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Original subtitles

Eis uma pergunta que dev�amos ter feito h� 10 minutos.

E se estas algemas forem mesmo imposs�veis de abrir?

Dizer que umas algemas novas s�o imposs�veis de abrir

� como dizer que um detergente com nova imagem � novo e melhorado.

� marketing e n�o muito original.

S� digo que dev�amos saber como abri-las antes de as ter posto.

O objectivo deste exerc�cio � simular as condi��es no terreno.

Se f�ssemos raptados, achas que nos deixavam sem algemas postas?

- Estive quase. - Ao contr�rio das granadas,

as algemas n�o premeiam o quase.

Ainda tens este toque?

Ainda n�o decifraste o meu c�digo para o mudar?

Stuyvesant Memorial Hospital, onde j� trabalhaste.

Posso p�r a mensagem em alta voz. Qual � o c�digo?

Eu trato disso, obrigada.

� ela.

Abby Campbell.

� t�cnica de laborat�rio na cl�nica de fertilidade.

Anteontem, disse a uma colega que ia trabalhar at� tarde.

O marido dela � m�dico aqui

e diz que ela n�o foi para casa.

O carro ainda est� no parque e ningu�m sabe onde ela est�.

Ligaram � Pol�cia?

J� c� vieram, est�o a investigar.

Mas lembrei-me de ti e, j� que temos uma detective na fam�lia...

� poss�vel ela ter-se ido embora sem dizer a ningu�m.

Tem uma filha de 2 anos.

N�o imagino que deixasse a filha.

� uma boa pessoa. Est�vel, respeit�vel.

H� pessoas respeit�veis que resolvem desaparecer sem avisar.

S� posso dizer que seria estranho

e que muitas pessoas gostam dela.

O que achas?

Podes ajudar?

Este � o posto dela.

Onde passava o dia a olhar a vida pelo microsc�pio.

E a noite.

Ningu�m ficou admirado por ela trabalhar at� tarde.

O facto de a mulher americana comum ter filhos cada vez mais tarde

levou a um aumento da procura de especialistas de fertilidade.

Dada a natureza sens�vel do local,

devia haver c�maras, n�o?

A vigil�ncia na zona do laborat�rio sempre foi escassa.

Podia ter sa�do sem a verem.

Ou algu�m podia ter entrado.

- O que foi? - � a Emily.

Diz que precisa de falar, que � urgente.

A tua rede social escolheu este dia para ter uma crise,

ou tem que ver com o pedido de ajuda da tua antiga administradora?

A Emily e a Tamara n�o se conhecem.

A Emily quer encontra-se comigo para falarmos pessoalmente.

Encontraste alguma coisa?

O posto da Abby, e s� o dela,

foi muito bem limpo recentemente.

Talvez o tenha limpado antes de sair.

Talvez tenha havido uma luta violenta,

seguida de limpeza.

Achas que a Abby e os colegas trazem e levam amostras daqui

em macas?

Quase n�o h� macas aqui. Aqui s� h� laborat�rios e outros servi�os.

Mas esteve uma aqui recentemente e tem uma roda avariada.

Deixou marcas de tantos em tantos cent�metros.

Seria uma maneira de tirar a Abby daqui.

Continuam para o corredor. Vamos segui-las.

O rasto termina aqui.

Conheces esta divis�o?

N�o, nunca tinha aqui estado.

N�o � bem um bloco operat�rio.

Por acaso, acho que �.

Mais ou menos.

Isto � um aspirador ultra-s�nico.

Isto s�o �rg�os humanos.

Mais �rg�os humanos.

� um laborat�rio de prepara��o para esp�cimes m�dicos.

Corpos de dadores s�o transformados em materiais de ensino.

Este seria um s�tio �ptimo para se livrarem de um corpo.

A Abby Campbell est� morta.

- � apenas uma possibilidade. - N�o.

� uma certeza.

Repara no incisivo central superior esquerdo lascado.

Repara no incisivo central superior esquerdo lascado.

Ol�, Abby Campbell.

S04E04 "All My Exes Live in Essex"

Os registos dent�rios confirmam.

Esta � a Abby Campbell.

Ou o que resta dela.

Duvido que encontremos mais.

O culpado ter� usado o forno de press�o

que a Watson identificou para queimar o resto.

Porqu� deixar o esqueleto?

Pela reconstru��o cuidadosa,

queriam que fosse parar a um laborat�rio qualquer.

A pessoa que cometeu este golpe...

Esta foi sem querer. A pessoa que fez isto � cruel.

N�o s� a matou, como a desmembrou.

Cruel e talentosa.

