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O REI PASMADO E A RAINHA NUA

Entregue ao Inquisidor Geral.

Dizem que era uma serpente, como um drag�o de sete cabe�as...

que quase comeu a base do castelo.

Abriu-se um buraco na Rua Pez que quase chegava ao inferno...

de onde sa�am chamas e odores terr�veis.

S�o estranhos acontecimentos.

Deixou-me louquinha, senhor.

E o rei? Preciso acord�-lo.

Sim, pois minha senhora n�o acordar� t�o cedo.

Que horas s�o, Andrada?

Passa das 8:00, senhor. Minha carruagem o espera.

Lucr�cia, meu chap�u e espada.

Que beleza!

� a primeira vez que vejo uma mulher nua!

J� viu algo mais belo, conde?

O Para�so deve ser assim.

O Santo Of�cio discorda, senhor.

- O que sabem eles de mulheres nuas? - Muito, dizem eles.

Entre.

Tome, senhor.

- O que procura? - Trouxe meio ducado para Marfisa.

- S� meio ducado? - � o que diz o protocolo.

Senhor, Marfisa � a puta mais cara da cidade.

Sua Majestade n�o pode deixar-lhe menos de 10 ducados.

Dez ducados?

Nunca tive tanto dinheiro.

Tome. Eu tinha reservado para a Lucr�cia, mas...

N�o me deve nada. Considero-me bem paga.

- Marfisa n�o me disse isso. - Ela o faz por profiss�o.

A mim, o conde deixou contente.

A carruagem, senhor.

- Pode p�r o chap�u. - Obrigado, Majestade.

Devemos faz�-lo no pal�cio, para desagradar ao Valido.

Pode beij�-la na minha presen�a, conde.

Gostoso.

- Vamos? - Majestade...

O que olha com aten��o?

O corpo nu de Marfisa. N�o consigo ver outra coisa.

Algum problema?

Sua Majestade passou a noite fora.

Sua cama est� arrumada, e ningu�m o viu.

O que ter� ocorrido?

Ontem � noite, quando de lhe dei boa noite, pediu-me meio ducado.

O que acha, Cosme?

O rei foi �s putas, Excel�ncia.

Meio ducado � quanto um rei paga a uma puta.

Foi �s putas?

Foi sozinho?

N�o estou certo.

Mas o deixei com o conde de Pe�a Andrada.

Conde de Pe�a Andrada? Quem �?

N�o sei, Excel�ncia.

S� sei que � jovem, bonito e goza da confian�a do rei.

Obrigado, Cosme, pode ir.

Traga-me as chaves do quarto proibido.

- E se me negarem? - Diga que s�o ordens reais.

Foi dif�cil achar?

Incr�vel, mas estava sobre a minha mesa.

Estava na minha frente quando chegou sua mensagem.

Esse conde fez algum pedido ultimamente?

N�o que eu saiba. Suas contas est�o limpas.

Ele pagou boa quantia em ouro � Coroa.

H� um processo envolvendo terra contra a casa dos Andrada.

A disputa � pelo Vale de Valdovino.

Valdovino? Onde fica isso?

Na Galiza, terra de bruxas.

As pessoas decentes de l� v�o para Madri ou Salamanca.

Pap�is e mais pap�is... guarde-os.

E n�o os perca de vista. Posso precisar deles.

Tive de roub�-las, senhor.

Fez bem.

J� soube, padre?

O rei passou a noite nos bra�os do pecado.

- Assim parece. - Tem mais detalhes?

Quem o corrompeu foi um tal conde de Andrada, que n�o conhe�o.

J� ouvi esse nome. � galego?

Parece que sim.

Noventa por cento dos galegos, inclusive padres, condenam suas almas.

N�o est� exagerando?

Eu faria isso?

Quanto �s mulheres, s�o bruxas ou putas.

Os relat�rios do Santo Of�cio comprovam.

Algo deve ser feito.

Concordo.

Faz bem em temer pelo rei. Rezarei por ele.

Tenho tempo antes da missa.

� o que se pode obter de Deus at� ent�o.

N�o se esque�a de mim, padre.

Minha mulher menstruou h� dois dias.

Dura sujei��o, a das mulheres...

donde se conclui que s�o inferiores aos homens.

Preciso de um herdeiro. O senhor conhece meus sacrif�cios e preces.

Embora Deus n�o d� ouvidos a mim nem � minha esposa.

- Suas preces n�o chegam ao c�u. - Por acaso temos de gritar?

Quem sabe? D�-me tempo. O Todo-Poderoso me inspirar�.

Eles pagaram?

Tome.

Dez ducados.

Dois e meio por cada ofensa ao Nosso Senhor.

- E a bolsa, por negar fogo. - Negar fogo?

A quinta ofensa falhou. Justo quando come�ava a me divertir.

E voc�? Que tal?

Passei uma noite de puro gozo.

O conde n�o saiu de cima de mim.

Nunca tive ningu�m igual. At� perdi a conta.

Est� exagerando.

Juro pela minha m�e, que era puta, mas se arrependeu a tempo.

Deixe sua m�e em paz.

Este corpo merece outra sorte.

- Quer dizer, um marido? - N�o, melhores amantes.

O rei � pouco?

Parece que o rei n�o a satisfaz. Quanto a mim...

