All language subtitles for Roma, citta aperta.1945 Blu ray 1080p

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Original subtitles

ROMA, CIDADE ABERTA

FATOS E PERSONAGENS DESTE FILME...

AINDA QUE INSPIRADOS...

NA HIST�RIA TR�GICA E HER�ICA...

DE 9 MESES DE OCUPA��O NAZISTA...

S�O IMAGIN�RIOS.

SEMELHAN�AS COM FATOS E PERSONAGENS REAIS...

� INTEIRAMENTE CASUAL.

A voz de Londres...

Jesus!

J� vai, j� vai.

- O Dr. Giorgio Manfredi. - Ele n�o est�.

Onde est�?

N�o sabemos. Ele n�o dorme sempre em casa.

E aonde vai?

Eu n�o sei. O senhor entende...

- um jovem solteiro. - Pois �.

- Onde � seu quarto? - Por ali.

D�em uma busca.

Ele recebe muitas visitas?

Antigamente sim, ultimamente ningu�m.

� l�gico.

- Quantos mais se hospedam? - Dois.

- Onde � o telefone? - No fim do corredor.

Pare. Eu atendo.

Al�.

Giorgio est�? Sim, o engenheiro Manfredi.

- Quem fala? - Um amigo dele.

Que amigo?

Com quem estou falando?

- Era uma mulher. - Quem �?

Como vou saber? N�o a vi.

Achou alguma coisa?

Nada, ningu�m.

Aquela porta?

- � o terra�o. - Ah, o terra�o.

Fique calma.

- Quem mora l�? - � a embaixada da Espanha.

A cidade ser� dividida em catorze distritos.

O Plano Schroeder que j� aplicamos em...

diversas cidades europ�ias nos permite...

fazer opera��es de busca de grandes massas de homens...

empregando um m�nimo de for�as.

Entre.

O Sargento Bauer telefonou. Ele n�o encontrou a pessoa.

Ele deve trazer a patroa e a empregada?

N�o, n�o ser� necess�rio. Pode ir.

Not�cia desagrad�vel?

Algu�m faltou a um encontro.

Algu�m importante?

Assim espero.

Conhece?

N�o. Quem s�o?

Ele diz chamar-se engenheiro Manfredi.

Manfredi? Esse nome nos foi indicado.

Parece que � um dos chefes da Junta Militar...

do Comit� de Liberta��o Nacional.

Tenho boas raz�es para acreditar que � mesmo.

Mas como o descobriu?

Eu o conheci aqui, nesta mesa.

Todas as noites dou um longo passeio pelas ruas de Roma...

sem sair do meu escrit�rio.

Gosto muito deste tipo de foto que colhe...

as pessoas de surpresa.

Encontram-se coisas muito interessantes.

Por exemplo, h� algum tempo...

vi o Sr. Manfredi e sua amiga vindo na minha dire��o.

Pensei: "j� vi este homem em algum lugar".

Olhe este grupo, por exemplo.

O segundo � esquerda.

Recebi estas fotos de Berlim. N�o estou enganado, estou?

Enganado? � ele, a mesma pessoa.

Que desagrad�vel. Desculpe.

Como gritam esses italianos.

Sim.

- E quem � a jovem? - Uma certa Marina Mari, atriz.

Sim, eu a conhe�o, eu a vi. Bonita.

Muito bonita.

Devagar, devagar. Calma, calma.

O que aconteceu?

N�o sabe? Assaltaram a padaria.

E o senhor n�o faz nada?

Infelizmente, estou de uniforme.

N�o posso fazer nada. Estou impotente.

Eu sei, mas 200 gramas por dia.

Esse tratante!

- At� doces tinha, olhe. - Isto � grave.

E dizia que n�o tinha farinha.

- Est� bom. - Pois v� buscar o seu.

N�o posso, sou sacrist�o. Vou para o inferno.

Ent�o vai comer doces no para�so.

Larguem!

Pina, no seu estado, � uma loucura.

E devo morrer de fome?

Ajude-me, sargento.

V� para o...

Eu a acompanho.

- Chegamos. - Muito obrigada.

Quer que eu leve para cima? Est� pesada.

Assim fica mais leve.

Eu n�o deveria, mas estou com a fome atrasada.

Pina, acha que os americanos existem mesmo?

Parece que sim.

Quer ovos a 16 liras?

Atreve-se a fazer mercado negro na minha frente?

Esque�a, cabo, � melhor. At� logo.

Quem est� procurando?

Francesco, o tip�grafo, mora aqui?

- Sim, mas n�o est�. - Aonde ele foi?

- E como vou saber? - Quem � a senhora?

- N�o � de sua conta. - Entendi, � dona Pina.

E como sabe?

Francesco fala sempre da senhora.

- O senhor �... - Um amigo.

Que idiota. Pensei que fosse da pol�cia.

- Posso ajud�-lo? - Preciso ir ao quarto dele.

J� abro, vou pegar a chave.

Desculpe, eu n�o estava encontrando.

Venha.

- Entre. - Obrigado.

Est� tudo em desordem.

N�o tem import�ncia.

- Diga, conhece Dom Pietro? - Sim.

O vig�rio de S�o Clemente. Preciso falar com ele.

- Eu vou. - N�o, a senhora n�o.

- Mando meu filho. - Sim, � melhor.

Espere l� dentro.

Marcello! Marcello!

Marcello!

O que �?

- Venha c�. - N�o posso.

Quero que v� buscar Dom Pietro, depressa.

- Estou ocupado. - Venha j� aqui.

Quantas vezes eu disse para n�o ficar com Romoletto...

� perigoso.

V� procurar Dom Pietro.

- E o que lhe digo? - Diga para vir j�, ande.

N�o v� se perder.

Ele j� foi. Dom Pietro chegar� logo.

Hoje de manh� atacaram uma padaria.

- � mesmo? - Sim, a segunda na semana.

Como est�o as mulheres?

Algumas sabem o que fazem...

mas a maioria s� agarra o que consegue.

Esta manh� at� roubaram...

um par de sapatos e uma balan�a.

Quero saber quem roubou minhas meias.

Desculpe.

Ser� que... Ah, Doutor...

- Bom dia. - Bom dia.