Desmembrar e voltar a montar Mrs. Campbel da noite para o dia

iria requerer bastante per�cia.

Procuramos um m�dico, um enfermeiro

ou outros dos mil profissionais que trabalham naquele hospital.

Ou algu�m que trabalha para um dos muitos laborat�rios

ou consultores associados.

Disse que achava que ela tinha sido asfixiada?

H� exactamente um osso

em falta nesta mostra macabra.

O hi�ide.

Que devia estar aqui.

Visto que se parte num ter�o de todos os estrangulamentos...

Acha que ele se livrou dele para cobrir o rasto?

Talvez um hi�ide fracturado fosse pior do que um ausente.

Presumindo que a Abby foi estrangulada no trabalho,

e dado que o posto dela ficava virado para a �nica entrada...

Ele n�o deve t�-la surpreendido.

Ela conhecia-o.

Disse-lhe que o marido dela � m�dico?

Ol�.

- Ol�. - Ol�.

- Obrigada por teres vindo. - Disseste que era urgente.

E �. Pelo menos, penso que �.

N�o sabes se � urgente ou n�o?

Sinceramente, nem sei se devia falar disto.

De qu�?

Uma detective veio a minha casa esta manh�.

Tinha umas perguntas para me fazer e achei normal.

Deixei-a entrar e as perguntas eram todas sobre ti.

Disse-te o nome?

Deixou-me um cart�o.

Gina Cortes.

Toma.

Brigada de Furtos, Coney Island.

- Conhece-la? - N�o.

- O que queria saber? - Foi estranho.

Coisas pessoais. Quando nos conhecemos, quando nos encontr�mos.

Perguntou se eu achava que eras do tipo de violar a lei.

- O qu�? - Eu sei.

- Est� a trabalhar nalgum caso? - N�o.

Quando lhe perguntei pela raz�o das perguntas, disse n�o poder dizer.

Joanie?

Est�s metida nalgum sarilho?

- Claro que n�o. - Se estiveres, podes dizer-me.

Emily, � �bvio que houve algum mal-entendido.

Vou ver o que se passa.

Dr. Campbell, � oncologista no Stuyvesant Memorial?

Sim.

Foi onde conheceu a Abby?

Trabalh�vamos juntos, mas n�o directamente.

A minha cl�nica � privada.

Conhecemo-nos numa festa de amigos em comum.

H� quanto tempo estavam juntos?

H� cinco anos.

Casados h� tr�s.

Os seus calos s�o caracter�sticos.

Faz montanhismo?

Foi a Abby que me meteu nisso, mas � mais no gin�sio.

Deve ter imensa for�a.

Tinha for�a para subjugar a Abby.

Tem conhecimentos para a reduzir a um esqueleto. Temos de perguntar.

Se matei a minha mulher?

N�o.

Sei que t�m de perguntar,

mas na noite em que ela desapareceu,

estava a ver as contas com a gerente da cl�nica.

Ela pode dizer-vos quando sa�, mas lembro-me que era tarde.

Porque n�o comunicou o desaparecimento da Abby

quando chegou a casa

e viu que ela n�o estava?

Eles t�m pouco pessoal e ela trabalha at� tarde. Disse � ama

para ficar com a nossa filha at� eu chegar a casa.

Quando cheguei a casa,

fui para a cama.

Diria que o seu casamento era feliz?

Nos �ltimos tempos?

N�o.

Muito pelo contr�rio.

N�o se davam bem?

Est�vamos mais apaixonados do que alguma vez estiv�ramos.

O nosso casamento n�o era feliz, porque ela estava a morrer.

Tinha cancro do p�ncreas,

grau 4.

N�o queria que se soubesse.

Estava a fazer quimio, mas a verdade e que...

N�o havia esperan�a.

S� devia ter um ano de vida.

Podem perguntar aos meus enfermeiros.

As pessoas v�o dizer-vos

que estava a fazer tudo para salvar a Abby.

N�o a mataria.

O cancro estava a faz�-lo.

Sherlock?

O que est�s a fazer?

As c�maras do hospital n�o captam som,

portanto pus m�sica

para tornar as passagens do pessoal mais atractivas.

Escolheste um toque que sabias que me desagradaria,

portanto resolvi combater o fogo com o fogo.

"Friday"? A s�rio?

Tamb�m h� uma que me atrai como detective.

� um mist�rio sobre c�es e quem os ter� deixado sair.

Descobriste alguma coisa?

H� pouco sobre a Abby na noite do desaparecimento.

Uma ida � cafetaria, o regresso ao local de trabalho e mais nada.