Ele � uma crian�a. N�o sabe de nada. Nunca vira uma mulher nua.

Se eu o tivesse por sete noites, lhe ensinaria bastante.

De que adianta ser rei?

Pedi-lhe que viesse, pois s� voc�...

devido ao seu �ntimo relacionamento com o Maligno...

pode me dar uma orienta��o confi�vel.

Relacionamento �ntimo, n�o. Interc�mbio intelectual.

Quero saber mais a respeito da figura...

descrita no relat�rio do padre Secundino.

A figura que, entre bruxos e bruxas...

que encheram o c�u naquela noite...

brilhou com grande esplendor...

deixando um rastro prateado no seu caminho.

N�o esque�amos de que a beleza � um dos atributos do Diabo.

Ele j� se apresentou a voc� com beleza t�o resplandecente?

Talvez por eu ser um humilde servo de Deus...

Sat� escolha figuras mais modestas.

Como Sua Reverend�ssima sabe que � o Diabo?

Digamos que temos contra-senhas que, embora desconhecidas...

s�o bastante �bvias, mas que sempre mudam.

Ele disse que age com prud�ncia para n�o me comprometer.

Acho que ele precisa conversar com algu�m, e me escolheu.

- Por sua discri��o. - Talvez.

Creia-me, Emin�ncia, eu nem de longe suspeitava...

que ele tinha preparado tal espet�culo...

e chamado tantos dos seus servos.

Criaturas de extraordin�ria beleza, segundo o relat�rio.

E inclinadas a fornica��es de todo tipo.

Fa�a-o entrar.

N�o se opor� a conviver um pouco com um padre capuchinho.

� o capel�o do pal�cio.

Ontem � noite, Emin�ncia...

Posso falar?

O que for dito aqui estar� sob o selo da confiss�o.

Isso me conforta. Ontem � noite, Sua Majestade foi �s putas.

O qu�?

Meu Deus, os sinos!

Isso tudo me fez esquecer que devo rezar a missa no pal�cio.

Eu o acompanho.

Um pouco de exerc�cio matinal � sempre bem-vindo.

Isso n�o � tudo. Hoje o rei entrou no quarto proibido.

� incr�vel tanto atrevimento!

Isso ia acontecer. Andei pensando.

A culpa cabe ao confessor do rei...

Um octogen�rio que tudo perdoa com pequena penit�ncia.

Sobretudo os pecados da carne.

- Fala do padre Ferr�n de Valdivieso? - Ele mesmo. � um convertido.

Os judeus n�o se caracterizam pela toler�ncia.

Lembre-se de meu antecessor, Torquemada.

Os judeus querem destruir o reino da Espanha.

Ouvi falar do Sin�drio, mas acho que � brincadeira.

- Os turcos s�o brincadeira? - N�o... mas o perigo n�o vem da�.

Certo. Vem da Inglaterra, da Fran�a, da Alemanha...

dos Pa�ses Baixos e da Turquia.

Quanto aos pecados do rei, o que acham Vossas Reverend�ssimas?

- Nosso rei s� tem vinte anos.

- E muita curiosidade.

Ent�o ele vai atr�s de putas por curiosidade?

Para Vossa Reverend�ssima tudo n�o passa de uma anedota.

N�o podemos esquecer que nossa frota est� voltando das �ndias.

E lutaremos em Flandres.

- Vistas assim, as coisas mudam.

- Mudam, sim.

O que Vossa Reverend�ssima prop�e para resolver a quest�o?

Proponho que os te�logos se re�nam hoje � tarde...

no Conselho Supremo...

que o confessor do rei, judeu, deixe a corte...

e que aquela puta, Marfisa, v� para a pris�o do Santo Tribunal.

S� que ela n�o � judia, � crist�.

Suponho que ela siga os mandamentos da Igreja.

O rei est� endemoninhado.

Ele est� pasmado, perplexo, enfeiti�ado. A culpa � dela.

Vossa Emin�ncia, quanto ao confessor do rei...

Que o senhor distingue com o seu afeto...

N�o o prezo mais do que prezaria um homem perigoso.

Sim, mas n�o pode esquecer que padre Valdivieso � franciscano.

O h�bito, mesmo quando franciscano, n�o faz o monge.

Irm�os.

O Supremo Conselho do Santo Of�cio se reunir� hoje, �s 17:00.

At� �s 17:00, Vossa Reverend�ssima. E que Deus nos ilumine.

Diego.

Sabe onde Marfisa mora. V� e diga para ela se esconder.

- Agora, v�. - Sim, Excel�ncia.

Majestade, hora da missa. A corte o espera.

Deve mudar de roupa.

Sim, devo ir � missa com a corte. A rainha estar� l�.

Algumas coisas, embora todos saibam...

devem ser lembradas a todos.

Quero lembrar a todos que Nosso Senhor sabe como castigar.

Ele disse: "Eu Sou quem Eu Sou".

Para proibir-nos de perturbar a concre��o de sua pureza...

Ele nos deixou Seu Dec�logo: "N�o matar�s, n�o fornicar�s...

n�o cometer�s adult�rio."

O rei est� olhando para a senhora.

Para ensinar-nos a humildade, Ele tamb�m nos deixou...

o mist�rio das responsabilidades.

