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A Oeste de Zanzibar (1954)
Os produtores são profundamente gratos aos Governos da África Oriental.
Sua Alteza Seiyid Sir Khalifa Bin Harud. Grande Sultão de Zanzibar.
E aos administradores do Parque Nacional do Quênia.
Por sua valiosa cooperação que tornaram esse filme possível.
Por milhares de anos. Vários árabes navegaram através da África.
A oeste em Zanzibar.
E levando com eles.
Tapetes e outros materiais.
Retornando a África com comércio do oriente.
O tempo passava.
Numa viagem de três mil milhas, começando com seus antepassados.
Durante gerações anteriores.
Na chegada. Achavam que eram abençoados.
Então se punham a celebrar um tradicional canto de preces.
Não há muito tempo. Vigorava o comércio de escravos.
O ouro negro da África.
Tribos primitivas tirada de seus lares para servir palácios pela Arábia.
Deixando em dúvida suas reais intenções.
O comércio bem longo de escravos.
E agora o marfim.
A luta pelo ouro africano invadiu o continente.
E na África de hoje.
Encontramos o que foi deixado por séculos.
A influência desses desastres horríveis.
Essa a história de como isso afetou uma pequena tribo.
Os Gelanas.
Aqui. Longe de tudo. Vivem há séculos.
Um povoado feliz, que ninguém sabia que existiam.
Agora, sua terra está morta.
Seu solo foi contaminado.
E junto com ele foram suas colheitas, comida e suas vidas.
Em dias anteriores, utilizavam técnicas para manter pastos fortes.
Deixando-os como novos.
Agora homens brancos dizem como eles tem que fazer.
Então uma grande reunião é convocada.
Não tinham escolhas de uma nova terra.
E como sempre. Os jovens e os mais velhos não concordavam.
Os chefes eram envenenados pela maldade dos filhos.
Invejosos e gananciosos.
É disso que fala pra nós? Ficarmos aqui? Estamos famintos.
O tempo está passando e decidimos que temos que ir.
Que bom. Pode aprender a lidar com búfalos.
Fará com que todos abram suas mentes.
Talvez vocês é que deveriam abrir as suas.
Todo o tempo para o chefe agora não é o bastante.
Observem. Vocês nos dominam há muitos anos.
O que vocês vêem? Pra onde devemos ir?
Direi pra onde devem ir. Vão todos para as colinas.
- Estamos ouvindo. - Quero ajudá-los a fazer o melhor.
A terra é boa lá. Só está esperando.
Um solo rico em água. Só trabalhar nele e os ajudarei.
Estão cantando o maravilhoso amanhecer que cai sobre a costa.
Em Mombasa, o que vocês chamam de civilização.
Não estão prontos para viver nessa civilização ainda.
Chegou a hora de sua decisão.
São bem vindos a tradicional vida de seus pais.
Me alcance aquele vaso.
Cada homem colocará um grão em cada vaso.
O vermelho será para se mudarem para as colinas.
Ou o preto, sendo de mudança para a costa.
Abra.
Pode continuar pra mim.
- Quero acompanhar a votação. - Sim, sra.
Já é o bastante. Veremos o resultado.
Não é da minha conta o que decidiram, sr. Payton.
Não podemos interferir no trabalho.
Acho que terão que ir para Mombasa.
Eles decidiram. Para Mombasa iremos.
Bob, não leve isso a mal.
De qualquer jeito teriam que se mudar.
Iremos então até essa localização na costa. Mombasa.
Se olharmos por trás. Isso é um paraíso.
Os colonos estavam empolgados. Toda tribo estava feliz com o novo.
Quando me despedi de alguns membros.
Resolvi voltar ao meu trabalho.
Pronto para continuar com o sucesso.
Mesmo sabendo que o trabalho seria muito duro para os colonos.
Havia me esquecido de como as coisas eram mesquinhas em Mombasa.
Que grande erro meu.
- Creio que teremos que ir por lá. - Também acho, porquê não?
Boa escolha, não?
- Caçadores. - Caçadores? Tem certeza?
Sem dúvida, bwana.
Ali, bwana.
Coloque tudo isso no caminhão.
Olá Bethlehem, Ambrose. O que fazem aqui?
- Do que foi isso? - Uma Iança.
Coloquem-no no sofá.
Como isso aconteceu?
Caçadores de marfim.