O que faz aqui? Veio me ver?

Sim, � isso.

Encontrei-o nas escadas e o deixei entrar.

E por que n�o me disse logo?

Eu j� ia avisar.

N�o tem import�ncia, s� queria pedir um favor.

- Vou me vestir. - N�o, est� tudo bem.

- Vai ver Marina, n�o? - Sim, depois do almo�o.

Diga-lhe que vou sumir por alguns dias.

- Se puder, telefono. - � s� isso?

S� isso.

At� logo, doutor.

- Ela mora aqui? - � minha irm�.

- Sua irm�? - Est� surpreso, n�o?

Quem sabe as mentiras que ela lhe contou.

Ela se envergonha de n�s porque diz que � artista...

e n�s somos oper�rios. Mas n�o trocaria...

- de lugar com ela. - Eu a entendo.

Ela n�o � m�, s� � tola.

Mas como conheceu Lauretta?

Desculpe, estou sendo indiscreta.

Ela � muito amiga de uma jovem que conhe�o.

- Quem, Marina? - A senhora a conhece?

Desde que nasceu.

A m�e era zeladora em Via Tiburtina onde meu pai...

tinha uma oficina.

Ela e Lauretta cresceram juntas.

Mas, por favor, n�o diga nada a Marina.

N�o se preocupe, n�o vou mais v�-la.

- E por qu�? - N�o sei.

Sinto que deve acabar. Acho que j� durou demais.

Conhece-a h� muito tempo?

Sim, quatro meses.

Eu estava em Roma h� pouco, ela frequentava...

um restaurante em Piazza di Spagna.

Um dia houve um alarme a�reo e todos fugiram.

Ficamos sozinhos.

Ela ria, n�o tinha medo.

- E o senhor se apaixonou. - �, acontece.

�, acontece.

Mas ela n�o serve para mim.

Talvez se a tivesse conhecido antes...

em via Tiburtina.

Ora, uma mulher pode mudar...

ainda mais se est� apaixonada.

- E por que estaria? - E por que n�o?

Eu nem lhe ofereci um caf�, aceita?

- N�o se incomode. - � s� um minuto.

N�o � exatamente caf�.

Quantas vezes eu disse para n�o jogar duro?

Cuidado, Dom Pietro.

Voc�? Que milagre o trouxe?

- Foi mam�e quem me mandou. - Ela fez bem.

Dom Pietro, deixe-me falar.

Ela pediu para o senhor vir j�, � importante.

- O que �? - N�o sei, ela foi misteriosa.

Havia algu�m no quarto de Francesco.

Tudo bem, vamos.

Gilberto...

voc�...

Saia da�.

Agostino j� vem, voc� apita o jogo, fiquem bonzinhos.

Espere, n�o pense que vai escapar.

Por que n�o vem mais ao catecismo?

Estes n�o s�o tempos de catecismo.

Que hist�ria � essa?

Um padre deveria entender.

Precisamos nos unir contra o inimigo comum.

Quem lhe ensinou isso?

Foi Romoletto.

Romoletto diz isso?

Por favor, n�o conte a ningu�m.

Olhe, o Purgat�rio.

O que tem a�?

Fiz umas compras.

Voc� gastou todos os cupons?

- Nem unzinho. - E por que tanto p�o?

- Esta manh� celebraram... - O qu�?

N�o sei, nem o padeiro sabia.

Desculpe, Dom Pietro, preciso ir.

Que celebra��o?

N�o sei.

Espero que minha m�e tenha sabido.

Aqui est�. N�o � bom, mas est� quente.

Beba logo.

Obrigado. Francesco disse que v�o se casar.

Um casamento meio atrasado, no meu estado.

J� estava marcado h� muito tempo, mas...

por um motivo ou outro sempre adi�vamos.

Mas agora est� acertado.

- E quando ser�? - Amanh�.

Ent�o preciso comprar um presente.

Pelo amor de Deus!

� um casamento de guerra, s� n�s e Dom Pietro.

- Ent�o casam na igreja? - Sim.

Francesco n�o queria, mas eu disse...

"� melhor que seja Dom Pietro, que � um dos nossos...

do que um fascista da Prefeitura." N�o acha?

De certo modo, sim.

A verdade � que... eu acredito em Deus.

E a senhora trabalha?

Trabalhava como tecel�, mas despediram todos.

Os alem�es levam tudo.

Deve ser Dom Pietro.

- Bom dia, Dom Pietro. - Bom dia.

Com licen�a, eu j� vou.

Obrigado por ter vindo.

O que est� fazendo a�?

- Quem est� a� dentro? - N�o interessa.

V� buscar �gua.

- Preciso falar com voc�. - Entre.

Temos mais de 500 homens nas montanhas de Tagliacozzo...

s�o bons homens, n�o podemos abandon�-los.

O encontro � hoje �s 18hs, na Ponte Tiburtino.

Eu n�o posso ir...

estou marcado e o toque de recolher agora � �s 17hs.

- Eu irei. - Eu sabia.

E a mensagem?

Nenhuma, � s� entregar dinheiro da Junta Militar.

� pedir muito?

N�o, pelos que se arriscam � muito pouco.

E como irei reconhec�-lo?

Ele estar� assobiando "Mattinata Fiorentina".

Mas o senhor n�o deve conhecer.

- Como �? - Aquela assim...

Todos a cantavam.

Bom dia, reverendo. Posso ajud�-lo?

Gostaria de comprar um Santo Antonio.

N�o temos, n�o vende bem.

Que tal um S�o Roque?

Obrigado, n�o me interessa.

Como, n�o interessa um santo como S�o Roque?

Venha v�-lo.

Olhe, � um belo trabalho.

J� vou.

Lembre-se de passar pelo Chiurazzi.

� barato.

Preciso falar com Francesco.

Da parte do homem dos sapatos apertados.

Espere um momento.

Entre, reverendo, ele est� esperando.

Des�a as escadas.

Dom Pietro, o que aconteceu?

Nada s�rio.

Ontem � noite a S.S. Esteve no apartamento de Manfredi.

N�s soubemos.

- E onde ele est�? - Em sua casa.

Pina o deixou ficar por uns dias.

Ele me entregou isto.