Ele se dirige a todos, mas...

Foi ele quem corrompeu o rei ontem.

Os pecados do pai caem sobre os filhos. Os pecados do Papa...

caem sobre a Cristandade.

Os pecados do rei caem sobre o seu povo.

Seu chap�u, conde.

Obrigado, senhor.

Levantem-se.

Diga a Sua Majestade que quero v�-la nua.

Vossa Majestade n�o gostaria de ver a posi��o de nossas tropas?

Sua Majestade quer ver a rainha nua.

Ele quer v�-la nua.

- O que disse? - Ele quer v�-la nua.

- O que disse? - O rei quer ver a rainha nua.

Meu Deus!

Quero ver a rainha nua!

Senhora, Diego traz uma mensagem urgente.

No domingo?

D�-me uma toalha e fa�a-o entrar.

- O que o traz aqui? - Uma palavra: esconda-se.

Certo. Pode ir.

V� � pra�a principal inc�gnita...

e espalhe o que houve aqui ontem.

- Falo do conde e de mim? - Isso n�o interessa a ningu�m.

N�o deixe a Inquisi��o peg�-la. V�o tortur�-la para me achar.

Como diria se eu n�o sei?

Por isso mesmo. N�o deixe de ir ao Convento das Ger�nimas.

O rei disse que quer ver a rainha nua.

Ele disse quando? � noite ou de dia?

Melhor � luz solar do que de vela.

Como podem rir quando isso s� pode nos trazer calamidades?

As leis de Deus e da Igreja s�o claras.

O homem deve procurar a mulher para procriar ou esfriar a cabe�a...

mas nunca para satisfazer um desejo leviano de ver a nudez.

O rei gostou de ver Marfisa nua.

N�o � a mesma coisa, ignorante. As putas servem para isso.

Mas n�o uma esposa, casada na Igreja, mesmo sendo francesa.

O corpo da esposa � sagrado. Pode ser tocado, mas n�o visto.

Certos dedos t�m olhos.

... que o rei passara a noite com ela...

que tinha dado quatro bombadas...

e a� algu�m disse que se o rei visse a rainha nua...

n�s poder�amos despir nossas mulheres...

esposas ou amantes...

e que todas no mundo iriam querer se despir.

E disse que elas podiam at� sair nuas na rua...

pois sabemos que as mulheres gostam de mostrar os seus segredos.

Diego, isso seria como comida sem sal.

Os tempos est�o mudando. N�o sei o que ser� de n�s.

Tenho pouco tempo de vida, Excel�ncia.

Contanto que tenha um pouco de vinho.

Entre.

A abadessa a espera.

- O que a traz aqui? - Escondo-me do Santo Of�cio.

- O que aconteceu? - Nada, mas acontecer�.

Quer que eu pe�a a meu primo inquisidor que a deixe?

Foi ele quem me avisou.

E ent�o?

Uma freira a mais n�o chamaria a aten��o de ningu�m.

Venha. � bonita demais para usar h�bito.

Pelo menos n�o ter� que cortar o cabelo.

Mas o capel�o n�o deve v�-la. N�o confio nele.

Todos esses eventos e devaneios reais...

bem como estranhos sinais no firmamento...

quem sabe que coisas diab�licas ocorreram ontem nessa cidade.

Quanto � suspeita, Marfisa, n�o foi encontrada.

Algu�m deve t�-la avisado, e ela fugiu.

Vossas Reverend�ssimas podem fazer suas alega��es.

Vossa Reverend�ssima, quero, antes de mais nada, deixar claro...

que n�o estamos aqui para julgar um pecadinho cometido pelo rei.

N�o foi um pecadinho. Trata-se de um pecado mortal.

Um adult�rio...

e uma terr�vel profana��o do sagrado matrim�nio.

Pessoalmente, duvido que tenha havido adult�rio.

Sua Reverend�ssima, n�o o conhe�o.

O padre Almeida � um te�logo portugu�s da Companhia de Jesus.

- Um jesu�ta? - Sim.

Nem todos somos capuchinhos.

� uma escolha inspirada pelo Alt�ssimo.

Nega que o rei tenha passado a noite com uma puta?

Deus me livre de tal atrevimento.

Ent�o, padre Almeida...

por que duvida do adult�rio do nosso rei?

Duvido que Suas Majestades estejam casados diante de Deus.

O que est� dizendo, padre Almeida?

Padre Almeida diz que nossos reis vivem em concubinato.

Sim, ainda que o ignorem.

Insisto em que se explique melhor, padre Almeida.

Pois n�o.

Senhores, n�o citarei as Sagradas Escrituras.

Apenas lembrarei que os te�logos e moralistas...

acham que ambas as partes devem sentir-se livres para casar.

Ora... nossos amados reis eram livres quando se casaram?

Mas claro! Ambos disseram que sim.

- Algu�m duvida? - E podiam dizer que n�o?

N�o entendo. Vossa Reverend�ssima � muito sutil.

- N�o parece um jesu�ta. - Sutil?

Acho tudo muito claro. N�o podiam dizer que n�o.

Disseram que sim, porque eram pr�ncipes e adolescentes.

N�o escolheram livremente.

Caso padre Almeida esteja certo...

a consuma��o legaliza e santifica o casamento deles.

