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Original subtitles

O que não fazem as pessoas por dinheiro?

REUNIÃO DE HERDEIROS

É incrível.

Se herdarmos um milhão de zlótis e alguém da nossa família receber dois,

sentimos que perdemos um milhão.

Mas recuemos.

Fomos à leitura do testamento do meu tio.

Perdemos o contacto, mas lembro-me de que ele era um tipo invulgar.

- O tio era espião. Conhecia o Bill Gates. - Józka, para!

Que também era espião.

Sabem qual é a comida preferida do espião?

Espiga.

O tio apresentou o primeiro concurso polaco.

- Sim. - Há muito tempo.

Depois fez invenções.

Como o quê?

Dizem que ele inventou o PESEL.

O Sistema Eletrónico Universal do Registo da População?

Ele chipava antes de estar na moda.

Vamos jogar ao jogo da matrícula.

Os miúdos não queriam ir.

Mas o tio exigiu.

"A família toda tem de estar presente."

Nada de doces.

Encontrámos a família antes do esperado.

Natalia?

É a Natalia, a minha prima.

Dawid.

Olá!

Olá.

- Karol! - O que foi?

Põe umas luvas.

Karolek?

Cresceste tanto!

Não, eu sou o Karol.

Fortuna.

- Este é outro Karol. - Olá.

- Olá. - Ele não gosta de tocar nas pessoas.

- Cena pós-Covid. - Olá.

E este é o Gustaw.

- Olá. - O meu filho.

Parem de olhar.

Resulta sempre.

- Gustaw, o meu namorado. - Olá.

Olá.

- Karol. - Também resulta. Karol, o meu noivo.

E esta é a Zosia, a minha mulher.

Zosia.

Cumprimentem-nos!

Há quanto tempo.

Que coisa horrível, não é?

O quê?

A morte do tio.

- Sim. Uma tragédia. - Sim.

- Horrível. - Triste.

A casa do Sr. Władysław…

Há uma placa que diz: "Cuidado! Minas terrestres."

Mas não é verdade.

Provavelmente.

- Caramba! Desculpa. - Credo!

Não é nada.

- Isto é caro! - Foi sem querer.

Esqueci-me de que as nódoas acidentais saem sozinhas.

Desculpa!

É fabuloso Ostentar ouro, não é?

Apesar de ser desnecessário

Depois dos 30 Estarei no Top 30 da Forbes

Que carro conduzia o meu tio quando vinha cá?

Um carro antigo ou…

Ele vinha de bicicleta.

Ele tinha uma velha bicicleta Wigry-2.

Menos aos domingos, aí trazia o Bentley.

Ou o Ferrari.

Ou o Jaguar.

Vamos!

Uma grande herança enlouquece uma família normal.

E uma família anormal?

Verão.

- O que fizeste desta vez? - Encontrei a minha família.

Vamos lá.

Anda lá!

Está bem. Nem tudo é uma corrida.

VAI, NATKA

Eu e a Zosia trocámos de lugar na estação,

mas foi uma decisão mútua.

Bem-vindos. Já que toda a família chegou…

O mordomo do tio.

Uma pessoa capaz de sair de casa sem calças.

Mas é impossível ficarmos zangados com ele,

pois foi comprar o nosso gelado preferido.

Vou abrir a porta da garagem.

Estacionem na garagem, por favor. Vem aí um forte nevão.

O que aconteceu ao tio…

Devem ter fome depois da viagem.

Vamos comer.

Leremos o testamento à noite. Acompanhem-me.

- Está bem. - Rápido!

Obrigado.

Há quantos anos não nos reuníamos assim?

- Quinze? - Vinte…

Foi antes de eu terminar o secundário.

Há 30 anos!

Não sou assim tão velha.

Karol, o sobrinho do tio. Marketeer de uma empresa média.

Ele tem lábia.

E este é o noivo dele. Karol, também.

É motorista de TVDE ou, como ele diz, psicólogo.

A sobrinha do tio, Natalia.

Escreve romances policiais.

Li todos, mas acho que exagera no sexo.

O namorado dela, Gustaw.

Sei o que estão a pensar. Uma grande diferença.

Ele é quase 20 cm mais alto do que a Natalia.

Não sei o que faz, a minha mulher diz que não são os deveres.

Este sou eu, Dawid. Sou professor.

A minha mulher diz que não ganho muito, mas ninguém quer saber do meu trabalho.

A minha mulher Zosia é contabilista.

Eu digo que é um traço de caráter. Mas sem que ela ouça.

A minha filha Józefina tem 16 anos,

mas eu gostaria que ela ainda tivesse quatro.

E o meu filho Henryk. Ele tem 13 anos e não faz ideia

que será o verdadeiro herói desta história.

Um iate.

Como?

Pensei em dizermos o que vamos comprar com o dinheiro da herança.

Como terá ele feito a partilha?

Igualmente, claro.

Nunca é igual.

Uma casa maior,

com varanda.

Vamos sair do país este ano.

Queríamos ir para Hamburgo, mas agora não sei.

Talvez Portugal?

Estão todos convidados para a festa de inauguração.

Os filhos também?

Estás a perguntar se também vamos comprar um filho?

Não.

Perguntei se os miúdos poderiam…

Quero dizer…

São a favor da adoção gay?

Estás a perguntar se queremos adotar um gay?

Não.

Só por curiosidade. Se são a favor da…

- A uma vida nova e feliz! - Sim, brindemos a isso.

- O dinheiro não traz felicidade. - Mas ajuda.

Nós não temos dinheiro e somos felizes.

- É como… - Come.

O que eu queria dizer era

que há coisas mais importantes na vida do que o dinheiro.

Família, filhos, certo?

Não podes ser feliz sem filhos?

Claro que sim!

Quer dizer, claro

que não, mas…

Porque não? Qual é o motivo?

Bebes demais e não consegues engravidar.

De que estás a falar? Quanto é que o tio vos deixou?

Acham que o Bezos é o mais rico?

Os ricos controlam tudo.

- Józefina. - Tens razão.

Vamos para o quarto.

- Vamos ver as promoções de crianças. - Impecável.

Ele é estranho desde pequeno.

E eu não sou homofóbica.

Nem poderia ser, pois o meu marido

era gay.

- Quem? O Dawid? - Sim.

Ele é a definição de desastrado.

Achas que ele votou…

Não diria tanto. Mas que importa?

Está torto.

Foi o que ele disse.

Anda cá.

Que nome darias ao teu iate?

A Natalia chamaria "Gustaw" ao dela.

Já que ela tem de pagar por ambos.

Talvez ele não seja interesseiro.

Está bem, abelha.

O Gustaw também não vai durar muito. Ele está com ela pelo dinheiro.

Crimes e Medidas Desesperadas. Querias um autógrafo.

Esquece.

Que idade tem ela?

Com uma criança daquelas. Vamos ouvi-los à noite.

Cuidado!

- Não é nada. - As minhas camisas.