Eu queria mand�-lo para o mosteiro de San Giovanni...

seria mais seguro.

Mas ele n�o quer, diz que ficaria de fora.

Ele tem raz�o.

Mas para ele agora � mais perigoso, se est� marcado.

Sim, mas somos poucos e se todos forem para o mosteiro...

- Entendo. - Este � nosso diretor.

- Muito prazer. - O prazer � meu.

Ouvi falar muito do senhor.

Isto � ruim, para a minha mod�stia e a minha sa�de.

O senhor j� fez muito por n�s, eu agrade�o.

� meu dever ajudar a quem precisa.

Venha comigo.

Aqui est�, padre.

Manfredi falou que se tratava de dinheiro.

S�o livros, mas n�o h� muito para ler.

- S�o todos assim? - Mil p�ginas.

Um milh�o de liras.

Exato.

- Quem �? - Marina, sou eu, abra.

Ol�.

- Adivinhe quem eu vi hoje. - N�o me interessa.

Manfredi. Veio me procurar.

Voc�? Onde?

Em minha casa.

Mas por que? O que ele queria?

Pediu que eu avisasse que estar� fora por alguns dias...

ele tentar� telefonar.

- E nada mais? - N�o.

Mas por que? Ele n�o explicou?

N�o, eu n�o perguntei.

Eu estava de roup�o, com o cabelo enrolado...

N�o vai se trocar? Logo � a sua vez.

Como ele sabia seu endere�o?

� mesmo, como sabia? Voc� deve ter contado.

Eu nunca contei.

O que posso dizer? Eu � que n�o contei.

N�o quero que saibam que moro naquela espelunca.

Ali�s, n�o posso mais ficar naquela casa.

Posso ir morar com voc� at� encontrar um lugar?

Claro, venha quando quiser. Eu j� falei tantas vezes.

Voc� � um amor.

- O que est� procurando? - Um cigarro.

- Eu pego. - Est� bem.

Obrigada.

- Quando ele veio? - Quem?

Giorgio.

Hoje cedo. Eu estava me vestindo.

Srta. Mari, � a sua vez.

Eu n�o entendo.

Est� apaixonada por ele ou n�o?

At� que ele � bem simp�tico.

Por favor, n�o se meta.

N�o se preocupe, se est� feliz...

N�o se sente bem?

N�o � nada.

Marina, outra vez! Voc� sabe que lhe faz mal.

Bobagem.

Tantas coisas nos fazem mal e as fazemos assim mesmo.

J� vou.

Boa noite, como vai?

Bem, e voc�? Est� bonita hoje, como sempre.

Eu j� vou.

N�o demore, voc� conhece o gerente.

Desculpe, preciso ir.

Est� com voc�?

Voc� � um amor.

Ele n�o tem mais hor�rio, vai e vem, sai e volta...

justo agora que ningu�m deve p�r o nariz fora da janela.

Ele est� sempre fora.

- Tem seus motivos. - Espero que sim.

Voc� me surpreende.

Ora, acha que n�o sei que foram voc�s que provocaram...

toda aquela confus�o na padaria hoje?

- Eu? - Sim.

Acham que sou bobo? Vejo tudo, entendo tudo.

E sei que se continuarem assim, ter�o problemas.

- Espero que n�o. - Eu tamb�m.

- Sopa de repolho. - D� para perceber.

Que horas s�o? O toque de recolher � as 5.

Deixe-me ver. S�o quatro e meia.

Preciso ir.

Quer deixar recado?

N�o, eu queria falar com Dom Pietro...

mas o verei amanh� antes do casamento.

Ele chegou.

- Boa tarde, Dom Pietro. - Boa tarde, Pina.

J� disse para n�o cozinhar no aquecedor.

Ainda mais repolho.

- Posso cozinhar l� dentro. - Agostino, n�o responda.

Decida, ou acendo o aquecedor ou o fog�o.

Continue.

Livros!

N�o temos dinheiro para comer e ele compra livros.

Largue, s�o do padre de San Lorenzo.

Vai sair outra vez? O toque de recolher � em 20 minutos.

N�o importa, m�dicos e padres podem sair.

- Tamb�m as parteiras. - O qu�?

Eu li a respeito.

Aqueles sujeitos t�m o dedo leve no gatilho.

Dom Pietro, vim me confessar.

Eu preciso sair. Amanh� de manh�.

Est� bem, eu o acompanho um peda�o.

- Deixe que eu levo. - N�o, n�o.

Imagine, um padre carregando pacotes.

N�o � pesado.

Vamos que � tarde.

At� logo, Agostino.

N�o se preocupe.

Se esta guerra n�o acabar eu vou ficar louco.

- O senhor � o vig�rio? - Sim.

- Dom Pietro Pellegrini? - Sim.

Gostaria de falar com o senhor.

Venha.

Eu j� vou, tome o pacote.

O que ele quer?

Seria melhor...

Espere l�.

Sente-se.

Saia um momento.

Sente-se.

Fale.

Da parte de Dom Sav�rio de Risi, o padre de Minturno.

N�o pense que sou covarde.

Eu n�o aguento mais.

N�o fique t�o abatido. Procurarei ajud�-lo.

De onde est� vindo?

De Cassino, um inferno.

O que ele queria? Quem �?

Queria uma informa��o.

Quando vejo um deles...

H� tanto tempo que n�o me confesso que me envergonho.

Deixe-me falar, Dom Pietro.

Sinto que vivi mal, fiz tantas coisas que n�o devia.

Acha que n�o me envergonho de me casar assim?

O senhor n�o pode entender.

S�o coisas que se faz sem pensar, sem perceber...

que estamos errados.

Eu estava apaixonada e ele � t�o bom.

Muitas vezes pensei que ele podia ter encontrado...

algu�m melhor que eu, mais jovem...

n�o uma vi�va com um filho e sem um tost�o.

Tive de vender tudo para poder viver.

E a vida fica cada vez pior.

Como poderemos esquecer o sofrimento...

as ansiedades, os medos?

Cristo n�o nos v�?

Tantos me fazem a mesma pergunta.

Estamos certos de n�o ter merecido estes flagelos?

Estamos certos de ter vivido segundo as leis do Senhor?

