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Perto da Cidade de Praga, debruçada sobre o Rio Vltava,
ficam as ruínas do Castelo Vysehrad.
Em 700 D.C., o sábio Líder Krok vivia aqui, com as suas três filhas:
Kazi, a curandeira, Teta, a sacerdotisa,
e Libuse, a que podia ver o futuro.
Esta é a história das suas vidas, do seu legado,
e do fim de uma era de sabedoria.
A RAINHA PAGÃ
Da água à terra... Do fogo para a terra...
Ajude-o, dê-lhe poder. Restaure-o à vida.
Ajude-o, dê-lhe poder. Restaure-o à vida.
Bebe o poder e a vida.
Libuse? Libuse!
Por favor, descanse, pai. Eu não o posso salvar.
Libuse?
Vlasta foi à procura dela, pai. Ela vai vir.
Pare!
Mulher branca da morte, por favor, alivie este bom homem da sua dor.
E leve a sua alma para o outro mundo.
Você estava caída no rio. Pensei que estivesse morta.
O rio... Eu ouvi uma música.
Eu também ouvi música.
Ouviu? - Sim.
Quando a vi, o meu coração bateu num ritmo fantástico.
Por que estou aqui, e as minhas roupas estão ali?
Você estava molhada e a tremer. Eu não tive opção além de despi-la.
Parece um pouco frágil agora, mas será um grande garanhão.
Nasceu esta noite, enquanto você dormia no rio.
Por que estava tão cansada?
Obrigado pela gentileza, mas eu tenho de ir.
Diga-me de que casa é. Eu levo-a em segurança.
Pelo menos, fique e coma alguma coisa.
Adeus.
Libuse!
Libuse! Libuse!
Onde estavas? Procurei em todos os lados.
Sentiste que o teu pai a morrer. Sinto muito.
Onde estavas?
Desculpe.
Nós sentimos a tua falta. Estiveste na mente dele até o fim.
Que esteja em paz.
Pai!
Lindo, não? Todas as cores da floresta.
Por que morreu?
Não morreu, meu amor. Apenas deixou o seu corpo. Vê.
Fale-me novamente sobre a minha mãe.
A tua mãe era uma fada da floresta. Ela deu-te um dom especial.
O passado e o futuro são teus para os conheceres.
Quando a floresta começou a cair sob o machado dos homens,
ela não suportou ficar.
Para onde foi?
Ela chorou tanto, que as suas lágrimas formaram um rio.
Foi assim que nosso rio foi criado. Ele carrega o seu espírito até o mar.
A Krok!
Libuse. O Conselho chora consigo. O seu pai era o melhor que conhecemos.
Ele fará muita falta. - Obrigada, Domaslav.
Espero que não ache muito cedo para dizer isto,
mas ele recomendou que você tomasse o seu lugar no Conselho.
- Isso mesmo. Ele falou-nos do seu dom.
O lugar no Conselho deveria seria meu, Domaslav.
Eu sou a filha mais velha.
Desculpe, Kazi, mas o assento no Krok será de Libuse de agora em diante.
As minhas profundas condolências a todas vocês.
Kazi, o teu conhecimento de remédios é incomparável.
Sem a tua ajuda não sei como salvaríamos estas famílias, estas crianças da febre.
Então, não os salves. O povo é egoísta e ignorante.
Estas pessoas são boas. E eu fui encarregada disto para as ajudar.
Uma tarefa para a qual fui considerada incompetente.
Estás errada de vê-lo assim.
Nunca concordei com a forma como as pessoas organizam o seu mundo.
Por que deveria agora tentar salvá-los?
Deixe a natureza seguir o seu rumo. Assim é que deveria ser.
Então, você não vais ajudar?
Eu já dediquei metade da minha vida a preocupar-me com as pessoas.
A outra metade pertence à floresta.
Eu rogo, espíritos do fogo, dêem-me a resposta,
como última esperança.
Libuse, preciso pedir a sua ajuda noutro assunto.
O que o preocupa, ferreiro?
A minha filha está desaparecida há dois dias.
Perdida na floresta, onde ela e o irmão já foram atacados por lobos.
Como posso encontrá-la?
Você tem algo que pertença à sua filha?
Sim.
Eu sou Sarka. O meus pais foram levados pela febre.
Sem eles, estou perdida e sozinha.
Você pode falar com eles e pedir-lhes conselhos?
Você tem algo dos seus pais?
Aqui estão os sapatos do meu pai e a touca da minha mãe.
Estou pronta.