Poupa-me.

- E a filha deles? - É maluca.

Não foi isso que quis dizer.

É pior para os miúdos.

Fizemos muitas parvoíces, mas não havia telemóveis para gravar.

Segundo a teoria dele, os rastos deixados pelos aviões

são compostos químicos

disseminados para controlar a população.

- O que é isso? - Baza!

- Ele afirma que os rastos… - Caramba!

- O que foi? - Nada.

… tornam as rãs homossexuais.

- Tenho de fazer exercício. - E se ele der tudo ao Dawid?

Ouviste o escuteiro, ele vai dividir igualmente.

- Estás a filmar? - Não.

Querido, não te preocupes.

E se ele der tudo ao Dawid?

Ficamos com um terço na mesma.

Mas um terço ainda é muito.

Foi uma pergunta retórica.

Queres um estojo de costura?

Não. Mas não há nada de errado em levá-lo.

E as toalhas também?

És um Ranger do Texas?

- Encaro isso como um elogio. - Ótimo! Chega!

Pareces um disco riscado.

Quando dizemos aos miúdos?

Não sei.

Temos consulta na próxima semana.

Só tem umas frases.

É bom sinal.

"Cara família.

- É uma pena encontrarmo-nos…" - Józka.

- "… desta maneira." - Para.

- Acalma-te. - "Não vos maçarei. Serei direto.

Todas as minhas poupanças e o dinheiro da venda da propriedade,

estimados em 10 milhões de zlótis…"

Credo!

"… darei…

… ao orfanato local."

Como?

Farão uma Disneylândia?

"Além disso, preparei-vos um jogo.

Quem ganhar ficará com os direitos das minhas patentes e invenções.

Tudo de bom. Atenciosamente, Władysław."

- Rasga. - Eu disse, excêntrico.

Larga-me!

Excêntrico, não. Vigarista.

Aqui está. Este é o tablet para o jogo de amanhã. Tome.

Jogue você.

Foda-se!

O quê? Ele está vivo?

Olá, família!

Perdoem-me.

A minha morte e o meu testamento podem ter-vos abalado.

- Talvez. - Sim.

Mas têm de admitir que foi a única forma de vos trazer aqui.

Mas para quê?

Está a morrer, tio?

Não.

Acho que não.

Mas, depois de tantos anos sozinho,

ou quase sozinho,

porque faço isto tudo?

Para quem?

Queria que não cometessem o meu erro.

Que viessem aqui, interagissem,

se conhecessem antes que fosse tarde demais.

As caras que fizeram quando ele disse que ia dar tudo ao orfanato!

Não, é uma causa nobre.

Sim, mas chega de perder tempo.

Amanhã, espera-vos um jogo divertido.

Trabalhei nele durante muito tempo. Vamos divertir-nos muito.

Começamos às 10 horas.

Tenho uma pergunta.

Com licença, é só um pormenor.

Queria perguntar sobre as patentes do tio. Quanto valem, aproximadamente?

Não sei!

Dezenas de milhões.

Falei com algumas agências.

Há muito interesse.

Mas vamos às prioridades.

São assuntos sérios.

- Credo! - Caramba!

A minha última invenção. Tecido fino, mas forte como um colete à prova de bala.

É à prova de bala?

Felizmente, sim.

Józka.

- Que cena marada. - Exatamente.

Agora que está tudo esclarecido,

querem uma bebida?

- Quero algo forte. - Sem dúvida.

Brutal. Esta cena de família é porreira, topas?

- Sim, bué da fixe, mano. - Para.

Pois.

Minha criação. Devolve quando o resolveres.

Combinado?

Ótimo. Obrigado.

Tenho de ir, família. Amanhã vai ser emocionante.

Pelo que percebi, amanhã o jogo será apenas diversão?

Terão de esperar, mas sim.

Tenho comido de forma saudável. Vão ter de esperar um pouco pela herança.

- Vá lá, tio. - Sim.

Claro.

Não gosto de praguejar, mas…

- O tio é… - Um chalupa do caralho.

Não há outra forma de o dizer. Ele é completamente chalupa!

Mas,

por outro lado, pode ser divertido fazermos algo juntos.

Talvez tenhas razão.

Um dia, o tio morrerá a sério.

É melhor darmo-nos bem com ele.

Tu assustas-me, sabias?

Karpacz é perto. Lembras-te daquele hotel?

Lembro-me. Não saímos do quarto o fim de semana inteiro.

Sim, passei muito mal.

Se quiseres, podemos ir agora.

É óbvio que não vamos jogar.

Vamos embora. O que estás a fazer?

A calcular quanto gastámos em gasolina. É como se tivéssemos ido de férias.

- O quê? - Piada de motorista de TVDE. É caro.

Piada é o teu pénis.

E a verdade é que a Beyoncé está morta há 20 anos.

Józka.

- E, como o Presidente dos EUA… - Józka!

… ela foi substituída por sósias.

Não se deixem enganar.

Nada é o que parece.

O que foi?

Muito sensual.

Estás a enfiar um casaco de pele?

- Józka! - O que foi?

Não vejo nada.

Tens de o alinhar com o reflexo do espelho.

Só assim podes ver um extraterrestre.

É o verdadeiro Código Da Vinci.

Isso é só treta.

Ouvi o pai perguntar à mãe: "Quando lhes dizemos?"

A mãe está grávida?

Os pais querem dizer-nos que…

Eles querem dizer-nos que…

… tu és burro.

Adeus!

Quando pensávamos que as surpresas tinham acabado,

afinal estavam apenas a começar.

É o grito da Józka.

O tio Władysław morreu.

Outra vez!

Esqueceu-se de que tinha uma camisa normal e esfaqueou-se?

Não olhem.

Nem eu teria inventado isto.

Talvez seja outra piada.

Devíamos ver se…

O quê?

Bom, se ele está mesmo…

- Estás mais perto. - Sim.

Tio.

Tio!

Não está a respirar.

Credo. Liga para a polícia.

Não toquem em nada.

É horrível.

O tio morreu.

Ele está vivo. Deve ser outra partida.

Desta vez, não me parece.

Que sacana…

Apostámos…

… em quem morreria primeiro.

Ele ganhou.

A polícia chegou.

Chegaram depressa, senhores.

É verdade. Não sei o que lhes disseram, mas…

Conte do início, como se não soubéssemos nada.

Está bem. Entrem.

Ora bem, vamos à chamada linha cronográfica.

Às 9 horas, a minha filha Józefina

foi à cozinha e encontrou o corpo do meu tio.

Ali. Vejam.

Anda.

Olá.

Olá.

O que fazem todos aqui?

Chegámos ontem para a leitura do testamento.

Quem?

De quem?

- O quê? - De quem?

- Karol… - Não "quem", mas "de quem".

O testamento do tio.

Porquê ontem? Acabaram de o encontrar

O tio gostava de surpresas.

Venham.