S�o de dias diferentes?

Tenho todos os v�deos dela nas semanas anteriores ao homic�dio.

Queria isolar encontros contenciosos que tivesse tido com colegas.

- E? - Parece que gostavam muito dela.

N�o h� indelicadezas. Contudo,

houve umas delicadezas suspeitas.

Parecem �ntimos.

Usando registos, descobri que � o Dr. Branford Fisher,

um interno de Cirurgia.

N�o tinham nenhuma raz�o profissional para interagir.

As suas especialidades n�o se sobrep�em.

Mas observei 12 encontros

e todos em esquinas pouco frequentadas do hospital.

Isto � um quarto em desuso.

Passaram l� cerca de 15 minutos

e sa�ram amarrotados e felizes.

A Abby tinha um caso.

O Dr. Fisher faltou na manh� em que comunicaram o desaparecimento.

Tentei contact�-lo, mas n�o atende.

E a morada dele � um apartado.

� tudo muito suspeito.

Como foi o encontro com a Emily?

N�o muito bom.

Sabes por que raz�o a Pol�cia me investigaria?

Dizes que a Detective Cortes falou com mais amigos al�m da Emily.

Sim, mais duas pessoas ligaram.

Ela fez-lhes as mesmas perguntas.

Que tipo de pessoa sou

e se violaria a lei?

Mas n�o te acusou de nada?

N�o.

Realizaste furtos em Coney Island?

Tenho de perguntar.

N�o, n�o realizei furtos em Coney Island.

Nem me lembro da �ltima vez que l� fui.

Tens de falar com essa mulher.

Achas?

A investiga��o dela � bastante inoportuna.

Acab�mos de voltar � Pol�cia,

dispensamos rumores de que nos envolvemos em roubos.

Eu resolvo isto.

Sim?

- Est�? - Mr. Holmes?

Fala Nate Campbell.

Como conseguiu este n�mero, Dr. Campbell?

Sei que procura um m�dico do Stuyvesant Memorial.

Branford Fisher.

Sim.

Digo-lhe onde est�, mas pessoalmente e sem a Pol�cia.

Viemos sozinhos, a seu pedido.

Mas a Pol�cia sabe que estamos aqui, caso queira fazer-nos mal.

N�o, nada disso. Entrem, por favor.

Disse que nos ajudava a encontrar o Dr. Fisher.

Digam-nos l� o que se passa.

Quando deixaram mensagem fiquei nervoso e liguei ao Nate.

- E porqu�? - � complicado.

O Branford nunca faria mal � Abby.

Sabia que tinham um caso?

N�o era um caso, pois n�o?

O Dr. Fisher cal�a o 46, o Dr. Campbell o 43.

H� umas sapatilhas 46 junto � porta.

E h� uma foto na parede do Dr. Fisher a receber um pr�mio.

Ele vive aqui.

Disse que a casa era sua.

� deles.

Eram ambos casados com a Abby. T�m alian�as iguais.

O termo � throuple.

Tr�s pessoas, um casamento.

Casaram com a Abby ao mesmo tempo.

Sim. Mas juro que nenhum de n�s matou a nossa mulher.

T�nhamos de manter o casamento em segredo.

Temos uma filha de dois anos, a Chloe.

Pod�amos perd�-la se algu�m apresentasse queixa.

J� para n�o falar nas carreiras. Os hospitais n�o gostam de esc�ndalos.

Parecem muito felizes.

E somos.

�ramos.

Somos apenas uma fam�lia.

Somos como os outros.

Pode dizer-nos onde estava na noite em que a Abby desapareceu?

Estava em Boston. O meu pai tem estado doente e fui visit�-lo.

Mas tamb�m estive com amigos. Eles v�o confirmar que l� estive.

Se me permitem, como aconteceu este acordo?

O Branford e eu j� est�vamos juntos, mas t�nhamos um entendimento.

Como disse, conheci a Abby numa festa

e a rela��o evoluiu.

E ela n�o se importou?

A ideia foi dela. J� o fizera.

Esteve noutro casamento de grupo?

Casamentos como o nosso existem mais do que se pensa.

Resulta para algumas pessoas e resultou para a Abby.

Quase sempre.

O �ltimo casamento dela foi mau?

Acabou mal.

Teve um desentendimento com outra das mulheres.

Deu a entender que chegou a ser violento.

Houve uma disputa

sobre dinheiro, bens comunit�rios, e, anos depois a luta continuava.

Disse "uma das mulheres". Quantas pessoas havia no casamento anterior?

Sem contar com a Abby?

Cinco.

Os ex da Abby Campbell. Os cinco.