Libuse! Libuse!
Sarka, os espíritos dos seus pais falaram do seu amor por si.
Eles estão em paz agora. E pedem que a sua nova casa seja em Vysehrad.
- E eu concordei. - Obrigado, Libuse.
Ferreiro, vai encontrar a sua filha no rio, perto de uns arbustos.
Ela estará a dormir, protegida pelas águas.
Obrigado, princesa. Obrigado.
E a vocês, agricultores e as vossas famílias,
Não culpem as tempestades ou os espíritos pelos vossos infortúnios.
São os vossos animais que estão doentes. Devem matá-los e queimar a todos.
A Casa de Vysehrad ajuda-vos. E juntos vamos sobreviver ao inverno.
Vamos lá.
Está segura aqui. Nada há como movê-la.
Um ano depois
Obrigado, Princesa. Realmente, é digna de suceder ao grande Krok.
Longa vida a Libuse!
Longa vida a Libuse!
Princesa, venho aqui hoje de Stadice,
para a presentear com este belo animal.
Ele nasceu naquela triste noite, um ano atrás, quando o seu pai faleceu.
Eu baptizei-o Kroka, em sua honra.
Obrigado. O que lhe posso oferecer em troca?
Talvez, possa me visitar um dia? Já esteve em Stadice?
Não desde que era uma criança.
Seria uma honra recebê-la.
Obrigada.
Ouvi rumores de que está a pensar em casar.
Convido-a a uma refeição nas minhas terras, e talvez considerar-me.
Sou um excelente cozinheiro.
Você tem uma chance maior de casar comigo.
Eu não o convidei a si.
Você não é nada além de um lavrador.
Nem possui a terra onde mora.
A nossa princesa não pode casar com alguém que não tem nada.
Libuse, vê um lavrador, ou um homem de bom coração?
- De natureza honesta? - Eu vejo um lavrador,
que já disse tudo e cujo tempo terminou. Alguém pode levá-lo daqui
para podermos terminar e comer, ou terei que descer e fazê-lo eu mesma?
Desculpe, Libuse, se soubesse que tinha esse óptimo cavalo,
eu não teria lhe trazido Kroka.
Espero a sua visita, princesa.
Libuse, está a mostrar que é um grande líder.
Obrigado, Domaslav.
Agora que o seu ano de luto passou, talvez seja hora de considerar
escolher um marido, para reforçar e proteger a Casa de Vysehrad.
Eu tenho toda a protecção de que preciso.
Acha que sim? Guiei seu pai no fortalecimento de Vysehrad.
E ensinei-o a conduzir o nosso povo e proteger a nossa terra.
Vrsovec pode-lhe proporcionar um herdeiro forte,
mas um forte governante é comigo.
Eu posso-lhe prometer um filho, que governaria sabiamente.
Pois ensinar-lhe-ia comércio e estratégia.
Peguem nesta maçã. Compartilhem-na, mas não a dividam.
Quando conseguirem, voltem.
Eu talvez considere as vossas propostas.
Como a podemos compartilhar sem a dividir?
Fique com ela, camponês.
Aproveite.
Vais considerar as propostas deles?
Tu considerarias?
Eles não se ofereceram a mim.
O que querem é maior influência.
Quando virem que serei uma oponente à sua busca por poder,
vão esquecer as propostas. Então, talvez, terás a tua chance.
Tu ofereceste-te para arranjar o meu casamento, mas evitas falar do teu.
Prefiro aproveitar da companhia deles momentaneamente,
e partir antes que eles me desapontem.
Não temos tarefas que exijam trabalho, ansiedade e dor,
que sinto me provocam um vasto vazio em mim?
Claro...
Parem! Parem!
O que vês?
Está enevoado. Não consigo ver nada.
Eu ofereço-lhe o sangue de nossos inimigos.
Sim! Sim!
Avari declarou-nos guerra! Este era o filho do líder!
E a sua vingança fará mais vitimas se não houver retaliação rápida.
O comércio trouxe-nos estabilidade. Passamos mais tempo
a organizar as milícias e exército do que na agricultura.
E assim o nosso povo vai passar fome.
Essa não era a visão que o seu pai tinha para esta terra, Libuse.
O Conselho é muito lento em tomar a decisões para ganhar a guerra.
Nós precisamos de um líder, Libuse.
Estávamos prontos a dar um trono para Krok, mas agora
que ele se foi, temos que encontrar um novo rei,
para nos trazer ordem e vitória.
Eu proponho Domaslav.
