All language subtitles for Lamica geniale S04E01 The Separation 720p MAX WEB-DL DD 5 1 H 264-playWEB

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Original subtitles

- Boa noite. - Boa noite.

- Quero ligar para It�lia. - Muito bem.

Pode marcar o n�mero.

- Estou? - Pietro, � a Elena.

- Como est�o as meninas? - O que te interessa?

- S�o minhas filhas. - O que queres?

Os editores franceses querem mais eventos promocionais em Paris.

Decidi aceitar. Volto na v�spera de Natal.

Foste a Fran�a duas vezes em dois meses, desde que

decidiste destruir a nossa fam�lia. N�o vale a pena voltares.

Naqueles meses, durante a minha fuga para Fran�a com o Nino,

a Dede e a Elsa vinham-me � cabe�a constantemente, tal como o Pietro,

mas como que suspensos num universo paralelo.

N�o tinha not�cias deles h� alguns dias,

e, quando me apercebi disso, senti n�useas intensas.

Mas, por mais insuport�vel que fosse,

n�o recusaria o convite dos dois editores

que tinham acreditado no livro.

Adiar o meu regresso por uns dias n�o mudaria muito.

Ou percebi tudo mal?

N�o posso ficar ao telefone. Falamos em breve.

N�o, n�o te posso dizer.

Nino!

Desculpa, n�o te ouvi.

Estavas ao telefone com a Eleonora?

Claro que n�o.

Mentiroso.

- � verdade! - �s um mentiroso.

Juro que foi aquele professor chato de Utrecht.

Acho que tamb�m estava b�bedo. N�o percebi uma palavra.

Estavas a falar com a Eleonora, eu ouvi.

N�o podes ter ouvido, porque n�o � verdade. Acreditas em mim?

Tens de confiar em mim.

Eis o que penso:

a nossa situa��o � complicada, mas vamos resolv�-la.

Mas, para isso, n�o podemos continuar a fugir,

Montpellier, Paris, e sabe-se l� que outras cidades!

Temos de enfrentar a situa��o. Eu, Eleonora. E tu, o teu marido.

Estavas deslumbrante.

- Estive sempre de olho em ti. - Sim?

E n�o fui o �nico.

Dorme.

Dorme.

J� n�o falas comigo? Pelo menos diz-me porqu�. Liga-me.

N�o atendes?

Est�s ofendida comigo? Vens passar o Natal a N�poles?

� a Lila, outra vez. Est�s a enervar-me!

Ando a ligar-te h� um m�s. O que est�s a fazer?

- Estou? - Mariarosa, sou eu.

- O que se passa? - Diz-me tu, n�o est�o em casa.

- Que horas s�o? - S�o tr�s da manh�.

- S� chegaste agora? - Sim, o que se passa?

- As meninas est�o bem? - Sim, calma.

Est�o bem, est�o em Turim com os meus pais.

O Pietro disse-me que estavam � minha espera para o jantar de Natal.

- Mas ele levou-as para Turim. - N�o, a minha m�e veio busc�-las.

Sem me dizer? Como se atreve?

Achou melhor deixar-te a ti e ao Pietro sozinhos,

para lidarem com a situa��o � vontade.

Ela achou? Ela n�o decide!

Voltaste �s tr�s da manh�,

que Natal teria sido?

Houve atrasos por causa do Natal.

- N�o tens de te justificar. - N�o me estou a justificar!

Tens o direito e o dever de continuar a estudar e a escrever.

Quanto ao resto, n�o te posso dar conselhos.

N�o te esque�as da apresenta��o aqui em Mil�o.

O grande Franco Mari tamb�m l� estar�, est� ansioso por te ver.

Sim.

- Bem, boa noite. - Adeus.

Onde estiveste?

Porque deixaste a tua m�e levar as meninas?

Ouviste o que eu disse?

Estavas em Fran�a, em trabalho.

Teria chegado a tempo, mas os comboios atrasaram-se.

Nunca vens buscar as tuas filhas.

Pietro, vamos falar. Temos de chegar a um acordo.