� mesmo? Imaginem s�.

Dizem ao jovem rei que deve ir para a cama da rainha...

fazer isso e aquilo. � rainha, dizem que deve permitir.

Eles foram obrigados, e quem � obrigado n�o � livre.

Est� claro que o rei visita a rainha � noite por obriga��o...

n�o por vontade pr�pria.

Est� insinuando, padre Almeida...

que a rainha n�o cumpre o seu dever, obrigando o rei a pecar?

Pe�o-lhes que me ou�am.

Este n�o � o caso.

O rei n�o procurou putas porque a rainha o abandonou.

Disseram-me o contr�rio.

O rei � que n�o vai ao quarto da rainha h� semanas.

Claro que nada justifica sua infidelidade.

Vossas Reverend�ssimas...

n�o lhes parece que isso j� foi suficientemente discutido?

Todos sabemos que o rei foi �s putas.

Mas o padre Almeida duvida que os reis estejam mesmo casados.

Ser� nomeada uma comiss�o para estudar o assunto.

Com sua permiss�o, quero fazer parte da comiss�o.

Vejo que Vossas Reverend�ssimas est�o acaloradas.

Sugiro que descansemos.

Quatro vezes s�o quatro pecados mortais, aqui ou em Roma.

Digamos oito, j� que os pecados do rei valem o dobro.

E a vez que negou fogo? O que � moralmente justo?

Vale um pecado mortal ou s� a metade?

Um dia, padre Almeida...

poder� ser convocado pelo Conselho para defender-se...

e defender a ortodoxia de sua doutrina.

Mas como gostei do senhor, talvez possamos almo�ar juntos.

Amanh� ao meio-dia?

N�o ter� de me prender antes?

- Farei o poss�vel para evit�-lo. - Agrade�o a gentileza.

A culpa de tudo isso � do padre Villaescusa.

�s vezes, uma f� ardente se torna inc�moda.

Deus me castigue se me equivoco, mas o frade n�o cr� em Deus.

O que disse?

Ele j� se referiu alguma vez � Santa Escritura? Sabe o que � caridade?

� um daqueles que falam, gritam e amea�am...

em nome da doutrina mais pura...

mas que s� cr�em na Igreja � qual pertencem, onde esperam subir...

e, sobretudo, mandar.

Para quem viveu tanto tempo entre selvagens...

o senhor parece conhecer muito bem os civilizados.

Os �ndios, Excel�ncia...

n�o cr�em no nosso deus, mas cr�em verdadeiramente no deles.

N�o parece conseguir descansar.

Com tudo isso, se o rei n�o d� o exemplo, quem o dar�?

Voc� n�o gostaria de me ver completamente nua?

Ainda que eu queira, � imposs�vel.

Por qu�? Quem iria saber?

B�rbara, j� me mostra os seios!

- Bem que voc� gosta. - Mas me culpo. Tamb�m deveria.

Como assim?

J� lhe ocorreu que Deus n�o nos d� um filho por causa disso?

Est� dizendo que n�o temos filhos por castigo do c�u?

Quem sabe?

Talvez por n�o respeitarmos as regras de castidade dos esposos.

Nunca pensei nisso. O que podemos fazer?

Quer dizer... o que n�o podemos.

Breve haver� uma guerra nos Pa�ses Baixos.

Nossa frota est� chegando das �ndias.

N�o seria l�gico que Deus...

indignado com os pecados do rei...

nos punisse com a derrota e a perda de nossa frota...

para os cors�rios ingleses?

N�o vejo l�gica nenhuma nisso.

Ent�o, padre Almeida...

o senhor n�o acredita que Deus castiga o povo...

pelos pecados dos reis?

Ele castiga mais pela estupidez de ambos, povo e governantes...

E os ajuda, quando n�o s�o est�pidos.

E a interven��o do Diabo? O que me diz?

Foi o pr�prio Diabo quem convocou essa reuni�o, e...

perdoe-me, Vossa Reverend�ssima.

Eu quis dizer "provocou".

E o Diabo, padre Almeida, a mant�m.

O Diabo est� por tr�s das coisas terr�veis que est�o sendo ditas.

Padre Villaescusa, a presen�a do Diabo n�o � novidade.

Deus est� em toda parte, mas o Diabo est� bem atr�s dele.

Quero lembr�-los que estamos aqui para determinar...

Se o rei pode ou n�o ver a rainha nua e se isso � pecado.

Afirmo que isso n�o � pecado.

Al�m disso, pode ajud�-los a realizar a gra�a de Deus.

A gra�a de Deus?

Acha que a gra�a divina se manifesta no coito?

Ou na contempla��o dessas coisas horr�veis chamadas seios?

Ou em ir contra a natureza e olhar as... n�degas femininas?

Insisto que n�o nos afastemos do tema.

E eu insisto, com toda a for�a de minha f�...

que � o povo quem paga os pecados do rei.

O povo s� paga quando o rei governa mal.

Ou�amos.

Ou�amos o que Vossa Reverend�ssima entende por "governar mal".

Queimar judeus, bruxas e hereges.

Queimar mouros, atentar contra a liberdade dos povos...

transformar homens em escravos...

explor�-los com altos impostos...

pensar que n�o nascemos todos iguais.