Ningu�m pensa em mudar de vida, em se arrepender e...

quando sentem um n� no peito se desesperam e perguntam...

Deus n�o nos v�? N�o tem piedade de n�s?

Sim, Deus ter� piedade de n�s, mas...

temos muito a ser perdoado.

E por isso precisamos rezar e perdoar.

Tem raz�o, Dom Pietro, mas quando os vejo...

tenho vontade de bater.

A senhora tem raz�o.

O que me fez dizer? D�-me o pacote, j� � tarde.

At� logo.

Ela veio pedir ajuda.

Os alem�es haviam pego seu noivo.

Eu disse: "Deixe comigo". Ela tinha umas coxas...

Pare, m�os ao alto.

Tem um passe?

Tip�grafo.

Olhe o documento.

Est� bem. V� para casa.

Boa noite, capit�o, e obrigada.

Amanh�, n�o esque�a.

Francesco, voc� me assustou.

J� era tarde e ele quis me acompanhar.

N�o faz mal, n�o �?

Ol�, Francesco.

Foi tudo bem, n�o?

Desta vez sim, a senhoria e Nannina foram �timas.

Sabe que voltaram de manh� e revistaram a casa?

Perderam tempo, n�o havia nada.

Foi Pina quem o deixou entrar?

Sim, ela foi muito gentil.

O que achou dela?

Faz bem em casar-se.

No in�cio ela pensou que eu era um policial...

tratou-me muito mal.

Imagino.

Sabe que Dom Pietro conheceu Gino?

Fico contente. O que ele disse de mim?

Est� preocupado.

Voc� devia se encontrar com o velho hoje.

Quando ele chegou?

Ontem � noite, mas voc� n�o deve v�-lo.

Gino disse que voc� deve se afastar por um tempo.

Ele tem raz�o, mas ap�s tanto trabalho...

ficar afastado...

N�o consigo entender como souberam...

precisamos descobrir o que sabem.

� dif�cil, mas podemos tentar.

Esperemos que Dom Pietro tenha encontrado...

- o amigo de Tagliacozzo. - Esperemos que sim.

Eu trouxe o jornal.

Est� bom, n�o?

Quantas c�pias?

Doze mil.

A� vem Pina.

Ol�, como vai?

- Preocupada com Marcello. - Por qu�?

- Ele desapareceu. - Como?

Procurei por toda parte e n�o o encontro.

Estar� com Romoletto.

N�o est�. Os outros meninos tamb�m n�o est�o.

Aonde ter�o ido?

Receio que tenham sa�do.

A esta hora, com o toque de recolher?

Bom trabalho, tenho orgulho de voc�s.

Depressa, rapazes.

Vamos esperar por eles.

Boa noite.

A� est� voc�. Agora vai ver!

Se ele fosse meu pai, ele � que ia ver.

Boa noite.

Seu malandro! Isto s�o horas?

� melhor entrar um de cada vez.

Voc� primeiro.

Ent�o voc�s chegaram.

- Eles est�o aqui. - Malandros.

Voc�s v�o levar uma surra!

Vou at� l� ou haver� um massacre.

- Olhe para eles. - Onde estavam?

- Com Romoletto. - N�o havia ningu�m l�.

- Est�vamos l� embaixo. - Onde?

Por que pergunta? � claro que est�o mentindo.

Mentindo? Eu os mato!

- Delinq�entes. - Pra cama. Calma.

N�o sei o que fazer com estes meninos.

Parem com isso, n�o h� sossego nesta casa.

Eu trabalho o dia inteiro.

Belo trabalho.

Como? Fale claro.

V� dormir que � melhor.

Por qu�? N�o posso falar em minha casa?

A casa � minha, se quer falar v� para o seu quarto.

Tamb�m tenho direito � cozinha.

- Pare com isso, Lauretta. - Estou cansada desta zona.

Desapare�a.

Precisam brigar todas as noites?

Esta � a �ltima vez.

Se ela n�o for embora, eu...

Ser� que j� est� assado?

Deve ter queimado. Por causa da maluca.

Venha c�.

� uma surpresa.

Elida fez um bolo para o casamento.

N�o v�o brigar agora, v�o?

Porque vamos encher a barriga.

Bom para ele, que n�o tem preocupa��es.

- V� dormir, v�. - Apague a luz, por favor.

Demos uma li��o neles.

Voc�s nunca me levam.

Voc� � uma menina.

Por que, as meninas n�o podem ser hero�nas?

Sim, mas Romoletto diz que as mulheres s�o um problema.

N�o est�o dormindo?

Vou me esconder.

Durmam.

N�o est� dormindo?

N�o estou com sono.

Aonde voc�s foram com Romoletto?

N�o posso contar.

Nem para mim?

N�o, � um segredo.

Ent�o tem raz�o, n�o deve contar a ningu�m.

Boa noite.

Escute...

O qu�?

� verdade que amanh� devo come�ar a cham�-lo de papai?

Sim, se quiser.

Quero, gosto muito de voc�.

O que h�?

Discuti com minha irm�.

Outra vez?

Ela vai embora.

Diz que nem vir� ao casamento.

� s� conversa.

N�o, � s�rio. Est� fazendo as malas.

Amanh� mudar� de id�ia.

Estou t�o cansada.

T�o cansada.

Desabafe. Venha comigo.

- Manfredi est� l�. - E da�? � um amigo.

Mas quero ficar um pouco sozinha com voc�.

- Est� bem. - Venha c�.

Aqui, como quando...

conversamos pela primeira vez, lembra-se?

Voc� veio bater furiosa na minha porta.

Claro, voc� estava batendo um prego na parede e...

derrubou meu espelho.

Mas ele n�o quebrou.

"Quem pensa que �, o rei do universo?"

Como eu o achava antip�tico. Voc� morava aqui h� 2 meses...

e quando descia as escadas n�o me cumprimentava.

Faz s� dois anos e parece tanto tempo.

E como parece diferente, mas j� est�vamos em guerra.

Sim...

e todos achavam que acabaria logo.

E que a ver�amos s� no cine jornal.

Quando terminar�?

H� momentos em que eu n�o aguento mais.

Este inverno parece intermin�vel.

Ele terminar�, e vir� a primavera e ser�...

mais bela que as outras porque seremos livres.