- Não por essas bandas. - Sim, os vi. Confiscamos o marfim.
Confiscou. O que vai fazer com isso?
Que posso fazer? Só o governo tem esse poder.
Mas não pode expor Ambrose e Bethlehem ao governo.
Mary, não posso ignorar isso. Não poderei cuidar de tudo da África.
Não, suponho que não... mas.
Mas ao que parece.
Não consegue entender? Os colonos não estavam aqui antes.
Ambrose e Bethlehem, também não.
Terei que fazer uma coisa em detrimento de outra.
Agora está melhor.
Você teve sorte.
- Irei a Mombasa com você. - Fazer o quê?
Tenho coisas pra comprar lá.
E depois, preciso conversar com Ushingo.
- Como vai, bwana? - Como vai, Ushingo?
Fico envergonhado disso, bwana. Não é bom pra nossa amizade.
Não é culpa sua. Sinto muito, mas tenho que levar isso ao governo.
Mas... serão presos?
Sim. Receio que irão.
Ushingo, porquê colonos estavam contrabandeando marfim?
O que está havendo? Onde estão os jovens?
Por quê tudo na colônia está mudando?
Também não gosto disso.
Você é um amigo.
Sei que aqui há caçadores de marfim.
Razão dos problemas entre meu povo.
Uma coisa que se espalha.
- Inclusive entre meus próprios filhos. - Mas você é o chefe. Pode impedir.
Não me ouvem, nem aos estranhos ou às leis da tribo.
Que estranhos?
Eles vem da costa, bwana. Comprando meu povo pelo marfim.
- E nos conduzem ao erro. - Ouça. Não precisa proteger a eles.
Meu povo precisa de proteção também.
De qualquer jeito a África inteira é culpada.
Se a África rouba, somos os ladrões.
Se a África mata, somos os assassinos.
Se caem nas tentações. Ainda seremos selvagens.
Esse tesouro é a tentação para a liberdade.
Isso não responde à essas ações. O que podemos fazer agora?
Destrua essas tentações, bwana. Antes que destruam o meu povo.
O dinheiro é a tentação pra se entrar nas cidades.
Meu povo tem uma vida simples demais pra entrar na cidade.
Não há lugar pra eles lá.
Logo que o dinheiro acaba. Se desfazem de nós.
A fome nos assola.
Nos tornando ladrões nas mãos de bandidos.
As esposas e filhos são abandonados.
Precisam de sua ajuda. Precisam de mais ajuda.
Mais que os animais.
Sinto muito, Ushingo. Esse é o meu dever e trabalho.
Tudo que falei é verdade, bwana.
Sei que é verdade o que falou. Mas não tenho escolha.
Vamos, entre.
Olhe, papai. os gelanas.
Bob, olhe.
Estão brigando.
Uma briga de mulheres.
Faça-me um favor. Leve-os para o chefe Ushingo.
- Que sorriso é esse? - Estou contente, Bob.
Você também e sabe disso.
Temo não ser um Deus. Mas é um dever a fazer.
Este gesto gentil não resolverá muita coisa.
Acho que verei meu chefe. Venha querida, te levo até o hotel.
Uma dúvida razoável. Mas isso não delimita a África.
Talvez seja o único que quer tentar e encarar isso.
Os cidadãos também querem encarar isso também.
Não se esqueça que fiz de tudo pra Ihe colocar onde está.
Mesmo que isso tenha me custado muito dinheiro.
Só esse material me custou quinze mil.
Tive que pagar eu mesmo com fundos do meu negócio particular.
Estamos conversando sobre armas que me permitam fiscalizar a ilha por toda costa.
Não deixando meus ajudantes só com arcos e Ianças.
Já te disse, Bob. A polícia está por todo canto. Isso é desnecessário.
Muitos gelanas ficam sem ter o que fazer e vagabundeando.
Mas os gelanas sempre viveram dessa maneira.
Se quer impedir.
Por quê não tenta uma grande jogada nos bastidores.
Isso não é tão simples assim, Bob.
- Percebe o que eu teria que... - Os gelanas percebem.
Pare com esse discurso.
Se quer contactar a agência para impedir esses contrabandistas...
...tem que ter só uma razão plausível pra sua sentença.
Que mexa com eles e me libere pra algo.
Falando extra oficialmente.
Por quê não toma as rédeas você mesmo?