De que tipo?

As meninas v�m viver comigo e tu vens v�-las aos fins de semana.

- Vou v�-las onde? - Em minha casa.

- E onde fica isso? - N�o sei, logo vejo.

Aqui, em Mil�o, em N�poles.

Em N�poles? Em N�poles?

Nunca deixarei as minhas filhas viverem contigo em N�poles, nunca!

- Nunca o aceitarei! - Calma.

Acalma-te, Pietro.

- N�o posso conduzir assim. - Para onde tens de ir?

- � esta��o de comboios. - Para qu�?

- Para ir buscar a tua m�e. - A minha m�e?

- Algu�m tinha de lhe dizer. - A decis�o era minha!

Terias mentido, como me mentiste.

V�s? � f�cil.

Foram feitos um para o outro, gostam de ler, de estudar.

S�o inteligentes.

Mas de que serve a intelig�ncia se desistem perante as dificuldades?

Pensa nas tuas filhas.

A Dede j� � crescida e n�o � correto faz�-la sofrer.

Pietro, obrigado por tudo o que fizeste pela minha filha,

mas n�o me vou embora enquanto n�o a perdoares.

Juro pelos meus filhos que n�o vou at� fazerem as pazes! Beijem-se.

Len�, pede desculpa e admite que erraste.

- Len�, v� l�! - Para com isso!

N�o vale a pena. Eu amo outra pessoa.

Cala-te, cabra!

N�o aguento mais!

N�o aguento mais!

Queres arruinar a tua vida atr�s de um homem

que � mais merdoso do que o merdoso do pai!

Pensei que a Lila te levava por maus caminhos,

mas estava enganada! �s uma desavergonhada!

Sem ti, a Lila � boa pessoa.

Devia ter-te partido as pernas em pequena!

O teu marido vale ouro!

Vive numa casa linda! Deu-te dois filhos!

E � assim que lhe pagas? Vaca!

- Vou matar-te! - Para!

J� n�o �s minha filha. Ele � meu filho.

Espero que o filho de Sarratore te pegue gonorreia e s�filis.

Que mal fiz eu para viver para ver este dia?

Mereci isto?

Senhor, leva-me agora! Leva-me agora!

N�o abras a porta. N�o pe�o que me deixes entrar.

S� quero dizer que n�o queria isto. � demasiado.

Nem tu mereces.

Tive vergonha de como a empurrei, tive vergonha dela e de mim.

Queria pedir desculpa, abra��-la.

Mas temi que ficasse convencida de que desisti.

Foi-se embora sem falarmos.

Desejou tudo de bom ao Pietro

e insistiu at� momentos antes de o comboio partir

para a manter informada sobre a m�o ferida e as meninas.

- Estou? - Ol�, Adele.

Amanh� vou buscar as minhas filhas.

- Elena, que surpresa. Feliz Natal. - Feliz Natal.

N�o te preocupes, podes deix�-las comigo o tempo que precisares.

A Dede tem escola.

Ela pode estudar aqui, h� uma aqui perto.

N�o, quero t�-las comigo.

Por favor, pensa nisso. Uma mulher separada

com duas filhas e as tuas ambi��es tem de encarar a realidade

e decidir do que abdicar.

At� amanh�.

N�o devias estar em Mil�o com Mariarosa amanh�?

Ent�o, apanho o primeiro comboio na sexta.

Cabra.

Nasci num bairro pobre e degradado, muito degradado,

onde a f�ria dos homens, a viol�ncia deles, era e � uma ocorr�ncia di�ria.

J� vi um pai atirar a filha pela janela

s� por ela querer continuar a estudar.

Vi uma mulher enforcar-se

porque enviuvou e tinha dois filhos para sustentar.

J� vi n�doas negras na cara de uma amiga,

porque casou com um homem que n�o amava.

Um homem que a violou na noite de n�pcias.

E tu?

De que �s culpada? De ir embora, de deixar tudo?

De aprender a l�ngua dos homens para ter mais sucesso com os teus livros?

Admiro a Elena precisamente por causa das suas capacidades masculinas.