Precisamos acreditar, precisamos querer.

Eu sinto estas coisas mas n�o sei explic�-las.

Ele saberia.

� um homem instru�do, estudou e viajou muito...

ele sabe falar bem.

Mas eu acho que � assim.

N�o devemos ter medo, nem hoje, nem no futuro...

porque estamos no caminho certo, entende?

Sim, Francesco.

N�s lutamos por algo que deve acontecer, n�o pode...

deixar de acontecer.

Talvez o caminho seja longo e dif�cil, mas...

chegaremos a ver um mundo melhor.

E principalmente os nossos filhos ver�o...

Marcello e ele, o que esperamos.

E por isso voc� n�o deve ter medo, Pina, jamais...

aconte�a o que acontecer. N�o �?

Sim, Francesco.

Mas eu n�o tenho medo.

Al�... � a senhora... N�o o temos visto.

Mas ele nem telefonou?

N�o mandou ningu�m?

Diga-me a verdade. Sabe de alguma coisa?

Sabe onde ele est�?

N�o sei, senhorita, juro. Se soubesse eu diria.

Espero que n�o.

Boa noite. � uma tola, pedindo not�cias pelo telefone.

Vamos acabar na Gestapo.

Entre.

O Comiss�rio de Pol�cia de Roma.

Fa�a-o entrar.

Caro amigo, chegou bem na hora.

Algo muito interessante aconteceu.

O nosso Manfredi foi visto esta manh�...

no bairro Predestino. Sente-se.

E h� pouco uma bomba explodiu...

um vag�o de gasolina na esta��o ferrovi�ria de l�.

Desculpe, major, mas minhas not�cias s�o...

mais sensacionais que as suas.

Passei esta manh� no Arquivo Central e...

tamb�m fiz uma descoberta interessante.

Formid�vel!

Ferraris, Luigi, nascido em Torino em 3/10/1906.

Preso em Bolonha em 4/01/1928.

Condenado a 12 anos por conspira��o contra o Estado.

Fugiu ao ser transportado...

e foi visto em Paris e Marselha.

Luigi Ferraris.

- O senhor me venceu. - Eu nunca me permitiria.

Mas ainda resta o principal. Agarr�-lo.

N�o duvide, ele n�o me escapar�.

- Quer que eu providencie? - N�o, eu o pro�bo.

N�o que eu desconfie do sistema, mas prefiro...

agir por mim mesmo.

Desculpe.

Ingrid.

- Como vai? - Senhora...

Obrigada pelas flores e pelo caf�.

Sr. Comiss�rio, o senhor corrompe meus funcion�rios...

mas est� perdoado.

Ele fez uma descoberta muito interessante.

� mesmo?

Fant�stico.

Ingrid, agora basta de conversa.

Precisamos agir imediatamente.

Eu me encarrego.

Bom dia.

Bom dia, meninos.

Louvado seja Jesus Cristo.

Para sempre seja louvado.

Louvado seja Jesus Cristo.

Para sempre seja louvado.

Mas voc� � sempre o �ltimo a louv�-lo.

Quem �?

A lei.

Bom dia, cabo. Um momento estou me vestindo.

Ent�o vamos cumprimentar sua futura esposa.

Francesco!

Os alem�es! Os fascistas!

Est�o cercando o pr�dio.

Veja, est�o cercando o pr�dio, entre.

Voc�s tr�s por aquele lado, mandem todos para baixo.

Voc�s por ali e fa�am o mesmo.

O que est� fazendo aqui?

Estou aqui a servi�o mas agora devo ir.

Sou cabo.

Deve ficar aqui.

Marcello!

O que �?

- Os alem�es e os fascistas! - Onde?

- Em nossa casa. - Vamos, rapazes.

Esperem um momento.

Os alem�es est�o l�.

- Fiquem aqui, eu vou ver. - N�s precisamos ir.

Eu disse para ficarem aqui.

Romoletto tem bombas no s�t�o.

Depressa, v�o para a ferrovia.

Os alem�es est�o no p�tio.

Francesco conseguiu escapar.

N�o se preocupe, a casa � grande.

- N�o digam nada a Pina. - N�o se preocupe.

- O que faz aqui? - Estou pegando minhas roupas.

Fora! Ningu�m mexer� em suas roupas.

- N�s estamos aqui. - Que boba, n�o pensei nisso.

Fora, fora, por aqui.

- Onde est� Francesco? - Sossegue, ele fugiu.

Os covardes mandam descer at� os doentes.

O vov� n�o quis descer. O que far�o com ele?

Nada, n�o se preocupe. V� para l�, depressa.

Meu filho, meu filho...

- Onde ele estava escondido? - N�o sei.

Onde est�o todos os homens?

Entendeu? Onde est�o os homens?

Eu n�o sei, n�o sou zelador.

Um homem est� morrendo.

- � o padre. - N�o precisa se apressar.

N�o h� ningu�m l�. Trouxemos todos para baixo.

Imposs�vel, seu estado � grave.

- Preciso subir. - Pare.

S� agora, padre? Ele chamou tanto o senhor.

Talvez j� tenha morrido, suba.

Espere. O que � isso? Todos desceram.

N�o ele, � paral�tico. V�, padre.

Antigamente vinham mais depressa.

Romoletto! Abra, sou eu!

- Dom Pietro est� aqui. - V� embora.

Abra.

N�o, v�o embora.

Estou mandando abrir.

- O que est� fazendo? - Vou matar todos eles.

Quer que matem todos n�s? D�-me isso.

Socorro! Me larguem!

Em que andar mora o moribundo?

N�o sei, no terceiro ou no quarto.

Vou at� l�. Sou meio m�dico.

- Eu acompanho. - N�o, vou sozinho.

N�o gosto da sua cara.

Aqui n�o h� ningu�m. Vamos subir.

A porta.

O qu�? Ficou louco? O que � isso?

Eu estou bem! V� embora!

Fique calmo...

Eu estou muito bem. Quero viver 100 anos.

- Deite-se, est�o chegando. - Mas quem?

- Os alem�es. - Alem�es?

Que me importam os alem�es e os fascistas.

D�-me isso.

Olhem l� dentro.