Continuam casados.

Vivem num casar�o em West Essex Couty.

Tive de mandar cinco carros diferentes para os ir buscar.

Os suspeitos por que esper�vamos.

N�o sei como conseguem.

N�o consegui que um casamento com uma pessoa resultasse.

Os americanos experimentaram todas as varia��es do matrim�nio,

desde a poliginia ad�lfica da tribo Omaha,

� poligamia patriarcal dos primeiros M�rmones,

�s comunas hippy da d�cada de 1970.

E apesar de algumas terem sido fracassos abjectos,

muitas sobreviveram muitos anos.

Esta experi�ncia acabou mal, pelo menos para a Abby Campbell.

Talvez o suficiente para morrer.

Est�o aqui mas n�o est�o muito felizes.

Presumo que os tenha separado para n�o combinarem hist�rias.

como se cinco pessoas casadas concordassem no que quer que fosse.

A Abby era especial. Todos a am�vamos.

Foi tudo �ptimo durante um ou dois anos.

N�o tenho nada a dizer.

Mas t�m de compreender que a Abby era...

... teimosa.

Devia estar a treinar a equipa de futebol da minha filha.

Tenho de estar aqui?

Foi por dinheiro. A Abby trabalhava muito

e queria ficar com tudo.

Mas a Denise insistiu em juntarmos o dinheiro.

Estamos registados como dois casais.

Partilhamos a casa para poupar dinheiro.

- A Trish � a ama. - A ama?

Claro.

Sou a ama.

A coisa ficou feia,

especialmente na altura de comprar a casa.

Come�ou tudo a correr mal com a quest�o da casa.

A Abby recebeu uma heran�a e a Denise pressionou-a para a usar.

A Abby concordou mas nada satisfeita.

Temos seis filhos. Todos t�m de contribuir.

Tenham emprego ou n�o.

N�o tenho de falar disto,

a menos que me acusem de alguma coisa.

As discuss�es foram piorando,

e n�o ajudou que a Abby fosse muito mais nova que a Denise

e recebesse mais aten��o no que tocava a...

- Distribui��o de camas? - Havia algumas discuss�es

entre ela e a Denise. Mais para o fim.

Acho que foi a �ltima gota.

No dia seguinte, foi-se embora.

Desde ent�o que tentou recuperar a entrada da casa,

mas, para isso, t�nhamos de vender a casa.

A Denise disse que nem pensar.

Se querem saber o que aconteceu, falem com a Denise.

N�o sei.

Isso foi entre ela e Denise.

Isto � ass�dio, pura e simplesmente.

E se a Pol�cia me causar embara�os, ou � minha fam�lia,

processo a Pol�cia em geral e voc�s os tr�s em particular.

� especialista em contratos,

n�o sabia que tamb�m era litigante.

Um advogado � um advogado.

Quer p�r-me � prova? Vamos a tribunal.

Ningu�m vai a tribunal. N�o se quer manter a sua vida privada.

Se cooperar, volta para a sua fam�lia para Essex sem problemas.

Se armar confus�o, pode acabar na imprensa.

Sete anos depois de a Abby deixar o casamento, ainda discutiam

por causa da parte dela.

Ela deu 100 mil d�lares para a entrada

e nunca lhe pagou.

Como se ela precisasse.

Ela casou com um oncologista que nada em dinheiro.

As coisas estavam mal entre mim e a Abby,

mas almo��mos h� umas semanas e enterr�mos o machado de guerra.

A ideia foi dela. Tinha cancro e queria encerrar o assunto.

Nada de pontas soltas.

Vejam.

Ela at� me enviou isto por e-mail

depois de assinar.

Tenho o original em casa.

� um documento a abdicar do seu interesse na casa.

N�o tinha raz�o para lhe fazer mal.

Nunca teria. Amei-a.

Em tempos.

J� estamos despachados?

Ela quis alguma coisa em troca por essa oferenda de paz?

Denise?

Sim, pediu-me uma coisa, mas n�o pude dar-lha.

Queria que eu redigisse um acordo de confidencialidade.

Queria vender algo e queria uma garantia

de que o comprador n�o revelava a natureza da transac��o.

O que ia vender?

N�o sei.

Mas achei que era algo que ela tinha roubado.

Quando lhe disse que um contrato de alguma coisa ilegal � nulo,

ela desistiu.

Mas n�o sei.

O que quer que tenha roubado talvez a tenha matado.

Detective Cortes, Joan Watson.

Mas creio que j� sabia.

- Em que posso ajud�-la? - Em que posso eu ajudar?