- Não está falando sério? - Acredite. Isso é um trabalho sério.
Não era minha intenção sobrepor as autoridades.
- O contrabando com a agência. - Bom pensamento, mas te conheço.
Essa é sua chance de dar aos gelanas uma possibilidade.
- Mas olhe só o tamanho... - É pequeno comparado a toda África.
- Fácil de pegar o contrabando. - Em Zanzibar?
Será seu primeiro ponto de detenção. Zanzibar.
Aqui é onde irá começar.
Durante as duas semanas seguintes comecei a explorar Zanzibar.
Era como um quebra cabeça.
Qualquer um desses braços de rio poderia esconder contrabandistas.
Fui como um turista que desejava pescar.
E não conhecia nada.
E numa última tentativa desesperada.
Decidi visitar cada bazar árabe em Zanzibar.
Na esperança de conseguir alguma pista.
Esse som por aqui é diversão.
Pra se andar em Zanzibar tem que se acostumar com ele.
Pode parecer terrível mas não me incomoda.
Onde está Tim?
Este é o Zanzibar Hotel. Próximo ao mercado.
- Este é o mercado. - Um mercado muito bom.
- Num tom muito bom. - Este é o bazar indiano.
Bazar indiano. Zanzibar Hotel...
Vamos, Tim. Se apresse.
Espere um minuto, Mary.
Quer esta peça feita com marfim? É muito bonita.
- Parece de outro material pra mim. - Não. É só de marfim. Só ele.
- E que tal isso aqui? - Não, obrigado.
Imitação.
Já vi aquele cidadão antes.
É ele. M'Kwongi. Lembra-se daquele sujeito que fugiu?
Não o perca de vista.
Mary, venha.
K HINGONI e FILHOS comércio de marfim FORNECEDORES PARA REALEZA.
- Ali dentro, bwana. - Rápído antes que vá para a costa.
O pegamos numa loja de marfim.
Muito astuto. Agindo numa loja de padrão.
Pra despistar suspeitas.
- Não pareceria possível. - Não acreditaria se não estivesse vendo.
Mamãe?
Posso ficar aqui? Acho lojas muito chato.
Claro, não te culpo. Mas não saia pra lugar algum.
Sejam bem vindos ao meu estabelecimento. Estou à seu dispor.
Que tal um ornamento bem charmoso?
Ou algo mais vistoso?
- Queira sentar-se. - Obrigada.
- Jambo. - Como vai, garoto?
Olá, o que está comendo?
Choki choki, quer um?
Parece bom.
Assim não é bom. Assim é bom.
- O que é isso? - Dangut.
Este é um material com séculos de existência, madame.
Passado de pai para filho.
Veja esta presa exclusiva, madame. Sr.?
Meu filho ficará feliz em atendê-la.
Acho que seu marido precisa de atenção também.
Gostei dessa espécie. É do Quênia?
Não sr. É de Tabora, Tanganica. Agora se quiser...
Me interessei por esta parte da loja. Gostei desse.
- Quero olhar. - Sr. se importaria se...
É disso que quero conversar com você.
Há muita coisa e gostaria de examinar bem.
Tem coisa nesse lado que poderíamos discutir.
Desculpe, ali é particular e não é permitida entrada de estranhos.
Percebo.
- Quanto quer por ela? - Quanto me dá?
- Este é o grande capitão árabe. - Capitão de verdade? - Sim.
Agora sr. tenho uma coisa especial pra você.
Para clientes especiais como você.
Que roupa magnífica aquele homem estava usando.
Sim, e aquela adaga? Quero comprá-la.
Tenho mais coisas pra mostrar aqui na loja, sr.
Sim, sr.
- M'Kwongi? Passou por aí? - Não, bwana.
Papai, viu um capitão vestido de branco?
Juma, disse que é um capitão de verdade.
- Quem é Juma? - Jambo. - Jambo, pra você.
Disse que viu o capitão. De onde veio?
Sei quem é. O grande capitão. Capitão Dhow.
Se o sr. quer ver o Dhow Haba. Garota e capitão em abundância.
- O Grande capitão. - Sabe onde posso encontrá-lo?
- Claro. - Pagamento depois. Vamos.
- É o mesmo capitão, papai. - Não fale tão alto.
- Bob, não o perca. - Perdê-lo?
O seguiria pela cidade inteira.