Como o vosso tio rico vos enganou a todos, por assim dizer,

este não é necessariamente, como disse, um erro trágico.

O que está a sugerir?

Um homicídio.

Está a nevar desde ontem.

Não vimos nenhuma marca de pneus.

O exterior é vigiado por câmaras. O interior não é.

Há coisas escritas com sangue.

Parece uma cara.

Ou a letra "K", de "Karol".

Infelizmente, é ketchup.

Satisfeitos?

Não fui eu. O sangue deixa-me enjoado.

Eu tê-lo-ia estrangulado ou,

sei lá, atirava-o pelas escadas abaixo ou…

Nem eu! Não toco nas pessoas!

Tecnicamente, não se toca nas pessoas com uma faca, pois não?

- Certo, mas não fui eu. - Também não fui eu.

Nem eu.

Ótima ideia. Todos devem dizer se o mataram ou não.

Quem confessar é o assassino.

Não fui eu.

Eu também não fui.

Nem eu.

Nem eu.

Eu não o matei. Satisfeitos?

Estava a observar todos.

Os sinais não-verbais dizem mais do que palavras.

Podem revelar o mentiroso.

E quem é o mentiroso?

Não sei.

São as únicas pessoas na casa?

Além de nós.

Certo. Primeiro, temos de assegurar os bens arrolados no testamento.

Onde estão as patentes?

O Władysław era muito cuidadoso com elas.

Ele tem uma USB?

Boatos. O Władysław nunca colaborou com os serviços de segurança SB.

Tenho de fechar as janelas.

Até o nevão parar,

estamos oficialmente isolados do mundo.

- Um alerta. - Estão a rastrear-nos.

Para o bem da investigação,

entreguem os telemóveis.

Porquê?

Porque o assassino é um de "bocês".

Um de vocês.

O quê?

Não é "um de bocês", mas "um de nós"!

Como estamos completamente isolados do mundo,

conduziremos a investigação aqui.

- Conheces o Gustaw há muito? - O quê?

Espera. Há quanto tempo estás com o Karol?

Há seis anos.

- Fizemos uma pausa… - Não é isso.

- A sério? Por favor, é ridículo. - Diz lá.

- Calma. - Como assim, calma?

"Calma"! Viste documentários sobre crimes reais?

Os assassinos são todos calmos.

Não.

O pai nem teria matado o jovem Hitler, se pudesse.

Silêncio.

E a Natalia sabe muito sobre homicídios e como encobrir rastos…

- Querida… - Uma contabilista a dizer-me o que posso…

Silêncio!

Espero que percebam

que este testamento, escrito no gozo, tem validade legal.

O testamento está assinado.

O orfanato vai ficar com tudo.

E o vencedor do jogo herdará as patentes.

Não vamos jogar com o corpo do tio na cozinha.

- Nem pensar. - É claro que não.

O que fazemos?

Concordamos que ninguém vai jogar e dividimos igualmente.

Não, eles vão jogar e nós não vamos ficar com nada.

Caramba!

Viste? Observa a linguagem corporal.

O Dawid não vai desistir.

- Só vejo o bem nas pessoas. - Pessoas, não. Hienas.

Não queremos fazê-lo, mas fá-lo-emos pelo tio, certo?

Eu não concordei, mas a Józka às vezes tem razão.

As pessoas fazem coisas mais estranhas por menos.

Dawid, Zosia, Józka, Henryk, Natalia, Gustaw, Karol, Karol.

Aproximem-se e comecem a contar! Estou a brincar.

Espero que estejam descansados e bem-dispostos. O jogo vai começar.

O primeiro enigma. O que gosto mais de conduzir?

Pensem bem e até já.

Sem dinheiro, sem problemas.

- O quê? - É uma música.

O dinheiro não muda as pessoas. Mostra quem realmente são.

O que está a fazer?

Por favor, não toque em nada. É um local de crime.

Espere.

Tem uma nódoa.

Ketchup.

Este é o que eu mais adoraria conduzir.

Como vai isso?

Parece que o jogo é sobre conhecer a família, não está a correr bem.

O almoço estava marcado para as 14 horas. Vocês…

Vão comer quando acabarem. Não pode mesmo ajudar?

O Władysław preparou tudo sozinho.

Posso ir primeiro.

Para quê?

O interrogatório.

Isso decidimos nós.

O vosso tio tinha um escritório?

Tinha.

- Tinha. - Sim, tinha.

Tinha.

- Há muito que não me pedem o BI. - Só queria ter a certeza.

Não sabe onde as patentes podem estar guardadas?

Infelizmente, não.

RODA DA VERDADE

Verdade.

"O que gosto mais de conduzir?" Vinte e quatro letras.

E depois?

Não sei.

Quem acha que o matou?

Ontem, quando soubemos que o tio estava vivo,

foi um choque para todos.

É compreensível.

Depois falámos um pouco e descobrimos que ele sabia muito mais

sobre nós do que pensávamos.

- O que sabia ele sobre si? - Bem…

Só sabia no geral.

Sabe como é, tio. Vinte anos de relação.

- Mas está tudo bem, - Isso é ótimo.

E o teu chefe, com quem tens saído?

Como?

Nem pensar!

O tio sabe?

Desculpa, tive de me preparar. Para te conhecer melhor.

Descobri coisas que não queria.

Presumo que o Dawid não saiba de nada.

Porque não há nada para saber.

Terminei antes mesmo de começar.

Foi só um encontro. Não aconteceu nada.

A pior verdade é melhor que a mais bela mentira.

Estou a trabalhar em algo que… Esquece.

Não lhe podes mentir.

Conta-lhe. Ou eu ajudo-te.

Obrigada.

Não é nada.

Ele sabia.

Ele sabia o que eu fazia

e perguntou pelo meu trabalho.

Acabei de me lembrar…

São obrigados a manter o sigilo profissional?

Sim.

Ontem à noite,

ouvi o Karol,

o mais alto, a falar com o tio em voz alta, e ele…

… gritou com o tio.

"A sua foto devia estar na Wikipédia com a legenda 'sovina'."

E foi-se embora. E também bateu a porta.

Não deve ser nada.

Mas saberão usar essa informação.

Pode ter sido o Gustaw. Temos vozes parecidas.

Não têm nada.

Se o tio estivesse vivo, poderia ajudar-nos.

Estávamos no mato sem bússola.

Metaforicamente. Na verdade, ainda estávamos na casa.

- O que te perguntaram? - Se suspeito de alguém.

Concentremo-nos no enigma.

E suspeitas de alguém?

Na verdade, eu sempre tive uma boa relação com o tio.

Apenas falámos.

Estávamos a pensar, e é Portugal.

Fizemos as contas e tudo vai custar um milhão.

Um milhão?

Estes são os preços em Portugal.

De todas as pessoas,

creio que o tio compreende.

Quatro quartos?

Uma surpresa para o Karol.

"Desilusão, uma espécie de surpresa."