Vamos, Sr. Biaggio, acorde.

D�-me isso.

Vamos, vamos.

Que pancada o senhor deu nele!

Francesco!

Pina!

Mam�e!

Preparem-se.

Quando sa�rem do t�nel...

mirem nos motoristas.

Fl�vio...

Trouxemos carne.

- E onde est�? - Aqui.

Eu sou dono de pens�o, n�o a�ougueiro.

N�s seremos os a�ougueiros.

�, voc�s s�o especialistas.

Boa noite, senhores. Entrem.

Boa noite, doutor. A senhorita o espera.

Giorgio, finalmente. Procurei voc� tanto.

- O que aconteceu? - Nada, por que?

O que poderia ter acontecido? N�o entendo.

- Mas como, sua casa... - Este � um amigo.

Sente-se, Francesco.

Prazer, Mari.

- A S.S. Esteve l�, n�o �? - Quem disse?

O seu porteiro. Mas por que o procuravam?

N�o sei, talvez por eu ser um oficial.

- E onde vai ficar? - Na verdade n�o sei.

Hoje, com um amigo.

- Por que n�o fica comigo? - Em sua casa, n�o.

- Por qu�? - N�o quero incomodar.

E depois, estou com ele.

Tudo bem, ele pode dormir no div�.

- Espaguete para todos? - Depois resolvemos.

- Os cupons, por favor. - Eu n�o tenho.

- Dou um dos meus. - Obrigado.

Eu cuido dos senhores.

- Menzetti foi preso. - Quando?

Esta manh� �s 6.

Se n�o fugirmos pegar�o todos n�s.

Aposto que era l� que ia dormir.

Algu�m falou.

Pobres animais.

A esta hora uma r�dio americana...

sempre transmite jazz.

Que tal uma bebida, rapazes?

Ganhei este k�mmel.

Vai nos esquentar.

N�o se sente bem?

O senhor est� com febre. Giorgio, ele est� queimando.

- Vou preparar a cama. - N�o se preocupe.

Coragem.

Ajude-me, Giorgio.

Ficar� muito confort�vel.

E depois eu lhe trago uma aspirina.

Pode me dar o cobertor?

� preciso tomar cuidado. H� uma gripe andando por a�.

Nestes tempos � s� o que anda por a�.

Quem ser� a esta hora?

- Quem �? - Sou eu.

� voc�.

Finalmente cheguei.

Precisei despachar Fritz antes.

- Est� b�bada? - Um pouquinho.

V� j� dormir.

Quem est� a�?

O senhor!

V� dormir, Lauretta.

N�o vou com�-lo.

Francesco, o que faz aqui?

Pina o p�s para fora na noite de n�pcias.

- Venha. - Que acolhida!

Teria sido melhor ficar com Fritz.

Vou contar a Pina.

Deite-se, Francesco, est� com febre.

Vou pegar uma aspirina.

Briguei com minha irm�, n�o volto mais para l�.

- Marina. - Entre.

N�o olhe para mim.

- Onde est� a aspirina? - Olhe na gaveta.

S� faltava essa garota tola.

E agora, onde vai dormir?

N�o se preocupe, eu me arranjarei na poltrona.

Ser� desconfort�vel, voc� sentir� frio.

Boa noite, como est�?

Como vai, querida?

Eu esperava seu telefonema.

Voc� n�o est� sozinha?

Voc� o viu?

Ele est� a�?

A pequena Lauretta.

Ela ficar� comigo por alguns dias.

Certo.

Tudo bem.

Eu lhe telefono amanh�.

Boa noite.

O que isto faz na sua bolsa?

O qu�?

O dentista me deu quando tive dor de dente. Lembra?

N�o, n�o lembro.

Este dente aqui.

Eu punha para acalmar a dor.

- Ainda d�i? - N�o, h� muito tempo.

Mas por precau��o voc� continua a levar consigo.

� para devolver ao dentista.

Isso explica tudo.

- O que est� fazendo? - Fica comigo...

amanh� vamos juntos devolver.

N�o brinque, d�-me isso.

Tome.

Voc� poderia perder. E custa t�o caro.

Por que me olha assim? N�o pensa que...

Eu n�o penso nada, e depois voc� � livre.

N�o mando em voc�. Quem sou eu?

Um dos que passaram por sua vida.

- La dizer um dos muitos. - Eu n�o disse.

Mas pensou.

Sim, tive amantes, claro. O que eu devia fazer?

Como acha que comprei estes m�veis, estas roupas, tudo?

Com meu sal�rio?

Meu sal�rio s� d� para meias e cigarros.

Eu fiz como fazem todas. � a vida.

A vida � como a fazemos.

Palavras! A vida � feia, suja.

Eu conhe�o a mis�ria e ela me assusta.

Se n�o tivesse feito o que fiz...

talvez tivesse casado com um ferrovi�rio e...

morreria de fome. Eu, meus filhos e ele.

Pobre Marina...

E acha que a felicidade � morar num bairro elegante...

ter belas roupas, empregada, amantes ricos.

Se tivesse mesmo me amado, teria me mudado.

Mas voc� � como todos os outros, ali�s, pior...

porque os outros n�o me fazem serm�es.

Tem raz�o, desculpe.

Giorgio.

Para variar, voc�s brigaram outra vez.

E voc� ficou ouvindo, claro.

Eu n�o, mas d� para ouvir tudo nesta casa.

Amanh� procuraremos Dom Pietro, ele se ofereceu...

para me esconder num mosteiro por algum tempo...

iremos juntos.

N�o, eu n�o poderia.

Agora preciso trabalhar mais que antes.

Ela est� morta.

Sim, eu entendo.

Mas neste momento voc� est� desesperado...

e seria imprudente.

Sua atividade seria mais danosa que �til.

N�o se preocupe, voc� ter� muito tempo.

A batalha ser� longa. A nossa apenas come�ou.

Aqui est� a aspirina.

Obrigado.

Boa noite.

- Marina. - O qu�?

Talvez Manfredi tenha raz�o. Somos idiotas.

Fique quieta. Durma.

- O senhor tem uma visita. - Sim, mande entrar.

Entre, por favor.

- Bom dia, Dom Pietro. - Eu o esperava.