Tem feito perguntas sobre mim.

Achei que pod�amos falar e esclarecer mal-entendidos.

Obrigada, mas n�o � boa altura.

E quando seria?

N�o sei.

Mas quando estiver pronta para falar, encontro-a. Acredite.

Pode ao menos dizer-me o que acha que fiz?

Nunca disse que tinha feito alguma coisa.

Vai falar com mais amigos meus?

Isso deixa-a desconfort�vel?

Ter algu�m a meter-se na sua vida e a fazer perguntas?

N�o tem nada para esconder, pois n�o?

Ia mandar-te uma mensagem.

Vejo que ainda �s uma mulher livre.

Esclareceste qualquer confus�o com a Detective Cortes?

N�o.

Apanhei-a quando sa�a da esquadra.

Disse que podia responder a quest�es que ela tivesse

e ela disse que n�o tinha.

Perguntei se me podia dizer que crime terei eu cometido e disse que n�o!

Os pol�cias costumam ser esquivos com suspeitos.

Acho que n�o sou suspeita, � pessoal. Est� a meter-se comigo.

Disseste que n�o a conhecias.

E n�o conhecia.

Se calhar, dormiste com um amante dela.

Visto que � l�sbica e eu n�o, � altamente improv�vel.

Ent�o investigaste-a.

Que alternativa tinha? Ela n�o me diz qual � o problema,

tenho de descobrir por mim.

- O que � isto? - Impressos de invent�rio

e relat�rios de seguran�a do hospital.

Um dos ex-c�njuges da Abby

acha que ela queria vender algo que roubara.

E achas que foi do hospital.

Ela tinha acesso a v�rios artigos valiosos.

Os f�rmacos s�o os alvos mais comuns de roubos, claro.

Mas os invent�rios est�o todos bem,

n�o falta nada de nenhuma das farm�cias.

Todo o equipamento do laborat�rio continua l�,

excepto coisas baratas como tubos de ensaio e copos.

Desaparecem muito. Os enfermeiros e os internos usam-nos para shots.

Reparei nas suturas no estojo de costura.

Entretanto lembrei-me de outra coisa que poderia ter roubado,

algo a que teria acesso trabalhando na cl�nica de fertilidade,

algo que � bastante procurado.

Embri�es humanos vi�veis.

Seria f�cil roubar blastocistos que eram para deitar fora.

Um �vulo fertilizado pode atingir os 10 mil d�lares no mercado.

Acho que os �vulos da Abby n�o chegariam l�.

Se queria um comprador motivado,

era s� ver o c�rculo social dela.

Dr. Amrit.

Sherlock Holmes e Joan Watson.

Trabalhamos com a Pol�cia.

Estudou com Abby Campbell, certo?

Desculpe?

Continuaram amigos at� � sua morte recente.

Deu os seus p�sames esta manh� nas redes sociais.

E?

Usa c�lulas estaminais embrion�rias na sua investiga��o.

A Abby publicou um artigo seu de h� uns meses.

Nele dizia que os investigadores deviam ter acesso ilimitado

aos embri�es que s�o destru�dos pelas cl�nicas de IVF.

A investiga��o de c�lulas embrion�rias � a mais promissora

na procura da cura da diabetes e outras doen�as metab�licas.

Qual � o interesse da Pol�cia?

Deve ser frustrante quando pol�ticos dificultam a obten��o das c�lulas.

O suficiente para comprar embri�es � Abby.

- Tenho testes para corrigir. - � ilegal obter embri�es

sem o consentimento dos potenciais pais

que forneceram o material gen�tico.

Arranjamos um mandado.

Se o ADN das c�lulas no seu laborat�rio

for o dos doentes da cl�nica da Abby, � um crime federal.

Tento salvar vidas.

A diabetes � uma praga, mata mais de quatro milh�es de pessoas por ano.

Quanto embri�es comprou � Abby? Umas d�zias?

Isso seria centenas de milhares de d�lares e n�o lhe pagou nada.

Matou a sua velha amiga?

Para n�o ter de a compensar?

N�o fiz mal � Abby.

E ela n�o quis dinheiro.

Foi uma troca.

Por qu�?

Ela queria acesso ao meu laborat�rio.

Queria fazer an�lises fora do expediente e sem registos.

Pedi os embri�es em troca.

Iam ser deitados fora.

- Desperdi�ados. - Que an�lises fazia ela?

N�o me disse.

Teria usado computadores.

Pode haver registos nos discos r�gidos. Importa-se que procuremos?

N�o, n�o me importo.

Mas acho que n�o v�o encontrar muito.