Banda Zipera. Esquece.

- Mas… - Desculpa, é a minha palavra final. Não.

A sua foto devia estar na Wikipédia com a legenda 'sovina'.

Sim.

Já me lembro.

Mas não…

Não é nada.

O meu tio sugeriu que eu arranjasse uma namorada

e constituísse uma família normal. É um senhor de idade, sabem?

Ele não tem culpa.

Só por curiosidade, quem ouviu essa conversa?

Já sei. A Natalia?

Se tivesse de adivinhar,

ela finge ser rica, mas olhem para a mala cara dela.

É uma imitação.

Sou a único aqui que não precisa do dinheiro dele.

Pensando bem,

pode-se dizer que o tio gostava mais de conduzir

o concurso dele!

É uma boa resposta. E depois?

É um alívio que esteja vivo, tio.

Quando soube que tinha morrido, chorei a noite toda.

Desculpa.

Não achei que um entradote com quem não falavas há 30 anos

fosse do teu interesse.

O tempo voa.

Por favor, perdoa-me.

Vou tentar redimir-me.

É uma feliz coincidência,

porque ultimamente fiz alguns investimentos financeiros infelizes.

E o adiantamento para um novo livro, digamos que o gastei.

E a verdade é que não escrevo uma única página há mais de um ano.

- Estou a precisar de… - Inspiração?

Dinheiro.

Um pequeno empréstimo viria a calhar.

Está bem.

Obrigada.

Com uma condição.

Claro.

Quando é o meu aniversário?

Como?

Já que sou um tio tão amado por quem choraste a noite toda,

não deve ser uma pergunta difícil.

Seria no dia 12 de…

… março?

O meu PESEL começa com 43.

Zero, dois,

zero, quatro.

É 4 de fevereiro!

Sim. No entanto, só a primeira resposta conta.

Mas é óbvio que a Zofia gosta de luxo.

Viram os sapatos dela?

Estou só a divagar.

SIG Sauer?

É polícia?

Não. Sou escritora de romances policiais.

É por isso.

Certo!

Natalia Szulc.

Por Quaisquer Crimes Necessários. Ofereceram-mo.

Gostou?

Ainda tenho de acabar o anterior.

- Eu sei! Há aqui uma entrada! - Onde?

De manhã, eu estava a andar e vi uma porta.

E um abajur de televisão.

Estava trancada, mas talvez agora…

- Certo, vamos. - Bolas.

Querido, chega aqui um momento.

Anda cá.

- Concentra-te. - Certo.

Estamos a falar de muito dinheiro.

Da próxima vez que encontrarmos algo, não digas aos outros.

Ouve.

Já não somos uma família, somos adversários.

Vai.

Não estás aqui há tempo suficiente?

Estamos quase a acabar, amor.

Mas obrigada pela preocupação.

Vamos.

Já falta pouco.

Qual é a pressa?

Credo.

A cave do nosso prédio tem três metros quadrados.

SILÊNCIO

A do tio era maior.

Que fixe!

Uma minimoto.

- O que fazemos agora? - O tablet não dizia nada?

O tio devia estar aqui connosco. Ele provavelmente conduziria o jogo.

É a tua vez.

Eles estão à tua espera.

- O relógio está em todo o lado. - Amor.

A partir de agora, é uma corrida.

Não demoro.

Que tal o interrogatório?

Nada de especial.

- As perguntas da praxe. - Pois.

Exatamente. Comigo também. Uma seca.

- O que lhes devemos dizer? - Não é?

Há botões aqui.

Karol, Natalia, Dawid.

Não te ouvimos.

QUANTOS LIVROS ESCREVEU A NATALIA?

- "Quantos livros escreveu a Natalia?" - Quantos?

Boa sorte.

Dá um palpite. Diz alguma coisa.

Não ouço nada!

VERDADEIRO — FALSO

O que é aquilo?

"Aonde é que o Dawid e a Zofia foram na lua de mel?"

Aonde?

Todos queriam ganhar, mas não perceberam

que não era uma competição, mas uma colaboração.

O objetivo era obter pelo menos metade dos pontos para avançar.

Já sei. Temos de trabalhar juntos.

Faz sentido. Família unida.

- Perdeste dois pontos! - Perdemos.

- Nós. - Sim!

Podemos dar pistas?

O tio não está cá, por isso…

"Onde trabalha o Dawid?"

Centro de Análise Política da Univ. de Varsóvia.

- Não acredito! - Centro.

Círculo.

Entra.

Anal…

Olha! Estou a dizer…

- Raios. - Que perguntas são estas?

Afinal, o tio sabia mais sobre nós do que imaginávamos.

O que sabia ele sobre si?

Bem…

Está tudo bem entre nós.

Pode sempre melhorar, mas também pode piorar.

Que bom. Ótimo.

Então, a hipoteca não está atrasada?

Dificuldades temporárias, mas cá nos arranjaremos.

Devo conseguir uma bolsa.

A que foi rejeitada há um mês?

Sim.

E a Zosia não sabe de nada?

Eu já a irrito constantemente.

Dawid.

Conta-lhe.

Ou eu ajudo-te a contar.

Nada em particular, mas ele sabia o que eu fazia

e leu alguns dos meus artigos.

Acho que foi um acidente.

Um triste acidente.

Mas se tivesse de apontar para alguém,

apontaria para… Claro, só se tivesse mesmo de ser.

Por favor, sinta-se obrigado.

- Boa! - Vamos!

- Touro. - Boa!

- Sim! - Vai, Natalia.

Eu?

Podemos aumentar as hipóteses. Cabem duas pessoas.

- Vamos! - Ótima ideia! Vai!

- Vai! - Está bem.

Carrega no botão.

O que não fazemos por dinheiro, não é?

Então? "O que pratica o Karol mais pequeno?"

- Só 2 cm. - Seis.

- Krav Maga! - Krav Maga.

Lambada?

Agarra a cabeça!

Isso mesmo!

- Kung-fu? - Vá lá! Pensem!

Não, carrega no botão!

Esgrima!

- Mas qual esgrima? - Raios!

Credo.

"O que tem o Karol tatuado nas costas?" Mostra-lhes.

Vejam!

Aquilo é…

Um dragão!

Um dragão!

Boa!

É a Edyta Górniak transformada em… Esqueçam.

Ela foi ótima no Metro.

"Como se chamava a primeira namorada do Dawid?"

Ontem, não consegui dormir depois disto tudo.

- Então… - "Atão".

Ouvi o Karol, o noivo do sobrinho do tio, o mais baixo dos dois,

a falar ao telefone.

É o Karol. Mandou-me uma mensagem, mas não pude responder porque…

Estou a sussurrar porque são 3 horas.

Na Tailândia, são mais seis horas.

Não, já lhe disse que não quero um de dois anos!

Nem mesmo de um ano.

No máximo, com seis meses. Paguei adiantado.

Está bem, vamos falando.

Credo.