Preparei seu documento de identidade.

Giovanni Ep�scopo, sou dois anos mais jovem.

Obrigado.

E ele quem �?

O austr�aco, Francesco n�o contou?

- Sim. - � um bom homem.

Com licen�a, este senhor vir� conosco.

Falei com o prior do monast�rio, ele nos espera.

E Francesco?

Est� no p�tio com Marcello. Ali�s, vamos logo.

D�-me...

Agostino, voltarei tarde.

Quando ir� parar com estas confus�es?

Jante com o menino e depois v�o dormir.

Eu n�o durmo.

Para o jantar preciso de...

Claro.

- Isto deve bastar. - E o senhor?

- Eu tenho. - Pois sim.

Ficarei fora uns tempos.

Mas voltarei e ficaremos sempre juntos.

- Vamos, Francesco. - J� vou.

Papai...

Leve, foi mam�e quem me deu.

A informa��o estava correta. Parab�ns.

A informa��o estava correta. Parab�ns.

Gosta? Experimente.

Coloque.

Magn�fica. Olhe no espelho.

- Ele foi preso? - Sim.

O que far�o com ele?

Nada de mal.

Precisamos de algumas informa��es.

Assim que as der ele ser� libertado.

E se ele n�o der?

Bobagem. N�o se preocupe, ele falar�.

- E se n�o falar? - Por que n�o falaria?

Sim, por que n�o?

- Voc� o ama? - Eu?

Eu n�o amo ningu�m.

Por que est� sendo t�o malvada comigo hoje?

- Deixe-me ir embora. - N�o, voc� ficar� comigo.

N�o, n�o quero mais isso. Deixe-me ir.

Por qu�?

O que foi que eu fiz?

Est� ferido, Dom Pietro?

N�o, meus �culos.

Est�o quebrados.

Paci�ncia.

- Obrigado. - A culpa � minha.

Eles devem ter me seguido.

Creio que n�o, devem me vigiar h� muito tempo.

N�o devia t�-los convidado � minha casa.

Sil�ncio. As paredes t�m ouvidos.

N�o importa, n�o temos nada para dizer.

Certo, Dom Pietro?

Claro...

n�o temos nada para dizer.

Ouviram? N�s tamb�m gritaremos assim.

Acalme-se.

Achamos isto na casa do padre.

� claro que as identidades s�o falsas.

Revistaram tudo?

- Sim, at� a sacristia. - Isso foi uma imprud�ncia.

S� havia um sacrist�o e um menino na igreja.

Estavam com tanto medo que n�o disseram nada.

Eles dir�o.

N�o est� com medo?

Sim, muito, mas sinto-me tranquilo.

� estranho, n�o? Por�m eu...

Eu entendo...

Voc�s s�o loucos.

Ou�am, eu sei, voc�s devem ter o que esconder...

vidas humanas dependem do seu sil�ncio...

mas acham que resistir�o �s torturas deles?

Voc�s n�o sabem!

Eles transformam her�is em covardes.

N�o somos her�is, mas jamais saber�o alguma coisa de n�s.

- Que horas s�o? - Nove e meia.

Eles devem falar antes que amanhe�a...

antes que a not�cia de sua pris�o se espalhe.

Temos 10 horas.

Ou�a, Dom Pietro...

n�o sei se ficaremos juntos por muito tempo ou...

se nos veremos novamente, mas...

mas quero agradecer por tudo que fez por n�s.

N�o, deixe-me falar. Devo dizer a verdade.

N�o sou o que pensam, sou...

Ou�am, eles est�o vindo. Por favor, n�o me traia.

Voc�.

Kramer, apague a luz.

Entre.

Por favor.

Como se chama?

Giovanni Ep�scopo.

Sim.

Ep�scopo, nascido em Bari, comerciante.

- Comercia o que? - Azeites e vinhos.

Azeites e vinhos, magn�fico.

Escute, Sr. Ep�scopo...

se tivesse tempo me divertiria discutindo seus neg�cios...

mas infelizmente tenho pressa e o estimo muito...

por isso vou fazer uma proposta.

Sei tudo sobre o senhor, seu nome verdadeiro e...

suas atividades pol�ticas passadas.

Quanto ao presente, meus informantes dizem que � um...

dos chefes do Comit� de Libera��o Nacional...

e est� em contato com o Centro Militar de Badoglio.

Tenho necessidade urgente de conhecer...

os detalhes da organiza��o e o senhor � o homem certo.

Diz que sabe quem sou...

que conhece tudo sobre minhas atividades.

Ent�o por que me faz essa proposta?

O que o faz pensar que vou me tornar um espi�o?

Sei que neste escrit�rio...

as mesmas propostas foram feitas aos generais italianos...

aos Badoglianos, como voc�s dizem.

Sei que eles pagaram sua lealdade e seu sil�ncio...

com a vida.

Espero estar � altura deles.

Sinto ver que recusa uma proposta t�o razo�vel...

mas devo dizer que esperava por isso.

Voc�s italianos, de qualquer partido que sejam...

t�m a doen�a da ret�rica.

Mas estou certo que antes do amanhecer...

chegaremos a um acordo.

Aceita?

Ora, n�o ser� um cigarro que o far� falar.

Dizem tantas coisas sobre a Gestapo.

Venha.

Acalme-se, meu filho.

Tente rezar.

Achamos este material em sua casa.

Seu intuito evidente � causar dano ao Reich...

e ao seu ex�rcito.

N�o era exatamente isso.

O que � um homem que...

n�o s� fornece documentos falsos e ref�gio a italianos...

que atentam contra nossos soldados mas...

d�o abrigo a desertores alem�es?

Um homem que humildemente procura fazer caridade.

� um traidor que deve ser punido...

de acordo com as leis de guerra do Reich.

Ser� o que Deus quiser.

Ent�o ou�a com cuidado.

Seu amigo Ep�scopo � chefe de uma organiza��o militar...

que o senhor conhece bem.

Se falar ou convencer seu amigo a falar...

n�o far� mais do que seu dever de padre e cidad�o.

Explico por qu�.

Estes homens que preparam atentados e sabotagens...

contra as for�as armadas alem�s...

violam os direitos de uma for�a de ocupa��o...

garantidos por tratados internacionais.