Há outro que nos traz sábios conselhos, e que alguns acreditam
esteja mais adequado a essa posição de tanta autoridade.
Quem? - Diga o nome de quem fala!
Não é um homem.
Libuse, acredito que apenas você, com o apoio do Conselho,
pode tomar o lugar do nosso pai.
Sois vós que o povo adora.
E vós devolvereis esta terra ao seu verdadeiro caminho,
de paz e prosperidade, como vós previstes.
Vamos escolher Libuse!
Sermos guiados por uma mulher? Nunca!
Esta terra será destruída pelos invasores dentro de um ano!
Eu proponho um Rei!
Então devemos ter uma Rainha!
Sim! Sim! Sim!
Eu coloco, sobre a sua cabeça, a coroa de Vysehrad.
Precisamos de um exército para nos proteger.
As mulheres mostrarão que podem chegar longe.
Eu concordo.
Vou propor ao Conselho que quando recuperares
assumas o controlo e comandes como entenderes.
Obrigada.
A forma como lutaste naquele dia, nunca vi uma mulher lutar assim.
Eu vou sempre proteger-te. Sou a tua espada.
Olha para eles...
Tu precisas de um pouco de diversão.
Os homens têm medo de me desejar agora,
pela minha posição no Conselho.
Estás a pensar em arranjar um marido?
Porquê? Uma hora de diversão com um jovem camponês
provavelmente é suficiente.
O lavrador que te trouxe o cavalo não estava intimidado.
Ele conhecia-me. Encontrou caída no rio
na noite em que o meu pai morreu.
Ele não percebeu a minha posição.
- Onde está o seu guarda? - Estou sozinha.
De certeza de que a Rainha tem assuntos mais importantes
do que aceitar convites de um lavrador.
A Rainha pode fazer o que desejar.
- Kroka, como cresceste! Eu esperei muito tempo.
Então, não esperemos mais.
Devo esperar mais dois anos até à sua próxima visita?
Eu virei sempre que a lua estiver cheia.
O que viste?
A riqueza desta terra...
metais preciosos...
debaixo da montanha...
Uma grande cidade nascerá aqui, desta margens
até as montanhas ao norte, e através do rio para o sul.
Uma cidade? Aqui?
Como podes ter tanta certeza?
Porque eu própria farei isso. A cidade será uma luz,
e tudo dentro das suas muralhas estará protegido.
Isso! Isso! Isso!
Acho que o teu amigo é um rapaz.
Ela não é minha amiga. É a minha irmã.
Nós somos as tuas irmãs, Libuse.
Não tanto como a Vlasta. Ela é a minha melhor irmã.
Agora nós somos irmãs.
Tu não podes mudar o equilíbrio da natureza dessa forma.
Eu vou usar todos os recursos disponíveis, para o bem de todos.
Demónios de terríveis poderes protegem a riqueza,
que está enterrada bem fundo para que os homens não a encontrem.
É da natureza humana procurar.
Estás a ficar afectada pela ganância dos homens, Libuse.
As riquezas minerais são finitas. E totalmente sem valor para a alma.
Os espíritos vão nos punirão severamente.
Que espírito negaria aos homens a solução dos seus problemas?
Uma chance de comerciar e crescer, e construir o futuro?
Um futuro? No qual a montanha está morta,
e a floresta aniquilada?
Tu não consegues ver isso?
Vamos, tragam o carro.
A minha mente só fica clara quando estou a ajudar o povo.
Então estás condenada a falhar. O fardo da liderança e da riqueza
destruirão o teu espírito gentil.
Sabes que, se as pessoas souberem;
a Rainha e o lavrador,
não irão aceitar isto.
Não é o lavrador que dá a comida para que luzam assim tão nobres?
Tu valorizas-te muito, não é?
-Achas que sou engraçado? Bom, estou contente.
Deixa-me ver-te rir mais um pouco.
-Não! - Sim.
- Não! - Sim.
Pára, ou terei de o ordenar!
Pára!
Se estivesses no meu lugar, o que seria o mais difícil?
Ser justo, connosco e com os outros.
Deixem-no governar este mundo como rei,
e não esta mulher metade feiticeira que nos deixa furiosos!
Tu poderias ser justo e governar como rei.
Juntos, podemos construir uma cidade
para proteger e alimentar o nosso povo.
Este é o meu sonho.
Um sonho é como um conto, e nada mais.
Este homem matou o meu irmão e Libuse libertou-o.
Eu exijo justiça.