Não quero acusar ninguém,

mas parece que eles estão a tentar comprar um bebé.

E isso não é barato.

Bom, é só a minha opinião,

nunca comprei um filho pela Internet.

Nem em qualquer outro lugar.

Nunca comprei uma criança viva.

Nem uma morta.

- Não. Credo. - Bolas!

- Olá. - Vamos!

Ouve.

- Eu sei. Adversários. - Não. A situação mudou.

Dependemos de ti.

- Vai. - Quantas tem de acertar?

- Todas. - Carrega em "Dawid".

- É melhor entrar outra pessoa. - Tarde demais!

- Vejam. - "A data de nascimento da Natalia."

É 25 de janeiro de 19…

Carrega no botão.

É 25 de janeiro de 1973.

- Boa! - Boa!

Ele manda-me sempre mensagem.

Não é hoje?

- É o teu aniversário? - Parabéns a você

Não! Silêncio.

Cinquenta.

- Tens 50 anos? - Claro que não.

Olhem para ali.

"A história preferida do Karol?"

O que achas?

As pessoas venderiam a mãe por dinheiro.

Se pudesse, prendia-os a todos.

Tens herpes outra vez?

Não.

- Boa! - Boa!

- Ele é bom! - Última pergunta!

Responde e ganharemos!

- Vamos! - Que seja fácil.

"Qual é o verdadeiro nome do Gustaw?"

O quê?

Como te chamas?

Foda-se. Muito bem.

Bebe.

- Agora morre. - Morrer?

Está bem.

Romeo?

- Sim! - Sim!

Romeo?

Porque não me disseste?

Boa!

Nem a Julieta sabia?

Como soubeste?

Detesto esse nome.

- É lindo, querido. - Como sabias tudo?

Como é que o tio soube?

SEIS MESES ANTES

Dawid Kłos.

Um inquérito.

Sim, está bem.

Deves estar a brincar.

Quanto tempo demora?

Credo!

Sim, tenho cinco, talvez quinze minutos.

Muito obrigado.

Só umas perguntas.

Para começar, qual era o nome da sua primeira namorada?

E em que parte do corpo tem essa tatuagem?

- Para que é este inquérito? - Que pergunta estranha.

Mas está a pagar. Uma praia em Barbados.

Obrigado.

Sabes usar uma faca?

O que é que isso tem que ver?

Nada.

Não sabemos muito sobre ti, mas vê-se que tens um trauma de infância.

- Para. - Trauma de infância?

Deves vir de um lar desfeito.

Errado. Os pais dele vivem nos Estados Unidos.

Que belo psicólogo me saíste.

E o complexo de Édipo?

- Como? - Como?

- Poupa-me. - Calma.

O corpo do tio está ali e estamos a jogar em família.

Então, desiste!

Sim, a Józka tem dois telemóveis.

Não sabíamos.

Os polícias também não sabiam.

Só o Henryk sabe. E agora vocês.

Mas, no final, talvez tenha sido este telemóvel contrabandeado

que nos salvou a vida.

A polícia ligou.

O agente ficou preso na neve.

Como é que não conseguiu vir se…

Mãe, anda cá!

Fiquei sem rede.

Então? O que andam a tramar?

A polícia ligou. O agente está preso na neve.

Acho que aqueles tipos não são polícias.

Não gostei do comportamento deles desde o início.

Escrevi 40 romances policiais.

Usam a arma errada.

Não podemos contar até termos a certeza.

- Está bem. - Ninguém sabe do que eles são capazes.

Qual é a urgência?

Queria dizer-te que não sabia como pediste a mãe em casamento.

Foi querido.

Sim.

A minha filha a ser simpática.

Onde está a câmara?

Talvez o plano do tio esteja a resultar.

Um brinde à família.

O tablet! Venham cá!

Parabéns por passarem a primeira fase.

Estão a divertir-se?

Se me estão a ver, já não estou convosco,

pois estou a preparar-me para a segunda fase.

Um enigma. Para passarem, não terão saída.

Então, não acabou?

Temos de encontrar sinal de rede.

Com wi-fi, podemos pedir ajuda.

O tio disse que a senha era muito difícil.

- Vou à casa de banho. - Eu também, com o Heniek.

- Vais com o Heniek? - Sim. Talvez tenha de ir também.

Está bem, esquisitos.

"Não terão saída."

- Tens rede? - Ainda não.

Olá. Como estão?

Podemos ajudar?

Vou à casa de banho com o meu irmão.

Que irmão?

Chamo à tia

irmão mais velho.

Porque ela ajuda-me sempre que preciso.

Que giro.

É hora do interrogatório, jovem.

- Vamos. - Mas a Józefina é menor de idade.

Acho que devo ir com ela.

Certo.

"Não terão saída."

Será uma sala de fuga?

Esta casa é uma sala de fuga.

Na garagem, havia um sinal de "saída" riscado.

Julguei ser uma piada do tio, mas agora?

- Espera. - Ouçam…

Não digamos nada.

É muito amável, irmão mais velho, que se preocupe com a sua sobrinha.

Sobretudo porque disse que a mãe dela poderia ser suspeita.

Porquê?

Estão a tentar enervar-te.

É uma técnica antiga, raramente usada pela polícia local.

- O que está a insinuar? - Só que são altamente qualificados.

Considerando os vossos cargos.

- Porque não escreve sobre nós? - Porque não?

Primeiro, preciso de saber o vosso cargo.

Não. Nunca fui bom aluno.

Cargos, não notas.

Na polícia, onde trabalhamos.

Inspetor Bednarski. E este é o agente Gudejko.

O que foi?

O quê?

O que se passa?

- O inalador! - O quê?

- O inalador. - O quê?

No nosso quarto.

- No nosso quarto? Que inalador? - O meu…

O meu inalador, no quarto.

- O teu inalador? - Foda-se, o inalador no quarto.

- Ela precisa de boca-a-boca. - Não consigo respirar…

- Uma palmadinha? - Vai.

O quê?

Quem te ligou quando fui interrogada?

E o teu marido?

- Dawid? - Pois.

- Não faria mal a uma mosca. - Não?

Ele nunca andou à luta.

Fizemos braço de ferro uma vez e eu ganhei.

Pensei que me tivesse deixado ganhar, mas ele admitiu que não.

Um homem a sério não te deixaria ganhar.

Eu esmagava-te.

Sabes que um pontapé nos tomates dói mais que um parto?

As mulheres dizem: "Quero outro filho."

Mas nunca ouvi um homem dizer: "Dá-me outro pontapé nos tomates."

Adoro esta piada.

É o telemóvel do Dawid.

Uma senhora do banco.

Não atendeste?

Então?

Estás a respirar melhor?

Só queríamos ter a certeza.

Pois, e as vacas voam.

Onde estão os miúdos?

- Na casa de banho. - E a Natalia também.

Sim.

- Vamos esperar. Temos de entrar juntos. - Claro.

Entrar aonde?