Querem que eu prossiga?

Um momento, senhores. Recebemos uma visita inesperada.

Fa�am-no entrar.

Entre, conde.

Estou � sua disposi��o.

Por que veio?

A cidade s� fala nisso, ent�o vim oferecer meu testemunho.

Primeiro, eu gostaria de cumprimentar um velho amigo.

- Faz tempo que n�o nos vemos. - Sim, muito tempo.

Padre Almeida, certa vez, ajudou minha frota no Brasil...

quando l� exercia seu of�cio.

O que foi fazer em lugares t�o distantes?

Servir ao rei com meus navios.

- Ent�o o senhor � um pirata? - N�o exatamente.

Sou cors�rio e tenho licen�a do rei.

Minha frota descansa em um porto do norte, ao abrigo do mar.

Espero que n�o tenha vindo a esse Santo Tribunal...

para cantar as excel�ncias dos marinheiros e da vida no mar.

Claro que n�o. Vim para ser interrogado.

� verdade, como dizem...

que o senhor acompanhou o rei ontem em sua escapada?

Sim, fomos � casa de Marfisa...

que todos sabem quem �.

A mulher mais bela e cara da corte.

Dez ducados de ouro por noite, sem desconto.

E, enquanto o rei fornicava, o que o senhor fazia?

Dormi, padre. N�o duvide.

Dormi numa poltrona at� que o rei me acordou e disse para irmos.

A prop�sito... ele ficou pasmado.

Era a primeira vez que via uma mulher nua.

Vossa Gra�a acha que o rei querer ver a rainha nua...

tem algo a ver com isso?

Sim, Excel�ncia. Creio que � efeito dessa causa.

Pode um marido n�o querer saber como � o corpo de sua esposa?

Vossa Gra�a, na certa, j� viu muitas mulheres nuas.

Contemplou-as com prazer?

Reverendo, mais da metade das mulheres do mundo andam nuas.

- Pergunte ao padre Almeida. - O conde tem raz�o.

As �ndias que converti andavam nuas, e talvez ainda andem.

Devia for��-las a se vestirem. N�o faz parte da sua miss�o?

Padre, ensinei-hes que o Filho de Deus morreu por n�s...

por elas tamb�m, e que o Para�so as esperava.

O qu�? O Para�so?

Um Para�so para gente nua!

N�o sabemos como as pessoas entram no Para�so...

mas duvido que levem as suas roupas.

O Inquisidor Geral est� fraquejando?

E, por culpa dele, toda a Santa Inquisi��o.

Vossa Reverend�ssima quer que eu chame o N�ncio Papal...

e pe�a a substitui��o do Inquisidor?

N�o. Estaria cometendo um terr�vel engano.

N�o esque�a que o N�ncio � italiano.

Eu...

despacharia um mensageiro especial.

Os fatos devem ser narrados com absoluta fidelidade...

e n�o podemos confiar em qualquer um.

Encarregue-se da reda��o.

Acrescento que mandarei tamb�m uma carta...

propondo seu nome para o cargo.

Excel�ncia...

Minha humildade n�o aceitaria tal responsabilidade...

N�o pode desobedecer uma ordem da Santa S�.

Enquanto isso, para sair da enrascada, o que me prop�e?

Todos os recursos da Corte est�o � vossa disposi��o.

Eu me encarregarei dos recursos espirituais.

Pensou no meu caso?

Deus sabe que n�o rezo por outra coisa...

mas se eu pudesse fazer-lhe algumas perguntas...

Pois fa�a-as.

Quando Vossa Excel�ncia copula com a Sra. B�rbara...

sente algum prazer?

O mesmo que todos.

E ela?

A julgar pelas apar�ncias, mais do que eu.

As mulheres s�o mais exageradas.

Pelo menos, gritam mais.

Santo Deus! Podemos consentir que os homens gozem da carne...

mas as mulheres devem ignor�-la.

Pelo menos, as decentes.

Espera que, nessas condi��es, Deus lhe d� um filho?

Sou um homem comum. Acho que se pode fazer alguma coisa.

Nesse caso...

s� nos resta ajudar a Provid�ncia.

E o farei, mas sob a condi��o de que o senhor e sua esposa...

renunciem ao prazer enquanto estiverem fornicando.

S� assim pode-se fezer alguma coisa.

Alguma coisa? Mas o qu�?

Direi � Vossa Excel�ncia amanh�.

Guarde castidade at� l�.

Colette, sente-se ao meu lado.

Converse comigo sobre a fofoca.

N�o h� nada que a senhora j� n�o saiba.

O rei anda triste.

Meu pobre marido.

- O que voc� faria? - Ficaria nua, sem pensar.

J� o fez?

Desde que sou gente, nunca perdi uma chance.

Mam�e me ensinou que as coisas devem ser bem feitas.

Colette, n�o � desavergonhada?

� que sempre vivi na corte.

Estou bonita?

Como nunca.

Devo esperar o rei como ele quer?

Nunca! Deixe que ele a dispa.

Sem resistir?

Resista um pouco, mas n�o insista.

Assim que eu for jantar com as bruxas que me acompanham...

Diga ao rei que o espero �s 23:00.

- � uma boa hora? - Para o amor, toda hora � boa.