Este agricultor voltou depois de muitos meses a servir o nosso
povo, lutando contra os invasores no norte, para encontrar sua terra
arruinada pela poluição gerada pela mineração.
E o seu irmão, o mineiro, recusou-se a consertar o que fez.
Eles lutaram, e o seu irmão foi morto.
Este homem não é um perigo para ninguém.
Ele estava apenas a lutar pela sua terra.
Os mineiros acham que podem destruir a vida dos outros
e lucrar com isso.
Bem, aqui está a forma lutas para proteger a sua riqueza.
Libuse, você criou a mineração, e agora está a falar contra.
Eu criei as minas para nos dar desenvolvimento e oportunidades.
Estou a falar é contra a ganância.
Eu quero ver a morte do meu irmão punida!
O seu irmão teve o que merecia, por poluir a terra.
Controlem-se, por favor!
Silêncio! Posso falar?
Use os seus direitos.
Sim, Princesa. O direito de pedir a sua mão.
Eu quero os meus direitos. Melhor um homem no trono,
do que alguém que pensa em contra à justiça!
Ele está certo!
Ele deu a sua opinião, e disse o que nos assusta e não pode ser negado.
O país precisa de um homem. Um bom homem, como eu.
Minha Rainha, parece que chegou a hora de escolher um homem,
e que juntos governem este reino.
O que fez com a maçã que lhe dei? Compartilhou-a sabiamente?
- Fale, homem! - Não fiz isso.
Se não consegue resolver um problema tão simples,
o que o faz pensar que pode governar sabiamente esta terra?
Porque não havia solução.
Uma maçã não pode ser compartilhada sem a dividir.
Era uma armadilha.
Eu só queria mostrar-lhes como cooperar.
Plante a maçã, e partilhe os frutos.
- Você deu-a ao camponês. - O quê?
Então isto é um sinal de que devo casar com um camponês,
porque vocês têm uma total ausência de sabedoria.
Ou talvez não me case de todo.
Porque é que não te vejo há 3 meses?
Tenho um exército no norte, que não consigo alimentar.
A colheita foi reduzida,
porque os mineiros estão a massacrar os agricultores.
Não os posso reprimir, porque necessitamos dos minerais
para trocar por comida com as tribos do sul
que sabem da nossa necessidade e aumentam os preços todos os dias.
A Rainha nem sempre pode fazer o que quer.
Tu estás a deixar os nobres pediram demais.
E pedes muito pouco do povo.
Deverias taxá-los pela segurança que forneces.
Deverias deixar-me promover-te no novo exército.
Subir-te aos altos escalões, para o povo te aceitar como meu marido.
Feliz é o que se contenta com pouco.
Se passar outra lua passar e não vieres,
vou começar a acreditar que o nosso amor está a morrer.
Eu vou vir,
desculpa-me por ser tão distraída.
Se eu não fosse tão indelicada, tu nunca te terias apaixonado por mim...
Talvez não. Mas isso foi antes.
Eu quero algo mais, agora.
- Libuse? - Sim.
Os representantes dos agricultores estão aqui.
Agricultores?
Eles caminharam dois dias. Devem ser bem recebidos.
- Esqueceste-te? - Não.
Nós fortificámos as passagens da montanha,
para deixar os invasores nas planícies.
Precisamos falar sobre guerra de novo?
Haverá apenas guerra, até que estejamos a salvo.
Eu antecipo dificuldades amanhã. Preciso dos teus conselhos.
Desculpa, mas há sempre algo urgente que precisa da minha atenção.
Passou-se outra lua.
Vem alguém aí!
O que é isto? Quem são vocês? Mostrem-se!
Por aqui!
Ali à frente!
Por aqui.
Está aqui!
- Encontrei uma. - Aqui.
- Estás ferida? - Estão ali, depressa!
Ajuda-a. Cuida dela.
Rápido, estão ali! Por aqui! Eu vi algo!
Calma...
O que quer?
Nada. Imagino-me só, se para além desse duro exterior pode amar.
É claro.
Então, imagine esta cabana um um castelo, e você a minha rainha.
Então, é assim que se preocupa com um guerreiro ferido?
Vou ajudá-la a esquecer a dor. É um tratamento eficaz.
Mas você é amante de Libuse.
A Libuse não me liga mais nem eu a ela.
Desde que ficou possuída pela posição dela.
Não me toque. Libuse é a minha melhor amiga.
Mas deixou-a aqui semanas, sem a visitar, sem uma palavra.
- Mas sei que ela me ama. - Não como eu poderia.