Pensei que fosse um fan�tico que se opusesse � minha investiga��o.

Recebo cartas e e-mails amea�adores. Muito feios.

Mas depois soube da Abby e j� n�o tenho a certeza.

Um analisador de sangue,

um cit�metro de fluxo, tudo para analisar sangue.

Algu�m queria guardar segredo do que ela fazia aqui.

A Abby fazia an�lises �s escondidas.

Algu�m n�o gostou.

Esse algu�m mata-a,

desmembra-a

e na noite seguinte vai ao laborat�rio

e destr�i os dados dela.

N�o se limitaram a incendiar, tiraram os discos e destru�ram-nos.

Imaginam para que seriam as an�lises?

Uma teoria � que a Abby suspeitava de tretas de um colega

e procurava confirma��o.

Tretas?

Lembra-se do m�dico da Calif�rnia que usou o pr�prio esperma

par fertilizar centenas de �vulos sem informar as m�es?

� poss�vel que algu�m no laborat�rio andasse a fazer o mesmo.

Explica as idas ao laborat�rio do Dr. Amrit.

Podia estar a fazer testes de paternidade.

H� mais teorias?

De momento, n�o.

Mas pode haver uma a um mandado de dist�ncia.

Pode haver algo da investiga��o da Abby que tenha escapado.

Os res�duos biol�gicos produzidos pelo laborat�rio s�o fechados

em contentores para processamento especial.

S�o recolhidos tr�s vezes por semana.

Houve uma recolha na noite anterior � destrui��o,

portanto, se a Abby tiver deitado res�duos num destes contentores...

A empresa de recolha pode ainda t�-los.

Vou pedir a um procurador que arranje um mandado.

Mas que lugar-comum.

Uma pol�cia que frequenta uma loja de d�nutes.

Quem lhe disse que aqui estava?

N�o posso dizer. Mas sei porqu� o ass�dio.

Antes de ir para os Assaltos, estava no Bronx, com a Ann Vescey.

Dizem que prometeu transferi-la para os Crimes Graves

quando substitu�sse o Capit�o Gregson.

Seria um grande passo para si.

Mas ela n�o o substituiu, porque ele n�o saiu.

Culpa-me por isso.

� �bvio que descobriu que investiguei a Vescey.

Acha que a tramei.

O que � isso?

O que dei ao Capit�o. Leia.

Ver� que descobri que a Vescey estava limpa.

O Capit�o n�o saiu por n�o estar preparado,

n�o por alguma coisa que eu tenha dito.

� pesado.

Trabalhou muito nisto.

N�o me interessa o que descobriu ou n�o sobre a Ann.

O que me interessa � que investigou.

N�o � pol�cia. � uma cidad� com ilus�es de grandeza.

Os verdadeiros pol�cias t�m pessoas sempre a control�-los.

Os pol�ticos, a imprensa, as chefias,

os Assuntos Internos. Est�o sempre a p�r-nos em causa.

Mas � para isso que existem.

Quem � a senhora para nos investigar?

Depreendo que nunca tenha usado um consultor.

N�o, nunca.

Os pol�cias a s�rio fazem o seu trabalho.

� assim que funciona.

O seu lugar n�o � aqui.

N�o sei o que lhe diga. N�o vou a lado nenhum.

Mas ia.

A senhora e o seu parceiro.

E agora est�o de volta?

Estranho, n�o?

Ontem surgiu-me um caso novo que vai manter-me ocupada,

mas depois disso, n�o sei.

Talvez volte atr�s

e veja o que descubro

Isso veio tudo do laborat�rio do Dr. Amrit?

Os res�duos m�dicos de toda a universidade

foram rotulados de igual modo.

Uma equipa vai seleccion�-lo,

mas achei que pod�amos come�ar.

- Est� bem, mas... - Luvas, �culos e m�scaras a� atr�s.

Informas-me do teu encontro com a tua perseguidora enquanto separamos.

Acho que pode ser doida.

- Porque n�o gosta de ti? - Porque tem uma fixa��o por mim.

Em defesa dela, investigaste a amiga dela e �s uma mera cidad�.

Tamb�m tu.

Mas estou habituado a que n�o gostem de mim.

E se ela continuar a investigar-me, a investigar-nos,

e descobrir que o teu pai mexeu cordelinhos para voltarmos?

A quest�o � que a Detective Cortes

te v� como outsider e n�o como par.

Se fosses pol�cia, teriam um arrufo.

Isso pode ser resolvido, mas o que voc�s t�m n�o.

- Porque sou consultora. - Precisamente.

Ent�o aceito e deixo que ela me importune.