E insisto que continue sem se perder nas obriga��es femininas.

Obrigada.

Fazes a revolu��o com o que tens � m�o, n�o �?

- J� ningu�m quer a revolu��o. - Eu n�o diria isso, Silvia.

Mas ela tem raz�o.

A esta��o revolucion�ria est� a acabar, bem como tudo o que a guiou.

- Mirko, Ester, sobremesa! - Franco, n�o � assim.

Em It�lia, a situa��o � muito animada e combativa.

Dizes isso porque �s animada e combativa.

- Est�s satisfeita contigo mesma. - Nada disso, estou deprimida.

As pessoas deprimidas n�o escrevem livros.

Os livros s�o escritos por pessoas felizes, que viajam, que se apaixonam

e falam com a convic��o de que as palavras v�o entrar nos eixos.

� confort�vel n�o ser desafiado por nada.

N�o h� ferida que infete, n�o h� corte que precise de pontos,

nenhuma sala escura que te assuste.

- No fim, o truque j� n�o funciona. - Ou seja?

Bl�-bl�-bl�, Elena. As palavras est�o a perder significado.

- � para ti. - Quem �?

O Nino.

- Estou? - Ol�. Ol�.

- Aconteceu alguma coisa? - Sim, estou cheio de saudades tuas.

J� que temos tempo livre, porque n�o vamos at� � praia?

Encontramo-nos a meio caminho, no Argentario, s� os dois.

Depois do que aconteceu com a tua m�e, uma pausa vai fazer-te bem.

- Mas quando? - Amanh� ou depois, o mais tardar.

Tenho de ir a Turim buscar as mi�das, n�o posso.

Vou estar ocupado na universidade, vai ser dif�cil sair.

Sim, eu sei. N�o sei o que fazer.

S�o s� dois dias, qual � o problema?

J� n�o tens saudades minhas? J� n�o precisas de mim?

Est�s a brincar?

- Mal posso esperar para te abra�ar. - De certeza?

- Sim. - Pareces t�o preocupada.

Nino, est�s enganado.

Diz outra vez.

Est�s enganado.

Naquela sexta-feira, n�o fui buscar as meninas

e a Adele n�o pareceu surpreendida.

Percebi que a minha sogra tinha levantado uma real quest�o:

como poderia manter a minha vida com o Nino e as minhas filhas?

Ent�o, decidi confiar as minhas filhas � Adele.

Ia visit�-las sempre que podia.

Quando estava com o Nino queria estar com elas,

e quando estava com a Dede e a Elsa queria estar com ele.

Nesses anos, o Nino e eu and�mos sempre em movimento.

Quer�amos estar presentes, observar, estudar,

compreender, raciocinar, testemunhar e, acima de tudo, amarmo-nos.

As sirenes, os bloqueios de estrada, o zumbido dos helic�pteros,

pessoas mortas por Brigadas Vermelhas marcaram este cap�tulo da rela��o.

Semanas, meses, um ano, e depois um ano e meio,

os eventos p�blicos tiveram significado a partir daquela noite

na minha casa em Floren�a, quando me juntei ao Nino no quarto.

Foi a� que dissemos um ao outro

que a nossa verdadeira vida tinha come�ado.

E aquilo a que cham�vamos vida verdadeira

era aquela sensa��o de esplendor milagroso que nunca nos deixou,

nem quando observ�vamos horrores di�rios � nossa volta.

Bom dia. Moro, l�der do Partido Democr�tico Crist�o,

foi raptado esta manh� por terroristas...

Colegas, precisamente neste momento dram�tico,

temos de ter a honestidade intelectual de nos lembrarmos

que aquele que atirou lama ao estado, que revelou o seu pior rosto,

e que criou as condi��es para o nascimento das Brigadas Vermelhas

Lamento dizer isto, dada a situa��o em que est�, mas foi o Morro.

Ocultou verdades desconfort�veis para o seu partido corrupto.

Ali�s, identificou o partido com o pr�prio estado!

Est� a dizer que o Moro � culpado?