Não...
O amor entre Libuse e eu está morto.
Os assassinos foram para Stadice. Ninguém consegue encontrar a Vlasta.
Nós estamos perdidos sem uma mão forte para liderar o exército.
Eu diria que a nossa Rainha está claramente
a precisar de um homem para a proteger.
Há muitos candidatos por onde escolher, Libuse.
Analise cada um de nós de acordo com a experiência e méritos.
É hora de Libuse escolher um Rei!
Um Rei! Precisamos de um Rei!
Eu sou a Rainha!
E tenho o poder para governar como acho melhor.
O meu casamento não vai ser decidido por votação.
Pensa Libuse. Não podes perder o apoio do Conselho.
Eu sei.
Há rumores de que tenho sido muito branda.
Muito bem, senhores. Eu vou-lhes dar um homem.
Acha que me refiro a si?
Vou passar a noite sozinha e pedir aos espíritos que me aconselhem.
Você vai viajar para o outro mundo?
Não, eu sei quem será o meu Rei.
Eu não sei o nome dele. Só sei onde o podem achar.
Peguem neste cavalo e levem-no até aos limites da floresta.
Então soltem-no e sigam atrás dele.
Vão encontrar um homem antes do meio-dia.
Sentado numa mesa de ferro, a comer sozinho.
Sabia que era um sinal quando você Domaslov,
deu a minha maçã a um camponês.
É um camponês que será o Rei.
Ei, Kroka!
Aí está o homem sentado a uma mesa de ferro, como disse Libuse.
Não tenha medo, estrangeiro.
Eu pareço com medo? Vocês nem me deram a chance de ser hospitaleiro.
Tomem... Bebam a minha água, e se tiverem fome, comam comigo.
A nossa Rainha teve uma visão. É a vontade do povo que ela se case.
Mas o destino escolheu que ela case consigo.
E quanto à minha vontade?
Você será Rei e casará com a mais linda mulher desta terra.
Por que resistiria a tal oportunidade?
É tudo que um homem pode querer.
Tudo o que quero está aqui.
O meu arado, os meus animais, a minha liberdade.
A Rainha pode vir aqui, se ela quiser casar.
Eu não vou levar essa sugestão tão ridícula.
Pergunto outra vez e pela última vez
Virá para Vysehrad para se casar com nossa Rainha?
Se resistir, fomos instruídos a levá-lo à força.
- Eu irei. - Virá hoje?
Sim. Mas, primeiro, vou terminar de comer.
Por que come nessa mesa de metal?
Porque vou governar-vos com mão de ferro.
Quão rapidamente se esqueceu de mim.
Como eu lhe disse, não tive escolha.
Disse-me que não ligava mais para Libuse nem ela para si.
Que o amor entre vocês já era.
Às vezes você tem que tomar uma decisão.
Não o que quer, mas o que é certo.
Eu sinto muito.
Estas são as riquezas do meu pai e fruto do esforço do nosso povo.
Com elas vamos construir uma cidade, que será o coração de um novo país.
Com um lavrador como Rei. Que glorioso! Estou certo de que os poderosos
e os Senhores de Bizâncio mandarão presentes para serem seus aliados.
Tu és um homem. E a tua arrogância é a prova.
É isso o que o povo quer. Tu serás para eles o triunfo do teu sexo.
Eles vão seguir-te felizes...
"Oh, Libuse, eu fui o triunfo do meu sexo."
Porque não podes ser de novo a rapariga que encontrei no rio?
O teu reino era a erva fresca, a tua coroa o orvalho da manhã,
e tu, uma jóia única e preciosa.
Este castelo, esta terra... eles e eu pertencemos ao povo.
E ainda assim, eras minha.
E eu quero acreditar que possas ser assim de novo.
Eu sei como o teu coração deseja que te livres deste lugar.
Eu nunca me poderei livrar deste lugar.
Fica comigo.
Nós podemos nunca mais nos ver de novo.
Isso, ofende-me...
Então, suplico.
Eu negligenciei-te quando estavas na tua quinta, sozinho.
Eu nunca mais te negligenciarei de novo.
Junta-te a mim, por favor.
Eu aceitarei, mas precisas saber que nunca mais será igual
como foi quando eu te encontrei caída no rio.
Quando me deixaste à tua espera em vão,
eu tive que matar o meu amor por ti.
Eu aceito porque quero ajudar-te, pelo amor que tivemos, e porque
tu acreditas que é o melhor para esta terra.