Acho que é tudo.

- Tragam o adolescente. - O meu irmão?

O namorado dela.

O teu bolso está a vibrar.

É um pager.

Um pager?

Voltaram a estar na moda. Não sabia?

Não. É uma bomba de insulina.

A Józefina tem diabetes e…

Toca a andar.

- Estou? - Polícia de Dworki. A chamada caiu.

O comissário Terceirocão não pode ir. Ele está preso na neve.

Já não é preciso.

Desculpe, os meus filhos estavam a brincar com o meu telemóvel.

Sim, obrigado. Vou dar-lhes uma lição.

Porque disseram que eram polícias?

Tecnicamente, não dissemos.

A polícia chegou. Chegaram depressa, senhores.

Não sei o que lhes disseram, mas…

Conte do início, como se não soubéssemos nada.

Está bem.

Também ficámos surpreendidos por ver-vos aqui.

E depois o vosso tio estava morto.

E decidiram descontrair,

deixar-nos jogar e ficar com as patentes.

O vosso tio estava a trabalhar em algo

que interessa a algumas pessoas.

Parou de nevar.

Raios, parou de nevar.

Pensa, Henryk.

SENHA INVÁLIDA

Não me quero gabar,

mas tive muito sucesso em salas de fuga de Varsóvia.

É verdade.

Perfeito, então estamos safos.

Quanto tempo leva uma mija?

Eles sabem onde estamos?

Estava à vossa procura.

- Mas… - Porque estás ofegante?

Vim a correr. Por desporto.

E os miúdos?

Estão a ser interrogados juntos, para ser mais rápido.

A polícia disse que, se não acabarmos dentro de uma hora…

- O quê? - Vão levar-nos para a esquadra.

Ótimo.

O que fazemos?

A segunda fase é uma sala de fuga.

E quem matou o Kennedy?

- Não sabemos. - Querem que vos diga?

PORQUE É QUE RODA DA VERDADE DEIXOU DE EMITIR?

"Porque é que Roda da Verdade deixou de emitir?"

"Roda da Verdade deixou de emitir quando uma concorrente

tentou suicidar-se depois de perder na ronda final."

RUA POZIOMKOWA, N.º 7

Tal como a cabana da nossa infância.

Credo, eu lembro-me.

Éramos tão pobres, só tínhamos um livro. A mãe lia-nos muito devagar.

Vocês!

Sim, somos nós. Vejam!

Deixa-me ver.

Não me lembro disto.

Certo, Dawid. Mãos à obra.

Sim.

Cinquenta e nove minutos.

- Queres? - Não, obrigado.

A sério, Dawid?

Porque não?

Nunca se sabe o que pode acontecer.

Na sala "Ponto de Interrogação", havia…

- Dawid. Tempo. - Tempo.

Onde arranjou essa caixa?

Os doces?

Estava na bancada da cozinha.

Mostre-os para a câmara.

Aqui!

Aí?

O que está aí escrito?

"Sábado."

Bolas.

O que significa?

Esqueci-me de os esconder. Eram os doces especiais do Sr. Władysław.

Especiais como? O que se passa?

O Władysław gostava de experimentar substâncias psico…

- Quantos comeu? - Dois ou três.

Sete. Eu comi sete.

Aos sábados, ele testava o soro da verdade.

De sua autoria.

Ele comia metade de um doce, às vezes um.

Depois de um doce, ficamos muito sinceros.

Mas depois de sete, pode deixar-vos alterados.

- Também comi um. - Credo.

Eu também comi um.

Eu não. Estou de dieta.

Não cheguei a comer.

Eu também comi um.

Como assim, deixar-nos alterados?

Faz efeito em poucos minutos.

- Ótimo. - Que berbicacho.

- Certo. - Estás bem?

Não. Ouçam.

Sabendo que é uma armadilha, temos uma hipótese de escapar!

- Procurem pistas. Depressa! - Mas que pistas?

- Fugir para onde? Talvez aqui? - O quê?

Aonde vais? Para!

Não te mexas!

Com licença.

Acho que temos um problema.

Aqui! Encontrei a primeira pista!

"O que vos chocou?"

O quê? Nós?

Sim! Olhem à vossa volta. A pista pode estar em qualquer lado!

- O candeeiro. - Credo.

O candeeiro.

O quê?

O candeeiro!

Como assim?

- Está soldado? - O que tem o candeeiro?

- Karol. - Não. É ketchup! Credo.

Certo.

- Não faz mal. - Água.

Ele vai ficar apagado uns minutos. Karol?

Certo.

Temos de improvisar uma escada.

Com o quê?

Ou com quem?

Gustaw.

Um momento.

Aqui.

Credo.

Sobe.

Credo.

Vira-te.

O meu olho!

Dawidek, cuidado.

Dawid.

Tenta não me tocar.

Estou a tentar.

Cuidado!

Sim! Encontrei o primeiro número!

- Seis! - Boa!

- Segura-te! - Cuidado!

Dawid!

- Salta! - Não!

- Vá lá! - Não!

Pronto.

Ganhámos?

- Somos milionários? - Ainda não.

Como soubeste do candeeiro?

Acontecimentos que nos "chocaram".

Quando eu era criança, durante as férias de verão,

na cabana verdadeira do tio,

fui eletrocutado e estive mais de um mês no hospital.

Sim, é verdade.

É a vossa vez.

O quê?

O que vos chocou? Pensem!

Não sei o que me chocou!

O chão é de lava! Cuidado, vão derreter!

Quantos comeram?

Muitos.

O Sr. Dawid foi quem mais comeu.

Amo-te.

É o soro a fazer efeito.

O meu pénis é pequeno.

- Bolas! - Karol, outra vez? Não é nada.

Não? Então come um doce e diz-me.

Não fazemos sexo há dois anos.

Caramba, Dawid!

Tenho as mãos a brilhar.

- Ótimo. - Dawid.

- O miúdo? - As minhas mãos!

Ótimo.

O filho.

A sério, olhem para isto! Que espetáculo!

SENHA INVÁLIDA

"A senha é muito difícil."

FORTUNA

SILÊNCIO

"Vou trabalhar."

"Leva as sandes."

"Tem Nutella?"

"Tal como gostas."

Quando éramos pequenos, os rapazes da região riam-se dele

porque brincava às casinhas e não à bola.

Na altura, parecia estranho.

Tive dois maridos.

Traí os dois.

Mas já não há homens como o Dawid.

Pois não.

Ouve, não consegui a bolsa.

- Aliás, consegui, mas não aceitei. - O quê?

Não queria estar quatro meses sem ti.

Sobretudo porque são os nossos últimos momentos juntos.

Escolho uma pergunta sobre a família Kłos.

Categoria: "Curiosidades."

- O Dawid e a Zosia vão separar-se? - Não.

"Sim" é a resposta correta.

Resta a dúvida:

quando dizemos às crianças?

Lamento, miúda.

Já sei há muito.