N�o me meta palavras na boca!

Eu disse que devemos defender as institui��es

mas isso n�o significa escondermos os seus crimes,

mas, sim, tornando-as transparentes, sem omiss�es.

- De que lado est�? - Do lado da minha cabe�a.

N�o � altura para discuss�es deste tipo.

Ent�o, n�o fa�amos confer�ncias, porque haver� sempre emerg�ncias.

S� o Moro percebeu os processos de liberta��o do nosso tempo.

Ele reconheceu a for�a dos movimentos jovens e feministas,

entretanto at� a Esquerda nos abandonou!

- Quem disse o contr�rio? - Voc�!

Nada disso, concordo consigo.

Est� a ser impiedoso em rela��o a um homem que corre perigo de vida!

N�o, tenho mais pena do que voc�s.

"Pietas" significa ver a realidade e depois senti-la.

- Posso ir embora, n�o h� problema. - Como se atreve a dizer tal?

Dizia o mesmo h� dois meses.

Est� enganado, n�o era eu. Est� a confundir tudo!

Tem a mem�ria curta.

Prossigam com a confer�ncia.

Mas n�o encham a boca com o Gaetano Salvemini. Estudem!

Que aborrecimento, o festival da hipocrisia!

- "De que lado est�s?" - E gostaste?

Mas s� n�s import�vamos e tudo convergia de volta para n�s os dois.

Se estiv�ssemos juntos, nenhuma cr�tica nos atingia.

Torn�mo-nos presun�osos. Nada fazia sentido, s� as nossas opini�es.

Corr�amos para jantares, boa comida, vinho, sexo.

S� quer�amos abra�ar-nos, agarrar-nos um ao outro.

Tenho uma coisa para te dizer.

Pela tua cara, parece s�rio.

Deve ser a coisa mais vergonhosa que j� fiz na vida.

� sobre o artigo que te pedi no liceu.

Meu Deus. Assustaste-me. De que est�s a falar?

Da hist�ria do choque com o professor de religi�o.

- O que fizeste? - Quando a li,

n�o conseguia acreditar que algu�m pudesse escrever de uma forma

t�o agrad�vel e inteligente.

Reescrevi-o tantas vezes.

At� pedi � Lila para o ler e me ajudar.

Queria impressionar-te. Chateou-me n�o o publicarem.

Disse-te que era por falta de espa�o, certo?

Sim, acho que sim.

A verdade � que havia muito espa�o.

Ent�o, porque n�o o publicaram?

Por inveja.

- Os editores tinham inveja de mim? - Eu � que tinha inveja.

Li as tuas p�ginas e atirei-as para o lixo,

N�o suportava que fosses t�o boa.

N�o era preciso falar-me desse epis�dio, mas ele falou.

A sua necessidade de ser sincero acima de benef�cios comoveu-me.

A partir desse momento, senti que podia acreditar nele.

E podia confiar na ideia que crescia dentro de mim,

arranjar uma casa e unir a nossa vida com as minhas filhas.

Amo-te.

Tamb�m te amo, sabes?

- Tamb�m tenho algo para te dizer. - Diz.

Talvez seja s� uma ideia.

Mas...?

Quem �?

- Quem sabe que estamos aqui? - S� a Adele.

Atende.

Estou?

- Pietro! - Elena.

Ol�.

- Como est�s? - Podia ter sido pior.

Elena, esta � a Doriana.

- Ol�. - Ol�.

- Como aconteceu? - N�o me lembro muito bem,

dois tipos atacaram-me e bateram-me com um pau. Acho que desmaiei.

- Quem eram eles? - Fascistas, tipos violentos.

Est�s com dores?

N�o sei o que me est�o a dar, mas nunca me senti melhor.

O m�dico disse que tens de beber.

- E tu, como est�s? - Bem. Um pouco cansada.

- Ainda a viajar? - Sim.

- Pap�! Est�s bem? - Calma, ele n�o se consegue mexer.

- Ainda d�i? - Bom dia, Doriana.

- Como est�s? - Bem.