Eu serei a mão de ferro que tu precisas,
mas é tudo o que tenho a oferecer.
Longa vida a Premysl! Rei de Vysehrad!
A tua cidade é uma grande visão. Só agora o vejo.
Uma solução para os problemas de governo.
Estava errado em duvidar de ti.
Preciso de um nome.
- Tu! - Sim, Majestade!
- Para que é isso? - Para a "Praha", a entrada.
"Praga", a porta para o mundo.
A cidade será construída no momento certo.
Mas agora, a tua atenção é solicitada noutro lugar.
Onde? Não é hora de namorar.
Eu tenho ideias, que não podem esperar.
- Aqui está a minha parte, Majestade. - Obrigado.
Um quarto da minha colheita.
E este pilar de pedra, é o pilar mais importante para o sacrifício.
No topo, temos o nosso Deus mais importante, o Deus Theron...
- Zara? Zara? - Sai.
Desculpe, Senhor.
Ladrão! Ladrão!
É bom ver que a tua quinta está recuperada.
Graças a si, minha Rainha.
Estaria pendurado numa árvore, se não tivesse intercedido.
Eu devo-lhe a minha vida.
Você deve a outros a sua vida.
Os que morreram, para que possa viver.
Você e eu começámos esta guerra.
Penso nisso todos os dias. A que devo a sua visita?
A nada...
Estou apenas viajar pelas terras para ver o que mudou.
O meu marido tomou-me muitas das minhas tarefas,
e agora estou livre para ir e fazer o que me agrada, de novo.
Como era na minha juventude.
Tudo que posso lhe oferecer já é seu, é claro.
Bem, talvez... haja algo...
Qualquer coisa...
Curioso...imaginei como seriamos nós no celeiro neste instante,
e você, coberto de suor do trabalho na quinta,
e eu, exactamente neste vestido.
E você punha as suas mãos em mim, e amava-me.
Mas...
...deve amar o Rei.
- Sim. - Então...?
Que interesse pode ter em mim?
Não estou a propor apaixonar-me por si.
Da próxima vez, cortarei a sua cabeça.
Eu sinto muito, sinto muito.
Ajude-o.
Que confusão é aquela no portão?
Agricultores exigindo uma explicação para a morte de Roxhon.
Roxhon não está morto. Eu falei com ele ontem.
- É mesmo? - Sim, passei na sua quinta.
- Mandei executá-lo. - O quê? Sem julgamento?
Finalmente coloquei um fim neste conflito. Os mineiros estão felizes
apesar de alguns agricultores dizerem que não houve justiça.
Uma guerra foi evitada.
Quem saberia, quando mandei um emissário seguir um cavalo
para encontrar o homem e resolver esta crise,
que haveria uma resposta tão simples.
Kazi, faz muito tempo desde que alguém ouviu falar de ti.
Você prometeu, quando o Conselho a escolheu,
que a floresta seria meu o domínio.
Mas não restará floresta. O seu novo Rei está a destrui-la.
Ele está a abrir espaço para plantar e criar estradas.
Um homem sozinho não pode destruir a floresta.
Os homens não trabalham sozinhos. Eles chamaram todos que puderam,
e arrancaram todo o metal que podiam da terra.
Por que nos abandonaste para o lado da humanidade?
Eles possuíram-te!
Tu sabes como os amo. Mas também amo a natureza.
Nas florestas, ouvem-se os machados.
Os troncos de carvalhos milenares estão a cair, para nada
além de reforçar telhados e arder em fornos!
No coração da montanha, materiais guardados desde a criação,
estão a ser quebrados. É demasiado para a terra aguentar.
O seu Rei precisa ter compaixão!
Já é tarde demais para estas pobres criaturas.
Serpentes, toupeiras, falcões.
Kazi, tu tens de descansar. Não podes salvar a floresta sozinha.
Estás a esforçar-te demais!
Premysl é o culpado por isto e tu ficaste muito fraca para o parar.
Estás controlada por ele agora. Ele escravizou a tua vontade,
e eclipsou a tua alma.
Não há esperança no teu futuro.
Vem comigo para Vysehrad.
Lá poderás descansar.
O rio será a força vital de Praha.
Construiremos barcos, para transportar sementes e grãos,
e os tecidos e a prata das montanhas até as rotas de comércio.
Mas esse não é o nosso estilo. Nós somos agricultores,
e não pessoas da cidade, e definitivamente não marinheiros.
Para crescermos, precisamos mudar.
"O bom é que eles se contentam com pouco."