Como j� disse, ela n�o te v� como igual,

portanto obriga-a a isso.

Lembras-te da disc�rdia entre os detectives Grell e Luntz?

- Sim. - Durou meses e foi resolvida.

Lembras-te como foi resolvida?

N�o est�s a falar a s�rio.

Creio que a Detective Cortes concordaria com a ideia.

Seis frascos de pl�stico com sangue, e todos

com a letra da Abby Campbell. nos r�tulos.

Era minuciosa.

Est�o identificados por iniciais, datas e horas de recolha.

As amostras foram recolhidas em tr�s quintas-feiras consecutivas,

entre as 21h e as 22h.

Isso significa alguma coisa?

Memorizar o calend�rio de uma v�tima de homic�dio � obrigat�rio.

Sei onde ela estava a estas horas.

Portanto, sei com quem falar sobre o trabalho que fazia.

Os grupos de apoio ajudam muito os doentes oncol�gicos.

S� quem sofre do mesmo sabe aquilo por que eles passam.

A Abby Campbell frequentava o seu grupo h� tr�s meses?

Desde o diagn�stico.

Temos raz�es para crer que colhia sangue nesses reuni�es.

Podemos presumir que era de outros membros do grupo?

Ms. Russof, esta � uma investiga��o de homic�dio.

H� umas semanas, a Abby fez uma apresenta��o ao grupo.

Tinha um amigo que fazia investiga��o oncol�gica avan�ada.

Supostamente, era promissora.

Talvez at� uma cura.

Disse que podia p�r pessoas no ensaio,

s� precisava de amostras de sangue para compatibilidade.

Parece que teve d�vidas.

As pessoas fazem publicidade a curas milagrosas para o cancro.

Devem adivinhar quantas s�o verdadeiras.

Eu n�o fui a �nica c�ptica.

O marido de uma pessoa do grupo foi a uma reuni�o

e acusou a Abby de ser uma vigarista.

Disse que se ela n�o deixasse a mulher dele em paz,

arrepender-se-ia.

Pode dar-nos o nome dele?

Kirk.

Kirk Abramovitch.

Sim, ameacei a Abby Campbell, mas n�o a transformei num esqueleto.

Di-lo como se fosse absurdo.

Mas vi fotos suas nas redes sociais a ajudar no talho do seu pai.

Saber trabalhar com uma fiambreira

e desossar uma pessoa s�o coisas diferentes.

Ele s� gritou com a Abby por achar que ela estava a enganar-me.

S� queria que ela se afastasse.

J� conhe�o aquela gente.

A m�e do Kirk morreu com cancro no c�lon nos anos 90.

Foi enganada por todos os vendedores de banha da cobra.

Tentou terapia da luz, �manes, dietas especiais,

cartilagem de tubar�o.

Acabou a fazer uma segunda hipoteca

para pagar uma cl�nica chique no M�xico, e nada.

Achei que n�o fazia mal espreitar o ensaio de que a Abby falara,

mas a verdade � que n�o precisava.

A quimio est� a resultar.

O Dr. Campbell diz que estou muito bem.

Dr. Campbell? Nate Campbell?

Ent�o o seu oncologista � o marido da Abby?

Foi por isso que concordei em dar o meu sangue � Abby.

Achei que deveria saber o que dizia.

� o nosso filho. Posso ir busc�-lo?

- Ol�. - Ol�.

Que lindo.

Est� no percentil 100 em altura e peso.

Vai ser um grandalh�o.

- Tal como o pap�. - Sim.

Posso perguntar-lhe que tipo de cancro tem?

Plasmocitoma da coluna.

� uma dor nas costas e havia uma massa.

O Dr. Campbell prescreveu quimio.

- E onde est� o tumor? - Na L-4.

J� fui cirurgi�. Importa-se que a examine?

N�o.

Vou pousar-te por um bocadinho, querido.

Pronto.

- Pronto. - Ponha-se direita.

Numa escala de 1 a 10, sendo que 10 � o pior, o que sente?

Algum desconforto, talvez um 2.

- E toma alguma coisa para as dores? - S� naproxeno.

O desconforto piora � noite?

Um pouco, mas a medica��o ajuda.

O Dr. Campbell tem raz�o,

deve recuperar por completo.

Caso queiras saber, Mr. Abramovich n�o tem �libi para a noite do crime.

- Acho que n�o foi ele. - Acho o mesmo.

Porque falei com ele o tempo todo e n�o vi ind�cios de mentira.

- Porque achas que � inocente? - Porque sei quem matou a Abby.

Sabe?

Tudo faz sentido quando percebi que a Sadie n�o tem cancro.