Têm uma lanterna dos Homens de Negro?

Pode mostrar os meus pais? Dizer-lhes que se amam outra vez?

Não funciona assim, miúda.

O que achas?

Que não te vi a olhar para o polícia?

O quê? Poupa-me. Ele é um troglodita.

Ele acha que um pontapé nos tomates dói mais que o parto.

Idiota.

Lamento, miúdo.

- Ele nunca fez uma rutura vaginal. - Acho que não!

Afinal, a senha do wi-fi era mesmo muito difícil.

Mas, por outro lado, era muito fácil.

É difícil explicar, mas a senha era muito fácil.

Demasiado fácil, na verdade, porque era "muito difícil".

Onde estás?

Esqueçam, já vão ver.

Raios.

"A senha é muito difícil."

Miúdo?

"Muito difícil."

- Boa! - Então?

Raios.

Deixa-te de brincadeiras!

Anda!

Miúdo!

- Já que não podemos mentir… - Sim?

Só estás comigo pelo dinheiro, não é?

Não.

Não estou contigo pelo dinheiro.

Sei que tiveste problemas financeiros.

Amo-te.

Anda cá.

Mas não gosto do teu perfume.

Pronto. Com licença!

Como não podemos mentir, eu não matei o tio.

Nem eu.

Nem eu.

- Eu também não. - Não comi doces, por isso…

O melhor mentiroso que conhecemos

não é o melhor mentiroso que conhecemos.

Espero que os miúdos não estejam preocupados.

Não são polícias. Não sabem a hierarquia e têm a arma errada.

O quê?

Não sei quem são. Levaram a Józka e mandaram-me ficar calada.

A polícia virá depois do nevão.

Foi por isso que nos deram uma hora. Depois disso, eles…

Eles o quê?

Credo!

Józia! Henio! Vou salvar-vos!

Zidane!

Zidane!

- Dawid, querido. - Estás bem?

Dawid!

A nossa música está aqui.

- Qual é o número dela? - Onze!

Onze?

O último número. Vou digitar o código.

- Levanta-te. - Dá-me a mão.

Dawid! Credo!

- Resultou! - Boa!

- Olha, abriste a porta! - Vamos.

O tablet.

Sim.

Tenho de ser eu a fazer tudo.

Tenho medo de ti!

Estás bem?

Deixa-a em paz!

Onde está o Henryk?

Caramba.

Anda cá.

Cara família, parabéns por passarem mais uma fase.

O jogo chega lentamente ao fim,

como tal, vamos ter de aumentar a dificuldade.

Para iniciar a última tarefa,

devem unir-se.

As vossas luzes também se apagaram?

Caramba.

A porta abre com uma impressão digital.

De quem?

Eu ajudo.

- Não! - Não!

Aposto que és tão mauzão que até descascas um ovo com uma faca!

Têm 15 minutos.

- Eu levo o miúdo. Vigia-os! - Por favor, leva-me em vez dele!

Quantos mais, melhor.

Tu consegues, pai!

Talvez, mas é improvável! E vão matar-nos a todos!

- Ainda faz efeito? - Não. Sim.

Não tenho silicone!

Já consigo mentir.

Virem.

- Vamos. - Foda-se!

Levantem-no!

- Sim. - Sim.

Pronto. Pousem-no.

Para que serve isto?

Certo.

- Pronto. - Não me parece.

- Não? - Não dá.

- Espera. - Dá cá.

Temos de nos unir. Temos de nos prender.

Rápido, eles têm o Henryk.

Boa!

Prende-te, o Henio não está aqui!

Prende-te!

Pronto.

Vamos. Venham.

Lamento, miúdo.

A tia Ela.

Este labirinto é a nossa árvore genealógica.

Vamos pela direita.

Não, esperem. Já passámos pelo tio Janusz.

Significa que devíamos ir por ali.

Não viemos por aí?

- Faltam uns minutos. - O que nos vão fazer?

Já jogaste Pac-Man?

Vamos comer-vos.

- Mais devagar? - Não.

Quanto tempo temos?

Seis minutos.

Seis minutos.

Aqui.

Este é o irmão mais novo da nossa tia, o tio Albert.

Caminho errado.

- Por aqui. - Mas…

- O que tem a verruga? - Ela aumentou.

Não, já passámos por aqui.

- Não. - Três minutos!

Para onde?

Será que os nossos retratos estão aqui?

É isso.

Temos de nos encontrar.

- Não dês ouvidos a coaches. - Temos ido na direção errada.

- Temos de nos encontrar. Venham. - Calma!

És tu!

- Aqui. - Henio!

Dá cá isso.

Devolvam o Heniek.

E se não devolvermos?

Zidane!

- Vamos. - Corram.

Calma.

Lamento, miúdo. Não consegui evitar.

Mas tenho de admitir…

… que tens tomates.

Socorro!

Fim do jogo.

Dá-me isso.

Primeiro, devolve o Henryk.

Também temos uma arma!

- Já consigo mentir de novo. - Dá-me isso!

- Karol. - Esmago-te a traqueia com um golpe.

Karol!

Ouve lá! Experimenta comigo.

Bravo, Henryk!

Vou dar-te uma consola. Não, duas!

És muito esperto, mano!

Exagerei um pouco.

Mas o Henryk andou no judo durante seis meses.

E ele tentou.

Zidane!

Deixa-o! Deixa o meu marido em paz!

Anda cá!

Toma lá o teu parto.

Anda cá, amor.

Socorro!

Peço desculpa pela…

A porra da…

Está um gelo.

Nevão.

Bom, o tio gostava de surpresas.

Só pode ser isso.

Um erro trágico. Um suicídio involuntário.

Dá um livro, não é?

Porque não escreve uma série sobre o comissário Terceirocão?

Quando Dois Cães Lutam, o Terceirocão Leva a Melhor?

- O PESEL do tio? - Terceira roda.

- Sim, rápido. Ótimo. - Não é isso. Isto.

Precisamos do dia e do mês.

É 4 de fevereiro. Não me digam que não sabiam.

- O 4 é aqui. - O 4 e o 2.

Bolas.

Raios.

- É isso! - O quê?

- Vazio. - Não tem nada.

Nada!

- Está vazio! - Não!

Silêncio!

Bem-vindos. Já que toda a família chegou…

Dou-vos as boas-vindas em meu nome e em nome do tio Władysław.

Chegaram aqui ontem e espero que muita coisa tenha mudado.

Parabéns por terminarem o jogo. Quanto às patentes, não se preocupem.

Estão todas bem guardadas aqui.

E talvez noutro lugar.

Mas conto-vos tudo ao jantar.

Até breve. Saúde, família!

As patentes hão de ser encontradas.

E, apesar de não termos milhões,

temo-nos uns aos outros.

E, nesta situação, acho que isso é o mais importante.

Um Ranger do Texas.

Mas também um pouco como o Zidane.

Bom, se está tudo esclarecido,

o que gostariam de beber?