- Elena, chegaste depressa. - Sim, apanhei o primeiro comboio.

Dede, Elsa, cumprimentem a vossa m�e.

Ol�.

- Ol�, mam�. - Ol�.

Ol�, Dede.

Cresceste. Cresceste tanto.

- Tive "Muito Bom" a italiano. - Boa!

Podia ter tido "Excelente", mas desviei-me do assunto.

N�o faz mal.

- Fiz-te um presente, pap�. - A s�rio?

Av�, onde est�?

Querida, desculpa, acho que o deix�mos em casa.

N�o acredito, demorei dias a faz�-lo! Eu fi-lo para o pap�!

Deixa l�, d�s-lho amanh�.

Minha querida...

Quem quer vir comigo buscar batatas fritas?

- Eu. - Eu quero uma Coca-Cola. Posso?

Sim, mas tens de partilhar.

Tamb�m vou, preciso de um caf�.

Senta-te.

Ela � muito simp�tica. Est�s apaixonado?

H� muito tempo que n�o era t�o feliz.

Ela vai viver contigo?

Ainda � cedo para dizer. Mas sim, talvez sim.

Temos de pensar nas mi�das. Quero voltar para N�poles.

- Com o Nino? - Sim. Mas ele ainda n�o sabe.

- Ele deixou a mulher? - Sim.

Vive com um colega perto da universidade.

Um estudante?

Quero ir para N�poles o quanto antes

e arranjar um apartamento para mim e para as meninas.

Est� bem.

Tenho novidades.

Not�cias maravilhosas.

Vou encontrar uma casa grande e nova s� para n�s,

com um quarto para brincar e um para dormir.

E onde vais encontrar essa casa nova?

- Falei com o Pietro. - Como assim?

Volto j�.

Deixei as meninas contigo por necessidade

e porque o Pietro precisava de se reajustar,

mas agora que tem vida pr�pria, as coisas v�o mudar.

- Tenho direito a estabilidade. - E ent�o?

Vou mudar-me para N�poles.

- Vou viver l� com as minhas filhas. - N�o confio em ti!

- Como assim? - N�o confio em ti para as teres.

Pensas demasiado em ti para cuidares delas.

N�o �s tu que decides.

N�o quero que as minhas netas cres�am numa cidade como N�poles.

Tens no��o do que est�s a dizer?

� uma cidade violenta e desordeira, voc�s s�o sempre t�o excessivos.

- "Voc�s"? De quem est�s a falar? - De ti, de todos voc�s.

Da tua fam�lia, da tua m�e, das cenas que fazem.

Vais deixar a Dede e a Elsa com a tua m�e quando viajares?

- Deixo-as com quem eu quiser. - Nem pensar!

N�o quero que a Dede e a Elsa entrem em contacto

com pessoas descontroladas.

Pensei que eras a figura materna de que sempre precisei. Enganei-me.

A minha m�e � melhor do que tu.

Elena...

Se quiseres tomar um duche, comemos quando o Guido chegar.

- Est� bem. - Preparei-te o quarto de h�spedes.

Eu durmo com as meninas.

- Uma amiga tua ligou. - Porque ligou para aqui?

Talvez saiba que apareces c� de vez em quando.

A LILA LIGOU

- Isto � para aqui. - N�o, n�o � para aqui.

Isto aqui.

- Isto pode encaixar aqui. - Preciso dos outros.

� hora de dormir.

- Boa noite, mam�. - Boa noite.

- Boa noite, av�. - Boa noite, mam�.

- Boa noite. - Boa noite, av�.

Como se chamam estas meninas?

- Dede. - Elsa.

O av� quer saber o vosso nome completo.

- Dede Airota. - Elsa Airota.

- Airota como quem? - Como o pap�.

- E depois? - Como o av�.

E como se chama a mam�?

- Elena Greco. - E o teu nome � Greco ou Airota?

- Airota. - Airota.

Isso mesmo. Boa noite, minhas queridas.

Como v�o as coisas com o Nino Sarratore? Valeu a pena?

Ele � inteligente, sabe o que faz, mas � imprevis�vel.

