa?
Talvez.
Ele ser� avisado.
As ordens com as quais tem lucrado v�o desaparecer,
mas o interesse da pol�cia por voc� tamb�m.
Fico contente com isso.
Cheg�mos a um acordo, Sr. Gull.
Holmes...
Os n�s do embrulho eram um n� corredio e um n� de escota.
Sim. N�s de marinheiros.
Sabe que os marinheiros n�o afiam as facas propositadamente?
- Sim. Para o caso de acidentes. - Da� as amputa��es imperfeitas.
Harwich era a chave e o Browner estava l�.
Creio que o Browner
tenha regressado inesperadamente,
encontrou a mulher com o Fairbairn,
os seguiu e assassinou os dois.
Cortou uma orelha de cada um deles
e as mandou para a Sarah Cushing.
Claro que ir� l� imediatamente.
Deve estar ansioso para que ela saiba
que as orelhas cortadas eram para ela e n�o para a irm�.
Assim sendo...
O trem est� funcionando com hor�rio de domingo.
- Porqu�? - Porque ainda � a �poca festiva.
Sabe que o Browner pode ter pego um trem muito mais cedo?
N�o. N�o sabia.
Mary?
- O que acontece, Sr. Holmes? - Uma nova experi�ncia, inspetor.
Pode ser que prenda um homicida
antes de saber que houve um homic�dio.
Ol�.
Bem pode ficar olhando.
Olha para mim, Sarah Cushing. Isso � obra sua.
- O que voc� fez, Jim? - O que eu fiz?
O que voc� fez?
Te pe�o, Jim,
que olhe para mim com compaix�o.
Tudo o que fiz, fiz por voc�.
Foi voc�.
- voc� � que a envenenou a mente. - Fiz por voc�.
Prenderam o h�spede.
Eu disse que tinha sido ele.
N�o suspeitam de voc�, Jim.
Pode fugir.
Fugir?
Acha que posso fugir?
Acha que consigo esquecer?
Fui eu! Est� aqui!
Cada imagem do que aconteceu!
A imagem est� sempre na cabe�a. Nunca sai daqui.
N�o h� uma noite em que n�o feche os olhos sem ver um ou o outro!
Que o seu sangue apodre�a nas suas veias, Sarah Cushing.
N�o.
N�o.
Te amo. Te amo.
- Te amo. - Acredito que sim.
Mas te digo uma coisa. Preferia uma palavra meiga
daquela que matei do que da que me ama.
Preferia v�-la respirar por mais um minuto,
do que uma vida inteira com o que voc� pode me dar.
N�o diga isso! N�o diga isso!
Ela me amava.
� essa a raiz do problema.
Mas ela sabia...
... que eu amava mais as pegadas da minha mulher na lama,
do que todo o corpo e a alma dela.
Como sempre sonhei.
E...
... depois de rejeitar as investidas da Sarah?
Sei que a Sarah contou a Mary, para aborrec�-la.
Depois comecei a ver uma mudan�a na Mary.
Ela tinha sido sempre t�o compreensiva.
Agora desconfiava de tudo o que eu fazia.
Come�amos a discutir por tudo e por nada.
Isso me atormentava.
- E isso era obra da Sarah? - Sim.
Na �poca, n�o percebi.
O meu cora��o via apenas as coisa correndo mal.
Ela e a Mary eram insepar�veis.
Depois quebrei a promessa e voltei a beber,
por isso a Mary tinha motivos para estar chateada comigo.
Depois apareceu esse tal Fairbairn.
Ele era um rapaz de porte,
era elegante, tinha estudos, sabia falar bem...
... e as coisas pioraram muito.
Houve uma coisa que me fez suspeitar.
Um dia, entrei inesperadamente na sala,
e quando entrei, vi uma express�o de alegria na cara da minha mulher,
mas quando ela viu que era eu,
virou a cara com um ar de desilus�o.
S� o andar de Alec Fairbairn podia ser confundido com o meu.
A partir da�, deixei de ter paz.
A Sarah estava na cozinha. Fui falar com ela e disse
que se o Fairbairn
voltasse a p�r os p�s na minha casa,
eu lhe enviar as orelhas dele como recorda��o.
Gostaria que tivesse cometido esta fa�anha na Fran�a.
L�, este crime � considerado um crime passional.
N�o vai permitir que me deixem sozinho, n�o �?
N�o, n�o deixo.
Quando eu for embora, mando um agente para c�.
N�o gosto de ficar sozinho, sabe?
� a sua vez.
Venho j�.
Ela causou tudo isso, n�o foi?
Voc� s� pensavas em mim,
n�o era, Jim?
Ela te amava e me fez odia-lo.
Pronto.
Parecia que tinha um segredo.
Ela me fez pensar o pior.
O segredo era o amor dela por mim.
Devias t�-la tirado das nossas vidas, Jim.
Eu sei,
mas pensei apenas em voc�.
E olha para isso agora.
Eu fui est�pido...
... e cego como uma toupeira.
O que significa isso, Watson?
Qual o prop�sito
desse c�rculo de tristeza, viol�ncia e medo?
Deve ter algum prop�sito,
de outra forma o universo n�o tem sentido, o que � impens�vel.
Mas que prop�sito � esse?
� esse o grande problema da humanidade,
para o qual a raz�o ainda n�o encontrou resposta.
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