Então esse é o tipo de cliente? Ele é bonito.
- O que acontecerá agora? - Dhow sairá esta noite.
- Como sabe? - Muito tempo observando.
Com certeza sabe barganhar, não?
Gostaria de saber de onde eles vêem.
Do Quênia, Tanganica, pra trazerem marfim.
- Marfim? É o que pensa? - Sim, é o que penso.
Eis a nossa resposta. Com aquilo poderíamos seguí-los.
- Qual o nome disso, M'Kwongi? - Aningilaw, bwana.
Te consigo um. Se quer um Aningilaw. Consigo um bem grande.
Seu pequeno espertinho.
Eles estão pegando velocidade.
- Redirecione as velas. - Sim, bwana.
Diga pra manter em frente a estibordo.
Está relutando, bwana. Disse que é pequeno demais pra isso.
Temos que nos manter atrás deles. Diga-Ihe pra ir em frente.
Me sinto como Robinson Crusoé. O que me diz, amigão?
- Sou segunda-feira, Bwana. - Que eu sei é sexta-feira.
- Como se sente? - Todo quebrado, bwana.
Vai se recuperar disso.
A propósito como os homens se sentem sendo guardas?
Disse que você é um grande homem, bwana. Que pagará em dobro.
Você o quê? De quanto está falando?
- Somente Mil xelins. - Mil xelins?
Percebe que não será demais se forem demitidos. Vamos
Acredito que teremos que seguir por aquele córrego.
Talvez possamos por ali ter alguma chance.
Talvez possamos encarar Dhow novamente.
O que faríamos? Bater um papo?
Pergunte se nos faria ir através do córrego.
Convença-o.
Faça-Ihe uma oferta.
- Ele vai, bwana. - Diga-Ihe que o pagarei.
Mas na próxima eu negociarei.
Tem certeza que eles voltam através do córrego?
Sim, bwana. Com a maré não tem outro caminho.
- Com a maré? - Sim, bwana.
Bom. Esperamos.
Que estão fazendo lá? Não parecem estar pescando.
Não pescam por pescar, bwana. Eles pescam pelo tato.
- Não estão usando linha. - Pescam diferente, bwana.
- Como assim? - Pesca através do puxão.
Amarram uma linha num peixe e o jogam na água.
O tipo de peixe é como uma isca que prende, então nada.
Quando ele se prende à presa. Eles sentem pelo tato então...
Verá como fazem, bwana.
Não gostaria de ficar ali por perto, bwana.
Não gostaria de ter um peixe como aquele tocando em mim.
É o dhow.
Estava certo.
M'kwongi, puxe a âncora.
Dê a partida.
Antes que ele se vá.
M'Kwongi, vou liberar a vela.
Vamos, vamos, Skeeper.
Vamos, vá em frente.
Vamos, vamos lá, Skeeper.
Vamos.
Viu, papai. Skeeper conseguiu novo recorde.
- Tudo bem, mas não faça tanto barulho. - Bob?
Só porquê não conseguiu pegar dhow, não precisa agir rude.
Vamos lá, à refeição.
Este para o capitão kid. Este para Long John Suliver. Espero ter entendido.
- Esqueceu que Capitão Kid foi embora? - Pode ficar pra você.
Faz ele se comportar como um idiota.
Talvez sim. Mas faço se sentir bem na sua própria casa.
Mesmo com você tentando se matar por duas vezes.
Às vezes meus negócios saem fora de controle e...
E talvez da próxima vez não tenha tanta sorte.
Poderá ser algum ajudante seu, Tim ou... eu.
Bob, e que tal trabalhar no escritório?
Sei que talvez não seja a maneira como queira ajudar os gelanas, mas...
Ser detetive faz parecer que o seu lugar...
Claro, que agora começo a perceber.
Isso te faz parecer um homem desesperado, um gângster.
- Não há razão para pensar... - Isso não é seu dever, querido.
Desculpe, Bob. Mas isso é trabalho para a polícia.
- Mary, espere um pouco... - Bob.
Não era isso que queríamos.
- Não, não pegaria esse serviço... - E não seria bom o bastante?
Como sabe que não seria? Além do mais ninguém iria querer...
Sim, a polícia.
- A polícia está ocupada com o Quênia inteiro... - Então é pra você, agora?
Estou ficando doente. Vou dar um passeio.