S�o franco-atiradores e devem ser entregues...

� justi�a, est� claro?

- Suas palavras me comoveram. - Finalmente!

- Kramer. - Sim, senhor.

Anote seu depoimento.

- Mas h� um problema. - Qual?

Nada tenho a dizer.

N�o sei nada, s� ouvi confiss�es e...

esses segredos morrer�o comigo.

- S�o os nossos votos. - N�o interessam os seus votos.

Mas interessam a algu�m que est� acima do senhor...

e de mim.

Ent�o conven�a seu amigo a falar.

Creio que ele n�o sabe nada do que o senhor suspeita.

Quer me fazer acreditar que n�o conhece...

suas verdadeiras atividades?

Sua verdadeira identidade?

S� sei que � um homem...

que precisava da minha modesta ajuda.

Sim? Ent�o eu lhe direi quem ele �.

� um subversivo, um ateu, um inimigo seu.

Sou um padre cat�lico.

E acredito que quem combate pela justi�a e a liberdade...

caminha nos passos do Senhor, que s�o infinitos.

Vai fazer um serm�o?

N�o tenho essa inten��o.

Ou�a, n�o tenho tempo a perder.

Est� decidido a n�o falar?

Nem quer tentar convencer seu amigo?

Isso o livraria de sofrimentos que o senhor...

nem pode imaginar.

Eu imagino muito bem.

Mas � in�til.

Se ele for o homem que diz...

ser� dif�cil faz�-lo falar.

- O senhor n�o acha? - N�o se preocupe.

- Ele falar�. - Eu n�o creio.

- Ele n�o falar�. - � mesmo?

N�o falar�.

Eu orarei por ele.

N�o ter� muito cr�dito com seu Padre Eterno.

Isto levar� tempo. Chame-me se algo acontecer.

Entre.

O desertor se enforcou.

Idiota.

- Quem est� ganhando? - O mesmo de sempre.

- Noite dif�cil? - N�o muito.

- Mas interessante. - Por qu�?

Tenho um homem que precisa falar antes do amanhecer.

E um padre italiano que reza por ele. Ele falar�.

- E se n�o falar? - Imposs�vel.

E se ele se calar?

Significa que um italiano vale tanto quanto um alem�o.

Significa que n�o h� diferen�a...

entre uma ra�a escrava e uma ra�a superior.

E nenhuma raz�o para esta guerra.

H� 25 anos eu comandei...

esquadr�es de fuzilamento na Fran�a.

Eu era um jovem oficial.

Ent�o eu acreditava na superioridade da ra�a alem�.

Mas os patriotas franceses tamb�m morriam sem falar.

N�s alem�es simplesmente n�o aceitamos que...

os povos queiram ser livres.

- Voc� est� b�bado. - Sim, estou.

Bebo para esquecer mas n�o adianta.

N�s s� sabemos matar, matar, matar.

N�s semeamos a Europa com corpos.

E dessas sepulturas nasce um �dio incr�vel...

�dio por toda parte.

N�s seremos consumidos pelo �dio.

- � in�til. - Basta!

Todos n�s morreremos. � in�til.

Eu o pro�bo de continuar.

Sem esperan�a.

Eu o pro�bo, o senhor esquece que �...

um oficial alem�o!

- Ele falou? - N�o, senhor.

Nunca tivemos ningu�m como ele.

Ele est� inconsciente. O que faremos, senhor?

- Ent�o, Wendel? - Imposs�vel, senhor.

Precisamos esperar um pouco.

N�o, ser� tarde demais.

Talvez usando psicologia?

Voc� est� louco. Ele precisa falar agora.

A seringa.

Sr. Ferraris, eu j� disse que o estimo muito.

E respeito essa sua prova de coragem...

esse seu esp�rito de sacrif�cio...

mas deve entender que n�o pode continuar.

O senhor � um comunista.

O seu partido assinou um pacto de alian�a...

com as for�as reacion�rias.

Voc�s agora marcham juntos contra n�s.

Mas amanh� quando ocuparem ou liberarem Roma...

como voc�s dizem, esses altos oficiais da monarquia...

ainda ser�o seus aliados?

Eu ofere�o a solu��o.

D�-me os nomes dos generais de Badoglio...

d�-me condi��es de prend�-los...

e eu garanto sua liberdade...

e imunidade aos homens de seu partido.

Ent�o, Sr. Ferraris?

Continue, at� o fim.

Eu disse que n�o seria f�cil.

D�-me um cigarro.

Tragam o padre.

Olhe, est� satisfeito?

Esta � sua caridade crist�, este � o seu amor...

por seu irm�o em Cristo?

Preferiu v�-lo assim ao inv�s de falar mas...

n�o espere salvar-se, padre hip�crita...

nem salvar os companheiros. Ter� o fim dos traidores.

N�s destruiremos voc�s, at� o �ltimo.

Voc� n�o falou.

Acabou.

Queriam matar sua alma s� mataram seu corpo.

Malditos sejam!

Ser�o esmagados como vermes.

Malditos sejam!

Meu Deus, o que foi que eu disse?

Perdoa-me, Pai, perdoa-me.

Fora! Fora! Levem-no para fora!

Esses italianos idiotas.

� tudo que eu precisava.

Esse padre me irritou.

Eu disse que n�o seria f�cil.

Voc� sempre tem raz�o.

Senhor, o relat�rio.

Sim, o relat�rio... Ataque card�aco.

E a mo�a?

Voc� decide.

Deixe-a ficar por alguns dias e depois...

Venha, querida, preciso de uma bebida.

Que nome usaremos? Manfredi ou Ferraris?

Nenhum. Giovanni Ep�scopo.

N�o criaremos mais m�rtires. Eles j� t�m o suficiente.

Um momento, por favor.

Para a pr�xima vez.

N�s somos a ra�a superior.

Que horas s�o?

- 8:14. - Exato, eles est�o atrasados.

- Sim, est�o. - Aceita um cigarro?

Obrigado.

F�sforo?

Sentido!

Seu chap�u, Dom Pietro.

Obrigado.

Venha, coragem.

N�o � dif�cil morrer bem.

Dif�cil � viver bem.

Pai, perdoa-os.

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