N�o gosto do que escreveu recentemente.

Afinal, � dif�cil orientarmo-nos no meio do caos da crise em It�lia,

especialmente para homens como ele, que querem fazer coisas.

Vou trabalhar um pouco.

Mas h� fazer e fazer. Sarratore � uma intelig�ncia sem tradi��es,

prefere causar boa impress�o a quem est� no comando

do que defender uma ideia.

O que significa: "Nino � uma intelig�ncia sem tradi��es"?

Que � um z�-ningu�m.

E para pessoas assim, ser algu�m � mais importante do que tudo o resto.

Consequentemente, o Sr. Sarratore n�o � de confian�a.

Tamb�m sou uma intelig�ncia sem tradi��es.

Sim, e na verdade...

Como assim?

Confiei-te um filho e trataste-o de forma desonesta.

Se querias outro, porque casaste com ele?

- N�o sabia que queria outro. - Est�s a mentir.

Sim, estou a mentir, porque me obrigas a dar uma explica��o linear.

E explica��es lineares s�o quase sempre mentira.

Tamb�m disseste coisas m�s sobre o Pietro.

Na verdade, apoiaste-me contra ele. Mentiste?

N�o, sempre estive do teu lado, mas com um pacto, tinhas de respeitar.

- Qual era? - Ficares com ele e com elas.

Mas n�o foi assim.

O pacto foi quebrado e tudo muda.

Faz como quiseres, Adele. Sou a Elena Greco e as minhas filhas s�o minhas.

- N�o quero saber dos Airota. - Mostra que �s a Elena Greco.

� evidente.

Mas as meninas s�o filhas do meu filho. Vivem connosco h� dois anos

e n�o permitiremos que as arru�nes.

"Pensa no mal que far�s �s tuas filhas",

disse-me a Lila quando deixei a minha fam�lia.

Mas o que era mau para as minhas filhas, o que era bom para elas?

E o que era mau e bom para mim?

Em que consistia ou divergia do que era mau e bom para elas?

Est�s a abdicar de tudo o que �s pelo Nino?

Est�s a arruinar a tua fam�lia por ele?

N�o fa�as isso, Len�. Ele vai usar-te, sugar-te o sangue,

vai tirar-te a vontade de viver e depois vai abandonar-te.

Porque estudaste tanto?

Porque perdi tempo a pensar que terias uma vida maravilhosa?

Enganei-me, �s uma idiota.

A viagem a N�poles pareceu muito longa.

Quanto mais o comboio abrandava e se dirigia para o espa�o urbano,

mais ansiosa me sentia.

Parecia que os meus la�os � N�poles a que estava a regressar

estavam agora reduzidos ao Nino.

Que decis�o tomar�amos,

j� que n�o faz�amos ideia de uma forma pr�tica da nossa rela��o?

Como reagiria ele � ideia de vivermos todos juntos em N�poles?

S� sabia que ardia de desejo e n�o podia esperar para o voltar a ver.

- H� algo que n�o me est�s a contar. - N�o, n�o � verdade.

Quero saber o que �.

- � algo proibido? - N�o.

Ent�o, porque n�o olhas para mim?

Porque n�o olhas para mim?

Quero mudar-me para c� com as minhas filhas.

Vamos ser muito felizes. Muito felizes.

Tenho algum dinheiro, o Pietro ajuda-me com as mi�das

e estou prestes a assinar o novo livro.

Queria um apartamento grande, com muita luz e vista para o mar.

Sempre tive saudades do mar.

Vou j� procurar uma casa.

Vamos encontr�-la.

O que ser� agora? Vou ver.

Estou?

Posso ligar mais tarde?

O que � que eu disse? Uma chatice da universidade.

Esqueci-me de te dizer que a Lila me ligou.

Insiste que me contactes, tem ligado sem parar, at� para casa da Eleonora.

Acabei por me encontrar com ela e disse-lhe para parar.

- Encontraste-te com ela? - Tomei caf� com ela e com a Carmen.

Porque n�o me disseste?

N�o te queria chatear. Elas s�o umas desvairadas.