Mary.
- Não me apóia nessa? - Claro que sim.
Mas não entende que estou com medo.
Que desejo que volte sempre pra casa.
Suponho que esteja certa.
Estou bancando o detetive. Tudo bem.
Deixarei isso antes que se torne um problema pra nós.
Tenho certeza que é a única coisa que tem a fazer.
Mas, só tem mais uma coisa.
- O quê? - Deixei M'Kwongi em Mombasa.
- Cuidando de tudo. - Não acha que ele descobriria algo, acha?
- Por favor, sou inocente. - Qual a sentença?
Pra este homem ser solto deve ser pago mil xelins.
Mil xelins? Isso é muito.
- O governo pagará. - Bwana, por favor.
M'Kwongi, esta será a última vez. Diga ao juíz que pagarei.
Voltará à embaixada para renovar seu visto por mais alguns meses.
Mas, bwana, isso implicaria em eu ter que ir à polícia.
E na prisão jamais encontraria o sr.
- O sr.? - Um com um grande nariz, bwana.
Conseguirá pelo menos cinco anos.
Ele sabe tudo o que acontece em Mombasa.
Sabe tudo sobre os caçadores e o marfim.
- Está falando a verdade? - Ele pode dizer muitas coisas.
- Vai dizer que estão agindo aqui agora. - Aonde exatamente?
Te mostrarei, venha bwana.
Melhor estar certo.
Lá, bwana. Aquele guia que está comandando.
Guia? Parece um alienador de escravos.
De fato, bwana. Vai para a India. E gostam disso. Consegue marfim.
Grandes assim. Ele mesmo me disse.
- E como sabe disso? - Vi seu carregamento.
Espera que eu acredite que seja a pista pra pegar tudo?
Sim, bwana. Ele gosta de mim, é da religião da minha esposa.
- Tudo bem. Acho que os clientes vão comprar dele. - E você?
Espere um pouco. Você tem duas esposas.
É trabalho em dobro, bwana.
Você é um espertalhão.
Ora essa. Não podemos disponibilizar um contigente por causa de uma suspeita.
Vai querer isso? Pague pra ver.
Ele está convencido. Pode ser uma coisa.
O problema é que isso vai requerer muito.
Temos que recorrer a autoridades especiais pra ter acesso.
Suponha que eu possa conseguir uma equipe?
E tenha sorte como nunca teve.
Irá exigir, muito equipamento, planejamento e todo trabalho.
Mas posso cuidar disso pra você.
M'Kwongi, você está confiante na sua pista, não?
- Claro, sr. Conheço ele. - Certo.
- Podemos chegar até o Dhow. - Suponho que sim, bwana.
O que foi? Há algo de errado nesta história?
Não. Tudo que disse é verdade, bwana.
É bom resolvermos isso.
A propósito, qual a área de atuação do seu homem?
- Argélia. - Argélia?
Se afaste.
- Aqui está, bwana. - Bom trabalho, o pegamos.
Você trabalha no porto e mora em Mandingo?
Está correto sr.
E trabalha para a empresa Mombasa Ramadee?
E está me dizendo que era o único a conduzir esse trabalho?
Meu cliente não praticou crime, excelência. Apenas é responsável pelo transporte.
E não pelo marfim que o transporte continha.
- Só trabalha no transporte. - E eu o represento pela empresa.
Está me dizendo que só a empresa é responsável pelo carregamento.
Responsável pelo carregamento e pelo marfim que continha?
Receio que há um mal entendido no seu interrogatório. Respeite sua inocência.
Repito, meu cliente não é responsável.
Aqui está uma série de documentos que comprovam o que transportava.
Oferecendo ao meu cliente proteção de qualquer coisa que a empresa fazia.
Gostaria de examiná-los?
Já vimos isso antes, e de novo e de novo.
Suponho que seu cliente dirá que não tem nada haver com o marfim?
Nada mesmo, capitão. É como diz aí.
A acusação de comércio de marfim é irresponsável para com meu cliente.
E portanto devem ser eliminada todas as acusações.
- Todos sabemos que seu cliente é mentiroso. - Sr. Ward?
Em favor do meu cliente devo protestar fortemente.
Não seria prudente usar essa linguagem.
Conhecemos os procedimentos, recebemos o seu protesto.
Se estava apenas no comando do navio.