- Pensei que tivesse morrido. - Posso morrer a qualquer hora.

Basta um espirro, um ru�do mais forte.

O que traz Vossa Majestade aqui em um domingo, a essa hora?

O de sempre. Quero me confessar.

Dormi com uma puta.

Com uma mulher t�o bela?

De que adianta? Pro�bem-me de v�-la, quanto mais dormir com ela.

H� muitas portas.

O h�bito crist�o de os esposos dormirem juntos evita males.

Al�m disso, quero v�-la nua.

As leis divinas e humanas o pro�bem.

Vossa Majestade sabia...

que na primeira uni�o entre o homem e a mulher, eles estavam nus?

Hoje de manh�, tentei entrar no quarto da rainha...

mas uma cruz barrou meu caminho. Eu, claro...

Se quiser meu conselho...

Veja a rainha, nua ou vestida.

� a rainha, mas � tamb�m a esposa de um jovem.

E as portas?

Se n�o puder ultrapassar os obst�culos esta noite...

Tente outra vez amanh�. E n�o procure mais as putas.

Ajoelhe-se, Majestade, para que eu possa absolv�-lo.

- Eu a chamei... - Imagino para qu�.

- Quer uma bebida? - Por favor.

O rei n�o deve dormir com a rainha...

at� termos not�cias da frota e da guerra em Flandres.

O que o capricho do rei tem com isso?

A seguran�a de nossa frota depende dos pecados do rei.

Como este pa�s pode ter tantos imbecis?

- � a opini�o dos te�logos. - � estupidez!

N�o posso ir contra a Igreja. Voc� ter� de me ajudar.

O que pode fazer?

Um corredor e muitas portas separam os quartos dos reis.

Nunca est�o todas fechadas, pelo que sei.

�timo. Eu me encarregarei das outras entradas.

- Eu a manterei informada. - E se a rainha me perguntar?

- Invente uma mentira. - � o que fa�o todos os dias.

- Para mim tamb�m? - Nunca foi exce��o, primo.

Sinto t�-lo feito esperar.

- Ave Maria! - N�o seja tolo!

Se fosse f�, eu tremeria. Como � supersti��o, n�o me incomodo.

� um costume.

O que lhe preocupa?

O que preocupa os te�logos...

� que o rei quer ver a rainha nua.

N�o h� com o que se preocupar.

O que interessa?

- E o pecado?

- Para mim, n�o faz diferen�a.

Suponho que o Outro concorda.

Nessas quest�es, geralmente estamos de acordo.

N�o implicar� a perda da frota e a derrota em Flandres.

A frota chegar� em seguran�a se os ingleses n�o impedirem.

Sua derrota em Flandres depende das armas...

da disciplina e da posi��o das tropas.

- E a Provid�ncia? - Creia-me.

O rei ver o umbigo da rainha n�o faz a menor diferen�a.

Acredite, n�o h� com o que se preocupar.

Deixe tudo como est�.

Continuaremos a conversa depois. Preciso ir a Roma.

- Para qu�? - Vou ao meu escrit�rio.

O trabalho est� se acumulando.

Esta noite, �s 23:00 em ponto.

N�o demore, Majestade.

Est�o dan�ando a chacona.

- N�o demore. - N�o me espere.

Aconselho-a a rezar.

"N�o nos deixeis cair em tenta��o, mas livrai-nos do mal."

"Vade retro, Satan�s."

Uso este?

� o que os confessores aconselham.

Tais palavras apagariam um inc�ndio.

Qual ent�o?

Esta.

Mas n�o cobre nada.

Se n�o me engano, a senhora quer mostrar tudo.

S� no final. Minha camisola � mais dif�cil de tirar.

Devo resistir um pouco.

Ao passo que, usando isso, nem precisarei tir�-lo.

Deixem-me passar! Sou o rei!

Chorar n�o vai adiantar.

- O que faz aqui? - Tenho um encontro, como v�s.

- As portas est�o fechadas. - Nem todas, Majestade.

- Dona Paca � uma piranha! - Mas � muito bonita.

A rainha tamb�m, mas fecharam as portas que me levam a ela.

Entendo. Eu choraria tamb�m.

O que acha?

Talvez um rato. O castelo est� cheio deles.

Se Vossa Majestade me permite, arranjarei um encontro...

entre o senhor e a rainha, longe do castelo.

- Parece imposs�vel. - N�o perca a esperan�a.

- Tenho uma id�ia. - Que amadurecer� com Dona Paca?

Quem sabe? As solu��es chegam por caminhos inesperados.

Preciso ir, Majestade.

Boa sorte.

Excel�ncia, um frade quer v�-lo.

- Um frade? - Um capuchinho, Villaescusa.

Fa�a-o entrar.

O que o traz t�o tarde?

- Vai tudo por �gua abaixo. - O rei achou uma porta aberta?

N�o, ele ainda est� procurando uma.

Mas o conde est� arrumando um encontro do rei com a rainha.

- Justo amanh�. - O que faremos?

O conde est� com uma mulher. Posso peg�-lo, com um mandado.

Sabia que o rei o fez colocar o chap�u na minha presen�a?

Para agradecer pela mulher. Sua Majestade jamais saber�.

Conhe�o um lugar onde o conde pode ficar preso discretamente.