O apelido do tio era Fortuna

e chamava ao programa dele Roda da Verdade?

Ele ficava furioso quando alguém referia isso.

- Espera lá. - Vens?

- O que foi agora? - Olá.

Queriam dizer-nos alguma coisa?

- Sim. - Eu ajudo.

Sim. Já têm idade suficiente para saberem.

Estou grávida.

Vão ter um irmãozinho.

Olha para eles. Não, estou a brincar.

Mas foste vista por um doutor?

O Dr. Robert. Os advogados também são tratados por doutor.

Mas isso não importa.

Pensar que os pais sabem tudo

é a maior mentira da humanidade.

Sim!

Vejam!

Atenção!

- Um comunicado. Vamos ficar na Polónia. - Exatamente!

Bravo!

Café, cola, Kinder Cerveja, drogas, Pringles

Memes do Tiger King Comentários deprimentes

Cada dia é igual Numa ilha deserta

Por favor, alguém me belisque Mas só se usarem uma luva

Café, cola, Kinder Cerveja, drogas, Pringles

Memes do Tiger King Comentários deprimentes

Cada dia é igual Numa ilha deserta

Por favor, alguém me belisque Mas só se usarem uma luva

O que foi? O que se passa?

As toalhas.

Tem o direito de permanecer em silêncio. Tudo o que disser…

Bem, sabe isso de cor.

Eu?

Mas eu não matei ninguém.

Fui eu.

- O quê? - Fui eu.

- É mentira. - Não é.

- Certo. - Sob o efeito do soro disseste que não.

Não tinha comido os doces.

Mas a outra coisa que eu disse é verdade.

Amo-te mesmo, Natalia.

- Desculpa. - Mas porquê?

Prestem atenção.

Para alegria da Natalia, o Gustaw não queria dinheiro.

Mas, para consternação dela, estava com ela devido ao tio dela.

Não tinha outra forma de ter acesso a ele,

já que o tio passou a vida numa fortaleza bem protegida no interior.

Em 1990, a avó do Gustaw, que o criou, foi ao Roda da Verdade.

O Karol tinha razão sobre o Gustaw.

O tio deu-lhe uma pista enganadora. Pelo menos, foi o que a avó dele disse.

Ela perdeu, entrou em depressão e, por fim, tentou matar-se.

O Gustaw foi enviado para um orfanato e culpou o tio por isso.

Avó!

Gustaw Romeo planeava o homicídio há muito tempo.

Mas ele não previu que se apaixonaria pela Natalia

e desistiu do plano.

Estou?

Ele ficou aliviado quando soube que o tio havia morrido.

Foda-se!

Quando vieram para a leitura do testamento e o tio apareceu,

o Gustaw ficou atónito.

À noite, quando desceu para beber água, encontrou o tio.

Que, ao que parece, sabia desde o início quem era realmente o Gustaw.

Afinal, ele preparou-se para o jogo.

Eles começaram a falar. Estava tudo a correr bem. Mas, no final…

- Eu perdoo-te. - Eu perdoo-o.

Perdoa-me pelo quê?

Só por me quereres matar.

E tu, Romeo? Por que motivo me perdoas?

Por ter dado uma pista enganadora.

Isso não é verdade.

- É verdade. - Não é.

Reconheça o seu erro.

Não posso.

Admita.

Não te posso mentir.

A resposta correta era Gronelândia e mostrei à Katarzyna…

- Não diga o nome dela! - Queria mostrar à Katarzyna…

O tio estava sob o efeito dos doces da verdade.

Ele estava a tentar dizer ao Gustaw que era incapaz de mentir.

Talvez tenha sido por isso que admitiu

que sabia o verdadeiro nome do Gustaw e quem ele era.

Não tinha intenção de o matar.

Pensei que, como ele estava

com a camisa à prova de bala, poderia esfaqueá-lo algumas vezes.

Era terapia?

Não sabia que ele tinha trocado de camisa.

As duas eram idênticas.

E, quando o esfaqueei pela primeira vez,

e o sangue apareceu,

não sei qual de nós ficou mais surpreendido.

Lamento.

Como sabiam que era eu?

Tudo graças ao Heniek.

Quando ele encontrou o artigo com a foto da família da concorrente,

a legenda dizia: "Sra. Katarzyna com o neto Romeo."

Um nome raro.

Esta manhã, ele encontrou a última peça do puzzle.

Lembram-se? Gustaw Romeo entrou na cozinha e perguntou…

Tinha uma camisa normal e esfaqueou-se?

Falou cedo demais.

Falou antes de ver o corpo.

Como é que ele sabia como o tio morreu?

Mas ainda era apenas uma teoria.

Por isso, liguei à polícia e pediram-me para não contar a ninguém.

- Então, só contei ao pai. - Não tínhamos provas.

A única opção era fazer bluff

e ver se amavas a Natalia o suficiente para a manter fora da prisão.

Aconteceu tudo naquele fim de semana exatamente como eu contei?

Não sei. Lembrem-se, eu estava pedrado.

Mas é a minha versão e vou mantê-la.

Aquele fim de semana mudou muita coisa nas nossas vidas.

Chegou o padrinho. Podemos começar.

A Natalia está a escrever um livro sobre o que aconteceu na mansão do tio.

O Velho e as Facas.

Estavas aborrecido?

Até agora, apesar das buscas, ninguém conseguiu encontrar as patentes.

Os Karols ficaram obcecados com o Władysław,

um Akita de seis meses.

Foi ele que o Karol comprou na Tailândia.

E o mordomo? O tio pagou-lhe tão bem

por disparar contra ele e tal,

que ele conseguiu comprar a mansão. Ainda vive lá.

Ele tem o seu próprio mordomo, mas ainda limpa e rega as plantas.

E nós? Ainda não temos varanda.

Mas a Józka está mais tranquila e o Heniek quer ser detetive.

E as coisas com a Zosia estão melhores. Começámos a ir ao Casino.

Jakub Casino, terapeuta de casais.

O que não fazem as pessoas por dinheiro?

Uma pergunta melhor seria: "O que não fazem as pessoas pela família?"

Quanto ao dinheiro, é como eu disse. Não temos, mas somos felizes.

FIM

TALVEZ…

Senhoras e senhores, bem-vindos a mais um Roda da Verdade.

Chamo-me Władysław Fortuna.

Eis os nossos prémios:

uma minimoto, um carro,

e o nosso prémio principal,

um cheque de mil milhões de zlótis.

A Sra. Katarzyna veio de Bydgoszcz.

- Sim. - Sozinha?

Vim com o meu neto.

Só falta uma pergunta.

Se errar, perderá tudo.

Qual é o nome da maior ilha do mundo?

Calma. Tu sabes qual é.

É…

Gravatolândia?

Lamento.

A resposta correta é Gronelândia.

Não!

Mas…

Obrigado por nos acompanharem.

Até para a semana.

Legendas: Nuno Oliveira

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