Ficará com os custos pela reunião do conselho por julgar o caso.
Três mil e sessenta e cinco peças de tasks.
Convertidas se tornam vinte e uma libras.
- Pode acompanhá-lo. - Sim, obrigado sr. Obrigado sr. capitão.
Muito obrigado. Obrigado.
Posso ser dispensado agora, sr. Comissário?
Suponho que sim.
- A mesma história. - Todos o protegem de falar alguma coisa.
Não havia dito que ele iria preso?
Havia? Gostaria de fazer isso.
Isso dispensaria mil xelins ao mês. Mas do lado de fora é mais fácil.
Fica difícil lutar contra isso. Assim é a vida.
Não acredito que deixará isso assim. Vai deixá-lo impune?
É assim que funciona, sra. Payton.
Envolve interesse de gente grande. O marfim.
- E quanto aos outros? - Sem evidências.
Enquanto pagarem advogados, estão legalmente acima das provas.
Estes arquivos mostram o que fazem das operações.
Já pegamos o esquema, os homens, mas esse advogados ficam acima dos princípios.
Isso quebra nosso raciocínio. E faz perder nosso tempo.
Sinto muito, Ushingo. Gostaria de fazê-lo pagar legalmente.
Não sei como dizer o quanto isso é desapontador.
A justiça dos homens brancos fazem coisas estranhas, bwana.
Parece que ela é gerida por homens malvados.
Às vezes as coisas legais são...
Pra ela, o certo é punir meus homens por causa do marfim, não?
- Vai querer fazer coisas legais com eles também? - Mas...
Isso é muito relativo Ushingo.
- Cedo ou tarde esses bandidos... - Talvez seja tarde demais.
Vamos lá, Bob. O que acha de um drinque?
- Feliz com a decisão? - Certamente.
Deseja dar um conselho profissional?
Tem algum conselho que melhor me convença?
Neste caso talvez seja melhor fazer em particular.
Aqui no meu escritório. Gostaria de entrar?
Sr. e sra. Payton, por favor, queiram sentar-se.
Sr. Payton, na minha profissão, os conselhos costumam serem pagos.
Pra mim não significa nada. Na verdade quero parabenizá-lo.
Coloca essa sua experiência acima dos princípios.
- Colocando de forma barata... - De forma barata, não sr. Payton.
São bem caros e custam muito dinheiro.
Não entende o que está fazendo com tribos inocentes da África?
Talvez esteja fazendo, talvez não. Mas...
Sra. Payton, não pense que estou sendo cruel.
Colocando essa delicada situação em detrimento de tribos inocentes?
Ora, vamos sra. Payton. Sejamos realistas.
O mundo não pode esperar que sua civilização...
...seja dominada por estas tribos de negros.
Este negócio do marfim está destruindo um povo inteiro, os gelanas.
- Nas mãos desses contrabandistas selvagens. - Mas, srta. Payton?
Na África, esse é o destino que os negros carregam.
E são selvagens, mesmo que isso seja lamentável, mas é inevitável.
Talvez seja conveniente esquecer sua revolução industrial feita pelo seu povo.
A África sr. Payton, está tendo a sua revolução industrial.
E nada sentimental irá impedí-la.
Você, falando como um africano?
Não sou africano.
Um fenício talvez, cheio de paixão.
Mas, não africano.
Sou praticamente um fenício africano.
É fácil para um conquistador ser magnânimo.
Você não é africano sr. Payton.
Qual a sua maior oferta neste momento?
Porquê estou falando com você de homem pra homem.
Gostaria de saber quais são seus interesses.
Ou algo parecido.
Sempre vou devagar, sr. Payton. Mesmo nesse tipo de assunto.
Mas, aqui é meu lar. E eu comando.
Sem espaços pra negros. E pede que simpatize junto a você com eles?
Sou contra certas mudanças, sr. Payton.
E o desaparecimento dos gelanas seria muito ruim.
É uma expressão direta, não?
Mas, me perdoem. Estou sendo um missionário. Não quero ocupá-los mais.
- Eu gostaria de... - Neste mundo cínico...
...de fato charmoso e também realista.
Tenham melhor sorte.
Sr. Payton, não pode tomar todas as dores da África.
Claro. Isso é o que posso chamar de plano.
- Viu só o jeito de pensar. - É o homem mais vil que já encontrei.