Palavras ingénuas de um simples lavrador,
que não estava comprometido com a paz e a segurança.
Esse lavrador fala com sabedoria simples,
e deve ser ouvido com cuidado.
A cidade é uma grande proposta, de um grande líder.
Por que não pedimos a Libuse que use a sua visão
e nos diga se a cidade vai crescer?
Silêncio!
Se esta é a vontade do povo, então vou consultar o outro mundo.
E perguntar pelo futuro da nossa cidade, a sua Praha.
Eu vejo uma grande cidade, cuja fama vai tocar as estrelas.
Que quer governar-se sob rígidas regras, até ser auto-suficiente.
Vejo partes de um grande castelo, que se chamará "estado",
mas cujo único objectivo será o lucro.
Como os homens, os antigos Deuses serão agrupar-se-ão num único,
e universal amor e serão o mesmo.
O amor de todos não se sentirá, será apenas uma lembrança,
que se tornará apenas numa palavra, e por essa palavra matarás.
Esta terra será destruída por pragas e guerras.
Vejo os mortos empilhados nas ruas,
e o céu a arder com o sangue dos seus filhos.
E o teu novo Deus te fitará sem misericórdia,
e os antigos Deuses estarão em silêncio e esquecidos.
E os brilhantes portões da cidade serão um custo para os homens para sempre.
- Libuse, o que aconteceu? - Está bem?
Será que nos perdemos?
Não. Constrói a tua cidade.
Ela vai florescer e prosperar.
Tu vais governar e o teu nome será para sempre lembrado.
Mas e eu?
Deita-te comigo.
Na noite de lua cheia, junto ao fogo.
Se tivesses aceitado, quando eu propus o mesmo, muito anos atrás...
Eu aceito agora...
Agora, a cidade terá um herdeiro.
Quem está aí? Quem se aproxima?
Chega mais perto, Domaslav.
Eu vim aqui com uma proposta, Vlasta.
Uma que acho levará em consideração.
Claro. Por que não?
Já se passaram muitos anos desde que você
duvidou das minhas habilidades militares perante o Conselho.
Ninguém pode duvidar das suas habilidades militares agora.
Você protegeu esta terra por muitos anos.
Fala, eu não guardo rancor.
Há algum lugar onde possamos falar sozinhos?
Qual é a tua proposta?
Bem, é exactamente isso, uma proposta...
...de casamento.
Você ainda comanda o exército de Libuse, que é de Premysl agora.
Você tem a lealdade deles, e eu tenho contactos poderosos,
comerciantes, mineiros ricos.
Premysl é muito duro, e o poder de Libuse para o amaciar esvaiu-se.
Se marchar para Vysehrad e os passar na espada
antes de produzirem um herdeiro, juntos tomaremos o poder,
e daremos ao povo um Rei e Rainha melhores, a quem servirão felizes.
Libuse é minha amiga.
E quem ameaçar a ela, arrisca a sua própria vida.
Neste caso, eu vou apenas...
...arrancar os teus olhos.
Eu serei a Rainha, mas sem homem ao meu lado.
Vlasta, eu apenas sugeri uma aliança,
eu não a traí, e não traí Libuse.
Por favor, eu tenho muito a oferecer, por favor. Por favor!
Não, os meus olhos não. Por favor! Vlasta!
A minha hora chegou.
Esta terra está a mudar.
Só sobrámos nós para manter os antigos costumes.
Isto é para ti.
Mas os teus filhos vão carregar os antigos costumes com eles,
assim como tu os herdaste da nossa mãe.
E eles vão governar esta terra,
e parte disso será o teu legado,
mesmo que eles não saibam isso.
Eu sou Vlasta. E declaro guerra aos homens desta terra.
Eles vão morrer, porque tomaram a coroa da minha amiga Libuse,
e forçaram-na a casar com um lavrador plebeu.
Nós vamos lutar até que os homens nos implorem
de joelhos para restaurar a antiga ordem.
Porque nós somos poucas, e não temos a ajuda deles.
O maldito lavrador enganou-os e esfaqueou-os pelas costas,
espalhando o medo entre eles.
Eles vão me dar a coroa de Vysehrad e eu vou colocá-la
de volta onde pertence, na cabeça da minha querida Libuse.
O que aconteceu contigo, irmã? Como mudaste tanto?
Ouvimos rumores terríveis.
O assassinato de homens inocentes apenas pelo seu sexo.
As pessoas dizem que estás a praticar magia negra.