Eu mesmo o levarei.

No entanto, no que se refere ao seu problema, amanh�...

Aqui est�.

Est� bom assim?

Como eu dizia, quanto ao seu problema, amanh�...

o senhor e sua esposa devem estar �s 10:00...

no Convento das Ger�nimas. Ouvirei sua confiss�o.

Depois saber�o o que deve ser feito.

- � realmente necess�rio, padre? - Necess�rio?

Eu disse que precis�vamos for�ar a m�o de Deus.

E vou faz�-lo. Ele me inspirou...

J� que est� dizendo...

N�o esque�a.

�s 10:00, em plena luz do dia, na sua carruagem.

- Abra, em nome do rei! - Est�o atr�s de mim.

Como sabe?

A justi�a do rei nada tem contra voc�.

- Voc� � amigo dele. - Mas � o �nico que tenho.

Diga que esperem.

Estou me vestindo. Tenham paci�ncia.

Tenho ordens para prender o conde de Andrada.

E por que procuram-no aqui?

Porque sei que est� escondido aqui.

Nenhum conde, padre.

Sou dama de companhia da rainha, e amanh� protestarei.

Fora!

Lucr�cia! O que faz aqui?

A Inquisi��o fechou a casa de minha senhora.

Procurei onde dormir, mas n�o achei nenhum lugar seguro.

Dormir� em uma boa cama.

S� ou acompanhada, como quiser.

Se for com quem estou pensando... acompanhada.

Os soldados me procuram?

- N�o, Excel�ncia. - Acomode-a na minha cama.

- Espero que durma bem. - N�o vir� comigo, conde?

Preciso falar com um jesu�ta. Voltarei assim que puder.

Que seja o quanto antes.

- O que faz aqui? - N�o tenha medo.

Sou o padre Almeida, da Companhia de Jesus. Preciso falar-lhe.

Ningu�m deve saber o que direi.

Nem eu?

- Voc� conhece o rei. - Como sabe?

N�o importa.

H� uma conspira��o para evitar que o rei durma com a rainha.

Algumas pessoas, entre as quais me incluo, querem derrot�-la.

Quem o mandou?

Seu amigo, o conde de Andrada.

Aquele tratante! Primeiro traz o rei � minha cama...

agora quer devolv�-lo ao leito conjugal.

Gostar�amos que o encontro fosse aqui.

Aqui, no convento?

Nesta cela.

- Belo lugar... - Para eles, ser� o para�so.

Padre, nem no mais lindo jardim o rei saberia o que fazer.

A rainha tamb�m � inexperiente.

No entanto, o rei quer v�-la nua.

E tem de ser aqui?

Eu e o conde discutimos e chegamos a essa conclus�o.

Que dupla... muito bem, o que querem que eu fa�a?

� o seguinte.

Est� bem, consinto.

Embora eu ainda considere isso blasf�mia e sacril�gio.

Superiora, com toda a humildade...

Esta id�ia iluminou minha mente ap�s muitas horas de ora��es.

Diga o que quiser, mas � uma profana��o.

Questiona meus conhecimentos teol�gicos?

Al�m disso, existem raz�es de Estado.

O Valido precisa de um herdeiro para sua Casa.

Fui inspirado diretamente...

pelo Alt�ssimo... para consegui-lo.

Vossa Gra�a n�o se arrepender� de ter dado consentimento.

Assim espero.

Com sua licen�a. Tenho muito o que fazer.

Por que est� aqui t�o cedo?

Meu Deus! O que h� de t�o especial neste convento?

O que deseja, padre?

Diga � sua senhora que �s 11:30...

ela encontrar� o rei em um lugar discreto.

Eu e uma freira iremos busc�-la.

Conven�a-a de que pode confiar em mim.

O rei sabe?

Sabe e est� de acordo.

E se n�o conseguirmos?

Confie em Deus. Ele nos ajudar�.

Perante o Santo Tribunal da Penit�ncia...

n�o h� hierarquia ou t�tulo.

Agora voc� � apenas um pobre e humilhado penitente.

Deve agora confessar todos os pecados que cometeu na vida.

- Todos, padre? - Todos.

Senhora, tranque a porta depois que eu sair.

S� abra quando ouvir tr�s batidas.

Irm�, pode tirar o seu v�u?

� muito bonita.

Isso n�o importa. Se lhe permite, lhe darei um conselho.

Um conselho? Sobre o qu�?

Sobre como deve se portar com o rei.

Espere.

- Quem � voc�? - Uma freira, senhora.

- J� foi casada? - Tenho experi�ncia.

Fale, ent�o.

O rei � jovem. Os homens jovens est�o sempre com pressa.

Acalme-o. Negue-se com ternura.

Mas que a cada "n�o" se siga um "sim" imediato.

Esque�a as horas.

Isso n�o � digno de reis, mais n�o h� coisa melhor.

Levante-se. A rainha est� a�?

Sim, senhor, mas d�-lhe tempo.

Deve fazer as coisas com calma.

- Que coisas? - Todas, senhor.

Conhe�o as mulheres. Gostam de esperar e de ser desejadas.

Vossa Majestade deve ser terno, cauteloso...

E, sobretudo, n�o ter pressa.

- Por que diz isso? - Mandaram-me dizer, senhor.