Bob, tem que ir adiante até uma instância maior.
- Usam a lei ao seu lado... - Não dou a mínima.
Não mudarei meu pensamento, é óbvio que não.
Também acho, mas não há nada que eu possa fazer.
Deve haver algo que possamos fazer. Que homem horrível.
Tim, Mary. Rápido, é hora de ir.
Já estou indo. Não vou demorar sr. Skeeper.
Te vejo em breve.
Se lembra que não havia muito pra começar, M'Kwongi?
Sei como alimentá-los. Com comida.
Estava pensando em ver Ushingo esta manhã. Dar uma volta com ele.
Ele está bem pra baixo, não?
Aquela conversa do advogado não sai da minha cabeça.
Sim, aquilo incomoda.
Age com os gelanas como se fossem à parte.
Estou desamparado. À procura de respostas.
Me sinto do jeito que está falando.
Bob, olhe.
Ele começou às seis da manhã.
E ainda está trabalhando.
Melhor irem. Os verei mais tarde.
Mantenha tudo limpo. Ou lembrarei de outra coisa pra fazer.
Está certo. Adeus, papai.
Até à noite.
Boa sorte, campeão.
Ushingo, à quanto tempo tudo aqui está abandonado assim?
Você tem responsabilidades a cumprir. Deve isso a nós.
- Estou envergonhado, bwana. - Você pode resolver isso.
Meu povo está com o gosto da maldade.
Se tento corrigí-los, eles me desafiam.
Sinto muito, bwana.
- É tarde demais. - Não é. Têm que se ajudar.
Acha que é fácil pra homens negros se ajudarem?
Não ligam se vivem ou não.
Se pensam ou não.
Não estou falando como um homem do governo, Ushingo.
Mas sim como um amigo seu que sempre fui.
O que quer aqui homem do governo?
Não te queremos aqui. Vá pra casa.
Me perdoe, bwana. Isso saiu do controle.
Quebra as leis da hospitalidade da tribo.
Quem quer que insultem é muito pra eles.
Bwana, o que devo fazer. Diga-me e farei.
Quando vão contrabandear marfim de novo?
Esta noite. Te direi a verdade.
Quero os caçadores também.
Quero ver pra quem é entregue, e pra onde está levando.
Ushingo, a arma.
Descanse, bwana. Esta noite não podemos fazer nada.
Que quer dizer com descansar? Não levei tiro.
É muito perigoso. Descanse, bwana.
Bwana.
Lança delana, bwana.
São homens jovens tolos.
Mas não tenho sido um bom pai pra eles.
Não descansarei enquanto estiverem nesse caminho de sangue.
Por aqui.
Têm certeza de que estão me dizendo a verdade?
Tudo o que quero saber, afeta aqui.
Por quê não querem falar comigo?
O que os amedronta de me dizer algo?
Ambrose, onde está seu pai?
- Foi dar uma volta, sra. - Bethlehem, onde está o chefe?
Eles mentem, sra.
Eles temem algo.
Que se lixem todos.
Qual o problema com ele? Algo está doendo não?
O quê? Quinze bananas?
Ele ficará bem agora.
Ela diz que gostaria de lhe dizer algo sobre bwana Payton.
Mas primeiro terá que prometer não punir aos homens jovens.
Mas, claro.
Ela disse que alguns homens vieram na noite passada pra pegar marfim.
Bwana e o chefe os seguiu.
Este homens estavam com raiva. E matariam qualquer um.
Meu marido e o pai de vocês estão em perigo.
E sabiam disso.
Me dê uma carona. Talvez alguém aqui possa ajudá-los.
Poderiam, pelo menos ir até a polícia.
É pra deixar a polícia fora disso. Você prometeu.
Sabem a quem estão indo atrás, não?
Quero que me mostrem de uma vez.
Se não disserem. Os matarei. Com as próprias mãos. Me ouviram?
- Eu farei isso. - Tudo bem. Mostraremos a vocês.
Muitas pessoas passaram por aqui, bwana. Acho que perdemos o rastro.
Sim, receio que sim.
A única coisa a fazer é seguir aqueles rastros.
O que está havendo?
O grande festival da pescaria, bwana.
Os chefes daqui são amigos meus, bwana.
Disseram que nenhum homem diferente foi visto aqui. Só além do rio.
- Podemos usar sua canoa. - Ótimo.