A Lila s� fazia perguntas sobre ti. Queria saber como te vestes,

se mudaste de penteado, de como � quando falas em p�blico.

A outra lun�tica quer que fales com a Sra. Galliani,

porque a Nadia se refugiou em Fran�a

e talvez tenha not�cias do irm�o Pasquale.

Nunca tens um momento livre, mas arranjaste tempo...

- Tens ci�mes delas? - N�o, estou a brincar.

- Mas as pessoas s�o perturbadoras. - Vou ver.

Estou?

J� disse que estou ocupado.

Falamos depois.

Evitei ligar � Lila para lhe dizer que decidi voltar para N�poles.

N�o a queria envolver nos meus assuntos.

Ent�o, liguei � Carmen, que aceitou encontrar-se comigo num bar.

- Carmen. - Len�.

- Que bom, finalmente! - Como est�o as coisas?

Meu Deus, est�s t�o bonita! E tu est�s t�o bem!

N�o, ando sempre com pressa, negligencio-me. Est�s com bom aspeto.

N�o, n�o estou. Tenho tantas preocupa��es.

Vamos tomar caf� e contas-me tudo.

N�o posso ficar muito tempo, mas vemo-nos em breve.

- Dois caf�s, por favor. - J� te vais embora?

Vou ver um apartamento em Via Petrarca com o Nino.

Espera, a Lila est� a chegar.

A Lila? Pensei que �ramos s� n�s as duas.

Vou tomar caf� e depois tenho mesmo de ir. Fica para a pr�xima.

A Lila ajuda-me muito. Faria tudo pelo Pasquale.

N�o � justo que s� ganhem os ricos. Os pobres como n�s � que pagam.

A Lila ajuda todos, preocupa-se com os amigos, a fam�lia. At� o Stefano.

Ajudou o Antonio a arranjar casa e fez amizade com a mulher alem�.

Explica-me como te posso ajudar, porque estou com pressa.

Fala com a a m�e da Nadia. De certeza que sabe algo sobre o meu irm�o.

Est� bem, ligo-lhe amanh�.

N�o percebes. N�o lhe ligues.

- Ela n�o atende. - Est� bem, vou ter com ela.

- Eu pago o caf�. - Espera mais um pouco.

A Lila tem algo importante para te dizer.

Diz-me tu.

N�o me cabe a mim.

Ent�o, finalmente decidiste-te?

Vais voltar para N�poles?

Sim.

Ainda est�s com ele?

Lila, eu amo o Nino e ele ama-me.

Se n�o fosse ele, n�o teria escrito o livro.

N�o aguentava mais. Ele deu-me for�a para recome�ar.

Ent�o, vais voltar a viver aqui. Contaste � Carmen e n�o a mim?

Havia de te contar.

- Os teus pais sabem? - N�o.

- Nem a Elisa? - N�o.

- A tua m�e n�o est� bem. - O que se passa?

- Tosse, recusa-se a ir ao m�dico. - Eu sei.

A Carmen diz que tens algo importante para me dizer.

N�o � nada agrad�vel.

Diz l�.

Pedi ao Antonio para seguir o Nino.

Em que sentido?

- Para ver o que faz. - Porqu�?

- Por ti. - Eu cuido de mim.

Est�s ofendida, mas andas enganada.

Conhe�o o Nino melhor, por isso pedi ao Antonio para o seguir.

N�o me ofende, mas despacha-te.

O Nino nunca deixou a mulher.

Ele ainda vive com ela.

Nomearam-no diretor de um importante instituto banc�rio

com o patroc�nio do sogro.

O que se passa?

- Sabias? - N�o.

Se n�o acreditas, vai v�-lo e diz-lho na cara, palavra por palavra.

Como eu te disse a ti.

Acredito em ti.

Se fores, tamb�m vou. Tratamos dele. Cortamos-lhe a pila.

Desculpem, mas agora tenho mesmo de ir.

Adeus, Carmen. Adeus, Lila.

Tradu��o: Carolina Jou Correia Vieira Dias

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