N�o ou�o nada.

As mulheres, senhor, costumam se despir em sil�ncio.

Acredita que ela j� esteja nua?

De outro modo, Vossa Majestade viria a um lugar t�o inc�modo?

- Posso ver seu rosto? - O regulamento n�o permite.

- Mas eu sou o rei. - Mas o regulamento � divino.

� o que dizem.

Ela deve estar pronta.

Neste caso, um �ltimo conselho.

N�o esque�a que ela � feita de carne e osso...

mas, principalmente, de carne.

- Quem lhe ensinou tudo isso? - Um passarinho, senhor.

V� em frente.

Bata tr�s vezes... e boa sorte.

O padre Almeida, da Companhia de Jesus.

Muito pontual.

- Vossa Excel�ncia me disse ao meio-dia. - E � meio-dia.

Quando pensa em partir, Vossa Reverend�ssima?

Melhor hoje que amanh�.

Sabia que muitos frades, liderados por Villaescusa...

querem-no preso?

Depois de ontem, n�o me surpreende.

Pediram tamb�m que se celebre um grande auto-de-f�...

para queimarem judeus, mouros, hereges...

e bruxos, que abundam por aqui.

�timo vinho.

O que acha?

Sou contra fogueiras, mas o povo gosta do cheiro de queimado...

embora n�o queimemos ningu�m. Quem queima � o bra�o secular.

Eu sei. Os te�logos inventarem um subterf�gio perfeito.

Eles condenam, mas o carrasco do Estado � quem acende o fogo.

- Faz diferen�a? - Acha injusto?

Para mim � crime.

N�o assinarei seu mandado de pris�o at� amanh�, �s 15:00.

Ter� tempo de fugir.

Agrade�o a advert�ncia.

Mas deve saber que agora mesmo o rei e a rainha est�o juntos.

Espero que nus.

- Como se meteu nisso?

Chego a pensar que Deus me trouxe aqui para isto.

Acha que interessa a Deus se o rei e a rainha fornicam nus?

Excel�ncia, cr� em Deus?

Diego, pode trazer a sopa.

A abadessa lhes mostrar� onde se preparar�o para a cerim�nia.

N�o se esque�am nem um segundo...

que o Senhor olhar� para voc�s.

Irm�s.

Meu Deus!

N�o tem jeito.

Levantem-se.

Ele beijou a rainha.

Mensagem de Flandres.

Derrotamos os protestantes.

Mensagem de C�diz.

Nossa frota chegou inteira.

Claro, Excel�ncia. A ora��o tudo pode.

Veja as datas, padre.

A vit�ria ocorreu h� mais de uma semana.

A frota chegou a C�diz anteontem.

No mesmo dia em que o rei foi �s putas.

Excel�ncia, � sabido...

que o tempo n�o existe na mem�ria de Deus.

Ele nos deu a vit�ria em Flandres e protegeu nossa frota...

porque sabia de antem�o nossas ora��es...

e dos sacrif�cios de nosso povo.

Levante-se conde. Ponha seu chap�u.

Quero que seja o primeiro a saber de minha felicidade.

O que faz aqui?

quero que Vossa Majestade seja o primeiro a ler estes documentos.

Muito bom.

Finalmente posso oferecer um vestido novo � rainha.

Obrigado, senhor, por ter favorecido meu marido.

Levante-se. Se tudo sair bem, eu o favorecerei ainda mais.

Seria necess�rio, a fim de cumprir as gra�as do Alt�ssimo...

celebrarmos um grande auto-de-f�.

Basta queimarmos uns 80 ou 90 hereges.

N�o gosto de cheiro de carne queimada, nem dos autos-de-f�.

Minha carruagem, senhor. Ela os levar� ao pal�cio.

N�o se preocupe, Marfisa. Suas coisas est�o aqui.

Vestidos, j�ias e economias escondidas.

Mais de 200 ducados.

227, para ser exato.

Menos mal.

Mas como entrou em minha casa? Ela estava fechada.

Pelo galinheiro. Entrei e sa� por l�.

Onde est�o eles?

No inferno, certamente.

Eu n�o achava que viriam.

S� restou o cocheiro. O que ser� de n�s?

Minha m�e sempre me dizia...

que, de pernas abertas, se vai ao fim do mundo, e Roma fica perto.

Dizem que h� muitas putas em Roma.

Uma a mais n�o far� diferen�a.

Duas.

Aqui nos separamos.

- Vou a Londres, via Paris. - E eu, a Roma, via Barcelona.

Padre Villaescusa leva um documento...

Que n�o deve chegar ao Vaticano, Sr. Embaixador.

Quanto ao padre, n�o o veremos aqui por muito tempo.

Mas, quando voltar, que esteja convencido de que...

deitar com judias � melhor que queim�-las.

Partir� imediatamente. Para o Sr. Embaixador.

Saiba que ser� tratado como merece.

Boa viagem, padre.

Chegou hoje.

Disseram que por sua ordem.

Gostei... mas quero lhe pedir outra coisa, rainha.

Gostaria que pusesse estas meias.

Quer que eu as vista agora?

- Se quiser... - Claro, meu rei.

- Quer que eu me deite? - Quero.

Legendas: Paul Muad'Dib

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