Pare.
É a sua jaqueta.
- Acha que...? - Bwana é um homem difícil de matar.
Ambrose, o que foi?
O que foi?
- Ushingo e bwana foram por aqui. - Tem certeza?
Acho que bwana seguiu o rastro dos caçadores.
É melhor irmos.
- Estão nos vendo. Temos que ter cuidado. - De fato, bwana.
Cuidado, é melhor irmos mais pro meio.
- Descendo aqui acaba no rio, sra. - Tudo bem.
- O caminhão não consegue ir por ali. - Estou sem esperanças. Sejamos honestos.
É melhor voltarmos.
- Sentimos muito, sra. - É muito ruim quando se perde o amado.
Vocês tem que ajudar os gelanas, agora.
Porquê não ajudarei mais.
Ouça, Ushingo.
Vamos.
Suba, M'Kwongi.
Pare. Pare, pare, sra. Olhe.
Bob.
Bob.
Foi bom ter vindo até aqui.
Estava precisando de cuidados médicos.
- O rádio não pegaria por aqui. - É o ofício da profissão.
Talvez precise ir adiante dez milhas além daqui.
Bob, está louco. Viu do que esses homens são capazes.
São assassinos e não vai querer andar...
- Mary, isso é oficial... - Isso não é brincadeira.
Trata-se de assassinos, agora. Se não está certo disso, eu estou.
Está exagerando. Bwana fez tudo o que um amigo poderia fazer.
- Devo apoiá-lo. - Não seja ridículo também, Ushingo.
Esse é um trabalho para a polícia de Mombasa.
Seria um trabalho para a polícia se os advogados permitissem.
Vi como o corpo dos meus homens jovens ficam, sra.
Eu e meus filhos devemos ir.
Suponho que ache tudo o que ele falou verdade.
Vocês homens.
Seu imbecil.
Não quero mais vê-lo vindo em minha direção.
Coloquem o marfim à bordo. Rápido.
Estão embarcando tudo.
Precisamos ser mais rápidos. Os perderemos.
Se nos virem conseguirão retornar.
Ushingo. Bob. Bob.
Ushingo, volte. Volte.
Ushingo, não seja bobo.
Assassinos. Assassinos. Se afastem dos meus homens.
Se afastem dos meus homens. Assassinos. Assassinos. Se afastem...
Não Bob. Não vá.
Acabo por aqui, sra.
Minha luta se foi.
Os perdemos. Malditos.
Sinto muito, Ushingo.
Não é tarde demais, bwana. Olhe.
O rio faz uma volta assim.
Aqui o local não é bom.
E nesta convergência há muitos recifes. Podemos esperá-los à noite.
- Diz que os pegamos indo reto pra lá? - Sim, bwana.
Tem rochedos horríveis ali. Difíceis de serem atravessados.
Ninguém consegue atravessar.
Não tenho tanta certeza disso.
- Querida. - Bob.
Não consegue ficar longe dos seus negócios, não é?
Por favor, cuide-se. Não suportaria perdê-lo.
- Se sentem em débito com você, bwana. - Diga isso novamente.
Vamos.
Realmente não foram tão rápidos.
Ainda não cruzaram aquela faixa de água.
Diga que mataram o seu pai, Ushingo.
Diga que precisamos de homens e canoas e rápido.
Fiquem longe de mim. Sr Payton, onde está você?
- Você é o responsável por essa desordem? - Por quê eu seria?
Não lembro de nada do que falou a respeito deles.
Já te disse. Tudo o que você foi.
Está certo. Mas isso já faz algum tempo. Levem-no.
Seremos sempre agradecidos à você, bwana.
Cuide de todos. E una-os de novo.
Está vendo a todos, bwana?
Querem fazer uma festa.
Mas acho que temos uma longa caminhada antes de seguir adiante.
E quero presenciar isso.
Este é um grande e jovem país.
Mas acho que é o suficiente pra nós podermos crescer.
- Quero viver em paz. - Compartilho isso também.
- Saudações, bwana. Saudações, sra. - Saudações. - Saudações.
Boa sorte com todos.
Acha que ficarão bem, Bob?
Assim espero. Acho que sim.
Com os melhores líderes.
- Levando duas coisas em consideração. - O quê?
Paixão...
...e tolerância.
Tradução Edição e sincronia por WesternKasa /GM NOV2020
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