Esta � a Sadie Abramovitch antes da quimio.

- Reconhece-a? - Claro.

Diz aqui que est� a tratar-lhe um plasmocitoma.

O tumor est� na v�rtebra L-4.

Est� correcto.

Est� a correr bem.

Esperamos uma remiss�o completa.

Quando visit�mos Mrs. Abramovitch,

a minha colega reparou em v�rias inconsist�ncias no diagn�stico dela.

O plasmocitoma causa microfracturas nas v�rtebras afectadas.

A maioria dos doentes mal caminha.

A Sadie mexe-se muito bem.

Senta-se, levanta-se, caminha e pega no filho sem problemas.

Diagnostic�mo-la muito cedo,

portanto n�o houve tempo para as microfracturas se desenvolverem.

- E nunca removeu o tumor? - N�o.

Muito envolvimento nervoso.

Isso faz sentido, mas quando pressionei directamente a L-4,

em vez de uma dor aguda, s� sentiu um desconforto.

E o desconforto piora de noite,

que � o sintoma cl�ssico de um osteoma oste�ide benigno.

- Mantenho o meu diagn�stico. - Desculpem,

O meu cliente concordou com esta conversa para vos ajudar

a encontrar o assassino da mulher.

Qual � a relev�ncia de um poss�vel erro de diagn�stico de uma cliente?

Um diagn�stico n�o tem relev�ncia.

V�rias dezenas deles j� s�o outra coisa.

Depois de arranjarmos um mandado para os seus ficheiros,

pedimos aos doentes que fizessem exames de seguimento.

Dos que concordaram, quase um ter�o nem sequer tinha cancro.

Diagnosticou doentes erradamente

e tem-nos sujeitado a quimioterapia desnecess�ria,

provavelmente, durante anos.

N�o sei, para aumentar os lucros?

Inflacionar as taxas de remiss�o?

E ningu�m suspeitou de si.

At� a sua pr�pria mulher ter um cancro.

A Abby deve ter suspeitado de alguma coisa quando foi fazer quimio.

Doentes como a Sadie, cujos sintomas n�o correspondiam ao diagn�stico,

mas queria provas, portanto fez an�lises.

O erro dela foi confront�-lo antes de falar com as autoridades.

Talvez tenha pensado

que poderia explicar,

mas estrangulou-a.

Devo referir que isto s�o tudo suposi��es?

N�o, � mais do que isso.

Fal�mos com a sua gerente.

E ela contou tudo. Confirmou os diagn�sticos falsos, a fraude, tudo.

E tamb�m retirou o seu �libi.

A �ltima vez que o viu na noite em que a Abby desapareceu,

ia para a ala de investiga��o, ap�s uma discuss�o acesa com a Abby.

Disse-lhe que tudo o que fizera

fora para bem da fam�lia.

Nate.

N�o, eu...

Eu conto-vos tudo.

Mas t�m de me deixar falar com o Branford.

Tenho de lhe pedir desculpa.

Verei o que posso fazer.

Boa combina��o.

� a terceira vez que me aborda.

Se for esperta, n�o haver� quarta.

Por acaso, queria falar de uma quarta vez.

O clube de boxe da Pol�cia tem um combate daqui a umas semanas.

Pod�amos angariar dinheiro para caridade.

Quer lutar comigo?

N�o � assim que dois pol�cias resolvem um assunto?

Sim. O �nico problema � n�o ser pol�cia.

E seria mau levar uma co�a de uma consultora, n�o seria?

Se quer tanto lutar comigo, porqu� esperar?

Est� ali um ringue.

Calculei que dissesse isso.

Est� bem.

Mant�m-nos debaixo de �gua o m�ximo de tempo poss�vel.

Sei tratar n�s de dedos inchados.

- Isto precisa de farinha. - Apenas gostas do paralelo.

Cuidados primitivos para um desporto primitivo.

Apesar de poder parecer primitivo, garanto-te

que � o resultado de anos de uma pesquisa aturada.

Flores de Symphytum e farinha,

com uma pitada de Arnica montana e cal�ndula,

e recomendo-a fortemente, a menos, claro,

que queiras o teu olho bem negro.

S� quero esquecer isto.

Achas que ela quer o mesmo?

Veremos.

Pelo menos, isto provou a sabedoria

de continuares o treino em artes de combate.

Mas tens de melhorar a defesa.

Deixaste que ela te desse demasiados socos.

Pois foi.

Mas o que interessa � que o �ltimo foi meu.

Tradu��o: Fox Sincronia: subsfactory Transcri��o: fininhos

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