Eu apenas estou seguindo meu destino, devolvendo esta terra
ao seu verdadeiro caminho, para ser governada por mulheres.
Tu causaste terrível derramamento de sangue, e sofrimento.
Todo o líder deve estar preparado para aceitar perdas,
para atingir os seus objectivos.
Eu causei várias mortes no passado em teu nome, também.
Vlasta, não te lembras quando o meu pai nos falava de bondade?
Libuse, se me quiseres apoiar,
deixa Vysehrad e volta para a vida de que eu sei, sentes falta.
Eu vou tomar o controlo, e devolver esta terra ao seu caminho.
Minha amiga, eu mal te reconheço,
debaixo desse coração cruel e com tanta raiva.
Tenho saudades da minha irmã, que antes me protegia de cada perigo.
Eu sempre te vou proteger.
Traz o Domaslav, para cumprimentar a sua velha amiga,
com quem ele queria tanto casar,
e depois tentou matar.
Aqui, homem, aqui. E sofre por lhe querer fazer mal!
Eu não quero que ninguém sofra por mim!
Todos nós sofremos por tua causa.
Libuse, magoaste-nos a todas nós. Com a tua grande beleza e bondade,
partiste cada coração que tocaste.
Mas vou sempre proteger-te, como sempre te vou amar.
É o teu marido que vou matar, para o tirar do trono.
Talvez permaneças Rainha, e eu como teu Rei, como era antes.
A guerra está a chegar.
Não há forma da a poupar?
Certo.
Vou enviar Cilrad com uma oferta de paz.
Ele pode conquistar qualquer mulher, até mesmo a Vlasta.
Eu sei o que sentes por ela, mas prometi governar esta terra
com mão de ferro, e com mão de ferro vou acabar com esta rebelião.
Cilrad...
Veja isto, meu senhor.
Deixem que eu vou...
Venham.
Que prazer inesperado!
Eu venho sempre à floresta para admirar as belezas da natureza.
E... Aqui está a natureza... ...em pessoa.
Não se preocupe querida, Você está salva.
E quem quer que lhe tenha feito isso, vai pagar caro,
pela minha própria espada, ou não me chame...
Matem-nos!
Viva o rei! A Nezamysl, filho de Premysl.
- Finalmente um herdeiro ao trono. - Nezamysl !
Onde está Tyrad?
Lembrem-no de fazer uma canção, para lembrar este dia.
Ei! Alguém vem aí.
- É o homem de Cilrad! - Traga-o até mim.
- Ela mandou isto. - Sim, aproxime-se.
Vlasta enviou-lhe isto.
Ela mandou-me a língua dele.
- O quê? Senhor! - A língua dele!
Reúnam todos que possam lutar.
E Libuse, Senhor?
Ela está a recuperar-se. Nós voltaremos em dois dias.
É hora de pôr as mulheres no seu lugar.
- Peguem nas armas! - Vamos!
Homens, esta é a fortaleza.
Diga-lhes as nossas condições.
O Rei chegou para reclamar este lugar.
Ele não quer matar as esposas e filhas de Vysehrad.
Vocês vão resistir?
Se resistirem, a vossa fortaleza vai cair, e ninguém será poupado.
Mas por decisão do Rei, podem enviar um campeão,
que poderá lutar por vós. Quem vencer será honrado com uma trégua,
e as suas vidas poderão ser salvas.
As mulheres vão ficar com medo. E Vlasta virá lutar.
Ela não terá chance contra Minislav.
Eu lutarei.
Eu sou o seu campeão.
Foi meu o erro, e tenho de o corrigir. Eu vou lutar.
A sua fortaleza não resistirá ao meu exército.
As suas mulheres serão massacradas, se lutarem.
Elas não terão que lutar!
Eu vou matá-lo, e serei o Rei.
E as mulheres voltarão para onde estavam,
antes de você envenenar a Casa de Vysehrad.
Eu vou matá-la, Vlasta, mas as outras serão poupadas.
Voltarão às suas casas e famílias, e tudo será como deveria ser.
Veremos...
A minha mãe realmente podia ver o futuro?
A tua mãe era uma elfa das árvores.
Um espírito da floresta e forte como o ar.
Ela estará sempre perto de ti, porque o rio carrega o seu espírito,
que passa pelo coração do nosso país.
É verdade, pai, que a minha mãe afogou os homens no rio
e usou magia para os atrair para o rio?
Não existem coisas como a magia, filho.
Não existe magia?
Já não existe mais...
:: Adaptação tradução e Re-sincronização ferneiva ::
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